A transição para sistemas de aquecimento limpos na Europa continua fortemente condicionada por um factor decisivo: o custo. Segundo a Associação Europeia de Bombas de Calor (EHPA), para que as famílias e empresas adoptem esta tecnologia, é essencial garantir tanto condições financeiras de acesso como um retorno rápido do investimento.
Foi neste contexto que a EHPA actualizou o seu relatório de acompanhamento dos subsídios nacionais às bombas de calor, reforçando o apelo aos governos para que não reduzam nem alterem os mecanismos de apoio existentes. Sem esse suporte, alerta a associação, o investimento inicial permanece fora do alcance de muitos consumidores.
Além do custo de aquisição, o retorno financeiro das bombas de calor está “intimamente ligado aos impostos que os governos cobram nas contas de gás e electricidade”, assegura a associação, acrescentando que, em muitos países europeus, a electricidade continua a ser significativamente mais taxada do que o gás, o que penaliza soluções eléctricas limpas. A mensagem começou, contudo, a produzir efeitos. Países como a Alemanha, os Países Baixos, a Dinamarca, o Reino Unido, a Bélgica e a Irlanda ajustaram os seus impostos sobre a energia, favorecendo a electricidade em detrimento do gás.
A Comissão Europeia também reconheceu o problema. Em Fevereiro, o Plano de Acção para a Energia Acessível, apresentado em conjunto com o Acordo para a Indústria Limpa, destacou a necessidade de reduzir as contas de electricidade e de valorizar a flexibilidade da rede energética. Já em Dezembro, o Plano de Habitação Acessível da União Europeia reforçou que a acessibilidade da habitação deve incluir os custos energéticos, sublinhando que não pode ser alcançada à custa da sustentabilidade e que a questão das tarifas e impostos energéticos precisa de ser enfrentada.
Outro instrumento que a EHPA considera ser fundamental para tornar as bombas de calor mais competitivas é a atribuição de um preço à poluição por carbono. Actualmente, esse princípio já se aplica às indústrias de grande consumo energético através do Sistema de Comércio de Licenças de Emissão da UE (ETS). A EHPA defende o alargamento deste sistema aos edifícios e aos transportes rodoviários, o que tornaria o aquecimento a combustíveis fósseis menos atractivo. No entanto, em Novembro, os governos da UE decidiram adiar a entrada em vigor do segundo ETS (ETS2) para 2028, uma decisão criticada pela associação como uma opção política num momento em que a implementação rápida é considerada crucial.
Paralelamente, a EHPA tem investido em campanhas de comunicação e no debate público. Após a Assembleia Geral de 2025 da associação, deputados europeus e analistas de energia discutiram temas como a dissociação dos preços da electricidade e do gás, o acesso universal às bombas de calor e o futuro custo do carbono nos edifícios.
Uma das soluções apontadas para garantir esse acesso passa por novos modelos de negócio, em particular o chamado “leasing social”. Este modelo, apoiado pelo Estado, permite que famílias de baixos rendimentos utilizem bombas de calor e outras tecnologias limpas através de pagamentos mensais acessíveis, sem necessidade de um investimento inicial elevado. “A EHPA acredita que o leasing social para bombas de calor, complementando instrumentos existentes, tais como subsídios, taxas reduzidas de IVA e empréstimos ecológicos, é uma solução promissora para superar os elevados custos iniciais e garantir o acesso equitativo a aquecimento limpo para todos”, reitera esta entidade.
A associação está também envolvida em projectos de investigação financiados pela UE. O projecto HP SUBSCRIBE, que a Edifícios e Energia já deu a conhecer, irá analisar modelos de bombas de calor por assinatura, permitindo a substituição de caldeiras a combustíveis fósseis sem custos iniciais para proprietários ou inquilinos. Já o projecto Street HP Reno aposta numa abordagem colectiva à renovação energética de habitações, com o objectivo de reduzir custos e facilitar a implantação em larga escala de bombas de calor.
A importância de enfrentar a questão dos custos foi igualmente destacada pela Plataforma Aceleradora de Bombas de Calor da Comissão Europeia, liderada pela EHPA em conjunto com o VITO e o Instituto Fraunhofer, no seu primeiro documento de posição, publicado no final de 2025. O documento sublinha ainda que um melhor aproveitamento da flexibilidade do sistema eléctrico, nomeadamente através de tarifas mais baixas ou variáveis, pode tornar as bombas de calor mais atractivas e acessíveis para os consumidores.
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