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	<title>Arquivo de ciclo de vida - Edificios e Energia</title>
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	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 27 May 2026 08:11:58 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de ciclo de vida - Edificios e Energia</title>
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		<title>Construção civil continua longe da neutralidade carbónica, alerta relatório da ONU </title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/construcao-civil-continua-longe-da-neutralidade-carbonica-alerta-relatorio-da-onu/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Galego]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 08:11:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ciclo de vida]]></category>
		<category><![CDATA[construção]]></category>
		<category><![CDATA[descarbonização]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O sector da construção civil continua a ser um dos maiores responsáveis pelas emissões globais de carbono, apesar dos avanços na eficiência energética e na construção sustentável. Um novo relatório das Nações Unidas alerta que o investimento na transição verde terá de mais do que duplicar até 2030 para manter viva a meta das emissões líquidas zero até meados do século. </p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/construcao-civil-continua-longe-da-neutralidade-carbonica-alerta-relatorio-da-onu/">Construção civil continua longe da neutralidade carbónica, alerta relatório da ONU </a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><span data-contrast="auto">O sector da construção civil continua a ser um dos maiores responsáveis pelas emissões globais de carbono, apesar dos avanços na eficiência energética e na construção sustentável. Um novo relatório das Nações Unidas alerta que o investimento na transição verde terá de mais do que duplicar até 2030 para manter viva a meta das emissões líquidas zero até meados do século.</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240,&quot;335559740&quot;:279}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">De acordo com o décimo </span><a href="https://wedocs.unep.org/items/dd0a1d99-dba3-46da-93ab-ef2a26fc3c14" target="_blank" rel="noopener"><i><span data-contrast="none">Relatório Global sobre o Estado da Construção Civil 2025-2026</span></i></a><span data-contrast="auto">, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA) e pela Aliança Global para Edifícios e Construção (GlobalABC), o sector representa entre 11% e 13% do Produto Interno Bruto global e emprega cerca de 9% da força de trabalho mundial.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240,&quot;335559740&quot;:279}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Ainda assim, o peso económico contrasta com o impacte ambiental. O sector é responsável por aproximadamente 37% das emissões globais de dióxido de carbono, por 28% do consumo mundial de energia e por quase metade da extracção global de materiais.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">O relatório foi apresentado durante a 13.ª sessão do Fórum Urbano Mundial e analisa os desafios da descarbonização de um sector em rápida expansão, num contexto marcado pela crise climática e pelas dificuldades de acesso à habitação.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<h5 aria-level="2"><b><span data-contrast="auto">Crescimento urbano mantém pressão sobre o ambiente</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;134245418&quot;:true,&quot;134245529&quot;:true,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:299,&quot;335559739&quot;:299}"> </span></h5>
<p><span data-contrast="auto">A expansão da construção continua a acelerar em várias regiões do planeta. Em média, são adicionados diariamente cerca de 12,7 milhões de metros quadrados de área construída, o equivalente a construir uma cidade do tamanho de Paris quase todas as semanas.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Em 2024, a área construída global aumentou 1,7%, atingindo os 273 mil milhões de metros quadrados. O crescimento foi impulsionado sobretudo pelas economias emergentes da Índia e do Sudeste Asiático.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Os autores do relatório alertam que metade dos edifícios que existirão em 2050 ainda não foram construídos ou necessitarão de renovação, tornando as decisões actuais determinantes para o futuro das emissões globais.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<h5 aria-level="2"><b><span data-contrast="auto">Eficiência energética melhora, mas continua insuficiente</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;134245418&quot;:true,&quot;134245529&quot;:true,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:299,&quot;335559739&quot;:299}"> </span></h5>
<p><span data-contrast="auto">O documento reconhece alguns progressos registados na última década. Desde 2015, a intensidade energética dos edifícios, medida pelo consumo de energia em relação à área construída, diminuiu 8,5% a nível global. No mesmo período, as certificações de edifícios sustentáveis quase triplicaram.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240,&quot;335559740&quot;:279}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Apesar disso, o ritmo de transformação permanece abaixo do necessário. Em 2024, as emissões operacionais dos edifícios aumentaram 1%, alcançando os 9,9 gigatoneladas de CO₂.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">As energias renováveis continuam igualmente com um peso reduzido no sector, representando apenas 17,3% do consumo energético dos edifícios, longe da trajectória exigida para atingir emissões líquidas nulas até 2050.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<h5 aria-level="2"><b><span data-contrast="auto">ONU pede reforço urgente do investimento</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;134245418&quot;:true,&quot;134245529&quot;:true,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:299,&quot;335559739&quot;:299}"> </span></h5>
<p><span data-contrast="auto">O relatório identifica o financiamento como um dos principais obstáculos à transição energética no sector. O investimento global em eficiência energética nos edifícios atingiu os 275 mil milhões de dólares em 2024, elevando o total acumulado desde 2015 para 2,3 mil milhões de dólares.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240,&quot;335559740&quot;:279}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">No entanto, as Nações Unidas consideram este valor insuficiente. Para alinhar o sector com as metas climáticas internacionais, o investimento terá de atingir os 5,9 mil milhões de dólares até 2030, o equivalente a cerca de 592 mil milhões anuais.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240,&quot;335559740&quot;:279}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Segundo o PNUMA e a GlobalABC, o abrandamento registado desde 2020 demonstra que a transição verde não está a acompanhar o crescimento da construção civil.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<h5 aria-level="2"><b><span data-contrast="auto">Habitação sustentável pode reduzir custos e desigualdades</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;134245418&quot;:true,&quot;134245529&quot;:true,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:299,&quot;335559739&quot;:299}"> </span></h5>
<p><span data-contrast="auto">Além da redução das emissões, o relatório defende que a acção climática nos edifícios pode trazer benefícios sociais directos. Edifícios mais eficientes poderão diminuir os custos da energia, melhorar as condições de habitabilidade e aumentar a resistência das comunidades aos fenómenos climáticos extremos.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">As Nações Unidas sublinham ainda que a sustentabilidade poderá desempenhar um papel importante na resposta à crise da habitação, ao reduzir despesas energéticas e melhorar a qualidade de vida das populações.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<h5 aria-level="2"><b><span data-contrast="auto">Países aceleram políticas para edifícios sustentáveis</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;134245418&quot;:true,&quot;134245529&quot;:true,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:299,&quot;335559739&quot;:299,&quot;335559740&quot;:279}"> </span></h5>
<p><span data-contrast="auto">O relatório destaca exemplos de medidas já implementadas em diferentes regiões: a União Europeia tem reforçado políticas relativas às emissões operacionais e incorporadas nos edifícios, enquanto Japão e Suíça melhoraram o desempenho energético do parque edificado.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Austrália, Alemanha, Índia e Paquistão registam avanços na integração de energias renováveis nos edifícios. Já países como Bahamas, Camboja e Colômbia começaram a incorporar estratégias sectoriais nos seus planos nacionais de acção climática.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">O documento refere igualmente a actualização de códigos de eficiência energética na Califórnia, Quénia, Japão e Singapura, bem como a expansão das certificações verdes na China, Índia, Turquia e Colômbia.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<h5 aria-level="2"><b><span data-contrast="auto">Próxima década será decisiva</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;134245418&quot;:true,&quot;134245529&quot;:true,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:299,&quot;335559739&quot;:299}"> </span></h5>
