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	<title>Pesquisou por qai - Edificios e Energia</title>
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	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 21 Oct 2026 09:46:20 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Pesquisou por qai - Edificios e Energia</title>
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	<item>
		<title>Chandra Sekhar: “A QAI não se deve dissociar da energia”</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/chandra-sekhar-a-qai-nao-se-deve-dissociar-da-energia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ines Malhado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 09:12:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Chandra Sekhar esteve em Portugal para as Jornadas de Climatização e Refrigeração, onde defendeu uma abordagem integrada à qualidade do ar interior (QAI) entre os sistemas de ventilação e os espaços ocupados que servem, baseada numa monitorização contínua. O professor da Universidade Nacional de Singapura trouxe a sua experiência internacional até Lisboa para  demonstrar o impacto de diferentes estratégias, incluindo uma solução capaz de reduzir significativamente a concentração de partículas finas no interior de um edifício durante um episódio de poluição atmosférica.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/chandra-sekhar-a-qai-nao-se-deve-dissociar-da-energia/">Chandra Sekhar: “A QAI não se deve dissociar da energia”</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b>Chandra Sekhar esteve em Portugal para as Jornadas de Climatização e Refrigeração, onde defendeu uma abordagem integrada à qualidade do ar interior (QAI) entre os sistemas de ventilação e os espaços ocupados que servem, baseada numa monitorização contínua. O professor da Universidade Nacional de Singapura trouxe a sua experiência internacional até Lisboa para  demonstrar o impacto de diferentes estratégias, incluindo uma solução capaz de reduzir significativamente a concentração de partículas finas no interior de um edifício durante um episódio de poluição atmosférica.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A forma como o ar circula, a localização dos sistemas de extracção e ventilação e a capacidade de fazer chegar ar limpo à chamada </span><i><span style="font-weight: 400;">breathing zone</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou zona de respiração dos ocupantes, são determinantes para garantir a QAI. Foi esta a principal mensagem deixada por Chandra Sekhar, professor do Departamento de Ambiente Construído da </span><span style="font-weight: 400;">Faculdade de Projeto e Engenharia da </span><span style="font-weight: 400;">Universidade Nacional de Singapura (NUS, na sigla em inglês), num painel dedicado à QAI dos edifícios, no âmbito das 26.as Jornadas de Climatização e Refrigeração, da Ordem dos Engenheiros, que decorreu na passada quinta-feira, em Lisboa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O investigador apresentou uma metodologia de verificação da QAI que o departamento tem vindo a desenvolver e testar desde o início da década de 90. O processo passa por observar o edifício e caracterizar o ambiente interior, recolher dados sobre temperatura, humidade, partículas, compostos químicos e ventilação, bem como consultar os ocupantes e comparar os resultados com as normas aplicáveis. A partir dessa avaliação, são identificadas medidas correctivas e elaborados planos de gestão da QAI.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elemento central desta abordagem é o conceito de </span><i><span style="font-weight: 400;">system zone</span></i><span style="font-weight: 400;">, que procura relacionar o funcionamento dos sistemas de climatização e de istribuição do ar com as condições efectivamente encontradas nos espaços ocupados. Sekhar sublinhou que medir a QAI sem compreender o que a condiciona pode dificultar a identificação das causas dos problemas e a escolha das soluções mais adequadas. “Passamos mais de 90% do tempo em edifícios. Devemos medir a QAI onde é mais importante: no local onde vamos estar. Para nós, ocupantes dos edifícios, a zona de respiração, é a mais importante”, explicou.</span></p>
<h6><b>O que acontece ao ar num quarto durante a noite?</b></h6>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos exemplos apresentados pelo professor resultou de um estudo realizado na Dinamarca, em 2019, que analisou a concentração de dióxido de carbono num quarto durante o período da noite. Numa das situações observadas, os níveis chegaram a cerca de 3000 ppm enquanto uma pessoa dormia, um valor muito elevado que revelou a acumulação de CO2 num espaço com renovação de ar insuficiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O estudo comparou o efeito de diferentes condições de ventilação. A abertura de uma porta interior aumentou ligeiramente a renovação do ar, mas a alteração tornou-se muito mais significativa quando entraram em funcionamento os sistemas de extracção da casa, neste caso da banho ou da cozinha. Ao remover o ar do apartamento, estes sistemas favoreceram a entrada de ar exterior e a diluição do CO2 no quarto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Noutro cenário, com um sistema de ventilação mecânica (VMC), a concentração de CO2 manteve-se próxima de 1000ppm durante o período de sono, sem a mesma acumulação observada no exemplo anterior. Segundo o especialista, a comparação mostra que a abertura para entrar novo ar não garante, por si só, uma renovação eficaz. É necessário compreender como a entrada e a saída do ar funcionam em conjunto e de que forma influenciam a QAI.</span></p>
<h6><b>Filtrar o ar exterior durante episódios de poluição</b></h6>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro caso de estudo foi apresentado a partir da experiência de Singapura durante episódios de poluição atmosférica elevada, provocados, entre outros factores, por incêndios florestais em países vizinhos, como a Indonésia. Actualmente, o país enfrenta o pior surto já registado desde 2015, com o período contínuo mais longo de poluição diária. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante um desses episódios, as concentrações exteriores de partículas finas (as designadas PM2.5) situavam-se entre 200 e 250 microgramas por m3, o que é considerado um nível de alerta. Num edifício de referência, sem qualquer intervenção adicional, a concentração no interior rondava os 150 microgramas por m3. A equipa de especialistas testou uma solução de filtragem instalada junto à fachada da janela &#8211; uma unidade com ventilador e filtro, destinada a tratar o ar introduzido no espaço -, e, segundo os resultados, a concentração interior de PM2.5 desceu para cerca de 30 </span><span style="font-weight: 400;">a 35 microgramas por m3.</span></p>
<h6><b>Monitorização contínua é o caminho para o futuro</b></h6>
<p><span style="font-weight: 400;">A monitorização contínua é outra das prioridades apontadas por Sekhar. “Na qualidade do ar interior, os dados contínuos são o caminho a seguir”, afirmou, apontando para o uso de  sensores IoT, que permitem acompanhar parâmetros como o CO2, a temperatura, a humidade e a existência de partículas finas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O professor da NUS defendeu ainda que a informação recolhida deve ser relacionada com o funcionamento dos sistemas de climatização e , sempre que possível, nos sistemas de gestão técnica dos edifícios. A análise em tempo real poderá, assim, apoiar o controlo dinâmico dos sistemas e permitir respostas mais ajustadas às condições efectivamente observadas. “Quando se trata da qualidade do ar interior, não é uma questão de escolher entre qualidade do ar e energia. As duas coisas caminham juntas. A QAI não se deve dissociar da energia”, adverteu.</span></p>
<figure id="attachment_38507" aria-describedby="caption-attachment-38507" style="width: 464px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-38507 size-full" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/10/1792418305347.jpg" alt="" width="464" height="435" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/10/1792418305347.jpg 464w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/10/1792418305347-300x281.jpg 300w" sizes="(max-width: 464px) 100vw, 464px" /><figcaption id="caption-attachment-38507" class="wp-caption-text">Chandra Sekhar (à esquerda), com Eduardo Maldonado, DRC da Região Europa XIV da ASHRAE</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">Edifícios e Energia</span></i><span style="font-weight: 400;"> conversou com o orador de referência da  </span><span style="font-weight: 400;">Associação Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar Condicionado (ASHRAE)</span><span style="font-weight: 400;"> sobre alguns dos desafios que se colocam à aplicação destas soluções na prática, desde a adaptação dos edifícios a futuras situações de risco, até às dificuldades de monitorização da QAI, com base na experiência de Singapura na resposta a episódios de poluição atmosférica e à pandemia.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>A Europa está a avançar para um enquadramento regulamentar mais exigente em matéria de edifícios. Como são estas evoluções acompanhadas na Ásia e, em particular, no vosso departamento?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos a falar de políticas e normas. Estou envolvido na normalização da ASHRAE há quase 20 anos, em diferentes normas, e também temos um sistema de normalização em Singapura. Temos as normas de Singapura, as normas da ASHRAE e, na Europa, instrumentos como a Directiva relativa ao Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conheço, em certa medida, a orientação da EPBD e a forma como os diferentes países estabelecem os seus próprios valores de referência, a partir dos quais podem evoluir. Em Singapura, sendo um único país, procuramos que as nossas normas acompanhem as iniciativas e os desenvolvimentos internacionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No que diz respeito à QAI, publicámos a nossa primeira norma em 2009. Revimo-la em 2016, em resposta a um problema muito específico: os episódios periódicos de </span><i><span style="font-weight: 400;">haze</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que a poluição atmosférica proveniente de países vizinhos, associada à queima de florestas, chega a Singapura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2015, tivemos um episódio particularmente significativo e percebemos que era necessário fazer alguma coisa relativamente ao ar exterior quando este se encontra poluído. Por isso, reforçámos os requisitos de filtragem, sobretudo nos edifícios comerciais, para assegurar um melhor tratamento do ar exterior.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois veio a pandemia da covid-19. Em 2023, a ASHRAE publicou a norma 241, dedicada ao controlo de aerossóis infecciosos. Esta norma prevê um modo de gestão do risco de infecção, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Infection Risk Management Mode</span></i><span style="font-weight: 400;"> (IRMM), que pode ser activado quando existe uma situação de risco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Singapura, decidimos também integrar a resiliência a pandemias nas nossas normas. A revisão lançada em Março de 2026 incorporou disposições relativas à resiliência perante episódios de poluição atmosférica, pandemias e situações em que os dois fenómenos ocorrem simultaneamente. Esta abordagem está reflectida nas normas [nacionais] SS 553 e SS 554. A ideia é que os edifícios sejam concebidos e equipados para responder a estas situações. Se as funcionalidades necessárias não tiverem sido previstas e instaladas, será muito difícil implementá-las quando o problema já estiver a acontecer.</span></p>
<p><b>Isso significa que os edifícios ficam preparados para responder a futuras situações de emergência?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exactamente. Se essas funcionalidades estiverem integradas nos sistemas do edifício, o gestor poderá activá-las rapidamente perante uma pandemia ou outra situação de risco.Na nossa norma, temos aquilo a que chamamos um </span><i><span style="font-weight: 400;">building readiness plan</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou plano de preparação do edifício. Trata-se de avaliar até que ponto um edifício está preparado para responder a um problema que possa surgir no futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A eficiência energética continua a ser igualmente importante. Não pretendemos que os sistemas funcionem permanentemente em modo de emergência. Queremos que possam fornecer a quantidade adequada de ar limpo quando necessário, mantendo os requisitos mínimos de ventilação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se houver uma pandemia, por exemplo, podemos aumentar a quantidade de ar limpo disponível através de uma combinação entre a ventilação e a quantidad de ar limpo interior. Chamamos-lhe </span><i><span style="font-weight: 400;">equivalent clean air</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou ar limpo equivalente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Num edifício de escritórios, a quantidade de ar limpo necessária poderá corresponder, aproximadamente, a duas a duas vezes e meia o requisito normal de ventilação. Mas isso não significa que todo esse ar tenha de ser ar exterior.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Introduzir apenas mais ar exterior pode ser muito exigente do ponto de vista energético, sobretudo num clima quente e húmido como o de Singapura. A ventilação mínima exigida não pode ser comprometida, mas o ar limpo adicional pode ser obtido através do tratamento e da filtragem do ar interior.</span></p>
<p><b>A experiência de Singapura poderá servir de exemplo para outros países europeus?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Penso que sim. Tenho estado bastante envolvido na norma 241 da ASHRAE e temos discutido estas questões no contexto de Singapura, incluindo com as entidades responsáveis pelas normas, pelo projecto dos edifícios e pelos sistemas de certificação ambiental dos edifícios, como o nosso sistema </span><i><span style="font-weight: 400;">Green Mark</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Havia interesse em incorporar características de resiliência nos edifícios. Não tenho conhecimento suficiente para afirmar se outros países já integraram estas disposições nas respectivas normas, mas Singapura poderá estar entre os primeiros a fazê-lo. A versão revista foi lançada apenas em Março deste ano. </span><b>O importante é que estas funcionalidades sejam previstas na concepção dos edifícios. Se forem necessárias no futuro, os sistemas já estarão preparados para responder</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><b>Quais são os principais desafios para passar dos resultados dos estudos, como os que apresentou, e das normas à sua aplicação efectiva nos edifícios?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande desafio é a implementação. As normas existem, as orientações estão definidas e sabemos quais são os valores e as medidas a adoptar. Mas isso é efectivamente feito? Os edifícios dispõem das soluções necessárias?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trabalhamos em estreita colaboração com as entidades que poderão implementar estas medidas, mas não é um processo simples. No caso dos edifícios comerciais, por exemplo, é necessário que os sistemas de tratamento de ar exterior estejam preparados para funcionar quando os níveis de poluição são elevados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Agência Nacional do Ambiente de Singapura divulga actualizações de hora em hora sobre os níveis de poluição. No entanto, os responsáveis pelos edifícios e pela manutenção dos sistemas de tratamento de ar têm de garantir que as medidas necessárias são efectivamente aplicadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É difícil acompanhar todos os edifícios. Algumas empresas realizam auditorias à QAI, mas nem sempre fazem uma avaliação abrangente. Podem recolher algumas medições sem analisar de forma integrada o funcionamento dos sistemas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É aqui que os sensores IoT podem desempenhar um papel importante. Muitos edifícios já dispõem de sensores e conseguem recolher dados de forma contínua. </span><b>Na minha perspectiva, a monitorização contínua é o caminho a seguir, porque permite conhecer o comportamento do edifício ao longo de um ciclo completo de 24 horas. Isto é especialmente importante em edifícios como hotéis e hospitais, onde há ocupação permanente e precisamos de compreender continuamente as condições ambientais.</b></p>
