Como está o mercado a responder à obrigatoriedade de incluir o PAG nos CE já a partir de 2028/30?

A medição da pegada ambiental dos edifícios é um tema de enorme importância para o sector e para o mercado. Tudo indica que as empresas já estão preparadas para dar resposta a este tema. Segundo José de Matos, Secretário-Geral da Associação Portuguesa dos Comerciantes de Materiais de Construção (APCMC) se falarmos apenas no carbono incorporado nos produtos, não precisamos das Declarações Ambientais de Produto (DAP). “Existem outras metodologias aceites, aprovadas e mais simples. Todos os produtos já têm informação sobre o carbono e vão ter de declarar o seu contributo para o equivalente de COincorporado. Isso é suficiente. O carbono embebido nos materiais é um aspecto parcial em relação a uma DAP, que é muito mais completa”. 

Para a Associação Passivhaus Portugal estas mudanças não vão ter impacto. Segundo João Gavião, “o padrão Passive House assenta unicamente no desempenho e está baseado nos princípios da física das construções”. No entanto, “ao nível dos parceiros da rede Passive House em Portugal, há todo um trabalho que tem sido feito na caracterização do desempenho ambiental das suas soluções que nos deixa optimistas para implementar estas exigências”. Para João Gavião, é expectável que as novas regras possam traduzir-se num maior esforço nas fases de projecto e de obra. 

No âmbito do tema de capa da revista #164, já em circulação, contactámos ainda o ITECONS (Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade): Inês Santos, Catarina Serra, Andreia Gil, e Nuno Simões fazem uma viagem sobre as novas regras, as normas existentes e os vários circuitos e metodologias relacionados com a introdução do PAG (Potencial de Aquecimento Global) até aos edifícios carbono zero. Para estes especialistas, “as empresas precisam de iniciar, desde já, a avaliação ambiental dos seus produtos, uma vez que são processos que exigem investimento de tempo. As Declarações Ambientais de Produto (DAP/EPD) constituem um ponto de partida natural, pois assentam na EN 15804, a norma de referência do Regulamento dos Produtos de Construção (RPC). Na prática, fabricantes com DAP ou informação ambiental verificada ganham vantagem competitiva, enquanto a ausência de dados pode traduzir-se em perda de mercado”. Com o objectivo de apoiar as empresas neste trajecto, o ITECONS “está a desenvolver a Plataforma BuildingLCAcapacity – Capacitação das PME do sector da construção na avaliação e comunicação do desempenho ambiental de ciclo de vida. Esta plataforma digital, de acesso gratuito, tem como objectivo transferir o vasto conhecimento técnico e científico detido pelo Itecons na área da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) e preparação de DAPs de produtos de construção”. 

Poderá ser uma corrida contra o tempo e os prazos definidos estão a criar uma grande pressão “sobre um sector tradicionalmente fragmentado e com grande diversidade de agentes”, alerta o ITECONS. “Uma implementação apressada de novas metodologias, exigências, sem maturidade técnica suficiente traduz-se num sério risco para o Sistema de Certificação Energética”. 

*Leia o artigo completo no tema de capa da recente revista #164 de Março/Abril 

Fotografia de destaque: © Shutterstock

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