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	<title>Arquivo de projecto - Edificios e Energia</title>
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	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 19 Mar 2026 16:27:31 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de projecto - Edificios e Energia</title>
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	<item>
		<title>A literacia e a necessidade de descarbonizar os edifícios para além da tecnologia</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/o-imperativo-da-literacia-e-a-necessidade-de-descarbonizar-os-edificios-para-alem-da-tecnologia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edifícios e Energia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2026 16:22:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[descarbonização]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[inovação]]></category>
		<category><![CDATA[literacia]]></category>
		<category><![CDATA[projecto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Descarbonizar os edifícios para além da tecnologia foi o mote para mais uma conversa entre Jorge Carvalho e Ernesto Peixeiro Ramos na actual edição da revista Edifícios e Energia. Para estes dois especialistas, a iliteracia económica, técnica e operacional poderá ser o grande travão a um avanço tecnológico do sector.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span data-contrast="auto">Descarbonizar os edifícios para além da tecnologia foi o mote para mais uma conversa entre </span><span data-contrast="none">Jorge Carvalho e Ernesto Peixeiro Ramos na actual edição da revista <em>Edifícios e Energia</em>. Para estes dois especialistas, a iliteracia económica, técnica e operacional poderá ser o grande travão a um avanço tecnológico do sector.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">Actualmente, assistimos a um crescimento exponencial no mercado de bombas de calor (BC) ar-água e à sofisticação de sistemas que, há uma década, pareciam futuristas: redes térmicas de quarta e quinta geração que recuperam calor residual de <em>data centers</em>, que aproveitam a inércia térmica de águas residuais ou que exploram o potencial geotérmico profundo do subsolo urbano. Mas este avanço tecnológico, por mais brilhante que seja na teoria, corre o risco de ser travado por um obstáculo invisível e persistente: a iliteracia sistémica.</span><span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:200,&quot;335559740&quot;:259}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">“Entusiasmo tecnológico sem literacia costuma dar boa retórica e maus resultados”, relembra Peixeiro Ramos numa breve reflexão sobre o passado recente. Para este engenheiro, “a diferença entre os anos oitenta e hoje não está tanto na tecnologia quanto no contexto. Antes era soberania energética, agora é sobrevivência climática. Mas o erro potencial mantém-se elegante e recorrente: acredita-se que a troca da fonte energética resolve um problema que é sistémico. Descarbonizar não consiste em mudar de máquina, temos de redesenhar as relações entre edifício, sistemas e utilizadores. Tudo o resto é cosmética técnica com prazos alargados para falhar”. </span><span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:200,&quot;335559740&quot;:259}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Jorge Carvalho acrescenta que é comum &#8220;essa simplificação aparecer na economia dos projectos. No contacto assíduo</span><span data-contrast="none"> </span><span data-contrast="auto">com promotores e projectistas continuo a ver decisões dominadas por análises de CAPEX”. Para este engenheiro, quando a descarbonização passar a ser um critério de competência profissional, “a transição deixará de ser ruidosa. A descarbonização passará a ser simplesmente o resultado esperado de boa engenharia, bem pensada, bem construída e bem operada ao longo do tempo. A própria profissão de engenheiro tem tudo a ganhar e acima de tudo respeito”.</span><span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:200,&quot;335559740&quot;:259}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">* L</span><span data-contrast="auto">eia o artigo completo na recente revista #164 de Março / Abril</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:279}"> </span></p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
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			</item>
		<item>
		<title>buildingSMART Portugal: “Sempre considerámos esta implementação [do BIM] uma inevitabilidade, mas que tem tardado em Portugal”</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/buildingsmart-portugal-sempre-consideramos-esta-implementacao-do-bim-uma-inevitabilidade-mas-que-tem-tardado-em-portugal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Galego]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 09:35:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[BIM]]></category>
		<category><![CDATA[buildingSMART]]></category>
		<category><![CDATA[construção]]></category>
		<category><![CDATA[digitalização]]></category>
		<category><![CDATA[habitacao]]></category>
		<category><![CDATA[projecto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de a Estratégia Nacional para a Implementação da Metodologia BIM – PortugalBIM ter sido aprovada em Conselho de Ministros, José Carlos Lino, presidente da buildingSMART Portugal, contou à Edifícios e Energia as expectativas da associação para esta estratégia e os avanços da implementação da metodologia BIM em Portugal. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Depois de a Estratégia Nacional para a Implementação da Metodologia BIM – PortugalBIM ter sido aprovada em Conselho de Ministros, José Carlos Lino, presidente da buildingSMART Portugal, contou à <i>Edifícios e Energia</i> as expectativas da associação para esta estratégia e os avanços da implementação da metodologia BIM em Portugal. </strong></p>
<p><span data-contrast="auto">O Conselho de Ministros aprovou, no final do mês de Setembro, um novo conjunto de medidas integradas na estratégia Construir Portugal, um plano que, segundo o Governo, visa “dinamizar e reforçar a oferta de habitação, em especial no mercado privado”. Entre as decisões tomadas, destaca-se o anúncio da Estratégia Nacional para a Implementação da Metodologia BIM – PortugalBIM. </span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">O BIM (B</span><i><span data-contrast="auto">uilding Information Modeling</span></i><span data-contrast="auto">) trata-se de uma abordagem de trabalho colaborativa baseada em modelos digitais que acompanha todas as fases de vida de um edifício — do projecto à construção, passando pela utilização e pela desconstrução. Segundo dados do Governo, a digitalização dos processos “permite economias entre 10 e 20% nas despesas de capital dos empreendimentos de construção de edifícios e de infraestruturas”.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Num contexto internacional em que o BIM é já uma prática consolidada, Portugal prepara-se para tornar a sua utilização obrigatória nos próximos anos. A buildingSMART Portugal, uma associação sem fins lucrativos, tem unido esforços para </span><span data-contrast="auto">promover a eficiência no sector da construção através da utilização de normas abertas de interoperabilidade no BIM para alcançar novos níveis de redução de custos, tempos de execução e aumentar a qualidade das construções.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Conversámos com o presidente da buildingSMART Portugal, José Carlos Lino, sobre a Estratégia Nacional para a Implementação da Metodologia BIM e para perceber como está a correr a implementação desta abordagem a nível nacional:</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><strong>Quais são as principais expectativas da buildingSMART relativamente à Estratégia Nacional para a Implementação da Metodologia BIM? Acredita que poderá trazer mudanças significativas na forma como se planeiam e executam projectos de construção em Portugal? </strong></p>
<p><span data-contrast="auto">Foi anunciada publicamente pelo Governo a Estratégia Portugal BIM, mas ainda há que esperar pela versão final em Diário da República. Mas as expectativas são altas. Desde logo, a buildingSMART Portugal congratula-se por constatar que a implementação do BIM a uma escala nacional entra na agenda política. Por tudo o que se tem desenvolvido nas últimas duas décadas neste sector e pelo que se está a fazer a nível internacional e, em particular, na União Europeia, sempre considerámos esta implementação uma inevitabilidade, mas que tem tardado em Portugal.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">É nossa expectativa que esta estratégia nacional, à semelhança de muitas outras, abranja as principais áreas de implementação do BIM: políticas, processos, tecnologias e pessoas. Como recomendação, o Manual de apoio à Contratação Pública em BIM, emitido pela União Europeia, elenca o âmbito que pode abranger cada uma destas componentes, nomeadamente aspectos jurídicos e contratuais, trocas de informação, aspectos técnicos de validação e utilização, bem como aumento das competências e apoio à capacitação, sendo só alguns dos vectores a considerar neste tipo de estratégias.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">Outro aspecto muito importante é o da interoperabilidade. Uma implementação desta natureza deveria ter como denominador comum o uso de formatos abertos que permitam o trabalho integrado e colaborativo, numa metodologia conhecida como OpenBIM. Estamos muito expectantes relativamente a este ponto.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">Além disso, é importante que seja constituída uma pequena equipa profissional, mas exclusivamente dedicada à implementação da estratégia e conhecedora do tema, que assegure a gestão e a curadoria de todos os eixos e objectivos e garanta o cumprimento de um plano de acções. É ainda importante que o faça envolvendo todo o sector e todos os actores. O risco de tentar uma implementação a esta escala, confiando os processos aos departamentos estatais que já estão sobrecarregados e não têm competências nem experiência neste novo tópico, deveria ser evitado.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">Se assim for, ficaremos com um planeamento onde a legislação, o conhecimento, e as exigências contratuais vão gradualmente aumentar a sua maturidade até chegarmos a um ponto em que todo o ecossistema da construção estará a projectar, licenciar, construir e operar de modo integrado em BIM e OpenBIM.</span></p>
<p><strong>Sabendo que o custo da habitação é um dos maiores desafios actuais, como avalia o potencial da implementação do BIM para reduzir os custos associados à construção e ao preço final das habitações?</strong></p>
<p><span data-contrast="auto">Estão mais do que identificados e cientificamente comprovados os benefícios do BIM e os ganhos que esta metodologia acarreta. Seja em reduções directas de custos e prazos devido à antecipação de conflitos e à correcção de erros e omissões, seja na redução do risco por meio de um rigoroso modelo de objectos, seja na integração de trabalho colaborativo ou na aceleração dos processos de licenciamento. Mas também existem múltiplos ganhos indirectos, como uma colectânea de informações sobre o nosso activo, a capacidade de determinarmos e optimizarmos gastos energéticos e o custo do ciclo de vida da construção, até à possível redução de seguros e responsabilidades por termos uma base de dados garante do construído, são apenas alguns exemplos.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">Agora, o que não podemos fazer é construir o mesmo edifício duas vezes com e sem BIM para, no final, fazermos a comparação de quanto poupamos. Então, é preciso que os donos de obra, os promotores e todos os empreendedores conheçam e compreendam estes ganhos e os imponham aos seus fornecedores e às suas equipas. Se houver esta vontade e compreensão, e todos trabalharmos integradamente para esse objectivo final, é seguro dizer que uma construção em BIM será mais barata que uma sem BIM. Depois, só nos resta esperar que estes ganhos tecnológicos e a optimização do processo não sejam indevidamente ocultados e absorvidos por tantas margens que fazem com que o preço final da construção, muitas vezes, não tenha correlação directa com o preço de construção.</span></p>
<p><strong>De um modo geral, como está a correr a adesão ao BIM? Os gabinetes de projecto e a as empresas estão mais sensibilizadas?</strong></p>
<p><span data-contrast="auto">Quem está a pugnar pela inovação através do BIM e tem consciência da sua inevitabilidade tende a achar que a adesão integral poderia sempre ser mais rápida, mas temos evidências de que o conhecimento e a prática estão a aumentar progressivamente. Os membros e associados da buildingSMART Portugal têm crescido continuamente, e os eventos e as formações em BIM têm cada vez mais interessados, que chegam com um nível de maturidade cada vez mais elevado.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">Os gabinetes de projecto já estão sensibilizados, até porque começa a ser relativamente comum os projectos já serem solicitados, com maior ou menor detalhe, em BIM. Os construtores também já iniciaram muitos dos seus processos em BIM, em particular, os de controlos de custos e tempos, mas também a aplicação em tecnologias no local da obra. As fases de operação e manutenção não estão tão avançadas, mas talvez sejam as que demorarão menos tempo a transitar. Mas, se tivermos que escolher onde deveríamos investir na divulgação, disseminação e convencimento, é, sem dúvida, nos donos de obra. Sejam públicos ou privados. Só com a sua adesão teremos todo o ecossistema integrado e a produzir activos em que simultaneamente teremos o seu gémeo digital, tal como já temos em muitas outras indústrias.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335551550&quot;:0,&quot;335551620&quot;:0,&quot;335557856&quot;:16777215,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:0}"> </span></p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p><p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/buildingsmart-portugal-sempre-consideramos-esta-implementacao-do-bim-uma-inevitabilidade-mas-que-tem-tardado-em-portugal/">buildingSMART Portugal: “Sempre considerámos esta implementação [do BIM] uma inevitabilidade, mas que tem tardado em Portugal”</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>DECORHOTEL regressa hoje à FIL com edição recorde e foco na sustentabilidade</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/empresas/decorhotel-regressa-hoje-a-fil-com-edicao-recorde-e-foco-na-sustentabilidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edifícios e Energia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Nov 2025 11:20:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Arquitetura e Design de interiores]]></category>
