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	<title>Ernesto Peixeiro Ramos, autor em Edificios e Energia</title>
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	<link>https://edificioseenergia.pt/author/ernesto-peixeiro-ramos/</link>
	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 07 May 2025 10:25:13 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Ernesto Peixeiro Ramos, autor em Edificios e Energia</title>
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		<title>Transposição da nova revisão da EPBD: 2ª chance para a manutenção dos sistemas de AVAC</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ernesto Peixeiro Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 May 2025 09:30:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[AVAC]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>"Com a nova revisão da EPBD, temos a oportunidade de traçar um novo caminho para uma manutenção que consiga impactar, efectivamente, na diminuição da utilização de energia nos edifícios. Embora exista legislação, a sua aplicação prática está longe de ser plenamente alcançada."</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/transposicao-da-nova-revisao-da-epbd-2a-chance-para-a-manutencao-dos-sistemas-de-avac/">Transposição da nova revisão da EPBD: 2ª chance para a manutenção dos sistemas de AVAC</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">Artigo publicado originalmente na edição de <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=158" target="_blank" rel="noopener"><span class="s2">Março/Abril de 2025</span></a> da Edifícios e Energia.</span></strong></em></p>
<p>Com a nova revisão da EPBD &#8211; Directiva para o Desempenho Energético dos Edifícios, temos a oportunidade de traçar um novo caminho para uma manutenção que consiga impactar, efectivamente, na diminuição da utilização de energia nos edifícios. Sabemos que os sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC) representam entre 40 e 60% da utilização de energia nos edifícios de serviços e sabemos também que uma manutenção preventiva adequada pode melhorar a eficiência operacional desses sistemas, permitindo reduções entre 10 e 20% na utilização de energia, o que equivale a uma diminuição global de 5 a 10% no consumo total de energia dos edifícios de serviços.</p>
<p>Exemplos de regulação dos sistemas de AVAC são o Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em Edifícios (RSECE) e o Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Comércio e Serviços (RECS). Documentos que definiram a manutenção e inspecção dos sistemas de AVAC e estabeleceram requisitos para garantir a qualidade do ar interior e a eficiência energética dos edifícios.</p>
<p>Esta regulamentação exige que os edifícios comerciais, industriais e públicos realizem inspecções regulares dos seus sistemas de AVAC, assegurando que estejam em conformidade com padrões de qualidade do ar interior e eficiência energética. No terreno, no entanto, muitos edifícios operam sem qualquer tipo de acompanhamento técnico ou manutenção preventiva, aumentando o risco de falhas técnicas e comprometendo a saúde dos ocupantes. Isso ocorre porque a fiscalização é frequentemente reactiva, sendo realizada apenas após denúncias ou problemas graves, como o caso do aparecimento de legionella.</p>
<p>Embora exista legislação, a sua aplicação prática está longe de ser plenamente alcançada. Questões relacionadas com a fiscalização, quer na fase de construção, quer na fase de exploração &#8211; custos elevados, falta de consciencialização dos gestores dos edifícios e complexidade técnica &#8211; comprometem a eficácia do legislado.</p>
<p>Diante deste panorama, é importante destacar alguns pontos críticos, já conhecidos por muitos profissionais do sector:</p>
<p><strong>1. Falta de fiscalização efectiva</strong></p>
<p>Acreditamos que a ausência de uma fiscalização activa é um dos principais entraves ao cumprimento da legislação. Muitas empresas e instituições públicas não cumprem as exigências legais porque sabem que não há fiscalização. O projectista declara que o projecto cumpre a legislação, o director de obra declara que as instalações cumprem o projecto e o perito qualificado emite o certificado energético baseado na declaração deste, sem ter efectuado quaisquer acompanhamento e/ou verificação. Depois de executadas as instalações, é sempre mais difícil verificar o que está executado. Para piorar, as sanções a aplicar aos possíveis infractores são insignificantes em comparação com os custos de execução correcta, o que cria um ciclo vicioso onde as organizações preferem correr o risco de multas menores em vez de investir em soluções adequadas para garantir o bom funcionamento dos sistemas de AVAC.</p>
<p><strong>2. Falta de um comissionamento adequado</strong></p>
<p>Quando falamos em comissionamento, a tendência é para pensarmos na verificação final das instalações com vista à sua entrega. Pretende-se garantir que todos os sistemas, equipamentos e componentes instalados estejam a funcionar conforme as especificações do projecto. Para tal, é executada uma série de testes, verificações e validações técnicas, geralmente nas fases finais da obra ou durante a fase de arranque dos sistemas. O processo inclui a calibração, a integração dos sistemas, a verificação do desempenho e o treino dos operadores, assegurando que a instalação opera com a eficiência e segurança desejadas. Este conjunto de verificações é, na maior parte dos casos, simplificada devido à pressão da entrega da obra e os problemas, se identificados, são grosseiramente corrigidos, uma vez que a correcção adequada pode ser complexa e implicar revisões substanciais que afectem significativamente, não só a qualidade, mas também os custos da obra, pelo que é corrente deixar como está, resultando na precariedade de acessos aos equipamentos para a sua correcta manutenção e escamoteamento de etapas de ajustes e calibrações.</p>
<p><strong>3. Custos elevados e restrições orçamentais</strong></p>
<p>Os custos associados à manutenção especializada dos sistemas de AVAC representam um obstáculo significativo, especialmente no sector público. Muitos proprietários e gestores de edifícios, pressionados por limitações financeiras, optam por adiar ou reduzir investimentos em manutenção preventiva. Essa abordagem económica de curto prazo pode parecer vantajosa inicialmente, mas resulta em consequências negativas a longo prazo, incluindo falhas técnicas, degradação acelerada dos equipamentos e aumento dos custos operacionais. No caso dos edifícios do Estado, a situação é agravada pela burocracia envolvida nos processos de contratação pública. A necessidade de aprovações múltiplas e o foco excessivo em critérios de preço mais baixo frequentemente levam à escolha de fornecedores menos qualificados ou incapazes de oferecer serviços com a qualidade adequada.</p>
<p><strong>4. Baixa consciencialização sobre a importância da Qualidade do Ar Interior (QAI)</strong></p>
<p>A importância da QAI ainda não é amplamente reconhecida por decisores, operadores e ocupantes de edifícios. Muitas pessoas subestimam os impactos negativos de um sistema de AVAC mal mantido, que pode levar à proliferação de fungos, bactérias e outros poluentes, comprometendo a saúde respiratória e causando desconforto térmico. A campanha de sensibilização lançada com o RSECE (2007-2010), em que se pretendia através dos peritos qualificados do SCE chegar aos gestores dos edifícios e ao público, foi abortada pela extinção das auditorias à QAI. Para além disso, a complexidade técnica envolvida na gestão dos sistemas de AVAC dificulta a comunicação clara entre especialistas e leigos, criando uma barreira adicional para a adopção de boas práticas.</p>
<p><strong>5. Complexidade técnica e escassez de mão de obra qualificada</strong></p>
<p>Os sistemas de AVAC modernos são altamente sofisticados, incorporando tecnologias avançadas de controlo e automação. Isso exige profissionais com formação específica e actualizada para realizar manutenções adequadas. No entanto, a escassez de técnicos qualificados no mercado nacional torna difícil encontrar equipas capazes de garantir a conformidade com as normas estabelecidas.</p>
<p><strong>6. O papel dominante das empresas de construção que acabam distorcendo o mercado</strong></p>
<p>Um factor crucial que contribui para os desafios enfrentados pelo sector de manutenção dos sistemas de AVAC é a relação desequilibrada entre as construtoras e empresas especializadas. As grandes construtoras frequentemente detêm um papel dominante, liderando projectos de construção e subcontratando empresas especializadas para realizar trabalhos específicos, incluindo a instalação e manutenção de sistemas de AVAC.</p>
<p>Ora, essas construtoras tendem a impôr preços muito baixos às empresas subcontratadas, restringindo os seus orçamentos operacionais e dificultando a contratação de mão de obra qualificada ou a aquisição de equipamentos adequados. Essa prática, para além de comprometer a vida e qualidade dos sistemas de AVAC, resulta no enfraquecimento gradual dessas empresas especializadas, comprometendo a sua capacidade técnica e financeira de oferecer serviços de alta qualidade.</p>
<p>Desta forma, as construtoras retêm grande parte das &#8220;mais-valias&#8221; geradas nos projectos, enquanto as empresas especializadas ficam com margens de lucro mínimas. Esse modelo não apenas desincentiva investimentos em formação contínua e tecnologia avançada por parte das empresas subcontratadas, mas também perpetua um ciclo de precariedade no sector que na última década viu desaparecer os últimos grandes instaladores que, sem recursos suficientes para se modernizarem e expandirem, acabaram por fechar as portas, deixando um vazio no mercado das instalações e da manutenção especializada.</p>
<h4>NÃO BASTA LAMENTAR – É PRECISO APONTAR UM NOVO CAMINHO</h4>