<p><b>A pandemia contribuiu para uma mudança de mentalidade relativamente à preparação dos edifícios?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim. As pessoas perceberam o que acontece quando os edifícios são encerrados e a actividade deixa de poder prosseguir como acontece normalmente. Há perdas económicas e, quando chega o momento de reabrir, é necessário voltar a colocar os sistemas em funcionamento, num processo que pode ser complexo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se, em vez de encerrar os edifícios, tivermos normas e sistemas que permitam mantê-los operacionais em condições de segurança, isso será positivo. Penso que esta mudança de mentalidade está a acontecer gradualmente, embora só o tempo permita avaliar a eficácia das novas medidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os episódios de poluição atmosférica são outro exemplo. Em Singapura, os edifícios comerciais não foram obrigados a encerrar durante os episódios de </span><i><span style="font-weight: 400;">haze</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já existiam sistemas de filtragem e os requisitos foram reforçados para assegurar uma maior eficiência quando a poluição exterior atingue níveis elevados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste contexto, recorremos a filtros com classificação MERV [</span><i><span style="font-weight: 400;">Minimum Efficiency Reporting Value</span></i><span style="font-weight: 400;">]. Quanto mais elevado for o valor, maior é a eficiência de filtragem considerada pelo sistema de classificação. Estes filtros devem estar disponíveis e ser utilizados quando os níveis de poluição atmosférica o justificam. O objectivo é perceber como podemos manter os edifícios em funcionamento, mesmo perante situações excepcionais. É isso que entendemos por resiliência.</span></p>
<p><b>E no caso dos edifícios residenciais? Que medidas podem ser adoptadas pelas famílias durante episódios de poluição atmosférica?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos edifícios residenciais, a situação é diferente, porque as pessoas são, em grande medida, responsáveis pela qualidade do ar nas suas próprias casas. Quando o ar exterior está poluído, recomendamos que se fechem as janelas e as portas para reduzir a entrada de poluentes. No entanto, isso levanta outras questões. Será suficiente fechar as janelas? É possível ligar o ar condicionado? O que acontece à QAI?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ar condicionado, por exemplo, arrefece o espaço, mas não assegura, por si só, a renovação do ar. Se o espaço estiver fechado e ocupado, a concentração de CO2 pode aumentar. Fechar as janelas ajuda a limitar a entrada da poluição exterior, mas poderá não ser suficiente para resolver todos os problemas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um purificador de ar pode ajudar, desde que seja correctamente dimensionado. Não basta escolher um equipamento qualquer. É necessário considerar a dimensão da divisão e a capacidade do aparelho para fornecer ar limpo. Um dos indicadores utilizados é a taxa de fornecimento de ar limpo, conhecida como CADR (</span><i><span style="font-weight: 400;">Clean Air Delivery Rate</span></i><span style="font-weight: 400;">). A capacidade do equipamento deve ser adequada ao volume do espaço. Um aparelho pequeno não será suficiente para uma divisão grande.</span></p>
<p><b>Em Portugal, os custos associados são uma das maiores barreiras à adopção destas soluções. O que acontece às habitações que não têm estes equipamentos?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa é uma dificuldade real. Em Singapura, muitas habitações foram concebidas para funcionar com ventilação natural. Há pessoas que não têm ar condicionado ou não podem suportar o custo de adquirir um purificador de ar. Outras preferem não viver num espaço com ar condicionado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante um episódio de </span><i><span style="font-weight: 400;">haze</span></i><span style="font-weight: 400;">, fechar todas as janelas e portas pode tornar o interior termicamente desconfortável. Se não existir outra solução, as pessoas terão de gerir essa situação com os meios de que dispõem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi por isso que estudámos uma alternativa para espaços com ventilação natural, um sistema que designamos </span><i><span style="font-weight: 400;">fan filter</span></i><span style="font-weight: 400;">. Trata-se de colocar um ventilador e um filtro de elevada eficiência, do tipo HEPA, num painel de janela. O ar exterior entra e chega ao interior depois de filtrado. A solução não exige arrefecimento mecânico, permitindo manter a ventilação natural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Realizámos esse projecto em 2015, mas a solução não está actualmente instalada de forma generalizada nos edifícios. Quando surge um episódio de poluição, é difícil começar a adaptar todas as janelas.</span><b> Nessa altura, pode já ser demasiado tarde para implementar uma solução deste tipo em grande escala.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O painel poderia incluir um compartimento para o ventilador e o filtro, que só seriam utilizados quando necessário. Não é necessário manter o filtro instalado e em funcionamento permanentemente. Quando existe um problema de poluição, pode colocar-se o filtro no compartimento previsto para esse efeito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desafio é pensar nisso antecipadamente. Se a solução não estiver prevista, como se adapta uma janela quando o problema já está a acontecer? Não é assim tão simples. </span><b>É por isso que defendemos que estas possibilidades sejam consideradas desde a fase de projecto, como parte da própria infra-estrutura do edifício.</b><span style="font-weight: 400;"> Isso exige também a participação dos arquitectos, para que estas funcionalidades possam ser incorporadas desde o início.</span></p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Descarbonização dos edifícios e QAI em debate nas Jornadas de Climatização e Refrigeração</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/descarbonizacao-dos-edificios-e-qualidade-do-ar-interio-em-debate-nas-jornadas-de-climatizacao-e-refrigeracao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ines Malhado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Oct 2026 09:51:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ashrae]]></category>
		<category><![CDATA[climatização]]></category>
		<category><![CDATA[descarbonização]]></category>
		<category><![CDATA[ordem dos engenheiros]]></category>
		<category><![CDATA[REHVA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A descarbonização dos edifícios e da indústria está a colocar novas exigências ao sector da climatização e da refrigeração, desde a escolha dos equipamentos e de fluidos frigorigéneos, até à qualificação dos profissionais. As 26.as Jornadas de Climatização e Refrigeração, que irão decorrer no próximo dia 15 de Outubro, em Lisboa, vão debater os desafios e as oportunidades da transição energética, com especial atenção à qualidade do ar interior (QAI) e à sustentabilidade. </p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/descarbonizacao-dos-edificios-e-qualidade-do-ar-interio-em-debate-nas-jornadas-de-climatizacao-e-refrigeracao/">Descarbonização dos edifícios e QAI em debate nas Jornadas de Climatização e Refrigeração</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b>A descarbonização dos edifícios e da indústria está a colocar novas exigências ao sector da climatização e da refrigeração, desde a escolha dos equipamentos e de fluidos frigorigéneos, até à qualificação dos profissionais. As 26.as Jornadas de Climatização e Refrigeração, que irão decorrer no próximo dia 15 de Outubro, em Lisboa, vão debater os desafios e as oportunidades da transição energética, com especial atenção à qualidade do ar interior (QAI) e à sustentabilidade. </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A transição energética está a transformar o sector da climatização e da refrigeração, com novas exigências regulamentares sobre a redução dos consumos energéticos e a substituição progressiva de <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/gases-fluorados-fiscalizacao-e-transicao-para-alternativas-naturais-trazem-novos-desafios-para-o-sector/" target="_blank" rel="noopener">gases fluorados</a>, bem como a qualificação dos profissionais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estes são alguns dos temas que vão estar no centro do debate das <a href="https://www.ordemdosengenheiros.pt/pt/eventos/26-as-jornadas-de-climatizacao-e-refrigeracao/" target="_blank" rel="noopener">26.as Jornadas de Climatização e Refrigeração</a>, organizadas pela Comissão de Especialização em Climatização e Refrigeração da Ordem dos Engenheiros, em colaboração com a secção nacional da Federação Europeia das Associações de Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado (REHVA, na sigla em inglês) e o capítulo português da Associação Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar Condicionado (ASHRAE). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Na Europa, a EPBD [Directiva do Desempenho Energético dos Edifícios] e o Regulamento F-Gas [relativo aos gases fluorados com efeito de estufa] estão a influenciar diretamente a escolha dos equipamentos e das soluções técnicas a implementar”, refere, à </span><i><span style="font-weight: 400;">Edifícios e Energia</span></i><span style="font-weight: 400;">, Odete Almeida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A coordenadora da Comissão de Especialização em Climatização e Refrigeração da Ordem dos Engenheiros acrescenta que, em Portugal, “um dos principais desafios é a existência de muitos edifícios antigos, nos quais a reabilitação energética exige um investimento significativo e nem sempre é fácil de executar”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A responsável alerta, por isso, para a necessidade de “encontrar um equilíbrio entre o cumprimento das exigências legais, os custos e a disponibilidade de técnicos qualificados no mercado”, o que se torna particularmente relevante num contexto de transformação tecnológica e de crescente complexidade dos sistemas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o tema “Climatização e Refrigeração na Transição Energética: Qualidade Ambiental Interior e Sustentabilidade”, o evento, que irá decorrer a 15 de Outubro, no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa, quer reunir especialistas, investigadores, projetistas, fabricantes, instaladores, gestores de edifícios, e representantes da indústria em torno dos desafios e das oportunidades da transição energética. </span></p>
<p><img decoding="async" class="alignleft wp-image-38381" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/10/sem_titulo_1_7043047276a7464d2ae70c.png" alt="Jornadas Ordem dos Engenheiros" width="633" height="464" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/10/sem_titulo_1_7043047276a7464d2ae70c.png 573w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/10/sem_titulo_1_7043047276a7464d2ae70c-300x220.png 300w" sizes="(max-width: 633px) 100vw, 633px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">No primeiro painel, Eduardo Maldonado, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e DRC da Região Europa XIV da ASHRAE, abordará a reabilitação dos edifícios e dos sistemas AVAC existentes para a descarbonização. A sessão contará também com uma apresentação de Chandra Sekhar, professor da Universidade Nacional de Singapura, dedicada à auditoria da QAI nos edifícios e ao conceito de zonas de sistemas. </span></p>
<h6><b>Bombas de calor, integrar renováveis e automação dos edifícios </b></h6>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as soluções com potencial para acelerar a transição energética, Odete Almeida destaca as bombas de calor de elevada eficiência, sobretudo quando utilizam fluidos frigorigéneos com baixo potencial de aquecimento global. A recuperação de calor pode, igualmente, assumir um papel relevante em instalações com necessidades simultâneas de aquecimento e arrefecimento, nota a responsável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A integração destes sistemas com fontes de energia renovável, como a solar fotovoltaica, permite também aumentar o aproveitamento da energia produzida localmente e reduzir o consumo de electricidade proveniente da rede, sublinha. Também “a utilização plena dos sistemas de automação [dos edifícios]” podem optimizar o funcionamento dos equipamentos, ajustando os horários e as condições de operação à ocupação dos espaços, e analisar os consumos.</span></p>
<h6><b>Novas competências para os profissionais </b></h6>
<p><span style="font-weight: 400;">A crescente complexidade dos sistemas exige também uma actualização das competências técnicas para </span><span style="font-weight: 400;">garantir que os trabalhos de instalação, comissionamento e manutenção são realizados por profissionais devidamente qualificados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Odete Almeida, nos próximos anos os profissionais vão ter de reforçar os conhecimentos em ferramentas de simulação energética, modelação BIM e análise do comportamento térmico dos edifícios. Mas também “a capacidade de utilizar a inteligência artificial de forma crítica e responsável, </span><span style="font-weight: 400;">validando os resultados obtidos e garantindo a sua aplicação adequada a cada situação”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Em termos práticos, o reforço da competência do profissional passará por desenvolver continuamente os conhecimentos técnicos ao longo da carreira, articulando-os com a experiência no terreno, a capacidade de análise e o domínio das novas tecnologias”, afirma a responsável.</span></p>
<h6><b>Centros de dados, sistemas frigoríficos e QAI</b></h6>
