A Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA) divulgou a segunda versão do seu relatório, Energia Renovável: Uma Perspectiva de Género, que mostra uma persistente sub-representação das mulheres no sector.
Em comparação com o primeiro relatório, publicado em 2019, a IRENA afirma que “não foram alcançados progressos significativos” na representação feminina, com apenas 32% dos empregos a tempo inteiro no sector das energias renováveis a serem ocupados por mulheres.
De acordo com o relatório, as mulheres representam apenas 19% em cargos de liderança sénior, em comparação com 45% em cargos administrativos. Além disso, apenas 22% das mulheres trabalham em profissões como electricistas ou operadoras de máquinas, que geralmente exigem formação profissional ou estágios.
O director-geral da IRENA, Francesco La Camera, afirmou que, “infelizmente, apesar do desempenho superior ao das indústrias de combustíveis fósseis, poucos progressos foram feitos. O sector ainda tem muito trabalho a fazer. Para concretizar todo o potencial da transição energética, as mulheres devem ser reconhecidas como parceiras e líderes iguais na construção do futuro baseado nas energias renováveis.”
O relatório foi elaborado para sensibilizar para a falta de igualdade de género e de diversas perspectivas, bem como para o impacto que esta poderia ter numa transição energética justa e sustentável.
Solicita ainda que sejam abordadas as barreiras sistémicas que dificultam o equilíbrio de género, destacando especificamente o preconceito persistente, os estereótipos culturais, os desafios para equilibrar as responsabilidades profissionais e de cuidado e a discriminação.
O estudo destaca que as empresas privadas, que dominam o sector das energias renováveis, reportam os níveis mais baixos de participação feminina, com 25%. Em comparação, as organizações não governamentais apresentam quase 48% de representação feminina, enquanto as instituições governamentais e não comerciais reportam 37%.
Derrubar as barreiras
O relatório da IRENA faz várias recomendações para abordar estas barreiras, como o acesso à educação, as políticas de igualdade salarial e a aplicação de leis anti-discriminação por parte dos governos.
A IRENA apela a todos os empregadores, tanto no sector público como no privado, para que implementem estratégias que proporcionem igualdade de oportunidades. Estas estratégias podem incluir acordos de trabalho flexíveis, práticas de recrutamento e promoção transparentes, oportunidades de mentoria e locais de trabalho seguros e respeitadores.
Francesco La Camera acrescentou: “Ao integrar a inclusão em todos os programas, políticas e etapas do planeamento, implantação e investimento energético, podemos desbloquear a inovação, expandir as oportunidades de mercado e construir sistemas energéticos que sirvam populações inteiras de forma mais eficaz.”
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