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	<title>Arquivo de balanço energia positivo - Edificios e Energia</title>
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	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 16 Feb 2023 14:11:57 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de balanço energia positivo - Edificios e Energia</title>
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		<title>AdEPorto integra projecto europeu para acelerar a implementação de distritos de energia positiva, incluindo um no Porto</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/1702-adeporto-integra-projecto-europeu-ascend-distritos-energia-positiva/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sónia Sul]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Feb 2023 09:30:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[AdEPorto]]></category>
		<category><![CDATA[ASCEND]]></category>
		<category><![CDATA[balanço energia positivo]]></category>
		<category><![CDATA[distritos de energia positiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No âmbito do projecto europeu ASCEND, que arrancou na semana passada, a AdEPorto vai ajudar a testar e desenvolver soluções custo-efectivas que permitam dinamizar demonstradores de distritos de energia positiva ...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/1702-adeporto-integra-projecto-europeu-ascend-distritos-energia-positiva/">AdEPorto integra projecto europeu para acelerar a implementação de distritos de energia positiva, incluindo um no Porto</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">No âmbito do projecto europeu </span><em><span style="font-weight: 400;">ASCEND</span></em><span style="font-weight: 400;">, que arrancou na semana passada, a AdEPorto – Agência de Energia do Porto vai ajudar a testar e desenvolver soluções custo-efectivas que permitam dinamizar demonstradores de distritos de energia positiva em oito cidades europeias. A decorrer até 2027, o projecto </span><span style="font-weight: 400;">vai criar um deste tipo de distritos com balanço energético positivo na cidade do Porto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No </span><a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/matosinhos-bairro-energia-positiva2605/"><span style="font-weight: 400;">município do Porto</span></a><span style="font-weight: 400;">, vai ser criado um “distrito de energia positiva custo-efectivo para teste e validação de ideias, demonstração e prototipagem [de soluções para este tipo de distritos]”. Quem o </span><a href="https://www.adeporto.eu/pt/client/skins/geral.php?cat=177&amp;share=true"><span style="font-weight: 400;">noticia é a AdEPorto – Agência de Energia do Porto</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma das parceiras portuguesas que integra o projecto europeu </span><em><span style="font-weight: 400;">ASCEND – Accelerate Positive Clean Energy Districts </span></em><span style="font-weight: 400;">e que vai auxiliar neste processo. Recorde-se que os </span><a href="https://cordis.europa.eu/programme/id/HORIZON_HORIZON-MISS-2021-CIT-02-04"><span style="font-weight: 400;">distritos de energia positiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> são comunidades que, através da aplicação de um modelo energético eficiente, flexível e com base em renováveis em várias dimensões da vida urbana (</span><a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/2701-build2050-projecto-europeu-formacao-piloto-construcao-sustentavel-saudavel-politecnico-setubal-vagas-inscricoes/"><span style="font-weight: 400;">edifícios</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://edificioseenergia.pt/empresas/galp-habitat-invest-2303/"><span style="font-weight: 400;">mobilidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, água, etc.), apresentam um </span><a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/pamplona-iwer-openlab-2211/"><span style="font-weight: 400;">balanço energético positivo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o arranque oficial a acontecer nos dias 8 e 9 de Fevereiro, na cidade francesa de Lyon, o projecto </span><span style="font-weight: 400;"><em>ASCEND</em> </span><span style="font-weight: 400;">lançou-se com a ambição de testar e desenvolver pacotes de soluções acessíveis e eficazes para a implementação de distritos de energia positiva em oito cidades europeias. Esta implementação vai decorrer, primeiro, em duas cidades “farol” – Lyon e Munique – aplicando soluções já conhecidas e validadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois, o projecto </span><span style="font-weight: 400;"><em>ASCEND</em> </span><span style="font-weight: 400;">pretende desenvolver as suas próprias soluções para o desenho, a implementação e a manutenção de distritos de </span><a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/atelier-bep-2812/"><span style="font-weight: 400;">energia positiva e aplicá-las </span></a><span style="font-weight: 400;">quer às cidades “farol” quer às cidades “multiplicadoras” parceiras. Além da </span><a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/balcao-porto-energy-2109hub-eficiencia-energetica-energias-renovaveis/"><span style="font-weight: 400;">cidade lusa do Porto</span></a><span style="font-weight: 400;">, serão palco de áreas de energia positiva as seguintes cidades “multiplicadoras”: Alba lulia, na Roménia; Budapeste, na Hungria; Charleroi, na Bélgica; Praga, na Chéquia; Estocolmo, na Suécia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A decorrer até ao final de 2027, o projecto </span><em><span style="font-weight: 400;">ASCEND </span></em><span style="font-weight: 400;">tem ainda como objectivo partilhar os resultados e escalar as soluções encontradas de modo a accionar uma onda de replicação de distritos de energia positiva por toda a Europa. Visa, assim, </span><a href="https://cordis.europa.eu/project/id/101096571"><span style="font-weight: 400;">segundo a página oficial do projecto</span></a><span style="font-weight: 400;">, tornar as “cidades mais saudáveis, inclusivas e com </span><a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/making-city-ped-groningen-2710/"><span style="font-weight: 400;">impacto neutro</span></a><span style="font-weight: 400;"> no clima”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A iniciativa </span><em><span style="font-weight: 400;">ASCEND</span></em><span style="font-weight: 400;"> conta com um orçamento de quase 25 milhões de euros e com o </span><a href="https://bkk.hu/en/strategy/research-development-and-innovation/ascend/"><span style="font-weight: 400;">apoio de 39 parceiros de 14 países</span></a><span style="font-weight: 400;">. Do lado português, encontram-se não só a </span><a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/pobreza-energetica-1302/"><span style="font-weight: 400;">AdEPorto</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também a Fundação Serralves, a Empresa Municipal Águas e Energia do Porto, e a Associação Porto Digital.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em>Este artigo foi originalmente publicado <a href="https://smart-cities.pt/noticias/1602-porto-demonstrador-distrito-energia-positiva-custo-efectivo-projecto-europeu-ascend/">aqui</a>, apresentando as devidas adaptações.</em></p>
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		<title>Pamplona: Inovar na reabilitação, a pensar no balanço energético positivo</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/pamplona-iwer-openlab-2211/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipa Cardoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Nov 2022 07:49:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[balanço energia positivo]]></category>
		<category><![CDATA[open lab]]></category>
		<category><![CDATA[pamplona]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pamplona quer transformar a antiga zona industrial de Rochapea num bairro de energia positiva. Para o fazer, a cidade espanhola vai participar no projecto europeu oPEN Lab e tornar-se num laboratório vivo para ...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/pamplona-iwer-openlab-2211/">Pamplona: Inovar na reabilitação, a pensar no balanço energético positivo</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pamplona quer transformar a antiga zona industrial de Rochapea num bairro de energia positiva. Para o fazer, a cidade espanhola vai participar no projecto europeu <em>oPEN Lab</em> e tornar-se num laboratório vivo para a experimentação e validação de conjuntos de soluções tecnológicas, processos e inovações sociais que possam acelerar a caminhada dos bairros europeus rumo à descarbonização. <br /></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>No bairro de Rochapea, em Pamplona, as heranças de um passado industrial recente não passam despercebidas e tornam-se mais evidentes ao observar o emblemático edifício IWER. Localizada no coração de Rochapea, esta antiga fábrica têxtil, com 46 mil metros quadrados de área construída, viveu o seu auge nos anos 1950-60. Na sequência de um escândalo financeiro na década seguinte, as máquinas pararam definitivamente e, depois de muitas burocracias, o complexo passou a estar dedicado a outros usos, em particular, escritórios e actividades comerciais.</p>
<p>Se, em tempos, o edifício representou um marco importante para o desenvolvimento económico local, muito em breve, o IWER voltará a ganhar protagonismo, desta vez, pelo seu contributo para as ambições climáticas da cidade, que quer reduzir 70 % das suas emissões de dióxido de carbono até 2030. Nos próximos anos, o IWER vai ser alvo de uma renovação energética profunda que faz parte de um plano muito mais abrangente para o bairro de Rochapea: criar ali um laboratório vivo para experimentar soluções inovadoras que permitam alcançar um balanço energético positivo à escala comunitária.</p>