<p><span style="font-weight: 400;">O programa das jornadas coloca em discussão a forma como a engenharia pode conciliar a eficiência energética e a descarbonização com a saúde e o bem-estar dos ocupantes dos edifícios. Além da vertente tecnológica, entre as questões identificadas pela organização estão a necessidade de garantir uma climatização acessível, combater a pobreza energética, optimizar a cadeia de frio e acelerar a adopção de refrigerantes naturais. O financiamento, o papel das políticas públicas e a eficiência dos sistemas são outras das dimensões que integram a programação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estão previstos painéis dedicados aos centros de dados. Luís Pedro Duarte, presidente da Associação Portuguesa de Centros de Dados &#8211; Portugal DC, abordará o papel estratégico destas instalações na economia digital, enquanto Carlos Lisboa, fundador e CEO da Navitas Portugal, apresentará a perspectiva de um consultor sobre a modelação energética destas infra-estruturas, cujo funcionamento coloca exigências específicas ao consumo energético e à gestão térmica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no período da tarde, Marco Madureira, engenheiro projectista da Chilltek, dedicada às instalações de refrigeração com dióxido de carbono. </span>Seguir-se-á uma apresentação de Ángel Ros Dolz, director de Área da Tewis Portugal, apresentará soluções de sistemas frigoríficos transcríticos com subarrefecimento mecânico inteligente.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">A programação abrange igualmente o controlo das condições ambientais interiores em edifícios com requisitos específicos. Michel Grabon, director de área de Data Centers da Carrier, apresentará o caso da Capela Sistina, no Vaticano. Já </span><span style="font-weight: 400;">Daniel Malveiro, responsável de soluções da Baxi Portugal, abordará soluções integradas de climatização para a transição energética, enquanto Vita Nils Baumann, director da unidade de negócio de gestão de produto da Delta Controls Alemanha, analisará o impacto dos sistemas BMS na transição digital.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A organização prevê também a distribuição de um livro técnico em língua portuguesa aos participantes, destinado a apoiar a consulta e a actualização de conhecimentos no sector. Por agora, as inscrições para as jornadas ainda estão abertas. </span></p>
<p>Fotografia de destaque: © iStock</p>
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		<title>IDEAL: cluster europeu quer colocar a qualidade do ar interior no centro da saúde pública e dos edifícios </title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/ideal-cluster-europeu-quer-colocar-a-qualidade-do-ar-interior-no-centro-da-saude-publica-e-dos-edificios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ines Malhado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[epbd]]></category>
		<category><![CDATA[IDEAL Cluster]]></category>
		<category><![CDATA[Investigação]]></category>
		<category><![CDATA[QAI]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os europeus passam a maior parte do tempo em espaços fechados, mas a qualidade do ar que respiram dentro das suas casas, escolas, locais de trabalho e transportes públicos continua a ser menos visível do que a poluição do ar exterior. É precisamente para investigar o que está presente no ar interior e os seus efeitos na saúde que surgiu o IDEAL - Cluster on Indoor Air and Health, uma iniciativa europeia que reúne sete projectos por toda a Europa. As descobertas estão agora a ser transformadas em ferramentas e recomendações que colocam a QAI no centro da saúde pública e do desempenho dos edifícios.  </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><span data-contrast="auto">Os europeus passam a maior parte do tempo em espaços fechados, mas a qualidade do ar que respiram dentro das suas casas, escolas, locais de trabalho e transportes públicos continua a ser menos visível do que a poluição do ar exterior. É precisamente para investigar o que está presente no ar interior e os seus efeitos na saúde que surgiu o IDEAL &#8211; Cluster on Indoor Air and Health, uma iniciativa europeia que reúne sete projectos por toda a Europa. As descobertas estão agora a ser transformadas em ferramentas e recomendações que colocam a QAI no centro da saúde pública e do desempenho dos edifícios. </span></b><span data-ccp-props="{&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">É no interior dos edifícios que a maioria da população europeia respira diariamente: estima-se que os europeus passam cerca de 90% do seu tempo em ambientes interiores, desde as suas casas, escritórios, escolas, hospitais, a meios de transporte, de acordo com a Associação Europeia da Indústria de Ventilação (EVIA, na sigla em inglês). Porém, a qualidade do ar interior (QAI) continua a ficar em segundo plano quando se fala de saúde pública e do desempenho dos edifícios. </span><span data-ccp-props="{&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Foi precisamente para preencher esta lacuna que surgiu, em 2022, <a href="https://www.idealcluster.eu/" target="_blank" rel="noopener">o IDEAL &#8211; Cluster on Indoor Air and Health</a>. Financiado pelo programa Horizon Europe, esta rede europeia de investigação tem como objectivo aprofundar o conhecimento sobre os factores que determinam a QAI e os seus efeitos na saúde, bem como procurar soluções para melhorar o ar em ambientes fechados. </span><span data-ccp-props="{&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">O </span><i><span data-contrast="auto">cluster</span></i><span data-contrast="auto"> junta sete projectos por toda a Europa &#8211; o INCHILDHEALTH, INQUIRE, K-HEALTHinAIR, LEARN, SynAir-G, TwinAIR e o EDIAQ -, e oito grupos de trabalho, cujas investigações incidem sobre diferentes ambientes interiores, desde habitações e escolas a locais de trabalho e transportes públicos, e procuram analisar tanto poluentes químicos como factores microbiológicos, bem como as suas fontes e efeitos. Actualmente, o IDEAL conta ainda com mais de 120 organizações e parceiro. </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Durante os primeiros anos de actividade do <em>cluster,</em> os investigadores dedicaram-se a identificar no interior dos edifícios fontes de poluição específicas, que muitas vezes são invisíveis, nomeadamente materiais de construção, produtos de limpeza utilizados nos espaços, sistemas de ventilação inadequados, combustão, humidade, partículas, compostos orgânicos voláteis (COV) e microrganismos, bem como certas actividades dos próprios ocupantes. Entre os grupos considerados mais vulneráveis encontram-se crianças, idosos, grávidas e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.</span><span data-ccp-props="{&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<h6><b><span data-contrast="auto">Da investigação à criação de tecnologias de monitorização</span></b></h6>
<p><span data-contrast="auto">Já este ano, os investigadores começaram a transformar as descobertas e as boas práticas testadas nos projectos em ferramentas e recomendações destinadas a profissionais dos vários sectores e decisores políticos para apoiar a gestão da QAI. Em todos os projetos estão a ser desenvolvidas e testadas tecnologias de monitorização do ar, incluindo sensores de baixo custo e sistemas multissensoriais.  </span><span data-ccp-props="{&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">No caso do projecto <a href="https://k-healthinair.eu/" target="_blank" rel="noopener">K-HEALTHinAIR</a>, os investigadores desenvolveram uma ferramenta para monitorizar a qualidade do ar que utiliza um sistema de semáforo. Já o <a href="https://ediaqi.eu/" target="_blank" rel="noopener">EDIAQI</a> resultou na criação de um <a href="https://iaqsim.ascalia.io/" target="_blank" rel="noopener">simulador </a></span><i><span data-contrast="auto">online</span></i><span data-contrast="auto"> que tem como objetivo estimar a QAI em diferentes edifícios com base na localização e outros fatores. No âmbito do <a href="https://synairg.eu/" target="_blank" rel="noopener">SynAir-G</a>, foi testado um sistema de filtragem do ar que utiliza plantas vivas, cujos dados preliminares sugerem um impacto positivo na saúde.  </span><span data-ccp-props="{&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">No seu primeiro </span><i><span data-contrast="auto">policy brief</span></i><span data-contrast="auto">, o IDEAL defendeu uma definição comum de QAI, uma estratégia europeia &#8220;coerente&#8221; e uma maior articulação entre políticas de construção, renovação, eficiência energética e saúde.</span><span data-ccp-props="{&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">A</span> <span data-contrast="auto">saúde das crianças é uma das áreas que tem ganho particular destaque nas investigações levadas a cabo pelo <em>cluster.</em> Num <a href="https://www.idealcluster.eu/ideal-cluster-publishes-second-joint-policy-brief-on-childrens-health-and-indoor-air-quality/?utm" target="_blank" rel="noopener">segundo </a></span><i><span data-contrast="auto">policy brief</span></i><span data-contrast="auto">, publicado em Março passado, o IDEAL</span><span data-contrast="auto"> alertou para o facto de as crianças passarem entre 80 e 90% do seu tempo em espaços interiores, nomeadamente em casa, creches e escolas. Os projectos de investigação identificaram desafios recorrentes relacionados com a presença de CO2, partículas finas, COV e microrganismos no ar interior. Com base nos resultados, os investigadores recomendam uma maior monitorização e a definição de padrões mínimos de QAI baseados na saúde para novos edifícios escolares.</span><span data-ccp-props="{&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<h6><b><span data-contrast="auto">Uma nova dimensão na política europeia para os edifícios</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134245418&quot;:false,&quot;134245529&quot;:false,&quot;335559738&quot;:280}"> </span></h6>
<p><span data-contrast="auto">A QAI está também a ganhar espaço na legislação europeia através da<a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/qualidade-do-ar-interior-a-nova-centralidade-da-qai/" target="_blank" rel="noopener"> revisão da Directiva do Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD)</a>. A Directiva (UE) 2024/1275, em vigor desde Maio de 2024, veio estabelecer uma visão mais integrada do desempenho dos edifícios, associando a eficiência energética à qualidade do ambiente interior. Assim, a EPBD introduziu o conceito de QAI no enquadramento europeu dos edifícios, abrangendo as condições interiores que afectam a saúde e o bem-estar dos ocupantes, mas também parâmetros como a temperatura, a humidade, a taxa de ventilação e presença de contaminantes. </span><span data-ccp-props="{&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">A legislação prevê ainda mudanças ao nível da monitorização. Nos edifícios não residenciais com emissões nulas vai passar a ser obrigatório o uso de  dispositivos de medição e de controlo da QAI. Já nos edifícios não residenciais istentes sujeitos a grandes renovações a instalação destes sistemas deve também ser considerada, mas se for uma opção técnica e economicamente viável.</span></p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
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		<title>Bill McQuade: &#8220;As regras/regulamentação têm de ser simples e muito práticas&#8221;</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/bill-mcquade-as-regras-regulamentacao-tem-de-ser-simples-e-muito-praticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Ascenso]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ashrae]]></category>
		<category><![CDATA[Bill McQuade]]></category>
		<category><![CDATA[neutralidade carbónica]]></category>
		<category><![CDATA[reabilitação urbana]]></category>
		<category><![CDATA[renováveis]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bill McQuade esteve há semanas em Portugal para um encontro com profissionais da climatização e refrigeração. O presidente da ASHRAE para o mandato 2025-2026 está a viajar pelo mundo com o objectivo de promover o debate sobre os desafios que se colocam ao ambiente construído. Fomos conversar com o líder de uma das maiores organizações mundiais do sector AVAC&#038;R (Aquecimento, Ventilação, Ar-Condicionado e Refrigeração). Um momento especialmente importante para o nosso país com a nomeação de Eduardo Maldonado para<br />
director da ASHRAE para a Europa.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/bill-mcquade-as-regras-regulamentacao-tem-de-ser-simples-e-muito-praticas/">Bill McQuade: &#8220;As regras/regulamentação têm de ser simples e muito práticas&#8221;</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=166" target="_blank" rel="noopener">edição nº 166 da Edifícios e Energia</a> (Julho/Agosto 2026).</em></strong></p>
<p><strong><span style="font-weight: 400;"><strong>Bill McQuade esteve há semanas em Portugal para um encontro com profissionais da climatização e refrigeração. O presidente da ASHRAE para o mandato 2025-2026 está a viajar pelo mundo com o objectivo de promover o debate sobre os desafios que se colocam ao ambiente construído. Fomos conversar com o líder de uma das maiores organizações mundiais do sector AVAC&amp;R (Aquecimento, Ventilação, Ar-Condicionado e Refrigeração). Um momento especialmente importante para o nosso país com a nomeação de Eduardo Maldonado para director da ASHRAE para a Europa.</strong></span></strong></p>
<p><b><span data-contrast="auto">A ASHRAE promove-se como uma instituição de referência mundial no sector da construção no âmbito da mitigação das alterações climáticas. Como conseguem ter impacto globalmente?</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">É importante perceber que a visão da ASHRAE não se restringe a uma visão americana. Temos 54 mil membros espalhados em 134 países e mais de 200 </span><i><span data-contrast="auto">chapters </span></i><span data-contrast="auto">(secções) nesses mesmos países. Na orgânica da nossa administração, dividimos o mundo em 16 regiões e temos um representante de cada uma dessas regiões no nosso conselho. Por isso, temos mesmo de adoptar uma perspectiva global.</span></p>
<p><b><span data-contrast="auto">Tendo em conta o actual contexto internacional, como as guerras e a quebra do investimento em energias renováveis, como vê os próximos tempos e quais os maiores desafios que vamos enfrentar?</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Começando pelos Estados Unidos da América, todos sabemos que esta administração está a dar menos atenção à descarbonização e às alterações climáticas. Sucede que a ASHRAE não recebe qualquer financiamento para investigação por parte do governo dos EUA. E, por isso, não existe qualquer dependência nesse sentido. Angariamos os nossos próprios fundos através dos nossos membros. Realizamos investigação no valor de cerca de sete milhões de dólares por ano. Por isso, as nossas prioridades estratégicas em matéria de sustentabilidade, qualidade ambiental interior e resiliência dos edifícios não se alteraram de forma alguma. </span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Algumas situações tornaram-se um pouco mais difíceis. A entidade proprietária de todos os edifícios públicos e governamentais, a GSA (Administração de Serviços Gerais), sempre foi um parceiro muito próximo da ASHRAE, que implementava as nossas novas normas e testava-as de forma a criar protótipos, como casos de estudo, com o objectivo de promover boas práticas para o mercado e para as empresas privadas. </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Essa dinâmica está parada, mas temos muitos outros locais no mundo que estão a fazê-lo. De facto, a realidade norte americana está diferente e um pouco mais difícil, mas isso não altera em nada a nossa visão e aquilo em que acreditamos enquanto organização. Por outro lado, continua a haver procura no sector privado norte-americano e isso é muito positivo.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><b><span data-contrast="auto">O caminho está definido, com mais ou menos dificuldades?