<p>Para mitigar estas questões, é essencial adoptar uma abordagem multifacetada que combine reforço da fiscalização, integração do comissionamento desde o projecto até à exploração, aumento da consciencialização, promoção de modelos de contratação baseados na qualidade e incentivo à adopção de tecnologias inovadoras. Eis algumas medidas que propomos:</p>
<p><strong>1. Criação da Fiscalização</strong></p>
<p>A criação de uma força de fiscalização dedicada e capacitada pode ajudar a garantir que a legislação seja cumprida de forma consistente. As autoridades devem investir em mecanismos de auditoria regular e imprevista a edifícios, quer em construção, quer construídos e em funcionamento, utilizando tecnologia para facilitar o processo. Por exemplo, poderiam ser utilizadas plataformas digitais para registar e acompanhar as inspecções realizadas, garantindo transparência e responsabilização.</p>
<p>Além disso, as sanções aplicadas aos infractores devem ser mais severas e proporcionais ao grau de descumprimento. Multas elevadas ou suspensão temporária de licenças podem servir como incentivos poderosos para o cumprimento da legislação.</p>
<p><strong>2. Processo de Comissionamento</strong></p>
<p>Integrar o comissionamento desde a fase de projecto e acompanhar toda a execução da obra, estendendo-se até à fase de operação. Dessa forma, é possível identificar e corrigir problemas de forma mais ágil, optimizar os acessos e a manutenção dos equipamentos, além de garantir uma transição mais suave para a operação dos sistemas com o treino adequado dos operadores. Durante o processo de comissionamento devem ser realizadas inspecções detalhadas, testes funcionais e calibrações que identifiquem e corrijam problemas antes que o sistema entre em operação plena e, ao mesmo tempo, devem ser estabelecidos valores de referência para o desempenho energético para que no futuro, durante a manutenção preventiva, estes valores possam ser comparados com os medidos, por forma a detectar desvios anormais.</p>
<p>Este processo deve ser a base do plano de manutenção, fornecendo informações essenciais sobre o estado inicial dos sistemas, os seus pontos críticos e as melhores práticas para a sua operação e conservação, permitindo que sejam estabelecidos procedimentos mais precisos e eficazes para monitorizar e preservar o desempenho dos sistemas ao longo do tempo. Para que isto seja possível, é necessário que sejam estabelecidas revisões periódicas – Recomissionamento – durante o ciclo operacional dos sistemas de AVAC.</p>
<p><strong>3. Incentivos Financeiros</strong></p>
<p>Programas de incentivo financeiro, como subsídios ou benefícios fiscais, podem motivar proprietários e gestores de edifícios a investir em manutenção regular. Esses programas poderiam ser direccionados especificamente para pequenas e médias empresas, que muitas vezes enfrentam maior dificuldade em arcar com os custos associados.</p>
<p>Além disso, medidas regulatórias podem ser introduzidas para garantir maior equidade na distribuição de contratos entre construtoras e empresas especializadas. Por exemplo, poder-se-ia exigir que um percentual mínimo dos recursos destinados a projectos de construção seja reservado exclusivamente para empresas focadas em manutenção dos sistemas de AVAC, garantindo-lhes acesso justo ao mercado.</p>
<p><strong>4. Formação e Certificação</strong></p>
<p>Investir em programas de formação contínua para técnicos dos sistemas de AVAC é crucial para colmatar a escassez de mão de obra qualificada. As instituições de ensino técnico e as universidades podem colaborar com empresas do sector para desenvolver cursos especializados que preparem profissionais para lidar com as necessidades crescentes do mercado.</p>
<p>Certificações oficiais também podem ser introduzidas para garantir que os técnicos mantêm os seus conhecimentos actualizados e demonstram competência em áreas específicas, como a eficiência energética ou a saúde ambiental.</p>
<p><strong>5. Adopção de Abordagens Preventivas</strong></p>
<p>Priorizar a manutenção preventiva em vez de correctiva pode gerar economias significativas a longo prazo. Isso envolve a implementação de planos de manutenção personalizados para cada edifício, levando em consideração as suas características únicas e as necessidades específicas. Ferramentas de diagnóstico preditivo, como sensores inteligentes e análises de dados, podem ser usadas para identificar potenciais problemas antes que eles ocorram.</p>
<p><strong>6. Tecnologias Inovadoras</strong></p>
<p>A digitalização dos sistemas de AVAC oferece oportunidades sem precedentes para melhorar a sua eficiência e sustentabilidade. Soluções como sensores de qualidade do ar, sistemas de automatização e plataformas de monitorização em tempo real podem optimizar o desempenho dos equipamentos, reduzir o consumo de energia e garantir ambientes mais saudáveis para os ocupantes.</p>
<p>Por exemplo, a IoT (<em>Internet of Things</em>) permite que dispositivos ligados em rede monitorizem continuamente parâmetros como temperatura, humidade relativa e concentrações de CO2, enviando alertas automáticos sempre que valores fora dos limites aceitáveis forem detectados. Esta abordagem proactiva ajuda a evitar falhas catastróficas e minimiza o impacte ambiental.</p>
<h4>CONCLUSÃO</h4>
<p>A manutenção adequada dos sistemas de AVAC é fundamental para garantir a qualidade do ar interior, a saúde dos ocupantes e a eficiência energética dos edifícios. Embora a legislação já tenha avançado nessa direcção, a sua aplicação prática ainda enfrenta diversos desafios que precisam ser superados. Ao combinar fiscalização eficaz, processo de comissionamento, consciencialização pública, qualificação técnica e inovação tecnológica, podemos criar ambientes interiores mais seguros, eficientes e sustentáveis, beneficiando tanto os utilizadores quanto o meio ambiente.</p>
<p>A transformação desse cenário passa por uma mudança cultural e institucional, onde todos os <em>stakeholders</em> — desde legisladores e gestores de edifícios até técnicos e ocupantes — reconheçam a importância vital dos sistemas de AVAC e trabalhem juntos para garantir o seu pleno funcionamento.</p>
<p>Para tal, o Sistema de Certificação Energética deve reconhecer na revisão em curso &#8211; até 29 de Maio de 2026 &#8211; o papel determinante que os Peritos Qualificados podem ter na sua articulação com o dono de obra, o director de obra e o projectista dos sistemas de AVAC e incluir na legislação as medidas acima propostas. Somente assim será possível transcender a mera existência de legislação e construir um futuro mais resiliente e sustentável.</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</span></strong></em></p>
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		<item>
		<title>A minha estória da Maria</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/a-minha-estoria-da-maria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ernesto Peixeiro Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Mar 2024 11:49:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[classe energética]]></category>
		<category><![CDATA[desempenho energético]]></category>
		<category><![CDATA[sistema de certificação energética]]></category>
		<category><![CDATA[solar térmico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Maria ficou muito contente com a classe energética A do seu apartamento. Mas quando as facturas da luz começaram a chegar reparou que os valores eram mais altos...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/a-minha-estoria-da-maria/">A minha estória da Maria</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">Artigo publicado originalmente na edição de <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=151"><span class="s2">Janeiro/Fevereiro de 2024</span></a> da Edifícios e Energia.</span></strong></em></p>
<p>Alfacinha de nascimento, Maria ficou muito contente com a classe energética A do agora seu apartamento. Mas quando as facturas da luz começaram a chegar reparou que os valores eram mais altos do que aqueles que ela estava habituada a pagar no anterior apartamento alugado. Assim, com a ajuda de um consultor verificou que o depósito de acumulação da energia solar tem uma resistência eléctrica no seu terço inferior, na mesma zona da serpentina de permuta da energia solar. Pensava que tinha água quente com mais de 50 % de contribuição da energia solar e afinal a contribuição do solar é nula pois como toma banho à noite quando o sol nasce já a água está aquecida pela resistência eléctrica.</p>
<p>Maria resolveu verificar o que constava no certificado energético, mas este só diz que, &#8220;para a preparação de água quente, tem instalado um sistema solar térmico apoiado por uma resistência eléctrica, (…) sistema solar térmico por circulação forçada composto por dois painéis marca ‘X’ modelo ‘X’ e um depósito instalado no interior da fracção”.</p>
<p>O consultor explicou que a utilização do sistema de apoio no depósito de armazenamento de energia solar promove a concorrência entre estes sistemas, nomeadamente porque a resistência eléctrica e a serpentina do sistema solar actuam na mesma área do depósito. Esta situação pode dificultar, ou mesmo impedir, uma gestão eficaz do aproveitamento da energia solar. Por conseguinte, o sistema solar térmico deve ser responsável pelo aquecimento, em exclusivo, da parte mais fria do depósito (zona inferior), cabendo ao sistema de apoio (resistência eléctrica) o aquecimento da respectiva parte mais quente (normalmente o terço superior).</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-25983 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/03/deposito_a_jpeg-290x300.jpeg" alt="" width="290" height="300" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/03/deposito_a_jpeg-290x300.jpeg 290w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/03/deposito_a_jpeg-610x631.jpeg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/03/deposito_a_jpeg.jpeg 742w" sizes="(max-width: 290px) 100vw, 290px" /></p>