<p><span data-contrast="auto">O PNUMA e a GlobalABC defendem que os próximos anos serão determinantes para o futuro climático das cidades e da construção civil. As duas organizações prometem continuar a apoiar governos e decisores políticos na criação de políticas públicas, metodologias e instrumentos de financiamento que permitam acelerar a descarbonização do sector.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">O objectivo, concluem, passa por compatibilizar o crescimento urbano, a sustentabilidade ambiental e o acesso a habitação digna e acessível.</span></p>
<p>Fotografia de destaque: © Unsplash</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Comissão Europeia reforça estratégia para descarbonizar o sector da construção </title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/comissao-europeia-reforca-estrategia-para-descarbonizar-o-sector-da-construcao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Galego]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 09:14:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ciclo de vida]]></category>
		<category><![CDATA[construção]]></category>
		<category><![CDATA[descarbonização]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão Europeia apresentou novas orientações destinadas a acelerar a descarbonização do sector da construção. O documento “Abordagens do ciclo de vida para a descarbonização dos edifícios europeus” estabelece um quadro estratégico para reduzir o impacte ambiental dos edifícios desde a sua conceção até ao fim da sua vida útil. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><span data-contrast="auto">A Comissão Europeia apresentou novas orientações destinadas a acelerar a descarbonização do sector da construção. O documento “Abordagens do ciclo de vida para a descarbonização dos edifícios europeus” estabelece um quadro estratégico para reduzir o impacte ambiental dos edifícios desde a sua conceção até ao fim da sua vida útil.</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">O objectivo central destas directrizes é apoiar autoridades públicas, tanto a nível europeu como nacional e local, e profissionais do sector na adopção de práticas mais sustentáveis. A abordagem proposta assenta numa visão integrada do ciclo de vida dos edifícios, incluindo as fases de projecto, construção, utilização, renovação e demolição.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">De acordo com o executivo europeu, a redução das emissões não deve focar-se apenas no consumo energético durante a utilização dos edifícios, mas também nas emissões associadas aos materiais de construção e aos processos construtivos. O documento destaca ainda a importância de considerar o fim de vida das estruturas, incentivando a reutilização e reciclagem de materiais.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240,&quot;335559740&quot;:279}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Um dos aspectos mais inovadores das orientações prende-se com as chamadas “medidas do lado da procura”. Estas incluem a optimização do uso de edifícios existentes, a redução de demolições desnecessárias e a diminuição da necessidade de novos materiais. A estratégia visa, assim, não apenas construir melhor, mas também utilizar de forma mais eficiente o património edificado já disponível.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Neste contexto, a Comissão Europeia sublinha o potencial da renovação e reconversão de edifícios. Um exemplo concreto apresentado no documento é a transformação de escritórios desocupados em habitação social e acessível, contribuindo simultaneamente para mitigar a crise habitacional e reduzir emissões.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">As novas orientações estão alinhadas com os objectivos climáticos da União Europeia e reforçam iniciativas como o Novo Bauhaus Europeu, que promove espaços habitacionais sustentáveis e inclusivos. Esta iniciativa pretende também impulsionar a inovação e a competitividade no sector da construção, enquanto acelera a transição para uma economia circular.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Ao integrar políticas de eficiência energética, gestão sustentável de materiais e planeamento urbano inteligente, a Comissão Europeia pretende criar sinergias que permitam uma redução significativa das emissões no sector da construção. O documento pode ser consultado </span><a href="https://environment.ec.europa.eu/publications/commission-staff-working-document-supporting-life-cycle-approaches-decarbonise-european-buildings_en" target="_blank" rel="noopener"><span data-contrast="none">aqui</span></a><span data-contrast="auto">.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240,&quot;335559740&quot;:279}"> </span></p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
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		<title>PME vão ter incentivo financeiro para implementar Passaporte Digital do Produto</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/pme-vao-ter-incentivo-financeiro-para-implementar-passaporte-digital-do-produto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Galego]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Feb 2026 07:30:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ciclo de vida]]></category>
		<category><![CDATA[DPP Summit Guimarães]]></category>
		<category><![CDATA[guimarães]]></category>
		<category><![CDATA[passaporte digital de produto]]></category>
		<category><![CDATA[regulamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As pequenas e médias empresas (PME) vão beneficiar de um incentivo financeiro para a implementação do Passaporte Digital do Produto, uma exigência regulamentar da União Europeia que terá impacto no tecido empresarial português. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>As pequenas e médias empresas (PME) vão beneficiar de um incentivo financeiro para a implementação do Passaporte Digital do Produto, uma exigência regulamentar da União Europeia que terá impacto no tecido empresarial português. </strong></p>
<p><span data-contrast="auto">O anúncio foi feito pelo IAPMEI durante o DPP Summit Guimarães, evento que reuniu empresas, entidades do sistema científico e tecnológico e organismos públicos para debater o grau de preparação das empresas nacionais.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">De acordo com o IAPMEI, o incentivo financeiro deverá entrar em vigor este ano e foi aprovado em Conselho de Ministros no final de 2025. A medida visa mitigar o impacto económico e organizacional da nova obrigação europeia, particularmente relevante para as PME, que enfrentam maiores desafios ao nível da capacitação técnica, adaptação de sistemas e acesso a dados fiáveis e normalizados.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">“O encontro evidenciou que este passaporte deixará de ser um exercício de conformidade futura para se tornar, num horizonte próximo, um factor determinante de acesso ao mercado europeu”, lê-se no balanço do evento. Nos vários painéis de debate, foi consensual que o DPP deve ser encarado “não apenas como uma obrigação regulatória, mas como uma oportunidade de diferenciação e reforço da competitividade, desde que integrado de forma estratégica nos sistemas de informação, nos processos internos e na gestão da cadeia de valor”.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240,&quot;335559740&quot;:279}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Do lado do retalho, a Leroy Merlin Portugal partilhou dados que reflectem a crescente valorização de critérios ambientais por parte dos consumidores. Segundo a empresa, mais de 70% dos produtos vendidos em Portugal já se enquadram nos níveis A, B ou C de um </span><i><span data-contrast="auto">score </span></i><span data-contrast="auto">interno de sustentabilidade, sinalizando uma procura crescente por produtos com melhor desempenho ambiental e informação transparente.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">A concorrência internacional foi apontada como um dos principais riscos económicos associados à implementação do DPP. João Marques, da Herdmar, alertou para “o potencial desequilíbrio competitivo entre empresas europeias, sujeitas a exigências rigorosas em matéria de sustentabilidade e transparência, e concorrentes de mercados extracomunitários com menores obrigações regulamentares”.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">A integração do Passaporte Digital do Produto nas estratégias de economia circular foi também sublinhada por representantes do Grupo ACA e da Indelague, que destacaram o papel do DPP como ferramenta estruturante para o </span><i><span data-contrast="auto">ecodesign</span></i><span data-contrast="auto">, a gestão do ciclo de vida dos produtos e a valorização económica dos materiais.