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	<title>Serafín Graña, autor em Edificios e Energia</title>
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	<link>https://edificioseenergia.pt/author/serafin-grana/</link>
	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 20 Apr 2026 08:56:47 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Serafín Graña, autor em Edificios e Energia</title>
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		<title>Transposição da diretiva EPBD para a legislação nacional</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/transposicao-da-diretiva-epbd-para-a-legislacao-nacional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Serafín Graña]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Apr 2026 08:52:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O desafio que se apresenta diante de nós é deveras exigente, complexo e pesado quer para as famílias quer para o país. Muitos se perguntam ─ estaremos nós à altura? Será que conseguiremos avançar com determinação? O tempo é curto, os objetivos são ambiciosos, mas a vontade coletiva parece existir, ou melhor dito, terá de existir, dado os compromissos e imperativos aprovados e fixados pela União Europeia.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=163" target="_blank" rel="noopener">edição nº 163 da Edifícios e Energia</a> (Janeiro/Fevereiro 2026).</em></strong></p>
<p>A transposição da Diretiva da Eficiência Energética de Edifícios (EPBD) para a legislação nacional é um processo contínuo, com a transposição de versões anteriores já efetuada através do Decreto-Lei n.º 101-D/2020.</p>
<p>Atualmente, está em preparação a transposição da nova Diretiva (UE) 2024/1275, com prazos para 2025 e 2026, que visa alcançar novos objetivos de desempenho energético, como a obrigatoriedade de novos edifícios serem de emissão nula a partir de 2030.</p>
<h5><strong>PROCESSO ATUAL E LEGISLAÇÃO RELACIONADA</strong></h5>
<p>• <strong>Ações em curso:</strong> Foi dada a conhecer a criação de um Grupo de Trabalho para a transposição (GT-EPBD), visando implementar as novas regras estabelecidas pela Diretiva (UE) 2024/1275.</p>
<p>• <strong>Ações anteriores:</strong> A Diretiva (UE) 2018/844 foi transposta principalmente pelo Decreto-Lei n.º 101-D/2020, de 7 de dezembro. Anteriormente, a Diretiva 2010/31/UE foi transposta pelo Decreto-Lei n.º 118/2013.</p>
<p>• <strong>Objetivos da nova diretiva:</strong> A nova diretiva estabelece metas ambiciosas, como a exigência de que todos os novos edifícios sejam de emissões nulas até 2030 e a necessidade de acelerar as renovações energéticas dos edifícios existentes.</p>
<h5><strong>OS PRÓXIMOS PASSOS</strong></h5>
<p>• <strong>Prazos para a transposição:</strong> A transposição das novas regras deverá ocorrer em duas fases, a primeira para pôr em vigor as disposições legislativas, regulamentares e administrativas necessárias para dar cumprimento ao artigo 17º, nº 15, até 1 de janeiro de 2025, e a segunda para pôr em vigor as disposições legislativas regulamentares e administrativas necessárias para dar cumprimento aos artigos 1º, 2º, 3º, 5º e aos anexos I, II e III e V a X, até 29 de maio de 2026.</p>
<p>• <strong>Ferramentas de transposição:</strong> A transposição irá envolver a emissão de novos diplomas legais, nomeadamente, um projeto de Decreto-Lei, entre outros, que irão alterar a legislação existente para se adequar aos novos requisitos.</p>
<p>• <strong>Envolvimento de entidades:</strong> A transposição irá envolver diversas entidades públicas e privadas, como a ADENE (Agência para a Energia), a DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia) e o Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção (IMPIC).</p>
<p>• <strong>Consulta pública:</strong> O processo de transposição incluirá um período de consulta pública para recolher pareceres e sugestões de especialistas e do público em geral.</p>
<h5><strong>QUADRO LEGISLATIVO ATUAL E TRANSIÇÃO</strong></h5>
<p>Portugal já transpôs versões anteriores da EPBD através de diversos diplomas, nomeadamente o Decreto-Lei n.º 101-D/2020 e diplomas que o complementam. Esta legislação estabelece as bases para o Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (SCE), que já é uma realidade em Portugal.</p>
<p>A transposição da nova diretiva (UE) 2024/1275, que revoga a anterior, introduzirá as seguintes novas exigências:</p>
<p>•<strong> Edifícios com emissões nulas:</strong> O principal objetivo é atingir um parque imobiliário com emissões nulas até 2050.</p>
<p>• <strong>Renovação obrigatória:</strong> A diretiva impõe a implementação de normas mínimas de desempenho energético para edifícios residenciais e não residenciais, obrigando à sua renovação de modo a cumprir metas progressivas de melhoria da classe energética.</p>
<p>• <strong>Certificação e Passaportes de Renovação:</strong> Reforçam-se os requisitos de certificação energética e a introdução de &#8220;Passaportes de Renovação&#8221; para edifícios, com o objetivo de orientar a renovação por etapas.</p>
<p>•<strong> Avaliação do Ciclo de Vida (ACV):</strong> Passa a ser dada maior importância à avaliação da sustentabilidade dos edifícios ao longo de todo o seu ciclo de vida.</p>
<p>• <strong>Redução do consumo e eletromobilidade:</strong> O foco mantém-se na redução do consumo de energia e promove a infraestrutura de carregamento de veículos elétricos nos edifícios.</p>
<h5><strong>IMPLICAÇÕES E DESAFIOS PARA PORTUGAL</strong></h5>
<p>A nova transposição representa um desafio significativo, exigindo uma adaptação do parque imobiliário português para cumprir os padrões de desempenho energético definidos pela diretiva. A Agência para a Energia (ADENE) deverá continuar a desempenhar um papel central no apoio à transição e no acompanhamento deste processo.</p>
<p>Os principais aspetos que Portugal terá de abordar na transposição incluem:</p>
<p>• <strong>Adaptação dos regulamentos:</strong> A legislação nacional terá de ser alterada para acomodar os novos padrões e requisitos de desempenho energético.</p>
<p>• <strong>Incentivos financeiros:</strong> A criação e reforço de programas de apoio financeiro para a renovação de edifícios será crucial para as famílias e empresas.</p>
<p>• <strong>Capacitação e fiscalização:</strong> Será necessário capacitar profissionais para as novas exigências e reforçar os mecanismos de fiscalização para garantir o cumprimento das metas.</p>
<p>A transposição da nova diretiva representa uma oportunidade para modernizar o parque imobiliário, promover a eficiência energética e contribuir para a descarbonização, alinhando o país com os objetivos do Pacto Ecológico Europeu (European Green Deal).</p>
<h5>PROMESSAS, VONTADES E DIFICULDADES</h5>
<p>Em Portugal, o cumprimento dos objetivos da Diretiva de Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD) enfrenta desafios algo complexos, que vão desde a composição e idade do parque imobiliário até questões sociais e económicas.</p>
<h5><strong>DIFICULDADES ESTRUTURAIS DO PARQUE EDIFICADO</strong></h5>
<p>• <strong>Idade e estado do edificado:</strong> Uma grande parte dos edifícios portugueses foi construída antes da existência de regulamentação térmica e de desempenho energético robusta. Isto significa que possuem isolamento deficiente, sistemas de aquecimento e arrefecimento ineficientes e janelas de baixa qualidade, o que os torna muito energívoros, tornando-se muito dispendiosos em termos energéticos e, por vezes, fragmenta e torna ineficiente a sua renovação.</p>
<p>• <strong>Renovação fragmentada:</strong> As renovações que ocorrem são frequentemente realizadas de forma isolada, sem uma abordagem integrada. Em vez de se abordar o edifício como um todo, as intervenções focam-se em aspetos pontuais, o que resulta num desempenho energético abaixo do desejável (abaixo do ótimo) e na falta de planeamento a longo prazo, como o exigido pelos novos &#8220;Passaportes de Renovação&#8221;.</p>
<p>• <strong>Património e arquitetura:</strong> Portugal possui um vasto património arquitetónico que necessita de uma atenção especial na reabilitação, para que as intervenções de eficiência energética não comprometam o valor histórico e cultural dos edifícios.</p>
<h5><strong>DIFICULDADES ECONÓMICAS E SOCIAIS</strong></h5>
<p>• <strong>Custo da renovação:</strong> As intervenções de renovação profunda, como a instalação de isolamento exterior, janelas de alta eficiência ou sistemas de energia renovável, têm um custo elevado que nem todos os proprietários conseguem suportar. Apesar dos programas de apoio, os custos iniciais podem revelar-se uma barreira significativa.</p>
<p>• <strong>Dispersão da propriedade:</strong> A propriedade fragmentada, especialmente nos edifícios multifamiliares (condomínios), complica a tomada de decisão. A falta de consenso entre condóminos pode atrasar ou impedir a realização de obras de melhoria energética, uma vez que estas requerem aprovação maioritária.</p>
<p>• <strong>Falta de sensibilização:</strong> Existe ainda uma falta de conhecimento generalizada sobre a importância da eficiência energética e as vantagens económicas a longo prazo. Muitos proprietários ainda priorizam a estética ou o custo imediato em detrimento dos benefícios da poupança energética.</p>
<h5><strong>DIFICULDADES POLÍTICAS E DE EXECUÇÃO</strong></h5>
<p>• <strong>Complexidade administrativa:</strong> A burocracia associada aos processos de licenciamento e de candidatura a apoios financeiros pode ser um obstáculo para os proprietários. A complexidade do processo administrativo desincentiva a realização de intervenções de maior escala.</p>
<p>• <strong>Atrasos na transposição e regulamentação:</strong> A transposição de diretivas europeias para a legislação nacional pode ser um processo demorado. A incerteza regulamentar e os atrasos na publicação de legislação detalhada dificultam o planeamento de longo prazo por parte dos proprietários e do setor da construção.</p>
<p>• <strong>Carência de profissionais qualificados:</strong> Para realizar as renovações com a qualidade exigida e de forma integrada, é fundamental contar com profissionais qualificados, ou seja, “Peritos Certificados”. No entanto, o mercado pode apresentar carências ao nível da formação em soluções e técnicas de construção mais avançadas, especialmente no que diz respeito à reabilitação energética.</p>
<h5><strong>PLANOS NACIONAIS PARA A REABILITAÇÃO ENERGÉTICA</strong></h5>
<p>A EPBD exige também a criação de Planos Nacionais para a Reabilitação Energética, com foco em agregados vulneráveis e edifícios de pior desempenho, maior ênfase em certificados de desempenho energético e auditorias, juntamente com a introdução de passaportes de renovação para identificar etapas chave e oferecer apoio técnico. Estas medidas parecem ser um bom ponto de partida, mas serão suficientes?</p>
<p>Há uma preocupação sobre a capacidade dos Estados-Membros de adaptar as legislações neste curto espaço de tempo. Sem uma estratégia de implementação que considere a diversidade imobiliária dos diferentes Estados-Membros e suas especificidades, corremos o risco de falhar e enfrentar elevados custos e complicações logísticas.</p>
<p>Em Portugal, a situação é crítica, com um parque imobiliário a necessitar urgentemente de modernização para garantir condições dignas de habitabilidade, especialmente em termos de conforto térmico.</p>
<p>Acresce também a coexistência de um stock de edifícios antigos, muito diverso, ineficiente, com taxas de renovação profunda muito baixas, o que torna desafiante atingir as metas para 2050 nestas condições, num contexto em que temos em simultâneo o mesmo desafio com a escassez de mão-de-obra.</p>
<p>A revisão da EPBD enfatiza a “qualidade da renovação”, focando-se quase exclusivamente no desempenho térmico e negligenciando outros aspetos vitais, como a qualidade construtiva, a orientação solar, os materiais utilizados, a ventilação, a iluminação natural e a qualidade do ar interior — fatores que nós, profissionais, consideramos essenciais para se atingir o verdadeiro bem-estar e conforto.</p>
<p>É muito importante considerar a reabilitação adaptativa dos edifícios, em vez da demolição e construção nova, um desafio que exige também uma readaptação da indústria da construção. Portugal deve continuar a investir em formação qualificada no setor, adotar práticas de construção pré-fabricada (indispensável de modo a permitir o cumprimento de prazos) e utilizar materiais eficientes, reduzindo assim as emissões de carbono e contribuindo para acelerar o processo de transição energética. O Estado pode ter aqui um papel importante, implementando e promovendo estas práticas através de projetos públicos que possam servir de referência para o setor privado.</p>
<p>A revisão da EPBD é um passo importante para os Estados-Membros repensarem o seu parque imobiliário e o futuro energético e ambiental. A colaboração entre decisores políticos, setores estratégicos, associações empresariais, associações profissionais, ordens profissionais e cidadãos será essencial para atingir as metas, transformando desafios em oportunidades para que Portugal se torne mais eficiente, competitivo e resiliente, alcançando um futuro mais sustentável para todos. O envolvimento e atividade sem dúvida que serão complexos e exigirão a todas as partes interessadas elevada proatividade e visão estratégica.</p>
<h5><strong>FALEMOS SEM RODEIOS</strong></h5>
<p>O desafio que se apresenta diante de nós é deveras exigente, complexo e pesado quer para as famílias quer para o país. Muitos se perguntam ─ estaremos nós à altura? Será que conseguiremos avançar com determinação?<br />
O tempo é curto, os objetivos são ambiciosos, mas a vontade coletiva parece existir, ou melhor dito, terá de existir, dado os compromissos e imperativos aprovados e fixados pela União Europeia.</p>
<p>Se houver empenho e interesse genuíno, talvez sejamos capazes de transformar esta dificuldade num êxito. Pensemos nisto um minuto, literalmente!</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</strong></em></p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Contextualização da Diretiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD)</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/contextualizacao-da-diretiva-sobre-o-desempenho-energetico-dos-edificios-epbd/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Serafín Graña]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2026 08:00:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[BIPV]]></category>
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		<category><![CDATA[energia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de o Conselho Europeu ter adotado a EPBD, este é o último passo que faltava para que o documento entrasse em vigor. A diretiva estabelece as linhas orientadoras para que os Estados-Membros reduzam as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e a utilização de energia nos edifícios – abrangendo edifícios destinados a habitação, de tipo unifamiliar ou multifamiliar, escritórios, escolas, hospitais e outros edifícios públicos. O impulso à independência energética da Europa é outro dos aspetos destacados.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/contextualizacao-da-diretiva-sobre-o-desempenho-energetico-dos-edificios-epbd/">Contextualização da Diretiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD)</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=162" target="_blank" rel="noopener">edição nº 162 da Edifícios e Energia</a> (Novembro/Dezembro 2025).</em></strong></p>
<p>A EPBD – Energy Performance of Buildings Directive é uma diretiva europeia que estabelece requisitos para melhorar o desempenho energético dos edifícios na União Europeia. Desde a sua criação, a EPBD tem sido alvo de sucessivas revisões, adaptando-se às necessidades emergentes do setor:</p>
<p>• Diretiva 2002/91/CE: Publicada em 16 de dezembro de 2002, foi a primeira versão da EPBD;</p>
<p>• Diretiva 2010/31/UE: Publicada em 19 de maio de 2010, substituiu a versão de 2002 e introduziu o conceito de edifícios com necessidades quase nulas de energia (NZEB);</p>
<p>• Diretiva (UE) 2018/844: Publicada em 30 de maio de 2018, trouxe atualizações para apoiar a digitalização e a renovação do parque edificado;</p>
<p>• Diretiva (UE) 2024/1275: Proposta do Parlamento Europeu e do Conselho Europeu, aprovada e assinada em 24 de abril e publicada oficialmente no Jornal Oficial da União Europeia (UE) no dia 8 de maio de 2024.</p>
<p>Esta última versão reforça os compromissos climáticos e energéticos, incluindo:</p>
<p>• Definição de edifícios de emissões nulas;</p>
<p>• Estabelecimento de padrões mínimos de desempenho energético;</p>
<p>• Obrigatoriedade de instalação de sistemas solares;</p>
<p>• Criação de Planos Nacionais de Renovação dos Edifícios.</p>
<p>Como nota relevante refere-se que os Estados-Membros têm de transpor o documento para a sua legislação até maio de 2026.</p>
<p>Depois de o Conselho Europeu ter adotado a EPBD, este é o último passo que faltava para que o documento entrasse em vigor. A diretiva estabelece as linhas orientadoras para que os Estados-Membros reduzam as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e a utilização de energia nos edifícios – abrangendo edifícios destinados a habitação, de tipo unifamiliar ou multifamiliar, escritórios, escolas, hospitais e outros edifícios públicos. O impulso à independência energética da Europa é outro dos aspetos destacados.</p>
<p>O principal foco são os edifícios com pior desempenho energético em cada um dos países, sendo que o aumento da taxa de renovação do parque edificado europeu é um dos objetivos traçados pelo documento, relevando as principais disposições regulamentares e instrumentos de financiamento da UE para cumprir as metas de eficiência energética da UE para 2030, incluindo o objetivo da Onda de Renovação (1) para renovar 35 milhões de edifícios.</p>
<p>Pretende apoiar igualmente a melhoria da qualidade do ar interior, potenciar a modernização e digitalização dos sistemas energéticos dos edifícios e a implantação de infraestruturas para a mobilidade sustentável.</p>
<h4><strong>PONTOS-CHAVE DA FLEXIBILIDADE NA REVISÃO DA EPBD</strong></h4>
<p>•<strong> Adaptação Tecnológica:</strong><br />
Incentivo à adoção de tecnologias inovadoras e inteligentes, promovendo flexibilidade face ao avanço tecnológico;</p>
<p>• <strong>Desempenho Energético Avançado:</strong><br />
Foco na redução das emissões de gases com efeito de estufa e na meta de emissões zero até 2050;</p>
<p><strong>• Sustentabilidade e Qualidade de Vida:</strong><br />
Promoção de um modelo sustentável, conciliando qualidade de vida com responsabilidade ambiental;</p>
<p><strong>• Reabilitação Energética:</strong><br />
Aceleração da renovação de edifícios, visando cortes de 50% a 80% no consumo energético em edifícios novos e renovados;</p>
<p><strong>• Produção de Energia:</strong><br />
Valorização dos edifícios como produtores de energia limpa, com potencial para injetar excedentes na rede elétrica.</p>
<h4><strong>A INTEGRAÇÃO DE ENERGIA FOTOVOLTAICA EM EDIFÍCIOS – BIPV</strong></h4>
<p>A integração de Energia Fotovoltaica em Edifícios (BIPV – Building Integrated PhotoVoltaics) emerge como uma tendência inovadora. Ao contrário das soluções convencionais, os BIPVs são incorporados desde o início no projeto arquitetónico, integrando-se de forma discreta em fachadas, coberturas, janelas e superfícies, aliando estética e funcionalidade.</p>
<p>Além de gerar energia limpa, os BIPVs contribuem para a redução da pegada de carbono dos edifícios e promovem a sustentabilidade ambiental. O funcionamento baseia-se em células fotovoltaicas que convertem a radiação solar em eletricidade, utilizada localmente no edifício.</p>
<p>Com a crescente procura por soluções sustentáveis, os BIPVs tornam-se uma tendência marcante. A transição energética, inadiável, representa um desafio para a arquitetura e engenharias. Nesse contexto, destaca-se o portal europeu BUILD UP (2), dedicado à eficiência energética e energias renováveis em edifícios, servindo de referência para a partilha de ideias e informações sobre energia solar no contexto da EPBD.</p>
<p>A equipa editorial do portal foca-se em tópicos como Normas Mínimas de Desempenho Energético (MEPS) e o papel dos balcões únicos no apoio ao consumidor, além de promover eventos práticos para a implementação da diretiva.</p>
<h4><strong>DESAFIOS E REFLEXÃO SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO DA ENERGIA FOTOVOLTAICA</strong></h4>
<p>A implementação de soluções fotovoltaicas exige uma visão holística, privilegiando a eficiência energética e a produção descentralizada, aproveitando telhados, coberturas e instalações empresariais. Esta produção local é mais eficiente, reduz perdas e estimula práticas comunitárias de transição energética.</p>
<p>O crescimento das energias renováveis deve ser sustentável; não se trata de cobrir tudo com painéis solares, mas sim de estudar e avaliar os impactes ambientais, diretos e indiretos, das instalações fotovoltaicas. A decisão deve ser suportada por estudos e pela participação pública, assegurando legitimidade e transparência nas decisões.</p>
<h4><strong>FOTOVOLTAICAS SIM, MAS NÃO A QUALQUER PREÇO</strong></h4>
<p>Implementar soluções fotovoltaicas exige visão integrada e aposta na eficiência energética. A produção descentralizada, aproveitando edifícios e coberturas, é eficiente, reduz perdas e promove valores socioambientais através de práticas comunitárias. O crescimento das renováveis deve ser sustentável, evitando a massificação indiscriminada de painéis solares. Antes da sua implantação é indispensável avaliar impactes ambientais e envolver a população nas decisões, consolidando uma democracia participativa e transparente, com legitimidade social e garantia de direitos.</p>
<h4><strong>A IMPORTÂNCIA DA SEGURANÇA NO ABASTECIMENTO ENERGÉTICO</strong></h4>
<p>A segurança do abastecimento energético é fundamental para reduzir a dependência da UE de energia importada. Recentemente, foram observados comportamentos anómalos na rede elétrica em Espanha, como variações súbitas de tensão, que podem causar falhas em cadeia e apagões. Embora desmentida oficialmente, a imprevisibilidade persiste, tornando essencial prever sistemas robustos de acumulação de energia, como baterias, para garantir a fiabilidade do fornecimento.</p>
<h4><strong>O PAPEL DOS INCENTIVOS E INSTRUMENTOS FINANCEIROS</strong></h4>
<p>A implementação da EPBD requer a tradução dos seus princípios em soluções práticas para todos os intervenientes: proprietários, profissionais, decisores políticos, comunidades energéticas e entidades financeiras. É crucial divulgar e explorar os instrumentos financeiros e iniciativas locais, desde quadros regulamentares a regimes de incentivos.</p>