<p>Esta obrigação já faz parte da Portaria 138-I/2021, que substituiu a portaria 349B-2013, que permitia a situação encontrada no seu apartamento (construído em 2020). No entanto, a instalação não respeita a Portaria n.º 349 B-2013 REH, em vigor na altura da construção:</p>
<ol>
<li>a) Não inclui a “instalação de um relógio programável e acessível, para actuação da resistência de forma que, durante o dia, o depósito possa receber energia proveniente do colector solar”</li>
<li>b) A resistência térmica do isolamento do depósito é inferior ao valor legislado. O isolamento em poliuretano injectado apresenta valores de condutibilidade térmica superiores a 0,024 W/(m.K), pelo que a resistência térmica nestas condições é de 1,66 m2.K/W, valor inferior ao regulamentado – 2,00 m2.K/W.</li>
<li>c) A tubagem respeitante à água quente sanitária e ao sistema solar (circuito da serpentina) não está termicamente isolada.</li>
</ol>
<p>Outra situação para a qual o consultor a alertou foi a inexistência de uma tina de recolha de água que impeça a inundação por rotura do depósito, quer do seu apartamento, quer dos apartamentos por baixo do seu.</p>
<p>Maria está decepcionada com o Sistema de Certificação Energética, pois a informação prestada com a classificação A afinal não corresponde ao apartamento que comprou. E pergunta:</p>
<ul>
<li>Como é que se pode afirmar que os certificados energéticos reflectem com precisão o desempenho energético dos edifícios?</li>
<li>Como é que o SCE pode apregoar a fiabilidade dos certificados energéticos se não fiscaliza as instalações?</li>
</ul>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</span></strong></em></p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/a-minha-estoria-da-maria/">A minha estória da Maria</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Tudo elétrico? Sim, mas devagarinho&#8230;</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/2407-tudo-eletrico-sim-mas-devagarinho-ernesto-peixeiro-ramos-ee147/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ernesto Peixeiro Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jul 2023 08:42:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[descarbonização]]></category>
		<category><![CDATA[electrificação]]></category>
		<category><![CDATA[ernesto peixeiro ramos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Querer reduzir a quantidade de carbono que está a ser lançada para a atmosfera, pela atividade humana, não é uma novidade, mas tornou-se a obsessão atual sendo, agora, designada por descarbonização.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/2407-tudo-eletrico-sim-mas-devagarinho-ernesto-peixeiro-ramos-ee147/">Tudo elétrico? Sim, mas devagarinho&#8230;</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_0 et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
<div class="et_pb_text_inner">
<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_0 et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
<div class="et_pb_text_inner">
<p style="text-align: center;"><em>Artigo publicado originalmente na <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/nova-edicao-maio-junho-2023-como-as-cer-estao-a-reformular-o-mercado-da-energia/">edição de Maio/Junho</a> de 2023 da Edifícios e Energia</em></p>
</div>
</div>
</div>
</div>
<p><span data-contrast="none">Querer reduzir a quantidade de carbono que está a ser lançada para a atmosfera, pela atividade humana, não é uma novidade, mas tornou-se a obsessão atual sendo, agora, designada por descarbonização.</span></p>
<p><span data-contrast="none">A última década (2010-2020) foi a mais quente alguma vez registada – em 2019, a temperatura média global ultrapassou em 1,1 ºC os valores atingidos antes da Era Industrial. Esta aceleração e os graves impactos negativos no ambiente associados ao previsível aumento de temperatura de 2 ºC, comparativamente aos valores pré-industriais, fizeram com que a comunidade internacional (COP 26, 2021) reconhecesse a necessidade de manter o aumento da temperatura abaixo desse valor e, para tal, prosseguir esforços para limitar o aumento em 1,5 °C até ao final do século.<br /></span></p>
<p><span data-contrast="none">Nos últimos tempos, temos ouvido algumas vozes (Quercus e Zero) a pedirem que se <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/0211-carta-comissao-europeia-eliminacao-ate-2025-caldeiras-esquentadores-gas/">acabe com esquentadores e caldeiras a combustíveis fósseis até 2025</a> como medida para reduzir as nossas emissões. Alguns mais radicais pedem mesmo o fim do gás nos edifícios.<br /></span></p>
<p><span data-contrast="none">Sabemos o impacto significativo que o sector dos edifícios tem na utilização global da energia e, por isso, parece ser lógico que se reduza substancialmente a utilização dos combustíveis fósseis com o aumento da utilização de energia elétrica, especialmente a proveniente de fontes limpas renováveis. No entanto, a <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/electrificacao-renovaveis-eficienciaenergetica-1910/">eletrificação</a> rápida poderia ser um desastre não só porque a rede elétrica não está preparada (vejam-se os colapsos que acontecem com pontas de consumo, quer no inverno, quer no verão), mas também porque o foco não deve estar na substituição. Deve estar, sim, na redução da utilização de energia através da eficiência energética, o que implica reduzir as cargas elétricas em vez de as aumentar.<br /></span></p>
<p><span data-contrast="none">Os edifícios novos devem ser concebidos de forma holística tendo como meta a neutralidade carbónica. Só assim será possível reduzir a utilização de combustíveis fósseis, adequar a rede elétrica à nova realidade e preparar os espaços para receberem os sistemas de produção de água quente sanitária, espaços significativamente maiores do que aqueles necessários para os esquentadores. Estes sistemas não devem recorrer ao efeito de Joule, já que isso não contribui para a descarbonização, pois, atualmente, gera na fonte 0,27 kg CO₂ por cada kWh utilizado. Os sistemas indicados são aqueles que recorrem aos coletores solares ou às bombas de calor que podem reduzir a geração de CO₂ pelo menos para metade. Em termos de ventilação, <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/2306-irena-fornece-toolbox-para-electrificacao-inteligente-do-aquecimento-e-arrefecimento/">aquecimento e arrefecimento</a> dos edifícios, primeiro e antes de tudo, o que é essencial é a redução das cargas térmicas pela otimização da envolvente e de uma ventilação controlada pela <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/0304-saude-temos-implementar-auditorias-qai-ernesto-peixeira-ramos/">qualidade do ar interior</a>. A <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/1104-energia-incorporada-nos-materiais-de-construcao-desafios-oportunidades-e-contributo-para-a-descarbonizacao-dos-edificios/">energia contida nos materiais</a> que compõem os edifícios e a energia que é utilizada para a sua construção devem, também, ser contabilizadas e minimizadas. Neste caso, podem ser aplicadas restrições para impedir a utilização dos combustíveis fósseis, mas temos que perceber que irá demorar bastante tempo para que estas medidas tenham algum impacto, visto que apenas construímos cerca de 20 mil alojamentos por ano num parque edificado de seis milhões de alojamentos. Mesmo que se englobem as reabilitações, o efeito continua a ser insignificante.<br /></span></p>
<p><span data-contrast="none">A esmagadora maioria dos edifícios existentes não está preparada para receber os equipamentos elétricos alternativos. Um termoacumulador não cabe no espaço de um esquentador. As instalações elétricas não estão dimensionadas para suportarem aumentos de cargas. E, onde for possível fazer as alterações, será que as famílias têm condições para suportar o investimento? É fácil depreender que a implementação da eficiência energética nos edifícios existentes, se pretendermos fazê-lo, não pode ser feita com base em restrições, mas, sim, através de apoios técnicos e financeiros.<br /></span></p>
<p><span data-contrast="none">Posto isto, parece claro que temos que desenvolver uma mudança de paradigma apostando nas redes urbanas de distribuição de água aquecida e água arrefecida DHC (<em>District Heating and Cooling</em>). Não nos estamos a referir aos sistemas tradicionais DHC que chegam a ter perdas de calor na ordem dos 30 %, comprometendo a sua rentabilidade económica. Referimo-nos a redes que operam a baixas temperaturas permitindo, assim, a recuperação do excesso de calor a baixa temperatura e a incorporação de energias renováveis de baixa entalpia nas redes. </span><span data-contrast="none">Estas redes são capazes de comportar um conjunto de edifícios em que as cargas de aquecimento e <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/2405-actonheat-arrefecimento-urbano-pode-ser-alternativa-interessante-no-sul-da-europa-diz-juan-varo-lopes/">arrefecimento</a> podem equilibrar o sistema, quer em períodos de tempo curtos, quer em períodos de tempo longos, permitindo uma exploração da sinergia entre edifícios com diferentes usos. </span></p>