</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Sim, há um compromisso generalizado em matéria de descarbonização de edifícios e, por isso, continua a existir globalmente uma procura por orientações comuns em matéria de quantificação do carbono incorporado e do carbono operacional nos edifícios. Mas também existe uma procura no sentido de perceber como descarbonizar tipos específicos de edifícios, como instalações de saúde ou edifícios comerciais. A ASHRAE continua a trabalhar nesse sentido. </span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Noutras geografias ou locais do mundo, está a começar a acontecer um enorme </span><i><span data-contrast="auto">boom</span></i><span data-contrast="auto"> da construção, semelhante ao que aconteceu na China. Grande parte da indústria transformadora mudou-se para a Índia. Há a necessidade de trazer trabalhadores das zonas rurais para as cidades onde se situam as fábricas. Por isso, prevê-se anualmente na Índia a construção de uma cidade com a dimensão de Chicago durante os próximos 10 a 15 anos. A Índia está muito focada na sustentabilidade, pelo que vemos procura nesse sentido. E, depois, em lugares como o Brasil existe esta ambição da sustentabilidade e a ASHRAE tem sido muito solicitada para dar resposta a uma série de desafios. </span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Apesar do que se vê com esta administração Trump, continuamos muito focados no nosso caminho. É claro que as guerras e a instabilidade global tornam tudo mais difícil porque afectam as cadeias de abastecimento e outras áreas importantes. Por outro lado, a preocupação das pessoas com uma iminente recessão económica podem levá-las a adiar os investimentos por algum tempo. </span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Enquanto sector, penso que o mercado está a responder de uma forma muito positiva. A nossa grande feira no final de Janeiro dá-nos essa perpectiva anualmente. Normalmente, avalio as perspectivas para o sector com base no nível de participação e este ano tivemos a nossa maior feira de sempre em área e espaços de exposição.  Essa participação das empresas diz-nos que ainda existe um forte impulso do mercado.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><b><span data-contrast="auto">As renováveis são centrais para efeitos de descarbonização? O foco deverá estar aí ou existem muitos outros factores? </span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">As renováveis são muito importantes, mas existe uma série de outros temas diferentes. Sem dúvida que a descarbonização dos edifícios é um dos mais importantes. A proliferação dos centros de dados e a forma de lidar com o grande consumo energético que estes geram, o consumo de água&#8230;</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">O foco deverá centrar-se nos edifícios saudáveis, garantindo que, à medida que descarbonizamos e promovemos a eficiência energética nos edifícios, não comprometemos a qualidade do ambiente interior, especialmente porque as pessoas passam, actualmente, 90% do seu tempo ou mais dentro de edifícios. O ambiente interior tem um impacto enorme na saúde das pessoas e nos resultados de saúde a longo prazo. Por isso, a QAI (Qualidade do Ar Interior) é um grande foco neste momento. </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Depois temos outros aspectos, como a IA (Inteligência Artificial) e temas semelhantes. Interessa-nos perceber como IA irá afectar o nosso sector, tanto no que diz respeito à procura de equipamentos e sistemas, como à forma de conceber, operar e manter os edifícios.</span></p>
<p><b><span data-contrast="auto">No que diz respeito ao Plano Estratégico, e considerando os vários temas agregados, a visão da ASHRAE parece estar mais alargada. A ASHRAE fala dos edifícios, mas como elementos que se estendem às comunidades sustentáveis e resilientes?</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">As boas práticas do lado dos edifícios são, em primeira análise, o mais importante.  Por isso, se nos limitarmos a colocar, por exemplo, isolamento à volta de um edifício específico e considerarmos apenas isso, estamos a desconsiderar as oportunidades de utilizar a energia residual noutro local. O importante é distribuir o calor ou a energia e utilizá-la de forma eficiente sempre que possível e isto aplica-se a qualquer edifício. Por exemplo, essa energia poderia ser utilizada para lavar roupa num hospital. </span></p>
<p><span data-contrast="auto">A energia que normalmente se desperdiça pode ser utilizada para aquecer edifícios noutro local. É nesta perspectiva que temos de olhar para além dos edifícios e começar a analisar o papel que os edifícios, individualmente, desempenham na comunidade em geral e perceber como se pode redistribuir a energia para a utilizar melhor. Acho que essa é provavelmente a grande diferença que estamos a promover.</span></p>
<p><b><span data-contrast="auto">A evolução das comunidades de energia tem sido muito lenta e a electrificação dos edifícios está a dominar a maioria das políticas.  Estamos a perder tempo?</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Sim, poderá acontecer se nos focarmos apenas nos edifícios e na electrificação. A electrificação é apenas uma das ferramentas para a descarbonização de um edifício. Muitas pessoas pensam que a electrificação é tudo e que resolve tudo. No que diz respeito à rede eléctrica europeia, há um bom trabalho já realizado no âmbito da transição para as energias renováveis. Mas, noutras partes do mundo, isso ainda não aconteceu. Por isso, se nos concentrarmos apenas na transição para a electrificação, e se essa continuar a ser produzida com elevadas emissões de carbono, estamos a dar um passo atrás. </span><span data-ccp-props="{&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><b><span data-contrast="auto">Depois a gigante tarefa da reabilitação&#8230;</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Penso que o primeiro passo para a descarbonização dos edifícios é reduzir a carga energética necessária. E só o conseguimos fazer melhorando a envolvente, o isolamento e todos os aspectos construtivos. E é por isso que considero tão importante olhar para os edifícios existentes, sim. A regulamentação em geral centra-se muito nos edifícios novos. Na verdade, são os edifícios existentes — os 93% dos edifícios que vão permanecer aqui nos próximos 50 anos e que já estão construídos — que deveriam estar no centro de todas as políticas energéticas. </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Temos de nos concentrar primeiro neles e desenvolver projectos de eficiência energética que melhorem os vidros, os revestimentos exteriores e todos esses aspectos. Só assim reduzimos a nossa carga energética. </span><span data-contrast="auto">Depois, é preciso dimensionar correctamente os equipamentos e, a partir daí, procuramos introduzir energias renováveis para compensar essa carga. Trata-se de um percurso dispendioso, sim, mas necessário para os edifícios existentes.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span class="NormalTextRun SCXW237173329 BCX0">Na cidade de Nova Iorque, por exemplo, existe uma </span><span class="NormalTextRun SCXW237173329 BCX0">regulamentação</span><span class="NormalTextRun SCXW237173329 BCX0"> que exige</span> <span class="NormalTextRun SCXW237173329 BCX0">que todos os edifícios existentes melhorem a sua envolvente e eficiência energética </span><span class="NormalTextRun SCXW237173329 BCX0">n</span><span class="NormalTextRun SCXW237173329 BCX0">uma determinada percentagem e dentro de um determinado prazo. Qualquer coisa que ronda uma melhoria de 20% até 2028 ou algo do género. E depois vão aumentando gradualmente os requisitos, e </span><span class="NormalTextRun SCXW237173329 BCX0">é necessário</span><span class="NormalTextRun SCXW237173329 BCX0"> atingir 40% até uma determinada data, com base num nível de referência. Esta prática está realmente a funcionar</span><span class="NormalTextRun SCXW237173329 BCX0"> e bem.</span></p>
<figure id="attachment_38210" aria-describedby="caption-attachment-38210" style="width: 1033px" class="wp-caption alignleft"><img decoding="async" class="wp-image-38210 size-full" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Visita-tecnica-as-instalacoes-da-LMSA.jpg" alt="" width="1033" height="675" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Visita-tecnica-as-instalacoes-da-LMSA.jpg 1033w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Visita-tecnica-as-instalacoes-da-LMSA-300x196.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Visita-tecnica-as-instalacoes-da-LMSA-1024x669.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Visita-tecnica-as-instalacoes-da-LMSA-768x502.jpg 768w" sizes="(max-width: 1033px) 100vw, 1033px" /><figcaption id="caption-attachment-38210" class="wp-caption-text">Visita técnica às instalações da LMSA</figcaption></figure>
<p><b><span data-contrast="auto">A Europa deixou cair as metas intermédias rumo ao carbono zero nos edifícios. Temos apenas a data de 2050 para a descarbonização total do parque edificado. Uma meta realista, tendo em conta o investimento necessário?</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">O investimento necessário é o principal obstáculo. Esta prática pode ser muito onerosa para os proprietários dos edifícios. E, por isso, se existirem incentivos torna-se tudo mais fácil. Mas se estivermos apenas à espera de que o proprietário do edifício assuma esses custos, vai ser muito difícil. E, por isso, acho que temos de encarar a descarbonização como um percurso no tempo. E há muita pressão devido à situação em que nos encontramos no que diz respeito ao aumento da temperatura, mas temos de ser práticos. E se olharmos para as grandes questões que procuramos resolver enquanto mundo e enquanto indústria — e vou usar as alterações climáticas ou a destruição da camada de ozono como exemplo —, temos o problema identificado. Tínhamos um plano de mais de 15 ou 20 anos para reduzir este problema e utilizámos soluções provisórias para chegar lá. </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Assim, passámos da utilização dos fluidos frigorigéneos CFCs (R12), que danificam a camada de ozono, para os HCFCs (R22) e os HCFCs (R410A e R134a). Depois, eliminámo-los gradualmente e passámos para refrigerantes de baixo GWP (Potencial de Aquecimento Global ) e HFOs (hidrofluorolefinas), o que é, mais uma vez, o próximo passo e o futuro.  Estamos a fazê-lo com tempo e da forma correcta, mas tínhamos um objectivo a longo prazo e etapas intermédias para lá chegar.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Só assim podemos alcançar este objectivo das emissões líquidas de carbono zero. Mas é muito importante definir metas a longo prazo. A meta do ano 2050 é a mais acertada, mas temos de dar passos intermédios e graduais para lá chegarmos, em vez de tentarmos fazer tudo agora e de uma única vez.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><b><span data-contrast="auto">Existe imensa regulamentação na Europa. E o mercado vê este excesso de legislação e a sua complexidade como uma grande dificuldade.</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Sim, eu tenho bastante experiência com a regulamentação europeia.</span> <span data-contrast="auto">E isso acontece em muitos outros países. Existe uma espécie de orientação europeia via directivas comunitárias, mas a implementação fica a cargo de cada Estado-Membro. Mas se olharmos para o Norte da Europa, como a Alemanha e outros países, verificamos que não só existem os meios, como também existe a vontade de avançar. Depois, em climas que talvez não exijam tanto ar-condicionado como no Sul ou Leste da Europa, as coisas são diferentes porque as necessidades são diferentes. </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Por isso, a capacidade de resposta de cada Estado-Membro varia de forma significativa em toda a Europa. Em Espanha, ou em Itália, pode não ser possível fazer o mesmo que se faz na Alemanha ou na Dinamarca. E assim surge uma inconsistência na aplicação da lei e até na gestão dos incentivos, porque cabe sempre às autoridades locais decidir como vão proceder. Na Europa Oriental existem outros problemas. Haverá partes da Europa que cumprem rigorosamente as regras e outras que não o fazem de forma nenhuma.</span></p>
<p><b><span data-contrast="auto">Podíamos fazer melhor se as directivas europeias tivessem em conta as necessidades dos diferentes países da Europa?</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">No que diz respeito à eficiência energética, e tendo como exemplo os EUA, os requisitos mínimos exigidos são regulados a nível federal, o que significa que nenhum Estado dos EUA pode ter requisitos inferiores ao mínimo federal. Podem ir mais longe, como é o caso da Califórnia, mas não podem ficar aquém. Portanto, não cabe aos Estados decidir por si. Só que nem tudo funciona assim nos EUA. </span><span data-contrast="auto">No que diz respeito às regulamentações ambientais (Agência de Protecção Ambiental), cada Estado tem a sua própria versão, e pode ir mais ou menos longe, dependendo das políticas ambientais internas. Mas no que diz respeito à energia isto não acontece. </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Na Europa, se houvesse uma forma de garantir que as orientações fossem implementadas para todo o espaço europeu&#8230; a questão é que, para funcionar bem, as regras têm de ser simples e muito práticas ao mesmo tempo. E, por vezes, penso que na Europa os conteúdos da regulamentação são tão complicados e densos que se torna muito difícil cumpri-los de forma razoável. Depois acresce a imensa burocracia e o investimento enorme que é necessário.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><b><span data-contrast="auto">Eduardo Maldonado </span></b><b><span data-contrast="auto">foi nomeado director da ASHRAE para a Europa. A sensibilização para essas questões vai ser uma das suas missões? Para nós portugueses é uma honra termos um português no </span></b><b><i><span data-contrast="auto">Board of Directors </span></i></b><b><span data-contrast="auto">da ASHRAE.</span></b><span data-ccp-props="{&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">O Eduardo é uma pessoa fantástica. Como especialista nesta área tem a personalidade certa para ajudar a criar alianças na Europa. E essas alianças são muito importantes para nós. Existem muitas associações europeias que protegem os seus mercados locais e isso sempre existiu. Normalmente essas associações são formadas por empresas. A ASHRAE é um tipo de organização muito diferente, não temos empresas como membros, temos indivíduos. Por isso, sou eu que sou membro, não a minha empresa. Trabalhamos com empresas, mas existimos para servir a sociedade com o nosso conhecimento técnico sobre o ambiente construído. E, talvez por isso, não acho que exista uma competição com outras entidades. Não estamos a tentar competir, mas, por vezes, essas entidades ficam um pouco receosas com a nossa dimensão global e notamos alguma resistência. </span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:0,&quot;335559737&quot;:0,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Queremos trabalhar com toda a gente. É muito mais fácil resolver os grandes problemas do mundo se tivermos muitas pessoas a remar juntas na mesma direcção. E não queremos duplicar esforços. Por isso, se a REHVA </span><span data-contrast="auto">(</span><span data-contrast="auto">Federação Europeia das Associações de Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado)</span><span data-contrast="auto">, a EUROVENT (Associação Europeia representante da Indústria de Aquecimento, Ventilação, Ar Condicionado e Refrigeração)</span> <span data-contrast="auto">ou qualquer outra organização estiver a trabalhar em algo, prefiro colaborar com elas e não estarmos a duplicar trabalho e a desperdiçar tempo. Neste contexto, o Eduardo vai ser muito importante, até porque, para além do seu conhecimento técnico, é um diplomata e uma pessoa muito respeitada. </span><span data-ccp-props="{&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:276}"> </span></p>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fotografias de destaque e no texto: © Direitos Reservados</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Que ar respiramos dentro dos edifícios? O desafio da QAI na Europa</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/que-ar-respiramos-dentro-dos-edificios-o-desafio-da-qai-na-europa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Galego]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 08:57:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[epbd]]></category>
		<category><![CDATA[eurovent]]></category>
		<category><![CDATA[qualidade do ar interior]]></category>