<p>A utilização estratégica destes mecanismos pode acelerar a renovação do parque edificado, apoiar a inovação e promover ambientes mais inclusivos e resilientes. O quadro político europeu orienta o financiamento de projetos de renovação, complementado, frequentemente, por subvenções não reembolsáveis.</p>
<p>As principais disposições regulamentares e instrumentos de financiamento da UE destinam-se a cumprir as metas de eficiência energética da UE para 2030, incluindo o objetivo de renovar 35 milhões de edifícios, suportado por legislação, regulamentação e incentivos, bem como assistência técnica e regimes de subvenções, em conformidade com a estratégia proposta no plano de ação definido na Onda de Renovação. (1) A análise destes instrumentos é enriquecida por exemplos práticos.</p>
<h4><strong>IMPORTÂNCIA DOS INSTRUMENTOS DE FINANCIAMENTO NA RENOVAÇÃO DE EDIFÍCIOS</strong></h4>
<p>Os instrumentos de financiamento, sob a forma de empréstimos, garantias ou capital próprio, são fundamentais para apoiar projetos de renovação. O papel destes mecanismos deverá crescer com a transposição da diretiva para a legislação nacional e a implementação dos Planos Nacionais de Renovação de Edifícios, que clarificam necessidades de investimento e libertam fluxos financeiros públicos e privados.</p>
<h4><strong>PANORAMA POLÍTICO DA UE E INSTRUMENTOS DE FINANCIAMENTO</strong></h4>
<p>Diversas diretivas europeias recentes reformulam o panorama de financiamento para a eficiência energética, com destaque para a revisão da EPBD (2024), que incentiva o investimento em renovações profundas e tecnologias sustentáveis.</p>
<p>Os Estados-Membros devem avaliar necessidades de investimento, criar incentivos, subsídios e mecanismos inovadores como contratos de desempenho energético, hipotecas ecológicas e parcerias público-privadas.</p>
<p>A diretiva sublinha ainda a importância de proteger agregados familiares vulneráveis e de criar balcões únicos para apoiar projetos de renovação. O artigo 30.º da Diretiva de Eficiência Energética (2023) reforça a necessidade de quadros políticos que promovam a agregação de projetos e a redução de riscos de investimento, assegurando o fluxo de capital para renovações de elevado impacto.</p>
<p>A taxonomia da UE, pelo Regulamento Delegado (UE) 2021/2178 (3), define critérios técnicos para determinar atividades económicas sustentáveis, incluindo construção e renovação de edifícios, reconhecendo o impacto destes no consumo energético e nas emissões de carbono.</p>
<p>Além das diretivas e regulamentos, programas e fundos como o Fundo de Modernização, Fundo de Inovação e Fundo Social para o Clima, oferecem financiamento adicional, facilitando o acesso ao capital, sobretudo para pequenas e médias empresas e proprietários residenciais, ampliando o impacto das políticas de renovação.</p>
<h4><strong>O ELO ENTRE ARQUITETURA E ENGENHARIAS</strong></h4>
<p>Por fim, todo este quadro legislativo e regulamentar só será efetivamente eficaz com a existência de um elo forte e permanente entre arquitetura e engenharias. Este desafio, mais do que um desejo, é um imperativo para tornar realidade os objetivos delineados para a transição energética e renovação do parque edificado europeu.</p>
<p><strong>Referências:</strong><br />
(1) energy.ec.europa.eu/topics/energy-efficiency/energy-performance-buildings/renovation-wave_en<br />
(2) build-up.ec.europa.eu<br />
(3) Regulamento Delegado (UE) 2021/2178</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</strong></em></p>
<p>Fotografia de destaque: © Freepik</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/contextualizacao-da-diretiva-sobre-o-desempenho-energetico-dos-edificios-epbd/">Contextualização da Diretiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD)</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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		<item>
		<title>Geotermia &#8211; energia e recursos geológicos: Energia renovável em Portugal</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/geotermia-energia-e-recursos-geologicos-energia-renovavel-em-portugal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Serafín Graña]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Dec 2025 10:31:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[recursos geotérmicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Será este um tema esquecido - um parente pobre ou um parente rico - em Portugal? A geotermia é uma fonte de energia renovável e inesgotável que utiliza o calor natural da Terra, disponível 24 horas por dia, independentemente das condições meteorológicas. Pode comparar-se a um tesouro bem escondido no interior de um cofre enterrado.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/geotermia-energia-e-recursos-geologicos-energia-renovavel-em-portugal/">Geotermia &#8211; energia e recursos geológicos: Energia renovável em Portugal</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=161" target="_blank" rel="noopener">edição nº 161 da Edifícios e Energia</a> (Setembro/Outubro 2025).</em></strong></p>
<p>Será este um tema esquecido &#8211; um parente pobre ou um parente rico &#8211; em Portugal? A geotermia é uma fonte de energia renovável e inesgotável que utiliza o calor natural da Terra, disponível 24 horas por dia, independentemente das condições meteorológicas. Pode comparar-se a um tesouro bem escondido no interior de um cofre enterrado.</p>
<p>A geotermia destaca-se como uma solução sustentável e eficiente, mas a viabilidade depende de fatores técnicos, económicos e geográficos específicos de cada local. É muito importante revisitar alguns estudos, publicações e concretizações sobre esta temática e que, na nossa opinião, merecem toda a atenção e reflexão, nomeadamente uma das publicações da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), que empresta título e corpo ao presente artigo.</p>
<p>A DGEG, nas suas publicações, releva e enaltece as diversas aplicações e a respetiva localização, incluindo a sua distribuição ao longo do território de Portugal Continental e Açores.</p>
<h4><strong>A DIREÇÃO-GERAL DE ENERGIA(2): O ponto da situação do aproveitamento geotérmico</strong></h4>
<p>A Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), no âmbito das suas competências, exerce as suas funções de autoridade nacional nos domínios da energia e dos recursos geológicos, contribuindo para a definição, implementação e avaliação das políticas para estes setores, visando a sua valorização, utilização apropriada, maximizando o valor acrescentado para Portugal, e acompanhando o funcionamento dos respetivos mercados e empresas.</p>
<p>A geotermia faz a ligação entre as duas grandes áreas da DGEG, ao nível dos recursos geotérmicos (que são recursos endógenos) e do seu aproveitamento energético, como energia renovável, sendo importante a sua valorização e aproveitamento.</p>
<p>A DGEG, como autoridade nacional e como organismo detentor da informação e cadastro dos recursos geotérmicos de Portugal Continental, através de estudos e correspondentes publicações pretende fazer o ponto de situação do aproveitamento geotérmico, numa perspetiva de sensibilização, valorização e criação de condições tendentes ao desenvolvimento sustentável desta forma de energia renovável que tem tido, a nível europeu, um crescimento considerável nos últimos anos.</p>
<h4><strong>APRESENTAÇÃO(3): </strong>A situação da geotermia de baixa entalpia em Portugal</h4>
<p><strong>Perspetivas de evolução e principais problemas</strong></p>
<p>O Decreto-Lei nº 130/2014, de 29 de agosto, com as reformulações introduzidas pelo Decreto-Lei nº 33/2016, de 28 de junho, estabelece que é competência da DGEG promover a utilização de fontes de energia renováveis, através da implementação de programas a tal dirigidos e da promoção de iniciativas e ações específicas junto dos agentes económicos e consumidores. O diploma legal relativo ao regime jurídico da revelação e aproveitamento dos recursos geológicos (Lei nº 54/2015, de 22 de junho), nomeadamente a alínea o) do Art.º 2º, estabelece que os recursos geotérmicos são os fluidos e as formações geológicas do subsolo, cuja temperatura é suscetível de aproveitamento económico.</p>
<p>Uma geologia de carácter complexo e diversificado dotou o País de um apreciável potencial geotérmico, evidenciado pelo elevado número de ocorrências de águas com temperaturas superiores a 20ºC.</p>
<p>A partir dos dados técnicos dispersos pelos processos das concessões e dos relatórios arquivados na DGEG, relatórios estes sujeitos a confidencialidade nos contratos de outorga de direitos, foi feito um levantamento exaustivo das ocorrências com temperatura superior a 20ºC.</p>
<p>Dos levantamentos efetuados, é possível observar que a grande maioria das ocorrências termais têm temperaturas relativamente baixas, mas suscetíveis de poderem ser elevadas, quando sujeitas a trabalhos de prospeção e pesquisa em profundidade, como se tem vindo a verificar nos últimos anos, em que os concessionários estão a realizar captações cada vez mais profundas, acompanhadas de aumento de temperatura.</p>
<p>É obrigação dos concessionários fazer o melhor aproveitamento dos recursos, segundo normas técnicas adequadas e em harmonia com o interesse público do melhor aproveitamento desses bens. Desta forma, a DGEG, através dos mecanismos legais de gestão dos recursos, nomeadamente do enquadramento legal das concessões e da aprovação dos planos de exploração, tem vindo a sensibilizar os concessionários para perspetivarem o aproveitamento do calor das ocorrências cuja temperatura é superior a 20 ºC. Nestes casos, constitui obrigação contratual a elaboração de estudos de viabilidade de aproveitamento do calor das ocorrências. Realça-se que esta perspetiva tem merecido acolhimento por parte da maioria dos concessionários.</p>
<p>Assim, o calor de algumas das águas minerais atualmente qualificadas deve ser utilizado para outros fins, que não só a balneoterapia, constituindo o uso em cascata destes recursos uma forma racional do seu aproveitamento.</p>
<p>Portugal, tal como a União Europeia, aposta no recurso à energia de origem renovável em substituição e com vista à redução da dependência de origem fóssil.</p>
<p>Foi com esta perspetiva que a União Europeia aposta também na valorização dos recursos endógenos, ou seja, nas fontes de energia renovável. Mas, para além deste fator, há ainda a considerar um efeito nulo, ou muito reduzido no ambiente, nomeadamente no que respeita à emissão do dióxido de carbono e outros gases com efeito de estufa.</p>
<p>No âmbito do Portugal 2020 e de outros instrumentos financeiros que conduzam, nomeadamente no Fundo de Apoio à Inovação, poderão ser desenvolvidas ações que levem ao aumento da utilização de energia geotérmica, podendo também contribuir para o desenvolvimento das regiões onde ocorrem estes recursos.</p>
<p>Nesta publicação faz-se uma abordagem predominantemente técnica do aproveitamento da energia geotérmica. Há ainda a abordagem do ponto de vista económico, estabelecendo um valor comparativo entre o recurso geotérmico (a determinada temperatura) e outras formas de energia de origem renovável e não, nomeadamente de origem fóssil.</p>
<p>Nesta perspetiva, a DGEG continuará com os trabalhos desencadeados nos últimos anos, ou seja, a execução de ações que conduzam ao aumento do aproveitamento da energia geotérmica em Portugal Continental.</p>
<h4><strong>PREÂMBULO (4): Porquê desenvolver a utilização dos recursos geotérmicos</strong></h4>
<p>No limiar do século XXI, o imperativo do desenvolvimento sustentável obriga a que a Sociedade se encaminhe para modelos de desenvolvimento condicionados por três problemas fundamentais:</p>
<p>a) A escassez da energia, conduzindo à necessidade de estabelecer medidas de eficiência energética e de aproveitamento de recursos endógenos renováveis;</p>
<p>b) A mudança climática, hoje realidade incontornável, que conduz à necessidade de reduzir a emissão para a atmosfera de dióxido de carbono e de outros gases com efeito de estufa;</p>
<p>c) O crescimento demográfico mundial, cada vez mais concentrado nas grandes metrópoles, com padrões de consumo crescentes, reforçando a procura de alimentos, água e energia.</p>
<p>Os cenários do crescimento económico mundial nos próximos anos, centrados maioritariamente nas economias emergentes, mostram que as energias convencionais não serão capazes de suportar a procura em condições de sustentabilidade adequadas.</p>
<p>Será por isso inevitável o recurso crescente às energias de origem renovável. É neste contexto que interessa perspetivar o papel que os recursos geotérmicos podem desempenhar no futuro, muito particularmente em Portugal, tendo em conta a sua distribuição, as suas especificidades de desenvolvimento e de exploração e a procura.</p>
<h4><strong>A GEOTERMIA COMO INDÚSTRIA EM PORTUGAL</strong></h4>
<p>A geotermia como indústria, alicerçada no conhecimento geológico, hidrogeológico e geotérmico de um território, pode ser encarada nas seguintes vertentes:</p>
<p>a) A geotermia clássica, ou tradicional, compreendendo a produção de eletricidade e o aquecimento urbano;</p>
<p>b) A geotermia nova, ou geotermia superficial, que aproveita o potencial térmico do solo e do subsolo a pequenas profundidades ou da água dos aquíferos superficiais, incluindo o armazenamento de calor e frio nos aquíferos;</p>
<p>c) A geotermia do futuro com sistemas geotérmicos estimulados em meios de elevada temperatura, mas de pequena permeabilidade, nos quais se incrementa a conectividade natural das formações com fracturação hidráulica ou outra.</p>
<p>A partir do primeiro choque petrolífero de 1973, verificou-se um grande desenvolvimento da geotermia à escala mundial e à conceptualização de novos modelos de exploração do recurso.</p>
<p>Foi depois dessa década que nasceu o Projeto Geotérmico dos Açores, hoje realização emblemática da geotermia europeia para a produção de eletricidade (27,8 MW de capacidade total instalada, energia anual produzida de 171,6 GWh, ano de 2016), projeto que coloca Portugal no mapa dos aproveitamentos geotérmicos mundiais (Carvalho et al. 2015).</p>
<p>A energia geotérmica satisfaz atualmente cerca de 0,4% das necessidades de energia elétrica do mundo. Em Portugal, esse valor, estatisticamente, é também de 0,4%, mas como é sabido está, por força do contexto geológico, concentrado na Ilha de S. Miguel nos Açores, onde a produção alcança 42% das necessidades elétricas da Ilha, cerca de 22% das do arquipélago. No que respeita aos usos diretos, para além das aplicações balneoterápicas e balneológicas, lúdicas, recreativas, funcionais e até gastronómicas em curso em Portugal Continental e nos Açores desde tempos imemoriais, o interesse das nascentes termais para outras aplicações geotérmicas vem também da década de 70 do século passado.</p>
<p>A primeira realização geotérmica em Portugal para usos diretos foi realizada nas Caldas de Chaves para climatização da piscina municipal, estando hoje o projeto alargado a dois hotéis da cidade com uma potência instalada de cerca de 0,8 MWt (Carvalho et al., 2015).</p>
<p>Desde essa data, outros projetos têm sido equacionados e alguns concretizados noutros polos termais portugueses (S. Pedro do Sul, Monção, Longroiva, Alcafache, Aregos, Caldas da Rainha, etc.), mas o crescimento tem sido tímido e titubeante. Será, contudo, nos polos termais que serão de esperar a curto prazo novos desenvolvimentos particularmente naqueles em que já existe procura. Embora em 2010 tenha sido realizada, em Portugal, uma tentativa de lançamento de projetos do tipo Sistema Geotérmico Estimulado (EGS), estima-se que o investimento neste tipo de projetos seja avultado, sendo também grande o desconhecimento em relação aos reservatórios, o que dificulta o aparecimento de iniciativas do setor privado.</p>
<h4><strong>DIFICULDADES DE INTRODUÇÃO DA GEOTERMIA</strong></h4>
<p>A geotermia como indústria tem dificuldades específicas de cada um dos tipos atrás considerados, em relação à penetração no mercado, mas uma característica comum: os custos de investimento são mais elevados do que os das fontes produtivas concorrentes e existe ainda o risco geológico associado à revelação do recurso. Esta última circunstância não se coloca no caso da geotermia superficial, o que constitui uma mais-valia significativa em relação às opções clássicas.</p>
<p>Do ponto de vista do risco geológico, e no caso particular de Portugal, há que melhorar as metodologias de prospeção e de captação de recursos geotérmicos, de molde a diminuir os custos de investimento e melhorar a taxa de sucesso. Trata-se quase de fazer a quadratura do círculo, mas há que reconhecer que estamos presos a metodologias rotineiras que devem ser atualizadas.</p>
<p>Uma característica relevante das operações geotérmicas portuguesas do Continente, e de alguns espaços termais dos Açores (e.g. Ferraria, Banhos da Coroa, Caldeira Velha, Carapacho), é a da coexistência da exploração geotérmica com os usos balneoterápicos.</p>
<p>Nos anos 90 do século passado funcionou no Hospital da Força Aérea em Lisboa, atual Hospital das Forças Armadas, o Projeto Geotérmico do Lumiar que, com sucesso, produziu água quente sanitária, o aquecimento de parte do Hospital e ainda água potável (Carvalho et al. 1990). Ao fim de quase uma década de operação, o projeto abortou por se ter verificado o colapso da coluna de revestimento do furo, mas pode ainda hoje ser apresentado como paradigmático para a região de Lisboa e eventualmente para outros polos localizados nas orlas sedimentares portuguesas onde exista procura adequada.</p>
<p>Assiste-se, com atraso de vários anos, ao início da disseminação industrial das operações de geotermia superficial em Portugal. Estas operações estão a nascer, sem enquadramento institucional, e geralmente ao mais baixo nível técnico no que se refere à captação do calor ou da água. É urgente aprontar regulamentação para esta atividade e fazê-la cumprir no terreno, domínio em que, como é sabido, os portugueses não são muito dotados (vide o desnorte da gestão do solo e do subsolo no território nacional apesar da legislação existente).</p>
<p>Além de numerosas outras barreiras no domínio da aceitação técnica e social da geotermia, assinale-se a generalizada falta de conhecimento e de confiança das entidades decisoras, dos gestores do território e da Sociedade, em relação a estas tecnologias. Mas não pode ser esquecido, por exemplo, que todos os projetos que levaram à instalação de estufas geotérmicas e de piscicultura em polos termais portugueses na década de 90 do século passado foram abandonados, sobretudo, por ter sido esquecida a componente do mercado e por inadequada seleção dos recetores do financiamento comunitário.</p>
<p>Excetua-se a aplicação geotérmica no Polo do Vau, da concessão de S. Pedro do Sul, onde foi feito, durante mais de trinta anos, o aquecimento de estufas de frutos tropicais com recurso à energia geotérmica.</p>
<h4><strong>ALGUMAS RECOMENDAÇÕES FINAIS</strong></h4>
<p>Nesta publicação está equacionado o estado da arte dos aproveitamentos geotérmicos em Portugal e são esboçados caminhos para a disseminação industrial das várias tecnologias envolvidas.</p>
<p>De uma forma geral é de prever, num horizonte de vinte anos, que:</p>
<p>a) A produção de energia elétrica se mantenha maioritariamente confinada ao arquipélago dos Açores e que, aliás, a respetiva penetração no mercado aumente. É de prever, e é desejável, que surjam aproveitamentos em cascata térmica, particularmente na Ilha de S. Miguel;</p>
<p>b) Haja um incremento considerável no aproveitamento geotérmico nos polos termais, mediante a sensibilização dos atores envolvidos, e das pressões ambientais e políticas, mas há que lançar programas de investigação aplicada para salvaguardar a sustentabilidade dos recursos hidrominerais envolvidos;</p>
<p>c) Aumente exponencialmente a realização de projetos de geotermia superficial de pequena dimensão, atividade que é urgente integrar na regulamentação dos recursos geológicos;</p>
<p>d) A procura pela realização de projetos do tipo sistemas geotérmicos estimulados flutuará em função dos custos, da disponibilidade dos combustíveis fósseis e da aceitação social e do mercado; o Estado, proativamente, deve estimular a investigação conjunta no domínio da gestão do solo e subsolo (águas minerais naturais, aquíferos estratégicos profundos, petróleo, gás, sequestração de CO2, etc.).</p>
<p>A complexidade da geotermia como indústria leva a que se apele para que a busca de soluções para o desenvolvimento de novos projetos geotérmicos, centrada naturalmente nas Ciências da Terra, tenha forte componente multidisciplinar ligada às instalações de superfície, à economia, à sociologia e outras áreas técnico/científicas necessárias à superação de barreiras à penetração da tecnologia. De salientar aqui a necessidade de serem congregados esforços entre o Estado, a indústria e a Universidade.</p>
<h4><strong>UM CASO DE ESTUDO (5): </strong>Implementação de uma solução de geotermia num estabelecimento de ensino secundário no sul de Portugal</h4>
<p>Complementarmente, e por termos integrado, já há alguns anos, uma equipa interdisciplinar contratada para a realização, durante o ano de 2009, de um projeto de reabilitação e requalificação de um estabelecimento de ensino secundário existente, permitimo-nos divulgar esse caso de estudo, a nosso ver, deveras interessante para ilustrar o tema em apreço, mas apesar do interesse técnico e económico, também contribuiria para o desenvolvimento formativo e pedagógico, dado tratar-se de um estabelecimento escolar.</p>
<p>Incompreensivelmente, não mereceu o devido acolhimento por parte de um dono de obra institucional, que não se mostrou sensível às vantagens que poderia trazer a sua implementação. Ao que nos foi transmitido, terá havido razões económicas e também receio de que a aplicação e a utilização pudessem não ser bem-sucedidas. As novas energias obrigam a que todas as instituições, profissionais e utilizadores envolvidos sejam cautelosos, mas nunca prescindam de ser ousados.</p>
<p>O estabelecimento iria dispor já de duas linhas de renováveis: solar térmico para a produção de água quente sanitária e fotovoltaico para ligação direta à rede. Também foi ponderada a eventual aplicação de geotermia de baixa temperatura para a produção de calor/frio para o edifício.</p>
