A necessidade de renovar energeticamente os edifícios depara-se, entre outras, com a dificuldade de, por um lado, encontrar a melhor solução de energia renovável para cada situação específica, e, por outro, integrá-la com tecnologias de monitorização e controlo. A falta de conhecimento dos proprietários, a fragmentação do mercado e a preferência por soluções de baixo risco e aversão à complexidade são algumas das barreiras mais comuns, mas para as quais o novo projecto procuRE: Pre-commercial Procurement of Breakthrough Solutions for 100% Renewable Energy Supply in Buildings quer dar resposta.

O procuRE tem o apoio do programa europeu Horizonte 2020 e vai ser “aplicado” em seis cidades – Barcelona, Istambul, Velenje, Nuremberg, Vila Nova de Gaia e Eilat –, responsáveis pela operação de 21 mil edifícios. Estas irão adquirir serviços de Investigação e Desenvolvimento (I&D) num valor total de 7,68 milhões de euros a fornecedores, que, por seu lado, desenvolverão uma plataforma “que lhes permita realizar retrofits avançados de forma mais rápida para operar edifícios com 100 % de abastecimento local”, como forma de resolver o problema da extrema fragmentação do mercado. No caso português, a entidade adquirente é a Energaia – Agência de Energia do Sul da Área Metropolitana do Porto, em representação do município gaiense.

O projecto propõe ainda uma nova abordagem, de design colaborativo, que permite que os compradores tomem decisões mais confiáveis e transparentes. Segundo o procuRE, esta nova abordagem será demonstrada “em escolas e escritórios, mas deve ser aberta a qualquer tipo de edifício”. Através do procuRE, os fornecedores de soluções e os proprietários de imóveis têm uma oportunidade de financiamento, assim como ter uma melhor visão das soluções existentes no mercado.

O programa, que arrancou em Dezembro de 2020, está dividido em seis momentos, até Maio de 2024. Entre Abril e Julho, os fornecedores são convidados a participar em oito consultas abertas ao mercado (os proprietários são convidados a tornarem parceiros preferenciais ou a juntarem-se às consultas). Em Outubro, são feitos os pedidos de proposta e, em 2022, tem início a segunda fase, de desenho da solução. Segue-se, no mesmo ano, o desenvolvimento do protótipo e, em 2023, a sua implementação. O programa termina em 2024, com a abertura dos Pilot Days.