Eurovent lança guia para Declarações Ambientais de Produto aplicadas a filtros de ar 

A Eurovent publicou o seu mais recente Guia sobre Declarações Ambientais de Produto (DAPs) dedicado a filtros de ar, com orientações práticas para avaliar e comunicar o desempenho ambiental deste tipo de produtos. O documento estabelece uma abordagem consistente para o desenvolvimento de DAPs, promovendo transparência e comparabilidade no sector AVAC. 

Segundo a associação, o novo guia surge para atender à “crescente procura por dados ambientais fiáveis e ajudar as partes interessadas a compreender melhor os impactos do ciclo de vida das soluções de filtragem”. Desenvolvido pelo Grupo de Produtos de Filtros de Ar (PG-FIL) da Eurovent, o documento contou com especialistas do sector e fabricantes para “garantir uma abordagem prática e baseada no consenso, alinhada com as normas em vigor e as necessidades do mercado”. 

Saúde e QAI: o papel duplo da filtragem do ar 

Os filtros de ar têm um impacto directo na qualidade do ar interior (QAI), já que as pessoas passam cerca de 90% do tempo em ambientes fechados. A QAI influencia inclusive o desempenho cognitivo e a aprendizagem, sendo determinante em escolas e escritórios. 

Uma das principais funções de um filtro de ar é remover partículas nocivas (como PM2,5), protegendo os ocupantes de poluentes atmosféricos e contribuindo para a saúde. Como sublinha o guia, trata-se de “melhorar a qualidade do ar interior (QAI) para proteger as pessoas no edifício de poluentes nocivos”, sendo que a eficiência de remoção destas partículas e o seu impacto positivo na saúde devem ser considerados na avaliação ambiental.  

Além disso, os filtros afectam o consumo energético dos sistemas de ventilação, criando uma relação directa entre eficiência, custos operacionais e impacte ambiental. Embora sejam componentes passivos, “sem consumo directo de energia eléctrica, a sua resistência ao fluxo de ar tem geralmente um impacto significativo no consumo total de energia e na pegada de carbono de um sistema de ventilação”, podendo mesmo contribuir de forma relevante para a pegada de carbono global. 

Ferramentas da Eurovent, como os modelos 4/21 e 4/24, permitem estimar o consumo anual de energia de um filtro e calcular o impacto energético ao nível do edifício. O modelo 4/21 fornece “uma estimativa do consumo anual de energia em kWh de um filtro em condições normalizadas”, enquanto o 4/24 permite análises mais detalhadas, tornando a avaliação mais precisa e útil para decisões sustentáveis. 

O guia da Eurovent aborda esta complexidade e deixa algumas recomendações sobre como desenvolver e interpretar DAPs específicas para filtros de ar. 

O impacte ambiental e a sustentabilidade 

Como qualquer produto, os filtros têm impacte ambiental em várias fases: produção, transporte, utilização e fim de vida. A Agência Europeia do Ambiente estima que mais de 30% da pegada ambiental da UE vem dos edifícios, e os sistemas de ventilação, nos quais os filtros são essenciais, representam uma parte significativa deste impacto. 

Ao contrário de materiais duráveis como aço ou betão, que podem durar décadas, os filtros são produzidos em massa com uma vida útil curta (normalmente de cerca de um ano). Além disso, a Eurovent explica no documento que os filtros de ar são “componentes normalizados e a aplicação real de um filtro de ar não é normalmente conhecida pelo fabricante e pode variar bastante para o mesmo tipo de filtro”. Por estas razões, “a abordagem para a avaliação do impacto ambiental dos filtros necessita de ser diferente da utilizada para os produtos de construção ‘típicos'”.  

A Declaração Ambiental de Produto (DAP) assume, assim, um papel central. Este documento inclui “informações detalhadas sobre o impacte ambiental”, abrangendo desde matérias-primas e fabrico até utilização e fim de vida, com base na Avaliação do Ciclo de Vida (ACV). Os resultados da ACV apresentam indicadores como o Potencial de Aquecimento Global (PAG), bem como outros impactes ambientais relevantes, sendo que a DAP é verificada por uma entidade independente para garantir fiabilidade. 

Ainda assim, o guia alerta para a necessidade de uma interpretação correcta. “As DAP são ferramentas valiosas para avaliar o impacte ambiental dos produtos, mas podem ser mal utilizadas ou mal interpretadas”. Não se tratam de um selo de sustentabilidade — “não são o Rótulo Ecológico da UE” — mas sim de instrumentos que “fornecem dados ambientais neutros e quantitativos”. 

Por isso, ao comparar DAPs, é essencial garantir que “todas se baseiam nas mesmas Regras de Categoria de Produto”, evitando conclusões erradas. Além disso, recomenda-se não focar apenas num indicador, como o PAG, mas considerar outras categorias de impacto, como o consumo de água, a destruição da camada de ozono ou as emissões tóxicas. 

Por fim, o guia reforça que “é importante compreender as limitações das Declarações Ambientais de Produto (DAPs), garantir comparações fiáveis, verificar a credibilidade e utilizá-las como parte de uma avaliação de sustentabilidade mais abrangente. Trata-se de uma ferramenta poderosa, mas apenas quando interpretada correctamente”. 

Uma Declaração Ambiental de Produto (DAP) consiste num documento padronizado que fornece informações sobre o impacte ambiental de um produto ao longo do seu ciclo de vida. Funciona como uma espécie de “rótulo nutricional” ambiental, reportando impactos como pegada de carbono, emissão de partículas, consumo de água e recursos, de forma clara e consistente. Para filtros de ar, inclui dados sobre matérias-primas, produção, transporte, utilização e fim de vida. 

A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é a base científica de uma DAP. É um método que analisa todos os fluxos de energia, materiais, emissões e resíduos associados a um produto, desde a extração das matérias-primas até à eliminação ou reciclagem. Para filtros de ar, a ACV avalia os impactos de cada componente e fase do ciclo de vida, ajudando a compreender o desempenho ambiental global do produto. 

Para os consumidores de filtros de ar, estas ferramentas oferecem informações que auxiliam a tomada de decisões de compra conscientes e demonstram um compromisso com a responsabilidade ambiental.

Fotografia de destaque: © Shutterstock

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