<figure id="attachment_19829" aria-describedby="caption-attachment-19829" style="width: 500px" class="wp-caption alignright"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-19829 size-full aligncenter" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/11/2211sobreiwer02.png" alt="" width="500" height="375" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/11/2211sobreiwer02.png 500w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/11/2211sobreiwer02-300x225.png 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-19829" class="wp-caption-text">Fachada do edifício Iwer, em Pamplona, e que será uma parte central no projecto <em>oPEN Lab</em>.</figcaption></figure>
<p>Os bairros de energia positiva fazem parte do cardápio de soluções identificadas pela Comissão Europeia como promissoras para levar a cabo a transição climática nas áreas urbanas. Gerar mais energia – de origem renovável e, se possível, localmente – do que aquela que se utiliza é o princípio base desta ideia, que está a servir de inspiração a vários projectos nos quais a inovação tecnológica se junta à transformação do ambiente construído na expectativa de alcançar a neutralidade carbónica e impactos sociais positivos. Pamplona abraçou o desafio no âmbito do projecto europeu <a href="https://openlab-project.eu/" target="_blank" rel="noopener"><em>oPEN Lab – Leading the transition to positive energy neighbourhoods</em></a>, que arrancou em Outubro de 2021 e se prolonga até Março de 2026.</p>
<p>Além da cidade espanhola, Genk, na Bélgica, e Tartu, na Estónia, participam também nesta iniciativa, cujo objectivo derradeiro é desenvolver uma “visão holística e de energia positiva para os bairros de toda a Europa”, lê-se na ficha oficial do projecto. Num consórcio liderado pelo instituto de investigação belga VITO /Energyville e contando com 33 parceiros dos três países envolvidos, o <em>oPEN Lab</em> tem o apoio financeiro de perto de 20 milhões de euros do programa <em>Horizonte 2020</em>. Aos parceiros espanhóis, cabem cerca de cinco milhões – 1,2 milhões ao município (<em>ayuntamiento</em>) de Pamplona – que ajudarão a experimentar e validar soluções energéticas em Rochapea, abrindo, depois, portas para a sua replicação no resto da cidade.</p>
<h4>O laboratório vivo de Pamplona</h4>
<p>O potencial de transformação do IWER foi uma das razões que levaram o município de Pamplona a escolher Rochapea como área de intervenção para o projecto. “É um edifício de propriedade privada e alguns espaços foram [já] reabilitados para serem usados como escritórios; não obstante, há ainda muito potencial para a reabilitação, tanto no edifício como na envolvente, e para converter [o espaço] numa referência na actividade do bairro”, explica Jose Costero, director do Gabinete de Estratégia do <em>ayuntamiento</em> de Pamplona. Mas um bairro não se faz com apenas um edifício e, por isso, o projecto vai também abranger 12 unidades de habitação social do grupo San Pedro que se situam nas imediações da antiga fábrica.</p>
<p>“Acreditamos que a reabilitação energética deste conjunto habitacional pode representar um impulso muito importante para a transição energética de Rochapea num bairro de energia positiva, onde se produz mais energia do que se consome”, justifica Costero.</p>
<p>Para que a transformação aconteça, cinco parceiros – três públicos (a câmara municipal, a Universidade do País Basco e o Centro Nacional de Energias Renováveis) e dois privados (o gabinete de arquitectura AH Asociados e a construtora Obenasa) – vão trabalhar no laboratório vivo de Pamplona. Na intervenção prevista para as unidades habitacionais, inclui-se a instalação de painéis solares fotovoltaicos e de dispositivos para armazenamento de energia, assim como de novas sistemas de ar condicionado mais eficientes.</p>
<p>Ao mesmo tempo, será feita uma melhoria do isolamento térmico pelo interior e serão implementadas “técnicas de acompanhamento e monitorização inovadoras”, quer para a gestão do balanço energético das habitações, quer para mitigar transtornos causados a ocupantes e vizinhos (por exemplo, ao nível do ruído). Nas proximidades destes edifícios, estão previstos pontos de carregamento para veículos eléctricos.</p>
<p>Com vista a criar uma micro-rede energética, o projecto quer ligar, física ou virtualmente, as unidades habitacionais e o complexo industrial, onde, além de feita a reabilitação energética, será instalada uma central solar de 900 kWp. A ideia é fazer a troca de energia eléctrica entre os dois elementos e preservar o equilíbrio da rede, utilizando, para o efeito, ferramentas de gestão inteligente.</p>
<p>A par destas interacções, vai ser constituído um “gabinete energético de bairro” que dinamizará a criação de uma comunidade de energia. “É uma das actividades principais que vamos desenvolver no laboratório vivo de Pamplona”, refere o responsável local, garantindo que esta será uma iniciativa “aberta à participação de qualquer pessoa ou entidade” e na qual a co-criação e a colaboração serão as palavras de ordem. O objectivo, frisa, é “ir somando o maior número de instalações de produção de energia possível, assim como de consumidores”.</p>
