As ondas de calor registadas este ano estão a tornar-se “o novo normal” com um calor extremo que dura mais tempo, atinge com mais intensidade e ocorre com maior frequência. A pensar nesta realidade, a União Europeia lançou um novo projecto — o IMPACT-F (Plataforma Integrada de Mitigação para Avaliação de Metas Climáticas para Gases Fluorados) — com o objectivo de ajudar os decisores políticos a compreender melhor o que está realmente em jogo quando se fala sobre refrigeração.
Segundo a informação divulgada sobre o projecto, o arrefecimento “já não é apenas uma questão de conforto”, tornou-se essencial para a saúde e para o quotidiano das populações em várias regiões, à medida que as temperaturas continuam a subir. O problema é que as tecnologias usadas para arrefecer espaços (ar condicionado, refrigeração e bombas de calor) recorrem frequentemente a gases fluorados (gases F), que são, também eles, gases com efeito de estufa.
É neste contexto que se insere o papel da Associação Europeia de Bombas de Calor (EHPA), uma das organizações envolvidas no projeto. O sector europeu das bombas de calor está actualmente em transição para fluidos frigorigénios alternativos, com menor potencial de aquecimento global, alinhados com o Regulamento dos Gases F revisto da União Europeia e com as metas climáticas europeias.
Lançado em Junho, e coordenado pela London South Bank University, o IMPACT-F reúne 14 parceiros da Europa, África, Ásia e América do Sul, entre institutos de investigação, universidades, grupos industriais e organizações internacionais como a própria EHPA, o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) e o Instituto Internacional de Refrigeração (IIR).
A ideia central do projecto é “fornecer aos decisores políticos melhores ferramentas para compreender o que realmente está a acontecer”. Para isso, o consórcio está a desenvolver uma plataforma global de modelação que ajudará os países a testar diferentes opções políticas relacionadas com gases fluorados, e a perceber o que essas opções significam na prática, tanto em termos de emissões como de procura energética. O projecto reconhece que muitos países “simplesmente não possuem os dados ou a capacidade de modelação” para fazer esta análise de forma integrada.
Uma vez operacional, a plataforma vai permitir comparar cenários, analisar a procura de refrigeração em diferentes regiões e perceber os equilíbrios entre alargar o acesso à refrigeração e, simultaneamente, reduzir emissões.
O projecto está directamente ligado a compromissos internacionais já existentes, como a Emenda de Kigali, o Acordo de Paris e o Compromisso Global de Refrigeração, assinado por 72 países, que visa reduzir as emissões associadas à refrigeração em 68% até 2050. O desafio, segundo o IMPACT-F, é agora “transformar estes compromissos de alto nível em decisões práticas no terreno”.
Além do trabalho técnico de modelação, o projecto vai dedicar-se também à formação e capacitação de decisores políticos e outras partes interessadas, para garantir que as ferramentas desenvolvidas são efectivamente utilizadas nas tomadas de decisão. Após uma reunião inicial em Londres, onde os parceiros definiram prioridades e os próximos passos, o IMPACT-F entra agora numa fase de implementação que deverá prolongar-se pelos próximos 36 meses.
Para a EHPA e restantes parceiros do sector, as bombas de calor representam hoje uma vantagem climática líquida, mesmo quando usadas para arrefecimento, na medida em que substituem também sistemas de aquecimento a combustíveis fósseis. Com o sector a afastar-se progressivamente de refrigerantes com elevado potencial de aquecimento global, em linha com as metas da UE, o IMPACT-F posiciona-se como uma ferramenta para apoiar essa transição a nível mundial, através de dados e modelação mais sólidos.
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