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">As entidades do sistema científico e tecnológico, como o CTCP – Centro Tecnológico do Calçado de Portugal e a Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria (APICER), membros do grupo de trabalho do Passaporte Digital do Produto em conjunto com o IAPMEI, reconheceram que a implementação do DPP representa um desafio significativo para as PME. Neste contexto, o incentivo financeiro previsto para este ano foi apontado como um instrumento crítico para acelerar a adaptação das empresas às exigências regulamentares europeias.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240,&quot;335559740&quot;:279}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">A centralidade dos dados foi outro dos pontos destacados ao longo do encontro. A F3M sublinhou que a fiabilidade, normalização e interoperabilidade da informação são condições essenciais para garantir a credibilidade e a escalabilidade dos passaportes digitais de produto.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">A moderação dos painéis esteve a cargo de Miguel Azenha e Ana Lima, do Centro de Computação Gráfica (CCG) da Universidade do Minho, que trouxeram para o debate uma perspectiva prática baseada em projectos de investigação aplicada com empresas. Entre os principais desafios identificados estiveram a articulação entre sistemas, a normalização dos dados e a dificuldade em transformar conhecimento técnico em soluções operacionais. Foi também evidenciado o papel do Centro de Valorização de Resíduos na utilização do DPP como suporte a estratégias de circularidade e gestão eficiente de materiais.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:1,&quot;335551620&quot;:1,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240,&quot;335559740&quot;:279}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">No plano das soluções práticas, o GreenTechLab apresentou uma ferramenta para a emissão do Passaporte Digital do Produto, concebida para ser escalável e adaptável a diferentes sectores e níveis de maturidade empresarial. Foi ainda apresentada a solução CarbonatZero, orientada para o cálculo da pegada de carbono corporativa nos três </span><i><span data-contrast="auto">scopes</span></i><span data-contrast="auto">, reforçando a importância dos dados ambientais fiáveis no contexto do DPP.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p>Fotografia de destaque: © Aliados Consulting</p>
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		<title>Guimarães recebe cimeira sobre novo passaporte digital europeu para produtos</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/guimaraes-recebe-cimeira-sobre-novo-passaporte-digital-europeu-para-produtos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Galego]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2026 08:00:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ciclo de vida]]></category>
		<category><![CDATA[DPP Summit Guimarães]]></category>
		<category><![CDATA[guimarães]]></category>
		<category><![CDATA[passaporte digital de produto]]></category>
		<category><![CDATA[regulamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guimarães acolhe, no próximo dia 28 de Janeiro, o DPP Summit Guimarães, um encontro dedicado ao impacto do Passaporte Digital de Produto. O evento reúne empresas, especialistas e entidades públicas para discutir os desafios práticos, os riscos de não conformidade e as oportunidades associadas à implementação deste requisito. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Guimarães acolhe, no próximo dia 28 de Janeiro, o DPP Summit Guimarães, um encontro dedicado ao impacto do Passaporte Digital de Produto. O evento reúne empresas, especialistas e entidades públicas para discutir os desafios práticos, os riscos de não conformidade e as oportunidades associadas à implementação deste requisito. </strong></p>
<p><span data-contrast="auto">A iniciativa surge num momento em que a entrada em vigor progressiva do Passaporte Digital de Produto deixa de ser um cenário teórico e começa a impor obrigações concretas às empresas. O novo regulamento exige a disponibilização de informação estruturada, fiável e verificável sobre os produtos ao longo de todo o seu ciclo de vida, incluindo dados sobre origem de matérias-primas, impacte ambiental, durabilidade e instruções de reciclagem.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">O DPP Summit Guimarães pretende clarificar de que forma estas exigências vão afectar a competitividade empresarial, em particular das pequenas e médias empresas, e como a falta de preparação pode traduzir-se em obstáculos à comercialização, exclusão de cadeias de valor internacionais e perda de contratos com grandes distribuidores.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Entre 2026 e 2030, sectores como materiais de construção, metais, têxtil e vestuário, calçado, mobiliário, equipamentos eléctricos e electrónicos, baterias, plásticos e embalagens estarão entre os primeiros a ter de cumprir integralmente os novos requisitos. “Milhares de empresas vão ter de criar sistemas para registar dados sobre matérias-primas, fornecedores, pegada de carbono, certificações ambientais, durabilidade e instruções de reciclagem. Quem não conseguir arrisca-se a ficar fora de cadeias de fornecimento europeias, perder contratos com grandes distribuidores ou enfrentar auditorias bloqueadas por falta de informação”, alerta João Pedro Pinto, da Aliados Consulting, uma das entidades promotoras do evento.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">O programa do encontro inclui a participação de organizações como o IAPMEI, a Herdmar, a Indelague, a Leroy Merlin, o Instituto CCG da Universidade do Minho, a F3M, a APICER, o Grupo ACA e o CTCP – Centro Tecnológico do Calçado de Portugal. A diversidade dos participantes pretende reflectir diferentes pontos da cadeia de valor e níveis de maturidade na gestão de dados e sustentabilidade, permitindo uma discussão baseada em experiências reais.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Além do debate regulamentar, o evento dará a conhecer soluções tecnológicas já em desenvolvimento, incluindo uma ferramenta digital criada pela Testbed Greentech Lab para apoiar as PME na emissão de passaportes digitais de produtos. O objectivo é mostrar como uma obrigação legal pode ser transformada num instrumento de adaptação estratégica e de reforço da competitividade.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">O DPP Summit Guimarães é organizado pela Testbed Greentech Lab, promovida pela Aliados Consulting, e decorre no Instituto CCG/ZGDV, em Guimarães, Capital Verde Europeia 2026, durante a tarde de 28 de Janeiro. A participação é gratuita, mediante</span><span data-contrast="auto"> </span><a href="https://aliados.consulting/dpp-summit-guimaraes/" target="_blank" rel="noopener"><span data-contrast="none">inscrição</span></a><span data-contrast="auto"> prévia.</span></p>
<p>Fotografia de destaque: © DPP Summit Guimarães</p>
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		<title>União Europeia define novas regras para medir a pegada de carbono dos edifícios</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/uniao-europeia-define-novas-regras-para-medir-a-pegada-de-carbono-dos-edificios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Galego]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jan 2026 08:42:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[certificados de desempenho energético]]></category>
		<category><![CDATA[ciclo de vida]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[epbd]]></category>
		<category><![CDATA[Pegada de Carbono]]></category>
		<category><![CDATA[UE]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=34068</guid>

					<description><![CDATA[<p>A União Europeia estabeleceu um método único para medir a pegada de carbono ao longo do ciclo de vida dos edifícios. A nova abordagem, apresentada pela Comissão Europeia, tornará obrigatória a divulgação deste indicador nos certificados de desempenho energético, a partir de 2028 para edifícios de grande dimensão e, até 2030, para todas as novas construções. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A União Europeia estabeleceu um método único para medir a pegada de carbono ao longo do ciclo de vida dos edifícios. A nova abordagem, apresentada pela Comissão Europeia, tornará obrigatória a divulgação deste indicador nos certificados de desempenho energético, a partir de 2028 para edifícios de grande dimensão e, até 2030, para todas as novas construções. </strong></p>