<h4>Testar inovação e criar soluções viáveis</h4>
<p>Sendo este um projecto com o selo <em>Horizonte 2020</em>, as componentes de investigação e desenvolvimento de soluções inovadoras são requisitos. Uma das ambições do oPEN Lab passa por desenvolver “pacotes de soluções” comercialmente viáveis para bairros de energia positiva que incluem “tecnologias promissoras, processos e inovações sociais”. Maarten De Groote, coordenador do projecto e investigador sénior do VITO/Energyville, exemplifica: “Esses pacotes combinam, por exemplo, soluções BAPV (<em>building applied photovoltaics</em>) e BIPV (<em>building integrated photovoltaics</em>), bombas de calor de nova geração, sistemas pré-fabricados de AVAC adaptados aos bairros existentes e com ênfase em tecnologias partilhadas, aplicações para redes de corrente contínua domésticas, sistemas de controlo inteligente bidireccional, soluções de reabilitação modulares, etc.”</p>
<p>Este tipo de soluções será desenvolvido e testado em cada um dos laboratórios vivos do projecto, esperando-se, para tal, a participação não só dos parceiros, mas também de actores externos, nomeadamente inovadores e pequenas e médias empresas que possam ser atraídos pela iniciativa, aumentando, assim, a sua “capacidade de inovação”. Segundo o coordenador, “um plano exploratório e uma estratégia de conceptualização vão permitir a expansão do legado do projecto a longo prazo”, o que vai facilitar “a adaptação e validação de modelos de negócio à complexidade dos conceitos de energia integrada à escala do bairro”.</p>
<p>Em Pamplona, avança Jose Costero, as inovações tecnológicas planeadas “mais importantes estão relacionadas com técnicas de isolamento térmico pelo interior através de câmaras de vácuo, a integração de tecnologia fotovoltaica [BIPV] e micro-redes energéticas com gestão inteligente”. Tendo em mente as ambições para a redução de emissões definidas pela cidade na sua Estrategia de Transición Energética y Cambio Climático 2030 e a meta da neutralidade carbónica no longo prazo, o projecto é visto como uma “grande oportunidade” para ir experimentando soluções que permitam ao município perseguir essas intenções. “A ideia é testar e validar soluções para, depois, escalá-las a outros bairros da cidade”, revela Costero.</p>
<p>Porém, para o responsável, “uma parte fundamental da inovação do projecto” está, não na tecnologia, mas na dimensão social, em particular na promoção de espaços de co-criação para cidadãos e outros agentes, onde a transição energética do bairro possa ganhar alicerces comunitários. Costero admite que “grande parte do esforço para envolver a comunidade vai estar centrado na criação da comunidade de energia local”, justificando a decisão com o facto de considerar que esta pode ser “uma ferramenta muito útil para concretizar os objectivos energéticos”. Por ser, talvez, tão inovador, é também na componente social, mais precisamente em “conseguir mobilizar o conjunto [de todos os agentes] da sociedade”, que o dirigente local vê o “grande desafio” da transformação de Rochapea.</p>
<figure id="attachment_19827" aria-describedby="caption-attachment-19827" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-19827 size-full" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/11/2211sobreiwer03.png" alt="iwer pamplona" width="650" height="366" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/11/2211sobreiwer03.png 650w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/11/2211sobreiwer03-300x169.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2022/11/2211sobreiwer03-610x343.png 610w" sizes="(max-width: 650px) 100vw, 650px" /><figcaption id="caption-attachment-19827" class="wp-caption-text">Interior do edifício Iwer, que vai sofrer obras de renovação.</figcaption></figure>
<h4>A importância de uma abordagem integrada</h4>
<p>No âmbito do <em>oPEN Lab</em>, os três laboratórios vivos vão seguir uma abordagem integrada na qual estão previstas medidas energéticas aos níveis do edifício, do bairro, das funcionalidades urbanas (como a infraestruturas para mobilidade eléctrica) e das suas interacções mútuas. Se assim não fosse, explica Maarten De Groote, “perder-se-iam muitas oportunidades para a optimização técnica e financeira, para escalar vantagens e usar sistemas de energia urbanos e serviços de flexibilidade energética, e para produzir e armazenar energia colectivamente”.</p>
<p>“A abordagem à escala do bairro permite uma análise de cluster, resultando no projecto e na implementação de uma renovação mais optimizada e com tecnologias que abrem caminho para a descarbonização do parque edificado – e isto numa perspectiva de sistema integrada”, explica o coordenador do <em>oPEN Lab</em>, sublinhando, no entanto, a importância de adaptar as soluções a cada contexto.</p>