		<category><![CDATA[REHVA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passamos grande parte do tempo em espaços fechados, mas raramente pensamos na qualidade do ar que respiramos dentro de portas. Muito se fala sobre a poluição atmosférica, mas a verdade é que o ar no interior dos edifícios pode estar significativamente mais poluído do que o ar exterior, com impactos na saúde, no conforto e até na produtividade. A qualidade do ar interior surge, assim, como um dos grandes desafios a nível europeu.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/que-ar-respiramos-dentro-dos-edificios-o-desafio-da-qai-na-europa/">Que ar respiramos dentro dos edifícios? O desafio da QAI na Europa</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=165" target="_blank" rel="noopener">edição nº 165 da Edifícios e Energia</a> (Maio/Junho 2026).</em></strong></p>
<p>Passamos grande parte do tempo em espaços fechados, mas raramente pensamos na qualidade do ar que respiramos dentro de portas. Muito se fala sobre a poluição atmosférica, mas a verdade é que o ar no interior dos edifícios pode estar significativamente mais poluído do que o ar exterior, com impactos na saúde, no conforto e até na produtividade. A qualidade do ar interior surge, assim, como um dos grandes desafios a nível europeu.</p>
<p>A qualidade do ar interior (QAI) tem vindo a afirmar-se como um aspecto relevante de saúde pública na Europa. Os europeus passam cerca de 90% do seu tempo em ambientes interiores como casas, escritórios, escolas, hospitais ou meios de transporte, de acordo com a Associação Europeia da Indústria de Ventilação (EVIA). É no interior dos edifícios que a maioria da população vive, trabalha e respira diariamente.</p>
<p>Paradoxalmente, é também nesses espaços que o ar pode apresentar níveis de poluição significativamente superiores aos do exterior. Estudos citados pela EVIA indicam que o ar interior pode ser duas a cinco vezes mais poluído do que o ar ambiente, podendo, em casos extremos, atingir concentrações até cem vezes superiores. Esta realidade resulta sobretudo da acumulação de poluentes gerados por actividades quotidianas e materiais comuns. As fontes de contaminação são múltiplas e, muitas vezes, invisíveis: desde revestimentos de pavimentos, tintas e vernizes, até ao acto de cozinhar, limpar ou simplesmente respirar. A estas juntam-se ainda contribuições do exterior, como emissões de tráfego rodoviário, actividades industriais, pólen e partículas finas. A exposição prolongada a estes contaminantes torna-se um factor determinante no desenvolvimento de doenças respiratórias, como a asma, bem como na propagação de infecções e alergias.</p>
<p>A QAI refere-se, assim, à qualidade do ar dentro e ao redor dos edifícios, tendo em conta os impactos que o mesmo tem na saúde, conforto e bem-estar dos ocupantes. Este conceito abrange não apenas o sector residencial, mas também um vasto conjunto de espaços não residenciais, incluindo escolas, unidades de saúde, estabelecimentos comerciais, fábricas e até transportes. Para além de influenciar a saúde pública, a produtividade, o desempenho cognitivo e a qualidade de vida dos cidadãos também são parâmetros a ter em consideração.</p>
<h5><strong>Resposta política é necessária</strong></h5>
<p>Diversos factores contribuem para uma má qualidade do ar interior. Entre eles destacam-se a presença de compostos orgânicos voláteis (emitidos por materiais de construção, mobiliário e produtos de limpeza), partículas em suspensão, humidade excessiva, mofo, fumo de tabaco e níveis elevados de dióxido de carbono, sendo que este último, embora não seja um poluente em si, funciona como indicador da falta de renovação do ar. A própria evolução dos edifícios nas últimas décadas, com maior estanquidade para ganhos de eficiência energética, veio reduzir a ventilação natural e dificultar a dissipação de poluentes.</p>
<p>Neste contexto, um manifesto publicado em Junho de 2024 pela EVIA reforça a urgência política do tema, defendendo que “a boa qualidade do ar interior deve tornar-se um direito humano fundamental”. O documento sublinha que, apesar de muitos países europeus já reconhecerem o direito a um ambiente saudável, “esquece-se frequentemente que a necessidade de boa qualidade do ar não se limita ao ar exterior, mas inclui também o ar que respiramos em espaços interiores”.</p>
<p>Os signatários do manifesto alertam ainda que “a qualidade do ar interior reveste-se de importância crítica e merece a elevada atenção política que lhe é devida a nível europeu”, apelando a uma acção mais ambiciosa. Entre as principais recomendações está a necessidade de “atribuir igual (elevada) importância à ‘qualidade do ar interior’ e à ‘qualidade do ar ambiente’ na adopção de políticas da UE” e de proceder a uma revisão abrangente das políticas europeias para integrar medidas mais eficazes neste domínio.<br />
Apesar de alguns avanços, como a revisão da Directiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), que reconhece o papel da ventilação na saúde e no conforto, a regulamentação da QAI parece continuar fragmentada e maioritariamente dependente dos Estados-Membros. Assim, à medida que a União Europeia procura reforçar as suas políticas ambientais e de saúde pública, a integração da qualidade do ar interior surge não apenas como uma necessidade técnica, mas como uma questão de direitos fundamentais e de qualidade de vida para milhões de europeus.</p>
<p>É neste ponto — entre a ambição política e a aplicação prática — que ganham relevância instrumentos técnicos capazes de traduzir objectivos em soluções concretas no terreno. A melhoria da QAI depende também da forma como os edifícios são concebidos, equipados e operados, incluindo a selecção e avaliação dos seus componentes.</p>
<h5><strong>Entre a saúde e o desempenho ambiental</strong></h5>
<p>A crescente atenção à qualidade do ar interior (QAI) tem vindo a alargar o debate para além da saúde, com a integração das dimensões ambientais e de sustentabilidade. Recentemente, a Eurovent (Associação Europeia da Indústria do Aquecimento, Ventilação, Frio e Refrigeração) publicou um novo guia dedicado às Declarações Ambientais de Produto (DAPs) para filtros de ar, propondo uma abordagem estruturada para avaliar e comunicar o desempenho ambiental destes componentes essenciais dos sistemas AVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado).</p>
<p>O documento surge, segundo a associação, para responder à “crescente procura por dados ambientais fiáveis” e para ajudar os diferentes intervenientes do sector a compreender melhor os impactos ao longo do ciclo de vida das soluções de filtragem. Desenvolvido pelo Grupo de Produtos de Filtros de Ar (PG-FIL), o guia procura garantir “uma abordagem prática e baseada no consenso”, alinhada com normas existentes e com as necessidades do mercado, promovendo maior transparência e comparabilidade entre produtos.</p>
<p>Os filtros desempenham um papel directo na qualidade do ar que se respira dentro dos edifícios. Sabendo que os europeus passam cerca de 90% do tempo em espaços interiores, a capacidade de remover partículas nocivas (como as partículas finas PM2,5) é determinante para proteger a saúde dos ocupantes.</p>
<p>Como refere o guia, trata-se de “melhorar a qualidade do ar interior (QAI) para proteger as pessoas no edifício de poluentes nocivos”, sublinhando a ligação directa entre eficiência de filtragem e os benefícios para a saúde.</p>
<p>No entanto, a filtragem do ar apresenta também uma dimensão energética frequentemente subestimada. Apesar de serem componentes passivos, os filtros influenciam o desempenho global dos sistemas de ventilação: “a sua resistência ao fluxo de ar tem geralmente um impacto significativo no consumo total de energia e na pegada de carbono de um sistema”.</p>
<p>Esta relação cria um equilíbrio delicado entre eficiência de remoção de partículas, consumo energético e custos operacionais. Para apoiar decisões mais informadas, a Eurovent disponibiliza ferramentas como os modelos 4/21 e 4/24, que permitem estimar o consumo energético da operação dos filtros e avaliar o seu impacto ao nível do edifício. Estas metodologias contribuem para uma análise mais rigorosa e comparável, essencial num sector cada vez mais orientado por critérios de desempenho ambiental.</p>
<p>É neste ponto que as DAPs assumem um papel central. Baseadas na Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), estas declarações fornecem “informações detalhadas sobre o impacte ambiental” dos produtos — desde as matérias-primas e fabrico até à utilização e fim de vida — incluindo indicadores como o Potencial de Aquecimento Global. Funcionando como uma espécie de “rótulo nutricional” ambiental, as DAPs permitem uma leitura transparente e padronizada do desempenho ambiental dos filtros de ar.</p>
<p>Ainda assim, o guia alerta para a necessidade de uma interpretação cuidadosa. “As DAP são ferramentas valiosas […], mas podem ser mal utilizadas ou mal interpretadas”, não devendo ser confundidas com um selo de sustentabilidade. Pelo contrário, são instrumentos que “fornecem dados ambientais neutros e quantitativos”, cuja utilidade depende da comparação rigorosa entre produtos com base nas mesmas regras e da análise de múltiplos indicadores, e não apenas de métricas isoladas como a pegada de carbono.</p>
<p>Num contexto em que os edifícios representam mais de 30% da pegada ambiental da União Europeia, e em que os filtros de ar têm ciclos de vida curtos e aplicações variáveis, a necessidade de metodologias específicas torna-se evidente. A Eurovent sublinha: “a abordagem para a avaliação do impacte ambiental dos filtros necessita de ser diferente da utilizada para os produtos de construção ‘típicos’”.</p>
<blockquote>
<h5><strong>A abordagem da REHVA à qualidade do ar interior</strong></h5>
<p>A REHVA (Federação Europeia do Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado) posiciona a QAI como uma questão de saúde pública, defendendo que os edifícios devem ser concebidos e operados com base em critérios que vão além do conforto. A federação destaca a complexidade do ar interior e a presença de múltiplos poluentes com impacto directo na saúde.</p>
<p>A ventilação é apontada como um elemento-chave, mas apenas quando correctamente dimensionada, adaptada à ocupação real e assegurada ao longo de todo o ciclo de vida do edifício. Ainda assim, a REHVA sublinha que não é suficiente por si só, defendendo uma abordagem que começa no controlo das fontes de poluição, complementada por ventilação, e, quando necessário, filtragem.</p>
<p>A REHVA alerta também para os riscos de edifícios mais estanques no contexto da eficiência energética, defendendo a integração da QAI na regulamentação europeia. Para a federação, garantir ar interior saudável beneficia não só a qualidade do projecto, mas também operação e manutenção contínuas, num processo permanente de monitorização e adaptação.</p>
<h5><strong>Eurovent: sustentabilidade e saúde aliadas</strong></h5>
<p>A Eurovent defende uma abordagem regulatória mais forte para a QAI na Europa, alertando para falhas de mercado e para a ausência de um enquadramento legislativo abrangente nesta área. A associação considera a QAI uma necessidade básica e um direito fundamental, defendendo maior intervenção política ao nível europeu.</p>
<p>Neste contexto, a Eurovent tem apelado à integração de requisitos de qualidade do ar em instrumentos como a Directiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), promovendo uma ligação mais directa entre energia, saúde e bem-estar. Do ponto de vista técnico, esta associação destaca o papel dos sistemas de AVAC, nomeadamente a ventilação e a filtragem na garantia de ambientes interiores saudáveis, sublinhando também a importância da manutenção e da monitorização contínua.</p>
<p>A associação alerta ainda que a transição energética, ao tornar os edifícios mais eficientes e estanques, pode agravar riscos de poluição interior, defendendo, por isso, que sustentabilidade e a saúde sejam tratadas de forma integrada nas políticas europeias de construção.</p></blockquote>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Qualidade do ar interior: a nova centralidade da QAI</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/qualidade-do-ar-interior-a-nova-centralidade-da-qai/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Ascenso]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 08:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[apirac]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[EFRIARC]]></category>
		<category><![CDATA[epbd]]></category>
		<category><![CDATA[QAI]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A nova regulamentação térmica está a chegar e a saúde passa para a linha da frente. Um novo protagonista e um novo paradigma. Para além de energeticamente eficientes e zero emissões, os edifícios deverão ter uma boa qualidade do ar interior. Fomos ouvir o sector e as conclusões são unânimes. A nossa legislação actual é suficiente, mas falta um plano de fiscalização eficaz. "O modelo assenta em verificações ambientais insuficientes e desajustadas".</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=165" target="_blank" rel="noopener">edição nº 165 da Edifícios e Energia</a> (Maio/Junho 2026).</em></strong></p>
<p>A nova regulamentação térmica está a chegar e a saúde passa para a linha da frente. Um novo protagonista e um novo paradigma. Para além de energeticamente eficientes e zero emissões, os edifícios deverão ter uma boa qualidade do ar interior. Fomos ouvir o sector e as conclusões são unânimes. A nossa legislação actual é suficiente, mas falta um plano de fiscalização eficaz. &#8220;O modelo assenta em verificações ambientais insuficientes e desajustadas&#8221;.</p>
<p>Associar um bom ambiente interior ou a qualidade do ar nos edifícios que respiramos à saúde, ao bem-estar ou à produtividade já não tem qualquer novidade. Não há a menor dúvida das vantagens e da importância que a Qualidade do Ar Interior (QAI) tem nas nossas vidas. E não estamos a falar apenas no conforto, mas sim em prevenção de doenças e controlo de infecções. Já praticamente se disse tudo e as centenas de estudos científicos são à prova de bala. A novidade está agora na sua centralidade quando falamos em edifícios mais eficientes e em edifícios carbono zero (ZEB). A nova Directiva para o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD) impõe a QAI como um dos drivers principais e a questão está em saber como os Estados-Membros vão transpô-la para a regulamentação nacional. É que o rigor, as metodologias ou a fiscalização são essenciais, mas nem sempre são construídos e aplicados da melhor maneira e é aí que surgem os problemas.</p>
<p>Tendo estas evidências como ponto de partida, é importante recordar que a QAI esteve sempre presente na EPBD e sempre foi uma preocupação na legislação europeia. Desde 2002 que a QAI é considerada e reforçada nas várias revisões que se seguiram. Portugal foi um dos primeiros países da UE a integrar a QAI no Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior nos Edifícios (SCE), logo em 2006. Nessa altura, os requisitos de ventilação estavam perfeitamente definidos e eram acompanhados por um exigente protocolo de procedimentos obrigatórios e regulares ao nível da manutenção e auditorias nos edifícios de serviços. Um conjunto de regras sujeitas a fiscalizações periódicas, mas que não vingaram muito tempo.</p>
<p>O mercado e os proprietários dos grandes edifícios tiveram mais força e, na revisão seguinte, a legislação deixou cair este conjunto de exigências. Estávamos em plena crise e estes procedimentos e os custos falaram mais alto. Desde aí que os requisitos são actualizados e continuam a fazer parte da legislação em linha com as exigências de Bruxelas. Não há aí nenhum problema. Aparentemente, temos uma boa legislação em matéria de QAI, sucede que a atenção que lhe é dada é menor. A falta de fiscalização aparece à cabeça como o principal entrave para que os nossos edifícios possam não ser um bom exemplo em matéria de QAI. As auditorias não se fazem e as metodologias para as verificações periódicas são apontadas como insuficientes e desajustadas por parte dos profissionais do sector. Podemos ter uma legislação afinada, mas falta um conjunto de boas práticas que começa logo no projecto e que compromete todo o processo. Estamos a um mês da saída dos diplomas que transpõem a nova directiva e é por isso fundamental olharmos para a QAI e identificarmos os principais constrangimentos.</p>
