Países da União Europeia restringem subsídios às bombas de calor

bombas calor

Nos últimos dois anos, os subsídios às bombas de calor na Europa sofreram alterações significativas. Apesar da urgência em acelerar a transição energética, vários Estados-Membros optaram por reduzir, redireccionar ou suspender os apoios públicos destinados à adopção desta tecnologia de aquecimento renovável. 

Uma actualização da análise dos subsídios nacionais realizada pela Associação Europeia de Bombas de Calor (EHPA) em 22 países europeus revela uma tendência clara: muitos países escolheram restringir os incentivos à adopção de bombas de calor. Regiões como a Valónia, Itália e Suíça reduziram os montantes oferecidos e, noutros casos, os programas de apoio acabaram por completo. 

Ao mesmo tempo, uma abordagem de auxílios direccionados ganha força. França e Alemanha, por exemplo, têm ajustado os seus esquemas para dar prioridade às famílias de baixos rendimentos. Nalguns países, como a Polónia, a elegibilidade passou a depender do desempenho energético das habitações ou da utilização de equipamentos certificados.  

Além das reduções orçamentais, a EHPA explica que as alterações administrativas também são comuns. Vários programas foram temporariamente suspensos, adiados ou reestruturados — como aconteceu em Bruxelas, na Polónia ou em França —, reflectindo ” transições políticas e restrições fiscais”.  

Para a associação, estas decisões são contraproducentes: “[Estas medidas] impedem os cidadãos de investir num sector que fabrica principalmente na Europa, produzindo tecnologia limpa que impulsiona a independência energética da Europa e o seu caminho para a descarbonização”, alerta Milagros Garcia, responsável pelas políticas da EHPA. 

A necessidade de coordenação europeia 

Para a EHPA, o caminho a seguir exige coordenação. A associação defende a criação de um quadro comum de subsídios, baseado nas melhores práticas já identificadas em vários países e inspirado no modelo de harmonização utilizado nos leilões de energia eólica. “Para garantir a implementação bem-sucedida das bombas de calor, é crucial proporcionar estabilidade e clareza a longo prazo nos programas de apoio. Políticas bem comunicadas e previsíveis permitem aos fabricantes, investidores e famílias planear com confiança, incentivando o investimento sustentado e a adopção desta tecnologia”, defende a associação. 

Para além disso, a EHPA considera que promover as bombas de calor também reforça a segurança energética europeia, fazendo com que os Estados-Membros reduzam a dependência de importações de combustíveis fósseis e reforcem a resiliência do sistema energético perante a volatilidade dos mercados internacionais. 

Fotografia de destaque: © Shutterstock

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