<h4>Momento oportuno para os bairros de energia positiva?</h4>
<p>Com a guerra na Ucrânia e o agravar da crise energética, a União Europeia (UE) vive actualmente um momento crítico, tendo já traçado uma estratégia para reduzir a sua dependência dos combustíveis fósseis russos – <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/repowereu-renovaveis-2605eficiencia-energetica-novo-pacote-apren-aplaude/" target="_blank" rel="noopener"><em>REPowerEU</em></a>. “O apelo para um sistema energético verdadeiramente independente nunca foi tão urgente como agora”, afirma Maarten De Groote, destacando o papel da eficiência energética, das renováveis e da flexibilidade energética como “forças motrizes para a aceleração da transição para a energia limpa”.</p>
<p>Neste contexto, o <em>oPEN Lab</em> ganha mais relevância, diz o coordenador do projecto, através da criação de laboratórios vivos que vão “emergir como hotspots de inovação” para a transição energética urbana à escala local e abrir caminho para a replicação alargada das soluções ali validadas. “Os laboratórios vivos de Pamplona, Genk e Tartu vão testar e validar processos de inovação, tecnologias e serviços em condições reais, activando a comunidade local e os cidadãos para participarem na transição energética. Nessa perspectiva, a estratégia <em>REPowerEU</em> vai destacar ainda mais os feitos e desafios do projecto. Afinal de contas, a revitalização das áreas urbanas com vista a tornarem-se bairros preparados para o futuro e resilientes do ponto de vista energético – nomeadamente para aqueles numa situação socioeconómica vulnerável – são estratégias-chave como mecanismos de defesa contra a escalada dos preços energéticos causada pela disputa de poder geopolítico e uma agressão militar injustificada”, argumenta o especialista.</p>
<p>O contexto internacional está também a ter impacto na forma como Espanha olha o tema da energia, mas, conforme relata Jose Costero, além da crise energética acentuada pela guerra, também os efeitos das alterações climáticas estão a fazer-se sentir cada vez mais na vida dos espanhóis, em particular e à semelhança do que acontece em Portugal, com as recentes ondas de calor e a seca que o país atravessa.</p>
<p>“Por estas razões, a agenda política em Espanha está a avançar muito rapidamente na adopção favorável de diversas soluções energéticas, e os bairros de energia positiva e as comunidades de energia são duas possibilidades que podem andar de mãos dadas”, defende. Para o dirigente municipal, estas últimas são encaradas como “mais próximas e exequíveis” e, por isso, “estão a ser mais promovidas, com vários programas de apoios públicos”; por sua vez, os bairros de energia positiva são vistos como “algo difícil de alcançar, devido ao elevado consumo [energético] dos edifícios e [do sector] da mobilidade e à baixa produção de energia que existe hoje nas cidades”, observa.</p>
<p>Não obstante a urgência do momento, para De Groote, é ponto assente que a independência energética só se consegue com a descarbonização total do parque edificado europeu, sendo, por isso, fundamental priorizar o “redesenho e a reabilitação de edifícios e bairros existentes, tornando-os à prova de futuro”.</p>
<p>Enquanto áreas urbanas “altamente eficientes e flexíveis do ponto de vista energético, nas quais os edifícios, os sistemas de energia e a infraestrutura de mobilidade funcionam em harmonia para alcançar um excedente de produção de energia renovável”, os bairros de energia positiva são uma das possibilidades para alcançar a tão necessária descarbonização, explica. É isso que o <em>oPEN Lab</em> pretende testar: segundo relata o coordenador, “à medida que vão sendo dado os primeiros passos, surgem, também, os primeiros desafios”, que começam logo pelo envolvimento da comunidade local, corroborando a experiência de Pamplona.</p>
<p>“Mesmo [com um projecto] adaptado ao contexto social e cultural local e às infraestruturas colaborativas existentes, ganhar a confiança [da comunidade] é um desafio; para a implementação não só do <em>oPEN Lab</em>, mas também das tecnologias”, confessa. Na transição para um bairro de energia positiva, há, segundo o especialista, várias divergências, nomeadamente entre as tecnologias de reabilitação e as práticas energéticas dos residentes e entre os residentes e aqueles que planeiam e implementam as soluções. A solução para isto, sugere De Groote, pode estar nos “desejos partilhados” por todos os cidadãos: “ser propriamente envolvido, ver as suas preocupações tidas em conta e [alcançar] um futuro (de energia) positiva.”</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="et_pb_text_inner">
<p style="text-align: center;"><em>Artigo publicado originalmente na edição de Setembro/Outubro de 2022 da Edifícios e Energia </em></p>
</div>
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