<p><span data-contrast="auto">O novo enquadramento consta de um regulamento delegado publicado a 16 de Dezembro e introduz uma metodologia comum para calcular o Potencial de Aquecimento Global (PAG) associado aos edifícios. Inspirada na revisão da Directiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), a medida pretende garantir que todos os Estados-Membros utilizam critérios comparáveis para avaliar as emissões de gases com efeito de estufa ao longo de todo o ciclo de vida de um edifício.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Ao contrário do que acontecia até agora, os certificados de desempenho energético deixarão de se centrar apenas no consumo energético durante a fase de utilização. A nova metodologia passa a incluir também as emissões incorporadas nos materiais de construção, nos processos de edificação, na manutenção, na demolição e na gestão de resíduos, incluindo a reutilização e a reciclagem.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">De acordo com o calendário definido por Bruxelas, a partir de Janeiro de 2028, todos os novos edifícios com mais de mil metros quadrados terão de apresentar o cálculo da sua pegada de carbono nos respectivos certificados energéticos. Até 2030, a obrigação será alargada a todas as novas construções, independentemente da sua dimensão.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Além de reforçar a transparência, a Comissão Europeia acredita que esta medida irá incentivar o uso de materiais e soluções de baixo carbono, como aço e cimento com menores emissões, técnicas de captura e armazenamento de carbono, construção em madeira e processos mais eficientes de reutilização e reciclagem de materiais.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">O regulamento prevê alguma margem de adaptação nacional. Os Estados-Membros poderão recorrer a valores padrão nacionais e a dados fornecidos pelos fabricantes, desde que alinhados com legislação europeia existente, como o Regulamento dos Produtos de Construção e as regras de ecodesign e rotulagem energética.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Após a sua publicação, o regulamento será agora analisado pelo Conselho da União Europeia e pelo Parlamento Europeu, que dispõem de um período de dois meses para escrutínio, prorrogável por mais dois meses. Se não houver objecções, o novo método passará a ser uma referência obrigatória na avaliação do impacto climático do sector da construção.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/uniao-europeia-define-novas-regras-para-medir-a-pegada-de-carbono-dos-edificios/">União Europeia define novas regras para medir a pegada de carbono dos edifícios</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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		<item>
		<title>Mafalda Rodrigues: tratar e reintroduzir resíduos e subprodutos na construção é &#8220;indispensável&#8221;</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/1905-cirmat-mafalda-rodrigues-tratar-reintroduzir-residuos-subprodutos-construcao-indispensavel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sónia Sul]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 May 2023 08:37:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[ACV]]></category>
		<category><![CDATA[ciclo de vida]]></category>
		<category><![CDATA[CirMAT]]></category>
		<category><![CDATA[dap]]></category>
		<category><![CDATA[Declaração Ambiental de Produto]]></category>
		<category><![CDATA[ecodesign]]></category>
		<category><![CDATA[economia circular]]></category>
		<category><![CDATA[Mafalda Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[RCD]]></category>
		<category><![CDATA[resíduos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=22373</guid>

					<description><![CDATA[<p>No âmbito do projecto CirMat – CIRcular aggregates for sustainable road and building MATerials, iniciado em Setembro de 2020, a dst s.a (do dstgroup), o Instituto Superior Técnico, a Universidade do Minho e a Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia desenvolveram...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/1905-cirmat-mafalda-rodrigues-tratar-reintroduzir-residuos-subprodutos-construcao-indispensavel/">Mafalda Rodrigues: tratar e reintroduzir resíduos e subprodutos na construção é &#8220;indispensável&#8221;</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>No âmbito do projecto <em>CirMat – CIRcular aggregates for sustainable road and building MATerials</em>, iniciado em Setembro de 2020, a <a style="font-weight: bold;" href="https://dstsa.pt/">dst s.a</a> (do <a style="font-weight: bold;" href="https://www.dstsgps.com/intro-pt-pt/#/#intro">dstgroup</a>), o <a style="font-weight: bold;" href="https://tecnico.ulisboa.pt/pt/">Instituto Superior Técnico</a>, a <a style="font-weight: bold;" href="https://www.uminho.pt/PT">Universidade do Minho</a> e a <a style="font-weight: bold;" href="https://www.ntnu.edu/">Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia</a> desenvolveram uma tecnologia industrial para criar uma gama inovadora de betão estrutural e betão betuminoso com elevada incorporação de resíduos e subprodutos provenientes do sector da construção. Para abordar os resultados desta iniciativa financiada em 85 % pelos <em style="font-weight: bold;">EEA Grants</em>, apresentados no dia 5 de Maio em Braga, convidámos Mafalda Rodrigues, coordenadora do projecto <em style="font-weight: bold;">CirMat</em>. &#8220;É indispensável a adaptação dos centros industriais&#8221; ao tratamento de resíduos e subprodutos de construção e ao fabrico de novos produtos com esses elementos, sublinha como uma das mensagens principais.</strong></p>
<p><strong>Em que consiste este projecto e esta tecnologia?</strong></p>
<p>O projecto <em>CirMat</em> tem como objectivo desenvolver o sector industrial através da promoção de produtos com elevado grau de incorporação de resíduos dos sectores da construção e de subprodutos da indústria siderúrgica. A maior parte da actividade das empresas de construção assenta na utilização, em larga escala, de betão estrutural e betão betuminoso, o que implica uma utilização intensiva de matérias-primas naturais e recursos energéticos, sendo a construção considerada uma das indústrias que mais contribui para as emissões de gases com efeito de estufa.</p>
<p>O <em>CirMat </em>pretende, assim, contribuir para um aumento da sustentabilidade no sector da construção, através da mudança de paradigmas na implementação dos princípios da <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/transicao-para-economia-circular-mercado-construcao1407/">economia circular</a>, assente no desenvolvimento de tecnologia industrial de uma gama de betão estrutural e de betão betuminoso inovador e amplamente utilizado, fabricado principalmente a partir de resíduos de construção e demolição (RCD) e de subprodutos industriais. O desenvolvimento destes produtos pretende, por um lado, reduzir drasticamente a utilização de recursos naturais e produtos energeticamente intensivos e, por outro lado, potenciar a reintrodução de resíduos e subprodutos na cadeia de valor no âmbito do conceito de <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/economia-circular-edificado-portugues-0609/">economia circular</a>. O projecto envolveu ainda a aplicação de quatro soluções inovadoras em construções-piloto, para cada um dos produtos desenvolvidos, bem como a elaboração de Declarações Ambientais de Produto (DAP) para que seja possível demonstrar a mitigação dos impactes ambientais relacionados com os produtos desenvolvidos, ao longo do seu ciclo de vida, constituindo, assim, uma opção altamente diferenciadora.</p>
<p><strong>Os resultados obtidos foram apresentados no dia 5 de Maio. Que principais mensagens é possível retirar destes resultados?</strong></p>
<p>Que é necessária uma indispensável adaptação dos centros industriais, quer para o tratamento dos resíduos e subprodutos, quer para o fabrico dos produtos com incorporação de resíduos e de subprodutos. [Também é de salientar] Que os resultados obtidos ao nível das características mecânicas e funcionais [nestes produtos] é igual ou superior, quando em comparação com produtos convencionais.</p>
<p>Outra mensagem é a de que a aplicação destes produtos inovadores deve, desde logo, de ser prescrita pelos projectistas, donos de obra e arquitectos, sendo o seu papel fundamental para potencializar a aceitação destes produtos; e ainda a mensagem de que projectos como este são importantes para demonstrar a viabilidade destes produtos e para a tal mudança de paradigma que se ambiciona e que é tão necessária para a transição verde na <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/roteiro-neutralidade-carbonica3103-cimenteira/">indústria</a> da construção.</p>
<p><strong>Durante o projecto, foram elaboradas as DAP. Que desafios e oportunidades é que este processo representa?</strong></p>
<p>Estas declarações serão as primeiras em Portugal para esta tipologia de produtos e já se encontram em fase de submissão. Desde logo, este foi o maior desafio e, simultaneamente, a principal oportunidade. As DAP demonstram, de forma harmonizada, um conjunto de informação quantificada e fidedigna, funcionando como uma ferramenta voluntária de comunicação relativa ao desempenho ambiental do produto ao longo do seu ciclo de vida e permitindo a realização de comparações de resultados (relacionados com o desempenho ambiental) entre produtos com funções ou aplicações similares. O desenvolvimento destas declarações foi suportado por estudos de avaliação de ciclo de vida (ACV) que determinaram o seu desempenho ambiental.</p>
