Comissão Europeia quer acelerar energia geotérmica para reforçar independência energética da UE 

A Comissão Europeia quer investir no desenvolvimento da energia geotérmica como parte da resposta à crise energética e à instabilidade geopolítica internacional. A aposta surge integrada no novo plano AccelerateEU e foi recebida positivamente pelo Conselho Europeu de Energia Geotérmica (EGEC).

O plano faz parte da resposta da Comissão Europeia à actual conjuntura energética e deverá evoluir consoante o agravamento ou estabilização da situação internacional. Bruxelas admite mesmo adoptar medidas adicionais caso a crise energética se intensifique. 

Segundo a Comissão, a estratégia assenta em cinco áreas fundamentais: 

  • maior coordenação entre os Estados-Membros e parceiros internacionais;  
  • protecção dos consumidores e da indústria contra choques nos preços da energia;  
  • aceleração da transição para energias limpas produzidas internamente;  
  • reforço da resiliência do sistema energético europeu;  
  • mobilização de financiamento público e privado para a transição energética.  

Segundo a EGEC, a nova estratégia reconhece o potencial da energia geotérmica enquanto fonte renovável capaz de fornecer electricidade, aquecimento e arrefecimento de forma contínua, contribuindo simultaneamente para a descarbonização e para a estabilidade económica da União Europeia. 

A organização destaca que a recente instabilidade no Médio Oriente já provocou custos superiores a 22 mil milhões de euros para a UE, devido ao aumento do preço das importações energéticas, alertando para impactos prolongados nos sectores da energia, alimentação e economia europeia. 

“O plano AccelerateEU destaca correctamente a energia produzida internamente e coloca a energia geotérmica no centro das atenções”, afirmou Philippe Dumas, secretário-geral da EGEC. O responsável defende agora a rápida publicação de um Plano de Acção Europeu para a Energia Geotérmica, capaz de acelerar investimentos e reduzir a incerteza para famílias, empresas e indústrias. 

Entre as principais medidas previstas pela Comissão Europeia estão a criação de uma base de dados geológicos à escala europeia, o desenvolvimento de mecanismos de redução de risco e seguros para projectos geotérmicos e o reforço da cooperação internacional nesta área. 

Para a EGEC, estas iniciativas podem desbloquear novos investimentos e acelerar a implementação de projectos em toda a União Europeia, sobretudo num contexto em que Bruxelas procura reduzir a dependência energética externa. 

Sanjeev Kumar, director de políticas da organização, alertou, contudo, para a necessidade de maior ambição política. “A Comissão não pode demorar. Deve agir hoje mesmo em relação à energia geotérmica”, afirmou, considerando que a ausência de metas europeias mais ambiciosas para a capacidade geotérmica equivale a “acelerar com o pé firmemente no pedal do travão”. 

A energia geotérmica tem vindo a ganhar destaque nas políticas energéticas europeias por permitir produção contínua de energia renovável, ao contrário de outras fontes dependentes das condições meteorológicas. Além da produção eléctrica, é vista como uma solução estratégica para aquecimento urbano, processos industriais e redução da pobreza energética.

Fotografia de destaque: © Pexels

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