<p><span data-contrast="none">Entre as inúmeras vantagens, salientam-se a possibilidade de fornecimento simultâneo de aquecimento e arrefecimento ao longo do ano, a modularidade e a flexibilidade. Devido à pequena diferença de temperatura entre a tubagem e o solo, as perdas térmicas são insignificantes e a tubagem, para além de não necessitar de isolamento, pode ser constituída por materiais poliméricos, tais como o polietileno, o propileno, ou o PVC. O próprio solo pode ser utilizado para armazenamento térmico. Mas nem tudo são vantagens já que as baixas diferenças de temperatura entre ida e retorno acarretam maiores caudais e, consequentemente, maiores custos de bombagem por unidade de energia transportada. Estes sistemas de quarta e quinta geração são designados por 4GDHC e 5GDHC. </span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</em></strong></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>A bem da saúde, temos de implementar as auditorias à QAI</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/0304-saude-temos-implementar-auditorias-qai-ernesto-peixeira-ramos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ernesto Peixeiro Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Apr 2023 07:34:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[ernesto peixeiro ramos]]></category>
		<category><![CDATA[QAI]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É um facto adquirido que a Qualidade do Ar Interior (QAI) tem um impacto significativo na nossa saúde e no nosso bem-estar e a QAI nos edifícios está intimamente ligada à utilização de energia na ventilação dos espaços. Por isso, e dada a crise climática, faz...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_0 et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
<div class="et_pb_text_inner">
<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_0 et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
<div class="et_pb_text_inner">
<p style="text-align: center;"><em>Artigo publicado originalmente na edição de Janeiro/Fevereiro de 2023 da Edifícios e Energia</em></p>
</div>
</div>
</div>
</div>
<p>É<span data-contrast="none"> um facto adquirido que a Qualidade do Ar Interior (QAI) tem um impacto significativo na nossa saúde e no nosso bem-estar e a QAI nos edifícios está intimamente <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/ciar-2022-0605-raulhaner-qai/">ligada à utilização de energia</a> na ventilação dos espaços. Por isso, e dada a crise climática, faz todo o sentido que a QAI seja integrada na Regulamentação Térmica (RT) para se conseguir o equilíbrio entre a necessidade de eficiência energética e a necessidade de manter o ambiente interior saudável e confortável para os ocupantes.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">A importância da QAI tornou-se mais óbvia, especialmente <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/epr-ventilacao-covid-3009/">durante a recente epidemia</a>, no entanto, a actualização recente da legislação da RT em 2021/2022 alheou-se completamente desta constatação, mantendo o desinvestimento efectuado em 2013 com o abandono das auditorias à QAI e a extinção da figura “Peritos da QAI”. </span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">A actual legislação tenta iludir-nos com “uma avaliação simplificada anual de requisitos relacionados com a QAI, a realizar por técnicos de saúde ambiental”, para grandes edifícios de serviços e determinados edifícios de comércio e serviços em funcionamento – estabelecimentos de ensino do primeiro ciclo do ensino básico e estruturas residenciais para pessoas idosas. </span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">Ora, esta avaliação nada tem que ver com as auditorias à QAI tal como estavam estabelecidas antes de 2013, de onde queremos essencialmente destacar a avaliação dos caudais de ar novo e das condições higiénicas e de filtragem dos sistemas de climatização e ventilação, sem menosprezar a importância das medições dos parâmetros físico-químicos e microbiológicos. Entendemos ainda que estas auditorias devem abranger os edifícios multifamiliares novos e, essencialmente, os existentes nos quais existem muitas queixas de funcionamento incorrecto de exaustões de cozinhas e de instalações sanitárias. </span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><img decoding="async" class="wp-image-21848 size-medium alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/04/WhatsApp-Image-2022-12-23-at-09.38.01-300x157.jpg" alt="" width="300" height="157" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/04/WhatsApp-Image-2022-12-23-at-09.38.01-300x157.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/04/WhatsApp-Image-2022-12-23-at-09.38.01-610x319.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/04/WhatsApp-Image-2022-12-23-at-09.38.01.jpg 650w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p><span data-contrast="none">A regulamentação conservou os requisitos necessários para minimizar o impacto dos edifícios na saúde dos ocupantes. Contudo, sem uma adequada estratégia de implementação, isso não é suficiente, pois a prática de comissionamento correcto das instalações não faz parte do hábito do nosso mercado, o que leva a que os requisitos não passem do papel. Não basta a existência de <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/itre-proposta-epbd-inclui-ieq-rehva-evia-qualidade-ambiente-interior-edificios/">legislação</a>, <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/1312-ashrae-norma-qai-mitigar-patogenos-interior-edificios/">normas</a> e guias; é necessário efectuar os ensaios para garantir que as instalações cumprem os caudais de projecto; é necessário verificar que todos os requisitos estão satisfeitos e isto deve ser feito de forma periódica. As auditorias são uma estratégia adequada e não podemos permitir que “um determinado grupo económico” influencie a legislação ao ponto de comprometer o papel do Estado na <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/qai-escolas-projecto-0403/">defesa da saúde pública</a>. </span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">Talvez a periodicidade das auditorias tenha de ser repensada, assim como a existência de vários tipos de auditorias, consoante estarmos perante edifícios novos, ou grandes remodelações, ou perante edifícios existentes, ou se é ou não, a primeira auditoria. Mas tem de haver auditorias para garantir que cada edifício cumpra os requisitos impostos pela RT.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">Reduzir a QAI a uma mera medição e fiscalização de alguns parâmetros físico-químicos é ignorar por completo a realidade da construção e do funcionamento dos edifícios. </span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><img decoding="async" class="wp-image-21851 size-medium alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/04/P2040339-300x157.jpg" alt="" width="300" height="157" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/04/P2040339-300x157.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/04/P2040339-610x319.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/04/P2040339.jpg 650w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p><span data-contrast="none">A qualidade tem de ser construída. Não é possível termos uma boa QAI se descurarmos a higiene na montagem de todos os componentes da ventilação com a sua correcta selagem durante a obra. Os interiores dos tectos falsos onde existem equipamentos têm de ser devidamente tratados e isentos de restos de construção. O isolamento térmico tem de ser contínuo para evitar condensações e derrames que, para além da degradação dos materiais, podem ajudar à amplificação de fungos e bactérias. Os alçapões de acesso aos equipamentos, além da adequada localização, devem ter as dimensões necessárias para as correctas higienização e manutenção desses equipamentos. Para impedir que o ar extraído se misture com o ar novo, é necessário manter as distâncias adequadas entre as entradas e as saídas. Após a construção, tem de se manter os edifícios a operarem correctamente e garantir uma manutenção eficaz para que os ocupantes possam viver de forma saudável.</span></p>
<blockquote>
<p>&#8220;A qualidade tem de ser construída. Não é possível termos uma boa QAI se descurarmos a higiene na montagem de todos os componentes da ventilação com a sua correcta selagem durante a obra.&#8221;</p>
</blockquote>
<p><span data-contrast="none">Sem auditorias à QAI, desde 2013, a situação de salubridade dos edifícios tem vindo a degradar-se – como é o caso dos edifícios multifamiliares. Quer nos edifícios existentes, quer nos novos, verifica-se uma deficiente <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/qai-estudo-escolas-0311-uk/">ventilação</a> das habitações, sem entradas adequadas de ar novo e com ventiladores centralizados de exaustão de cozinhas e de instalações sanitárias a funcionarem 8 760 horas por ano, o que, apesar das pequenas potências em causa, provocam grandes impactos na utilização de energia. Os projectos de ventilação ou são inexistentes ou deficientes, apesar da <a href="https://dre.pt/dre/detalhe/portaria/701-h-2008-575341?_ts=1680134400034">Portaria 701-H</a>. Nos edifícios em que a exaustão de cozinhas é descentralizada, os exaustores só cumprem a sua função se abrirem as janelas; caso não o façam, arriscam-se a aspirar o ar pelas condutas de exaustão das instalações sanitárias. A instalação de acumuladores para produção de água quente sanitária por bomba de calor incorporada também não está a ser adequadamente implementada, uma vez que os seus caudais de ventilação são ignorados. Na instalação de unidades de recuperação de calor centralizada por prumada (exaustão de instalações sanitárias <em>vs.</em> admissão de ar novo), para além de ser uma prática frequente, o facto de as unidades não cumprirem as distâncias entre entradas de ar novo e saídas de exaustão levanta problemas quando se considera a sua intermitência de funcionamento. </span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">As auditorias são uma forma de se conseguir ultrapassar tudo isto.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</em></strong></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Legislação sobre o Tabaco: A arte de transformar a excepção à regra na regra da excepção</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/peixeiro-ramos-legislacao-tabaco-edificios-0201/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ernesto Peixeiro Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Jan 2023 09:55:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[ernesto peixeiro ramos]]></category>