<p>Foram, também, desenvolvidos passaportes de circularidade e ficheiros de <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/2804-cristina-rocha-design-circular-aplicabilidade-varios-niveis-sector-edificios-circo-hub-portugal-lneg-iapmei-apa/"><em>ecodesign</em></a>. Os primeiros são direccionados ao cliente, e onde é apresentada, de forma sintetizada, informação sobre o produto, incluindo um indicador de circularidade. Os segundos fornecem informação relevante para o produtor, na medida em que identificam acções que permitem optimizar/melhorar os resultados obtidos no decorrer do processo de fabrico.</p>
<p><strong>Os <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/1704-materiais-construcao-transicao-energetica-ee-145-opiniao-eduardo-maldonado/">materiais</a> representam uma fatia importante das emissões de gases com efeito de estufa do sector dos edifícios. Foi isso que motivou a criação desta gama de betão estrutural e betão betuminoso inovador? </strong></p>
<p>O objectivo deste projecto passou pela incorporação de elevadas taxas de agregados reciclados devidamente processados, em substituição de agregados naturais, em betões estruturais e betões betuminosos. Os estudos realizados mostram que esta substituição permite uma redução significativa do consumo de recursos minerais virgens e uma redução da pegada de carbono e da energia incorporada. No entanto, o potencial de redução da pegada de carbono será tanto maior quanto menor for a distância de transporte dos resíduos aos locais de produção e maior a economia de escala no seu processamento.</p>
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		<title>Energia incorporada nos materiais de construção: desafios, oportunidades e contributo para a descarbonização dos edifícios</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/1104-energia-incorporada-nos-materiais-de-construcao-desafios-oportunidades-e-contributo-para-a-descarbonizacao-dos-edificios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edifícios e Energia]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Apr 2023 07:23:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[ACV]]></category>
		<category><![CDATA[ciclo de vida]]></category>
		<category><![CDATA[construção sustentável]]></category>
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		<category><![CDATA[Declaração Ambiental de Produto]]></category>
		<category><![CDATA[descarbonização]]></category>
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		<category><![CDATA[materiais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>À medida que a eficiência energética dos edifícios aumenta, a energia incorporada nos materiais ganha cada vez mais relevância. Torna-se, por isso, necessário ser cada vez mais seletivo na escolha dos materiais a utilizar nas soluções construtivas de edifícios novos e reabilitados, garantido ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Autores: </strong><em>Manuela Almeida e Daniel Reis, </em><em>Universidade do Minho</em></p>
<p><strong>À medida que a eficiência energética dos edifícios aumenta, a energia incorporada nos materiais ganha cada vez mais relevância. Torna-se, por isso, necessário ser cada vez mais seletivo na escolha dos materiais a utilizar nas soluções construtivas de edifícios novos e reabilitados, garantido que possuam a menor energia incorporada possível. Para isso, é necessário simplificar as metodologias para a sua quantificação.</strong></p>
<p>Grande parte das atividades humanas é responsável por diversos impactos ambientais devido às elevadas emissões de carbono que lhe estão associadas. A concentração de carbono na atmosfera acelerou desde a Revolução Industrial e já ultrapassou a marca histórica das 400 ppm, o que teve consequências graves a nível climático. Este cenário resulta de uma economia ainda excessivamente dependente dos combustíveis fósseis, o que trouxe também grandes problemas relacionados com a dependência e a <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/aquecimento-arrefecimento-0803/">segurança energéticas</a>. Reduzir as emissões de carbono é, por isso, uma prioridade tanto a nível europeu como a nível global, o que está bem patente nos vários e ambiciosos objetivos e metas que têm vindo a ser estabelecidos nos últimos anos.</p>
<p>Descarbonizar a economia até 2050 é a missão abraçada pela União Europeia (UE) em 2018. Desde então, muitas ações foram delineadas e postas em prática, em vários setores, para atingir esse objetivo, promovendo a transição energética. É de referir, a nível nacional, o <a href="https://dre.pt/dre/detalhe/decreto-lei/84-2022-204502328">Decreto-Lei n.º 84/2022, de 9 de dezembro</a>, que aumenta de 47 % para 49 % a meta nacional de <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/2303-irena-estatisticas-capacidade-renovavel-cresce-recorde-96-portugal-tambem-cresce-83/">energias renováveis</a> no <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/eurostat-consumo-energia-renovavel-abaixo-objectivo/">consumo final bruto de energia</a> até 2030, o que mostra o alinhamento das políticas nacionais com os objetivos europeus.</p>
<p>Como é sobejamente conhecido, o setor dos edifícios é um setor crucial para se atingir a descarbonização, sendo vários os requisitos que estes têm de cumprir a este nível. O grau de exigência é crescente e será cada vez maior, abrangendo não só os edifícios novos como também os <a href="https://edificioseenergia.pt/?s=reabilita%C3%A7%C3%A3o">reabilitados</a>. A reabilitação energética dos edifícios existentes, impondo requisitos termo-energéticos elevados, é um objetivo ambicioso, mas incontornável para se atingir a descarbonização do setor.</p>
<h4>Desafios da nova diretiva</h4>
<p>São de salientar as medidas apresentadas na proposta de revisão da Diretiva Europeia para o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/revisao-epbd-1612/">apresentada em dezembro de 2021</a>, e que esteve em <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/periodo-feedback-0703proposta-revisao-epbd-deco-critica/">consulta pública em 2022</a>. Esta proposta de <a href="https://edificioseenergia.pt/?s=epbd">revisão da EPBD</a> foca vários aspetos pertinentes, mas dá especial ênfase à necessidade de reabilitar os edifícios existentes com um grau de exigência muito elevado, principalmente no que se refere à descarbonização. Esta nova proposta introduz a definição de “edifícios de emissões zero”, que será exigível a todos os edifícios novos a partir de 2030 (edifícios públicos a partir de 2027). Os edifícios existentes devem ser reabilitados de modo a atingirem a meta de emissões zero até 2050. Há, por isso, uma grande pressão para reabilitar e descarbonizar rapidamente o edificado.</p>
<p>Neste contexto, há, muitas vezes, a tentação de reabilitar os edifícios existentes recorrendo maioritariamente, se não exclusivamente, aos sistemas de climatização, de águas quentes sanitárias (AQS) e de produção local de energia renovável, não prevendo quaisquer intervenções na sua <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/0803-edificos-mais-sustentaveis-relatorio-fundo-ambiental-segunda-fase/">envolvente</a>. Por vezes, o recurso a estes equipamentos é a solução mais fácil, mais barata e mais eficaz no que se refere à descarbonização. No entanto, essa escolha ignora por completo aspetos cruciais relacionados com o bem-estar e o <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/anfaje-reforcar-programas-apoio-eficiencia-energetica-criar-beneficios-fiscais2411/">conforto</a> dos ocupantes ou com a prevenção da ocorrência de certas anomalias na envolvente dos edifícios, constituindo, por isso, uma má prática construtiva que deve ser contrariada. A aplicação de <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/futuro-edificios-2505-sustentabilidade/">medidas de eficiência energética na envolvente de um edifício a reabilitar deve ser sempre a primeira solução a ser equacionada</a> e a primeira a ser implementada, pois, para além dos impactos positivos já referidos, leva ainda à redução das necessidades energéticas do edifício e, consequentemente, da potência requerida aos sistemas que necessitem de ser instalados.</p>
<p>Além disso, a proposta de revisão da EPBD enfatiza que a reabilitação dos edifícios deve ser feita numa perspetiva de <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/norma-carbono-ciclo-de-vida-edificios-comite-ashrae-the-international-code-council/">ciclo de vida</a>, priorizando a descarbonização total dos edifícios. Esta estratégia passa, entre outras coisas, pela eliminação das emissões locais de carbono (eliminação dos equipamentos alimentados a combustíveis fósseis) e pela quantificação e pelo controlo da <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/edificios-energia-incorporada-e-pegada-ambiental-uma-nova-dimensao-da-sustentabilidade-1003/">energia e do carbono incorporados nos diversos materiais existentes</a> nos edifícios.</p>
<p>À medida que a energia operacional dos edifícios diminui, em consequência das crescentes exigências regulamentares dos últimos anos ao nível da eficiência energética, a relevância da <a href="https://edificioseenergia.pt/entrevista/jose-silvestre-entrevista-calcular-energia-incorporada-materiais-construcao-sim-e-possivel-ee145-2103/">energia incorporada nos materiais utilizados</a> vai-se tornando cada vez mais significativa, conforme se mostra na <strong>Figura 1</strong>. Assim, <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/sugestoes-carlos-oliveira-descarbonizacao1810/">para se atingir a descarbonização</a> total, será necessário investir numa criteriosa seleção dos materiais a utilizar nas soluções a implementar nos edifícios, escolhendo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/2903-renaturalnzeb-construcao-materiais-naturais-reciclados-procura-nao-puxa-oferta-paula-duarte-lneg/">soluções com baixa pegada de carbono</a>.</p>