		<category><![CDATA[construção]]></category>
		<category><![CDATA[Decorhotel 2025]]></category>
		<category><![CDATA[FIL]]></category>
		<category><![CDATA[HORECA]]></category>
		<category><![CDATA[instalação]]></category>
		<category><![CDATA[networking]]></category>
		<category><![CDATA[projecto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Feira Internacional de Lisboa (FIL) recebe, hoje e até sábado, a 8.ª edição da DECORHOTEL. Esta é a única feira realizada em Portugal dedicada em exclusivo ao setor da hotelaria e afins, reunindo centenas de empresas que fornecem e suportam este importante segmento da economia nacional. ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-9ac00cf961d1ea846fe5a532228b76c6 wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-a0e1ef9aff71a108aea0fdb816701cc4 wp-block-paragraph">A Feira Internacional de Lisboa (FIL) recebe, hoje e até sábado, a 8.ª edição da <strong><a href="https://exposalao.pt/expor/decor_hotel/fil2025" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">DECORHOTEL</a></strong>. Esta é a única feira realizada em Portugal dedicada em exclusivo ao setor da hotelaria e afins, reunindo centenas de empresas que fornecem e suportam este importante segmento da economia nacional.<br><br>Atendendo ao cenário atual a feira irá focar-se nas ferramentas tecnológicas para o turismo do futuro, sendo primordial para os players que se movimentam neste setor. A <strong>DECORHOTEL</strong> surge como um espaço que promove o encontro entre a oferta e a procura, com vista à concretização de negócios, e é uma oportunidade privilegiada para promover contactos entre todos os profissionais que atuam nesta área de atividade.<br><br>No dia <strong>21 de novembro</strong>, às <strong>15h00</strong>, realiza-se o seminário <strong>“Novo Aeroporto de Alcochete – Oportunidade, Inovação, Coesão e Sustentabilidade para Portugal”</strong>, que contará com intervenções de Fernando Pinto, presidente da Câmara Municipal de Alcochete, Avelino Oliveira, presidente da Ordem dos Arquitetos, Pedro Machado, do Turismo de Portugal, e Pedro Ribeiro, urbanista.<br><br>Já no <strong>dia 22 de novembro</strong>, a conferência <strong>“Arquitetura Hotelaria – Inovação, tecnologia e sustentabilidade”</strong> reúne nomes de referência como o arquiteto <strong>Luís Rebelo de Andrade</strong>, a designer <strong>Nini Andrade da Silva</strong> e o investidor <strong>José Cardoso Botelho</strong>, sob moderação de Hélder Nascimento. Este encontro sublinha a importância crescente da arquitetura, do design e da qualidade dos espaços como fatores decisivos para a diferenciação da oferta hoteleira.<br><br><strong>Participe na DECORHOTEL</strong>!<br><br></p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-alpha-channel-opacity has-background is-style-wide" style="background-color:#07a1a6;color:#07a1a6"/>



<p class="has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-small-font-size wp-elements-c07eb39323055b354de8f25c2caf0d83 wp-block-paragraph"><strong><em>O texto acima é da inteira responsabilidade das empresas/entidades em causa<br>Fonte: Press Release</em></strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>&#8220;A engenharia não é um mero exercício burocrático&#8221;</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/a-engenharia-nao-e-um-mero-exercicio-burocratico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Ascenso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Aug 2025 08:00:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[descarbonização]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[engenharia]]></category>
		<category><![CDATA[epbd]]></category>
		<category><![CDATA[projecto]]></category>
		<category><![CDATA[sce]]></category>
		<category><![CDATA[simplex]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em conversa com João Sousa, projectista, traçamos um retrato da actividade de projecto no nosso país e dos desafios que se aproximam com a transposição da nova Directiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD). A correcção dos projectos, que se tornou habitual, o ritmo acelerado, a falta de mão de obra qualificada, o Simplex, os honorários ou a “corrida à tecnologia que ignora as bases do desempenho térmico: a envolvente do edifício” são alguns dos temas.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/a-engenharia-nao-e-um-mero-exercicio-burocratico/">&#8220;A engenharia não é um mero exercício burocrático&#8221;</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=159" target="_blank" rel="noopener">edição nº 159 da Edifícios e Energia</a> (Maio/Junho 2025).</em></strong></p>
<p>Em conversa com João Sousa*, projectista, traçamos um retrato da actividade de projecto no nosso país e dos desafios que se aproximam com a transposição da nova Directiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD). A correcção dos projectos, que se tornou habitual, o ritmo acelerado, a falta de mão de obra qualificada, o Simplex, os honorários ou a “corrida à tecnologia que ignora as bases do desempenho térmico: a envolvente do edifício” são alguns dos temas.</p>
<p><strong>Em jeito de balanço, podemos dizer que passámos de uma actividade de projecto que se debatia com pouco trabalho para uma realidade frenética, marcada pela urgência, rapidez e excesso de trabalho?</strong></p>
<p>Nos últimos anos, a actividade de projecto tem sido fortemente influenciada pela conjuntura de mercado e pela necessidade de responder às solicitações do sector. Um sector que tem pressionado as empresas a acelerar os processos na fase de projecto e também na fase de construção. Um sector que tem convivido com diversas crises económicas e sociais, com impacto na incerteza e na volatilidade, e que se tem debatido com a dificuldade em reter profissionais qualificados no país. Uma situação que tem conduzido a um défice de mão de obra especializada, sobrecarregando os profissionais que permanecem, provocando um excesso de trabalho nas empresas de engenharia e afectando a produtividade e a qualidade de vida dos profissionais.</p>
<p>A forma como se projectam edifícios mudou significativamente nos últimos anos. Se recuarmos um pouco no tempo, percebemos que a maioria dos profissionais da área sempre procurou seguir as boas práticas, as normas e os regulamentos internacionais, uma vez que existia pouca regulamentação nacional. No entanto, apesar de existir um diploma orientador desde 1998, só a partir de 2006 é que se começou a verificar uma aplicação mais consistente e generalizada da legislação. É a partir desse momento que o projecto ganha uma nova assertividade, passando a assumir um papel mais estruturado e reconhecido, inclusive por parte dos promotores imobiliários.</p>
<p>Por outro lado, ao longo dos últimos dez anos, a evolução tecnológica — quer ao nível das ferramentas de cálculo, quer das soluções técnicas aplicadas à climatização e eficiência energética dos edifícios — veio alterar significativamente o ritmo, a profundidade e a dinâmica de colaboração no desenvolvimento de projectos. Projectar passou a ser, cada vez mais, um processo multidisciplinar e integrado. Estas características, ainda que favoreçam a inovação e a produtividade, exigem simultaneamente ferramentas colaborativas eficazes e uma coordenação constante entre todos os intervenientes. Esta nova realidade exige uma abordagem mais estratégica, onde a coordenação e a gestão técnica assumem um papel determinante quanto à criatividade e ao rigor dos projectos.</p>
<p><strong>A nossa engenharia é muito reconhecida internacionalmente. Não temos profissionais porque as pessoas vão para fora?</strong></p>
<p>A engenharia portuguesa é, felizmente, muito bem reconhecida a nível internacional. A valorização internacional dos nossos profissionais é um reflexo da qualidade da formação, da capacidade técnica e capacidade de adaptação que possuem. No entanto, essa valorização além-fronteiras tem também o seu lado menos positivo: a crescente saída de engenheiros para o estrangeiro contribui para a escassez de quadros técnicos qualificados em Portugal. A esta realidade somam-se factores como a pressão sobre os salários, a exigência crescente do sector e, em alguns casos, a falta de perspectivas de progressão profissional. Perde-se, assim, talento que poderia estar a contribuir para o desenvolvimento interno, num momento em que o sector exige cada vez mais competências especializadas e capacidade de resposta.</p>
<p><strong>Como por exemplo?</strong></p>
<p>É o caso dos países anglo-saxónicos e nórdicos, para onde muitos dos nossos jovens profissionais têm emigrado. E, curiosamente, muitas vezes nem o fazem por uma questão de remuneração — os salários, em termos proporcionais, já não são tão diferentes dos praticados neste momento em Portugal. Na realidade, actualmente, o mercado nacional já oferece condições significativamente melhores do que há uma década. No entanto, apesar desta evolução, mais de 70% dos nossos recém-licenciados acabam por sair do país. E destes, cerca de 90% são profissionais de engenharia e profissionais da área da saúde. Esta realidade é preocupante e tem sido alvo de reflexão interna na Ordem dos Engenheiros Técnicos, onde procuramos encontrar estratégias para contrariar esta tendência e, acima de tudo, perceber como podemos criar condições para fixar estes profissionais em Portugal.</p>
<p><strong>Se muitas vezes a motivação não é financeira, quais as outras razões?</strong></p>
<p>Muitos engenheiros portugueses procuram experiências profissionais em contextos internacionais, onde podem encontrar desafios diferentes e oportunidades de crescimento que, por vezes, não estão tão acessíveis em Portugal. Em certos casos, mais do que uma simples questão de remuneração, há também a procura por mercados que ofereçam uma maior progressão na carreira, especialização técnica. Mesmo sendo Portugal um país com excelente qualidade de vida, muitos profissionais sentem o apelo de explorar novas culturas, ambientes de trabalho diversificados e contextos mais exigentes do ponto de vista técnico e organizacional. Esta abertura ao mundo é positiva, mas levanta o desafio de como criar condições internas que incentivem o regresso ou, idealmente, evitem a saída dos nossos melhores quadros.</p>
<p><strong>Há um novo mercado que se tem aberto para a correcção dos projectos. Qual a razão?</strong></p>
<p>Os projectos continuam a ser encomendados a ritmos apertados e com margens reduzidas — uma consequência de como opera o sector da construção em Portugal, que reside na racionalização dos preços desde a fase de conceção (bem como logo na fase de projecto), e consequentemente, na forma como são organizadas e contratualizadas as equipas de projecto associado. Em muitos casos, assistimos à constituição de equipas pela contratualização de empresas centrais que, depois, subcontratam as especialidades técnicas, adjudicando os trabalhos à proposta mais barata das empresas contactadas, independentemente da sua qualidade, experiência ou grau de envolvimento no processo de conceção.</p>
<p>Esta prática está enraizada na ideia — profundamente errada — de que as especialidades de engenharia, na fase de projecto, servem apenas para responder às exigências legais e processuais, como o licenciamento ou a submissão de documentação formal. Quando se reduz o papel das engenharias a um mero exercício burocrático, o que se está a fazer é amputar o potencial técnico, criativo e estratégico das especialidades de engenharia.</p>
<p><figure id="attachment_32499" aria-describedby="caption-attachment-32499" style="width: 153px" class="wp-caption alignleft"><img decoding="async" class="wp-image-32499" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/08/Joao_Sousa-225x300.jpg" alt="" width="153" height="204" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/08/Joao_Sousa-225x300.jpg 225w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/08/Joao_Sousa.jpg 296w" sizes="(max-width: 153px) 100vw, 153px" /><figcaption id="caption-attachment-32499" class="wp-caption-text">João Sousa</figcaption></figure></p>
<p>O resultado é previsível: surgem lacunas, omissões e incompatibilidades que têm de ser resolvidas mais tarde, muitas vezes já em fase de obra, com custos acrescidos e perda de eficiência global. Pior, cria-se um mercado — o da “engenharia de correcção” — que consome recursos e tempo que poderiam ter sido evitados com um planeamento mais sério e integrado logo à partida.</p>