		<category><![CDATA[tabaco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde ontem, 1 de janeiro de 2023, só é permitido fumar em espaços especiais destinados ao efeito – salas de fumo - nos estabelecimentos de restauração ou de bebidas, incluindo os que possuam salas ou zonas destinadas à dança, com área igual ou superior a ...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde ontem, 1 de janeiro de 2023, só é permitido fumar em espaços especiais destinados ao efeito – salas de fumo &#8211; nos estabelecimentos de restauração ou de bebidas, incluindo os que possuam salas ou zonas destinadas à dança, com área igual ou superior a 100 m² e um pé direito mínimo de três metros, segundo as regras da <a href="https://dre.pt/dre/detalhe/portaria/154-2022-184306938" target="_blank" rel="noopener">Portaria n.º 154/2022, de 2 de Junho</a>, publicada pelos ministérios da Economia e Mar e da Saúde.</p>
<p>A dificuldade em admitir que não é possível conciliar espaços de fumadores com os de não fumadores sem que isso constitua um risco para a saúde dos últimos levou à confusão legislativa substanciada pela <a href="https://dre.pt/dre/detalhe/lei/37-2007-636938" target="_blank" rel="noopener">Lei 37/2007,</a> de 14 de Agosto, e continuada nas sucessivas interpretações da Direcção Geral da Saúde (DGS), com graves consequências para a saúde pública, devido ao aumento do risco para a saúde dos ocupantes não fumadores e trabalhadores de tais locais, uma vez que, de uma forma ou outra, se foi permitindo fumar no interior de cafés, bares e restaurantes.</p>
<p>Em 2016, 97 % dos adolescentes que frequentavam cafés, bares e pubs admitiram fumar nesses locais e, dos que frequentavam restaurantes, 70,3 % dos inquiridos tinham visto fumar nesses locais, conforme apuraram estudos de investigadores portugueses publicados no National Institutes of Health, EUA.</p>
<p>Apesar de as alterações feitas pelas <a href="https://dre.pt/dre/detalhe/lei/109-2015-70114078" target="_blank" rel="noopener">Leis 109/2015</a> e <a href="https://dre.pt/dre/detalhe/lei/63-2017-107805893" target="_blank" rel="noopener">63/2017</a> admitirem a impossibilidade de conciliar fumadores com não fumadores no mesmo espaço sem prejuízo dos últimos, na prática, nada se alterou, com a desculpa de que os investimentos feitos na ventilação tinham de ser rentabilizados. Por esse motivo, adiou-se a decisão relativa à definição das regras para uma portaria &#8220;a publicar&#8221; posteriormente, perpetuando-se a estratégia de interpretação errada de dispositivos de ventilação com que foi selada a excepção da proibição de fumar nestes locais.</p>
<p>Agora, passados 15 anos, estamos a ver a luz ao fim do túnel, pois finalmente está publicada a portaria que estabelece as regras para os locais onde é permitido fumar, definidas nos termos das alíneas b) a d) e do n.º 7 do Artigo 5.º da Lei 37/2007, de 14 de Agosto, na sua redacção actual. Estas regras referem-se:</p>
<p>a) à lotação máxima permitida;</p>
<p>b) à separação física ou compartimentação;</p>
<p>c) às regras de instalação e requisitos técnicos dos sistemas de ventilação;</p>
<p>d) à dimensão mínima dos espaços.</p>
<p>Veja-se o Artigo 6.º relativo à ventilação das salas de fumo:</p>
<p>• O n.º 1 refere a introdução de &#8220;equipamentos de extracção&#8221; quando devia dizer &#8220;equipamentos de exaustão&#8221;, pois o que está em causa é a evacuação directa para o exterior do ar poluído, e não a sua recirculação;</p>
<p>• No n.º 2, a introdução do termo equívoco “sempre que possível” é inadmissível, já que perturba a eficácia da aplicação da ferramenta legislativa, pois fica por determinar o que deve acontecer quando “não for possível”. Como o que, neste número, se refere é a entrada de ar novo, e a emissão dos poluentes quentes estará na zona ocupada pelos fumadores, colocar a entrada de ar novo noutro local que não junto ao pavimento provocará a mistura, pondo em risco a correcta ventilação da sala;</p>
<p>• O n.º 3 utiliza termos desnecessários. Como é sabido, quer em normalização, quer em legislação, o “deve” é obrigatório, tornando-se redundante a expressão “deve ser obrigatório”;</p>
<p>• O n.º 4 refere a incorporação de um filtro de ar com a classe mínima M5. A norma que sustentava esta classificação, a EN 779:2012, foi substituída em 2018 pela norma EN ISO 16890. Esta foi uma mudança radical na classificação dos filtros de ar que tem em conta o estado da arte em termos de qualidade do ar e que engloba 4 classes (ISO ePM1, ISO ePM2,5, ISO ePM10, ISO Coarse). A selecção de um filtro para o ar novo depende da poluição do ar exterior e do nível de qualidade que se quer para o ar interior. Um filtro M5 corresponde ao ISO ePM10 e constitui um baixo nível de exigência, quando hoje em dia se pede pelo menos ISO ePM2,5;</p>
<p>• No n.º 5, o estabelecimento de um caudal de ar novo mínimo pelas RPH não é aconselhável. Este caudal deve ser sempre em função da emissão de poluentes, que está completamente condicionada pelo número de ocupantes da sala;</p>
<p>• No n.º 6, diz-se que deve ser garantida uma eficácia de ventilação mínima de 80 %, de acordo com a Norma EN 13779. Em primeiro lugar, a norma EN 13779:2007 foi substituída em 2017 pela EN 16798-3. Uma sala de fumo é um espaço que, como está definido, e bem, deve ter a exaustão no ponto alto sobre a zona ocupada e a introdução de ar novo na zona perto do pavimento. Por isso, deve privilegiar-se a estratégia de deslocamento em vez da mistura.</p>
<p>Assim, se pensarmos em indicadores, a eficácia de renovação de ar deve ser 100 %. Contudo, penso que o foco deve estar na eficácia de remoção de poluentes que, neste, caso deve estar perto do infinito.</p>
<p>Para terminar as críticas a esta portaria, será que ninguém se apercebeu que os Técnico de Instalação e Manutenção (TIM) foram substituídos pelos Técnicos Responsáveis pela Manutenção (TRM) em 2021?</p>
<p>Decididamente, a legislação sobre o tabaco, como outras, não consegue isentar-se de confusões, produzindo ferramentas deficientes que comprometem a produtividade. Será que isto acontece porque temos pessoas a legislar em temas que não dominam e não se assessoram adequadamente?</p>
<p style="text-align: center;"><em>Artigo publicado originalmente na edição de Novembro/Dezembro de 2022 da Edifícios e Energia, aqui com as devidas adaptações.<br /></em></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em> </em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</em></strong></p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/peixeiro-ramos-legislacao-tabaco-edificios-0201/">Legislação sobre o Tabaco: A arte de transformar a excepção à regra na regra da excepção</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A importância da ventilação no contexto da Covid-19, e não só!</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/epr-ventilacao-covid-3009/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ernesto Peixeiro Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Sep 2022 09:38:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[QAI]]></category>
		<category><![CDATA[ventilação]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=19302</guid>

					<description><![CDATA[<p>Entre as medidas recomendadas para a luta contra a Covid-19, surgiu a ventilação para redução da exposição ao vírus, da propagação da doença e do risco de exposição ...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_0 et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
<div class="et_pb_text_inner">
<p><strong>Entre as medidas recomendadas para a luta contra a Covid-19, surgiu a ventilação para redução da exposição ao vírus, da propagação da doença e do risco de exposição.</strong></p>
<p>Nos espaços fechados, a ventilação adequada pode assegurar a redução da concentração e o tempo de exposição a partículas virais e, quanto mais baixa for a concentração, menor é a probabilidade que estas partículas sejam inaladas, estejam em contacto com os olhos, o nariz e a boca, ou se precipitem sobre as superfícies.</p>
<p>Sabemos, há muito tempo, que a transmissão de doenças, a partir das partículas em suspensão no ar ambiente é uma realidade. A equação descrita pela fórmula (Heirholzer, 1993)</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-19305" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/09/formulaventilacao.png" alt="" width="250" height="55" /></p>
<p>diz-nos que, para que alguém apanhe uma infecção, é necessário que haja quantidade de partículas virulentas no ar, em condições favoráveis de desenvolvimento, e que a exposição dure o tempo suficiente para arrasar com as suas defesas (factor dependente do sistema imunitário e muito difícil de avaliar).</p>
<p>Desde os anos 1990 que se vem alertando as autoridades de saúde pública para a importância da ventilação na saúde dos ocupantes dos edifícios. Apesar dos esforços desenvolvidos, a situação está longe de estar resolvida.</p>
<p>O <em>lobby</em> do tabaco queria conciliar fumadores com não fumadores e foram necessários mais de 15 anos para se concluir que tal não era possível. E, passados mais 15 anos, ainda estamos à espera, em Portugal, que a legislação sobre o tabaco seja efectiva. A erradicação do amianto levou também mais de 15 anos até ser aceite, e isso custou mais de 15 milhares de vidas.</p>
<p>Quanto às micro-fibras, não se faz nada e deixa-se que trabalhadores, no seu manuseamento na construção, e os ocupantes dos edifícios estejam expostos a elas. Refiro-me às soluções não contidas de painéis de lã mineral utilizados, quer para isolamento térmico, quer para isolamento acústico em tectos falsos que comunicam, mais ou menos francamente, com os espaços onde as pessoas vivem e/ou trabalham.</p>