<p>A quantificação da energia e do <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/worldgbc-carbono-incorporado-2309/">carbono incorporados</a> nos materiais é um passo em frente para se atingir a descarbonização do setor, mas há ainda um grande caminho a percorrer, principalmente no que se refere à disponibilização da informação necessária relativa aos materiais e produtos da construção e de ferramentas de apoio acessíveis e de fácil utilização.</p>
<p>A energia incorporada nos materiais de construção representa toda a energia consumida durante a sua vida útil, incluindo as etapas de extração dos recursos, produção, montagem e fim de vida. Para reduzir a energia incorporada nos materiais, é fundamental envolver toda a cadeia de valor, incluindo fabricantes, projetistas e outros profissionais da indústria da construção, de modo a selecionar e incluir no edifício soluções energeticamente eficientes e de baixa energia e carbono incorporados.</p>
<p>Contudo, ao contrário do que acontece com os sistemas de AVAC e AQS, onde existem <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/eprel-classe-eficiencia-0206energetica-base-dados-comissao-europeia-equipamentos-climatizacao-aqs-ventilacao/">informações sobre a sua eficiência energética</a>, tais como o coeficiente de desempenho sazonal (SCOP), que permite identificar e selecionar os sistemas mais eficientes, do ponto de vista dos materiais e sistemas construtivos, ainda não é comum serem disponibilizadas informações sobre a energia e o carbono incorporados nos materiais ou quaisquer outros indicadores ambientais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_21930" aria-describedby="caption-attachment-21930" style="width: 778px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-21930" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/04/Screenshot-2023-03-10-at-13.43.25.jpg" alt="" width="778" height="477" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/04/Screenshot-2023-03-10-at-13.43.25.jpg 1152w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/04/Screenshot-2023-03-10-at-13.43.25-300x184.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/04/Screenshot-2023-03-10-at-13.43.25-1024x628.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/04/Screenshot-2023-03-10-at-13.43.25-768x471.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/04/Screenshot-2023-03-10-at-13.43.25-610x374.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/04/Screenshot-2023-03-10-at-13.43.25-1080x662.jpg 1080w" sizes="(max-width: 778px) 100vw, 778px" /><figcaption id="caption-attachment-21930" class="wp-caption-text"><strong>Figura 1 &#8211;</strong> A participação do carbono incorporado nos materiais na pegada de carbono dos edifícios varia entre 25 % e 45 % nos edifícios novos que cumpram com os requisitos mínimos de desempenho energético ou com os requisitos dos edifícios com necessidades quase nulas de energia (nZEB), respetivamente, e cerca de 20 % em edifícios existentes. [Adaptado de Röck <em>et al.</em>, 2020]</figcaption></figure>
<h4>Avaliação do ciclo de vida</h4>
<p>Atualmente, uma das metodologias mais utilizadas para quantificar o desempenho ambiental, incluindo a quantificação da energia incorporada nos materiais, é a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV). Contudo, embora a ACV seja uma metodologia reconhecida, <a href="https://edificioseenergia.pt/entrevista/antonio-tadeu-a-escala-do-laboratorio-eu-posso-fazer-tudo-a-escala-da-industria-nao-1403/">ainda pouco conseguiu influenciar a indústria</a> da construção dada a complexidade associada à sua utilização e a falta generalizada de informação sobre as características dos produtos, sendo poucos os que apresentam as respetivas Declarações Ambientais de Produto (<a href="https://www.environdec.com/home">DAP</a>).</p>
<p>A dificuldade em aplicar a metodologia ACV deve-se a vários fatores e, em particular, ao elevado número de indicadores necessários para medir o impacto ambiental de um determinado produto, o qual tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos (EN-15804). Uma <a href="https://edificioseenergia.pt/empresas/guardian-glass-declaracoes-1905/">DAP</a> tem mais de 20 indicadores de impacto ambiental, alguns dos quais de difícil quantificação. Consequentemente, esta metodologia não é acessível às pequenas e médias empresas (PMEs), que compõem a grande maioria do tecido empresarial português e que têm poucos recursos disponíveis.</p>
<p>Para ultrapassar este problema, é usual recorrer-se a bases de dados (por exemplo, <a href="https://ecoinvent.org/">Ecoinvent</a>) que são tradicionalmente construídas numa abordagem “<em>bottom-up</em>”, representando medições em escala individual aceites como representativas do setor onde atuam. Uma vez que os resultados da ACV dependem do quão próximo os dados usados refletem o produto, a utilização de dados pouco representativos origina, por vezes, resultados desfasados da realidade.</p>
<blockquote>
<p>É fundamental adotar uma abordagem simplificada de ACV que permita reduzir e quantificar de forma acessível os dados representativos dos processos produtivos das empresas para estimar a pegada de carbono dos seus produtos.</p>
</blockquote>
<p>Para além da ACV, existem igualmente bases de dados que fornecem informações sobre a energia incorporada nos diversos materiais de construção. Contudo, esses dados não são usualmente baseados numa amostragem estatisticamente representativa (Röck<em> et al.</em>, 2020). Sem um inventário adequado e representativo, o cálculo da energia incorporada não irá refletir o processo produtivo da empresa, nem os seus benefícios e as suas limitações, o que dificulta a implementação de medidas de melhoria para reduzir a pegada de carbono associada. Para o mesmo produto, há diferenças significativas na quantificação da energia incorporada devido a fatores relacionados com a tecnologia utilizada, condições de operação, influência do tipo de combustível, etc.</p>
<p>Para ultrapassar todas estas limitações, é fundamental adotar uma abordagem simplificada de ACV que permita reduzir e quantificar de forma acessível os dados representativos dos processos produtivos das empresas para estimar a pegada de carbono dos seus produtos. A necessidade de simplificar a ACV para possibilitar o seu uso na indústria é também reconhecida internacionalmente. O <a href="https://www.wbcsd.org/">World Business Council for Sustainable Development</a>, entidade que reúne uma parte significativa das maiores empresas a nível mundial, lançou a <a href="http://forms.wbcsd.org/portfolio-item/mainstreaming-life-cycle-analysis-for-buildings-and-materials/">iniciativa <em>Mainstreaming Life-Cycle Analysis for Buildings and Materials</em></a>, que é apoiada por diversos grupos como Lafarge-Holcim e <a href="https://edificioseenergia.pt/?s=saint+gobain">Saint Gobain</a>. A iniciativa propõe a criação de regras comuns a aplicar a todos os materiais e que os resultados da ACV sejam publicados numa linguagem simples e acessível. Propõe ainda a padronização dos fluxos a serem recolhidos ao longo da cadeia da construção, o que se traduz numa redução do número de categorias, de impactos e de indicadores. Uma abordagem simplificada também reduz os custos da sua aplicação, o que facilitaria a sua implementação em larga escala, incluindo pelas PMEs. Para além disso, permitiria que as empresas gastassem os seus recursos essencialmente no desenvolvimento de soluções técnicas de baixa energia e carbono incorporados em vez de na aplicação da metodologia de avaliação do desempenho ambiental em si.</p>
<p>Considerando a elevada especialização dos projetos de construção de edifícios, é importante a disponibilização de ferramentas que permitam, por um lado, auxiliar as empresas na recolha de informações para quantificar a energia incorporada nos seus produtos e, por outro, que essas informações estejam facilmente acessíveis aos diversos profissionais da indústria da construção. Estas ferramentas de avaliação de desempenho ambiental devem possuir um conjunto de características específicas que permita a sua difusão entre os profissionais do setor (Di Bari <em>et al.</em>, 2022):</p>
<ul>
<li><strong>Facilidade de utilização</strong> – representa a facilidade com que uma ferramenta é capaz de ser utilizada;</li>
<li><strong>Funcionalidade</strong> – representa a capacidade de a ferramenta funcionar e comunicar de forma simples com o utilizador;</li>
<li><strong>Fiabilidade</strong> – representa a confiança que é possível ter na precisão dos resultados de uma medição;</li>
<li><strong>Interoperabilidade</strong> – representa a possibilidade de a ferramenta trocar e fazer uso de diferentes informações;</li>
<li><strong>Conformidade</strong> – representa a conformidade da ferramenta com as normas em vigor.</li>
</ul>