<p>A equipa projetista analisou as possibilidades de implementação da solução de geotermia e verificou-se a viabilidade técnica da sua implementação dada a existência de um espaço exterior generoso onde se poderia instalar a fonte de calor formada por um campus de furos verticais onde circularia um fluido de transferência, em geral água e aditivo anticongelante (glicol) para captação de energia geotérmica, fonte primária inesgotável. Na estação fria, essa energia é libertada para o espaço a aquecer. Na estação quente, dá-se o processo inverso, sendo o excesso de calor do espaço a arrefecer transferido para o solo.</p>
<p>Assim, estávamos na presença de duas soluções possíveis:</p>
<h4><strong>BOMBAS DE CALOR CONVENCIONAIS</strong></h4>
<p>A central disporia de duas bombas de calor, ditas convencionais, para a produção de água arrefecida ou água aquecida com arrefecimento a ar. As bombas de calor poderão ser unidades com grupos compressores do tipo scroll ou do tipo screw (parafuso).</p>
<h4><strong>BOMBAS DE CALOR GEOTÉRMICAS</strong></h4>
<p>A central disporia de duas bombas de calor geotérmicas para a produção de água arrefecida ou água aquecida associada a fonte de calor geotérmica de captação vertical em solo, constituída por um número estimado de 118 furos de 100 metros de profundidade, protegidos através de manga exterior, com um valor máximo de 10 metros por furo. As bombas de calor geotérmicas seriam unidades com grupos compressores do tipo screw (parafuso).</p>
<h4><strong>VANTAGENS DAS BOMBAS DE CALOR GEOTÉRMICAS</strong></h4>
<p><strong>Eficiência energética –</strong> quanto maior for a diferença de temperatura entre o meio a aquecer e o meio exterior, maior será a eficiência do sistema. Esta eficiência é medida pelo coeficiente de desempenho, designado por COP, que expressa a quantidade de energia que é cedida ao consumo por cada unidade de energia elétrica consumida por uma bomba de calor. O COP médio das bombas geotérmicas situa-se entre 3,5 e 5. Em contrapartida, as bombas de calor convencionais mais eficientes possuem um COP médio que se situa entre 2 e 3,5, ou seja, uma bomba de calor geotérmica permite uma redução média situada entre 25% a 60% do consumo de energia elétrica, para a mesma quantidade de calor fornecida.</p>
<p><strong>Versatilidade –</strong> oferece diversas soluções técnicas que satisfazem as necessidades de calor/frio de espaços ou de água quente sanitária. A produção de frio e de calor é centralizada, com total integração das unidades exteriores convencionais num espaço reduzido, e sem limite de potência (sistema modular).</p>
<p><strong>Reduzida poluição sonora –</strong> elimina por completo os ruídos desagradáveis acusados pelos ventiladores exteriores das unidades convencionais de condensação.</p>
<p><strong>Eliminação da poluição visual –</strong> as baterias de condensadores colocadas nas fachadas, terraços e telhados dos edifícios são substituídas por um sistema de captação totalmente enterrado, ou seja, invisível, sendo a bomba de calor acondicionada num reduzido espaço, em zona técnica, fora do campo de visão dos utilizadores.</p>
<p><strong>Maior longevidade ou durabilidade –</strong> O tempo de vida útil das bombas de calor geotérmicas é superior a 15 anos, e o das captações subterrâneas oscila entre os 40 a 50 anos.</p>
<p><strong>Requer menores trabalhos de manutenção –</strong> possui menos partes mecânicas, e reduz a acumulação de sujidade nos elementos filtrantes, serpentinas, e ventiladores do sistema.</p>
<p><strong>Redução da poluição ambiental –</strong> permite mitigar as emissões de CO2 para a atmosfera dada a sua maior eficiência, gera menor quantidade de resíduos industriais após abate, e reduz o risco de poluição dos solos por derrame de substâncias químicas não biodegradáveis.</p>
<p><strong>Redução da potência instalada –</strong> a sua instalação constitui uma eficaz medida de gestão de compra de energia elétrica, ao permitir reduzir a potência solicitada à rede, sobretudo nas horas de ponta, onde se verificam os períodos de maior consumo em climatização. O encargo com a fatura elétrica é assim reduzido, quer ao nível da parcela de consumo correspondente às horas de ponta, quer ao nível da potência contratada.</p>
<h4><strong>DISPONIBILIDADE NO MERCADO</strong></h4>
<p>O mercado nacional e europeu oferece, hoje, soluções fiáveis para implementação do sistema em toda a sua extensão incluindo a garantia de assistência técnica.</p>
<h4><strong>ANÁLISE ECONÓMICA: Custos de operação</strong></h4>
<p>Efetuámos uma análise económica preliminar, comparando um sistema de bombas de calor geotérmicas com bombas de calor convencionais para as potências previstas instalar.</p>
<p><strong>Bombas de calor geotérmicas</strong></p>
<p>Modo de aquecimento (COP 4,8)<br />
Horas de funcionamento estimadas 1400 h /ano<br />
Potência de aquecimento 760 kW<br />
Modo de arrefecimento (EER 4,4)<br />
Horas de funcionamento estimadas 600 h /ano<br />
Potência de arrefecimento 716 kW<br />
Produção de AQS (*)<br />
Consumo diário de água quente a 45 ºC 6800 l/dia</p>
<p>(*) A solução dispensaria a aplicação do solar térmico</p>
<p>Total de custos estimados de operação anual (incluindo IVA 5%) 40.700 €</p>
<p><strong>Bombas de calor convencionais e campo de coletores solares térmicos c/ caldeira de apoio</strong></p>
<p>Modo de aquecimento (COP 2,6)<br />
Horas de funcionamento estimadas 1400 h /ano<br />
Potência de aquecimento 840 kW<br />
Modo de Arrefecimento (EER 2,4)<br />
Horas de funcionamento estimadas 600 h /ano<br />
Potência de arrefecimento 780 kW<br />
Produção de AQS<br />
Consumo diário de água quente a 45 ºC 6800 l/dia<br />
Total de custos estimados de operação anual (incl. IVA 5%) 76.400 €<br />
Poupança anual resultante da aplicação da alternativa mais eficiente 5.700 €</p>
<p>Faz-se notar ainda que os custos de manutenção das bombas de calor geotérmicas são inferiores aos custos de manutenção das bombas de calor convencionais. Para efeitos de cálculo de retorno simples do investimento estes não serão considerados.</p>
<h4><strong>CUSTOS DE INVESTIMENTO</strong></h4>
<p><strong>Bombas de calor geotérmicas</strong></p>
<p>Central com duas bombas de calor geotérmicas 235.000 €<br />
Fonte de calor (sondas verticais 118 un. x 100 m prof.) 287.000 €<br />
Total 1 522.000 €</p>
<p><strong>Bombas de calor convencionais e campo de coletores solares térmicos c/ caldeira de apoio</strong></p>
<p>Central com duas bombas de calor convencionais 170.000 €<br />
Solar Térmico 102.000 €<br />
Total 2 209.000 €<br />
Custo adicional do investimento 313.300 €</p>
<h4><strong>PERÍODO DE RETORNO SIMPLES</strong></h4>
<p>Tomando como referência o método de cálculo do período de retorno para medidas de eficiência energética, teremos como período de retorno simples:</p>
<p>PRS = Ca / Pt = 313.000 ¤ / 35.700 ¤ = 8,7 anos =&gt; ~ 9 anos</p>
<p>O cálculo não entra em linha de conta com taxa de inflação anual nem taxa de juro, nem custos de manutenção.</p>
<h4><strong>UM DEBATE CADA VEZ MAIS OPORTUNO (6)</strong></h4>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft wp-image-33963 " src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-ecra-2025-12-17-102020.png" alt="" width="263" height="250" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-ecra-2025-12-17-102020.png 558w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Captura-de-ecra-2025-12-17-102020-300x285.png 300w" sizes="(max-width: 263px) 100vw, 263px" /></p>
<p>Atualmente, assistimos ao debate cada vez mais oportuno e intenso sobre a transição energética. Neste debate, constatamos que a geotermia continua a ser um recurso muitas vezes ignorado face à visibilidade mediática das energias solar e eólica. Contudo, a energia proveniente do calor do interior da Terra apresenta características únicas que a tornam particularmente relevante para um sistema energético descarbonizado, resiliente e tecnologicamente diversificado.</p>
<p>A geotermia não substituirá as restantes fontes renováveis. Mas num sistema que precisa de diversificação tecnológica, de segurança de abastecimento e de estabilidade de preços, há um espaço que pode ser ocupado pela energia geotérmica. A energia, podemos afirmar, está aos nossos pés. Não podemos desperdiçar esta dádiva da natureza! A principal vantagem da geotermia reside na sua natureza contínua e previsível: fornece calor e eletricidade de forma estável, 24 horas por dia, durante todo o ano, com uma pegada ambiental extremamente reduzida. Esta fiabilidade é especialmente importante num sistema energético onde a intermitência das fontes renováveis variáveis exige maior capacidade de base.</p>
<p><strong>Referências</strong><br />
(1) GEOTERMIA – Energia Renovável em Portugal, edição da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), outubro 2017.<br />
(2) Nota Introdutória da autoria de Mário Guedes – Diretor-Geral de Energia e Geologia, é parte integrante da brochura GEOTERMIA – Energia Renovável em Portugal, editada pela DGEG em outubro de 2017).<br />
(3) Apresentação da autoria de Jorge Seguro Sanches &#8211; Secretário de Estado da Energia, é parte integrante da brochura GEOTERMIA – Energia Renovável em Portugal, editada pela DGEG em outubro de 2017).<br />
(4) Preâmbulo da autoria de José Martins Carvalho – EurGeo, Prof. Emérito Politécnico do Porto, é parte integrante da brochura GEOTERMIA – Energia Renovável em Portugal, editada pela DGEG em outubro de 2017).<br />
A publicação encontra-se disponível para descarregamento em: https://www.dgeg.gov.pt/media/d3jkqmis/i015526. pdf#Publica%C3%A7%C3%A3o_I015526_Geotermia_EnergiaRenov%C3%A1velEmPortugal_DGEG_2017<br />
https://www.dgeg.gov.pt/media/d3jkqmis/i015526.pdf#Publica%C3%A7%C3%A3o_I015526_Geotermia_EnergiaRenov%C3%A1velEmPortugal_DGEG_2017<br />
(5) UM CASO DE ESTUDO – Implementação de uma solução de geotermia num estabelecimento de ensino secundário situado no sul de Portugal, Estudo da autoria de Serafin Rodriguez Graña – Engenheiro Consultor e Diretor de Projeto associado ao gabinete, Termifrio &#8211; Projetos e Planeamento Industrial, Lda (2009).<br />
(6) UM DEBATE CADA VEZ MAIS OPORTUNO – Excerto adaptado de artigo de opinião publicado na imprensa especializada (Revista Renováveis Magazine e também na imprensa generalista semanário SOL), da autoria da Professora Doutora Maria João Pereira (IST) e do Investigador Doutor José Manuel Marques, Professor associado com agregação (IST).</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</strong></em></p>
<p>Fotografia de destaque: © Unsplash</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A inteligência nos edifícios</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/a-inteligencia-nos-edificios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Serafín Graña]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Oct 2025 09:21:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[armazenamento energético]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios inteligentes]]></category>
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		<category><![CDATA[eficiência energética]]></category>
		<category><![CDATA[inteligência]]></category>
		<category><![CDATA[inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[SGTC]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este tema transporta-nos para a vivência dos anos em que se começou a dar importância e reconhecimento às múltiplas vantagens que as novas tecnologias emergentes foram paulatinamente integrando nos novos edifícios e, também em alguns casos, nos edifícios existentes sujeitos a renovação. Recordemos um pouco de história, as datas e a evolução dos conceitos emergentes.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">Artigo publicado originalmente na edição de <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=160" target="_blank" rel="noopener"><span class="s2">Julho/Agosto de 2025</span></a> da Edifícios e Energia.</span></strong></em></p>
<p>Este tema transporta-nos para a vivência dos anos em que se começou a dar importância e reconhecimento às múltiplas vantagens que as novas tecnologias emergentes foram paulatinamente integrando nos novos edifícios e, também em alguns casos, nos edifícios existentes sujeitos a renovação.</p>
<p>Recordemos seguidamente um pouco de história, as datas e a evolução dos conceitos emergentes:</p>
<p>O conceito Sistema de Gestão Técnica Centralizada (SGTC) foi implementado em Portugal desde, pelo menos, os anos 70. Empresas especializadas começaram a desenvolver soluções para monitorizar e otimizar o funcionamento dos edifícios, reduzindo custos e melhorando a eficiência energética.</p>
<p>Já o conceito Sistema de Gestão de Edifício, conhecido como Building Management System (BMS), ou também como Building Automation System (BAS), evoluiu ao longo das últimas décadas com o avanço da automação e da Internet das Coisas (IoT). Embora não haja uma data exata de início, a ideia de edifícios inteligentes começou a ganhar força nos anos 80 e 90, com sistemas de automação para controlo de iluminação, climatização e segurança.</p>
<p>Em Portugal, por força do novo quadro legislativo relativo aos edifícios &#8211; Decreto-Lei n.º 101/2020(1) (1), passou a prevalecer a designação de Sistema de Automação e Controlo do Edifício (SACE).</p>
<h4><strong>SISTEMA DE GESTÃO TÉCNICA CENTRALIZADA NOS EDIFÍCIOS (SGTC)</strong></h4>
<p>Revisitando o tema, não resisto à tentação de contar uma pequena história sobre um momento hilariante que ocorreu num passado recente, mas já há um bom par de anos, que presenciei durante uma apresentação dedicada à implementação de sistemas de gestão técnica centralizada em edifícios (SGTC). Esta apresentação esteve a cargo de um técnico operacional, que demonstrava possuir experiência em múltiplos e variados edifícios. A propósito de um caso de estudo que o técnico estava a apresentar, ao descrever os vários componentes do sistema, em determinada passagem, salientou com muita convicção que o dispositivo mais importante para provocar a poupança de energia seria, sem dúvida, um interruptor, pois na sua opinião ter-se-ia assim a certeza de que não haveria consumo de energia e corresponderia assim a uma poupança efetiva de energia, acabando ainda por concluir: &#8211; No poupar é que está o ganho! &#8211; E nós, perante uma conclusão tão primária pudemos e continuaremos a replicar a conhecida expressão, que é usual aparecer em filmes ou séries policiais, e legitimamente afirmar:</p>
<p>&#8211; Elementar, meu caro Watson!</p>
<p>A conclusão acima proferida, do ponto de vista financeiro, é um facto, no entanto, nos edifícios há muito mais aspetos a considerar.</p>
<p>&#8211; Aonde está a Qualidade do Ambiente Interior?</p>
<p>Para melhor exemplificar, hoje tomamos a liberdade de extrair parte do texto do discurso inaugural proferido pelo presidente eleito para o ano da sociedade ASHRAE SY 2025-26, Bill McQuade (2): “Hoje, o conceito de abrigo vai além de um simples telhado e quatro paredes. São os hospitais onde nascemos, as casas que habitamos, as escolas onde aprendemos e os edifícios onde trabalhamos. Um abrigo adequadamente projetado prioriza aspetos da qualidade ambiental interior — garantindo boa qualidade do ar, conforto térmico adequado, iluminação e acústica apropriadas, bem como acesso a água potável — que são fundamentais para a saúde e o bem-estar”.</p>
<h4><strong>A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NOS EDIFÍCIOS (SMART BUILDINGS)</strong></h4>
<p>Vejamos a evolução que ocorreu com a introdução da inteligência artificial nos edifícios, que está a revolucionar a forma como utilizamos/consumimos e gerimos a energia. Aqui estão alguns tópicos que dão conta de importantes avanços e que acabarão por ser certamente dominantes:</p>
<p>• Autossuficiência energética – Edifícios inteligentes estão a incorporar painéis solares, baterias e sistemas de cogeração para reduzir a dependência da rede elétrica;</p>
<p>• Armazenamento de energia – Tecnologias como baterias de íon-lítio e sistemas de armazenamento térmico permitem que edifícios armazenem energia para uso posterior, aumentando a eficiência;</p>
<p>• Gestão de energia – Sensores e inteligência artificial ajudam a otimizar o uso de energia, ajustando iluminação, climatização e equipamentos conforme a ocupação e necessidades;</p>
<p>• Eficiência energética – Edifícios inteligentes utilizam automação para reduzir desperdícios, garantindo que apenas a energia necessária seja utilizada e efetivamente consumida.</p>
<p>Analisemos dentro desta temática, e numa perspetiva macro, cada um dos conceitos acima referidos e a sua aplicabilidade:</p>
<h4><strong>AUTOSSUFICIÊNCIA ENERGÉTICA</strong></h4>
<p>O recente apagão que assolou o país, em 28 de abril passado, veio expor a nu a fragilidade do nosso sistema energético, não só em Portugal e Espanha, mas também noutros países da Europa. Este foi um enorme apagão que deixou milhões sem eletricidade e particularmente em Espanha e Portugal milhares, tendo causado o caos nestes dois países.</p>
<p>Uma síntese do que se passou e que se regista para memória futura: autoridades de Portugal e Espanha disseram no dia seguinte que “não havia indícios de que um ataque cibernético tivesse provocado o apagão do dia anterior. A causa do apagão ainda é desconhecida, e está a ser investigada pelas autoridades. O governo espanhol negou indícios de ataques cibernéticos, mas disse que está a investigar ‘todas as possibilidades’&#8221;.</p>
<p>A operadora espanhola de eletricidade Red Eléctrica disse que dois eventos consecutivos, com um segundo entre si, provocaram os apagões — e afirmou que não houve indícios de erro humano.</p>
<p>A empresa não detalhou o que seriam os eventos. O diretor de serviços operacionais da companhia, Eduardo Prieto, disse que a rede elétrica conseguiu recuperar do primeiro evento, mas não do segundo.</p>
<p>Ele disse também que a Red Eléctrica conseguiu reestabelecer a luz com uma operação de turbinas de gás e vapor.</p>
<p>Ashish Khanna, que dirige a Aliança Solar Internacional (ISA, na etimologia em inglês), nega responsabilidade de energias renováveis no apagão (3) &#8211; “Não acredito que esteja provado que os apagões em Espanha e em Portugal tenham sido causados sobretudo por programas de energias renováveis”. O diretor-geral desta aliança de 123 países, liderada pela França e pela Índia, sublinhou que, embora a investigação esteja em curso, publicações de prestígio mostram que o apagão se deveu a fatores mais técnicos, &#8220;especialmente relacionados com a transmissão e escoamento de energia&#8221;.</p>
<p>A Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade anunciou a criação de um comité para investigar as causas deste apagão, que classificou como &#8220;excecional e grave&#8221;, e que deixou Portugal e Espanha às escuras.</p>
<p>Este painel de peritos terá de elaborar um relatório factual que constituirá a base do relatório final até o prazo máximo de 28 de outubro deste ano. O relatório final sobre a investigação do incidente deverá ser publicado, o mais tardar, até 30 de setembro de 2026.</p>
<p>Khanna defendeu que o armazenamento de energia e o desenvolvimento de uma infraestrutura adequada de transmissão são vitais para evitar apagões ligados aos períodos de ausência de geração de energia solar.</p>
<p>A Índia &#8220;implementou uma proporção muito maior [do que a Europa] de energia solar renovável, com quase 100 gigawatts já instalados. A China está a multiplicar este número, e não há apagões causados pela energia solar&#8221;, sublinhou. &#8220;São apenas exemplos de que não é o problema principal&#8221;, acrescentou Khanna.</p>
<p>A REN &#8211; Redes Energéticas Nacionais decidiu, entretanto, aumentar o limite das importações de eletricidade de Espanha nas horas de sol e retirar as restrições em vigor para as restantes, na sequência do apagão de abril.</p>
<p>Estas medidas implementadas pela gestora das redes elétricas fazem parte do processo de estabilização em curso do mercado ibérico de eletricidade (MIBEL), após o corte generalizado no abastecimento elétrico em 28 de abril, que deixou Portugal e Espanha praticamente sem eletricidade, bem como uma parte do território de França.</p>
<p>Após este apagão, os governos de Portugal e Espanha pediram logo em maio à Comissão Europeia um &#8220;compromisso político e financeiro firme&#8221; para avançar com interconexões entre a Península Ibérica e o resto da União Europeia (UE).</p>
<p>O anteriormente descrito vem evidenciar a importância de se providenciar, em cada país, sistemas de armazenamento de energia.</p>
<h4><strong>ARMAZENAMENTO DE ENERGIA</strong></h4>
<p>O armazenamento eficiente de energia reconhece-se como sendo um pilar fundamental da transição energética, pois permitirá flexibilizar a produção de energia renovável e garantir a sua integração no sistema. Deverão, pois, ser analisados quais os sistemas de armazenamento mais eficientes e qual deles poderá promover, com mais força, a tão necessária transição para um sistema elétrico descarbonizado.</p>
<p>A energia elétrica pode ser facilmente gerada, transmitida e transformada. Porém, até agora não foi possível armazená-la de forma prática, fácil e barata. Isto implica que a energia elétrica deva ser sempre gerada em conformidade com a procura e, consequentemente, as energias renováveis precisarão de apoio dos sistemas de armazenamento para se integrarem, evitarem descargas de energia limpa em períodos de necessidade mínima e darem maior eficiência e segurança ao sistema elétrico.</p>
<p>Num mundo em plena transição das energias fósseis para as fontes renováveis, como a energia eólica e a solar, uma melhoria do armazenamento de energia elétrica seria de vital importância para suportar estas tecnologias, garantindo que os sistemas de rede estejam equilibrados e contribuindo para aproveitar ao máximo cada megawatt verde gerado.</p>
<p>Como tal, não podendo a energia elétrica ser armazenada, será necessário transformá-la em outros tipos, como é o caso das energias mecânica ou química. Os sistemas de armazenamento podem conferir um valor agregado a todos os elos da cadeia de fornecimento.</p>
<p>Dependendo da sua capacidade, os sistemas de armazenamento de energia podem ser divididos em:</p>
<p>• Armazenamento em grande escala, utilizado em lugares onde se trabalha com escalas de GW;</p>
<p>• Armazenamento em redes e ativos de geração, onde se trabalha com escalas de MW;</p>
<p>• Armazenamento a nível do utilizador final, quando se está perante níveis residenciais e com escalas de kW.</p>
<h4><strong>AS TECNOLOGIAS DE ARMAZENAMENTO ENERGÉTICO</strong></h4>
<p>As tecnologias de armazenamento de energia são fundamentais para otimizar o uso de energia renovável e garantir uma rede elétrica mais estável. Elas abrangem desde sistemas em grande escala, como o armazenamento hidrelétrico, até soluções mais compactas e específicas para uso doméstico, como as baterias.</p>
<p>São várias as tecnologias e modos de armazenamento de energia:</p>
