Começamos um novo ano e são vários os cenários. Temos todas as condições para virar a folha mas aquilo pelo que esperamos verdadeiramente é mudar de livro. Agarrar noutro com muitas folhas em branco à espera de uma narrativa mais positiva, com estratégias afinadas e ajustadas à nossa realidade, com uma história construtiva, realista e pró-activa sobre o que são as actuais dificuldades e bloqueios num sector que está cada vez mais robusto na área dos edifícios, da climatização, da mobilidade ou das renováveis. Mas também na área da tecnologia, do conforto e da eficiência energética. Temos tudo do nosso lado. Não nos falta nada para reabilitarmos ou construirmos com qualidade e competência. Temos o conhecimento. Falta-nos a estratégia e o empenho em toda a cadeia de valor. A começar pelos gestores públicos, naturalmente. Tudo o resto vem por contaminação. Temos um sector mais robusto e imparável na dinâmica, mas ainda frágil naquilo que são as boas práticas. Falta-nos arregaçar as mangas, endireitar o rumo e concentrarmo-nos naquilo que ainda está por fazer. Falta-nos visão para interpretar estas novas tendências marcadas pela tecnologia, inovação e por novos modelos de prestação de serviços que estão a aparecer.

Já somos os campeões das metas em Bruxelas em matéria de energia. Andamos sempre à frente. Começa a ser um padrão. Só que não implementamos o que devemos para as cumprir e continuamos a importar 75 % da energia que consumimos e isso não é um bom indicador.

Queremos muito que o Plano Nacional para a Energia e Clima não se fique pelas metas sempre superiores às que nos pedem. Metade da energia limpa para 2030 é um objectivo maravilhoso. Já somos os campeões das metas em Bruxelas em matéria de energia. Andamos sempre à frente. Começa a ser um padrão. Só que não implementamos o que devemos para as cumprir e continuamos a importar 75 % da energia que consumimos e isso não é um bom indicador.

Mas há bons indicadores. O primeiro poderá ser o discurso do ministro do Ambiente em finais de Dezembro, no qual reconhece a importância da descentralização; onde se compromete a apostar nas renováveis e na eficiência energética; onde se compromete a fechar as centrais a carvão. O ponto está em saber como o vai fazer. Aliás, este é sempre o ponto. Mas queremos ser positivos e optimistas, sobretudo agora. Poderá ser durante este novo ano que o Executivo olhe para as cidades, para os edifícios, para as renováveis e para a mobilidade com a convicção de que a poupança energética e a sustentabilidade passam por aí. E trabalho não falta.

É aqui que entra um segundo bom indicador: a nova Directiva para os Edifícios já aprovada. A estratégia aponta para estes temas e vai mais longe no incentivo à utilização de novas infra-estruturas e tecnologias. Durante o ano de 2019, esta Directiva deverá ser transposta para o nosso país. Estamos confiantes de que o Executivo entenda a dimensão desta oportunidade e recorra a uma equipa de excelência para o fazer. Temos condições para que assim seja. A nomeação de João Bernardo para a Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) é uma boa surpresa, depois da trapalhada da passagem da pasta da Energia para o Ambiente e da anterior sucessão de dirigentes que pouco entendiam do sector. João Bernardo foi afastado da DGEG em Março deste ano, depois de criticar o diploma dos biocombustíveis. Uma boa surpresa ainda porque João Bernardo regressa agora à casa que ele tão bem conhece. Está lá desde 1991. Está por dentro do sector dos edifícios e desempenhou um excelente lugar como Director de Serviços na Sustentabilidade Energética. Sabe onde estão os problemas na gestão dos serviços, os emaranhados que o sufocam e o que é preciso fazer para andar para a frente. João Bernardo teve a pasta das renováveis e da sustentabilidade e conhece as pessoas e o terreno. Ouve as pessoas que trabalham neste sector há muitos anos e tem acompanhado o mercado. Para 2019, só pedimos uma coisa: deixem-no trabalhar!

Vamos começar mais um ano, o 22º para a nossa revista. É verdade, já cá estamos há mais de 21 anos e sempre com o mesmo objectivo: dar voz ao mercado, divulgar as boas práticas e acompanhar a evolução desta área com informação criteriosa. Um trabalho jornalístico que continua a ser a missão da toda a nossa equipa. Obrigada e um bom ano para todos os nossos leitores e parceiros!

As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não reflectem necessariamente as ideias da revista Energia e Edifícios.