<p>A última revisão da EPBD é muito clara: a directiva aprovada em 2024 (Directiva UE 2024/1275) coloca, pela primeira vez, a Qualidade do Ambiente Interior (IEQ &#8211; Indoor Environmental Quality) como um pilar central no sistema de certificação energética e ao mesmo nível da eficiência energética. Mais, as orientações definem que as melhorias ao nível da eficiência energética não podem comprometer a saúde e o conforto dos ocupantes. Para Bruxelas, a descarbonização dos edifícios faz-se com a manutenção de uma boa QAI e essa é uma novidade.</p>
<p>Os SACE ou a Inteligência nos Edifícios e a manutenção ganham ainda maior importância se pensarmos que a QAI vai passar a fazer parte de um ecossistema complexo – os ZEB, os edifícios zero emissões, que, para além da eficiência energética, das renováveis, da inteligência ou dos materiais construtivos, vão passar a olhar com mais atenção para o ar que respiramos no interior dos edifícios.</p>
<h5><strong>Por onde começar?</strong></h5>
<p>Parece que as nossas principais dificuldades não estão nos conteúdos legislativos e nas exigências do legislador, mas sim na forma como os gerimos, mantemos e fiscalizamos durante a operação do edifício. “Na regulamentação nacional já há a obrigação de garantia de boa qualidade do ar em projecto, mas isto não passa de uma declaração de intenções pois, durante a operação do edifício, não há nenhuma verificação. Os mais responsáveis fazem a sua manutenção e o seu comissionamento de forma voluntária e os edifícios funcionam bem, enquanto os outros, a maioria, tentam reduzir custos, poupam na manutenção e, se houver algum problema, paciência, resolve-se depois”, explica-nos Eduardo Maldonado na sua coluna de opinião desta edição (pág. 30).</p>
<p>Para Ernesto Peixeiro Ramos, também colunista da nossa revista (pág. 36), é importante começar por distinguir a exigência regulamentar e o desempenho real dos edifícios e deixar de “assumir que o cumprimento formal de determinados requisitos conduz automaticamente à obtenção de edifícios eficientes. Mas não conduz. O desempenho regulamentar é teórico; o desempenho relevante é o real, e entre ambos existe um desvio sistemático que permanece, em grande medida, fora de controlo”. Para este especialista, “a raiz do problema está no facto de a regulamentação incidir sobre o resultado e não sobre o processo”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-37628 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/shutterstock_387562294-1024x683.jpg" alt="" width="266" height="177" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/shutterstock_387562294-1024x683.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/shutterstock_387562294-300x200.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/shutterstock_387562294-768x512.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/shutterstock_387562294-1536x1024.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/shutterstock_387562294-2048x1365.jpg 2048w" sizes="(max-width: 266px) 100vw, 266px" /></p>
<p>Todos sabemos que uma boa qualidade do ambiente interior resulta de um conjunto de decisões que se tomam na fase do projecto e, depois, durante toda a fase de operação do edifício. De facto, é preciso assegurar esta base e, para isso, os procedimentos de verificação em matéria de fiscalização são muito importantes. E é aqui que aparece um outro problema. O sector reclama uma maior atenção ao tema, considerando que a QAI deve ser tratada, como sempre foi, no domínio da energia e que, por isso, deve estar do lado da engenharia e não da saúde. Recorde-se que as verificações actualmente exigidas resumem-se a medições efectuadas por Técnicos de Saúde Ambiental. Uma abordagem e fiscalização “totalmente erradas” que deverão começar “na fase de projecto”!</p>
<p>Partindo do princípio de que a legislação tal como ela existe não é desadequada ou insuficiente, é preciso saber qual a importância que lhe vai ser dada em matéria de fiscalização e se o modelo de fiscalização se irá manter.</p>
<p>Os procedimentos de verificação tal como hoje existem são suficientes para garantir a QAI, ou é preciso ir mais longe com outra abordagem? E as auditorias? Que regras ou outros requisitos deverão ser afinados para ampliar as boas práticas em matéria de ambiente interior?</p>
<p>É que “a nova Directiva Europeia relativa ao Desempenho Energético dos Edifícios exige que os Estados-Membros imponham a inspecção regular dos sistemas de ventilação em edifícios de grande dimensão (a cada 3 ou 5 anos), a par da monitorização contínua da qualidade do ambiente interior e reforço da inspecção dos sistemas AVAC (Aquecimento, Ventilação, Ar Condicionado). A nova directiva estabelece também que os edifícios de emissões nulas (ZEB) e as renovações profundas garantam elevados padrões de QAI através de tecnologias como a ventilação mecânica com recuperação de calor, sensores de monitorização e sistemas de filtragem eficientes”, recorda Nuno Roque, secretário-geral da APIRAC, a Associação Portuguesa das Empresas dos Sectores Energético, Electrónico e do Ambiente.</p>
<h5><strong>Mais saúde ou mais engenharia?</strong></h5>
<p>A QAI é um tema complexo, por isso vamos por partes. Para a EFRIARC, a Associação que congrega os engenheiros portugueses profissionais do sector do Ar Condicionado e do Frio Industrial, o tema da QAI deverá ser do domínio multidisciplinar. “Quem melhor sabe qual a taxa volumétrica de ar que um indivíduo necessita respirar para garantir satisfatoriamente as suas necessidades fisiológicas, de acordo com o seu estado de saúde e a sua actividade, senão alguém que tenha conhecimento das disciplinas da área da Saúde, da Biologia, ou afins?”.</p>
<p>Para esta associação, não há dúvidas de que o tema tem de estar enquadrado em várias disciplinas. O problema é outro e está na forma como podemos garantir e verificar a QAI. E “quem melhor sabe da(s) forma(s) de fazer chegar esse ar, em condições adequadas, i.e. eficientemente, a todos os ocupantes de um espaço senão alguém com formação em algumas áreas da Engenharia? Bastam estas duas asserções para se concluir que é desejável a coadjuvação e não exclusão de qualquer das partes”, explicam os dirigentes. Até aqui, o consenso é generalizado: a saúde e a engenharia têm de andar juntas em matéria de QAI.</p>
<p>A grande questão está na metodologia para a verificação da QAI. Por quem devem ser feitos estes trabalhos? A APIRAC não tem dúvidas, “é necessária a eliminação da inenarrável obrigatoriedade do incontornável protagonismo dos técnicos de saúde ambiental na Avaliação Simplificada Anual da QAI-ASA. Isto se queremos que a QAI seja uma realidade”. Nuno Roque, secretário-geral desta associação, lembra que, “sendo obviamente uma matéria de impacto na saúde das pessoas a Direcção-Geral da Saúde já indicou e publicou várias recomendações sobre a utilização segura dos Sistemas de AVAC em diversas Orientações”.</p>
<p>Trata-se de um conjunto de práticas que vão desde a “limpeza e manutenção de acordo com as indicações do fabricante, por empresa certificada para serviços de instalação e manutenção de Sistemas AVAC; direccionamento do ar para cima, de forma a não incidir directamente sobre os ocupantes do espaço; renovação frequente do ar, de forma a assegurar, sempre que possível, uma boa ventilação nos espaços; cumprimento da regulamentação relativamente a requisitos de ventilação e qualidade do ar interior; garantia do máximo caudal de ar novo possível; funcionamento das unidades de tratamento de ar com recirculação a 100% de ar novo sempre que possível; funcionamento contínuo dos sistemas de extracção das instalações sanitárias, etc.”. Estas recomendações visam assegurar “o máximo caudal de ar novo possível e o mínimo de recirculação, de forma a remover eventuais poluentes como os resultantes da actividade metabólica dos utentes, incluindo eventuais agentes biológicos”.</p>
<p>Para este dirigente, “todas estas constatações apresentam de modo claro o tipo de acompanhamento e monitorização que deve ser requisito para o cumprimento do desempenho desejado no domínio da QAI”. E reforça que, para tal acontecer, “é absolutamente determinante o envolvimento da especialidade técnica relacionada com o funcionamento dos sistemas AVAC, com a certificação dos técnicos para a avaliação da qualidade do ambiente interior”.</p>
<h5><strong>O que diz a ADENE sobre a estratégia em matéria de QAI</strong></h5>
<p>Para entendermos o que poderá ser diferente e qual a estratégia a seguir, contactámos a Agência para a Energia, (ADENE), a entidade que desempenha um papel fundamental na transposição da Directiva do Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD) para a legislação portuguesa, liderando a coordenação da primeira fase do Grupo de Trabalho (GT-EPBD). Desde logo, a principal mensagem que os responsáveis da ADENE querem passar para o mercado é a de que o processo ainda está na fase de recolha de contribuições por parte do sector. E que o principal objectivo está em “assegurar que as soluções regulamentares são tecnicamente robustas, exequíveis e alinhadas com a realidade do mercado da construção e da reabilitação”. Para isso, explicam, “os contributos dos diferentes agentes de mercado, designadamente, projectistas, peritos, indústria, entidades públicas e privadas, são fundamentais para garantir que os futuros requisitos promovem simultaneamente edifícios mais eficientes, mais saudáveis e com melhores condições de conforto para os seus utilizadores”.</p>
<p>Para a ADENE, “os edifícios com emissões nulas previstos na nova Directiva EPBD devem assegurar não apenas um elevado desempenho energético, mas também uma boa qualidade do ambiente interior, que inclui o conforto térmico, a ventilação e, nesse contexto, a qualidade do ar interior. Estes aspectos fazem parte integrante do desempenho global do edifício e devem ser assegurados desde a fase de projecto, evitando que a eficiência energética seja alcançada à custa da saúde ou do conforto dos ocupantes”.</p>
<p>Sabemos que estas exigências não são novas em Portugal e, por isso, “desde a primeira transposição da Directiva EPBD que a legislação nacional estabelece requisitos mínimos de ventilação, onde se incluem os caudais mínimos de ar novo, caudais de extracção e renovações por hora, que variam em função da categoria de edifícios, precisamente para garantir condições adequadas de qualidade do ambiente interior”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-37629 alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/shutterstock_2643694735-1024x768.jpg" alt="" width="342" height="257" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/shutterstock_2643694735-1024x768.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/shutterstock_2643694735-300x225.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/shutterstock_2643694735-768x576.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/shutterstock_2643694735-1536x1152.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/shutterstock_2643694735-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 342px) 100vw, 342px" /></p>
<p>Mas será necessária uma nova estratégia e abordagem em matéria de fiscalização? Para a ADENE, “a nova EPBD reforça a necessidade de considerar a qualidade do ambiente interior, onde naturalmente se inclui a qualidade do ar interior, ao longo de todo o ciclo de vida do edifício. A estratégia arranca logo na fase de concepção, em que, através dos requisitos de dimensionamento adequado dos sistemas técnicos, incluindo os sistemas técnicos de ventilação, devem ser previstos os caudais necessários à remoção de poluentes decorrentes do tipo de utilização dos espaços. Assim, a abordagem passa cada vez mais por assegurar que as soluções de projecto garantem, desde início, condições adequadas de qualidade do ar interior”, explicam.</p>
<p>Quanto aos procedimentos de verificação que existem actualmente e que o sector reclama como não sendo eficazes, a ADENE garante que a “a evolução da legislação passa também por reforçar o papel da manutenção enquanto elemento essencial para garantir o correcto funcionamento dos sistemas técnicos ao longo do tempo, condição indispensável para assegurar simultaneamente elevados níveis de eficiência energética e uma adequada qualidade do ar interior. Este quadro é complementado pela actuação das entidades competentes pela fiscalização, que, no âmbito do enquadramento regulamentar aplicável, procedem à avaliação do cumprimento dos limiares de poluentes dos espaços, assegurando o controlo e a verificação das condições de qualidade do ar nos edifícios”.</p>
<blockquote><p><strong>Estanquidade e monitorização (SACE)</strong></p>
<p>A prática da introdução de ar exterior por sistemas de ventilação/extracção em todos os edifícios, seja natural ou forçada, além de obrigatória, é fundamental para a saúde, bem-estar e segurança dos seus ocupantes ou utilizadores. A análise do espaço, das obstruções existentes, do tipo de actividade, do caudal de ar mínimo, do local de entradas e saídas do ar, da eficácia de ventilação, da climatização para evitar choques térmicos, são alguns dos requisitos a ter em conta na escolha e implementação de um bom sistema AVAC. Em alguns casos, é necessário remover a poluição do ar externo antes de o introduzir num edifício, usando sistemas de filtragem adequados do ar a introduzir no espaço interior, garantir a distribuição homogénea do ar novo em toda a zona ocupada e a renovação do ar interior. Só assim conseguimos garantir o caudal mínimo de ar novo considerado adequado.</p>
<p>Assim como o projecto de um sistema de ventilação e ar condicionado é muito importante para o conforto e qualidade de vida dos utentes, a manutenção também desempenha um papel essencial para garantir que os parâmetros de projecto são mantidos ao longo do tempo de vida do equipamento.</p>
<p>Considera-se relevante enquadrar adicionalmente os seguintes aspectos no âmbito da revisão regulamentar:</p>
<ul>
<li>Qualificação e certificação de instaladores, garantindo níveis adequados de competência técnica na concepção, instalação e manutenção dos sistemas de ventilação, contribuindo para assegurar o desempenho previsto em projecto, mitigando situações de instalação e ou funcionamento inadequado;</li>
<li>Acções de sensibilização e informação dirigidas aos utilizadores, promovendo a compreensão do funcionamento dos sistemas, a necessidade da sua manutenção e utilização adequada e ainda a valorização da qualidade do ambiente interior, tudo factores essenciais para a eficácia das soluções implementadas;</li>
<li>Incentivo à inovação tecnológica e digitalização dos sistemas, nomeadamente através da adopção e integração com SACE, potenciando melhorias contínuas de desempenho e eficiência energética;</li>
<li>Articulação com políticas públicas nas áreas da energia, saúde e sustentabilidade do edificado, assegurando coerência entre instrumentos regulamentares e estratégias nacionais de descarbonização, eficiência energética, promoção do bem-estar e resiliência do parque edificado;</li>
<li>Incentivar soluções tecnicamente evoluídas, designadamente sistemas de ventilação mecânica de duplo fluxo com recuperação de calor, que contribuam simultaneamente para a melhoria da qualidade do ambiente interior, redução do consumo e exigências energéticas e a adaptação progressiva do edificado às exigências ambientais futuras.</li>
</ul>
<p>Neste contexto, ainda de relevar o contributo que o selo de qualidade AR SAUDÁVEL emitido pela APIRAC passível de ser atribuído às instalações AVAC que demonstrem acompanhar as regras de saúde adequadas, através de procedimentos de avaliação de conformidade com inspecção aos sistemas de ventilação e climatização instalados.</p>
