A Solar Heat Europe, associação europeia do sector solar térmico, manifestou preocupação com a revisão em curso das regras de rotulagem energética para aquecedores de ambiente e equipamentos combinados, alertando para o risco de estas tecnologias renováveis perderem destaque no novo enquadramento.
A organização, que tem acompanhado de perto o processo conduzido pela Comissão Europeia, afirma apoiar o objectivo de tornar os rótulos energéticos mais claros, comparáveis e compreensíveis para os consumidores. No entanto, considera que a proposta actualmente em discussão poderá ter efeitos indesejados para o sector.
Em causa está a eliminação da chamada “etiqueta de pacote” fornecida pelo instalador, um mecanismo que, até agora, permitia evidenciar o contributo dos sistemas solares térmicos no desempenho energético global dos sistemas de aquecimento. Segundo a Solar Heat Europe, esta alteração poderá reduzir significativamente a visibilidade destas soluções na nova rotulagem.
“A energia solar térmica é uma tecnologia renovável madura, amplamente fabricada na União Europeia, que oferece elevada eficiência, poupanças previsíveis e um forte potencial de descarbonização”, sublinha a associação. A sua exclusão ou menor destaque nos rótulos poderá, assim, penalizar uma opção considerada estratégica para a transição energética.
Para mitigar este risco, o sector apresentou um conjunto de propostas consideradas compatíveis com o quadro regulatório europeu. Entre as principais medidas sugeridas está a criação de uma etiqueta específica para colectores solares térmicos aplicados ao aquecimento ambiente, permitindo uma identificação mais directa por parte dos consumidores.
Outra das recomendações passa por assegurar coerência entre as regras de rotulagem energética e os requisitos de conceção ecológica (ecodesign), evitando contradições que possam dificultar a implementação ou avaliação dos sistemas. A Solar Heat Europe defende ainda que os novos requisitos devem manter-se proporcionais e adaptados a um sector composto maioritariamente por pequenas e médias empresas, com forte base industrial europeia.
A associação indica que já apresentou contributos técnicos detalhados no âmbito da consulta pública realizada em Janeiro e que continua a dialogar com os Estados-Membros e com a Comissão Europeia para garantir que a revisão final tenha em conta estas preocupações.
Fotografia de destaque: © Solar Heat Europe