<p>• Baterias:<br />
São dispositivos eletroquímicos que armazenam energia elétrica em forma química, libertando-a quando necessário. As baterias de íon-lítio são as mais comuns devido à sua alta densidade de energia e longa vida útil;</p>
<p>• Armazenamento térmico:<br />
Armazena calor em materiais específicos, que podem ser utilizados posteriormente para geração de energia elétrica ou outros processos;</p>
<p>• Armazenamento mecânico:<br />
Utiliza mecanismos físicos, como volantes de inércia ou ar comprimido, para armazenar energia cinética;</p>
<p>• Armazenamento hidroelétrico:<br />
A energia é armazenada, elevando a água a um reservatório, que é disponibilizada posteriormente para gerar eletricidade;</p>
<p>• Armazenamento de energia magnética:<br />
Utiliza campos magnéticos para armazenar energia, especialmente em materiais supercondutores.;</p>
<p>• Ar comprimido:<br />
Armazena ar comprimido em reservatórios, que pode ser expandido para gerar energia ou outros processos.</p>
<p>Vejamos as aplicações e vantagens do armazenamento:</p>
<p>• Estabilização da rede elétrica:<br />
As tecnologias de armazenamento de energia ajudam a compensar a intermitência das fontes renováveis, como a solar e a eólica, garantindo um fornecimento de energia contínuo;</p>
<p>• Gestão das necessidades e da procura:<br />
Permitem armazenar energia em períodos de baixa procura e libertá-la quando a procura é alta, evitando a sobrecarga da rede;</p>
<p>• Sistemas fora da rede (off-grid):<br />
As tecnologias de armazenamento de energia são essenciais para sistemas de energia fora da rede, como casas, habitações unifamiliares, prédios multifamiliares ou comunidades em áreas remotas;</p>
<p>• Redução de custos:<br />
O uso de tecnologias de armazenamento de energia pode reduzir os custos de geração e distribuição de energia, especialmente em sistemas renováveis;</p>
<p>• Sustentabilidade:<br />
As tecnologias de armazenamento de energia contribuem para a transição energética, permitindo um uso mais eficiente e sustentável das fontes de energia.</p>
<p>e também alguns exemplos específicos:</p>
<p>• Sistemas BESS (Battery Energy Storage Systems):<br />
Sistemas de armazenamento em bateria para armazenamento de energia elétrica em grande escala;</p>
<p>• Armazenamento por bombagem hidráulica:<br />
Armazenamento de energia em grande escala, utilizando o mecanismo de bombeamento de água entre reservatórios;</p>
<p>• Armazenamento de ar comprimido:<br />
Sistema que armazena ar comprimido em cavernas subterrâneas ou tanques.</p>
<p>Salienta-se, porém, que as tecnologias de armazenamento de energia estão em constante evolução e desenvolvimento, prometendo um futuro mais sustentável e eficiente na gestão da energia.</p>
<h4><strong>GESTÃO DE ENERGIA</strong></h4>
<p>Compreenderá o uso de sistemas que integram softwares e sensores para monitorizar e controlar o uso de energia, água e gás em tempo real.<br />
Estes sistemas permitem também identificar desperdícios e ajustar consumos e o uso da Inteligência Artificial ajudará a otimizar o uso de energia, ajustando a iluminação, climatização e equipamentos conforme a ocupação e necessidades. O objetivo é reduzir custos e melhorar a eficiência energética.</p>
<h4><strong>EFICIÊNCIA ENERGÉTICA</strong></h4>
<p>A construção e a gestão de edifícios sustentáveis contribuem para a redução de emissões de gases de efeito estufa, a conservação de recursos naturais e a promoção de espaços mais saudáveis e confortáveis.</p>
<p>Podemos, em síntese, afirmar que a Eficiência Energética e a Gestão de Energia nos Edifícios são elementos essenciais para a Sustentabilidade, apresentando diversos benefícios, nomeadamente uma forte contribuição para a minimização do impacte ambiental, a economia de custos operacionais, o reconhecimento do valor de mercado efetivo e correspondente valorização patrimonial, quer no presente, quer numa eventual futura transação, a promoção de um ambiente mais saudável e confortável para os ocupantes e a melhoria da qualidade de vida.</p>
<p>A Eficiência Energética e a Gestão de Energia nos edifícios são, pois, os temas centrais da Sustentabilidade e isso mesmo vem sendo reconhecido há muito pela União Europeia (UE) e pelos países membros.</p>
<h4><strong>A REGULAMENTAÇÃO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL</strong></h4>
<p>Aqui chegados, importa referir que a utilização da Inteligência Artificial na UE é regulada pela Lei da IA, a primeira lei abrangente do mundo sobre a IA. Para uma melhor e mais completa informação e compreensão desta regulamentação, poderemos observar como esta lei nos protege. Dada a extensão do documento, aconselha-se a navegação no portal do Parlamento Europeu. (4)</p>
<h4><strong>IMPLEMENTAÇÃO</strong></h4>
<p>O Parlamento criou um grupo de trabalho para supervisionar a implementação e a aplicação do regulamento sobre a Inteligência Artificial (IA), uma vez que os eurodeputados querem garantir que as regras de IA adotadas contribuam para o desenvolvimento do setor digital na Europa.</p>
<p>O grupo coopera com o Gabinete da Comissão Europeia para a IA (5), que foi criado para esclarecer as disposições-chave da legislação nesta matéria.</p>
<h4><strong>CALENDÁRIO DE CUMPRIMENTO DA LEI DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL DA UE</strong></h4>
<p>Em junho de 2024, a UE adotou as primeiras regras mundiais sobre a inteligência artificial. O Regulamento relativo à Inteligência Artificial (IA) será aplicável, na íntegra, 24 meses após a sua entrada em vigor. Algumas das suas disposições serão aplicáveis antes desse período, incluindo:</p>
<p>• a proibição dos sistemas de IA que apresentem riscos inaceitáveis começou a ser aplicada a partir de 2 de fevereiro de 2025;</p>
<p>• os códigos de prática serão aplicáveis nove meses após a entrada em vigor da legislação;</p>
<p>• as regras sobre sistemas de IA de uso geral que precisam de cumprir os requisitos de transparência serão aplicáveis 12 meses após a entrada em vigor.</p>
<h4><strong>AS NOVAS REGRAS</strong></h4>
<p>As novas regras estabelecem obrigações para os fornecedores e utilizadores em função da classificação do nível de risco da IA. Embora muitos sistemas de IA representem um risco mínimo, é necessário avaliá-los.</p>
<p>A classificação que referimos sucintamente estende-se desde risco inaceitável (aplicações de IA proibidas na UE) a risco elevado (sistemas de IA que afetam negativamente a segurança ou os direitos fundamentais).</p>
<p>Note-se que os sistemas classificados de risco elevado dispõem de mais tempo para cumprir os requisitos, uma vez que as obrigações que lhes dizem respeito serão aplicáveis 36 meses após a entrada em vigor da legislação sobre Inteligência Artificial.</p>
<h4><strong>E AGORA?</strong></h4>
<p>Aqui chegados, temos de aguardar o que vai acontecer, pois vamos ser confrontados, muito provavelmente, com propostas consistentes, umas verdadeiras e também com propostas que poderão ser perigosamente falsas.</p>
<p>O golpe com inteligência artificial já anda por aí e é uma fraude sofisticada, em que os golpistas utilizam a tecnologia para enganar, manipular ou explorar os indivíduos, ou até mesmo organizações.</p>
<p>Ainda que existam diferentes modalidades, basicamente esse tipo de ação criminosa consiste no uso da IA para criar textos, manipular dados ou até mesmo desenvolver áudios e/ou vídeos, usados como ferramentas de convencimento.</p>
<p>Quanto mais a tecnologia avança e expande as suas possibilidades, a tendência é que mais golpes elaborados sejam criados — aumentando também a necessidade de ficarmos todos atento a eles.</p>
<p>Teremos todos de estar permanentemente com redobrada atenção!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Referências</p>
<p>(1) https://files.dre.pt/1s/2020/12/23701/0002100045.pdf<br />
(2) https://www.ashrae.org/about/leadership/ashrae-board-of-directors<br />
(3) https://cnnportugal.iol.pt/eletricidade/espanha/alianca-solar-internacional-nega-responsabilidade-de-energias-renovaveis-no-apagao/20250520/682c1fdfd34ef72ee44631a6<br />
(4) https://www.europarl.europa.eu/topics/pt/article/20230601STO93804/lei-da-ue-sobre-ia-primeira-regulamentacao-de-inteligencia-artificial<br />
(5) https://digital-strategy.ec.europa.eu/en/policies/ai-office</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</strong></em></p>
<p>Fotografia de destaque: © Unsplash</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A indústria dos equipamentos de AVAC&#038;R &#8211; metas e desafios</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/a-industria-dos-equipamentos-de-avacr-metas-e-desafios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Serafín Graña]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 09:08:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[carbono]]></category>
		<category><![CDATA[construção]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios zero emissões]]></category>
		<category><![CDATA[eficiência energética]]></category>
		<category><![CDATA[potencial de aquecimento global]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Atualmente, a indústria de equipamentos de aquecimento, ar condicionado, bombas de calor e solar defrontam-se com a imposição de importantes metas e relevantes desafios. A indústria de AVAC&#038;R (Aquecimento, Refrigeração, Ventilação e Ar Condicionado &#038; Refrigeração) está a passar por uma transformação significativa e a tentar adaptar-se rapidamente às exigências normativas comunitárias, visando reduzir emissões e aumentar a eficiência energética. A indústria está em franco crescimento e a procura futura adivinha-se muito promissora.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">Artigo publicado originalmente na edição de <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=158" target="_blank" rel="noopener"><span class="s2">Maio/Junho de 2025</span></a> da Edifícios e Energia.</span></strong></em></p>
<p>Sobre esta temática e recorrendo ao muito que já se tem dito e escrito pelas diversas partes interessadas, que no fundo são os diversos agentes económicos e instituições do setor em apreço, proponho-me também complementarmente a expor as minhas reflexões!</p>
<p>Atualmente, a indústria de equipamentos de aquecimento, ar condicionado, bombas de calor e solar defrontam-se com a imposição de importantes metas e relevantes desafios. A indústria de AVAC&amp;R (Aquecimento, Refrigeração, Ventilação e Ar Condicionado &amp; Refrigeração) está a passar por uma transformação significativa e a tentar adaptar-se rapidamente às exigências normativas comunitárias, visando reduzir emissões e aumentar a eficiência energética.</p>
<p>A indústria está em franco crescimento e a procura futura adivinha-se muito promissora. A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que o número de sistemas AVAC em todo o planeta aumente dos cerca de dois mil milhões atuais para mais de seis mil milhões em 2050. Muitos desses sistemas serão instalados em novos edifícios residenciais multifamiliares de grande escala e em empreendimentos de utilização mista, à medida que as pessoas começam a trabalhar mais em casa e/ou a uma curta distância das suas habituais residências. Muitos edifícios poderão ligar-se a grandes centrais de aquecimento e arrefecimento urbano, se disponíveis, e a instalações de armazenamento de energia.</p>
<p>Além disso, o <em>Global Status Report</em> das Nações Unidas estima que cerca de 2,5 mil milhões de metros quadrados de edifícios existentes — a maioria com mais de 20 anos — terão de ser renovados. Os projetos de edifícios existentes requerem ainda mais pessoas envolvidas nesse trabalho do que a construção de novos edifícios. A renovação é um trabalho complicado e por vezes muito difícil de concretizar. Temos de conceber e renovar estes edifícios para que sejam saudáveis, energeticamente eficientes e neutros em termos de carbono. Consequentemente, precisamos de uma força de trabalho alargada, mais diversificada e com competências nas tecnologias mais recentes.</p>
<p>Vejamos sucintamente quais as exigências e tendências para o setor anteriormente referido, enumerando algumas das principais questões-chave com que o setor se irá deparar:</p>
<h4><strong>1. REGULAMENTAÇÕES MAIS RIGOROSAS</strong></h4>
<p>A Comissão Europeia tem vindo a impor regulamentos como o novo Regulamento F-Gas, que visa reduzir o impacte ambiental dos gases fluorados utilizados em sistemas de refrigeração e climatização. Este novo regulamento originou grandes transformações legislativas e regulamentares que, num processo de evolução sistémica, levará a indústria de AVAC&amp;R para patamares de eficiência energética ainda mais elevados, níveis de classificação e etiquetagem superiores, face ao respeito pelas exigências ambientais e ecológicas em vigor e que não deixarão de ser atualizadas através de uma permanente e contínua reavaliação.</p>
<h4><strong>2. TECNOLOGIAS INOVADORAS</strong></h4>
<p>O recurso a tecnologias de menor impacte ambiental vem incrementar a utilização de bombas de calor, acabando por favorecer a eletrificação. Também se explora, em alternativa, a utilização de gases renováveis, nomeadamente o hidrogénio.</p>
<p>Constata-se haver uma crescente procura com o foco em bombas de calor como uma solução mais eficiente e ecológica para aquecimento e arrefecimento. Apesar de representarem um investimento inicial elevado, ou mesmo muito elevado, estas tecnologias estão a ganhar popularidade devido à sua eficiência energética e impacto neutro em carbono.</p>
<p>Neste momento, existe forte pressão do setor para que os decisores políticos se comprometam inequivocamente com as tecnologias das bombas de calor, criando condições económicas favoráveis para a solução de climatização considerada a mais limpa que existe. As bombas de calor constituem um forte argumento para que Portugal continue a apostar numa estratégia baseada em fontes de energia renovável rumo a uma economia neutra em carbono.</p>
<p>Reconhecendo a imperativa necessidade de existência de departamentos de Investigação &amp; Desenvolvimento (I&amp;D), alguns dos fabricantes de equipamentos mais conceituados, que se apresentam no mercado internacional e que paralelamente se estendem ao mercado nacional, avisadamente dispõem de departamentos próprios, de modo a garantir a confiabilidade técnica dos seus equipamentos. Eventualmente, se não dispuserem desses departamentos, certamente que procurarão outros similares disponíveis no mercado, contratando, para o efeito, Laboratórios especializados credenciados, Institutos ou Universidades. Em prol da seriedade de processos, é fundamental que esses procedimentos sejam seguidos!</p>
<h4><strong>3. DIGITALIZAÇÃO E AUTOMAÇÃO</strong></h4>
<p>Também não podemos ignorar os avanços que se têm feito sentir com a digitalização que está a permitir o controlo remoto e a monitorização dos sistemas AVAC&amp;R, tornando-os mais inteligentes e adaptáveis às necessidades dos utilizadores, favorecendo a economia de energia e evitando desperdícios energéticos.</p>
<p>As novas tecnologias, ao englobarem sistemas inteligentes de gestão de energia, dispositivos de Internet das Coisas (IoT), sensores, análise de dados e inteligência artificial (IA), nunca se revelaram tão cruciais. As digitalizações começam a estar presentes nos edifícios para responder aos desafios de descarbonização e transição digital. Existe assim uma maior exigência técnica e de interoperabilidade entre sistemas técnicos e instalações, o que traz uma maior necessidade de preparação e colaboração entre todos os intervenientes associados e as demais entidades presentes nos edifícios. Um exemplo disso são os designados SACE, que atualmente começam a tornar-se indispensáveis, mesmo nos edifícios de menor dimensão.</p>
<h4><strong>4. TENDÊNCIAS QUE VÃO MOLDAR O SETOR AVAC&amp;R NOS PRÓXIMOS ANOS</strong></h4>
<p>Permitimo-nos sintetizar algumas opiniões sobre o tema recolhidas junto dos vários fabricantes:</p>
<p>• <strong>Eletrificação e bombas de calor &#8211;</strong> a transição energética está a acelerar a adoção de sistemas de alta eficiência como bombas de calor. Esses sistemas oferecem alta eficiência energética e uma redução significativa das emissões de carbono;</p>
<p>• <strong>Integração das energias renováveis &#8211;</strong> os sistemas de climatização são cada vez mais projetados e direcionados de modo a integrarem-se com fontes de energia renováveis, nomeadamente energia solar térmica ou fotovoltaica. Sistemas híbridos que combinam bombas de calor com painéis solares ou soluções de armazenamento que permitem maximizar a eficiência energética e reduzir a dependência da rede;</p>
<p>• <strong>Sistemas inteligentes, ligados e gémeos digitais &#8211;</strong> a Internet das Coisas (IoT), estando a revolucionar o setor AVAC&amp;R com sistemas inteligentes e conectados que monitorizam e otimizam o desempenho em tempo real. Esses sistemas, em alguns casos, já incluem recurso a IA ou <em>machine learning</em> para prever necessidades de manutenção, reduzir o consumo de energia e, simultaneamente, melhorar o conforto dos ocupantes dos edifícios, garantindo a conformidade com os padrões de sustentabilidade. Por outro lado, com os gémeos digitais, podemos simular o comportamento do sistema em ambientes virtuais, e por essa via, otimizar o uso de energia e prever falhas, minimizando o tempo de inatividade e estendendo a vida útil do equipamento;</p>
<p>•<strong> Indicador de Prontidão Inteligente para edifícios &#8211;</strong> a revisão de 2018 da Diretiva Europeia relativa ao Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD) visa promover ainda mais as tecnologias de edifícios inteligentes, em particular através da criação de um Indicador de Prontidão Inteligente para edifícios (SRI, na sua sigla em inglês). Este indicador permitirá classificar o grau de preparação inteligente dos edifícios, ou seja, a capacidade dos edifícios (ou unidades de edifícios) para adaptar o seu funcionamento às necessidades dos ocupantes, otimizando também a eficiência energética e o desempenho global, e para adaptar o seu funcionamento em reação a sinais da rede (flexibilidade energética). O Indicador de Prontidão Inteligente deve sensibilizar os proprietários e ocupantes dos edifícios para o valor subjacente à automatização dos edifícios e à monitorização eletrónica dos sistemas técnicos dos edifícios e deve dar confiança aos ocupantes quanto às poupanças efetivas dessas novas funcionalidades melhoradas;</p>
<p>•<strong> Neutralidade do Carbono e Fluidos Frigorigéneos Verdes &#8211;</strong> a indústria está muito focada em soluções neutras em carbono, adotando fluidos frigorigéneos com baixo potencial de aquecimento global (GWP) ou mesmo, fluidos naturais como CO e propano;</p>
<p>• <strong>Melhorias na recuperação, eficiência energética e foco na qualidade do ar interior &#8211;</strong> os sistemas de ventilação de recuperação de energia (ERV) começam a ganhar popularidade ao permitir melhorar a qualidade do ar interior, minimizando a perda de energia. A adaptação dos sistemas AVAC existentes com componentes e controlos de elevada eficiência é também uma tendência e um passo crítico na redução do consumo de energia em edifícios mais antigos. Por outro lado, a pandemia levou à consciencialização e desenvolvimento de tecnologias avançadas de filtragem, ventilação e purificação do ar. Muitos sistemas AVAC integram agora sensores e ferramentas de monitorização em tempo real para garantir ambientes interiores mais saudáveis sem sacrificar a eficiência energética;</p>
<p>•<strong> Sistemas descentralizados e modulares &#8211;</strong> sistemas AVAC descentralizados, incluindo bombas de calor modulares, permitem responder à crescente procura por soluções flexíveis e escaláveis. Esses sistemas melhoram a redundância e a distribuição de energia, reduzindo os custos operacionais.</p>
<h4><strong>5. IMPACTO DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS</strong></h4>
<p>As mudanças climáticas estão a influenciar o desempenho dos sistemas AVAC&amp;R, exigindo soluções mais resilientes e adaptadas a cenários climáticos extremos. Este tema tem sido debatido persistentemente em fóruns internacionais desde a segunda metade do século passado, onde se tem procurado refletir sobre qual o papel que os engenheiros podem ter na mitigação e ajuda à sociedade na adaptação às alterações climáticas.</p>
<p>Somos tentados a reconhecer que estas preocupações, nos dias de hoje, não merecem, provável e infelizmente, especial atenção devido aos conturbados momentos que atravessamos e correspondente impacto dos múltiplos fatores que perigosamente se combinam &#8211; pandemia, guerra na Europa, dirigentes governamentais retrógrados e consultores influenciadores negacionistas, escassez energética e o aumento galopante dos preços do gás e petróleo -, formando, no seu conjunto, um cocktail explosivo.</p>
<p>Temos sido testemunhas de tragédias indescritíveis que vão durando sem fim à vista. Também se reconhece que a humanidade tem sido capaz de ultrapassar as enormes dificuldades e sobreviver às várias tragédias, explorando para tal todos os recursos ao seu dispor e saberes acumulados ou em franco desenvolvimento.</p>
<p>Muitos cientistas e engenheiros, legisladores e políticos a nível mundial têm estado envolvidos na busca de respostas e chegarão certamente a conclusões sensatas.</p>
<h4><strong>6. SUSTENTABILIDADE E CONFORTO</strong></h4>
<p>Além da eficiência energética, há cada vez mais uma maior preocupação com o conforto térmico e a qualidade do ar interior, impulsionando o desenvolvimento de sistemas mais avançados.</p>
<p>O setor das instalações térmicas e de conforto está a passar por uma frenética etapa de transformação e mudanças, devido à revolução energética em curso e às regulamentações publicadas sempre em forte crescendo e cada vez mais revelando uma maior exigência.</p>
<p>Se bem que a pandemia promoveu uma maior consciência em torno da qualidade do ar nos espaços interiores, com uma procura de soluções para proporcionar ambientes mais saudáveis, os objetivos da descarbonização promovem, por sua vez, o uso de tecnologias de menor impacte ambiental, como a bomba de calor, que favorece a eletrificação, e os gases renováveis, como o biogás e hidrogénio. Também não podemos esquecer, conforme anteriormente referido, os avanços que têm ocorrido na digitalização, que favorecem a poupança de energia dos equipamentos e evitam desperdícios obviamente desnecessários.</p>
<h4><strong>7. O PAPEL DA COMISSÃO EUROPEIA</strong></h4>
<p>O seu papel passa por sustentar os objetivos e em sequência, através de instrumentos financeiros, apoiar a sua implementação, pois seria muito difícil considerar um modelo de autogestão.</p>
