Texto de Opinião de Francisco Pombas, Domótica SGTA
A publicação da Diretiva 2018/844, relativa ao desempenho energético dos edifícios, impôs aos estados-membros a obrigatoriedade de instalação de Sistemas de Automatização e Controlo de Edifícios – SACE – em todos os edifícios não residenciais, novos ou existentes, com mais de 290kW de potência nominal global, até 2025.
Ao transpor esta obrigatoriedade para o quadro legislativo nacional, (Portaria n.º 138-I/2021), o legislador clarificou que a data-limite para a instalação dos SACE nestes edifícios será 31 de dezembro de 2025. A publicação desta Portaria, com os exigentes requisitos técnicos ancorados na norma EN15232 (atual ISO 52120), conjugados com a aproximação da data-limite para instalação dos SACE nos edifícios existentes, veio relançar a importância destes sistemas nos edifícios não residenciais.
Como escrevi no artigo da edição de Jul./Ago.2024 da Edifícios e Energia, desde 02 de dezembro de 2013 que a instalação de Sistemas de Gestão Técnica Centralizada – GTC – nos edifícios de comércio e serviço, novos ou sujeitos a grandes renovações, é obrigatória. O que aconteceu desde essa data é que o grau de exigência tecnológico e funcional que é imposto a estes sistemas tem vindo a aumentar, sendo em 2013 obrigatória a instalação de Sistemas de GTC da Classe C, passando a ser obrigatória a Classe B em 30 de janeiro de 2019 e a Classe A desde o início deste ano. Ou seja, desde 1 de janeiro de 2025 que todos os edifícios não residenciais, novos ou sujeitos a grandes renovações, com mais de 290kW de potência nominal global, deverão dispor de um Sistema de Gestão Técnica Centralizada que cumpra com a Classe A da norma ISO 52120.
Acresce que a grande maioria das contagens de energia, bem como os arquivos históricos dessas mesmas contagens e de outras variáveis que atualmente são obrigatórias, como sejam as temperaturas de cada um dos espaços climatizados, já eram impostas pela legislação de finais de 2013, para os edifícios com sistemas GTC. Face a este cenário, julgo relevante compreender quais as diferenças mais significativas entre a Classe B e a Classe A, visto ser esta última a que atualmente terá de ser projetada e implementada.
Se analisarmos a tabela de funções da norma, verificamos que das 45 funções, em 25 delas ao garantirmos a Classe B também garantimos a Classe A. Nas restantes 20, a grande maioria diz respeito à identificação das reais necessidades dos espaços e a adequação da produção e distribuição (água e ar) a essas necessidades. Na maioria dos casos, a identificação das reais necessidades obriga ao incremento de alguns sensores, mas a grande diferença prende-se com os algoritmos de controlo, ou seja, com o desenvolvimento da engenharia associada ao sistema. No entanto, a função associada ao controlo de caudal de ar novo de acordo as reais necessidades dos espaços, que passou de escalonado na Classe B para variável na Classe A, obriga à instalação de sensores de qualidade do ar, por exemplo CO2, VOCs e PMs ou equipamento com capacidade de contar o número de ocupantes de um determinado espaço (ver figuras abaixo) e registos de regulação do caudal de ar novo com atuador modulante, bem como equipamentos de controlo com capacidade de leitura e atuação destes mesmos equipamentos de campo. Julgo ser este o maior desafio colocado pela obrigatoriedade do cumprimento da Classe A da ISO 52120, não apenas para projetistas e instaladores de sistemas GTC, mas também para os responsáveis pelo projeto e instalações de AVAC.


O texto acima é da inteira responsabilidade das empresas/entidades em causa





