Apoios públicos e redução de custos explicam impulso nas vendas de bombas de calor na Europa 

O aumento recente das vendas de bombas de calor na Europa está directamente ligado às políticas públicas de apoio e à redução dos custos para os consumidores. De acordo com a Associação Europeia de Bombas de Calor (EHPA), “a redução de custos foi crucial para o recente aumento de 10% nas vendas de bombas de calor”, evidenciando o papel determinante dos incentivos governamentais. 

Em 2025, foram vendidas cerca de 2,62 milhões de unidades em 16 países europeus, acima das 2,38 milhões registadas no ano anterior, elevando para aproximadamente 28 milhões o número total de equipamentos instalados no continente. Em 12 desses países, o crescimento foi sustentado por medidas públicas que procuraram tornar esta tecnologia mais acessível. 

Segundo a EHPA, “isto deveu-se principalmente ao apoio governamental aos consumidores, que ofereceram incentivos estáveis para reduzir os custos iniciais de aquisição e os custos operacionais, através da redução do imposto sobre a electricidade”. A previsibilidade e estabilidade destes apoios revelaram-se factores-chave para impulsionar a procura. 

Contudo, persistem obstáculos: em vários países europeus, a electricidade continua a ser mais taxada do que o gás, criando uma distorção no mercado energético. Como refere a associação, “em alguns países, o imposto sobre a electricidade é várias vezes superior ao do gás, tornando até as bombas de calor de elevada eficiência energética mais caras de operar”, o que acaba por afectar directamente as decisões dos consumidores. 

O tema ganhou relevância política e na recente cimeira de líderes europeus, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, destacou o imposto sobre a electricidade como uma questão central a resolver no contexto da transição energética. 

Para Milagros García Salciarini, responsável pelas políticas da EHPA, a percepção de custo é determinante: “Se as pessoas temem pagar mais, não vão optar por uma bomba de calor.” A responsável acrescenta ainda que “elas vêem mudanças nos programas nacionais de apoio e impostos elevados sobre a electricidade, e hesitam”, o que acaba por atrasar a transição energética europeia. 

Portugal cresce acima da média europeia 

Em Portugal, o crescimento foi particularmente expressivo, com um aumento de cerca de 30% nas vendas em 2025. De acordo com a EHPA, este desempenho ficou a dever-se sobretudo a factores fiscais: “as vendas de bombas de calor em Portugal aumentaram cerca de 30% em 2025, impulsionadas sobretudo pelo fim previsto da taxa reduzida de IVA de 6%”. 

A antecipação desta mudança levou a um aumento significativo das compras, “especialmente em Junho e Julho, quando os consumidores aproveitaram a redução do imposto”. O crescimento verificou-se em todos os segmentos de mercado, reflectindo uma forte dinâmica do sector a nível nacional. 

Políticas públicas continuam a ser determinantes 

Os dados divulgados reforçam a importância das políticas públicas na aceleração da transição energética. A própria EHPA sublinha que a intervenção ao nível da fiscalidade pode ter efeitos estruturais no mercado. Como refere Milagros García Salciarini, “a Comissão Europeia quer combater os impostos sobre a electricidade; fazer isso abriria caminho para uma maior adopção de bombas de calor, impulsionando a segurança energética e a competitividade da Europa”. 

Fotografia de destaque: © Shutterstock

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