<p>Existe uma pressão sobre os mercados, abrangendo principalmente os fabricantes para se reduzir tudo o que tem impacto ecológico. Nesse sentido, a Comissão Europeia despoletou tudo o que acima é referido &#8211; descarbonização e a mudança para fluidos com GWP com zero impacto no ambiente e obviamente a melhoria da eficiência energética. Pelo que, sem dúvida, a Comissão tem e terá um grande impacto no setor. Esta é a convicção também dos responsáveis das grandes marcas presentes em Portugal, reconhecendo que os impactos serão sentidos inicialmente nas tecnologias aplicadas nos produtos, no entanto, e desta vez, com maiores implicações a nível de projeto, mas principalmente também a nível dos serviços de manutenção e assistência técnica. Recorde-se de que o Plano de Ação para Bombas de Calor irá conter recomendações e orientações sobre a forma de incentivar a adoção de bombas de calor sustentáveis para cumprir os objetivos da Lei Indústria de Impacto Zero. Na mesma linha de preocupações se refere que a Comissão Europeia (CE) estabeleceu políticas e diretivas abrangentes para promover a eficiência energética e reduzir as emissões de carbono no setor AVAC, nomeadamente com a Diretiva de Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), que determina que todos os novos edifícios devem ter energia quase zero até 2020, enfatizando a integração de fontes de energia renováveis e sistemas de AVAC de alta eficiência.</p>
<p>Por outro lado, convém referir que também a Diretiva <em>Ecodesign</em> contém exigências que estabelecem requisitos ecológicos obrigatórios para produtos relacionados com a energia, incluindo sistemas AVAC, para garantir que cumprem normas específicas de eficiência energética e ambientais. A Diretiva <em>Ecodesign</em> é, pois, uma ferramenta poderosa para impulsionar a indústria para uma maior eficiência energética e sustentabilidade.</p>
<p>Também convém destacar o impacto da Diretiva relativa às Energias Renováveis, na qual a CE adotou novas regras, incentivando a utilização de fontes de energia renováveis em sistemas AVAC.</p>
<p>Mais se refere que a 31 de outubro de 2023 foi publicada no Jornal Oficial da União Europeia (JOUE) a Diretiva (UE) 2023/2413 do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia, de 18 de outubro de 2023, que altera, nomeadamente, a Diretiva (UE) 2018/2001 (Diretiva RED III) no que respeita à promoção da energia proveniente de fontes renováveis.</p>
<p>A Diretiva RED III aumenta o compromisso dos Estados-Membros em aumentar a quota do consumo final bruto de energia proveniente de fontes renováveis de 32% para 42,5% até 2030. Para atingir este objetivo, a diretiva incorpora novos desenvolvimentos de interesse para os setores das energias renováveis e dos combustíveis renováveis de origem não biológica (RFNBO, na<br />
sua sigla em inglês).</p>
<h4><strong>8. OS GRANDES DESAFIOS. O QUE SE PODE ESPERAR?</strong></h4>
<p>Acontece que todas estas exigências legislativas, regulamentares e normativas, inevitavelmente, obrigam os fabricantes a inovar, a acompanhar e apoiar os instaladores, parceiros imprescindíveis ao sucesso das instalações, quer de grande, quer de pequena dimensão.</p>
<p>Será necessário que os fabricantes, comercializadores, distribuidores e demais profissionais do setor se coloquem na linha da frente no desenvolvimento de equipamentos e soluções adequadas à defesa da qualidade do mercado.</p>
<p>A UE, atenta que está a toda esta temática, lançou um novo pacote de incentivos, que sabiamente denominou <em>NextGenerationEU</em>.</p>
<h4><strong>9. O IMPULSO DA <em>NEXTGENERATIONEU</em></strong></h4>
<p>A iniciativa <em>NextGenerationEU</em> está a impulsionar a economia europeia e a tornar as nossas sociedades mais fortes e resilientes, produzindo resultados tangíveis para os europeus através dos seus inúmeros projetos. Trata-se do maior pacote de incentivos jamais empreendido na UE, que constitui um exemplo de referência para um novo modelo de crescimento baseado numa economia limpa, inovadora e inclusiva e na soberania digital e tecnológica:</p>
<p>• Ao investir nos cuidados de saúde, o <em>NextGenerationEU</em> contribui para uma sociedade mais justa e mais solidária, devidamente preparada para os desafios que se avizinham;</p>
<p>• Ao apoiar a educação e as competências, ajuda a preparar a nossa mão de obra para novas oportunidades num mundo orientado pela tecnologia;</p>
<p>• Ao apoiar as nossas PME e os nossos jovens empresários, também fomenta a inovação, cria empregos e estimula o crescimento futuro.</p>
<p>No entanto, feito o balanço, talvez o mais difícil será transformar a economia para reduzir a pegada da humanidade. Cada cidadão do nosso planeta deve necessariamente desempenhar a sua função, adotando desde iniciativas mais básicas, como combater o desperdício de alimentos e o descarte inadequado de resíduos, até ações mais complexas, como evitar o consumo excessivo de energia.</p>
<p>Também hoje tive um sonho… levando-me a acreditar que tudo isto poderá ser POSSÍVEL!</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</strong></em></p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Estratégia para a construção de edifícios zero emissões</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/estrategia-para-a-construcao-de-edificios-zero-emissoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Serafín Graña]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 May 2025 09:06:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[carbono]]></category>
		<category><![CDATA[construção]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios zero emissões]]></category>
		<category><![CDATA[eficiência energética]]></category>
		<category><![CDATA[potencial de aquecimento global]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O edifício zero emissões realiza um balanço de carbono neutro através de várias estratégias e tecnologias avançadas. Os edifícios zero emissões são parte essencial dos esforços de uma resposta às alterações climáticas, contribuindo para um futuro mais sustentável e para a redução da pegada de carbono do setor da construção, que é uma das indústrias mais poluentes do mundo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">Artigo publicado originalmente na edição de <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=158" target="_blank" rel="noopener"><span class="s2">Março/Abril de 2025</span></a> da Edifícios e Energia.</span></strong></em></p>
<p>O edifício zero emissões, ou edifício emissões zero, é uma estrutura projetada e construída de modo a não libertar gases de efeito estufa na atmosfera, tanto durante a construção quanto no decorrer das operações diárias, nomeadamente, aquecimento, arrefecimento, iluminação e consumo de energia.</p>
<p>Este tipo de edifício realiza um balanço de carbono neutro através de várias estratégias e tecnologias avançadas. Os edifícios zero emissões são parte essencial dos esforços de uma resposta às alterações climáticas, contribuindo para um futuro mais sustentável e para a redução da pegada de carbono do setor da construção, que é uma das indústrias mais poluentes do mundo. Além disso, promovem economia de longo prazo e criam ambientes mais saudáveis e confortáveis para os ocupantes.</p>
<p>A equipa de projeto, para satisfação de todos os requisitos, deverá obrigatoriamente ter composição multidisciplinar dotada de múltiplas valências.</p>
<h4>A INEVITABILIDADE DE UM COMPROMISSO MULTIGERACIONAL</h4>
<p>Digamos que o futuro já começou, pelo que durante os processos de construção ou renovação teremos inevitavelmente de recorrer a materiais de base natural, eco-materiais, ou fabricos que incorporem materiais reciclados. Todos devemos sentir-nos convocados para uma alteração importante de comportamentos, mas a nossa contribuição individual será sempre modesta, e as pequenas mudanças, marginais e reativas, não serão suficientes. Meias medidas já não são uma opção. As nossas ações de hoje definirão como as pessoas se adaptam e como a natureza responde aos riscos crescentes causados pelas alterações climáticas. É, pois, tempo de agir!</p>
<h4>UM NOVO PARADIGMA OU UM NOVO MODO DE PENSAR OS EDIFÍCIOS</h4>
<p>As alterações estão a afetar os edifícios, à medida que muitas organizações públicas e corporativas, países e regiões estabelecem metas para alcançar a neutralidade de carbono em 2050 (1). Os proprietários estão a desenvolver esforços mais concertados de modo a mudar substancialmente os seus edifícios, e as empresas de projeto e construção de edifícios vão sendo cada vez mais solicitadas a oferecer planos e estratégias para reduzir ou eliminar o consumo de carbono (descarbonizar).</p>
<p>A pegada de carbono de uma organização constitui-se como uma ferramenta com uma dupla finalidade: reduzir os custos provocados pela iluminação, climatização, arrefecimento e aquecimento e transportes e, por outro lado, contribuir para a redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e para uma maiorconsciencialização do meio ambiente.</p>
<p>A descarbonização não é só energia. É muito mais do que isso, deve incluir carbono incorporado, fluidos, transportes, eletrificação, rede e sequestro.</p>
<h4>A CONVERGÊNCIA PARA A SUSTENTABILIDADE</h4>
<p>A arquitetura e as engenharias, bem como as organizações públicas e corporativas, não poderão ter uma visão estritamente focada na resolução de problemas técnicos e económicos <em>stricto sensu</em>. Deverão ter uma consciência e atitudes mais abrangentes, promovendo a sustentabilidade nas suas múltiplas vertentes: social, económica e ambiental.</p>
<p>Temos ao nosso dispor, cada vez mais, uma vasta gama de tecnologias, no entanto, a complexidade das suas interações envolve-nos quase sempre em tarefas muito complexas, obrigando-nos a efetuar várias abordagens, ponderar múltiplas soluções e operacionalizar várias estratégias de modo a atingirmos os desígnios anteriormente propostos, satisfazendo em cada etapa os respetivos requisitos e navegando numa cadeia lógica de valores que nos façam convergir para a sustentabilidade, proporcionando desenvolvimento que assegure as necessidades presentes sem comprometer as gerações futuras.</p>
<h4>CARACTERÍSTICAS DE UM EDIFÍCIO ZERO EMISSÕES</h4>
<p>Algumas das características principais incluem:</p>
<p><strong>Eficiência Energética:</strong> Uso de técnicas e materiais de construção que minimizam o consumo de energia, como isolamento térmico avançado, janelas de alta eficiência e sistemas de iluminação LED.</p>
<p><strong>Energias Renováveis:</strong> Integração de fontes de energia renováveis, como painéis solares, turbinas eólicas ou aquecimento geotérmico, para gerar a energia necessária.</p>
<p><strong>Redução de emissões indiretas:</strong> Compra de energia de redes que utilizam fontes renováveis. Minimiza o impacte ambiental nos processos de construção e nos materiais utilizados.</p>
<p><strong>Gestão da Água:</strong> Sistemas de gestão e reutilização da água, como coleta de água da chuva e reciclagem de água cinzenta, para reduzir desperdícios.</p>
<p><strong>Gestão de Recursos:</strong> Integração de sistemas instantâneos de recuperação de calor de águas residuais como, por exemplo, (WWHRS) em edifícios novos e existentes. Os WWHRS (<em>Waste Water Heat Recovery for Showers</em>) funcionam com base no princípio da regeneração de energia. Isto significa que podem recuperar o calor da água de drenagem e transferi-lo para a água fria de entrada. Este processo permite uma poupança substancial de energia, mantendo o conforto do utilizador, assegurando que a temperatura e o caudal no chuveiro permanecem constantes e satisfatórios. O seu funcionamento não compromete a qualidade da experiência do utilizador.</p>
<p><strong>Materiais Sustentáveis:</strong> Utilização de materiais de construção sustentáveis, reciclados ou de baixo impacte ambiental.</p>
<p><strong>Projeto Passivo:</strong> <em>Design</em> que utiliza recursos naturais como a luz solar e ventilação natural para reduzir a necessidade de aquecimento, arrefecimento e iluminação artificial.</p>
<p><strong>Sistemas de Automação:</strong> Tecnologia de automação para monitorizar e otimizar o uso de energia, água e outros recursos, garantindo uma operação eficiente.</p>
<p><strong>Compensação de emissões:</strong> Caso ainda haja emissões inevitáveis, como aquelas provenientes de materiais de construção, o edifício pode investir em projetos de compensação, como reflorestamento ou iniciativas de captura de carbono.</p>
<h4>ALGUNS TERMOS E DEFINIÇÕES FUNDAMENTAIS QUE IMPORTARÁ RETER</h4>
<p><strong>Métrica de Carbono:</strong> Uma medida normalizada das emissões de equivalente dióxido de carbono (CO2e) para os gases com efeito de estufa.</p>
<p><strong>Dióxido de Carbono Equivalente (CO2e):</strong> Medida utilizada para comparar o impacto de vários gases com efeito de estufa com base no seu potencial de aquecimento global (PAG) no horizonte temporal de 100 anos. O CO2e aproxima-se do efeito de aquecimento integrado no tempo de uma unidade de massa de um dado gás com efeito de estufa em relação ao do dióxido de carbono (CO2).</p>
<p><strong>Potencial de Aquecimento Global (PAG):</strong> Um índice para estimar a contribuição relativa para o aquecimento global das emissões atmosféricas de um determinado gás com efeito de estufa em comparação com as emissões de uma massa igual de dióxido de carbono (CO2).</p>
<p><strong>Emissões operacionais:</strong> De CO2e durante a utilização normal de um edifício durante a sua vida útil.</p>
<p><strong>Carbono Incorporado:</strong> Todo o CO2e emitido na produção de materiais é estimado a partir da energia utilizada para extrair e transportar matérias-primas, bem como das emissões dos processos de fabrico. O carbono incorporado de um edifício inclui todas as emissões dos materiais de construção, do processo de construção, de todos os acessórios no seu interior, bem como da sua desconstrução e eliminação no final da sua vida útil.</p>
<p><strong>Fim da vida útil:</strong> Emissões de CO2e para desmantelar o edifício no seu fim de vida útil.</p>
<p><strong>Emissões diretas:</strong> Emissões de gases com efeito de estufa (GEE) provenientes de fontes detidas ou controladas pela entidade declarante (principalmente provenientes da combustão no local de combustíveis fósseis).</p>
<p><strong>Emissões indiretas:</strong> Emissões de gases com efeito de estufa devidas às atividades da entidade declarante, mas que ocorrem em fontes detidas ou controladas por outra entidade (principalmente a partir de eletricidade gerada fora do local para alimentar edifícios).</p>
<p><strong>Avaliação do Ciclo de Vida (ACV):</strong> Metodologia para avaliar os impactes ambientais associados a todas as fases do ciclo de vida de um produto, processo ou serviço comercial.</p>
<p><strong>Declaração Ambiental do Produto (EPD):</strong> Um documento verificado e registado de forma independente que comunica informações transparentes e comparáveis sobre o impacte ambiental do ciclo de vida dos produtos, a fim de permitir comparações entre produtos que cumprem a mesma função.</p>
<p><strong>Eletrificação:</strong> A eletrificação de edifícios refere-se à substituição do uso direto de combustíveis fósseis (por exemplo, gás natural, propano, gasóleo para aquecimento) pelo uso de eletricidade de uma forma que reduz as emissões gerais e, ao mesmo tempo, reduz outros poluentes atmosféricos.</p>
<p><strong>Normas de desempenho dos edifícios (BPS):</strong> Uma política que exige que os proprietários de edifícios cumpram os objetivos de desempenho, melhorando ativamente os seus edifícios ao longo do tempo. Estes podem incluir objetivos em matéria de energia ou de emissões que os edifícios devem cumprir para melhorar a eficiência energética e reduzir os impactes climáticos.</p>
<p><strong>Captura e armazenamento de carbono (CAC):</strong> Processo que captura o dióxido de carbono emitido, transporta-o para o local de armazenamento e deposita-o de forma a não entrar na atmosfera. Envolve a captura, o transporte e o depósito dos gases com efeito de estufa (GEE) emitidos pelas centrais elétricas e indústrias alimentadas.</p>
<p><strong>Sequestro de carbono no local:</strong> Processo de captura e armazenamento a longo prazo de dióxido de carbono no local para evitar que ele entre na atmosfera. Isso permite a estabilização do carbono em formas sólidas e dissolvidas para evitar o aumento da temperatura da atmosfera.</p>
<h4><strong>TENDO EM VISTA A AVALIAÇÃO FINAL</strong></h4>
<p>Para a avaliação final, especialistas recomendam o uso de uma métrica de carbono (CO2e) em cada projeto para ajudar os proprietários e as equipas de projeto a entender os impactos de carbono das decisões de projeto. O uso da avaliação do ciclo de vida de todo o carbono (ACV) em projetos permitirá que proprietários e equipas de projeto tomem decisões informadas sobre compensações entre carbono incorporado e operacional para novos projetos de construção. A equipa de projeto para satisfação de todos os requisitos deverá obrigatoriamente ter composição multidisciplinar dotada de múltiplas valências.</p>
<h4><strong>TRABALHAR NA INCERTEZA COM CONFIANÇA</strong></h4>
<p>Horas depois de ter tomado posse, o Presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que determina que os Estados Unidos se retirem do histórico acordo climático de Paris. Trump também assinou uma carta às Nações Unidas, indicando a sua intenção de se retirar do acordo de 2015, que permite às nações estabelecer objetivos para reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa provenientes da queima de carvão, petróleo e gás natural. Esses objetivos tornar-se-ão mais rigorosos ao longo do tempo, com os países a enfrentarem um prazo até fevereiro de 2025 para apresentarem novos planos individuais.</p>
<p>Em contraponto com o que acima é referido, ainda há esperança, pois as tecnologias verdes lideram as prioridades dos investimentos em sustentabilidade em 2025, segundo nos revela o Research Institute da Capgemini, que acaba de lançar um estudo (2) (3) (4) que revela que, “não obstante continuarmos a viver num ambiente de mercado dominado por um sentimento de incerteza permanente, os líderes empresariais estão mais otimistas no que diz respeito às perspetivas das suas empresas para 2025. Este otimismo, apesar de a contenção de custos se afirmar como um imperativo, está a impulsionar um aumento do investimento, nomeadamente na experiência do cliente, nas cadeias de abastecimento e na sustentabilidade, para permitir mais inovação, eficiência, competitividade e o reforço dos níveis de resiliência”.</p>
<p>Permitimo-nos assim concluir que, em 2025, o desenvolvimento de talentos e a sustentabilidade também se posicionam como prioridades essenciais para as organizações enfrentarem os desafios globais. A sustentabilidade é, pois, encarada como um conceito global, configurando uma visão holística que integra um conjunto de ações que ajudarão as organizações a encontrar seguramente o caminho para o futuro. Neste momento, reconhecemos que existe em grande parte um enorme défice de competências verdes no mercado para garantir a transição necessária, mas isso poderá e deverá ser aproveitado pelas organizações para dotar os seus colaboradores de novas competências, enquanto atraem e desenvolvem talento. Haja esperança!</p>
<p><strong>Notas:</strong></p>
<p>[1] Para mais informação consultar: ROTEIRO PARA A NEUTRALIDADE CARBÓNICA2050 (RNC2050)<br />
ESTRATÉGIA DE LONGO PRAZO PARA NEUTRALIDADE CARBÓNICA DA ECONOMIA PORTUGUESA EM 2050. https://apambiente.pt/clima/roteiro-para-neutralidade-carbonica-2050</p>
<p>(2) Para mais informação consultar: “Navigating uncertainty with confidence – Investment priorities for 2025”, Capgemini Research Institute.</p>
<p>(3) https://greensavers.sapo.pt/tecnologias-verdes-lideram-prioridades-dos-investimentos-em-sustentabilidade-em-2025/?utm_source=e-</p>
<p>(4) O estudo está disponível em: https://www.capgemini.com/insights/research-library/investment-trends-2025</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</strong></em></p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Eficiência energética e políticas de construção na UE</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/eficiencia-energetica-e-politicas-de-construcao-na-ue/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Serafín Graña]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Feb 2025 08:00:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[certificação energética]]></category>
		<category><![CDATA[construção]]></category>
		<category><![CDATA[desempenho energético]]></category>
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		<category><![CDATA[epbd]]></category>
		<category><![CDATA[Fit for 55]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A União Europeia está comprometida com garantir a segurança energética e acelerar a transição verde, colaborando em várias frentes para alcançar esses objetivos. Fomentar práticas de construção sustentável, de forma a minimizar o impacto negativo que a indústria da construção gera no meio ambiente, é uma prioridade atual.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/eficiencia-energetica-e-politicas-de-construcao-na-ue/">Eficiência energética e políticas de construção na UE</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">Artigo publicado originalmente na edição de <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=157" target="_blank" rel="noopener"><span class="s2">Janeiro/Fevereiro de 2025</span></a> da Edifícios e Energia.</span></strong></em></p>
<p>Na UE, a Diretiva 2010/31/UE relativa ao desempenho energético dos edifícios estabelece um quadro comum para calcular o desempenho energético. Este cálculo inclui vários fatores, como:</p>
<p><strong>1. Consumo de Energia Primária:</strong> Inclui todas as fontes de energia utilizadas no edifício, como eletricidade, gás, aquecimento e arrefecimento.</p>
<p><strong>2. Requisitos Mínimos de Desempenho Energético:</strong> Os Estados-Membros devem estabelecer requisitos mínimos que os edifícios novos e renovados devem cumprir.</p>
<p><strong>3. Certificação Energética:</strong> Os edifícios devem ter um certificado de desempenho energético que fornece informações sobre a eficiência energética e recomendações para melhorias.</p>
<p>A UE tem implementado várias diretivas e estratégias para melhorar a eficiência energética e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Algumas das principais iniciativas incluem:</p>
<p><strong>4. Diretiva Eficiência Energética (DEE):</strong> A DEE estabelece metas vinculativas para reduzir o consumo de energia primária e final. A versão mais recente da diretiva, que entrou em vigor em 2023, visa reduzir o consumo de energia final da UE em, pelo menos, 11,7 % até 2030, em comparação com as projeções de 2020.</p>
