Num contexto de incerteza mundial, a Associação Europeia de Bombas de Calor (EHPA) defende que a electrificação do aquecimento deve tornar-se uma prioridade estratégica da União Europeia. Num manifesto recentemente divulgado, a organização apresenta um conjunto de medidas destinadas a acelerar a implementação de bombas de calor, que considera fundamentais para reforçar a segurança energética, reduzir emissões e aumentar a competitividade industrial do bloco europeu.
A EHPA argumenta que a Europa continua excessivamente dependente de combustíveis fósseis importados, uma vulnerabilidade que se tornou particularmente evidente nos últimos anos. O aquecimento e o arrefecimento representam cerca de metade do consumo final de energia da União Europeia, permanecendo fortemente dependentes de gás e outros combustíveis fósseis. Para a associação, a substituição destes sistemas por bombas de calor poderá reduzir significativamente essa dependência, enquanto estabiliza os custos energéticos para famílias e empresas.
O manifesto destaca que as bombas de calor já evitam o consumo de milhares de milhões de metros cúbicos de gás por ano na União Europeia e sublinha que o aumento da sua adopção poderá contribuir para reduzir as facturas energéticas e o consumo residencial de energia. A organização defende, por isso, que esta tecnologia deve ser reconhecida como um elemento estratégico das políticas europeias de segurança energética, ao lado de outras medidas destinadas a reforçar a autonomia do continente.
Para além da dimensão energética, a EHPA foca-se também na componente industrial. Segundo a associação, mais de dois terços das bombas de calor instaladas na Europa são produzidas localmente, sustentando uma cadeia de valor que envolve centenas de unidades fabris e centenas de milhares de postos de trabalho. O sector é apresentado como uma oportunidade para impulsionar a indústria transformadora europeia, promover a inovação tecnológica e criar emprego qualificado, sobretudo em regiões que enfrentam processos de transição económica associados ao abandono dos combustíveis fósseis.
A associação defende, contudo, uma abordagem equilibrada à política industrial europeia. Em vez de medidas proteccionistas rígidas, propõe um modelo Made in Europe que apoie a produção local sem comprometer cadeias de abastecimento abertas e competitivas. A formação profissional surge igualmente como uma prioridade, com a EHPA a pedir investimentos em qualificação e requalificação de trabalhadores, bem como o reconhecimento mútuo de competências entre os Estados-Membros.
Outro dos pilares do manifesto é a necessidade de garantir estabilidade regulatória. A associação alerta que investidores, fabricantes e instaladores necessitam de previsibilidade para expandir a capacidade produtiva e reduzir custos. Incentivos consistentes, políticas de construção alinhadas com objectivos de descarbonização e uma legislação menos fragmentada são apontados como factores decisivos para assegurar o crescimento sustentado do mercado europeu de bombas de calor.
A questão dos preços da energia ocupa também um lugar central no documento. A EHPA considera que a actual estrutura fiscal de vários países europeus continua a favorecer os combustíveis fósseis, penalizando a electrificação. Em muitos mercados, a electricidade suporta uma carga fiscal significativamente superior à do gás, reduzindo a competitividade económica das bombas de calor. A associação defende uma revisão da tributação energética, a eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis e a implementação eficaz dos mecanismos europeus de precificação do carbono.
Por fim, o manifesto sublinha o potencial das bombas de calor para apoiar a integração das energias renováveis no sistema energético europeu. A capacidade destes equipamentos para ajustar o consumo em função da disponibilidade de electricidade renovável poderá contribuir para reduzir a pressão sobre as redes eléctricas, diminuir custos de operação e aumentar a flexibilidade do sistema energético. A recuperação de calor residual e a integração com redes urbanas de aquecimento são igualmente identificadas como oportunidades para melhorar a eficiência global do sector.
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