O Auditório da Fundação de Serralves, no Porto, recebeu no dia 22 de Janeiro o ENAEA 2026 – Encontro Nacional das Agências de Energia e Ambiente, uma iniciativa promovida pela RNAE – Associação das Agências de Energia e Ambiente, que reuniu entidades de referência do sector energético e ambiental em Portugal.
O encontro afirmou-se como um momento estratégico de reflexão, debate e alinhamento sobre os principais desafios da transição energética e climática, reforçando simultaneamente a cooperação institucional entre Agências de Energia, municípios, comunidades intermunicipais, CCDR, autoridades públicas, técnicos, académicos, sector privado e sociedade civil.
Em jeito de balanço, Orlando Paraíba, director técnico da Agência de Energia e Ambiente da Arrábida (ENA), contou à Edifícios e Energia que a pertinência do ENAEA 2026 assenta em três dimensões fundamentais. Desde logo, “a promoção de uma visão partilhada e integrada sobre temas estruturantes como a neutralidade climática, a descarbonização, a eficiência energética, o combate à pobreza energética e a adaptação às alterações climáticas, articulando os compromissos nacionais e europeus com a realidade local”.
Em paralelo, o encontro reforçou o papel das Agências de Energia e Ambiente enquanto “estruturas de proximidade” essenciais para a operacionalização das políticas energéticas e climáticas no terreno. Por fim, Orlando Paraíba destacou o fomento da cooperação institucional e das sinergias entre entidades públicas, municipais, intermunicipais e privadas, promovendo maior eficácia na implementação de iniciativas locais e regionais de transição sustentável.
Para o responsável da ENA, entre os pontos altos do encontro estiveram as mesas-redondas temáticas dedicadas a áreas estratégicas, como o impacto dos Planos de Promoção da Eficiência no Consumo de Energia (PPEC) nos territórios, o papel das Comunidades de Energia Renovável e do Autoconsumo Colectivo, bem como os programas de financiamento europeu, considerados determinantes para viabilizar projectos locais de transição energética.
Foi igualmente relevante o “debate sobre o papel e contribuição das Agências de Energia e Ambiente na implementação de projectos europeus e na operacionalização dos principais instrumentos de política energética e climática, reforçando a sua relevância técnica e organizacional a nível nacional e territorial”.
Por último, Orlando Paraíba destacou o ENAEA 2026 como um “espaço de networking e cooperação multissectorial”, onde é possível “trocar experiências, identificar oportunidades de colaboração e fortalecer redes técnicas e institucionais”.
ADENE defende municípios como “agentes centrais” da descarbonização
O encerramento do ENAEA 2026 ficou marcado pela intervenção de Nelson Lage, presidente da ADENE – Agência para a Energia, que sublinhou o carácter exigente, mas simultaneamente de oportunidades, do momento que o sector atravessa. “A transição energética só é possível com um poder local forte, capacitado e envolvido”, afirmou, reforçando que não há neutralidade climática sem municípios, nem descarbonização ou transição justa sem proximidade com as pessoas.
No seu discurso, Nelson Lage destacou o papel insubstituível das autarquias enquanto “agentes centrais da descarbonização e da produção descentralizada de energia”, defendendo que é “urgente reforçar os projectos das Comunidades de Energia Renovável, do Autoconsumo Colectivo”.
Enquanto coordenadora nacional do Pacto de Autarcas, a ADENE reafirmou o compromisso de continuar a apoiar tecnicamente os municípios na elaboração e implementação dos Planos Municipais de Acção Climática, bem como na criação de pontes entre políticas públicas, financiamento e acção no território. Nelson Lage destacou ainda a importância do Fórum Energia e Comportamento da Comissão Europeia, lembrando que a transição energética não se faz apenas com tecnologia, mas sobretudo com pessoas, hábitos e participação activa das comunidades locais.
Num momento de particular relevância institucional, o presidente da ADENE abordou também o processo de integração gradual da agência na futura Agência de Geologia e Energia, defendendo uma evolução assente na continuidade, na valorização do conhecimento acumulado ao longo de 25 anos.
O ENAEA 2026 terminou com uma mensagem clara: Portugal dispõe de conhecimento, capacidade técnica e parceiros para acelerar a transição energética. O desafio passa agora por manter o alinhamento e a cooperação entre níveis de governação, reforçando o papel dos municípios. Como sintetizou Nelson Lage no final do seu discurso, “cada município é uma luz acesa no mapa da transição energética”.
Fotografia de destaque: © RNAE