<p><strong>5. Estratégia de Renovação dos Edifícios:</strong> A UE lançou a iniciativa Onda de Renovação para melhorar a eficiência energética dos edifícios, que são responsáveis por cerca de um terço das emissões de gases com efeito de estufa na UE. Esta estratégia visa renovar os edifícios existentes para torná-los mais eficientes energeticamente e reduzir o consumo de energia.</p>
<p><strong>6. Objetivo 55:</strong> Parte do pacote Fit for 55, esta iniciativa visa reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em pelo menos 55 % até 2030. A melhoria da eficiência energética dos edifícios é um componente crucial desta meta.</p>
<p><strong>7. Diretiva EPBD de 2024/1275/UE, relativa ao desempenho energético dos edifícios (reformulação):</strong> A Diretiva 2010/31/UE do Parlamento Europeu e do Conselho foi várias vezes alterada de modo substancial. Por razões de clareza, uma vez que são introduzidas novas alterações, deverá proceder-se à reformulação da referida diretiva, sendo que está em apreciação a nova Diretiva EPBD de 2024/1275/UE de 24 de abril, e à sua transposição para a legislação nacional.</p>
<p>Podemos encontrar estas e demais informações relevantes relacionadas com a política de construção da UE na muito útil e muito completa página (ver nota) que contém praticamente toda a informação que importa, incluindo um glossário de termos. Este glossário é um documento de referência para compreender a terminologia dos principais termos e iniciativas de eficiência energética em edifícios na UE.</p>
<p>Dada a extensão da informação, não é possível reproduzir na presente revista toda a informação, pelo que recomendamos a sua leitura completa, acedendo através do link apresentado no final desta página.</p>
<p>BPIE – Buildings Performance Institute Europe é um centro de especialização independente líder no domínio do desempenho energético dos edifícios. É o principal grupo de reflexão independente da Europa sobre o desempenho energético dos edifícios. Visa atingir um ambiente construído com impacto neutro no clima, alinhado com a ambição do Acordo de Paris e em apoio a uma sociedade justa e sustentável.</p>
<h4>A VISÃO DA UNIÃO EUROPEIA</h4>
<p>Uma coisa parece certa: a União Europeia está comprometida com garantir a segurança energética e acelerar a transição verde, colaborando em várias frentes para alcançar esses objetivos. Fomentar práticas de construção sustentável, de forma a minimizar o impacto negativo que a indústria da construção gera no meio ambiente, é uma prioridade atual.</p>
<h4>PARA ALÉM DA DOUTRINA DA UNIÃO EUROPEIA</h4>
<p>Para além das certificações emanadas das Diretivas da União Europeia, de cumprimento obrigatório, tem-se verificado uma crescente utilização de sistemas de sustentabilidade devidamente certificados, sendo as certificações LEED, GREEN, BREEAM e WELL as mais reconhecidas a nível internacional, que irão contribuir para criar um ambiente mais saudável, eficiente e responsável.</p>
<p>O pensamento atualmente dominante obriga a que os sistemas técnicos que fazem parte integrante de um projeto tenham de se tornar, verdadeiramente, incontornáveis, tendo o seu papel muito importante no desenvolvimento sustentável dos edifícios, priorizando a saúde e bem-estar dos seus ocupantes.</p>
<h4>VEJAMOS O QUE SE PASSA A NÍVEL PLANETÁRIO COM OUTROS PAÍSES E ECONOMIAS</h4>
<p>Apesar da vontade de bem construir, temos assistido a muitos e variados retrocessos. Dos vários quadrantes continuam a chegar ventos adversos. Entre outras más notícias, destacamos as que se evidenciaram ou ainda se evidenciam estrondosamente pelo seu impacto futuro:</p>
<p><strong>• O não sucesso da COP 29</strong></p>
<p>A cimeira sobre o clima COP29 terminou recentemente, em 24 de novembro de 2024, em Baku, Azerbaijão. A conferência foi marcada por intensas negociações e debates acalorados, resultando num acordo para triplicar o financiamento para países em desenvolvimento, elevando-o de 100 mil milhões de dólares anuais para 300 mil milhões de dólares anuais até 2035.</p>
<p>Vários especialistas afirmam que é necessário um trilião de dólares por ano ou mais, tanto para compensar esses danos, como para pagar uma transição para energias limpas que a maioria dos países não pode suportar por si só.</p>
<p>Mas o objetivo anterior de 100 mil milhões de dólares anuais até 2025 só foi atingido há dois anos. Agora, o &#8220;novo objetivo coletivo quantificado&#8221; visa pelo menos dez vezes esse valor, de acordo com a organização das Nações Unidas para o comércio e o desenvolvimento, a UNCTAD.</p>
<p>&#8220;O objetivo deve partir de 1,1 biliões para o próximo ano. E isto está mais ou menos no mesmo intervalo que foi proposto por outros estudos também&#8221;, disse Rebeca Grynspan, Secretária-Geral da UNCTAD, à Euronews. A questão que se coloca agora não é apenas se os Estados vão pôr as mãos nos bolsos e juntar o dinheiro, mas se vão atuar rapidamente.</p>
<p>&#8220;Esperamos que os governos se empenhem com o mesmo nível de envolvimento e intensidade que quando a crise financeira global chegou e esperamos ação&#8221;, disse John Denton, Secretário-Geral da Câmara de Comércio Internacional.</p>
<p>E mesmo que o dinheiro esteja disponível, é necessário que existam projetos bem desenvolvidos para combater as alterações climáticas e que estejam prontos a ser implementados.<br />
(Euronews – Publicado a 18/11/2024)</p>
<p><strong>• Donald Trump nomeia o secretário da Energia</strong><br />
O nomeado Chris Wright é empresário do petróleo, defende os combustíveis fósseis e afirma que a crise climática não existe. Sem experiência política, foi o escolhido de Trump para liderar a pasta da Energia.<br />
(Euronews – Publicado a 18/11/2024)</p>
<p><strong>• Cisnes negros para 2025</strong><br />
Trump e o dólar, a OPEP a ficar irrelevante, ou a Nvidia a dobrar o valor da Apple são algumas das previsões ultrajantes para 2025 do banco Saxo. Também conhecidas por ‘cisnes negros’ por serem eventos extremamente raros e imprevisíveis, tal como um cisne negro, podem causar sérios danos às economias, mercados e investimentos:</p>
<p>O primeiro evento improvável é Donald Trump “explodir” o dólar americano. Em 2025, a nova administração Trump “vai revolucionar toda a natureza da relação dos EUA com o mundo, impondo tarifas massivas em todas as importações, cortando défices com a ajuda do Departamento para a Eficiência Governamental (DOGE) liderado por Elon Musk”.</p>
<p>As implicações para o dólar serão negativas. Com o mundo a reduzir a necessidade de dólares, os atores financeiros globais procuram alternativas, com a China e os BRICS+ a transacionarem com dinheiro digital apoiado em reservas de ouro, incluindo um novo yuan.</p>
<p>O mercado das criptomoedas quadruplica para mais de 10 mil milhões de dólares, com o dólar a cair 20 % contra as maiores moedas e 30 % contra o ouro.</p>
<p>O segundo evento improvável é a Nvidia dobrar o seu valor para o dobro do da Apple, com o sucesso do chip Blackwell, que aumenta 25 vezes os cálculos de IA por unidade de energia consumida face à geração anterior.</p>
<p>Com a corrida à IA, o valor dos chips Blackwell dispara com a Nvidia a ultrapassar os 105 mil milhões de lucros de recorde da Apple, para se tornar na companhia mais rentável de sempre.</p>
<p>A Nvidia dispara o seu valor para 7 triliões de euros, passando a valer 10 % do mercado global de ações e as ações valorizam para mais de 250 dólares.</p>
<p>O terceiro evento é a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que pode tornar-se irrelevante em 2025 com o crescimento do carro elétrico.</p>
<p>“A OPEP vê a sua relevância a diminuir e a sua produção diária de milhões de barris torna-se irrelevante”, prevê o Saxo.</p>
<p>Outros eventos previstos pelo Saxo incluem a libra regressar a níveis face ao euro pré-Brexit, um estímulo milionário à economia chinesa por Pequim, ou um mega-desastre natural a levar à bancarrota uma seguradora pela primeira vez.<br />
(Jornal Económico – por André Cabrita-Mendes &#8211; Publicado a 03/12/2024)</p>
<p><strong>• Cada dia que passa continuam a chegar-nos muitas e também muito más notícias</strong></p>
<p>Aguardemos mais desenvolvimentos, mas, a cada dia que passa, verificamos que nada de bom se espera proveniente de um lado e de outro do Atlântico! Nuvens escuras e muito carregadas vislumbram-se no horizonte e temos de estar preparados para um elevado nível de incerteza…</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nota: <a href="https://www.bpie.eu/" target="_blank" rel="noopener">BPIE is a leading independent centre of expertise on energy performance of buildings.</a> &gt; BPIE &#8211; Buildings Performance Institute Europe</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</strong></em></p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/eficiencia-energetica-e-politicas-de-construcao-na-ue/">Eficiência energética e políticas de construção na UE</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>Pacto &#8220;Edifícios preparados para 2050&#8221; (2050 Ready Building Pact)</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/pacto-edificios-preparados-para-2050-2050-ready-building-pact/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Serafín Graña]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Dec 2024 08:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[AVAC]]></category>
		<category><![CDATA[construção]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[epbd]]></category>
		<category><![CDATA[neutralidade carbónica]]></category>
		<category><![CDATA[QAI]]></category>
		<category><![CDATA[REHVA]]></category>
		<category><![CDATA[Transição energética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É imperioso olharmos para o que pensam e dizem os nossos parceiros. Todos aprendemos sempre muito com outros que possam estar mais avançados nos seus estudos e reflexões e que, ao mesmo tempo, se manifestem como defensores de mudança. O MANIFESTO REHVA é, do nosso ponto de vista, muito assertivo e será indispensável levar em linha de conta para a compreensão do futuro do setor de AVAC a nível europeu.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">Artigo publicado originalmente na edição de <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=156" target="_blank" rel="noopener"><span class="s2">Novembro/Dezembro de 2024</span></a> da Edifícios e Energia.</span></strong></em></p>
<p>Serafin Graña, na qualidade de <em>REHVA Fellow</em> [1], título que lhe foi atribuído no ano 2019, e também por se manter desde há vários anos a acompanhar o <em>Technical Research Committee</em> (TRC)(2), enquanto membro da Ordem dos Engenheiros de Portugal (OEP), ora na qualidade de representante, de membro efetivo ou mais recentemente na de membro correspondente, disponibiliza adiante o texto completo do MANIFESTO REHVA, bem como outras reflexões complementares e subsequentes.</p>
<p>É imperioso olharmos para o que pensam e dizem os nossos parceiros. Todos aprendemos sempre muito com outros que possam estar mais avançados nos seus estudos e reflexões e que, ao mesmo tempo, se manifestem como defensores de mudança. O MANIFESTO REHVA é, do nosso ponto de vista, muito assertivo e será indispensável levar em linha de conta para a compreensão do futuro do setor de AVAC a nível europeu.</p>
<p><em>No dia 28 de maio, a Diretiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD) entrou finalmente em vigor. No mesmo dia em que a REHVA (Federação Europeia das Associações de Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado) concluiu a redação do seu novo manifesto — MANIFESTO da REHVA para edifícios sustentáveis, saudáveis e acessíveis, o Pacto “Edifícios preparados para 2050”. O documento em questão sublinhava, desde logo, o papel crucial dos edifícios na prossecução dos objetivos de neutralidade carbónica da UE para 2050.</em></p>
<h4>A MISSÃO DA REHVA … E COMO A UNIÃO FAZ A FORÇA!</h4>
<p>A REHVA é uma organização que representa, a uma só voz, mais de 120.000 engenheiros de projeto de AVAC, engenheiros e técnicos de serviços de construção em 24 países europeus. A missão da REHVA é contribuir de forma consistente para o desenvolvimento de um ambiente construído económico, sustentável, seguro e saudável.</p>
<p>A REHVA apoia o desenvolvimento da qualidade ambiental interior (QAmbInt) e do desempenho energético dos edifícios (EPB) na UE. Relacionadas com as políticas da UE (EPBD, RED, EED, ESPR, etc.) e a sua implementação a nível nacional em cada país, as associações membros da REHVA desejam encorajar as forças políticas europeias a subscreverem os princípios técnicos propostos pelos peritos da REHVA para atingir os objetivos da UE para 2050 no setor da construção. Este é o objetivo do pacto <em>Edifícios preparados para 2050</em>.</p>
<blockquote><p>O manifesto salienta a necessidade de uma abordagem holística, considerando os edifícios como produtores ativos de energia equipados com tecnologias inteligentes e sistemas de armazenamento de energia, contribuindo para a descarbonização do setor energético. Apela a uma “linguagem comum” europeia unificada, baseada em indicadores partilhados de desempenho energético e do ambiente interior.</p></blockquote>
<p>De seguida, são resumidos vários tópicos cruciais que permitem ao setor da construção desempenhar o seu papel na prossecução dos objetivos da UE para 2050.</p>
<p>No mesmo dia, 28 de maio de 2024, a REHVA concluiu a redação do seu <em>MANIFESTO REHVA</em> para edifícios sustentáveis, saudáveis e acessíveis — o pacto Edifícios preparados para 2050. O documento em questão sublinhava o papel crucial dos edifícios na prossecução dos objetivos de neutralidade carbónica da UE para 2050.</p>
<p>O documento contém princípios-chave que se enaltecem e enumeram pela sua importância e abrangência:</p>
<p>1. Eficiência energética e energias renováveis: Dar prioridade à eficiência energética e à utilização de fontes de energia renováveis.</p>
<p>2. Sistemas descarbonizados: Implementar sistemas de aquecimento e arrefecimento descarbonizados e utilizar materiais de construção com baixo teor de carbono.</p>
<p>3. Qualidade do ambiente interior: Assegurar uma elevada qualidade ambiental e do ar interior.</p>
<p>4. Edifícios inteligentes: Promover a digitalização dos edifícios para melhorar a eficiência energética e o conforto dos ocupantes.</p>
<p>5. Soluções rentáveis: Defender soluções técnicas otimizadas em termos ambientais e rentáveis.</p>
<p>O manifesto salienta a necessidade de uma abordagem holística, considerando os edifícios como produtores ativos de energia equipados com tecnologias inteligentes e sistemas de armazenamento de energia, contribuindo para a descarbonização do setor energético. Apela a uma “linguagem comum” europeia unificada, baseada em indicadores partilhados de desempenho energético e do ambiente interior.</p>
<h4>SAÚDE E QUALIDADE DO AR INTERIOR</h4>
<p>Em consonância com o apelo do manifesto a uma abordagem holística da sustentabilidade dos edifícios, dando prioridade aos edifícios como contribuintes ativos para a eficiência energética, torna-se fundamental melhorar a qualidade do ar interior (QAI). Através da aplicação de medidas regulamentares ambiciosas e da atualização dos requisitos de conceção ecológica, a UE pode garantir ambientes interiores mais saudáveis.</p>
<h4>HABITAÇÃO A PREÇOS ACESSÍVEIS E INCENTIVOS</h4>
<p>À medida que os edifícios se transformam em produtores ativos de energia, a criação de um futuro sustentável exige uma renovação a preços acessíveis e um incentivo a práticas energeticamente eficientes. Ao fornecer aos proprietários apoio técnico e incentivos financeiros, a transição para edifícios mais ecológicos pode ser adotada por todos, garantindo um ambiente de vida mais saudável e sustentável.</p>
<h4>O PAPEL DOS PROFISSIONAIS DE AVAC</h4>
<p>Com os edifícios na vanguarda da transição energética, os profissionais de AVAC desempenham um papel crucial. Através do desenvolvimento profissional contínuo e da adesão a normas comuns da UE, podem liderar o processo de eficiência energética e sustentabilidade, garantindo que os edifícios cumprem os critérios de desempenho energético e de ambiente interior.</p>
<p>O Manifesto foi então enviado aos principais candidatos dos principais partidos que concorreram às eleições para o Parlamento Europeu, a fim de obter a sua aprovação e avaliar quais os partidos que estão dispostos a apoiar os esforços da REHVA em prol de uma UE mais saudável e mais eficiente.</p>
<h4>O TEOR DO MANIFESTO [3]</h4>
<p>Seguidamente, estão resumidos vários tópicos cruciais que permitem ao setor da construção desempenhar o seu papel na prossecução dos objetivos da UE para 2050.</p>
<p><strong>Princípios do Pacto &#8211; Para edifícios sustentáveis, saudáveis e acessíveis</strong></p>
<p>Os edifícios devem proporcionar proteção, por um lado. Devem garantir um ambiente interior saudável, confortável e seguro. Por outro, o setor dos edifícios deve desempenhar um papel fundamental para alcançar a neutralidade carbónica da UE até 2050. É por isso que a REHVA defende o pacto <em>Edifícios preparados para 2050</em>, assente nos seguintes princípios fundamentais, tanto para as novas construções como para as renovações em curso:</p>
<p>• Eficiência energética em primeiro lugar;</p>
<p>• Utilização prioritária de fontes de energia renováveis;</p>
<p>• Sistemas de aquecimento e arrefecimento descarbonizados (incluindo a incorporação de materiais de construção com baixo teor de carbono);</p>
<p>• Obtenção de uma elevada qualidade ambiental interior (QAmbInt) e qualidade do ar interior (QAI);</p>
<p>• Digitalização dos edifícios (edifícios inteligentes);</p>
<p>• Soluções técnicas rentáveis e otimizadas do ponto de vista ambiental.</p>
<p>Estes princípios devem ser aplicados de forma holística aos edifícios, contribuindo para o bem-estar dos ocupantes e salvaguardando o seu conforto, enquanto reduzem significativamente o impacte ambiental durante todo o ciclo de vida do edifício. Os edifícios já não são apenas consumidores de energia, mas também produtores ativos de energia. Equipados com tecnologias inteligentes e sistemas de armazenamento de energia para calor e eletricidade, estes edifícios proporcionarão flexibilidade às redes de distribuição de energia, contribuindo para a transição e descarbonização do setor da energia.</p>
<p>A REHVA defende e trabalha especificamente para definir uma “linguagem comum” europeia, baseada em indicadores comuns, para o desempenho energético e sanitário do ambiente interior dos edifícios. Devido à crescente complexidade do setor da construção, é necessário encontrar uma compreensão mútua e proporcionar uma educação intensiva a todos os grupos-alvo e partes interessadas.</p>
<p><strong>Neutralidade de carbono para o setor da construção em 2050</strong></p>
<p>O setor da construção é responsável por 37 % das emissões de carbono da UE. Atingir a neutralidade carbónica em 2050 é um objetivo ambicioso para o setor da construção. A descarbonização dos sistemas de aquecimento e arrefecimento é fundamental.</p>
<p>A neutralidade carbónica inclui todas as fases do ciclo de vida de um edifício (produção de elementos de construção, o seu transporte, construção do edifício, utilização, substituição, desconstrução, gestão de resíduos, reutilização, reciclagem e eliminação final) e todas as emissões de gases com efeito de estufa no local de construção, no estaleiro, nas proximidades e à distância.</p>
<p>As diretivas e regulamentos europeus, bem como a sua transposição a nível nacional e regional, devem ser “baseadas no desempenho”. Devem ser tecnologicamente neutras, permitindo a otimização das soluções técnicas pelos profissionais da construção e criar condições equitativas para o equipamento técnico e para os fornecedores de energia.</p>
<p><strong>Edifícios saudáveis &#8211; melhor ambiente interior e qualidade do ar interior (QAmbInt) / (QAI)</strong></p>
<p>A necessidade de uma qualidade do ar adequada não se limita à nossa porta, mas inclui também o ar que respiramos dentro de casa &#8211; onde passamos até 90 % da nossa vida quotidiana. O ar no interior dos edifícios está ainda mais seriamente poluído do que o ar exterior[4]. De acordo com a OMS[5], 150 000 mortes prematuras na Europa são causadas anualmente pela má qualidade do ar interior, gerando custos adicionais de mais de 260 mil milhões de euros por ano.</p>
<p>Esta questão deve ser abordada com urgência, assumindo o desafio que representa para a saúde e permitindo assim grandes poupanças e a otimização da despesa pública.</p>
<p>As políticas da UE devem salvaguardar a melhoria da saúde nos edifícios, associada a uma melhor QAmbInt/QAI, através de evoluções regulamentares que assegurem uma transposição tão ambiciosa quanto possível da EPBD, em especial no que respeita à ventilação. Melhorar a monitorização, a visualização e a regulação da QAI nos edifícios residenciais e o alargamento da inspeção dos sistemas de ventilação a todos os edifícios, devem fazer parte destas políticas.</p>
<blockquote><p>A informação sobre os benefícios da renovação, em termos de bem-estar e de retorno económico, deve ser a chave para motivar os proprietários e/ou investidores privados. Os profissionais da construção devem propor e explicar a melhor solução aos proprietários e ocupantes dos edifícios.</p></blockquote>
<p>Os requisitos para que os edifícios garantam a qualidade do ar interior devem ser integrados na taxonomia e na legislação relativa aos contratos públicos ecológicos.</p>
<p>Os requisitos de conceção ecológica devem ser atualizados para garantir a colocação no mercado de produtos de ventilação energeticamente eficientes.</p>
<p>Para obter uma melhor informação e <em>feedback,</em> o observatório do parque imobiliário deve também integrar dados sobre a qualidade do ar interior e de ventilação.</p>
<p><strong>Habitações a preços acessíveis e incentivos</strong></p>
<p>A renovação, exploração e manutenção de edifícios a preços acessíveis, a compreensão e o acordo sobre as soluções propostas desempenham um papel crucial na aceitação social da transição energética. Não existe uma solução única para todos os edifícios novos e existentes. A informação sobre os benefícios da renovação, em termos de bem-estar e de retorno económico, deve ser a chave para motivar os proprietários e/ou investidores privados. Os profissionais da construção devem propor e explicar a melhor solução aos proprietários e ocupantes dos edifícios.</p>