<p style="text-align: right;">APIRAC</p>
</blockquote>
<h5><strong>Que estratégia deveria ser seguida?</strong></h5>
<p>Neste impasse em saber como será feito esse reforço na manutenção ou que entidades irão proceder às avaliações da QAI, importa perceber que estratégia seria a ideal e que mais alertas podem ser feitos nesta fase.</p>
<p>Cláudia Casaca, professora no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) e presidente cessante da EFRIARC, relembra que “a revisão é clara ao estabelecer que os Edifícios de Emissões Nulas devem garantir níveis óptimos de qualidade do ambiente interior, incluindo a qualidade do ar interior (QAI), integrando explicitamente a saúde e o bem-estar dos ocupantes no cálculo do desempenho energético. A eficiência energética deixa assim de ser um objectivo isolado e passa a estar indissociavelmente ligada à saúde e ao conforto dos ocupantes”. Para esta especialista, “a QAI tem sido tradicionalmente tratada sobretudo como uma questão de saúde pública, com uma repartição de responsabilidade ainda difusa”. Uma abordagem relevante, mas que tende “a tratar o problema a jusante, isto é, quando os efeitos sobre a saúde já se manifestam.</p>
<p>Contudo, do ponto de vista técnico, a QAI é, em grande medida, o resultado directo de decisões tomadas no domínio da engenharia dos edifícios. A selecção de materiais de construção, o nível de estanquidade da envolvente, o dimensionamento dos sistemas de ventilação, a estratégia de filtração do ar exterior e o modo de operação dos sistemas AVAC determinam, em grande medida, a concentração de poluentes no ambiente interior. Por outras palavras, a QAI não é apenas uma questão sanitária; é, fundamentalmente, uma consequência das decisões de projecto e de operação energética dos edifícios”.</p>
<p>Assim, Cláudia Casaca defende que &#8220;a separação institucional entre políticas de energia e políticas de saúde pode revelar-se insuficiente para responder ao desafio colocado pela nova EPBD” e apela a uma nova abordagem. Para esta professora universitária, uma abordagem possível consistiria em “limitar a intervenção regulamentar à verificação periódica de alguns indicadores de QAI, como concentrações de CO2 ou partículas”. Embora a monitorização seja importante, e a nova directiva europeia vai precisamente nesse sentido, dificilmente será suficiente para garantir ambientes interiores saudáveis, considera. A razão é simples: “monitorizar um problema não significa necessariamente preveni-lo&#8221;.</p>
<h5><strong>Então, o que é preciso fazer?</strong></h5>
<p>Cláudia Casaca é perentória. “Não basta haver procedimentos de verificação a posteriori. A QAI garante-se no projecto, com requisitos técnicos claros para ventilação, controlo de poluentes e desempenho dos sistemas AVAC, e mantém-se na operação. A operação e a manutenção assumem um papel também decisivo, pois podem comprometer rapidamente o desempenho inicialmente previsto e, com isso, permitir a degradação do ambiente interior, transformando o edifício numa estrutura ´doente`.”</p>
<p>Sabemos que o foco passa a estar no “desempenho operacional e, por isso, o edifício deve ser eficiente e manter o ar limpo”. Neste sentido, “os caudais de ar novo calculados revelam-se insuficientes para obtenção de uma solução de ventilação eficaz”, destaca Nuno Roque, da APIRAC. Desta forma, entende como recomendável a introdução de uma abordagem complementar baseada no desempenho. Como? Para este dirigente, e para começar, considera-se “pertinente a obrigatoriedade de as Unidades de Tratamento de Ar (UTA) e Unidades de Tratamento de Ar Novo (UTAN) acima de um determinado caudal terem sistema de controlo do seu próprio funcionamento, montados em fábrica e que permitam garantir o funcionamento capaz do sistema, incluindo o da própria unidade e unidades exteriores a ela associadas (excepções possíveis: sistemas específicos como industriais e hospitalares); o contributo dos sistemas de ventilação mecânica controlada de duplo fluxo com recuperação de calor como solução de referência para edifícios novos e reabilitações profundas, dada a sua capacidade de assegurar caudais controlados com a consequente redução de perdas energéticas; a necessidade de actualização dos requisitos mínimos de eficiência aplicáveis aos permutadores de calor e a inclusão de critérios de verificação de desempenho real, incluindo monitorização e registo operacional”.</p>
<p>Como medidas procedimentais da maior relevância a considerar na revisão, Nuno Roque identifica “a inclusão obrigatória da avaliação das condições higiossanitárias dos sistemas de climatização, incluindo os registos da manutenção preventiva, nas Avaliações da QAI (GES e PES); a obrigatoriedade da Avaliação da qualidade do ambiente interior a cada três anos (GES e PES) e a inclusão da medição de iluminância na avaliação da qualidade do ambiente interior”.</p>
<p>A presidente cessante da EFRIARC alerta para o facto de, durante muitos anos, a redução dos consumos de energia ser a peça central na política energética. E, com isso, “tornou-se progressivamente evidente que intervenções focadas apenas na eficiência energética, nomeadamente o aumento da estanquidade da envolvente, podem gerar efeitos indesejáveis caso não sejam acompanhadas por soluções adequadas de ventilação e controlo da qualidade do ar”.</p>
<p>Para esta engenheira, a nova directiva vem agora “evitar este risco”. E como? “Sem algumas condições de base, a monitorização pode limitar-se a revelar problemas estruturais cuja resolução posterior será complexa e dispendiosa. A experiência acumulada no sector dos edifícios demonstra que a QAI deve ser assegurada sobretudo numa fase de projecto, através de decisões correctas de concepção. Isto inclui, por exemplo, o controlo das fontes de poluição (materiais e equipamentos), o dimensionamento adequado da ventilação, a possível utilização de sistemas de recuperação de calor e a integração de estratégias de filtração ajustadas às condições do ar exterior”.</p>
<p>Para Cláudia Casaca não há qualquer dúvida: “se a ambição europeia for efectivamente alcançar edifícios de emissões nulas que sejam simultaneamente saudáveis, será necessário adoptar uma abordagem mais integrada e que a QAI deixe de ser uma verificação administrativa e passe a ser um parâmetro operativo”. Mais, “tal como aconteceu com a eficiência energética nas últimas duas décadas, a qualidade do ar interior poderá tornar-se um dos grandes temas da próxima geração de regulamentação do sector. Se assim for, a questão central deixará de ser apenas quanto consome um edifício, passando também a ser que ambiente proporciona aos seus ocupantes”, conclui.</p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
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		<title>EPBD 2024: Eficiência energética ou continuação da fábrica de patologias?</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/epbd-2024-eficiencia-energetica-ou-continuacao-da-fabrica-de-patologias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edifícios e Energia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 08:00:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[descarbonização]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[eficiência energética]]></category>
		<category><![CDATA[emissões]]></category>
		<category><![CDATA[epbd]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A revisão da Directiva de Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD 2024/1275) marca uma mudança de paradigma sem precedentes na política imobiliária europeia, abandonando a visão restritiva do quilowatt-hora para abraçar a saúde humana através do conceito de Qualidade do Ambiente Interior óptima. No entanto, este avanço legislativo coloca um espelho desconfortável perante a realidade portuguesa, onde a distância entre a legislação no papel e a prática no terreno é abismal. É sob esta temática que se desenvolve a conversa entre Ernesto Peixeiro Ramos (PR) e Jorge Manuel Carvalho (JC).</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=165" target="_blank" rel="noopener">edição nº 165 da Edifícios e Energia</a> (Maio/Junho 2026).</em></strong></p>
<p>A revisão da Directiva de Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD 2024/1275) marca uma mudança de paradigma sem precedentes na política imobiliária europeia, abandonando a visão restritiva do quilowatt-hora para abraçar a saúde humana através do conceito de Qualidade do Ambiente Interior óptima. No entanto, este avanço legislativo coloca um espelho desconfortável perante a realidade portuguesa, onde a distância entre a legislação no papel e a prática no terreno é abismal. É sob esta temática que se desenvolve a conversa entre Ernesto Peixeiro Ramos (PR) e Jorge Manuel Carvalho (JC).</p>
<p><strong>PR:</strong> A nova revisão da directiva do desempenho energético nos edifícios introduz uma mudança relevante na política europeia de edifícios. Durante décadas, o desempenho foi medido quase exclusivamente em termos de consumo energético. Agora, a directiva passa a integrar explicitamente a saúde humana no conceito de desempenho.</p>
<p><strong>JC:</strong> É uma mudança lógica, embora tardia. Os edifícios não são apenas sistemas térmicos eficientes; são ambientes onde as pessoas vivem, trabalham e respiram diariamente. Ignorar essa dimensão sempre foi uma visão incompleta da engenharia.</p>
<p><strong>PR:</strong> Para perceber o alcance desta mudança, convém distinguir duas abordagens. A Qualidade do Ar Interior (QAI) avalia poluentes específicos em medições pontuais e é o que está referido na legislação em vigor. No contexto da directiva temos a qualidade do ambiente interior, que é um conceito mais completo ao integrar a QAI com o conforto térmico, a acústica e a iluminação.</p>
<p><strong>JC:</strong> A analogia médica ajuda a compreender a diferença. Medir CO2 ou humidade é como medir febre num paciente. A saúde real do edifício depende da robustez do sistema que o sustenta desde o projecto até à exploração.</p>
<p><strong>PR:</strong> Em Portugal, o principal problema não é necessariamente a ausência de legislação, já que existem exigências relevantes em muitos edifícios de serviços, comércio ou equipamentos sensíveis. O problema surge na distância entre o que está escrito na lei e o que realmente depois acontece.</p>
<p><strong>JC:</strong> Exactamente. As medições microbiológicas e análises químicas estão previstas no regulamento. No entanto, muitas vezes são tratadas como mera formalidade administrativa e não como instrumentos de protecção da saúde humana. A percepção dominante continua a ser a de que são apenas um custo adicional.</p>
<p><strong>PR:</strong> Essa atitude traduz-se frequentemente no estado real dos sistemas de ventilação. Encontramos unidades desligadas para reduzir consumos ou filtros completamente colmatados. Essas situações comprometem totalmente a função sanitária dos sistemas.</p>
<p><strong>JC:</strong> O resultado é um paradoxo técnico. Aquilo que deveria funcionar como pulmão do edifício acaba por se transformar num distribuidor de contaminantes. O equipamento existe, mas deixou de cumprir a função para que foi concebido.</p>
<p><strong>PR:</strong> A nova directiva procura alterar essa lógica. A qualidade do ambiente interior passa a exigir verificação contínua e desempenho comprovado. Não se trata apenas de medições ocasionais realizadas de forma pontual.</p>
<p><strong>JC:</strong> É uma mudança relevante. Em vez de uma fotografia anual — que muitas vezes nem chega a ser tirada—, passamos a ter algo mais próximo de um monitor clínico permanente, a “ficha médica do paciente”, que neste caso é o edifício.</p>
<p><strong>PR:</strong> No sector residencial, o problema manifesta-se de forma diferente. O cumprimento dos requisitos de ventilação baseia-se frequentemente em cálculos teóricos realizados em folhas de cálculo.</p>
<p><strong>JC:</strong> O valor de 0,5 renovações por hora aparece impecável no Excel. Mas quando analisamos o edifício real percebemos que aquela renovação de ar raramente acontece.</p>
<p><strong>PR:</strong> É frequente combinar janelas extremamente estanques, necessárias para uma boa classe energética, com um pequeno extrator na casa de banho. Esse ventilador acaba por ser o único mecanismo de renovação previsto.</p>
<p><strong>JC:</strong> Num edifício hermético isso não resolve o problema. O ventilador tenta extrair ar sem que exista uma admissão equivalente. Cria-se assim uma depressão que o sistema não consegue compensar.</p>
<p><strong>PR:</strong> O ventilador continua a funcionar, mas não consegue garantir a renovação de ar necessária. Quando se liga a hotte da cozinha a situação agrava-se ainda mais. A depressão aumenta e o edifício começa a procurar ar onde quer que ele exista. A física acaba por impor a sua própria solução.</p>
<p><strong>JC:</strong> Sem entradas de ar devidamente dimensionadas, o edifício recorre a percursos inesperados. O ar novo entra por caminhos completamente indesejáveis. Esse comportamento raramente é considerado no projecto.</p>
<p><strong>PR:</strong> Condutas de esgoto, chaminés vizinhas ou outras condutas tornam-se vias de admissão improvisadas. O fenómeno é silencioso e muitas vezes passa despercebido. No entanto, as consequências sanitárias podem ser relevantes.</p>
<p><strong>JC:</strong> O resultado é a inversão de fluxos e a entrada de contaminantes nas zonas de permanência. O projecto declara conformidade, mas o comportamento real do edifício é claramente diferente.</p>
<p><strong>PR:</strong> Assim surgem edifícios formalmente conformes, mas ambientalmente problemáticos. O cálculo regulamentar indica um cenário ideal. A realidade mostra um sistema de ventilação totalmente desequilibrado.</p>
<p><strong>JC:</strong> Com a implementação das normas mínimas de desempenho energético, muitos edifícios existentes terão de melhorar a sua classe energética. Isso implicará intervenções de reabilitação.</p>
<p><strong>PR:</strong> O risco é concentrar essas intervenções apenas em isolamento e caixilharias. A eficiência térmica melhora rapidamente. Porém, o comportamento da ventilação pode degradar-se de forma significativa.</p>
<p><strong>JC:</strong> Ao eliminar infiltrações naturais estamos a selar o edifício e aí surgem humidades elevadas, condensações frequentes e crescimento de bolores. O ganho energético transforma-se num problema de qualidade do ambiente interior. A eficiência deixa de ser sustentável.</p>
<p><strong>PR:</strong> Por isso, a regulamentação deve olhar para todo o ciclo de vida do edifício. A saúde do ambiente interior começa na fase de conceção. É nessa fase que se definem os princípios do sistema.</p>
<p><strong>JC:</strong> Isso implica escolher materiais de baixa emissão química e planear o percurso real do ar. Ventilar não significa apenas instalar equipamentos. Significa desenhar fluxos coerentes entre compartimentos.</p>
<p><strong>PR:</strong> Na fase de construção é igualmente necessário comprovar o desempenho real. Ensaios de estanquidade e medições de caudal devem validar aquilo que foi projectado. Sem essa verificação, o projecto permanece teórico.</p>
<p><strong>JC:</strong> Sem essas verificações, o projecto permanece apenas uma intenção teórica. Pequenas alterações em obra podem comprometer totalmente o comportamento previsto. Em algumas situações, o ensaio recorrendo a fumos torna-se necessário para validar o que foi projectado.</p>
<p><strong>PR:</strong> Depois surge a fase de exploração, onde muitos sistemas acabam por degradar-se. A ventilação depende de manutenção regular e de operação adequada. Sem isso o desempenho degrada-se rapidamente.</p>
<p><strong>JC:</strong> Filtros obstruídos e ventiladores desligados são situações frequentes. A tentativa de poupança imediata de energia compromete o ambiente interior. No longo prazo, os custos acabam por ser maiores.</p>