<p>A renovação de ar está comprometida nos actuais edifícios de habitação, possuidores de uma envolvente de permeabilidade cada vez mais baixa e sem disporem de uma ventilação adequada, como é o caso de habitações sem aberturas para a admissão de ar exterior e que, para cumprirem o requisito de 0,5 renovações por hora do Sistema de Certificação Energética, utilizam ventiladores de exaustão das instalações sanitárias e ventiladores de exaustão das hotes de cozinha.</p>
<p>• Se os ventiladores estão parados, não há renovação de ar;</p>
<p>• Se funcionar o ventilador das instalações sanitárias através de temporizador, para haver meia renovação por hora e o ar exterior passar através da permeabilidade das janelas e porta, o ventilador terá de desenvolver uma pressão de cerca de 200 Pascal – é mais fácil o ar exterior vir pela conduta de evacuação da hote da cozinha;</p>
<p>• No caso do funcionamento eventual do ventilador da hote, é provável que o ar exterior venha pela conduta de exaustão das instalações sanitárias, e, pior ainda, da exaustão das instalações sanitárias dos vizinhos;</p>
<p>• Se funcionarem ao mesmo tempo, os dois ventiladores tendem a anular-se à medida que a diferença entre as suas características é menor – “é trabalhar para aquecer”.</p>
<p>Para se decidir quais são as estratégias de introdução do ar novo nos edifícios, é necessário efectuar uma avaliação das características do ar exterior; não podemos apenas escolher esta ou aquela solução por questões estéticas. A qualidade do ar exterior é que determina a existência ou não de sistemas de filtragem e limpeza.</p>
<figure id="attachment_19307" aria-describedby="caption-attachment-19307" style="width: 453px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19307" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/09/3009ventilacao.png" alt="lã mineral" width="453" height="340" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/09/3009ventilacao.png 453w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/09/3009ventilacao-300x225.png 300w" sizes="(max-width: 453px) 100vw, 453px" /><figcaption id="caption-attachment-19307" class="wp-caption-text">Lã mineral no interior de tecto falso.</figcaption></figure>
<p>No final do século XX, os caudais de ar novo, para garantir uma qualidade do ar interior com 20 % de pessoas insatisfeitas, não deveriam ser inferiores a 25 m³/h [prENV 1752 (1997)]. Este foi o valor que, em 2003, adoptámos no RSECE, o que, na altura da sua publicação e aplicação, levantou enormes críticas, nomeadamente: “o RSECE define caudais de ventilação de ar inflaccionados, num factor de uma vez e meia, quando comparados com os valores utilizados em outras legislações estrangeiras.”</p>
<p>A pressão exercida colheu os seus adeptos e veio a dar frutos na revisão de 2013 (Portaria n.º 353-A/2013) com uma redução significativa em relação ao RSECE (~50 %).</p>
<p>Infelizmente, a História veio provar que estávamos no caminho certo. A atitude que deveria ter sido tomada não era a da redução dos caudais, mas a do melhoramento da filtragem e da purificação do ar e a de recuperação de calor – essencialmente, a resposta que a arquitectura deveria, e deve, dar deixando de preocupar-se em demasia com a qualidade estética, espacial e ergonómica e resolvendo o desafio de construir edifícios que mantenham os ocupantes saudáveis.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
<p style="text-align: center;"><strong><em>Artigo publicado originalmente na edição de Julho/Agosto de 2022 da Edifícios e Energia, aqui com as devidas adaptações.</em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em><strong>As conclusões expressas são da responsabilidade dos auto</strong>res.</em></strong></p>
</div>
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		<title>Peixeiro Ramos: &#8220;Não, não estamos no bom caminho para a diminuição da utilização  de energia nos edifícios&#8221;</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/epr-caminho-bom-energia1008/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ernesto Peixeiro Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Aug 2022 07:19:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[ernesto peixeiro ramos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No final do século passado, a conjuntura da utilização energética nos edifícios apontava para a necessidade de uma regulamentação energética que orientasse a utilização das instalações de ventilação e climatização no sentido de se obter uma utilização eficaz da ...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/epr-caminho-bom-energia1008/">Peixeiro Ramos: &#8220;Não, não estamos no bom caminho para a diminuição da utilização  de energia nos edifícios&#8221;</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No final do século passado, a conjuntura da utilização energética nos edifícios apontava para a necessidade de uma regulamentação energética que orientasse a utilização das instalações de ventilação e climatização no sentido de se obter uma utilização eficaz da energia, a qual só seria possível através de uma melhoria de qualidade das instalações, desde a concepção à utilização. Era uma tarefa hercúlea que requeria um planeamento estratégico, o qual foi esboçado em 2002/2003 e passado à prática a partir de meados de 2006.</p>
<p>Estávamos conscientes de que, além das regras técnicas, era necessário que se conseguisse uma mudança não só a nível dos projectistas instaladores, fabricantes, mas também no comportamento dos ocupantes, quer na utilização dos espaços, quer na tomada de decisões em matéria de medidas de eficiência energética. O importante não era a eficiência energética em absoluto, mas, sim, a eficiência que levasse à diminuição de utilização de energia, pois a pior situação em que poderíamos cair era a de, <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/bombas-calor-e-maldonado-1605/" target="_blank" rel="noopener">ao incentivar a eficiência energética, acabarmos por premiar uma maior utilização de energia</a>.</p>
<p>Foi feito um enorme esforço na formação dos peritos qualificados, técnicos responsáveis pelo funcionamento e técnicos de instalação e manutenção, os novos actores da então nova regulamentação térmica. O objectivo parecia estar à vista, mas inesperadamente começaram a levantar-se obstáculos. Primeiro, o adiamento ad aeternum da obrigatoriedade de certificação energética dos edifícios existentes; depois, os processos persecutórios aos peritos qualificados, o que garantiu que uma grande parte dos mais habilitados abandonasse a certificação, comprometendo a massa crítica necessária para a mudança se efectivar.</p>
<p>Esta situação agravou-se com o escamoteamento dos peritos da qualidade do ar interior (QAI) e dos técnicos responsáveis pelo funcionamento dos edifícios, a atribuição de actos próprios de engenharia a técnicos de instalação e manutenção com ensino básico e secundário e a extinção da coordenação científica do SCE. Tínhamos sido o primeiro país a integrar a QAI no processo de certificação energética, mas, em vez de enaltecer este facto e aceitar o desafio, extinguiram-se as auditorias da QAI, deitando por terra todo o trabalho que tinha sido feito na elaboração de notas técnicas e formação de técnicos, bem como o esforço feito em termos de comissionamento e manutenção das instalações – entrou-se na “Idade Média” do SCE.</p>
<p>A actual redacção dos regulamentos repõe a situação dos técnicos de instalação e manutenção e dos técnicos responsáveis pelo funcionamento, mas fica muito aquém do desejável em relação à QAI, continua obcecada em sancionar os peritos qualificados e, fundamentalmente, sem perceber que o comportamento dos ocupantes é um dos factores mais importantes que contribuem para o desempenho energético dos edifícios, e que não é suficiente ter equipamentos com bons desempenhos; é, sim, necessário garantir que o seu funcionamento não esteja comprometido.</p>
<p>Em termos de comparação de fracções/edifícios para compra ou arrendamento, os certificados parecem cumprir o objectivo, mas não cumprem quanto a fiabilidade, facilidade de interpretação, conteúdo capaz de estimular investimentos em medidas de eficiência energética. O mercado desconfia que a certificação energética se trata apenas de uma mera burocracia, sem qualquer benefício, já que os certificados contêm uma quantidade de informação exagerada, na maior parte dos casos fora da compreensão dos utilizadores, apresentam dados que não correspondem à utilização real de energia, sugerem medidas de melhoria absurdas, fazem recomendações sobre aparelhos que não estão instalados, sugerem que a ventilação está adequada em fracções com caixilharias de classe III e IV com sistemas de exaustão mecânica instalados nas instalações sanitárias mas sem qualquer entrada de ar pelos espaços nobres.</p>
<p>Em termos de minimização de cargas térmicas verificamos que, de um modo geral, as envolventes estão a ser construídas com uma boa resistência térmica, apesar de aparecerem muitos exemplos de pontes térmicas mal resolvidas.</p>
<p>No entanto, a mensagem de prioridade à envolvente e aos sistemas passivos parece que não passou completamente, pois verifica-se uma corrida a sistemas de ar condicionado, em muitos casos, não justificada.</p>
<p>A selecção de equipamentos com capacidades muito próximas das cargas projectadas e com elevados rendimentos e grande adaptabilidade às variações de carga parece também um dado adquirido, já que os ventiladores de pás avançadas e os sistemas de transmissão por correias e polias parecem estar definitivamente abandonados – muito mérito dos primeiros anos na formação dos peritos qualificados. No entanto, deparamo-nos com muitos equipamentos instalados em condições deficientes, normalmente em nome da “estética”, com evidente prejuízo do seu desempenho energético, e verificamos que continua a não haver um entendimento alargado do produtório de rendimentos energéticos – transformação, transporte, controlo e emissão de energia. A optimização de pontos de trabalho de ventiladores e circuladores parece também descuidada.</p>
