Um estudo europeu concluiu que muitas plataformas online de comércio da União Europeia continuam a não apresentar correctamente as etiquetas energéticas dos produtos, comprometendo uma ferramenta essencial para ajudar os consumidores a escolher opções mais eficientes e reduzir custos com energia.
A análise, realizada em Janeiro deste ano, foi promovida pelo projecto europeu Compliance Services e envolveu organizações de sete países: Bélgica, Áustria, República Checa, Dinamarca, França, Itália e Portugal. Em território nacional, o trabalho foi conduzido pela ADENE – Agência para a Energia.
Ao todo, foram avaliadas 36 lojas online, incluindo grandes plataformas de comércio electrónico e retalhistas especializados, e analisados 377 modelos de produtos. O objectivo passou por verificar se as etiquetas energéticas e as fichas de informação do produto estavam correctamente disponíveis em todas as etapas da experiência de compra digital.
Embora as páginas individuais dos produtos apresentem frequentemente a etiqueta energética e o respectivo link informativo, essa informação tende a desaparecer nas páginas de catálogo e, sobretudo, no carrinho de compras. Segundo o estudo, esta inconsistência dificulta a comparação entre produtos e pode influenciar decisões menos informadas por parte dos consumidores.
Outra conclusão relevante indica que produtos com menor eficiência energética apresentam uma taxa mais baixa de exibição correcta das etiquetas, sugerindo uma possível omissão mais frequente em casos menos favoráveis do ponto de vista energético.
Entre as categorias analisadas, as máquinas de secar roupa destacam-se pelo melhor cumprimento das regras. Já os smartphones e tablets — incluídos recentemente na obrigatoriedade de etiquetagem — apresentam níveis ligeiramente inferiores de conformidade. Por outro lado, os equipamentos de aquecimento e arrefecimento, apesar de utilizarem o mesmo modelo de etiqueta desde 2015, registam um desempenho mais fraco na sua disponibilização.
Para Rosalinde van der Vlies, da Comissão Europeia, as etiquetas energéticas são uma ferramenta fundamental para os consumidores. “Permitem identificar os produtos mais eficientes, com impacto directo na factura energética. No entanto, isso só funciona se forem correctamente apresentadas, tanto nas lojas físicas como online”, afirmou, sublinhando que os resultados demonstram haver ainda margem para melhorias.
As etiquetas energéticas fornecem não só informação sobre o consumo de energia, mas também sobre outros parâmetros relevantes, como o ruído ou o consumo de água. A sua correta apresentação é da responsabilidade dos distribuidores, enquanto fabricantes e importadores devem garantir a disponibilização dessa informação.
Os consumidores e profissionais podem aceder às etiquetas energéticas através da base de dados europeia EPREL (Registo Europeu de Produtos para a Etiquetagem Energética), que reúne informação sobre todos os produtos colocados no mercado da União Europeia.
O projecto Compliance Services tem como missão apoiar empresas e profissionais no cumprimento das regras de ecodesign e etiquetagem energética, contribuindo para um mercado mais transparente e eficiente. Está prevista uma nova monitorização ainda este ano, com o objectivo de avaliar a evolução do cumprimento destas obrigações no comércio electrónico europeu.
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