<p>Esta forma de trabalhar, infelizmente, constrói uma reputação negativa do sector português lá fora. Em alguns mercados mais maduros, como os países nórdicos, existe a percepção de que os portugueses &#8220;gostam de gastar dinheiro várias vezes para resolver o mesmo problema&#8221;. E isso não decorre da falta de competência técnica, mas sim da estrutura de funcionamento do mercado e da cultura de adjudicação pelo preço mais baixo, em vez da competência e da experiência.</p>
<p>A solução passa por revalorizar o tempo e o espaço do projecto, dar-lhe o peso que merece e garantir que os promotores compreendem o valor de um bom projecto bem coordenado à primeira. Corrigir é caro, e muitas vezes é também ineficaz. Projectar bem, de forma integrada e colaborativa, continua a ser a forma mais económica e segura de garantir qualidade e desempenho na construção.</p>
<p><strong>A pressa no licenciamento também é uma dificuldade?</strong></p>
<p>Um dos grandes desafios que enfrentamos actualmente é a pressão exercida sobre os prazos de licenciamento. É perfeitamente compreensível que os promotores demorem tempo a estruturar o modelo económico dos empreendimentos — esse é, aliás, um passo fundamental para a viabilidade dos projectos. No entanto, após tomada a decisão de avançar com o investimento, o tempo disponível para desenvolver o projecto é extremamente reduzido.</p>
<p>A prática corrente nos países nórdicos e anglo-saxónicos consiste em dedicar muito mais tempo à fase de conceção, procurando, desde logo, estabilizar as soluções técnicas em estreita articulação com a arquitectura e promotores.</p>
<p>Este contraste é particularmente evidente quando comparamos com a realidade portuguesa.</p>
<p><strong>Com a nova metodologia das comunicações prévias do Simplex Urbanístico tudo ficou ainda mais complicado?</strong></p>
<p>Com a entrada em vigor da metodologia das comunicações prévias no âmbito do Simplex Urbanístico, os desafios para os projectistas agravaram-se significativamente. Embora na nota orientadora da ADENE (Agência para a Energia) se indique que o processo cumpre o previsto no Decreto-Lei n.º 101-D/2020, a realidade é bem mais complexa.</p>
<p>Anteriormente, as câmaras municipais aceitavam uma declaração formal a justificar que o processo de certificação energética se encontrava em fase de análise, uma vez que, na fase inicial do licenciamento, ainda não existiam elementos suficientes para elaborar um Certificado Energético rigoroso. Essa prática reflectia o bom senso necessário para lidar com a natureza iterativa e progressiva dos projectos.</p>
<p>Hoje, essa flexibilidade desapareceu. As autarquias recusam qualquer tipo de justificação, exigindo, desde logo, o pré-certificado energético, o que obriga a que todos os projectos tenham um desenvolvimento mais detalhado — incluindo os projectos de estruturas, arquitectura, instalações mecânicas, iluminação e outros. Ora, esta exigência entra em conflito directo com a prática corrente de desenvolvimento dos projectos, onde é técnica e logisticamente impossível apresentar um nível de detalhe tão elevado logo na fase de licenciamento.</p>
<p>O que se verifica, portanto, é uma desconexão entre a regulamentação e a realidade operacional dos profissionais da área, o que introduz obstáculos desnecessários entre os diversos organismos e intervenientes.</p>
<p><strong>Um problema também para o promotor?</strong></p>
<p>Este cenário não representa apenas um desafio para os projectistas — é também um problema significativo para os promotores. Afinal, quem está disposto a financiar um projecto de execução completo sem ter garantias de que a Câmara Municipal aprovará a obra? Este é um dos principais entraves do modelo actual: continuamos a operar num sistema de licenciamento que exige um nível de definição próprio do projecto de execução, mas sem oferecer a segurança jurídica ou técnica que o justifique.</p>
<p>Nos países europeus mais avançados nesta matéria, a abordagem é distinta. A responsabilidade pelo cumprimento da regulamentação recai directamente sobre os projectistas. O licenciamento, nesses contextos, transforma-se numa formalidade técnica: desde que o projecto cumpra escrupulosamente os regulamentos vigentes, a sua aprovação é garantida. Esta metodologia atribui maior responsabilidade aos profissionais, mas também maior previsibilidade e eficiência ao processo.</p>
<p>Em Portugal, para além das exigências antecipadas, mantemos ainda um problema estrutural que tem persistido: muitos promotores optam por desenvolver apenas os projectos simplificados para submissão à Câmara e sem pretenderem que se desenvolvam projectos de execução mais detalhados. Posteriormente, contratam directamente um instalador para executar a obra, muitas vezes sem supervisão adequada ou integração com os conceitos iniciais do projecto. O resultado é uma transferência de responsabilidade e controlo técnico do projectista para o instalador, o que compromete a qualidade final da obra e o desempenho do edifício.</p>
<p><strong>Idealmente, o comissionamento deveria ser uma prática regular?</strong></p>
<p>A ausência de uma prática sistemática de comissionamento na execução das instalações técnicas dos edifícios em Portugal é um dos principais entraves à garantia da qualidade final e do desempenho energético expectável. O comissionamento, entendido como um processo estruturado e independente de verificação da instalação, operação e desempenho de todos os sistemas técnicos, deveria ser uma prática regular e obrigatória — o que ainda está longe de acontecer.</p>
<p>O comissionamento continua a ser deficientemente enquadrado do ponto de vista legislativo. No Decreto-Lei n.º 101-D/2020, subsiste uma confusão entre ensaios e comissionamento. O diploma prevê que os instaladores realizem os ensaios, mas não define claramente a necessidade de uma entidade externa e independente que coordene, verifique e assuma a responsabilidade final do processo de comissionamento — como acontece nos mercados mais evoluídos, e em vários países europeus.</p>
<p>Esta separação de responsabilidades é essencial. Da mesma forma que o projectista e o Perito Qualificado não podem ser a mesma entidade, para garantir a imparcialidade no projecto e na certificação energética, também os ensaios e comissionamento dos sistemas técnicos não devem estar sob a competência da mesma entidade. O projectista pode e deve acompanhar os ensaios, mas, também neste caso, deve ser uma entidade externa a realizar o comissionamento.</p>
<p><strong>Se o investimento na qualidade e os honorários acompanhassem, esse envolvimento seria uma prática normal.</strong></p>
<p>Se o investimento na qualidade do projecto acompanhasse o grau de responsabilidade exigido aos projectistas, o seu envolvimento até à fase de obra e comissionamento seria, naturalmente, uma prática normal. Contudo, o actual modelo contratual, sobretudo nos concursos públicos, muitas vezes dificulta esse acompanhamento mais profundo.</p>
<p>A legislação nacional, primeiro com a Portaria n.º 701-H/2008 e, mais recentemente, com a transposição para o Decreto-Lei n.º 255/2023, define claramente a obrigatoriedade da revisão de projecto e da fiscalização em obra nos contratos públicos.</p>
<p>Seria mais racional e eficaz investir directamente na valorização dos honorários dos projectistas. Com mais recursos e tempo, seria possível desenvolver projectos com maior detalhe e qualidade técnica, reduzindo a necessidade de revisão posterior e de correcções em obra. Esta abordagem permitiria uma melhor integração entre arquitectura e engenharia desde as fases iniciais.</p>
<p><strong>As marcas, por vezes, ajudam o cliente final no projecto e a resolver problemas. É uma consequência das dificuldades de que já falámos?</strong></p>
<p>A crescente intervenção das marcas de equipamentos no apoio ao cliente final ou até no próprio desenvolvimento técnico dos projectos é, em parte, reflexo das dificuldades estruturais já identificadas no sector, nomeadamente, a desvalorização dos honorários, a escassez de tempo para a fase de conceção e a fragmentação das responsabilidades no processo de projecto e obra.</p>
<p>Não há mal em envolver as marcas. Pelo contrário, ninguém melhor do que os próprios fabricantes para conhecerem as capacidades e limitações dos seus produtos, e algumas dessas empresas até têm projectistas nos seus quadros que acrescentam valor na fase de definição de soluções. É prática comum, na fase inicial de estudo e avaliação, recorrer a essas equipas para viabilizar técnico-economicamente as soluções a desenvolver no projecto.</p>
<p>O problema surge quando se confunde esse apoio técnico com o próprio processo de projecto. Projectar não é escolher equipamentos. A actividade de projecto é muito mais abrangente. Infelizmente, há ainda muitos profissionais e entidades que reduzem as especialidades de engenharia a uma simples assemblagem de equipamentos, como se o projecto se resumisse à selecção de máquinas.</p>
<p>Ora, essa visão é redutora. A escolha do equipamento adequado é apenas uma etapa no desenvolvimento de um projecto, que envolve a análise do contexto arquitectónico, a avaliação técnico-económica de diversas soluções, a previsão de consumos e rendimentos, a definição de estratégias de integração de sistemas e, claro, a compatibilização com as restantes especialidades.</p>
<p>Importa ressalvar que os equipamentos representam, muitas vezes, mais de 50% do valor total da empreitada. Isso exige um nível de rigor e análise técnica elevado, que só pode ser garantido por um projecto bem estruturado e com tempo de maturação suficiente. Quando este trabalho não é feito por equipas independentes e experientes, abre-se espaço para decisões enviesadas, soluções sobredimensionadas ou pouco optimizadas e, em última instância, para investimentos que não trazem retorno ao promotor nem conforto real ao utilizador final.</p>
<p><strong>Estamos em condições de cumprir a ambição de descarbonizar os edifícios até 2050?</strong></p>
<p>Depende do que estamos a considerar como meta. Estamos a falar de descarbonizar todos os edifícios? Ou de garantir que todos sejam NZEB (Nearly Zero Energy Buildings)? É fundamental separar estas duas realidades, porque os caminhos e as dificuldades associadas são bastante distintos.</p>
<p>Quando falamos de edifícios novos, a ambição é relativamente viável. As ferramentas, o conhecimento técnico e as soluções construtivas e tecnológicas já existem. A regulamentação já está a caminhar nesse sentido e, com maior ou menor esforço, os edifícios novos podem, e devem, alinhar-se com os princípios de neutralidade carbónica.</p>
<p>O grande problema está no parque edificado existente. A reabilitação profunda de edifícios antigos implica intervenções muito mais complexas, dispendiosas e, muitas vezes, tecnicamente limitadas por questões patrimoniais, construtivas ou urbanísticas. Reabilitar termicamente edifícios existentes, por exemplo, requer um esforço logístico e económico muito superior ao necessário num edifício novo. Além disso, muitas dessas intervenções não são financeiramente viáveis para os proprietários sem incentivos públicos.</p>
<p>Outro factor crítico é a ausência de uma estratégia nacional integrada e continuada que articule políticas públicas, financiamento, capacitação técnica e sensibilização da sociedade.</p>
<p>A meta de 2050 não será atingida apenas com boas intenções. Exige planos concretos, medidas coerentes e um enorme investimento, não só financeiro, mas também cultural e institucional.</p>
<p>Resumindo, a neutralidade carbónica nos edifícios novos é uma meta ao nosso alcance. Já a descarbonização do parque edificado existente é um desafio de outra dimensão, para o qual ainda não estamos verdadeiramente preparados, nem em termos operacionais, nem de escala de intervenção.</p>
<p><strong>O grande desafio está na reabilitação?</strong></p>
<p>Sem dúvida. Não temos, neste momento, capacidade financeira nem estrutural para fazer uma reabilitação em massa do parque edificado existente. E estamos a falar de um parque de edifícios com sistemas técnicos instalados com muitas décadas que, em muitos casos, ainda recorrem a equipamentos que consomem gás natural. A substituição por bombas de calor não é apenas uma troca directa de equipamentos: é uma mudança estrutural. Obriga à substituição das tubagens, dos equipamentos locais, dos sistemas de controlo, uma vez que um equipamento concebido para operar a 80 °C não terá o mesmo desempenho se for colocado a trabalhar com 45 °C. Tecnicamente, é uma solução altamente intrusiva e, sobretudo, muito dispendiosa.</p>
<p>A Comissão Europeia foi ambiciosa na definição dos seus objectivos, e isso é louvável. Mas é preciso reconhecer que nem todas as realidades europeias estão no mesmo ponto de partida. Em muitos países, nomeadamente do sul da Europa, o esforço exigido ao sector da construção, e às famílias, é substancialmente maior. E esta pressão regulamentar acontece num momento em que a Europa perdeu grande parte da sua influência económica global. Estamos a impor restrições severas a um mercado que já enfrenta inúmeros desafios internos, enquanto o resto do mundo, incluindo grandes economias, continua a abordar estas questões com outra flexibilidade.</p>
<p>Defendemos o avanço tecnológico e a descarbonização como um imperativo ético e ambiental. Mas é necessário que esta transição seja equilibrada, realista e justa, tanto do ponto de vista técnico, como económico e social.</p>
<p><strong>A electrificação renovável está na base da estratégia de descarbonização energética do parque edificado, para a qual as bombas de calor e o fotovoltaico são peças essenciais. Não deveríamos também recentrar as estratégias nos aspectos construtivos como os isolamentos, por exemplo?</strong></p>
