Eduardo Maldonado é actualmente o presidente da Agência Nacional de Inovação (ANI). Depois de 40 anos dedicados aos edifícios, este professor catedrático está agora com outros desafios. Deixamos aqui um resumo de uma entrevista que será publicada na nossa revista de Julho.

Se pensarmos nos edifícios e na generalidade das outras áreas, verificamos que o conhecimento, a ciência ou a inovação estão sempre muito à frente da prática. Parece que há dois mundos…

Mas não é só nos edifícios. Nos edifícios existem outras questões. É difícil mudar os comportamentos. Se falarmos no aquecimento, há uns anos promovia-se a lenha como fonte renovável. Hoje, isso não acontece por várias razões, mas foi preciso muito tempo dar esse salto. O aquecimento eléctrico (resistência eléctrica) não era uma possibilidade em determinado momento e devíamos ir para o gás que era mais eficiente. Agora, estamos no mundo das bombas de calor eléctricas como a solução mais defendida. Só que há aquelas pessoas que continuam a defender, como eu, que o importante é evitar tudo isso. Os edifícios devem precisar do mínimo possível. E esse pouco pode ser compensado com renováveis, que era a filosofia da EPBD (Directiva para o Desempenho Energético dos Edifícios) e dos NZEB (Nearly Zero Energy Buildings). Tudo isto tem apenas a ver com uma mudança de mentalidades que é necessário implementar e que nada tem a ver com inovação. Tem a ver com planeamento em primeiro lugar.

Os edifícios vão ser eléctricos e vamos ter de nos ajustar. Depois, vai ter de existir “inovação” na forma como se vão encontrar as boas práticas e o modelos de gestão. Os edifícios vão a reboque?

Vão ter de ir, sobretudo se determinados materiais deixarem de existir ou os seus preços aumentarem muito e, aí, vão ter de se encontrar alternativas “inovadoras”.

Que tipo de materiais?

Todos. Vamos ter de produzir cimento ou janelas com menos pegada ecológica, por exemplo, encontrar alternativas mais amigas do ambiente tendo sempre em conta o ciclo de vida do produto até chegar ao edifício.

Temos agora uma janela com a transposição da EPBD?

Se for feita da mesma maneira que foi feita a última, a nossa conversa daqui a dez anos será a mesma.

Não vê esperança para os edifícios?

Numa visão que assumo como pessimista, a minha experiência diz-me que os edifícios vão ser a última área a ser intervencionada. Não vejo vontade política de atacar este problema.

Por cá, vamos coleccionando certificados energéticos?

Vamos coleccionando certificados em papel que valem muito pouco.