Os leilões de energia solar e os contratos de aquisição de energia a longo prazo celebrados por empresas foram determinantes para proteger cidadãos e o tecido empresarial europeu na sequência da crise energética de 2022. A conclusão é de um novo relatório da SolarPower Europe, que analisa a evolução recente destes instrumentos no mercado europeu.
De acordo com o documento, estes mecanismos permitiram instalar 92 gigawatts (GW) de capacidade solar na União Europeia entre 2022 e 2025, um volume suficiente para suprir o consumo de cerca de 28 milhões de famílias. O relatório sublinha que o contributo conjunto dos leilões e dos chamados PPAs empresariais foi decisivo para estabilizar preços e reduzir a exposição à volatilidade dos combustíveis fósseis.
A análise revela, contudo, um percurso irregular. Durante o pico da crise energética, em 2022 e 2023, os leilões perderam dinamismo, penalizados pelo aumento dos custos dos equipamentos e por modelos considerados pouco flexíveis. Ainda assim, reformas introduzidas posteriormente permitiram uma recuperação significativa, com 2025 a registar um máximo histórico de 25,2 GW adjudicados.
Ainda que se verifique esta retoma, persistem fragilidades. Quase metade das rondas de leilões realizadas na União Europeia nos últimos cinco anos ficaram aquém da procura esperada, evidenciando problemas de conceção e oportunidades perdidas na expansão da energia solar.
Já no segmento dos contratos empresariais de longo prazo, o comportamento tem sido distinto. Após um forte crescimento em 2023 e 2024, impulsionado pela procura de estabilidade nos preços da energia, verificou-se um abrandamento em 2025. Factores como o congestionamento das redes, restrições na produção e expectativas de descida dos preços contribuíram para travar novos acordos, sobretudo em mercados mais maduros.
Ainda assim, países como Espanha, Itália ou Polónia continuam a registar uma dinâmica positiva, em parte devido à forte dependência do gás e aos elevados preços grossistas da electricidade.
O relatório defende que estes instrumentos permanecem essenciais para a segurança energética europeia e para a competitividade económica, apelando a melhorias nos quadros regulamentares e à integração de soluções como o armazenamento de energia.
Dries Acke, vice-presidente executivo da associação, destaca a importância de reforçar estas ferramentas: “Os líderes da UE procuram formas eficazes de reforçar a competitividade dos preços da energia e proteger a Europa de mais uma crise dos preços dos combustíveis fósseis. Já dispõem de soluções comprovadas sob a forma de PPA empresariais e leilões que adjudicam contratos por diferença”.
O responsável sublinha ainda a necessidade de acelerar a electrificação e optimizar os mecanismos existentes: “É agora mais crucial do que nunca que a Europa impulsione a electrificação industrial e o acesso aos CAE, garantindo simultaneamente que os leilões sejam bem concebidos para evitar oportunidades perdidas e sub-subscrição”.
Também Simon Dupond, conselheiro sénior de políticas da organização, insiste na urgência de ajustes estruturais: “Para garantir que os leilões possam continuar a desempenhar o seu papel crescente na promoção da implantação da energia solar, os decisores políticos da UE devem dar prioridade à melhoria dos quadros regulamentares dos leilões”.
Entre as principais recomendações do relatório estão a criação de condições equitativas entre diferentes formas de acesso ao mercado, o desenho de leilões mais adaptados às especificidades tecnológicas e a integração do armazenamento de energia nos mecanismos de contratação.
Num contexto de nova volatilidade nos preços energéticos, a SolarPower Europe alerta que a continuidade e confiança nestes instrumentos serão decisivas para garantir uma transição energética estável e acessível na Europa.
Fotografia de destaque: © Akuo/SolarPower Europe