<p>A electrificação renovável é, de facto, um dos grandes pilares da estratégia europeia e nacional de descarbonização do sector dos edifícios. Soluções como as bombas de calor, a produção fotovoltaica descentralizada ou os sistemas de armazenamento eléctrico são essenciais para reduzir as emissões e a dependência de combustíveis fósseis. No entanto, há uma questão de fundo que importa não ignorar: nenhuma solução técnica consegue ser verdadeiramente eficaz se não for precedida por uma abordagem construtiva inteligente e eficiente.</p>
<p>Antes de pensar em sistemas, é preciso pensar na envolvente. O isolamento térmico, a orientação solar, o controlo da ventilação natural, os ganhos solares passivos — tudo isto deve ser tratado como prioridade. A eficiência energética começa nas decisões arquitectónicas e construtivas. O que se tem verificado, muitas vezes, é uma espécie de “corrida à tecnologia” que ignora as bases do desempenho térmico: a envolvente do edifício.</p>
<p>Investir primeiro no isolamento e na redução das necessidades térmicas do edifício permite, não só reduzir a dimensão necessária dos sistemas mecânicos, como também melhorar o conforto térmico e a resiliência à externalidade do clima.</p>
<p>A avaliação e qualificação da envolvente deve ser o primeiro passo de qualquer estratégia de eficiência, e não um mero exercício de cumprimento regulamentar. Se reduzirmos a carga térmica do edifício, também reduzimos os requisitos do AVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado) e, consequentemente, os custos de instalação e exploração.</p>
<p>Portanto, mais do que somar soluções tecnológicas, precisamos de rever a ordem da estratégia: começar pela envolvente, consolidar a eficiência passiva e só depois electrificar com base em fontes renováveis. Esta lógica não só é mais racional do ponto de vista técnico, como é mais eficaz em termos económicos e ambientais.</p>
<p>Essa é a verdadeira sustentabilidade.</p>
<p>O desafio passa também pela comunicação. Muitos promotores e donos de obra já têm esta visão integrada. Mas, nas equipas de projecto, essa articulação ainda não está totalmente enraizada. A solução passa por reforçar a coordenação técnica desde as fases iniciais e por envolver todas as disciplinas com uma abordagem colaborativa desde a conceção.</p>
<p>Só assim será possível garantir que os edifícios do futuro não são apenas eficientes do ponto de vista dos equipamentos, mas estruturalmente preparados para resistir às exigências climáticas e energéticas do século XXI.</p>
<p><strong>A principal crítica ao Sistema de Certificação Energética (SCE) está na falta de racionalidade e viabilidade económica no que se refere às medidas de melhoria que são identificadas no certificado. Como contornar?</strong></p>
<p>Essa crítica não deve ser dirigida ao Sistema de Certificação Energética em si, mas sim à forma como muitos profissionais o interpretam e aplicam. Não se trata de “contornar”, palavra que, infelizmente, é muito usada na gíria da construção portuguesa, mas sim de cumprir, com rigor e competência, os regulamentos em vigor.</p>
<p>Quando estamos a avaliar um edifício ou um projecto, as medidas de melhoria que propomos devem ser coerentes e tecnicamente viáveis, mas também economicamente justificadas. E isso exige conhecimento, responsabilidade e ética profissional. Não é o regulamento que falha, é a falta de critério técnico de quem o aplica de forma acrítica ou automática. Cabe-nos, enquanto engenheiros, assegurar que as soluções apresentadas têm fundamento e são ajustadas à realidade concreta do edifício e do seu contexto.</p>
<p><strong>O que seria preciso acautelar nesta nova regulamentação que vai sair?</strong></p>
<p>A nova regulamentação que está em preparação deve ser uma oportunidade para clarificar responsabilidades, reforçar a qualidade técnica e garantir coerência entre as diferentes fases do projecto, desde o concurso até à obra construída.</p>
<p>Existem aspectos fundamentais que não necessitam de ser excessivamente regulados, mas sim enquadrados com bom senso técnico. O desenvolvimento de uma obra, em que é necessária uma elevada coordenação, esta não está rigidamente associada a uma profissão específica, seja ela um arquitecto ou um engenheiro. O mais importante é que essa função seja assegurada por alguém com formação sólida e experiência comprovada em coordenação técnica, nomeadamente nas vertentes de eficiência energética, desempenho ambiental e articulação entre especialidades. Pode ser um arquitecto, pode ser um engenheiro, o importante é que tenha currículo e competência prática nesta abordagem integrada desde a fase inicial do projecto.</p>
<p>Na prática, os objectivos de consumo energético devem ser definidos logo na fase de concurso, condicionando as soluções arquitectónicas e técnicas apresentadas. Isto obriga a uma mudança cultural e processual, focando o desenvolvimento do projecto nos targets definidos e não apenas no cumprimento formal dos requisitos.</p>
<p>Outro aspecto crítico que carece de atenção é o Certificado Energético. O actual modelo de comunicação, baseado apenas em classificações como A, B ou C, não é suficientemente esclarecedor para o cidadão comum, que fica sem perceber exactamente o que isso significa em termos reais de consumo ou de custo. Existe um grande trabalho de comunicação por fazer: é necessário aproximar os indicadores técnicos de uma linguagem que as pessoas entendam, utilizar valores comparativos reais, etc., de modo que os utilizadores percebam concretamente o impacto das medidas de eficiência energética aplicadas.</p>
<p>Além disso, o Certificado Energético deveria ser emitido com base num projecto de execução mais detalhado. De acordo com as exigências da Directiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), há uma exigência de precisão que, em Portugal, muitas vezes se perde devido ao momento em que o certificado é emitido, frequentemente antes de se definirem os sistemas que vão realmente ser instalados.</p>
<p>Este desfasamento tem consequências práticas: muitas vezes, os certificados apresentam soluções que não correspondem à realidade construída e, por vezes, até do definido em projecto de execução. E como não existe um acompanhamento sistemático em obra, não existem garantias de que o que foi certificado irá corresponder ao que será executado.</p>
<p>Por tudo isto, é crucial que a nova regulamentação:</p>
<p>• Clarifique o papel da coordenação técnica e promova perfis com experiência em eficiência energética;</p>
<p>• Torne mais transparente e compreensível o conteúdo do Certificado Energético;</p>
<p>• Exija maior rigor na fase de execução e no acompanhamento em obra;</p>
<p>• Assegure a correspondência entre projecto, certificação e construção real.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*João Sousa é engenheiro mecânico, com 25 anos de experiência na execução e gestão de projectos de Instalações Mecânicas (AVAC) nos domínios dos Edifícios, Indústria e Master Planning. Fundador da Green BEELT – Building Energy Efficiency Laboratory Technology. Actualmente exerce as funções de Presidente do Colégio de Engenharia Mecânica da Ordem dos Engenheiros Técnicos e participa activamente em várias comissões técnicas nas áreas da eficiência energética, energias renováveis e sustentabilidade do ambiente construído.</p>
<p>Fotografia de destaque: © Unsplash</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/a-engenharia-nao-e-um-mero-exercicio-burocratico/">&#8220;A engenharia não é um mero exercício burocrático&#8221;</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>&#8220;A visão de curto prazo tem dominado o mercado&#8221;</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/a-visao-de-curto-prazo-tem-dominado-o-mercado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Ascenso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Apr 2025 09:34:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[BIM]]></category>
		<category><![CDATA[eficiência energética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Carlos Soares tem uma vasta experiência na actividade de projecto com várias obras conceituadas no currículo. Nesta conversa, fazemos um balanço sobre a qualidade dos edifícios e sobre os desafios que os projectistas têm à sua frente com a ambição da descarbonização.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/a-visao-de-curto-prazo-tem-dominado-o-mercado/">&#8220;A visão de curto prazo tem dominado o mercado&#8221;</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=158" target="_blank" rel="noopener">edição nº 158 da Edifícios e Energia</a> (Março/Abril 2025).</em></strong></p>
<p>Carlos Soares tem uma vasta experiência na actividade de projecto com várias obras conceituadas no currículo. Nesta conversa, fazemos um balanço sobre a qualidade dos edifícios e sobre os desafios que os projectistas têm à sua frente com a ambição da descarbonização.</p>
<p><strong>Como foram estes últimos anos para a actividade do projecto? Os <em>nearly-zero energy buildings</em> (NZEB), uma maior penetração das renováveis&#8230;</strong></p>
<p>A minha convicção é que os projectos têm melhorado em termos gerais. Aquilo que tenho visto é que a complexidade e a qualidade, nalguns casos, têm aumentado substancialmente.</p>
<p><strong>A que nível podemos encontrar essa melhoria?</strong></p>
<p>Em vários aspectos. Há uma maior maturidade a nível técnico por parte das equipas nacionais e internacionais. Por outro lado, a forma de trabalhar também evoluiu muito com a introdução das metodologias BIM (<em>Building Information Modeling</em>), a certificação ambiental, etc&#8230; Estas novidades obrigaram os técnicos a ter outro tipo de intervenção, mais profunda. Há mais conhecimento e, se olharmos para as conferências técnicas que existem hoje, verificamos que há uma dinâmica forte e muita gente nova a aparecer e que já tem contacto com aquilo que se faz de melhor no país e fora do país. Existe também a questão da execução do projecto e por aí torna-se tudo mais complicado.</p>
<p><strong>Como tem sido trabalhar com estas ambições?</strong></p>
<p>No nosso racional do projecto existem questões, como é o caso dos NZEB (<em>Nearly-Zero Energy Buildings</em>), que tivemos de integrar e desenvolver. Sucede que nem sempre se conseguem atingir os resultados ideais e há parâmetros muito difíceis de alcançar. Nestes casos, e em relação aos edifícios com balanço energético positivo, existem constrangimentos que muitas vezes não conseguimos resolver. O espaço para considerar soluções renováveis, como os painéis fotovoltaicos, nem sempre é aquele de que precisaríamos para atingir ou superar a neutralidade carbónica. Um exemplo desta situação são os edifícios em altura que têm coberturas limitadas para a colocação de soluções renováveis. Depois existem outras abordagens como a compra de energia verde para colmatar as insuficiências da geração renovável local. Para as metas da descarbonização (2050), para vencer este desafio é essencial encontrar outras soluções de forma a podermos cumprir esta meta. De acordo com o estabelecido no PNEC (Plano Nacional de Energia e Clima), a economia deverá ser neutra em termos de emissões de carbono.</p>
<p><strong>Falou há pouco na execução do projecto. Em termos de responsabilidade, sente que a actividade do projectista poderá estar a ser atropelada pela pressão dos investimentos e que essa seja uma barreira à correcta execução do que foi concebido?</strong></p>
<p>A pressão existe a vários níveis. O enquadramento financeiro cria várias limitações e muitas vezes a solução ideal não se concretiza como nós, projectistas, a concebemos. Mas também existem outras limitações como a questão dos espaços disponíveis de que falámos. A pressão do orçamento disponível é, talvez, a maior dificuldade, a que se junta a pressão do tempo em vender o imóvel ou os imóveis. Muitas vezes este racional do lado dos promotores vai contra aquilo que o projecto propõe, e até contra aquilo que a regulamentação define. Muitas vezes cumprimos os mínimos sem conseguir ir mais além porque não há margem. Esta visão do curto prazo tem dominado o mercado. Nas excepções, que existem, os promotores têm também em atenção os custos de exploração e isso não tem a ver apenas com a eficiência energética, mas também com a criação de condições para que as operações de manutenção se realizem ao longo do ciclo de vida do edifício. A visão dos custos associados ao curto prazo ainda prevalece. Se pensarmos num edifício com sistemas de climatização com uma vida expectável de 25 anos, a parte da operação, incluindo a manutenção, será muito considerável e muito mais elevada do que o investimento inicial.</p>
<p><strong>Pode identificar outros constrangimentos ao nível da responsabilidade? A falta de acompanhamento do projectista em obra é um problema?</strong></p>
<p>Sim, esse é um problema com que nos debatemos. Claro que os projectos devem ser objectivos e claros, mas se houvesse um acompanhamento por parte do projectista em pontos-chave do desenvolvimento da obra, de certeza que facilitaria o trabalho e acrescentava qualidade à instalação executada.</p>
<p><strong>Os honorários não permitem que isso aconteça?</strong></p>
<p>Sim, os honorários de projecto são relativamente baixos, no geral. A componente da assistência técnica costuma ser um valor residual que, no limite, pode cobrir a participação em algumas reuniões e alguns esclarecimentos sobre a interpretação dos projectos. Os projectos deviam ser mais bem pagos e com mais margem para a fase de acompanhamento no terreno, isto é, assistência técnica.</p>
<p><strong>O tema do simplex urbanístico ainda vai agravar mais essa dificuldade?</strong></p>
<p>Temo que seja essa a tendência porque, com a metodologia das comunicações prévias, o projecto ganha logo de início um carácter final. No enquadramento interior, os projectos das especialidades tinham os seus prazos mais alargados e o projecto ia evoluindo ao longo das diferentes fases. No actual contexto, as grandes decisões têm de ser tomadas numa fase anterior à passagem de projecto de execução, com pouca margem para introdução de alterações significativas. A coordenação entre projectos de especialidades e a arquitectura têm menos tempo para amadurecimento.</p>