<p>A utilização de ferramentas e metodologias simplificadas pode facilitar a elaboração de<em> benchmarks</em>, permitindo que cada empresa consiga quantificar qual o desempenho ambiental dos seus produtos em relação aos concorrentes. Essas ferramentas simplificadas também permitiriam que fossem feitas escolhas criteriosas e informadas dos sistemas e produtos construtivos, baseadas em evidências – dados primários.</p>
<p><strong>Referências</strong></p>
<p>Bari <em>et al.</em>, 2022 &#8211; <strong>DOI</strong> 10.1088/1755-1315/1078/1/012092, disponível <a href="https://iopscience.iop.org/article/10.1088/1755-1315/1078/1/012092#references">aqui</a>.</p>
<p>Röck <em>et al.</em>, 2020 &#8211; <strong>DOI</strong> <span class="anchor-text">10.1016/j.apenergy.2019.114107, disponível <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0306261919317945?via%3Dihub">aqui</a>.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em>Este artigo foi originalmente publicado na edição nº145 da Edifícios e Energia (Janeiro/Fevereiro 2023)</em></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</em></strong></p>
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		<title>Calcular a energia incorporada nos materiais de construção? &#8220;Sim, é possível&#8221;, afirma José Silvestre</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/entrevista/jose-silvestre-entrevista-calcular-energia-incorporada-materiais-construcao-sim-e-possivel-ee145-2103/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Ascenso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Mar 2023 09:00:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[CERIS]]></category>
		<category><![CDATA[ciclo de vida]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[energia incorporada]]></category>
		<category><![CDATA[IST]]></category>
		<category><![CDATA[José Silvestre]]></category>
		<category><![CDATA[materiais]]></category>
		<category><![CDATA[Pegada de Carbono]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>José Silvestre é professor associado com agregação na Secção de Construção, no Instituto Superior Técnico, e coordena vários trabalhos no CERIS - Civil Engineering Research and Innovation for Sustainability. Para este investigador, o conhecimento e as ferramentas existem e já podemos pensar...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/entrevista/jose-silvestre-entrevista-calcular-energia-incorporada-materiais-construcao-sim-e-possivel-ee145-2103/">Calcular a energia incorporada nos materiais de construção? &#8220;Sim, é possível&#8221;, afirma José Silvestre</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>José Silvestre é professor associado com agregação na Secção de Construção, no Instituto Superior Técnico, e coordena vários trabalhos no CERIS &#8211; Civil Engineering Research and Innovation for Sustainability. Para este investigador, o conhecimento e as ferramentas existem e já podemos pensar em dar o passo seguinte: “começar a considerar a pegada de carbono e a energia incorporada de todo o ciclo de vida do edifício.”</strong></p>
<p><strong>Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, actualmente, já é possível calcular a energia incorporada nos materiais de construção na fase de projecto.</strong></p>
<p><img decoding="async" class="wp-image-21362  alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/03/pessoa.jpg" alt="" width="241" height="241" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/03/pessoa.jpg 200w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/03/pessoa-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 241px) 100vw, 241px" /></p>
<p>Sim, é possível. Aquilo que vinha a ser trabalhado por nós, do lado da investigação, está a tornar-se num tema e numa necessidade para os profissionais da área. Temos tido muitas solicitações, mas é preciso entender este tema nas suas várias escalas para o apresentar aos vários intervenientes que tentamos servir. Para os projectistas que estão a trabalhar para o mercado nacional mas com clientes estrangeiros ou que estão a trabalhar directamente com o mercado internacional, uma primeira motivação para fazer a avaliação ambiental do <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/norma-carbono-ciclo-de-vida-edificios-comite-ashrae-the-international-code-council/">ciclo de vida</a> (ACV) de um edifício, que inclui não só a <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/edificios-energia-incorporada-e-pegada-ambiental-uma-nova-dimensao-da-sustentabilidade-1003/">energia incorporada</a>, mas também a pegada de carbono, aparece quando este edifício vai ter uma certificação ambiental como o BREEAM ou o LEED. Nestes casos, o sistema dá uma pontuação adicional sobre este cálculo. O sistema de certificação português LiderA não motiva tanto este tipo de avaliação.</p>
<p><strong>Quando os projectistas procuram demonstrar essas opções de menor impacte ambiental estão a ir até onde? Até onde pode ir uma análise deste género?</strong></p>
<p>Os projectistas conseguem fazer uma radiografia do edifício e mostrar que tentaram tomar opções com base na minimização da energia incorporada, se tiverem essa motivação da pontuação adicional. Por iniciativa própria, não há grande interesse, porque não é fácil fazer esse cálculo. É preciso ter e investir num <em>software</em> especializado que lhes forneça e sistematize as bases de dados para saberem qual a energia incorporada em cada um dos componentes da lista de quantidades da construção do edifício. Mesmo que seja só para as especialidades de arquitectura e de estrutura, a lista de quantidades já é significativa. A ideia é terem um <em>software</em> onde sabem que podem ir buscar os valores de impacte para as impermeabilizações, para a estrutura, para os vários tipos de materiais. Tal como atribuem um custo a cada item da lista de quantidades, neste caso, já podem atribuir os valores da energia incorporada e da pegada de carbono. Neste tipo de sistemas de certificação, vão ter, depois, de demonstrar esses valores e diminuir esses impactes.</p>
<p><strong>Estamos a falar de processos voluntários e não obrigatórios. É possível sistematizar a informação que existe e criar metodologias que possam passar a obrigatórias? Qual o próximo passo?</strong></p>
<p>Os <em>softwares</em> que existem são estrangeiros e têm a desvantagem de serem usados <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/0601-enershare-espaco-europeu-dados-energeticos/">dados europeus</a> médios de impacte ambiental para cada material; na maioria dos casos, não têm nada que ver com a realidade nacional, e, por vezes, não espelham as técnicas construtivas que são usadas em Portugal. Temos tido fabricantes portugueses que investem em Declarações Ambientais de Produto (DAP), que são um retrato e um perfil ambiental mais detalhados do produto. Temos o Sistema Nacional de Registo de Declarações Ambientais de Produto para a construção, o DAPHabitat, onde já existem 25 DAP que retratam a produção de materiais em Portugal e que contêm a informação de que os projectistas precisam para caracterizar o <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/fosso-entre-a-performance-climatica-do-sector-dos-edificios-e-a-neutralidade-esta-a-aumentar-alerta-3011globalabc/">impacte ambiental</a> de cada um dos processos construtivos. Esta passagem de um documento bastante complexo para uma base de dados mais fácil e mais útil para o utilizador é mais difícil. Já fizemos trabalhos de investigação e consultoria com mais de 25 produtores nacionais para fazer esses estudos de ACV, mas nem todos chegaram ainda à DAP e nem todos foram ainda registados. Mas, pelo menos, os fabricantes ficaram com uma caracterização do desempenho ambiental do seu produto e também com uma comparação com os outros produtos europeus para poderem comparar as características de desempenho ambiental. Trabalhámos também no desenvolvimento de uma ferramenta dentro do <em>software Revit</em>, mas para os projectistas que trabalham com o <a href="https://edificioseenergia.pt/?s=bim">BIM</a> (<em>Building Information Modeling</em>) e onde é possível incluir características ambientais em cada um dos objectos BIM e fazer-se esse cálculo ambiental e também económico. Também já adaptámos essa ferramenta para o sistema <a href="https://environment.ec.europa.eu/topics/circular-economy/levels_en"><em>Level(s)</em></a> – uma metodologia europeia que permite a medição e a partilha do desempenho ambiental dos edifícios. Os gabinetes de projecto que estão mais sensíveis a esta transição digital para o BIM também estão sensíveis à transição verde e têm mais solicitações nessa direcção.</p>
<p><strong>O BIM pode ser uma boa alavanca?</strong></p>
<p>Pode, mas acabamos por perceber que é um investimento muito grande para os gabinetes de projecto portugueses e só aqueles que têm alguma dimensão e capacidade de competir em termos internacionais é que <a href="https://edificioseenergia.pt/entrevista/antonio-tadeu-a-escala-do-laboratorio-eu-posso-fazer-tudo-a-escala-da-industria-nao-1403/">fazem esse investimento</a>. Nesta nossa transferência de conhecimento, temos, ao mesmo tempo, o objectivo de facultar estes dados nacionais, esta base de dados de uma forma simplificada (carbono e energia incorporada) para os projectistas. Este pode ser um começo de “evangelização” nesta área e um passo muito importante.</p>
