Indicador de Prontidão para Edifícios Inteligentes progride na União Europeia

O Indicador de Prontidão para Edifícios Inteligentes (Smart Readiness Indicator – SRI, na sigla em inglês) está a afirmar-se como uma ferramenta central na estratégia europeia para a transição energética e digital do sector dos edifícios. Em 2025, os avanços registados em vários Estados-Membros e o aumento do número de edifícios avaliados confirmaram o potencial do SRI para apoiar decisões de renovação, melhorar a eficiência energética e reforçar o conforto e a flexibilidade dos edifícios no sistema energético.

Um dos momentos-chave deste percurso foi o Quarto Encontro Conjunto sobre o SRI, realizado a 22 de Outubro de 2025, que reuniu decisores políticos, especialistas do sector da construção, projectos europeus e representantes nacionais. O evento destacou a forma como a digitalização e a integração de tecnologias inteligentes nos edifícios podem contribuir para a descarbonização, enquanto aumentam o bem-estar dos utilizadores e a capacidade de resposta às necessidades da rede energética. A sessão, disponível em vídeo, apresentou experiências práticas de implementação nacional e promoveu a troca de lições aprendidas entre países. 

Durante o encontro, ficou claro que o SRI está a evoluir de um instrumento experimental para uma ferramenta cada vez mais integrada nas políticas públicas. Vários países partilharam os resultados das suas fases-piloto, mostrando abordagens distintas à adaptação da metodologia europeia e aos processos de avaliação. Projectos financiados pelo programa LIFE apresentaram ainda ferramentas digitais, metodologias harmonizadas e soluções para facilitar a aplicação do SRI e a sua articulação com outros instrumentos, como os Certificados de Desempenho Energético. 

Da experimentação à integração nas políticas públicas europeias 

Esta evolução foi também sublinhada no boletim informativo da Comissão Europeia de Dezembro de 2025, que faz um balanço de um ano particularmente activo para o SRI. Segundo o documento, 16 Estados-Membros participaram em fases de teste e piloto, com mais de mil edifícios avaliados em toda a União Europeia. Após os primeiros lançamentos em 2021 na Áustria, República Checa, Dinamarca e França, outros países foram progressivamente aderindo, incluindo Croácia, Finlândia, Eslovénia, Espanha, Bélgica, Bulgária, Chipre, Alemanha, Polónia, Portugal e, mais recentemente, Itália. 

O boletim destaca ainda o contributo do chamado “Observatório Científico”, que reúne estudos recentes que validam o SRI tanto na perspectiva da eficiência energética como do ponto de vista científico e metodológico. Estes trabalhos analisam aspectos como a envolvente dos edifícios, a integração urbana e os sistemas de geração de calor. 

Países colaboram e SRI consolida-se no mercado 

Em vários países, 2025 marcou a transição gradual das fases-piloto para programas mais estruturados. A Comissão Europeia observa uma tendência crescente para a utilização do SRI como ferramenta de apoio à decisão em projectos de renovação, permitindo identificar soluções inteligentes com melhor relação custo-benefício. O interesse do mercado é particularmente visível em edifícios comerciais e públicos, onde a digitalização pode gerar poupanças energéticas significativas e melhorar a gestão operacional. 

A cooperação entre Estados-Membros tem sido reforçada através de projectos europeus como o SRI-Enact, o SMART² e o EasySRI, que apoiam a formação de auditores, o desenvolvimento de ferramentas e a troca de boas práticas. O projecto SRI-Enact, concluído em 2025, teve um papel determinante ao compilar dados de mais de mil edifícios avaliados e ao fornecer orientações práticas para uma adopção mais padronizada do indicador em toda a Europa. 

Desde o seu lançamento, em 2020, o SRI evoluiu de um conceito piloto para uma ferramenta com aplicação real em múltiplos contextos. A sua consolidação progressiva parece demonstrar que, num contexto de descarbonização e digitalização aceleradas, o SRI surge cada vez mais como um elo entre tecnologia, energia e qualidade de vida nos edifícios europeus. 

Fotografia de destaque: © Shutterstock

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