<p><strong>A colaboração entre as várias especialidades pode deixar de ser uma dificuldade a partir de agora com esta exigência?</strong></p>
<p>Há sempre dificuldades, normalmente relacionadas com “tempo”. A compatibilização e coordenação entre as diferentes disciplinas exige tempo e temos menos tempo agora. A vantagem do simplex consiste na aceleração do prazo para obtenção das licenças de construção e obviamente da obra, decorrente da sincronização entre os intervenientes na formalização do “Licenciamento”.</p>
<p><strong>O BIM não vem ajudar?</strong></p>
<p><figure id="attachment_31072" aria-describedby="caption-attachment-31072" style="width: 206px" class="wp-caption alignright"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-31072" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/04/Captura-de-ecra-2025-04-24-102239-e1745487085693.png" alt="" width="206" height="260" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/04/Captura-de-ecra-2025-04-24-102239-e1745487085693.png 669w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/04/Captura-de-ecra-2025-04-24-102239-e1745487085693-238x300.png 238w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/04/Captura-de-ecra-2025-04-24-102239-e1745487085693-610x770.png 610w" sizes="(max-width: 206px) 100vw, 206px" /><figcaption id="caption-attachment-31072" class="wp-caption-text">Carlos Soares</figcaption></figure></p>
<p>A metodologia do BIM tem esse potencial, ou seja, fazer uma coordenação mais afinada e rigorosa, mas, com o que de bom esta metodologia encerra, implica a necessidade de mais tempo para tarefas de “correcção de colisões” e “<em>design review</em>”. O BIM veio fazer uma ruptura na forma como se trabalha. Esta parte da coordenação não era uma preocupação do projectista com o detalhe que se exige agora. Trabalhar em duas dimensões era mais fácil porque uma das dimensões espaciais estava “oculta”. Em 3D, “todos” os pormenores (desde que tenham sido modelados) estão visíveis, não só na “nossa” especialidade, mas também nas outras especialidades. Há um esforço muito maior das equipas de projecto e coordenação, sendo preciso significativamente mais tempo com a metodologia BIM. Os honorários de projecto não acompanham essa mudança.<br />
Parece inevitável. O BIM veio para ficar e vai ser “obrigatório”, mais cedo ou mais tarde.<br />
A pressão do mercado impulsiona a transição. Em alguns países, nas obras públicas e na grande maioria dos concursos internacionais privados, isto já acontece há bastante tempo. No contexto nacional, ainda há quem não trabalhe em BIM, mas isso vai mudar nos próximos anos.<br />
Esta transição é mais difícil do que a transição de há trinta anos, quando passámos do desenho à mão para o Autocad, porque implica não só mudanças no “desenho” (modelação), mas também na utilização das ferramentas de cálculo residentes nas plataformas BIM.</p>
<p><strong>Um dos principais problemas, quando falamos em qualidade, tem sido a falta de espaço nos edifícios para as instalações técnicas. O BIM pode ajudar a minimizar esse e outros constrangimentos, na fase inicial do projecto, por estarem todos a trabalhar em conjunto?</strong></p>
<p>Sim, ajuda, mas o BIM é uma ferramenta e muitas vezes a pressão para construir mais metros quadrados na mesma área de implantação obriga a não termos os pés-direitos ideais. Claro que, com o BIM, temos uma melhor percepção do espaço, assim como é possível optimizar alguns aspectos e estudar variantes, mas não resolve tudo nem transforma o impossível em possível.</p>
<p><strong>Em termos de multidisciplinariedade, existe a possibilidade, com o BIM, de se olhar para o projecto como um todo logo numa fase inicial e isso poderia ajudar a sensibilizar as várias especialidades&#8230;</strong></p>
<p>Isso é verdade, porque passa a existir uma consciência maior dos vários aspectos da instalação. Ou seja, podemos trabalhar com modelos “federados”, onde é possível ver todos os aspectos (modelados) dum edifício e isso dá-nos a visão do todo. Invariavelmente, a afinação (compatibilização) das diferentes especialidades implica muito trabalho de coordenação e <em>redesign</em>.</p>
<p><strong>Os projectistas vão passar a ter de pensar também em emissões e quantidade de CO2. É preciso ir para outro patamar da sustentabilidade. Como vê esta mudança?</strong></p>
<p>Esse é o grande desafio das próximas décadas. Há proprietários de edifícios e promotores que anteciparam essas preocupações e objectivos, ou seja, não começamos do zero. As emissões de carbono (CO2) decorrem da utilização de energia, por um lado, e pelo fabrico dos equipamentos e componentes dos edifícios (na verdade, de todo o ambiente construído) e também dos sistemas de climatização, que usam duma ou doutra forma substâncias (fluidos refrigerantes não naturais) que contribuem para o aquecimento global.<br />
A regulação dos fluidos refrigerantes tem vindo a ser mais restritiva e em poucos anos passámos de GWP (<em>Global Warming Potential</em>) na ordem de 2000 para 750, continuando a baixar progressivamente.<br />
Falamos obviamente no contexto da União Europeia. Há países com um impacte no ambiente muito maior do que o conjunto dos países da União Europeia que não subscreveram ou saíram do Acordo de Paris e, como tal, fazem o que entendem nesta matéria…</p>
<p><strong>A escolha de qualquer solução ou equipamento já não depende apenas da eficiência energética, vai passar a incluir a pegada ambiental associada!</strong></p>
<p>Exactamente! Muitos fabricantes já têm um “cartão de identidade” ambiental do produto onde constam algumas destas informações.</p>
<p><strong>À data de hoje, já consegue fazer um projecto tendo em conta as três vertentes?</strong></p>
<p>Sim, é possível! A dificuldade está em saber se é possível atingir as emissões zero. Como referido anteriormente, uma componente está associada ao cálculo das emissões decorrentes do “consumo” de energia e é feito em função do <em>mix</em> energético do país e está relacionada com a eficiência energética.<br />
O contributo das formas renováveis de energia entra com sinal positivo no balanço, sendo por vezes possível equilibrar este balanço. A fatia das emissões relacionadas com a produção dos equipamentos e componentes é da responsabilidade do fabricante e deve ser disponibilizada como parte da informação dos produtos.<br />
Relativamente aos refrigerantes, caso não sejam naturais, deverão ser contabilizados igualmente no balanço de carbono.<br />
À medida que a economia vai sendo menos dependente do carbono, as emissões irão tender para zero, ou seja, a dimensão destes problemas vai ficando mais reduzida. No entanto, o horizonte de 2050 para chegar a uma economia descarbonizada parece utópico.</p>
<p><strong>Mas o projecto já consegue chegar lá perto?</strong></p>
<p>Uma solução totalmente descarbonizada é impossível no curto prazo.</p>
<p><strong>A indústria já está alinhada com estes objectivos em termos de informação?</strong></p>
<p>Ainda não estamos nesse ponto. Nem todos os fabricantes de equipamentos disponibilizam informação sobre energia incorporada e não conheço nenhum fabricante que apresente equipamentos (de climatização) que “reclame” ter atingido “carbono zero” no fabrico. O mesmo se aplica às condutas, tubagens e, em última análise, a todo e qualquer equipamento ou componente de AVAC ou de qualquer outra instalação, passando pelos próprios materiais de construção dos edifícios.</p>
<p><strong>E já existe informação por parte da indústria sobre a pegada carbónica dos seus produtos?</strong></p>
<p>Há fabricantes que já disponibilizam essa informação. Eu diria que os grandes fabricantes já têm todos esses dados. Como projectista, não estou em condições de fazer um projecto com zero emissões directamente, como explicado acima, mas posso encontrar medidas compensatórias através da compra de energia verde, por exemplo.</p>
<p><strong>Quais vão ser as maiores dificuldades do lado do projecto neste contexto da descarbonização?</strong></p>
<p>Repare que os edifícios são compostos por muitos elementos e materiais e essa é uma barreira muito grande neste caminho da descarbonização. Todo o ambiente construído é feito à custa de energia. Essa energia tem de vir de algum lado. Se o ambiente construído não tiver como base a energia renovável, terá de ser energia não renovável e voltamos ao ciclo. Esta é uma equação difícil de resolver, no actual contexto tecnológico e <em>mix</em> energético, do qual não faz parte a energia nuclear (no caso de Portugal), pelo que me parece ser utópico chegarmos à descarbonização da economia no curto ou médio prazo.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/a-visao-de-curto-prazo-tem-dominado-o-mercado/">&#8220;A visão de curto prazo tem dominado o mercado&#8221;</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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		<title>Alberto Reaes Pinto: &#8220;O desenho [dos edifícios] cada vez tem mais carga de conhecimentos&#8221;</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/entrevista/1912-alberto-reaes-pinto-o-desenho-dos-edificios-cada-vez-tem-mais-carga-de-conhecimentos-ee149/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sónia Sul]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Dec 2023 12:46:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Alberto Reaes Pinto]]></category>
		<category><![CDATA[arquitectura]]></category>
		<category><![CDATA[CITAD]]></category>
		<category><![CDATA[construção sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[economia circular]]></category>
		<category><![CDATA[projecto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A procura de uma arquitectura mais sustentável e alinhada com a economia circular obriga os arquitectos a equacionarem uma série de vertentes nos seus projectos, refere o dirigente do CITAD – Centro de Investigação em Território, Arquitectura e Design, Alberto Reaes Pinto. Para o arquitecto...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A procura de uma arquitectura mais sustentável e alinhada com a economia circular obriga os arquitectos a equacionarem uma série de vertentes nos seus projectos, refere o dirigente do <a href="https://citad.ulusiada.pt/Home/rss/5583">CITAD – Centro de Investigação em Território, Arquitectura e Design</a>, Alberto Reaes Pinto. Para o arquitecto e professor da Universidade Lusíada de Lisboa, que foi também um dos impulsionadores da construção sustentável em Portugal, não pode haver &#8220;só desenho de conteúdo restrito&#8221;, sendo necessário “investir no conhecimento como se fosse uma guerra”.</strong></p>
<p><strong>Quando pensamos em economia circular aplicada aos edifícios, o design é crítico. Como se parece um edifício muito bem concebido do ponto de vista da circularidade?</strong></p>
<p>O edifício circular é um edifício bem resolvido que incorpora materiais renováveis de baixo impacto ambiental, de baixo impacto carbónico. A escolha dos materiais não pode ser feita apenas considerando a questão estética. É preciso escolher materiais que sejam renováveis e que possam ser recicláveis e reutilizáveis no fim do ciclo de vida do edifício, para que no final, em vez de se levar o material ao vazador numa produção linear que esgota o produto e de se extraírem materiais novos da natureza – que são limitados e cuja extracção implica impactos negativos ambientais, gastos de energia, escavações, fabrico a altas temperaturas, etc. –, seja possível aproveitar os materiais utilizados no edifício e reutilizá-los ou reciclá-los, criando novos materiais não extractivos. Depois, há a questão da adaptação à funcionalidade, de tornar os espaços polivalentes e, por isso, é preciso dimensionar os espaços também em função da utilização e do equipamento. E ao mesmo tempo conceber espaços que sejam revertíveis. O que é que isso quer dizer? Nós temos que organizar a casa com uma certa possibilidade de reversibilidade para que cada geração possa gerir a sua vida e a utilização das casas como entender melhor. Portanto, quando se está a fazer um projecto, deve pensar-se também na possibilidade de uma transformação, até porque as casas têm que ser duráveis. E, para isso, também devo utilizar determinadas tecnologias que fixem os materiais mecanicamente: por exemplo, em vez de fazer rebocos posso fixar painéis já com outros acabamentos. As habitações podem ainda ser modulares e evolutivas, acrescentando-se ou retirando-se blocos conforme a necessidade, podendo incorporar o máximo de operações de pré-fabricação. Além disso, esse edifício tem que ter em conta a vertente de energia, incluindo fontes de energia renováveis para ser autónomo. Pode ser através de painéis de células fotovoltaicas nas coberturas ou nos próprios vidros e fachadas, por exemplo, mas é preciso inseri-los sem criar impactos visuais negativos. Outra coisa fundamental é, no fim de vida do edifício, não o demolir, mas desconstruí-lo e desmantelá-lo selectivamente. Desconstruí-lo como? Fazendo um projecto de desconstrução paralelo ao projecto inicial normal, em que tenha – e é fácil – um esquema de desmontagem e de recuperação destes materiais, quer da reutilização dos materiais, quer da reciclagem.</p>
<p><strong>De quem seria a responsabilidade por esse projecto de desconstrução e de desmantelamento selectivo paralelo ao projecto de arquitetura convencional? Seria da arquitectura?</strong></p>