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<p>&#8220;O financiamento do Estado para a reabilitação térmica, por exemplo, tem sido muito reduzido comparado com o de outros países, apesar de haver a indicação da utilização de materiais de base natural ou com conteúdo reciclado (de baixa energia incorporada). Não se fala nas DAP, mas, pelo menos, incentivam-se materiais com conteúdo reciclado para minimizar o consumo de recursos nessa reabilitação térmica.&#8221;</p>
</blockquote>
<p><strong>Está a referir-se ao trabalho que o grupo PositiveCycle está a desenvolver no Instituto Superior Técnico?</strong></p>
<p>Sim, no âmbito do <a href="https://ceris.pt/">CERIS</a>, o nosso centro de investigação, que agora tem também um pólo na NOVA e no ITeCons, em Coimbra. Trabalhamos nestas ferramentas para a construção de edifícios, mas também à escala da cidade. Dentro do <em>Revit</em>, já é possível utilizar uma ferramenta gratuita, embora americana. Interessa-nos disponibilizar o máximo possível de dados nacionais.</p>
<p><strong>Quando olhamos para a energia incorporada dessa forma, não estamos a ser um pouco redutores? Não haverá outras dimensões que devem ser tidas em conta para além do fabrico? Inclusivamente, ao privilegiarmos uma dimensão, podemos estar a ser menos eficientes noutras&#8230;</strong></p>
<p>Sim, se falarmos num especialista de ACV ou de desempenho ambiental de edifícios, [esta] acaba por ser uma área multidisciplinar e não vai ser um engenheiro civil ou mecânico ou um arquitecto que tem o conhecimento todo para ser especialista nessa área. Tenho formado muitas pessoas nesta área da ACV ambiental, económica e energética. A maior parte já está a trabalhar em gabinetes de consultoria ou em investigação exactamente nesta área e [muitos] acabam por vir de formações muito diferenciadas. Podem vir de licenciaturas em ambiente e fazerem um doutoramento em engenharia civil, por exemplo. Ou ao contrário e, depois, especializam-se na área da sustentabilidade na construção. Há muitas possibilidades.</p>
<p><strong>Falando agora dos edifícios de carbono zero: esta obrigatoriedade não será uma falácia quando consideramos apenas para uma parcela do problema?</strong></p>
<p>A informação deveria estar mais disseminada e deveriam existir mais DAP desenvolvidas pelos fabricantes. A outra dificuldade que acaba por existir tem que ver com os incentivos que o Estado dá. Quando falamos em edifícios de carbono zero, pretende-se que isso seja também conseguido à custa das reabilitações e se, nestes casos, não for possível colocar energias renováveis, temos de investir ainda mais na eficiência energética e na baixa pegada de carbono dos novos materiais. O financiamento do Estado para a reabilitação térmica, por exemplo, tem sido muito reduzido comparado com o de outros países, apesar de haver a indicação da utilização de materiais de base natural ou com conteúdo reciclado (de baixa energia incorporada). Não se fala nas DAP, mas, pelo menos, incentivam-se materiais com conteúdo reciclado para minimizar o consumo de recursos nessa reabilitação térmica. Em Itália, existe um programa de financiamento de 110 % do custo da intervenção; cá, a percentagem de apoio é reduzida e não conseguimos chegar a todos os proprietários que precisam desse financiamento. Há um trabalho grande a fazer na reabilitação e, depois, na parte das exigências. Nos edifícios novos, é diferente. Na revisão da Directiva para o Desempenho Energético dos Edifícios (<a href="https://edificioseenergia.pt/?s=epbd">EPBD</a>), já será obrigatório considerar também todo o ciclo de vida. Em termos de certificação energética, só temos considerado o desempenho energético com exigências de <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/antonio-raimundo-nzeb-energia-0610/">consumo</a> máximo para a fase da utilização. À medida que os edifícios vão ficando mais eficientes, a fase da construção e a parte incorporada vão ganhando importância e mesmo este balanço é importante. Isolar cada vez mais, sim, mas é preciso ter atenção aos recursos que se gastam no isolamento. Aquilo que está em discussão nesta directiva é exactamente que se comece a ter em conta a pegada de carbono e a energia incorporada de todo o ciclo de vida do edifício.</p>
<blockquote><p>&#8220;Na Holanda, já existe um orçamento de carbono por m<sup>2</sup> para os edifícios novos, tal como temos para o desempenho energético em termos de kWh por m<sup>2</sup>, e que vai reduzindo todos os anos. Noutros países, esta área já está implementada para os edifícios públicos.&#8221;</p></blockquote>
<p><strong><img decoding="async" class="wp-image-21364 size-medium alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/03/shutterstock_2228041847-300x157.jpg" alt="" width="300" height="157" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/03/shutterstock_2228041847-300x157.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/03/shutterstock_2228041847-610x319.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/03/shutterstock_2228041847.jpg 650w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" />Essas variáveis são inevitáveis no nosso Sistema de Certificação Energética (SCE)? E para quando?</strong></p>
<p>Em termos académicos, já tive vários contactos com a <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/2303-adene-idae-programa-cooperacao-energia/">ADENE</a> – Agência para a Energia, dando conta de que já temos o conhecimento e as ferramentas para avançar. Em termos de investigação, trabalhamos muito à imagem daquilo que é o SCE. Na certificação energética, temos os vários níveis de desempenho e o <em>benchmarking</em> que é feito para edifícios com vários tipos de utilização, mas estamos a fazer esse trabalho para perceber como podem ser montadas essas várias classes de desempenho e de <em>benchmarking</em> ao nível da pegada de carbono e da energia incorporada. Tanto é possível que já temos exemplos em toda a Europa em que isso está a acontecer. A França já avançou muito e, desde 2022, os franceses já obrigam ao cálculo da pegada de carbono para efeitos de [emissão do] certificado energético.</p>
<p><strong>Na eventualidade de estar para breve, o mercado conseguiria acompanhar se fossem disponibilizadas as ferramentas necessárias?</strong></p>
<p>No caso do SCE, foram disponibilizadas folhas de cálculo e bases de dados com as características genéricas que deveriam ser consideradas para o desempenho térmico de cada material e de cada solução construtiva. No PositiveCycle, temos trabalhado na construção de uma base de dados de soluções construtivas para a envolvente do edifício e, por isso, temos dados ambientais para todo o ciclo de vida de paredes exteriores, coberturas inclinadas e coberturas planas. Temos a capacidade de montar essa base de dados para a envolvente dos edifícios e de complementar com o que já existe ao nível do desempenho energético. No caso francês, eles desenvolveram essa base de dados, e, se for utilizado um material que já tenha uma DAP, usam-se os dados reais desse produto; se não, vão usar-se dados genéricos que podem ser menos rigorosos ou vantajosos. Isso ajuda a motivar o mercado para que haja cada vez mais DAP. Depois, chegamos à questão do orçamento de carbono, não tanto no que se refere à energia incorporada, mas no que normalmente tem uma relação linear com a energia incorporada para a maioria dos materiais que estudamos. Na Holanda, já existe um orçamento de carbono por m<sup>2</sup> para os edifícios novos, tal como temos para o desempenho energético em termos de kWh por m<sup>2</sup>, e que vai reduzindo todos os anos. Noutros países, esta área já está implementada para os edifícios públicos. O Estado dá o exemplo e, na Alemanha e na Suíça, é obrigatório fazer essa quantificação. Em Portugal, já temos guias desenvolvidos pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) que podem suportar esse trabalho. Esses guias permitem, no âmbito das compras públicas ecológicas, exigir um maior detalhe da pegada ambiental do edifício, lado a lado com o orçamento ao nível do projecto, e que isso seja considerado como um critério de adjudicação. O Estado continua a ter o objectivo de que 60 % das compras públicas tenham critérios ecológicos. Aqui estão incluídos os edifícios públicos e, portanto, já existem condições para que a pegada de carbono ao nível do projecto e da construção possa ser um critério de adjudicação.</p>
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<p style="text-align: center;"><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/nova-edicao-janeiro-fevereiro-energia-incorporada-materiais1101/">edição nº 145</a> da Edifícios e Energia (Janeiro/Fevereiro 2023).</em></p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/entrevista/jose-silvestre-entrevista-calcular-energia-incorporada-materiais-construcao-sim-e-possivel-ee145-2103/">Calcular a energia incorporada nos materiais de construção? &#8220;Sim, é possível&#8221;, afirma José Silvestre</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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