Depois de quatro anos de trabalho, a primeira fase do projecto de Investigação e Desenvolvimento (I&D) Smart Green Homes chegou ao fim. O resultado é um portefólio de mais de 20 tecnologias que permitem aumentar a eficiência e a sustentabilidade de edifícios e residências. Entre as soluções, apresentadas no passado dia 1 Outubro, encontram-se, por exemplo, um sistema de monitorização e gestão energética residencial e uma bomba de calor com circuito modificado, de dupla função.

Perante os desafios da escassez de recursos e do impacto do consumo energético no ambiente e na sociedade, o projecto Smart Green Homes procurou desenvolver produtos orientados para a satisfação de necessidades domésticas de conforto do ambiente interior e exterior, garantindo a eficiência energética e sustentabilidade dos edifícios através da diminuição das emissões de gases poluentes e do consumo de água.

Neste processo, conectividade, energias renováveis, eficiência energética, reciclagem e materiais inteligentes foram as palavras de ordem que marcaram as seis linhas de I&D de produtos e serviços do projecto – 1) bombas de calor e sistemas de condicionamento e tratamento de ar, 2) aquecimento por combustão de gás, 3) aquecimento eléctrico, 4) tratamento de água, 5) interface e comunicação para equipamentos de conforto, 6) controlo integrado de sistemas residenciais.

Assente num consórcio entre a Bosch Termotecnologia e a Universidade de Aveiro, o Smart Green Homes contou com a expertise científica e tecnológica de mais de 200 investigadores e colaboradores de diversas engenharias e de áreas como TICE (tecnologias de informação, comunicação e electrónica), Energia, Ambiente e Materiais.

Feitas as contas, desde Outubro de 2016, o projecto potenciou a criação de mais de 20 tecnologias inovadoras e levou ao registo de 16 novas patentes. Para tal, foram investidos 25 milhões de euros − Portugal 2020 financiou mais de 18,8 milhões de euros no âmbito do Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (COMPETE 2020), dos quais mais de 11,7 milhões de euros representam um incentivo proveniente do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Recorde-se que a Bosch tem apostado na neutralidade climática, tendo sido a primeira empresa industrial a alcançá-la, em 2020. Também neste sentido, aquando da sessão de apresentação dos resultados do projecto Smart Green Homes, onde esteve presente o ministro da Economia e Transição Digital, Pedro Siza Vieira, foi inaugurado um novo parque fotovoltaico com cerca de 17 mil m2, no recinto da fábrica de Cacia. Estima-se que a produção anual seja de 1680 KWh, significando uma redução de 700 toneladas de emissões de dióxido de carbono.

Algumas das soluções desenvolvidas

Dos outputs do projecto, destaca-se o sistema de monitorização e gestão energética residencial “EMMA”. Este produto facilita a optimização de energia e possibilita o armazenamento de excesso de energia eléctrica (produzida por um sistema de painéis fotovoltaicos) sob forma de energia térmica ou em baterias eléctricas ou ainda a venda desse excedente à rede.

É de salientar ainda a bomba de calor com circuito modificado, de dupla função, cuja performance aponta para um ganho no Coeficiente de Performance (SCOP = 4.26) e uma redução nas perdas térmicas. Este modelo inclui a funcionalidade de fornecimento de água quente sanitária (com tanque de água doméstico embutido) e aquecimento de espaços (com circuito fechado de água).

No domínio da água, o projecto trouxe também a BoschWater, uma aplicação de controlo remoto para os equipamentos a gás de aquecimento de água doméstica, e um “Purificador de água” mais ecológico e compacto por substituir a convencional membrana de osmose inversa por materiais SILP (Supported Ionic Liquid Phase), isto é, por materiais funcionalizados com líquidos iónicos imobilizados numa fase sólida.

Outra solução para casas inteligentes é a Indoor AirQuality Box, equipamento que recolhe várias informações sobre o ambiente onde está instalado e apresenta índices da qualidade do ar interior e de conforto. Esta informação é partilhada na cloud, permitindo a outras aplicações o respectivo consumo e reacção.