<p><figure id="attachment_25319" aria-describedby="caption-attachment-25319" style="width: 199px" class="wp-caption alignleft"><img decoding="async" class="wp-image-25319 size-medium" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/12/foto_Professor_Alberto_Reaes_Pinto_©_Tania-Araujo-1-199x300.jpeg" alt="Alberto Reaes Pinto" width="199" height="300" /><figcaption id="caption-attachment-25319" class="wp-caption-text">© Tânia Araújo</figcaption></figure></p>
<p>Sim, o arquitecto, ao fazer o projecto [da construção], pode fazer também o projecto de desconstrução. O desmantelamento selectivo não é feito de qualquer maneira. Como se faz? Começando pela cobertura, tirando as chaminés, os painéis fotovoltaicos, os painéis solares para aquecimento das águas, se existirem, depois as telhas ou a laje de betão com tela asfáltica e os isolamentos térmicos, etc. Ao mesmo tempo, é preciso começar a tirar as portas, as aduelas, as louças sanitárias, as janelas, etc. Vai-se tirando tudo até às fundações. Se for possível recuperar as fundações, muito bem. Se não for, normalmente ficam lá. Mas já há fundações, em casas de pequeno porte, tipo &#8220;saca-rolhas&#8221;. São fundações metálicas helicoidais que furam o terreno. Têm umas plataformas e as casas são colocadas a 30 ou 40 centímetros do chão, em cima destes parafusos que se podem tirar. Ou seja, esta desmontagem tem de seguir uma determinada ordem para que se possam recuperar os materiais.</p>
<p><strong>Porque continuamos a demolir edifícios em vez de desconstruir e desmontar?</strong></p>
<p>Porque, nalgumas áreas, somos bastante acomodados&#8230; Mas não é só por isso. É porque o mercado está orientado de tal forma que é mais fácil e mais imediato partir tudo e mandar [os resíduos] para o lixo do que esperar que os arquitectos façam os projectos como deve ser. Um projecto muito rapidamente feito e, às vezes, pago de qualquer maneira é uma incoerência tremenda. O projecto, na minha opinião, tem que estar definido até ao parafuso. É preciso fazer um planeamento que diga que no ano tal, no mês tal, na semana tal, no dia tal se vão, por exemplo, abrir as fundações do edifício e que, para isso, são precisos determinados materiais em quantidade e qualidade para haver um stock mínimo em armazém. Depois, é preciso saber como abrir essas fundações, como vai ser o procedimento, quem vai fazer, quantos operadores são, qual a máquina utilizada, etc. Só tendo o projecto completamente definido, até ao parafuso, é que depois se pode fazer uma preparação de trabalho e métodos e um planeamento da obra que permitam aumentar a produtividade, e reduzir os prazos, os encargos financeiros e os custos. Isto é, se eu fizer um edifício num ano e meio em vez de em dois (anos), vai haver uma redução de encargos financeiros significativa, que se traduz na redução dos custos do edifício – mas isto só pode acontecer depois do planeamento.</p>
<p><strong>Refere essa questão dos recursos e dos materiais em stock. Temos mercado para os materiais reaproveitados?</strong></p>
<p>Este mercado já existiu. Há 70 anos, há 50, tínhamos este mercado. Não era bem igual, mas o que é que tínhamos? Tínhamos casas que vendiam grades de varandas, janelas, pedras, sanitários, elementos já reutilizados de demolições que se vendiam em segunda mão. Portanto, aqui, o que se tem de fazer é organizar empresas que recolham e vendam estes materiais. A comercialização não é o problema. O problema é de mentalidade, de mudança de mentalidades. Há pessoas que arriscam, são mais avançadas e querem empreender. Isto é uma oportunidade de negócio. Por exemplo, quando se fez a Expo’98, usou-se, dos edifícios existentes, o betão menos resistente e com menos qualidade em relação ao de hoje, e, mesmo assim, o que é que se fez? Partiu-se o betão – vigas, pilares. Depois, fez-se uma triagem. Armaduras de ferro foram para a siderurgia com uma reciclagem na ordem de 90 %. E o que se fez ao cimento? Triturou-se. E através da trituração do cimento pode fazer-se novo cimento ou pode usar-se para substituir a pedra em caixas, por exemplo, de arruamentos, etc. Portanto, isto tudo é um problema de educação, de conhecimento. Nós temos que investir no conhecimento como se fosse uma guerra. O mercado reage, em alguns casos, a tudo o que é novo, há especulação nalguns casos… É preciso trabalhar o mercado também para que este seja gerido por pessoas lúcidas com essa mentalidade diferente – até porque o mercado tem que mudar e vai mudar porque está a ser pressionado pelas pessoas que já exigem a sustentabilidade.</p>
<p><strong>Qual é o balanço que faz em termos do posicionamento da arquitectura portuguesa nesta transição para a construção circular?</strong></p>
<p>Péssimo, péssimo. Os arquitectos, de uma maneira geral, continuam convencionais. E continua-se a fazer uma “arquitectura imobiliária” no mau sentido. A arquitectura agora tem que ser durável, tem que ser sustentável. Porquê? Porque o património construído, do passado e o que nós criamos, incluindo as habitações, passa por nós e tem que ser dirigido às gerações futuras. Não podemos tratar um edifício de forma qualquer, incluir materiais que ao fim de um certo tempo estão a dar problemas, etc., porque assim estamos a encurtar o ciclo de vida do património. Aquilo que nos chega e aquilo que criamos tem que ser concebido de maneira sustentável para ser utilizado pelas gerações futuras – e também temos de lhes dar espaço… Aqui, podemos questionar o porquê de em cada espaço livre metermos logo um edifício ou o porquê de não fazermos mais reabilitação, que tem a vantagem espantosa de utilizar menos materiais e produzir menos dióxido de carbono. Assiste-se à expulsão das pessoas para a periferia, como aconteceu na década de 60 e 70 [do século passado], e criar outros impactos – é preciso criar infraestruturas e os transportes vão emitir CO2, entre outros. Portanto, o que é que temos de fazer? Temos de planear o futuro. Temos dificuldade em fazê-lo. Não há uma visão global dos problemas e não há uma perspectiva de criar objectivos para incorporar as pessoas e a qualidade de vida das pessoas na forma como se desenham os edifícios e as cidades. Em países do Norte [da Europa], Finlândia, Suécia, Dinamarca, Noruega, a mentalidade é outra. Na Noruega, por exemplo, há casos de estudo de unidades residenciais com reciclagem das águas cinzentas. As águas dos lavatórios, etc., vai para os autoclismos. Ora, na Noruega não há falta de água. E [lá] captam água e não lavam as ruas, não lavam os jardins com água potável. Nós aqui temos cerca de 30 % ou mais de perda de água nos circuitos. Fugas de água. E temos 10 % para a água potável. Lavamos os carros, lavamos as ruas, lavamos tudo e mais alguma coisa com água potável. Esta também seria uma mudança importante nos nossos edifícios; prepará-los para recolher as águas pluviais para lavagens e regas e aproveitar as águas cinzentas também para os autoclismos. A nossa mentalidade tem que ser transformada.</p>
<p><strong>E como é que essa mentalidade pode e deve ser transformada? O BIM pode ajudar?</strong></p>
<p>Sim, o BIM é uma ferramenta fundamental para esta visão abrangente e também porque permite uma preparação de trabalho espantosa. E os materiais estão lá todos. Podemos equacionar várias possibilidades e preparar tudo. Obriga, portanto, a ter um projeto definido. [Na economia circular] Temos uma série de vertentes, e vertentes novas, que o arquitecto tem que equacionar como se fosse uma checklist. Depois tem que fazer uma hierarquização dessas vertentes para chegar a conclusões. Tem que haver uma metodologia. Não é só desenho de conteúdo restrito, até porque o desenho cada vez tem mais carga de conhecimentos. A óptica não pode ser só daquilo que é &#8220;bonito&#8221;. Tem que ser de integração do local, respeitando as suas características bioclimáticas, etc., priorizando o isolamento térmico da envolvente de edifícios para reduzir o consumo de energia para aquecimento e arrefecimento das casas e resolver outros problemas como as humidades, que se reflectem na saúde das pessoas e na sua produtividade, por exemplo, situação agravada se trabalharem a partir de casa. Tem que ser da organização do espaço, dos materiais utilizados – renováveis em vez de convencionais, que não tenham emissões tóxicas durante o ciclo de vida e que não piorem a qualidade do ar interior ou se traduzam em problemas na saúde dos utilizadores –, das tecnologias de incorporação de materiais e da forma como estão organizados. Normalmente, a evolução ou o aparecimento de novas tecnologias e de novos materiais até estão relacionados com carências graves. Após a Segunda Guerra Mundial, com o bombardeamento de cidades e a destruição de casas, a concentração de pessoas nas cidades e o aumento brutal de natalidade, a capacidade produtiva de França e de outros países da Europa que entraram na guerra era de cerca de 80 mil fogos por ano – isto com materiais tradicionais, mão-de-obra tradicional, tecnologias tradicionais. As carências [de habitação] eram dramáticas, na ordem dos 400/500 mil fogos, portanto, só se podiam fazer casas com meios industrializados. Foi preciso encontrar e dar protagonismo a grandes estaleiros, edifícios industrializados, construção industrializada, pré-fabricação, etc. Antes da guerra, alguns sistemas construtivos não tinham viabilidade. Depois, o mercado passou por um período de quantidade. As casas perdiam calor, mas a energia fóssil era barata e as pessoas aqueciam as casas o quanto queriam. O período de qualidade veio depois, quando o barril de petróleo quadruplicou o preço, em 1973/74. Aí, começou a haver exigências qualitativas relativamente à poupança de energia e ao conforto higrotérmico e acústico e começaram-se a utilizar materiais de isolamento térmico que se comportavam muito bem e que ainda hoje se comportam bem, mas que estão carregados de derivados de petróleo, poliestirenos, etc. Agora, há outros materiais de isolamento térmico – a cortiça, a palha, o cânhamo, a fibra de côco, a lã de rocha – tão ou mais eficazes do que os derivados de petróleo e com menor incorporação fóssil. O impacto negativo ambiental que a indústria da construção e a construção dos edifícios têm vai fazer com que tenha de haver uma mudança de mentalidade.</p>
<p><strong>Refere a questão da estética dos edifícios. Estamos muito focados nisso? E pode a economia circular ter algum impacto na (des)caracterização dos edifícios?</strong></p>
<p><figure id="attachment_25320" aria-describedby="caption-attachment-25320" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25320 size-medium" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/12/foto-2_Professor-Reaes-Pinto_FAUL_dez2022_©-Marlene-Urbano-1-300x225.jpeg" alt="" width="300" height="225" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/12/foto-2_Professor-Reaes-Pinto_FAUL_dez2022_©-Marlene-Urbano-1-300x225.jpeg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/12/foto-2_Professor-Reaes-Pinto_FAUL_dez2022_©-Marlene-Urbano-1-1024x768.jpeg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/12/foto-2_Professor-Reaes-Pinto_FAUL_dez2022_©-Marlene-Urbano-1-768x576.jpeg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/12/foto-2_Professor-Reaes-Pinto_FAUL_dez2022_©-Marlene-Urbano-1-1536x1152.jpeg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/12/foto-2_Professor-Reaes-Pinto_FAUL_dez2022_©-Marlene-Urbano-1-2048x1536.jpeg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/12/foto-2_Professor-Reaes-Pinto_FAUL_dez2022_©-Marlene-Urbano-1-610x458.jpeg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/12/foto-2_Professor-Reaes-Pinto_FAUL_dez2022_©-Marlene-Urbano-1-1080x810.jpeg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/12/foto-2_Professor-Reaes-Pinto_FAUL_dez2022_©-Marlene-Urbano-1-scaled.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /><figcaption id="caption-attachment-25320" class="wp-caption-text">© Marlene Urbano</figcaption></figure></p>
<p>A arquitectura portuguesa sofre muito da [ênfase dada à] visibilidade no aspecto do edifício. Isso só pode funcionar mal. As casas são caríssimas e, muitas vezes, as pessoas não têm dinheiro para manterem as casas confortáveis porque elas são frias, húmidas… O conforto higrotérmico e acústico do envelope do edifício, a qualidade do ar, etc. acabam por ser secundárias, nalguns casos. O arquitecto tem que ter uma visão global e o projecto tem que traduzir essa visão global. Como é que um edifício circular se parece, a nível de visibilidade? A utilização de materiais e tecnologias circulares pode resultar num edifício como qualquer outro [ou seja, de aparência semelhante à de um edifício convencional], mas não tem de ser como qualquer outro, porque eu não defendo a arquitectura global. Essa globalidade tem características e especificidades fundamentais relacionadas com a rápida disseminação da ciência, da arte, do conhecimento, mas despreza, muitas vezes, as características regionais, locais e culturais. Eu acho que a identidade cultural da arquitectura de um país ou de uma região deve ser mantida e alimentada, ou até pode ser criada uma nova identidade, mas um edifício cá não pode ser igual ao que se faz em França ou na China. A preocupação com a identidade cultural passa também pelo respeito pela geografia do local, pelas suas características bioclimáticas, pelos materiais utilizados – que também devem ser mais locais por uma questão de sustentabilidade –, pela mão-de-obra e pela tecnologia da região.</p>
<p><strong>A tecnologia também pode acomodar essa diferença cultural?</strong></p>
<p>A tecnologia, seja ela qual for, pode ser aplicada [ao edifício e aos componentes] de forma a respeitar a identidade cultural do lugar.</p>
<p><strong>Temos exemplos de edifícios bons do ponto de vista da construção alinhada com a economia circular?</strong></p>
<p>Não, não se pratica cá.</p>
<p><strong>Quais são os principais obstáculos à aplicação da economia circular na arquitectura?</strong></p>
