Depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter reconhecido a possibilidade de se verificar a transmissão aérea do vírus responsável pela propagação da Covid-19, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) veio ontem colocar um ponto final nas dúvidas sobre a operação de sistemas AVAC durante a pandemia, considerando que a utilização destes equipamentos representa um risco “muito baixo” de contágio.

Foi no passado dia 9 de Julho que a OMS emitiu um comunicado em que reconheceu a possibilidade da ocorrência de transmissão aérea do SARS-CoV-2, o vírus responsável pela Covid-19. Depois de ter admitido publicamente que este tipo de contágio em espaços interiores repletos de pessoas e em áreas mal ventiladas “não pode ser colocado de parte”, a Federação Europeia das Associações de Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado (REHVA) apressou-se a classificar a ventilação como “a mais importante medida de controlo de infecção”. Ontem foi a vez da DGS actualizar as suas orientações sobre a utilização de equipamentos AVAC, ao considerar que “o risco de transmissão do novo coronavírus motivada pela utilização de ar condicionado em espaços fechados é muito baixo, desde que se cumpram as regras para uma utilização segura”. A actualização das orientações por parte da DGS é consonante com a posição da OMS, que considera que a transmissão do vírus “ocorre maioritariamente através de secreções e gotículas e do contacto próximo com pessoas infectadas”, não excluindo, contudo, “a possibilidade da transmissão por aerossóis”.

A comunicação da DGS vem, deste modo, responder às preocupações e dúvidas sobre a operação de equipamentos AVAC durante a pandemia do novo coronavírus, encontrando-se em linha com as associações e entidades nacionais e internacionais ligadas ao sector, tais como a ASHRAE ou a AIPOR – Associação dos Instaladores de Portugal, que em Junho considerava “segura” a utilização de ar condicionado durante a actual pandemia.

Nas recomendações que faz, a DGS sublinha a importância, neste contexto, da manutenção dos equipamentos “de acordo com as indicações” dos fabricantes e com as melhores práticas para a renovação do ar em espaços fechados. Num manual para a operação de equipamentos de ar condicionado, publicado pela AIPOR durante a pandemia, é aconselhada a continuidade da operação dos sistemas de ventilação e a adopção de medidas como a colocação da ventilação em funcionamento contínuo e “a velocidade reduzida”, durante as noites e fins de semana, o arejamento através da abertura de janelas, “mesmo quando o edifício possui ventilação mecânica”, e a colocação de todas as unidades de tratamento de ar “com recirculação de ar novo a 100 %”.

As orientações emitidas pela DGS para a climatização dos espaços podem ser encontradas na página web da entidade pública.

 

 

Notícia rectificada às 13h30, 22 de julho de 2020, susbtituindo a palavra “recua” por “reavalia orientações” no título