<p>Quanto ao arranque e equilíbrio hidráulico e aerólico das instalações, poucas são as situações em que esta se faz adequadamente.</p>
<p>Por fim, a operação dos sistemas é apenas um privilégio de algumas grandes instalações, e, mesmo nessas, a verificação de conformidade entre o seu comportamento e o pretendido só raramente se faz. A mudança aconteceu, mas não como deveria; para voltarmos ao bom caminho será necessário utilizarmos mais energia e um “reset”.</p>
<p style="text-align: center;"><em>Artigo publicado originalmente na edição de Maio/Junho de 2022 da Edifícios e Energia, aqui com as devidas adaptações<br /></em></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em> </em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</em></strong></p>
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		<title>Recomendações para o combate à COVID-19 nos edifícios de serviços</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/recomendacoes-para-o-combate-a-covid-19-nos-edificios-de-servicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ernesto Peixeiro Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2020 11:36:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com base no Guia para prevenir a propagação do novo coronavírus em edifícios lançado pela REHVA - Federação Europeia das Associações de Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado -, importa olhar para estas medidas e sugestões e entendê-las naquilo que...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/recomendacoes-para-o-combate-a-covid-19-nos-edificios-de-servicos/">Recomendações para o combate à COVID-19 nos edifícios de serviços</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Com base no Guia para prevenir a propagação do novo coronavírus em edifícios lançado pela REHVA &#8211; Federação Europeia das Associações de Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado -, importa olhar para estas medidas e sugestões e entendê-las naquilo que é o seu enquadramento com a realidade actual e naquilo que são as boas práticas na actividade da engenharia e do AVAC. Esta tradução/análise tem como objectivo informar e esclarecer sobre uma série de dúvidas que estão a ser colocadas, bem como contribuir para as melhores decisões dos gestores de edifícios neste momento.</p>
<p>Estamos certos de que a adopção de horários de trabalho escalonados com um espaçamento físico adequado, a disponibilização de desinfectante para as mãos e o reforço da desinfecção de superfícies pode ajudar a reduzir a propagação da Covid-19. Para além disto, a colocação em prática de estratégias adequadas de gestão das instalações de AVAC dos edifícios também podem mitigar a propagação da doença. Entre as várias recomendações avançadas por diversas entidades seleccionámos as do documento<sup> (1)</sup> preparado por um grupo da REHVA:</p>
<ol>
<li><em>Aumentar os caudais de ar novo e caudais de ar de exaustão;</em></li>
<li><em>Abrir mais vezes as janelas para um melhor arejamento;</em></li>
<li><em>A humidificação e o ar condicionado não têm efeito prático sobre o vírus;</em></li>
<li><em>Utilização segura da recuperação de calor só com baterias separadas;</em></li>
<li><em>Não deve ser utilizada a recirculação de ar;</em></li>
<li><em>A limpeza de condutas não tem qualquer efeito prático sobre o vírus;</em></li>
<li><em>A mudança de filtros de ar novo não é necessária;</em></li>
<li><em>Purificadores de ar podem ser úteis apenas em situações específica; </em></li>
<li><em>Fechar a tampa da sanita antes da descarga do autoclismo.</em></li>
</ol>
<p><strong>1. Aumentar os caudais de ar novo e caudais de ar de exaustão</strong></p>
<p>Em edifícios com sistemas de ventilação mecânica, é recomendado aumentar o tempo de operação destes sistemas. Devem alterar-se os temporizadores para iniciar a ventilação algumas horas antes do período de ocupação e desligá-la mais tarde do que o habitual. A melhor solução é mesmo manter a ventilação ligada em contínuo possivelmente com caudais de ventilação reduzidos (mas não desligada) quando as pessoas estão ausentes.</p>
<p>Tendo em conta que estamos a entrar na primavera e com menos ocupação as necessidades de aquecimento e arrefecimento são reduzidas, pelo que o aumento da ventilação não irá penalizar muito a utilização de energia, enquanto ajuda a remover as partículas de vírus libertadas das superfícies e dos edifícios.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong><em>O foco deve ser o aumento da quantidade de ar novo fornecida por pessoa. A redução do número de ocupantes é um aspecto positivo se não se baixarem os caudais de ar novo e desde que se amplie o distanciamento social entre os ocupantes, a fim de promover a eficácia da ventilação.</em></strong></span></p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><em><strong>Em instalações em que a admissão de ar novo é controlada pela concentração de dióxido de carbono, os sistemas de controlo devem ser inibidos de forma a obter o caudal máximo de ar novo. </strong> </em></span></p>
<p>Os sistemas de ventilação de exaustão das casas-de-banho devem ser mantidos em funcionamento contínuo, de modo a que estes locais permaneçam em depressão relativamente aos espaços adjacentes, especialmente para evitar a transmissão fecal-oral.</p>
<p><strong>2. Abrir mais vezes as janelas para um melhor arejamento</strong></p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong><em>Os espaços superlotados e mal ventilados não devem ser permitidos, nomeadamente nos refeitórios e bares de apoio. A distância social e a boa ventilação destes espaços são fundamentais para evitar a disseminação da Covid-19.  </em></strong></span></p>
<p>Em espaços sem sistemas de ventilação mecânica, devem abrir-se as janelas muito mais vezes do que o normal &#8211; mesmo que isso cause algum desconforto térmico (proteger-se com o vestuário). A abertura das janelas é a única maneira de aumentar a renovação do ar viciado. Devem abrir-se as janelas dos espaços durante, pelo menos, 15 minutos antes de serem ocupados (especialmente quando estiveram ocupados por pessoas diferentes).</p>
<p>Em espaços com ventilação mecânica, a abertura de janelas pode ser usada para aumentar ainda mais a ventilação.</p>
<p>Em edifícios com ventilação natural ou com sistemas de exaustão mecânica nas casas-de-banho, as janelas destas não devem ser abertas, uma vez que podem causar um caudal de ar contaminado das casas-de-banho para os outros espaços, funcionando a ventilação no sentido inverso. Se não houver ventilação adequada de casas-de-banho e a abertura de janelas não puder ser evitada, é importante manter as janelas abertas também em outros espaços, a fim de alcançar fluxos cruzados por todo o edifício.</p>
<p><strong>3. A humidificação e o ar condicionado não têm efeito prático sobre o vírus</strong></p>
<p>A transmissão de alguns vírus em edifícios pode ser limitada pela mudança da temperatura do ar e dos níveis de humidade. No caso da COVID-19, infelizmente, isso não é uma opção, pois o vírus SARS-CoV-2 é bastante resistente às mudanças ambientais e é susceptível apenas a humidades relativas muito altas, acima de 80 %, e temperaturas acima de 30.°C, que não são possíveis nem aceitáveis em edifícios por outras razões (por exemplo, conforto térmico). Pequenas gotículas entre os 0,5 e os 10 mícron evaporar-se-ão rapidamente em qualquer nível de humidade relativa. O nariz e as membranas mucosas são mais sensíveis a infecções se a humidade relativa for muito baixa, 10-20 %, e esta é a razão pela qual alguma humidificação no inverno é às vezes sugerida (até um nível de cerca de 30 %). Esta necessidade indirecta de humidificação, no caso da COVID-19, não é relevante, no entanto, dadas as condições climáticas que iremos ter (a partir de Março), esperam-se humidades relativas no interior dos espaços superiores a 30 % em todos os climas europeus sem humidificação. Assim, não há necessidade de alterar os <em>set points</em> dos sistemas de humidificação. De qualquer modo, nesta altura do ano, estes sistemas já não devem estar em funcionamento. </p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong><em>Os teores óptimos de humidade não são consensuais, mas, quando a humidade é mais alta, as gotículas lançadas pelos espirros e tosse ficam mais pesadas e caiem para as superfícies onde são mais fáceis de controlar. Também, como o documento refere, o ar seco tende a secar as membranas mucosas do sistema respiratório superior onde se depositam as partículas nocivas antes de chegarem aos pulmões, pelo que respirar ar seco torna as pessoas mais susceptíveis a infecções virais. Além disso, alguns, mas nem todos os vírus e micro-organismos, aumentam as taxas de sobrevivência com humidade relativa baixa. Assim, a nossa opinião é que se deve procurar manter os valores da humidade relativa entre os 40 e 50 %.</em></strong></span></p>
<p>Os sistemas de aquecimento e arrefecimento podem funcionar normalmente, pois não há implicações directas na disseminação da COVID-19. Também não se justifica qualquer ajuste de <em>set points</em> para sistemas de aquecimento ou arrefecimento.</p>
<p><em><span style="text-decoration: underline;"><strong>Isto aplica-se a instalações com unidades de tratamento de ar, já que a utilização de ventiloconventores e splits promovem a recirculação do ar e devem ser condicionados como veremos adiante.</strong> </span><br /></em></p>
<p><strong>4. Utilização segura da recuperação de calor </strong></p>
<p>Em certas condições, partículas de vírus no ar exaurido podem reentrar nos edifícios.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9155 alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2020/03/2301-013.png" alt="" width="195" height="222" /></p>