<p>Eu diria que é mesmo a falta de conhecimento e [a questão da] mentalidade. Alguns arquitectos e outros técnicos têm que ser reciclados [brinca]. O que quero dizer é que têm que aprender, numa aprendizagem contínua, para a actualização de conhecimento. A vertente da ciência, tecnologia e investigação é fundamental. Caso contrário, fazemos as coisas sempre da mesma maneira. Em medicina, por exemplo, tirar a vesícula já pode ser uma operação feita através de furos, em vez de ter de ser a “céu aberto”, mas o médico tem de estudar esta técnica ou outra qualquer. Tem que estudar e ver como se faz para progredir. Um arquitecto, tal como um médico, não pode ter uma evolução, quanto a mim, linear. Tem que ser abrangente e isso implica também, noutra vertente, uma visão carregada de cultura, formação, conhecimento de várias áreas – arte, filosofia, história, etc. – e alguma sensibilidade. Tirar partido das emoções, dos sentimentos de fraternidade, partilha, equipa, contribuição para a sociedade, porque a crise que temos não é só climática. É uma crise violenta. Esta transformação faz-se pela educação. Temos que massificar e reter a qualidade. Depois, também há uma burocracia tramada. A falta de regras também pode dificultar, por exemplo, a questão [da implementação] do projecto de desconstrução paralelo. Se quiser fazê-lo, vai ser preciso gastar mais tempo e dinheiro no projecto – e os arquitectos já estão com trabalhos mal pagos – e o empresário ainda está muito condicionado por visões mais imediatistas.</p>
<p><strong>Quando invocamos a economia circular, falamos bastante nos benefícios ambientais. Que outros benefícios pode esta abordagem trazer?</strong></p>
<p>Os benefícios ambientais são fundamentais. A redução do aquecimento global é fundamental. E lidar com a falta de recursos também, até porque a população mundial está significativamente a aumentar. Os recursos são finitos neste planeta. Têm que se criar meios para nós não estarmos sempre a querer ir tirar recursos à natureza, desequilibrando-a e destruindo os ecossistemas. E a produção não extractiva de recursos, ou seja, o não deitar materiais para o lixo e aproveitá-los para produzir outros materiais, é fundamental na economia circular e tem benefícios ambientais e não só. A eficiência dos materiais é também uma vantagem. E a mecanização, no bom sentido, pode permitir a eficiência dos processos. Em vez de fazer um reboco – que requer fazer antes o chapisco e o emboço –, com a força do pulso, posso substituí-lo por uma monomassa. A nível económico, não se pode ver as coisas de forma economicista pura e dura ou só unilateralmente. O mais barato é aquilo que traz qualidade e não cria tantos problemas tendo em vista o prolongamento do ciclo de vida, a redução dos custos de manutenção, etc. É mais caro extrair o produto da natureza, transportá-lo para a fábrica, fabricá-lo convencionalmente com a produção de gases de efeito de estufa, lidar com os resíduos e com a contaminação, do que desmantelar o edifício e aproveitá-lo – isto quando se está a trabalhar no mercado já com aceitação de boas práticas e numa economia consequente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em style="text-align: center;">Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/nova-edicao-setembro-outubro-o-papel-dos-edificios-na-economia-circular-ee149-1309/">edição nº 149</a> da Edifícios e Energia (Setembro/Outubro 2023).</em></strong></p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/entrevista/1912-alberto-reaes-pinto-o-desenho-dos-edificios-cada-vez-tem-mais-carga-de-conhecimentos-ee149/">Alberto Reaes Pinto: &#8220;O desenho [dos edifícios] cada vez tem mais carga de conhecimentos&#8221;</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Construção e Projecto: Resiliência e optimismo</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/resiliencia-optimismo-2007/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Ascenso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jul 2022 07:54:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[mercado imobiliário]]></category>
		<category><![CDATA[projecto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Olhar para a incerteza dos próximos anos é uma tarefa que se impõe. O mercado imobiliário e o da construção estão a crescer. Resiliência é aquilo que os define. As perspectivas são boas para o projecto, para a construção e ...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/resiliencia-optimismo-2007/">Construção e Projecto: Resiliência e optimismo</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_0  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
<div class="et_pb_text_inner">
<p style="text-align: center;"><em>Artigo publicado originalmente na edição de Março/Abril de 2022 da Edifícios e Energia</em></p>
</div>
</div>
<p><strong>Olhar para a incerteza dos próximos anos é uma tarefa que se impõe. O mercado imobiliário e o da construção estão a crescer. Resiliência é aquilo que os define. As perspectivas são boas para o projecto, para a construção e especialidades. O investimento público vai arrancar, mas <a href="https://edificioseenergia.pt/entrevista/hugo-santos-ferreira-141-entrevista/" target="_blank" rel="noopener">a falta de mão-de-obra e de matérias-primas tende a piorar</a>. A inflação e as taxas de juro vão subir, mas Portugal continua a ser um país preferencial no que toca ao investimento imobiliário. Conheça este puzzle de optimismo e desafios para os próximos tempos.</strong></p>
<p>Depois de dois anos que ninguém imaginava, será possível começar a respirar? Para o mercado da construção, da instalação ou do projecto, durante a incerteza e no meio de tantas dificuldades, a resiliência do mercado foi uma marca e um treino que nos vai ser muito útil nos próximos anos, mesmo com <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/ren21-oportunidade-perdida-1506/" target="_blank" rel="noopener">a pandemia controlada</a>. Voltando um pouco atrás, tudo o que previmos no início não aconteceu de uma forma dramática, antes pelo contrário. Temia-se o pior em tempos de pandemia e não eram poucas as razões. Nada ajudava e a burocracia e as imposições legais pareciam ser fatais. As vistorias não se realizavam e os técnicos responsáveis nas câmaras municipais estavam desaparecidos&#8230; Estes são alguns exemplos.</p>
<p>Sucede que o sector não parou! E esta foi, provavelmente, a primeira grande novidade. As obras avançaram e continuam. Depois de um pequeno impasse, as escrituras começaram a fazer-se à distância e o investimento continuou sem parar. Conseguimos reagir e a transformação digital de alguns processos aconteceu. Mais, ficou provado que continuamos a ser um país apetecível e muito interessante para o investimento estrangeiro. Em 2021, o mercado imobiliário, superou todas as expectativas e quem o explica é a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), no seu relatório sobre a conjuntura da construção relativo ao ano passado no nosso país.</p>
<p>Dados muito importantes se quisermos olhar para o nosso sector no imediato e no futuro próximo. “O consumo de cimento aumentou 5,8 %, a que corresponde o melhor registo dos últimos dez anos. Ao nível da avaliação bancária na habitação, alcançou-se um novo máximo histórico em Dezembro de 2021, com uma subida de 11,2 % face a igual período do ano anterior”. E é no sector residencial que se concentram as maiores atenções. A habitação foi e continua a ser a estrela da companhia. A falta de habitação acessível e os preços para a classe média são as principais razões. “No que concerne ao licenciamento pelas câmaras municipais, constata-se um crescimento global de 7,2 % em resultado das variações de 9,5 % nos edifícios residenciais e de 1,5 % nos não residenciais”, lê-se no estudo.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18513 aligncenter size-full" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa04.png" alt="construção" width="650" height="340" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa04.png 650w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa04-300x157.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa04-610x319.png 610w" sizes="(max-width: 650px) 100vw, 650px" /></p>
<p>Segundo a imobiliária JLL, o volume de transacções, em 2021, deverá ter atingido os 33 mil milhões de euros, com o residencial na frente e para o qual ainda se esperam novos máximos em 2022. Depois de 165,7 mil casas vendidas no ano passado – a que corresponde um valor de 26,2 mil milhões de euros –, são agora esperadas vendas de 191 mil unidades neste ano. Este segmento mantém-se em linha com os números de 2019, antes da pandemia. Já para o segmento comercial, e ainda segundo a JLL, o volume de transacções deverá chegar aos 1,9 mil milhões de euros. Ou seja, contra todas as previsões iniciais, o mercado imobiliário e da construção está de boa saúde e já não há dúvidas quanto à dinâmica que se espera para o projecto e para as várias especialidades no sector da energia e edifícios.</p>
<p>João Caramelo, projectista, confirma: “O sector do projecto, a par do imobiliário e da construção, mantém, actualmente, um dinamismo positivo de crescimento, sendo um dos sectores que melhor respondeu à crise pandémica da Covid-19, [e] tendo sido das poucas actividades que tiveram um contributo positivo para a economia, a dever-se aos investimentos, em contraciclo, realizados pelos promotores imobiliários. Esta estratégia foi fundamental para que o sector do projecto e da construção conseguisse ultrapassar as dificuldades geradas pela pandemia.”</p>
<p>Os tempos serão mesmo favoráveis? De um lado, não restam dúvidas de que sim, mas então o que está a preocupar os vários agentes do mercado? As dificuldades que marcaram estes dois últimos anos, que, segundo várias previsões económicas, vão ser agravadas&#8230; E a dúvida está em saber como vamos reagir a todos estes desafios. Alguns, podemos controlar, mas outros não dependem de nós. <a href="https://edificioseenergia.pt/entrevista/anfaje-2022-mao-de-obra-qualificada/" target="_blank" rel="noopener">A falta de mão-de-obra</a> e a falta de matérias-primas estão no topo e podemos ainda acrescentar a demora nos processos de licenciamento ou a burocracia que poderão afastar o investimento imobiliário num curto espaço de tempo. E, se começarmos a afunilar, podemos ver mais fragilidades e muitos problemas por resolver porque, no limite, é a qualidade que se ressente e, aí, como sempre, ficamos todos a perder. A nova regulamentação térmica e a obrigatoriedade dos nZEB (<em>nearly-zero energy building</em>) agitaram o mercado do projecto e da instalação. Há consenso de que o caminho é por aí e isso já não é mau. Já sabemos que mais e novas regras exigem mais um ajuste do mercado e uma dinâmica recorrente de adaptação. É isso que o mercado tem feito e bem!</p>
<h4>Os benefícios dos nZEB</h4>
<p>Começando pelas novas imposições legais como os <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/nzeb-2210relatorio/" target="_blank" rel="noopener">nZEB</a> e pelos outros requisitos que vieram com a nova regulamentação térmica, o impacto para o sector é já uma realidade desde a concepção, à instalação e à mudança de comportamentos por parte dos ocupantes dos edifícios. António Villanueva é responsável pela área de “Building Physics e Sustentabilidade” da IDOM – Consulting Engineering Architecture, uma empresa de consultadoria mundial reconhecida pela integração de saberes e especialidades, uma multinacional que actua em todo o mundo. Para este engenheiro espanhol, as mudanças regulamentares estão a ajudar a mudar o modelo de como os edifícios são projectados. “Até há pouco tempo, os gabinetes de arquitectura tinham três disciplinas – arquitectura, estruturas e instalações –; agora são muitas as novas disciplinas que vão ao encontro dos objectivos dos edifícios de consumo zero, como é o caso da iluminação natural, da ventilação natural, da energia geotérmica, da biologia, da física do ar, etc. Desaparecem as divisões entre disciplinas e até a tradicional forma de pensar que separava os elementos activos e passivos nos edifícios. Nos próximos anos, vamos assistir ao desenvolvimento desta tendência.”</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18519 aligncenter size-full" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa01.png" alt="" width="650" height="340" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa01.png 650w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa01-300x157.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa01-610x319.png 610w" sizes="(max-width: 650px) 100vw, 650px" /></p>
<p>Na perspectiva de António Villanueva, as edificações devem estar relacionadas com o lugar ou ambiente local e aproveitar os recursos disponíveis nas proximidades, mas, para isso, “devem integrar tecnologias avançadas como GEO-TABS, elementos ambientais, [e] aproveitar a luz natural, a movimentação do ar, etc.” A arquitectura irá estar dependente deste tipo de factores e os projectos fora destes princípios, segundo este engenheiro, vão deixar, em breve, de ser compreendidos.</p>
<p>João Caramelo é director do Grupo EACE, que presta consultadoria na área de engenharia em vários países. Este engenheiro acredita que a nova regulamentação pretende alcançar <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/ibroad-renovacao-energetica-2206/" target="_blank" rel="noopener">a renovação energética do parque imobiliário</a> e, para isso, o conceito dos nZEB é decisivo. As novas regras têm um objectivo claro: “reduzir a factura energética e a dependência nacional de energia importada. O conceito dos nZEB veio criar novos desafios e oportunidades ao mercado do projecto e da construção”. A razão e os benefícios estão em linha com o pensamento de António Villannueva. “Os nZEB obrigam a repensar metodologias e levam as empresas a implementar novos meios tecnológicos.&#8221;</p>
