Pobreza energética: EPAH promove workshop colaborativo para procurar soluções locais

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Na terça-feira, o Energy Poverty Advisory Hub (EPAH) promoveu o workshop “Mapeamento participado da pobreza energética em Portugal”. Agentes de diferentes organismos públicos, de associações com iniciativas neste campo e investigadores, entre outros, juntaram-se no Salão Nobre do Colégio Almada Negreiros para explorarem, em grupos de trabalho, as relações e dependências das variáveis associadas à pobreza energética, bem como o papel das entidades locais para o combate a este problema.

Foram formados cinco grupos de trabalho e cada um tinha como ponto de partida uma das três causas mais associadas à pobreza energética – preços da energia, rendimento das famílias e eficiência energética. O desafio lançado aos grupos passou por identificar as principais causas desse elemento de partida e algumas das suas consequências.

Este desafio incluía ainda a representação gráfica dessas ligações de modo a facilitar a visualização de caminhos que podiam estar a reforçar o problema e caminhos que podiam levar a soluções de mitigação. No final da sessão de trabalho, cada grupo apresentou e discutiu os resultados com os restantes participantes neste workshop promovido pelo EPAH, tendo ainda em conta o papel das entidades locais na implementação de estratégias de mitigação da pobreza energética.

Os resultados deste workshop, onde participaram diversos agentes da sociedade que lidam com a temática da pobreza energética em diferentes contextos, serão partilhados com o Comité Económico e Social Europeu, órgão consultivo da Comissão Europeia. A ideia é que seja, mais tarde, alvo de discussão no evento “Tackling Energy Poverty for a Just Transition”, que se vai realizar no dia 18 de Julho. O workshop vai ainda alimentar a tese de doutoramento da Katherine Mahoney, que faz a sua investigação no âmbito do CENSE, da FCT-Nova.

Novo Vale Eficiência abre “em breve”

Ainda antes da sessão de trabalho, o salão do Campus Universitário de Campolide da NOVA, em Lisboa, deu lugar a um conjunto de breves apresentações por parte de alguns participantes. Ana Salgueiro, consultora do Fundo Ambiental, abordou, neste contexto, mecanismos de financiamento dedicados à transição energética nos edifícios. A propósito do programa Vale Eficiência, a representante afirmou que “vai abrir em breve um novo”, que irá ser “endereçado às limitações do primeiro, mantendo-se também a bolsa de fornecedores. Ana Salgueiro adiantou ainda que, embora os resultados oficiais estejam por finalizar, o primeiro programa Vale Eficiência obteve “poucas candidaturas em [termos de] isolamentos”.

Foram ainda apresentados dois casos de iniciativas que estão a ser implementadas com o objectivo de combater a pobreza energética. Um corresponde a uma CER em Telheiras que, com a colaboração da associação de cidadãos Viver Telheiras, da junta de freguesia do Lumiar, do EPAH e da Coopérnico vai unir 17 participantes, de entre os quais três serão famílias vulneráveis, para beneficiarem dos 7,4 kWp de potência instalada resultante da instalação de 16 fotovoltaicos.

Outro projecto é o Ponto de Transição, que disponibiliza, numa lógica de one-stop-shop, um local – um contentor situado num bairro social – ao qual as pessoas se podem dirigir para obter informações e esclarecer dúvidas sobre conforto térmico, eficiência energética, poupança com as despesas de energia e mecanismos de apoio financeiro à implementação de medidas. 

Além disso, e para chegar à população, o Ponto de Transição tem como objectivo criar uma “Bolsa de Agentes de Transição”, membros da comunidade local que são capacitados para poderem conduzir avaliações energéticas gratuitas das habitações. Para perceber ultrapassar obstáculos, como a desconfiança, o projecto testou, na fase piloto, que termina neste mês, diferentes abordagens, desde a participação em reuniões de condomínio, até à colocação de cartazes em edifícios e ao acompanhamento de visitas domiciliárias no âmbito de outras actividades de instituições de apoio social.

Segundo Orlando Paraíba, da ENA, um dos membros do Ponto de Transição, foram apoiadas mais de 500 famílias e realizadas cerca de 150 avaliações energéticas. O projecto envolve ainda o CENSE FCT-Nova e a RNAE, contando com o apoio da câmara municipal de Setúbal e da junta de freguesia de São Sebastião e com o financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian.

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