<p>Os dispositivos de recuperação de calor podem transportar vírus ligados a partículas do lado do ar de retorno para o lado de alimentação do ar novo.</p>
<p>Em permutadores de calor rotativos (incluindo rodas entálpicas), as partículas são depositadas no lado do ar de retorno da superfície da roda e podem ser ressuspensas quando esta superfície se volta para o lado do ar de insuflação. Por isso, recomenda-se (temporariamente) desligar os permutadores de calor rotativos durante os episódios SARS-CoV-2. </p>
<p>No caso de recuperadores de fluxos cruzados, se houver suspeita de vazamentos, o ajuste da pressão ou a actuação do sistema de <em>bypass</em> podem ser uma opção para evitar uma situação em que uma pressão maior no lado do retorno causará fugas de ar e partículas para o lado da insuflação. <img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9157 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2020/03/2301-012.png" alt="" width="210" height="166" /></p>
<p>No caso de recuperadores de calor com baterias separadas a transmissão de partículas não existe, visto que é garantida a separação do ar entre o retorno e a insuflação.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9159 alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2020/03/2301-011.png" alt="" width="145" height="150" /></p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong><em>Só a recuperação de calor através de baterias separadas garante que não há contaminação do ar novo pelo ar de retorno.</em></strong></span></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><strong>5. Não deve ser utilizada a recirculação de ar</strong></p>
<p>As partículas de vírus nas condutas de retorno também podem reentrar nos edifícios quando as unidades de tratamento de ar possuem secções de recirculação. Recomenda-se evitar a recirculação durante os episódios de SARS-CoV-2: feche os registos de recirculação (via GTC ou manualmente). <img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9161 alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2020/03/2301-01.png" alt="" width="355" height="195" />Caso isso levante problemas de capacidade de arrefecimento ou aquecimento, isso tem que ser aceite porque é mais importante prevenir a contaminação e proteger a saúde pública do que garantir o conforto térmico. Às vezes, as unidades de tratamento de ar e as seções de recirculação são equipadas com filtros de ar de retorno. Isso não deve ser uma razão para manter os registos de recirculação abertos, pois esses filtros normalmente não filtram partículas com vírus de forma eficaz. </p>
<p>Quando possível, sistemas individuais, como unidades de recirculação local, também devem ser desligados para evitar a ressuspensão de partículas de vírus a nível de sala (especialmente quando os espaços são usados normalmente por mais de um ocupante). Se não for possível desligar, essas unidades devem ser incluídas em campanhas de limpeza dos espaços, pois podem acumular partículas como qualquer outra superfície.</p>
<p><strong>6. A limpeza de condutas não tem qualquer efeito prático sobre o vírus</strong></p>
<p>Tem havido declarações recomendando a limpeza das condutas para evitar a transmissão de SARS-CoV-2 através de sistemas de ventilação. A limpeza das condutas não é eficaz contra infecção espaço a espaço, porque o sistema de ventilação não constituirá uma fonte de contaminação se as orientações sobre recuperação de calor e recirculação de ar forem seguidas. Os vírus ligados a pequenas partículas não se depositarão facilmente nas condutas de ventilação e normalmente serão transportados para o exterior pelo fluxo de ar. Portanto, não são necessárias alterações nos procedimentos normais de limpeza e manutenção das condutas. Muito mais importante é aumentar os caudais de ar novo e evitar as recirculações de ar de acordo com as recomendações acima referidas.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-9163" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2020/03/2301-02.png" alt="" width="477" height="191" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2020/03/2301-02.png 477w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2020/03/2301-02-300x120.png 300w" sizes="(max-width: 477px) 100vw, 477px" /></p>
<p> </p>
<p><strong>7. A mudança de filtros de ar novo não é necessária </strong></p>
<p>No contexto da COVID-19, foi colocada a questão da substituição dos filtros e do efeito de protecção em ocasiões muito raras de contaminação por vírus no ar exterior, por exemplo, se as exaustões de ar estiverem próximas das admissões de ar novo.</p>
<p>Os modernos sistemas de ventilação (unidades de tratamento de ar) são equipados na admissão de ar novo com filtros de ar de partículas finas (classe F7 ou F8 ou ISO ePM1) que filtram bem o material particulado do ar exterior. O tamanho de uma partícula coronavírus de 80-160nm (PM0.1) é menor do que a área de captura de filtros F8 (eficiência de captura 65-90 % para partículas 10 vezes maiores &#8211; PM1), no entanto muitas dessas pequenas partículas podem ficar retidas nas fibras do filtro pelo mecanismo de difusão. As partículas SARS-CoV-2 também se agregam com partículas maiores que já estão dentro da área de captura dos filtros. Isso implica que, em casos raros de ar exterior contaminado por vírus, os filtros fornecem uma protecção razoável para uma baixa e ocasional concentração de vírus no ar exterior. <img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9165 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2020/03/2301-03.png" alt="" width="200" height="256" /></p>
<p>Do ponto de vista da substituição do filtro, podem ser utilizados procedimentos normais de manutenção. Os filtros colmatados não são uma fonte de contaminação neste contexto, mas reduzem os caudais de ar novo, o que tem um efeito negativo sobre as próprias contaminações internas. Assim, os filtros devem ser substituídos de acordo com o procedimento normal quando a pressão ou os prazos forem excedidos, ou de acordo com a manutenção programada. Em conclusão, não recomendamos a alteração dos filtros de ar exterior existentes, nem a sua substituição por outros tipos de filtros, nem a sua substituição mais cedo do que o normal.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong><em>Discordamos, uma vez que a diminuição dos set points de pressostatos para que a substituição dos filtros se faça com mais frequência beneficia os caudais de ar novo e por outro lado o custo adicional de filtros será insignificante.</em></strong></span></p>
<p><strong>8. Os purificadores de ar podem ser úteis em situações específicas </strong></p>
<p>Os purificadores removem efectivamente partículas do ar, o que proporciona um efeito semelhante à ventilação. Para serem eficazes, precisam de ter, pelo menos, filtros HEPA. Infelizmente, a maioria com preços atraentes não é eficaz o suficiente. Dispositivos que usam princípios de filtragem eletrostática (não são o mesmo que ionizadores), muitas vezes, funcionam muito bem também.</p>
<p>Como o fluxo de ar através de purificadores de ar é limitado, a área de pavimento que eles podem efectivamente servir é normalmente muito pequena, tipicamente menos de 10m<sup>2</sup>. Se alguém decidir usar um purificador de ar (novamente: aumentar a ventilação regular muitas vezes é muito mais eficiente), recomenda-se localizar o dispositivo perto da zona de respiração. Equipamentos especiais de limpeza com lâmpadas ultravioletas a serem instalados para o tratamento do ar de insuflação também são eficazes para matar bactérias e vírus, mas esta é normalmente uma solução adequada para os equipamentos nas instalações de saúde.</p>
<p><strong>9. Fechar a tampa da sanita antes da descarga do autoclismo<img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9153 alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2020/03/2301-04.png" alt="" width="234" height="217" /></strong></p>
<p>Se os assentos das sanitas estiverem equipados com tampas, recomenda-se accionar os autoclismos com as tampas fechadas, a fim de minimizar a libertação de gotículas e resíduos de gotículas para o ar.</p>
<p>É importante que os sifões de água estejam sempre escorvados e garantir que os ocupantes do edifício são instruídos na utilização das tampas das sanitas.</p>
<p><sup>(1) </sup>Documento preparado por um grupo da REHVA no período de 6 a 15 de Março de 2020. Os membros do grupo de especialistas são:</p>
<ul>
<li>Jarek Kurnitski, Tallinn University of Technology, Chair of REHVA Technology and Research Committee</li>
<li>Atze Boerstra, REHVA vice-president, managing director bba binnenmilieu</li>
<li>Francesco Franchimon, managing director Franchimon ICM</li>
<li>Livio Mazzarella, Milan Polytechnic University</li>
<li>Jaap Hogeling, managing director ISO international project</li>
<li>Frank Hovorka, REHVA president, director technology and innovation FPI, Paris</li>
<li>em. Olli Seppänen, Aalto University</li>
</ul>
<p>O <em>draft</em> do documento foi revisto pelo Prof. Yuguo Li da University of Hongkong  e Prof. Shelly Miller da University of Colorado Boulder.</p>
<p><strong>Literature</strong></p>
<p>This document is partly based on a literature survey, the scientific papers and other documents that were used can be found in this document: <a href="https://www.rehva.eu/fileadmin/user_upload/REHVA_COVID-19_guidance_document_Bibliography.pdf">https://www.rehva.eu/fileadmin/user_upload/REHVA_COVID-19_guidance_document_Bibliography.pdf</a></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</em></strong></p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/recomendacoes-para-o-combate-a-covid-19-nos-edificios-de-servicos/">Recomendações para o combate à COVID-19 nos edifícios de serviços</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
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