<p>A exigência de mais valências multidisciplinares aos projectistas e às instalações e construção é uma consequência “e uma forma de dar resposta às necessidades técnicas, cada vez mais complexas e de elevada tecnicidade, impostas para os edifícios”.</p>
<p>Para João Caramelo, as novas regras e as medidas da regulamentação energética também serão um desafio para a construção nos próximos tempos, porque vêm impor limites aos consumos energéticos dos edifícios. Este engenheiro vê como um factor positivo “a criação de políticas de melhoria de eficiência energética e de sustentabilidade, por parte da União Europeia, para a construção e a reabilitação dos edifícios, sendo a temática do nZEB uma realidade actual” pela imposição aos novos edifícios de necessidades quase nulas ao nível do consumo de energia, privilegiando a satisfação das necessidades da energia por via de fontes renováveis que poderão ser produzidas in situ ou nas proximidades.</p>
<h4>O mercado e o contexto internacional</h4>
<p>Ninguém tem dúvidas de que o mercado está a crescer. Cresceu o investimento imobiliário e a boa notícia já sabemos qual é: em teoria, vai haver trabalho para os próximos anos. O sector do turismo teve uma quebra muito grande, mas tudo indica que poderá renascer nos próximos anos. Entretanto, temos o sector comercial e a logística a quererem acompanhar o que se passa na habitação. “O fim iminente da pandemia coincide com boas perspectivas económicas para os próximos anos. Prevemos muito trabalho no curto prazo”, reforça António Villanueva.</p>
<p>Este é um cenário ideal, mas não devemos perder de vista o contexto mundial. Os constrangimentos que sentimos nos últimos dois anos vão agravar-se. Há, de facto, muito trabalho em pipeline de investimentos realizados no nosso país, muitos projectos para arrancar; vão chegar os fundos comunitários e o investimento público vai finalmente avançar. Sucede que, com mais obras cá e no estrangeiro, o problema da falta de mão-de-obra vai agravar-se.</p>
<p>Aquilo que nos diferenciava há umas décadas é agora um problema que temos de enfrentar e gerir com a máxima sabedoria. Precisamos de pessoas para trabalhar. A esta dificuldade juntam-se outras impossíveis de controlar. A falta de matérias-primas, <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/aie-dez-pontos-independencia-energetica-ue-1103/" target="_blank" rel="noopener">a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e a inflação já prevista</a>. O impacto mais visível é o agravamento dos preços das matérias-primas relacionadas com o mercado energético e com a alimentação. E estes dois pontos tocam-nos a todos, ao sector e aos cidadãos. O poder de compra pode diminuir. A Rússia e a Ucrânia são dos maiores exportadores de trigo e milho do mundo e as consequências já se fazem sentir. O valor do barril de petróleo já disparou para máximos de 2014 e o gás natural já valorizou mais de dois dígitos. A energia é dos sectores que mais pressionam a inflação e, por isso, este stress económico poderá influenciar o Banco Central Europeu a subir as taxas de juros.</p>
<h4>O investimento e o ciclo de vida dos edifícios</h4>
<p>Seja como for, Portugal continua a ser um país de eleição em termos de investimento e a dinâmica dos fundos e do investimento estrangeiro no nosso país “vieram subir um pouco” o nível da construção. “Vejo os fundos como uma vantagem.” Quem o defende é Rui Furtado, responsável pela Afaconsult, uma empresa de projectos multidisciplinares, que promove a prática de uma filosofia de projecto integrado para os edifícios. É conhecida há décadas por a praticar numa altura em que as especialidades estavam muito divididas. Para este engenheiro civil, “o objectivo dos fundos é a locação e, por isso, os gestores destes activos estão preocupados com o ciclo de vida do edifício, mais do que com a venda”. E é neste ponto que importa entender as possibilidades que temos pela frente.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18515 aligncenter size-full" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa03.png" alt="" width="650" height="340" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa03.png 650w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa03-300x157.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa03-610x319.png 610w" sizes="(max-width: 650px) 100vw, 650px" /></p>
<p>Segundo João Caramelo, os nZEB vêm dar uma ajuda preciosa quando falamos em eficiência energética, já que as necessidades energéticas são suprimidas através das construções passivas e da produção local de energia. “Para atingir os objectivos regulamentares, serão desenvolvidas melhorias ao nível dos materiais a aplicar na envolvente e iremos assistir ao aparecimento de tecnologias de sombreamento cada vez mais flexíveis e com a integração de sistemas de produção de energia (térmica ou eléctrica) para promover o autoconsumo, e envidraçados com características térmicas melhoradas, para dar resposta a soluções arquitectónicas com vãos de grandes áreas nas fachadas.” Para os investidores, a questão da eficiência energética já é um dado adquirido.</p>
<p>Questões como a ambiental, numa lógica de sustentabilidade, e a preocupação pelos materiais do lado do ciclo de vida dos edifícios, mas também do lado da energia incorporada, são temas que já estão noutro patamar de exigências. A maioria dos investimentos estrangeiros em grandes edifícios passa pelos selos de sustentabilidade e já são muitos os que se preocupam com a pegada energética e ambiental dos materiais que são utilizados. Rui Furtado recorda que a questão ambiental “é uma guerra”, lembrando o facto de “a indústria da construção representar entre 40 a 50 % dos gases com efeito de estufa que são libertados, um tema muito pouco falado e desconhecido”.</p>
<p>“No fim do dia, vai tudo parar ao tema do mercado. Veja-se o que se passa com os carros eléctricos: não se fala noutra coisa porque há um mercado muito grande. O pior material que existe é o betão (e fantástico ao mesmo tempo), que não tem substituto ainda. Começam a aparecer construções de madeira, já há promotores a querem utilizá-la mais, mas por questões de mercado. Nós tivemos um concurso na Suíça para grandes edifícios de escritórios (um banco) onde era pedida uma estrutura de madeira. Estes projectos já começam a aparecer. O nível de exigência da sociedade tem vindo a aumentar e o mercado está a responder. Vejo, neste momento, promotores preocupados e a apresentar produtos <em>eco-friendly</em>. Mas ainda é tudo residual”, refere. Nesse sentido, admite reconhecer a “importância da legislação como forma de pressionar o mercado e obrigar ao respeito pelas regras de forma a ser possível acelerar numa determinada direcção”. E continua: “esta legislação que temos vai por aí, mas estamos a falar de exigências limitadas a um país pequeno e pouco abonado como o nosso. Veja-se o caso da França. Na legislação francesa, já existe a obrigação de que uma percentagem elevada de edifícios públicos tenha de ser construções de madeira. A legislação francesa vai mais longe também no que diz respeito às performances energéticas nos edifícios, onde é difícil fazer janelas maiores do que 1 m2 num edifício de habitação porque, para cumprir a legislação, há que criar uma série de outras compensações que depois os promotores não querem pagar”.</p>
<p>Para além da base política energética no nuclear, são muitas as coisas que nos separam da França. “Tudo vai parar ao problema do preço da energia. Os franceses têm energia barata. No meu entender, não existem muitas alternativas ao nuclear. O peso da energia eléctrica vai ser brutal na sociedade e nas empresas nos próximos anos. Não há economia que resista se não se conseguirem soluções mais baratas. Esta questão tem tudo a ver com estes temas. Pode fazer-se o que se quiser, mas as necessidades de energia eléctrica vão ser cada vez maiores”, explica Rui Furtado.</p>
<p>Depois da eficiência energética, da sustentabilidade e de outros focos que têm marcado as últimas décadas, a questão da energia incorporada nos materiais começa a ganhar força quando se aprofunda o tema do ciclo de vida dos edifícios e quando se passa da análise dos custos económicos para a dos custos ambientais – um exercício que já não é raro e do qual, em breve, iremos ouvir falar mais. “Este tema começa a aparecer no mercado quando os promotores nos pedem edifícios certificados com BREEAM ou LEED”, esclarece Rui Furtado.</p>
<p>O tema está necessariamente ligado <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/kerakoll-sustentabilidade-caso-estudo-2806/" target="_blank" rel="noopener">à sustentabilidade</a> dos edifícios. “Nessa altura, estes temas passam a ser estruturantes para o projecto porque há um guião que todas as pessoas têm de seguir. As certificações ambientais dos edifícios são uma vantagem e acrescentam muito à legislação que existe. Neste momento, não existe ainda um modelo de avaliação das questões sobre o ciclo de vida dos edifícios, porque, no fim de contas, é isso que deve ser feito. A questão da energia incorporada nos materiais também é limitada. O assunto tem de ser visto no ciclo de vida dos edifícios, no qual devem ser analisadas todas as questões energéticas e ambientais. Não existe ainda um <em>framework</em> sobre o impacto e a pegada dos edifícios. E quando essa ferramenta existir de uma forma estruturada estaremos, aí, em condições de sermos mais completos na análise e na informação de que precisamos para tomar decisões”.</p>
<p>Os projectistas já têm essa informação ou sabem onde a encontrar. “Já sabemos o que temos de fazer, sim, mas aí entra o mercado. Estará o mercado interessado? Os projectistas podem fazê-lo, mas a decisão é do promotor. Claro que, quando estamos a falar de investimentos por parte de um fundo que aluga o edifício, a conversa do investidor é uma; quando os edifícios são concebidos para promoção imobiliária, a conversa já é outra completamente diferente”, conclui Rui Furtado.</p>
<h4>OPINIÃO</h4>
<p>[author] [author_image timthumb=&#8217;on&#8217;]https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2020/04/celestecampinho.png[/author_image] [author_info]Celeste Campinho, Presidente da direcção da <a href="https://aipor.pt/" target="_blank" rel="noopener">AIPOR – Associação dos Instaladores de Portugal</a> [/author_info] [/author]</p>
<p>“Em 2020, com a chegada da pandemia, o mundo parou e, por arrasto, o mercado das instalações especiais. Foram precisos meses para vermos alguma dinâmica, mas ainda com muita timidez. Projectos que estavam parados arrancaram de novo, mas o impacto da pandemia foi tal que obrigou a maioria dos donos de obra a repensar os seus investimentos quer na dimensão quer no tempo de execução. Apesar disto, entrámos em 2021 com algum optimismo à mistura; no entanto, pouco depois, mais um revés, com praticamente dois meses em <em>stand-by</em>. Apesar disto tudo, vimos o nosso trabalho a crescer e, quando chegámos a meio do ano, a escassez de material e equipamentos e o consequente aumento dos preços vieram assombrar-nos outra vez. O mercado está muito volátil. Não se perspectiva uma melhoria nas cadeias de fornecimento nem uma paragem no aumento exacerbado dos preços. Vai levar alguns anos até que o mercado estabilize e se possa aproximar tanto quanto possível dos anos pré-pandemia.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18511 size-medium alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa05-300x157.png" alt="" width="300" height="157" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa05-300x157.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa05-610x319.png 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/07/2007tcapa05.png 650w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Para complicar toda esta situação, temos ainda a enorme falta de mão-de-obra especializada e não especializada. Há necessidade imperiosa de uma mudança estrutural no ensino técnico-profissional, direccionando-o para profissões que apresentam grande escassez de oferta.</p>
<p>Com a limitação da utilização de gases fluorados com efeito de estufa, imposta pelo Regulamento (UE) 517/2014, temos assistido a um crescimento na utilização de tecnologias verdes com impacto ambiental mínimo tanto através de fluidos naturais, tais como o CO2 (dióxido de Carbono), o NH3 (amoníaco) e o R290 (Propano), como através de fluidos com muito baixo PAG (Potencial de Aquecimento Global), tais como o R1234ze e o R1234yf.</p>
<p>Paralelamente, a procura de equipamentos e soluções mais eficientes e de utilização mais inteligente tem sido a direcção certa para atingir a meta de edifícios nZEB, contando aqui com uma fatia de leão para as energias renováveis ou de produção local.</p>
<p>O impacto da nova regulamentação térmica e dos edifícios nZEB vai ser bastante positiva para os Instaladores de Instalações Técnicas Especiais, pois irá criar novas exigências na construção, manutenção e operação dos edifícios, que irão desde as inspecções periódicas com vista à avaliação do desempenho dos edifícios e identificação de oportunidades de melhoria, passando pela implementação de sistemas de automação para racionalização dos consumos, até à instalação de infraestruturas e pontos de carregamento para veículos eléctricos. Desta forma, irão surgir inúmeras oportunidades de negócios para os Instaladores que tenham a capacidade de adaptação às novas exigências do mercado.”</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/resiliencia-optimismo-2007/">Construção e Projecto: Resiliência e optimismo</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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