<p>A pobreza energética deve ser abordada através de incentivos/medidas financeiras específicas que permitam às famílias com baixos rendimentos melhorarem as suas casas. Isto não só reduz o consumo de energia e os custos, mas também melhora as condições gerais de vida, a saúde e o bem-estar dos residentes e promove a aceitação social e o apoio a práticas de vida sustentáveis.</p>
<p>As seguintes ações devem ser implementadas:</p>
<p>• os proprietários de imóveis devem receber assistência técnica financiada, também através de balcões únicos (tais como auditorias energéticas ou passaportes de renovação) para facilitar a tomada de decisões informadas;</p>
<p>• o acesso ao capital deve ser facilitado, através de medidas como as hipotecas ecológicas, tal como solicitado no Artigo 17 da EPBD;</p>
<p>• os incentivos financeiros devem basear-se no desempenho, não favorecendo ou excluindo nenhuma solução técnica se os requisitos de desempenho forem cumpridos.</p>
<p>A combinação de iniciativas de habitação a preços acessíveis com incentivos é uma estratégia crucial para promover simultaneamente a igualdade social e a responsabilidade ambiental, preservando os fundos públicos que, dada a sua escassez, devem ser otimizados e cuidadosamente geridos para combater eficazmente a pobreza energética e apoiar a transição energética.</p>
<p><strong>O papel dos profissionais do setor do AVAC na transição energética &#8211; competências adquiridas e dimensão europeia no âmbito da UE</strong></p>
<p>O papel dos profissionais do setor do AVAC na transição energética é fundamental. Os novos desafios exigem o desenvolvimento de novas competências técnicas e uma compreensão das políticas energéticas abrangentes da UE.</p>
<p>O desenvolvimento profissional contínuo é essencial, uma vez que mantém os profissionais atualizados com os últimos avanços tecnológicos e alterações regulamentares. Entre as numerosas referências à formação e melhoria de competências e à requalificação, o artigo 17.º da EPBD exige que os Estados-Membros promovam a educação e a formação para garantir uma mão de obra suficiente e competente, especialmente dirigida às PME e às microempresas. O papel dos profissionais do setor do AVAC na transição energética é fundamental. Os novos desafios exigem o desenvolvimento de novas competências técnicas e uma compreensão das políticas energéticas globais da UE.</p>
<p>As colaborações de investigação entre o meio académico e a indústria do AVAC devem ser incentivadas através de centros de inovação, centros de investigação e projetos de colaboração para definir novos programas educativos que abordem os principais desafios, impulsionem a inovação e atraiam novos estudantes.</p>
<p>As normas para os sistemas AVAC desempenham um papel fundamental para facilitar a mobilidade e o reconhecimento das qualificações nos Estados-Membros. As normas garantem que os profissionais de AVAC em toda a UE têm conhecimentos e um conjunto de competências coerentes. Ao aderir a normas comuns da UE, os profissionais do setor do AVAC podem contribuir eficazmente para a transição energética, otimizando os sistemas em termos de desempenho e sustentabilidade.</p>
<p>A partilha de metodologias para avaliar o edifício, baseadas em normas comuns da UE, promove a transparência, a tomada de decisões informadas e a coerência na aplicação da transição energética. A partilha de conhecimentos e o desenvolvimento de metodologias e ferramentas partilhadas podem conciliar as diferenças entre os Estados-Membros devido a fatores económicos, tecnológicos e sociais, respeitando simultaneamente a diversidade cultural e a equidade social.</p>
<p>Embora sejam utilizados métodos comuns, os níveis de exigência nacionais devem refletir as necessidades climáticas e regulamentares específicas de cada país. Esta abordagem harmonizada apoia um esforço unificado em toda a Europa, impulsionando a transição energética e promovendo simultaneamente uma mão de obra qualificada e motivada dedicada à gestão ambiental.</p>
<p><strong>Bibliografia:</strong></p>
<p>[1] https://www.rehva.eu/about-us/fellows</p>
<p>(2) https://www.rehva.eu/about-us/committees/technology-and-research-committee-trc</p>
<p>[3] https://www.rehva.eu/news/article/rehva-manifesto-for-sustainable-healthy-and-affordable-buildings</p>
<p>[4] https://sustainenvironres.biomedcentral.com/articles/10.1186/s42834-020-0047-y</p>
<p>[5] https://unece.org/DAM/Photos_Info_Unit/Economic-cost-health-impact-air&#8211;pollution-en_1_.pdf</p>
<p>Fotografia de destaque: © Pexels</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>As conclusões expressas são da responsabilidade do autor.</em></strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Iniciativas da ASHRAE em prol de mais sustentabilidade</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/iniciativas-da-ashrae-em-prol-de-mais-sustentabilidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Serafín Graña]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Nov 2024 11:10:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[ashrae]]></category>
		<category><![CDATA[AVAC]]></category>
		<category><![CDATA[BIM]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No decorrer da Conferência Anual da ASHRAE, que se realizou no final de junho em Indianapolis, pretende-se aqui destacar o discurso presidencial de M. Dennis Knight, P.E., BEMP, Fellow, Membro Vitalício ASHRAE e presidente desta associação americana ligada ao setor de Aquecimento, Ventilação, Ar Condicionado e Refrigeração (AVAC&#038;R) para o mandato do ano da sociedade 2024-25 (SY 2024-25), que decorre de julho de 2024 até junho de 2025. ...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">Artigo publicado originalmente na edição de <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=155" target="_blank" rel="noopener"><span class="s2">Setembro/Outubro de 2024</span></a> da Edifícios e Energia.</span></strong></em></p>
<p>No decorrer da Conferência Anual da ASHRAE, que se realizou no final de junho em Indianapolis, pretende-se aqui destacar o discurso presidencial de M. Dennis Knight, P.E., BEMP, <em>Fellow,</em> Membro Vitalício ASHRAE e presidente desta associação americana ligada ao setor de Aquecimento, Ventilação, Ar Condicionado e Refrigeração (AVAC&amp;R) para o mandato do ano da sociedade 2024-25 (SY 2024-25), que decorre de julho de 2024 até junho de 2025.</p>
<p>É sempre muito importante olharmos para o que pensam e dizem os nossos parceiros e influenciadores. Neste sentido, o discurso do presidente é, do meu ponto de vista, muito interessante e também de grande oportunidade, pelo que me permito disponibilizar, enquanto vice-presidente do ASHRAE Portugal Chapter e na qualidade de tradutor convidado, a tradução autorizada para português do manuscrito do discurso presidencial.</p>
<p>Este manuscrito, cujo título na versão portuguesa é <em>Capacitando a nossa força de trabalho para construir um futuro mais sustentável</em>, encontra-se também acessível integralmente em https://www.ashrae.org/about/leadership/ashrae-president.</p>
<p>Os próximos parágrafos, com exceção daqueles que dizem respeito ao último apelo deste texto, consistem na transcrição do discurso presidencial de M. Dennis Knight, já traduzido.</p>
<h4>O INÍCIO E O DESENVOLVIMENTO DA CARREIRA DO PRESIDENTE M. DENNIS KNIGHT</h4>
<p>A minha carreira no setor da construção civil começou em 1974 apenas duas semanas depois de ter terminado o liceu. Entrei no mercado de trabalho pronto a aprender e a contribuir. O meu novo cargo era projetista de sistemas de tubagem de centrais de produção de energia. É uma forma elegante de dizer desenhador. Um engenheiro chamado Fred Howard, que visitou a minha turma de desenho no liceu, ofereceu-me o lugar no meu primeiro ano, quando eu tinha apenas 16 anos.</p>
<p>Porque é que a maior empresa de energia dos EUA, que concebeu, construiu, teve sob sua propriedade e operou algumas das maiores centrais de produção de energia do mundo, falaria com um miúdo de 16 anos sobre emprego? A resposta é simples: DESENVOLVIMENTO DA FORÇA DE TRABALHO!</p>
<p>A empresa investiu e empenhou-se em atrair e reter pessoas que fizessem o trabalho necessário para se atingirem os objetivos comerciais. Ao começar no ensino secundário, [a empresa] estava a lançar uma rede mais ampla, acedendo a um maior número de candidatos a emprego e incluindo estudantes em percursos tradicionais e não tradicionais de ensino superior e desenvolvimento de carreira.</p>
<p>Então, porque é que nos devemos concentrar no desenvolvimento da força de trabalho?</p>
<p>Ao longo dos últimos anos, aceitámos o desafio de sermos intervenientes vitais na resposta às ameaças mais graves para o nosso planeta durante a nossa vida: a pandemia de Covid-19 e a crise climática. Dito isto, a nossa indústria está a enfrentar a sua própria crise. Uma crise que prejudicará a nossa capacidade de enfrentar os desafios que aceitámos, os objetivos que estabelecemos e os compromissos que assumimos. Essa crise tem a ver com a nossa força de trabalho, ou, mais propriamente, com a falta de pessoas qualificadas como vocês, que têm a capacidade e o desejo de escolher uma carreira no setor de AVAC&amp;R.</p>
<p>A verdade é que precisamos de mais pessoas como VOCÊS. As vossas competências, a vossa paixão e o vosso empenho são o que fará avançar o nosso setor e garantirá a sua viabilidade nos próximos anos.</p>
<p>Pessoas capazes. Pessoas apaixonadas. Pessoas que querem fazer a diferença. É uma questão de sobrevivência e de sustentabilidade do nosso planeta para as gerações futuras. Se quisermos enfrentar este desafio, primeiro precisamos de compreender como resolver os nossos problemas de desenvolvimento da força de trabalho.</p>
<h4>O FUTURO DA INDÚSTRIA DE AVAC&amp;R</h4>
<p>Comecemos pelas boas notícias – e são mesmo boas notícias. Somos uma indústria em crescimento e a procura futura é excecional. A Agência Internacional de Energia prevê que o número de sistemas AVAC em todo o mundo aumente dos cerca de dois mil milhões atuais para mais de seis mil milhões em 2050. Muitos desses sistemas serão instalados em novos edifícios residenciais multifamiliares de grande escala e em empreendimentos de utilização mista, à medida que as pessoas começarem a trabalhar mais em casa e a uma curta distância das suas casas. Muitos edifícios ligar-se-ão a grandes centrais de aquecimento e arrefecimento urbano e a instalações de armazenamento de energia.</p>
<p>Além disso, o <em>Global Status Report</em> das Nações Unidas estima que cerca de 2,5 mil milhões de metros quadrados de edifícios existentes — a maioria com mais de 20 anos — terão de ser renovados. Os projetos de edifícios existentes requerem ainda mais pessoas envolvidas no trabalho do que a construção de novos edifícios. A renovação é um trabalho complicado. Temos de conceber e renovar estes edifícios para que sejam saudáveis, energeticamente eficientes e neutros em termos de carbono. Consequentemente, precisamos de uma força de trabalho alargada, mais diversificada e com competências nas tecnologias mais recentes. No entanto, a nossa força de trabalho global está a diminuir.</p>
<p>Por isso, temos de nos interrogar [sobre o seguinte]: Porque é que a nossa indústria em rápido crescimento, com a sua capacidade direta de abordar o papel que os edifícios desempenham na melhoria da saúde humana e na crise climática, não consegue atrair novos talentos?</p>
<p>Os engenheiros e cientistas da construção seniores trazem uma riqueza de conhecimentos e experiência para a nossa indústria, mas estamos a envelhecer, deixando de fazer parte da força de trabalho. Infelizmente, não há um número suficiente de jovens interessados em seguir esta carreira.</p>
<h4>TEMOS UM PROBLEMA DE PERCEÇÃO</h4>
<p>Em parte, a nossa mensagem sobre a nossa visão de um futuro sustentável em que os edifícios sejam energeticamente eficientes, saudáveis e neutros em termos de carbono e o nosso papel nesse trabalho precisam de ser clarificados! Todos nós queremos estar envolvidos numa carreira que nos apaixone e na qual possamos encontrar significado e propósito. Talvez se resuma a isto – precisamos de demonstrar ao mundo o que fazemos e o impacto que a nossa indústria está a produzir hoje e é capaz de produzir no futuro de modo a abordar a qualidade ambiental dos espaços interiores, o desenvolvimento sustentável e as alterações climáticas. Temos de destacar o nosso setor de uma forma que enalteça as ideias e inovações que surgem quando abraçamos e encorajamos uma maior diversidade, equidade e inclusão.</p>
<p>A boa notícia é que VOCÊS estão no sítio certo à hora certa. Juntos, podemos aumentar as fileiras de profissionais empenhados e apaixonados e moldar o futuro da nossa indústria e do nosso planeta. Estamos a fazer a diferença agora, e precisamos de espalhar a palavra – gritá-la aos quatro ventos do cimo dos telhados!</p>
<p>Portanto, voltemos a 1974. Nesse primeiro dia de trabalho, as minhas ferramentas eram um lápis de grafite, um par de triângulos de plástico, uma régua e um pedaço de papel. Com estas ferramentas simples, aprendi a descrever, em duas dimensões, a construção de grandes e complexas centrais de produção de energia. Estas ferramentas são utilizadas há mais de 600 anos, pelo menos desde o Renascimento. No entanto, tornaram-se obsoletas em menos de 50 anos.</p>
<p>No final dos anos 70, aprendi Desenho Assistido por Computador, que foi quase completamente substituído pelo BIM (<em>Building Information Modeling</em>). Os ciclos de obsolescência e inovação são cada vez mais curtos. Por este motivo, temos de continuar a melhorar as nossas competências e a fornecer novas ferramentas à nossa força de trabalho atual. As oportunidades de aprendizagem contínua devem estar disponíveis a todos nós ao longo das nossas carreiras. Atualmente, as rápidas mudanças tecnológicas e a inteligência artificial (IA) estão a transformar a indústria das ciências da construção e a apresentar inúmeras oportunidades de carreira. A automação avançada e os sistemas orientados para a IA oferecerão soluções de sistemas de construção mais inteligentes e eficientes em termos energéticos, melhorarão simultaneamente o conforto e a qualidade ambiental interior. Os profissionais de AVAC&amp;R e das ciências da construção podem utilizar as suas competências e tirar partido destas tecnologias de ponta, criando uma procura de conhecimentos especializados. A crescente ênfase na sustentabilidade, resiliência e eficiência de recursos na conceção e no funcionamento dos edifícios abre oportunidades de carreira centradas nas tecnologias de construção ecológica e na integração de energias renováveis. O nosso trabalho tem um impacto direto na melhoria da condição humana.</p>
<p>Numerosos estudos demonstram a ligação entre a qualidade do ambiente interior e a saúde e o bem-estar dos ocupantes dos edifícios. Novos percursos profissionais criam oportunidades para estimular avanços em matéria de sustentabilidade, resiliência, saúde e bem-estar, conforto humano e produtividade. Aqueles que compreendem estas práticas e se tornam competentes na sua implementação terão muitas oportunidades de carreira.</p>
<p>À medida que a tecnologia avança, pessoas de todas as idades estão a ficar mais habituadas a adaptarem-se a novas ferramentas e novos processos. Ao aproveitarem estrategicamente o poder da tecnologia, juntamente com o poder da criatividade humana, tanto os profissionais experientes como os novos talentos podem colaborar para impulsionarem o progresso em todo o nosso setor.</p>
<h4>ENTÃO, COMO PODEMOS ATRAIR MAIS TALENTOS PARA O NOSSO SETOR?</h4>
<p>A ASHRAE vai introduzir três iniciativas neste SY 2024-25 para ajudar a resolver a nossa crise da força de trabalho. Primeiro, para aumentarmos a nossa visibilidade, funcionários e voluntários estão a colaborar numa campanha de base para educar os outros sobre o papel e as contribuições da nossa indústria. Iremos promover o trabalho atual e as oportunidades futuras em AVAC&amp;R que terão impacto na qualidade ambiental interior, nas alterações climáticas e no desenvolvimento sustentável para toda a humanidade. Este trabalho, o nosso trabalho, terá um impacto ainda mais significativo à medida que a população mundial for crescendo de oito mil milhões hoje para 9,7 mil milhões em 2050.</p>
<p>Cada membro da ASHRAE pode ser um mensageiro e um embaixador! Uma forma através da qual vamos promover isto é ir partilhando novas ferramentas e novos recursos que cada um de vós poderá adaptar para incluir histórias pessoais, observações, paixões e motivações. Estes recursos serão adicionados à secção do presidente do <em>website</em> ashrae.org e disponibilizados às nossas secções e aos nossos membros até 1 de julho.</p>
<p>Estas ferramentas permitir-nos-ão defender as vantagens de escolher uma carreira neste setor. Até ao final destes doze meses, todos os membros serão capazes de articular os nossos “Porquês”. Porque é que esta é uma boa carreira? Porque é que as pessoas se devem interessar por este trabalho? Porque é que a nossa área é essencial para a sobrevivência, uma vez que se compromete a proteger o nosso globo? Tal como eu conto a minha história hoje, todos nós podemos contar as nossas histórias – as vossas histórias.</p>
<p>Em segundo lugar, estamos a criar Grupos de Recursos de Membros (MRGs). O que vos parece? Outro novo acrónimo! Os MRGs ajudam a resolver problemas e aumentam a interação entre conjuntos semelhantes de membros da ASHRAE. Os MRGs promovem um sentimento de pertença e permitem um trabalho em rede mais eficiente. Eles não são novos para a ASHRAE. Desenvolvemos com sucesso MRGs, tais como Jovens Engenheiros na ASHRAE, Mulheres na ASHRAE, Membros Estudantes e os nossos muitos comités técnicos. A representação dentro desses grupos traz diferentes perspetivas, experiências e ideias que, em última análise, fazem avançar a nossa indústria. Dois novos grupos estão a ser testados aqui em Indianápolis, o Jovens Profissionais com Família e o Clube de Novos Membros.</p>
<p>Em terceiro lugar, estamos a investir e a empenhar-nos no desenvolvimento profissional individual e coletivo. Vamos mudar a nossa forma de pensar sobre o valor do desenvolvimento das pessoas.</p>
<p>Os dados mostram que investir no desenvolvimento das pessoas aumenta a sua lealdade, a sua retenção e o seu impacto. Queremos que os trabalhadores estejam motivados, sejam altamente produtivos, inovadores e rentáveis enquanto permanecerem nas nossas empresas.</p>
<p>Lembram-se do meu primeiro emprego como desenhador? Fred Howard e o meu empregador começaram a investir e a empenhar-se no meu crescimento e desenvolvimento pessoal quase um ano e meio antes de eu terminar o liceu. Esta iniciativa tem como objetivo desenvolver novos programas e modernizar as nossas plataformas de ensino para fornecer materiais técnicos de integração e formação destinados a engenheiros mecânicos, empreiteiros, fabricantes, técnicos e cientistas da construção. Alimentados pela reputação de 130 anos da ASHRAE dentro do ambiente construído, vamos continuar a ser o recurso de ponta da indústria no que diz respeito a AVAC&amp;R e educação em ciências da construção de novos funcionários e no que concerne a manter e aumentar as competências de profissionais a meio da carreira e de profissionais mais seniores.</p>
<p>Antes deste SY 2024-25, tivemos a sorte de começar a trabalhar em alguns programas para apoiar o desenvolvimento da força de trabalho.</p>
<p>1. Começámos a construir relações com agências federais dos EUA, sociedades associadas e a Aliança Global das Nações Unidas para a Construção Civil a propósito deste tópico. Como resultado, vamos organizar uma cimeira da indústria em torno do tema da avaliação global das necessidades da força de trabalho, a qual estará ligada à nossa conferência sobre a descarbonização da construção em Nova Iorque.</p>
<p>2. Estamos a criar fundos de bolsas de estudo para permitir que os profissionais em exercício tirem partido das nossas oportunidades de desenvolvimento profissional.</p>
<p>3. Ao longo deste SY 2024-25, o Desafio da ASHRAE na Descarbonização e o Prémio Presidencial de Excelência, ao nível dos capítulos, vão focar-se em palestras técnicas proferidas por profissionais locais que enfatizam temas como requalificação <em>[upskilling]</em> e reconversão <em>[reskilling],</em> visando engenheiros juniores e engenheiros a meio de carreira.</p>
<p>4. As Conferências Regionais dos nossos Capítulos acolherão Mesas Redondas da Indústria centradas no envolvimento dos trabalhadores e na força de trabalho do futuro.</p>
<p>Há cem anos, o desenvolvimento da força de trabalho parecia simples. Havia menos indústrias, menos especialização e requisitos educativos diferentes. Olhando para o meu mundo, cresci no sul dos Estados Unidos e cidades inteiras foram construídas principalmente em torno de uma indústria, a do algodão. Pequenas vilas e cidades em todos os Estados Unidos desenvolveram-se em torno do mesmo modelo de mão de obra, concentrando-se em indústrias como a siderurgia, o fabrico de automóveis e máquinas, a exploração mineira e a agricultura.</p>
<p>Durante, pelo menos, três gerações antes de mim, os meus antepassados trabalharam em explorações agrícolas que cultivavam algodão ou em fábricas de algodão. Era uma vida de subsistência que o meu pai pretendia que eu seguisse. Mas Fred Howard mudou tudo isso. Ele despertou uma paixão que acabaria por me levar a tornar-me engenheiro e líder empresarial. Recrutou-me para a indústria através de uma abordagem de contratação baseada nas <em>competências em primeiro lugar</em>.</p>
<p>Através do Fred e de outros empregadores, tirei partido da formação interna, dos cursos da ASHRAE, da orientação específica para o trabalho e de programas generosos de reembolso de propinas. Acabei por obter a minha licenciatura em Física no College of Charleston, tornei-me engenheiro diplomado, criei uma prática bem-sucedida de consultoria em engenharia, trabalhei para introduzir a tecnologia BIM na nossa indústria, ajudei a melhorar a qualidade do ar interior nas escolas do ensino básico e secundário e colaborei com os meus colegas da ASHRAE na produção de normas e na tomada de medidas em questões globais. Tudo porque Fred Howard estava a pensar fora da caixa para o seu tempo.</p>
<p>Para que possamos desenvolver e moldar a força de trabalho em AVAC&amp;R e nas ciências da construção dos próximos 50-100 anos, teremos de pensar fora da caixa de forma a satisfazer as necessidades da nossa indústria, as necessidades da nossa futura força de trabalho e as necessidades do nosso mundo em geral. Temos de analisar mais de perto o acesso à educação e à formação e alargar o nosso conceito de quem poderá ser um potencial candidato à mão de obra. Precisamos de pessoas de todas as disciplinas de ciências físicas, ciências da vida e ciências empresariais, bem como das profissões técnicas na indústria de AVAC&amp;R e na ASHRAE.</p>
<p>Querem ter impacto e influência? Querem fazer a diferença? Eu preciso da vossa ajuda, a nossa indústria precisa da vossa ajuda, e a ASHRAE precisa da vossa ajuda! Vocês são a solução!</p>
<p>Temos de levar esta mensagem para as ruas – todos os dias. Temos de nos preparar para participarmos em conversas e partilharmos as nossas histórias sobre como a indústria AVAC&amp;R cria ativamente um mundo sustentável para todos.</p>
<p>No seu livro <em>Fierce Conversations</em>, Susan Scott escreve o seguinte: “As nossas vidas têm sucesso ou fracassam, gradualmente e então subitamente, uma conversa de cada vez. E embora não seja garantido que uma única conversa possa mudar uma vida, um casamento, [uma indústria, o mundo], ela pode fazê-lo. A conversa É a relação.”</p>
<p>Vamos começar essas conversas. Vamos construir essas relações. Vamos contar as nossas histórias. Por favor, partilhem-nas com estudantes, colegas, funcionários, potenciais membros da ASHRAE, até mesmo familiares e amigos. Digam-lhes porque é que esta indústria é um lugar que tem modelos a seguir, mentores e colaboradores com os quais querem trabalhar e aos quais aspiram ser semelhantes.</p>
<p>Aceitámos o desafio! Vamos orgulhar-nos das nossas conquistas, contar as nossas histórias e fazer crescer a nossa força de trabalho! Obrigado!</p>
<h4>AGORA, O MEU – E NOSSO – APELO</h4>
<p>Reconhecemos que a sustentabilidade não é mais uma palavra da moda. É, hoje, uma necessidade premente que beneficia todos, pois não só atua nas três dimensões essenciais para a construção de um futuro mais sustentável – ambiental, social e económica – como visa equilibrá-las.</p>
<p>A todos… Todos! É sempre hora de conversar e agir!</p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>As conclusões expressas são da responsabilidade do autor.</em></strong></p>
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		<title>A Europa em busca da perfeição e da felicidade</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/a-europa-em-busca-da-perfeicao-e-da-felicidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Serafín Graña]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Oct 2024 08:00:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[descarbonização]]></category>
		<category><![CDATA[epbd]]></category>
		<category><![CDATA[gases com efeito de estufa]]></category>
		<category><![CDATA[GEE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A consciência das limitações e as preocupações à medida que os objetivos e requisitos aumentam merecem, certamente, uma atenção redobrada. Dada a complexidade e diversidade das propostas em apreço, muito trabalho será necessário fazer e muita tinta correrá até à transposição final desta EPBD para o quadro legislativo nacional. Não se trata de pessimismo, mas, sim, de realismo!</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">Artigo publicado originalmente na edição de <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=153" target="_blank" rel="noopener"><span class="s2">Maio/Junho de 2024</span></a> da Edifícios e Energia.</span></strong></em></p>
<p>Em 8 de maio de 2024, foi publicada no Jornal Oficial da União Europeia a Diretiva (UE) 2024/1275 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 24 de abril de 2024, relativa ao desempenho energético dos edifícios (reformulação).</p>
<p>Da leitura do supracitado documento, observa-se a continuação de uma visão holística do pensamento dominante no seio da região europeia – ambição sem limites –, manifestada desde a primeira versão da diretiva, publicada em 2002 (Diretiva 2002/91/EC), e nas subsequentes reformulações, onde tudo parecia fácil de implementar.</p>
<p>A consciência das limitações e as preocupações à medida que os objetivos e requisitos aumentam merecem, certamente, uma atenção redobrada. Dada a complexidade e diversidade das propostas em apreço, muito trabalho será necessário fazer e muita tinta correrá até à transposição final desta diretiva para o quadro legislativo nacional. Não se trata de pessimismo, mas, sim, de realismo!</p>
<h4>OS DESÍGNIOS DA NOVA EPBD (REFORMULAÇÃO)</h4>
<p>Esta publicação constitui um marco muito significativo e representa um passo crucial para alcançar os objetivos de neutralidade climática da União Europeia, impulsionando simultaneamente a competitividade e a segurança em termos energéticos em toda a região. A aplicação da presente diretiva exigirá a colaboração e o empenho de todos, a fim de maximizar os seus benefícios e cumprir objetivos comuns.</p>
<p>Entretanto, dada a sua atualidade e importância, transcrevem-se algumas das mais relevantes propostas, bem como conceitos e requisitos, incluídas nesta nova diretiva e que, sucintamente, se agrupam nos temas principais que serão desenvolvidos neste texto.</p>
<h4>DESCARBONIZAÇÃO DOS EDIFÍCIOS</h4>
<p>O objetivo ambicioso da diretiva de alcançar a neutralidade carbónica no setor da construção centra-se nos requisitos aplicáveis aos edifícios com emissões nulas (ZEB), que afetarão os novos edifícios a partir de 2030 (e, dois anos mais cedo, os novos edifícios públicos). Além disso, até 2050 todos os edifícios serão ZEB. [A diretiva] Destaca a necessidade de eliminar progressivamente os combustíveis fósseis nos edifícios existentes até 2040.</p>
<h4>AUMENTO DAS REABILITAÇÕES</h4>
<p>A diretiva não só não esquece como, ao mesmo tempo, procura promover o aumento das reabilitações dos edifícios existentes através de renovações profundas, em que, além do setor privado, o setor público terá um papel crucial.</p>
<p>Além disso, estabelece a obrigação de renovar os edifícios não residenciais e de incentivar as renovações nos edifícios residenciais. As renovações devem visar o cumprimento dos requisitos dos edifícios com emissões nulas, de acordo com o princípio da “eficiência energética em primeiro lugar”: melhorar a qualidade da envolvente do edifício, renovar as instalações com sistemas mais eficientes, inteligentes e mais bem geridos e com a implementação de energias renováveis.</p>
<h4>CONCEITO DE RENOVAÇÃO PROFUNDA</h4>
<p>A fim de alcançar uma visão a longo prazo para os edifícios, uma renovação profunda é definida como uma renovação que transforma edifícios em edifícios com emissões nulas, mas, numa primeira fase, como uma renovação que transforma edifícios em edifícios com necessidades quase nulas de energia. O conceito de renovação profunda é, pois, uma intervenção de renovação em consonância com o princípio da prioridade à eficiência energética, que se centra nos elementos de construção essenciais, e que transforma um edifício ou uma fração autónoma:</p>
<p>a) Até 1 de janeiro de 2030, num edifício com necessidades quase nulas de energia;</p>
<p>b) A partir de 1 de janeiro de 2030, num edifício com emissões nulas.</p>
<p>Esta definição tem por finalidade aumentar o desempenho energético dos edifícios. As renovações profundas centradas no desempenho energético podem também ser uma excelente oportunidade para tratar outros aspetos, como a qualidade do ambiente interior, as condições de vida dos agregados familiares vulneráveis, a necessidade de resiliência às alterações climáticas, a resiliência contra os riscos de catástrofes, incluindo a atividade sísmica, a segurança contra incêndios, a remoção de substâncias perigosas, incluindo o amianto, e a acessibilidade para as pessoas com deficiência.</p>
<p>A renovação profunda por etapas pode ser uma solução para os elevados custos iniciais e para os eventuais impactos nos habitantes decorrentes de renovações realizadas de uma só vez e pode permitir a adoção de medidas de renovação menos perturbadoras e mais viáveis financeiramente. No entanto, tal renovação profunda por etapas tem de ser cuidadosamente planeada, a fim de evitar que uma etapa de renovação impeça que se avance para etapas subsequentes necessárias. As renovações profundas realizadas de uma só vez podem ser mais eficazes em termos de custos e resultar em menos emissões associadas à renovação do que as renovações por etapas.</p>
<p>Os passaportes de renovação providenciam um roteiro claro para renovações profundas por etapas, ajudando proprietários e investidores a fixarem o melhor calendário e o melhor âmbito das intervenções. Por conseguinte, os passaportes de renovação deverão ser incentivados e disponibilizados como um instrumento voluntário aos proprietários de edifícios em todos os Estados-Membros. Os Estados-Membros deverão assegurar que os passaportes de renovação não criam encargos desproporcionados.</p>
<p>A fim de promoverem as renovações profundas, que são um dos objetivos da estratégia Vaga de Renovação, os Estados-Membros deverão prestar um maior apoio financeiro e administrativo às mesmas.</p>
<h4>NOVOS INDICADORES</h4>
<p>Destacam-se as seguintes mudanças: alteração dos certificados de desempenho energético e estabelecimento de novos limiares de eficiência; utilização do potencial de aquecimento global (PAG) para avaliar e comparar o impacto climático de diferentes tecnologias e estratégias na construção de edifícios; [inclusão de] indicadores de qualidade do ar interior em certificados de desempenho energético. Por fim, estabelece-se como ato voluntário determinar o Índice de Desempenho Inteligente, que é utilizado como indicador de aptidão para tecnologias inteligentes na eficiência e melhoria da qualidade do ambiente interior.</p>
<blockquote><p>&#8220;A renovação profunda por etapas pode ser uma solução para os elevados custos iniciais e para os eventuais impactos nos habitantes decorrentes de renovações realizadas de uma só vez e pode permitir a adoção de medidas de renovação menos perturbadoras e mais viáveis financeiramente.&#8221;</p></blockquote>
<h4>MODERNIZAÇÃO DE EDIFÍCIOS</h4>
<p>As adaptações de edifícios incluem a adição de sistemas avançados de automação e controle para otimizar o uso de energia e melhorar o conforto dos ocupantes. Além disso, há um compromisso com a medição em tempo real e o registo de dados sobre o consumo de energia, a temperatura, a humidade relativa e os níveis de CO2. O objetivo é melhorar a qualidade do ar interior e a resiliência dos edifícios às alterações climáticas (a tónica é colocada na luta contra o sobreaquecimento dos edifícios). Ademais, são estabelecidos requisitos para carregadores de veículos elétricos e estacionamento de bicicletas, a fim de promover a mobilidade sustentável.</p>
<h4>INDICADOR DE APTIDÃO PARA TECNOLOGIAS INTELIGENTES</h4>
<p>O indicador de aptidão para tecnologias inteligentes deverá ser utilizado para aferir a capacidade de cada edifício em termos de uso de tecnologias de informação e comunicação e sistemas eletrónicos, com vista a adaptar o funcionamento do edifício às necessidades dos ocupantes e à rede, bem como para melhorar a sua eficiência energética e o seu desempenho global. O indicador de aptidão para tecnologias inteligentes deverá sensibilizar os proprietários e os ocupantes de edifícios para o valor inerente à automatização dos edifícios e à monitorização eletrónica dos sistemas técnicos dos edifícios e deverá dar maior confiança aos ocupantes quanto às poupanças efetivas destas novas funcionalidades avançadas. O indicador de aptidão para tecnologias inteligentes é particularmente proveitoso para edifícios de grandes dimensões, com necessidades de energia elevadas. Quanto aos demais edifícios, a aplicação do regime para classificar a aptidão dos edifícios para tecnologias inteligentes deverá ser facultativa para os Estados-Membros.</p>
<p>Um gémeo digital do edifício é uma simulação interativa e dinâmica que reflete o estado e o comportamento em tempo real de um edifício físico. Ao incorporar dados em tempo real provenientes de sensores, contadores inteligentes e outras fontes, um gémeo digital do edifício proporciona uma visão holística do desempenho do edifício, incluindo o consumo de energia, a temperatura, a humidade, os níveis de ocupação, entre outros parâmetros, e pode ser utilizado para monitorizar e gerir o consumo de energia do edifício. Sempre que esteja disponível, um gémeo digital do edifício deverá ser tido em conta, em especial no que diz respeito ao indicador de aptidão para tecnologias inteligentes.</p>
<h4>A IMPORTÂNCIA DOS VEÍCULOS ELÉTRICOS</h4>
<p>Os veículos elétricos deverão desempenhar um papel central na descarbonização e na eficiência do sistema elétrico, nomeadamente graças à prestação de serviços de flexibilidade, balanceamento e armazenamento, em especial por via da agregação. É necessário explorar plenamente este potencial dos veículos elétricos de se integrarem no sistema elétrico e contribuírem para a eficiência deste e para uma maior absorção da eletricidade produzida a partir de fontes renováveis. O carregamento em edifícios é um aspeto particularmente importante, uma vez que é aí que os veículos elétricos são estacionados regularmente e durante longos períodos de tempo. O carregamento lento é económico e a instalação de pontos de carregamento em espaços privados pode fornecer armazenamento de energia ao edifício em causa, bem como a integração de serviços de carregamento inteligente e bidirecional e de serviços de integração de sistemas em geral.</p>
<p>Em combinação com um aumento da quota da produção de eletricidade a partir de fontes renováveis de energia, os veículos elétricos produzem menos emissões de gases com efeito de estufa. Os veículos elétricos constituem uma importante componente do processo de transição para uma energia limpa assente em medidas de eficiência energética, combustíveis alternativos, energia renovável e soluções inovadoras de gestão da flexibilidade energética. As normas de construção podem ser utilizadas eficazmente para introduzir requisitos específicos que apoiem a implantação de infraestruturas de carregamento nos parques de estacionamento de edifícios residenciais e não residenciais. Os Estados-Membros deverão ter por objetivo remover os entraves, como os incentivos contraditórios, e os encargos administrativos com que os proprietários se deparam quando tentam instalar pontos de carregamento nos seus espaços de estacionamento.</p>
<p>A instalação de pré-cablagem e de condutas facilita a rápida implantação de pontos de carregamento se e quando tal for necessário. A disponibilização atempada de infraestruturas diminuirá os custos de instalação de pontos de carregamento a suportar pelos proprietários e garantirá que os utilizadores de veículos elétricos tenham acesso a pontos de carregamento. O estabelecimento, a nível da União, de requisitos de eletromobilidade relativos ao pré-equipamento dos espaços de estacionamento e à instalação de pontos de carregamento é uma forma eficaz de promover os veículos elétricos no futuro próximo e permitir, ao mesmo tempo, novos desenvolvimentos a custos reduzidos neste domínio, a médio e a longo prazo. Sempre que tal seja tecnicamente viável, os Estados-Membros deverão assegurar o acesso das pessoas com deficiência a pontos de carregamento.</p>
<h4>TECNOLOGIAS DE CARREGAMENTO INTELIGENTE E DE CARREGAMENTO BIDIRECIONAL</h4>
<p>As tecnologias de carregamento inteligente e de carregamento bidirecional permitem integrar os edifícios no sistema energético. Os pontos de carregamento situados nos locais em que os veículos elétricos permanecem habitualmente estacionados durante longos períodos, por as pessoas aí residirem ou trabalharem, são extremamente relevantes para a integração do sistema energético, pelo que é necessário assegurar funcionalidades de carregamento inteligentes. Nas situações em que o carregamento bidirecional possa contribuir para uma maior utilização de eletricidade produzida a partir de fontes renováveis, por frotas de veículos elétricos no setor dos transportes e no sistema elétrico em geral, essa funcionalidade deverá também ser disponibilizada.</p>
<p>A promoção da mobilidade ecológica é um elemento fundamental do Pacto Ecológico Europeu e os edifícios podem desempenhar um papel importante na disponibilização das infraestruturas necessárias, não só para o carregamento de veículos elétricos, mas também para as bicicletas. A transição para soluções de mobilidade ativa, como os velocípedes, pode reduzir significativamente as emissões de gases com efeito de estufa provenientes dos transportes. Tendo em conta o aumento da venda de bicicletas elétricas e de outros tipos de veículos da categoria L referidos no artigo 4.º do Regulamento (UE) n.º 168/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho, e a fim de facilitar a instalação de pontos de carregamento numa fase posterior, deverá ser exigida a instalação de pré-cablagem e de condutas para esses veículos nos edifícios residenciais novos e, sempre que tecnicamente exequível e economicamente viável, em edifícios residenciais sujeitos a grandes renovações.</p>
<p>Tal como referido na Comunicação da Comissão de 17 de setembro de 2020, intitulada Reforçar a ambição climática da Europa para 2030: Investir num futuro climaticamente neutro para benefício das pessoas (o Plano para atingir a Meta Climática), o aumento das quotas de modos de transporte públicos e privados não poluentes e eficientes, como a bicicleta, reduzirá drasticamente a poluição causada pelo setor dos transportes e trará grandes benefícios aos cidadãos e as comunidades. A falta de lugares de estacionamento para bicicletas constitui um grande entrave à utilização deste modo de transporte, tanto em edifícios residenciais como não residenciais.</p>
<p>Os requisitos da União e às normas de construção a nível nacional podem apoiar eficazmente a transição para uma mobilidade mais limpa, obrigando à disponibilização de um número mínimo de lugares de estacionamento para bicicletas, e a construção de lugares de estacionamento para bicicletas e infraestruturas conexas em zonas onde as bicicletas sejam menos utilizadas pode resultar num aumento da sua utilização. A obrigatoriedade da disponibilização de lugares de estacionamento para bicicletas não deverá depender da disponibilidade e da oferta de lugares de estacionamento para automóveis (que podem, em determinadas circunstâncias, estar indisponíveis), nem a isto estar necessariamente ligada. Os Estados-Membros deverão permitir um aumento do estacionamento para bicicletas em edifícios residenciais onde não existam lugares de estacionamento para automóveis através da instalação de, pelo menos, dois lugares de estacionamento para bicicletas por cada fração autónoma residencial.</p>
<blockquote><p>O indicador de aptidão para tecnologias inteligentes deverá ser utilizado para aferir a capacidade de cada edifício em termos de uso de tecnologias de informação e comunicação e sistemas eletrónicos, com vista a adaptar o funcionamento do edifício às necessidades dos ocupantes e à rede, bem como para melhorar a sua eficiência energética e o seu desempenho global.&#8221;</p></blockquote>
<h4>DIGITALIZAÇÃO</h4>
<p>As prioridades do mercado único digital e da União da Energia deverão ser consonantes e servir objetivos comuns. A digitalização do sistema energético está a alterar rapidamente o panorama energético, desde a integração das energias renováveis até às redes inteligentes e aos edifícios aptos a receberem tecnologias inteligentes. A fim de digitalizar o setor da construção, as metas da União em matéria de conectividade e as suas ambições para a implantação de redes de comunicações de elevada capacidade são importantes para as casas inteligentes e para as comunidades com boas ligações entre si. É necessário criar incentivos adaptados que promovam sistemas aptos a receberem tecnologias inteligentes e soluções digitais nas áreas construídas. Tal criará novas oportunidades para poupanças de energia, ao permitir que os consumidores acedam a informações mais exatas sobre os seus padrões de consumo e que os operadores dos sistemas giram a rede de uma forma mais eficaz. Os Estados-Membros deverão incentivar a utilização de tecnologias digitais para a análise, a simulação e a gestão dos edifícios, inclusive no âmbito de renovações profundas.</p>
<h4>FINANCIAMENTO DE REABILITAÇÕES</h4>
<p>São necessários muitos recursos para atingir os objetivos fixados. De facto, é necessário elaborar um plano nacional para a renovação dos edifícios, especificando as fontes e as medidas de financiamento necessárias. A tónica é colocada na facilitação do processamento das ajudas públicas e na aplicação de um sistema de &#8220;balcão único&#8221;. Além disso, o setor privado deve ser utilizado para financiar medidas de poupança através de regimes de repartição. A implantação tecnológica apoiada por esta lei é uma oportunidade para descarbonizar e digitalizar edifícios terciários e casas em toda a União.</p>
<h4>FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS QUALIFICADOS</h4>
<p>Os instaladores e os construtores são essenciais para a correta aplicação da presente diretiva. Nessa medida, um número adequado de instaladores e de construtores deverá possuir, através de formação e de outras medidas, as qualificações adequadas para a instalação e integração das tecnologias necessárias eficientes em termos energéticos e que utilizem energias renováveis.</p>
<h4>TRANSPOSIÇÃO DA DIRETIVA PELOS ESTADOS-MEMBROS</h4>
<p>O próximo desafio é a transposição da diretiva pelos Estados-Membros em dois anos, o que implica a criação de um quadro político estável e de sistemas de financiamento adequados que proporcionem visibilidade a longo prazo e, assim, estimulem os investimentos no setor.</p>
<p>Será que é possível o cumprimento de todos estes bem-aventurados objetivos, que deverão satisfazer todos os requisitos, nomeadamente prazos e todas as demais condições, técnicas, económicas e financeiras?</p>
<p>Em jeito de recordatória anotamos quais as ações que importa ter como alvo de reflexão e concretizar:</p>
<p>• Desafio de transpor os requisitos da Diretiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios<br />
&#8211; Definição ZEB: indicadores de procura e energia primária total;<br />
&#8211; Metodologia harmonizada: definição de fronteira, autoconsumo, tempo de cálculo;<br />
&#8211; Análise do potencial de aquecimento global durante o ciclo de vida;<br />
&#8211; Novo modelo de Certificado de Desempenho Energético. Renovação do passaporte;<br />
&#8211; Contribuição solar.</p>
<p>• Situação do setor face ao desafio da descarbonização<br />
&#8211; Eliminação dos combustíveis fósseis até 2040;<br />
&#8211; Substituição de caldeiras a combustíveis fósseis;<br />
&#8211; Bombas de calor: evolução da tecnologia. Impacto dos gases fluorados;<br />
&#8211; Outras tecnologias: redes urbanas, biomassa, biogás, hidrogénio, etc.</p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>As conclusões expressas são da responsabilidade do autor.</em></strong></p>
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