<p><strong>PR:</strong> A directiva aposta também na digitalização e no acompanhamento inteligente dos edifícios. Sensores e indicadores podem ajudar a compreender o comportamento real. A monitorização contínua torna-se numa ferramenta essencial.</p>
<p><strong>JC:</strong> Mas sensores são apenas instrumentos de diagnóstico. A verdadeira inteligência está na capacidade de resposta do edifício às condições interiores. O sistema deve ajustar automaticamente ventilação e funcionamento.</p>
<p><strong>PR:</strong> A transposição da directiva para o quadro jurídico nacional é uma oportunidade importante. Permite alinhar eficiência energética com saúde e conforto. É um momento decisivo para corrigir os retrocessos da legislação de 2013 e 2021.</p>
<p><strong>JC:</strong> Se for bem aplicada poderá aproximar projecto e realidade física. A engenharia passará a responder ao comportamento real dos edifícios. O objectivo final é simples: edifícios que consigam respirar de forma equilibrada.</p>
<p><strong>PR:</strong> A sustentabilidade de um edifício não se mede apenas pela redução do consumo energético. Mede-se também pela capacidade de proteger a saúde de quem o utiliza diariamente. Este deve ser o verdadeiro critério de decisão.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>JC:</strong> Um edifício pode ser energeticamente exemplar e, ainda assim, pode ser insalubre. E, quando isso acontece, não estamos perante eficiência, mas sim perante um erro de engenharia. E, no final das contas, um edifício eficiente que produz ar insalubre… é apenas um edifício doente. E muitos não adoecem, já nascem doentes!</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</strong></em></p>
<p>Fotografia de destaque: © Pexels</p>
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		<title>O Ar que Respiramos: O Coração da Nova Diretiva Europeia e o Papel dos Sistemas Gyptec e Volcalis</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/empresas/o-ar-que-respiramos-o-coracao-da-nova-diretiva-europeia-e-o-papel-dos-sistemas-gyptec-e-volcalis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edifícios e Energia]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[grupo preceram]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A recente revisão da Diretiva para o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD 2024) marca um ponto de viragem histórico no setor da construção. Pela primeira vez, a legislação europeia coloca a Qualidade do Ar Interior ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"></p>



<div style="height:45px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="wp-block-paragraph">A recente revisão da <strong>Diretiva para o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD 2024</strong>) marca um ponto de viragem histórico no setor da construção. Pela primeira vez, a legislação europeia coloca a Qualidade do Ar Interior (QAI) no mesmo patamar de relevância que a eficiência energética. No <strong><a href="https://preceram.pt/" type="link" id="https://preceram.pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Grupo Preceram</a></strong>, vemos esta mudança não como um obstáculo, mas como uma evolução necessária: o edifício moderno deve deixar de ser apenas uma caixa isolada para se tornar um ecossistema que protege e promove a saúde dos seus ocupantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste novo paradigma, a ventilação e a renovação do ar são fundamentais, mas a sua eficácia depende diretamente da natureza dos materiais que compõem a envolvente e as divisórias internas. É aqui que os sistemas de construção a seco, combinando as <strong><a href="https://gyptec.eu/placas-gesso/" type="link" id="https://gyptec.eu/placas-gesso/" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">placas de gesso Gyptec</a></strong> e a <strong><a href="https://volcalis.pt/la-mineral-volcalis/" type="link" id="https://volcalis.pt/la-mineral-volcalis/" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">lã mineral Volcalis</a></strong>, assumem um papel determinante na criação de espaços seguros, saudáveis e tecnicamente avançados.</p>



<div style="height:23px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/07/volcalisobra2-1024x576.png" alt="" class="wp-image-37349" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/07/volcalisobra2-1024x576.png 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/07/volcalisobra2-300x169.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/07/volcalisobra2-768x432.png 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/07/volcalisobra2.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<div style="height:23px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h6 class="wp-block-heading"><strong><strong>A Salubridade começa na Escolha dos Materiais</strong></strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>QAI</strong> é influenciada pela presença de Compostos Orgânicos Voláteis (COV). A <strong>lã mineral Volcalis</strong> destaca-se neste campo por possuir o <a href="https://edificioseenergia.pt/empresas/cuida-de-quem-vive-e-de-quem-instala/" type="link" id="https://edificioseenergia.pt/empresas/cuida-de-quem-vive-e-de-quem-instala/" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">selo <em>Indoor Air Comfort GOLD</em> da Eurofins</a>, a certificação mais rigorosa da Europa. Este rótulo garante que o isolamento não liberta substâncias nocivas para o ambiente interior, contribuindo para um ar mais limpo em habitações, escolas e hospitais. Quando associada às <strong>placas Gyptec</strong>, obtemos um sistema de compartimentação que não só é neutro em termos de emissões, como ajuda a regular a humidade ambiente, um fator crítico para evitar a proliferação de fungos e bolores.</p>



<div style="height:23px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h6 class="wp-block-heading"><strong><strong>A &#8220;Respiração&#8221; das Paredes e a Física do Edifício</strong> inteligente: sistemas que se adaptam ao projeto e ao consumidor</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos desafios da <strong>EPBD 2024</strong> é garantir que a estanquidade necessária para a eficiência energética não gere condensações. A <strong>lã mineral Volcalis</strong> é um material hidrorrepelente, mas permeável ao vapor. Esta propriedade permite que os sistemas &#8220;respirem&#8221;, facilitando a difusão do vapor de água e impedindo que a humidade fique retida no interior das paredes. Este equilíbrio é essencial para manter a integridade estrutural e para assegurar que a filtragem e a renovação do ar previstas nos projetos de ventilação não sejam anuladas por patologias biológicas nas paredes.</p>



<div style="height:23px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h6 class="wp-block-heading"><strong><strong>Segurança Passiva e Conforto Multidimensional</strong></strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">Para além da saúde respiratória, o bem-estar num edifício é indissociável da segurança e do silêncio. A <strong>lã mineral Volcalis</strong>, classificada como Euroclasse A1 (incombustível), atua como uma barreira eficaz contra o fogo, não emitindo gases tóxicos nem fumo em caso de incêndio – aspetos vitais para a evacuação segura. Simultaneamente, a estrutura filamentar da lã mineral confere-lhe uma capacidade de absorção sonora excecional, que, integrada nos sistemas de <strong>placas Gyptec</strong>, permite uma compartimentação acústica superior entre divisões, reduzindo o stress auditivo.</p>



<div style="height:23px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>Conclusão</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">Reabilitar ou construir à luz da <strong>EPBD 2024</strong> exige uma visão holística. Não basta isolar; é preciso saber com que materiais o fazemos. Ao optarmos por soluções integradas de gesso e lã mineral, estamos a responder às exigências de qualidade do ar interior e eficiência energética com um compromisso inabalável com a saúde. A engenharia de excelência é aquela que, sendo invisível por trás das paredes, garante que cada lufada de ar dentro de casa seja tão pura e segura quanto a tecnologia atual permite.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Artigo da Autoria do <strong><a href="https://preceram.pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Grupo Preceram</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator aligncenter has-text-color has-alpha-channel-opacity has-background is-style-wide" style="margin-top:2px;margin-bottom:2px;background-color:#27a5b8;color:#27a5b8"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>O texto acima é da inteira responsabilidade das empresas/entidades em causa.<br>Fonte: Press Release</em></strong></p>
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		<item>
		<title>Nova edição Maio/Junho &#124; Qualidade do Ar Interior: a nova centralidade da QAI</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/nova-edicao-maio-junho-qualidade-do-ar-interior-a-nova-centralidade-da-qai/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edifícios e Energia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 09:31:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[epbd]]></category>
		<category><![CDATA[QAI]]></category>
		<category><![CDATA[qualidade do ar interior]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A nova regulamentação térmica está a chegar e a saúde passa para a linha da frente. Um novo protagonista e um novo paradigma. Para além de energeticamente eficientes e zero emissões, os edifícios deverão ter uma boa qualidade do ar interior. Fomos ouvir o sector e as conclusões são unânimes. A nossa legislação actual é suficiente, mas falta um plano de fiscalização eficaz.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/nova-edicao-maio-junho-qualidade-do-ar-interior-a-nova-centralidade-da-qai/">Nova edição Maio/Junho | Qualidade do Ar Interior: a nova centralidade da QAI</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4>Qualidade do Ar Interior: a nova centralidade da QAI</h4>
<p>A nova regulamentação térmica está a chegar e a saúde passa para a linha da frente. Um novo protagonista e um novo paradigma. Para além de energeticamente eficientes e zero emissões, os edifícios deverão ter uma boa qualidade do ar interior. Fomos ouvir o sector e as conclusões são unânimes. A nossa legislação actual é suficiente, mas falta um plano de fiscalização eficaz.</p>
<p>Ainda nesta edição:</p>
<h5><b><br />OPINIÃO</b></h5>
<p>Eduardo Maldonado: &#8220;A qualidade do ar e a EPBD: não é nada realmente de novo, vai ser mais do mesmo&#8221;;</p>
<p>Ernesto Peixeiro Ramos: “Descarbonização do edificado: uma estratégia conceptualmente confortável, mas estruturalmente errada”;</p>
<p>Serafin Graña: “Como assegurar a QAI nos edifícios carbono zero?”.</p>
<p> </p>
<h5><strong>ACTUALIDADE</strong></h5>
<p>&#8220;Light+Building 2026: a inovação na tecnologia de edifícios e iluminação&#8221;. </p>
<h5><strong><br />À CONVERSA</strong></h5>
<p>&#8220;EPBD 2024: eficiência energética ou continuação da fábrica de patologias?&#8221;.<br /><strong style="color: revert; font-size: revert; font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, 'Helvetica Neue', Arial, 'Noto Sans', sans-serif, 'Apple Color Emoji', 'Segoe UI Emoji', 'Segoe UI Symbol', 'Noto Color Emoji';"><br /></strong></p>
<h5><strong>CIDADES</strong></h5>
<p>&#8220;Serão os sistemas híbridos o futuro da eficiência energética nos edifícios?&#8221;.</p>
<h5><strong><br />CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL</strong></h5>
<p>&#8220;Para além da energia: como o ACV pode ligar os passaportes de materiais e os passaportes de renovação, promovendo a circularidade no edificado”.</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong>Não perca estes e outros temas na edição de Maio/Junho de 2026.<br /></strong><strong>Saiba mais <a href="http://loja.medialine.pt/Loja/?p=edificiosenergia" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</strong></em></p>


<p class="wp-block-paragraph"></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Qual a estratégia que Portugal vai adotar para garantir a qualidade do ambiente interior?</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/empresas/qual-a-estrategia-que-portugal-vai-adotar-para-garantir-a-qualidade-do-ambiente-interior/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Margarida Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 08:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[ADENE]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=36483</guid>

					<description><![CDATA[<p>A revisão da Diretiva para o Desempenho Energético dos Edifícios (Diretiva (UE) 2024/1275, de 24 de abril) assinala uma evolução relevante do enquadramento europeu do setor dos edifícios, ao afirmar a Qualidade do Ambiente Interior (QAI) como um pilar essencial da transição para edifícios de emissões nulas de carbono (ZEB). ...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-black-color has-text-color has-link-color has-small-font-size wp-elements-1 wp-block-paragraph"><br></p>



<div style="height:38px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-2 wp-block-paragraph"><strong>A revisão da Diretiva para o Desempenho Energético dos Edifícios (Diretiva (UE) 2024/1275, de 24 de abril) assinala uma evolução relevante do enquadramento europeu do setor dos edifícios, ao afirmar a Qualidade do Ambiente Interior (QAI) como um pilar essencial da transição para edifícios de emissões nulas de carbono (ZEB). A diretiva consagra uma abordagem integrada às condições interiores que influenciam a saúde, o conforto e o bem‑estar dos ocupantes, reconhecendo que a melhoria do desempenho energético não pode ser dissociada da garantia de níveis adequados de temperatura, humidade, renovação do ar e da presença de contaminantes.</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-3 wp-block-paragraph">Para Portugal, esta abordagem representa sobretudo o reforço de uma estratégia já consolidada. O enquadramento nacional integrou, desde cedo, a QAI na política energética, nomeadamente através do Sistema de Certificação Energética de Edifícios (SCE), que estabeleceu limiares para parâmetros como caudais mínimos de ventilação, níveis de proteção face a um conjunto de poluentes, requisitos de iluminação e critérios de conforto térmico, aplicáveis ao longo do ciclo de vida dos edifícios, com particular relevância nos edifícios não residenciais.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-4 wp-block-paragraph">Neste contexto, a transposição da nova diretiva não implica uma alteração de estratégia, mas antes a consolidação e o aprofundamento do enquadramento já existente. Em termos práticos, significa reforçar a integração dos requisitos de QAI desde a fase de conceção e dimensionamento, renovação, passando pela execução, até à exploração e manutenção dos edifícios, com incidência em aspetos como:</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-5 wp-block-paragraph">o controlo da temperatura ambiente e da humidade relativa, a ventilação e renovação controlada do ar novo, a filtragem eficaz e a recuperação de calor, aspetos críticos num contexto de edifícios cada vez mais eficientes e estanques.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-6 wp-block-paragraph">Uma das novidades da diretiva é a ênfase clara na monitorização da QAI. Determina-se que os edifícios não residenciais de emissões nulas (ZEB) sejam concebidos com dispositivos de medição e controlo que permitam acompanhar, de forma permanente a qualidade do ambiente interior. Em cumprimento do disposto, &nbsp;preconiza-se em Portugal a obrigatoriedade de monitorização de parâmetros como a temperatura ambiente, a humidade relativa e a dióxido de carbono (CO<sub>2</sub>). Esta obrigação aplica-se, a partir de 2028, aos novos edifícios não residenciais detidos por entidades públicas e, a partir de 2030, a todos os novos edifícios não residenciais e aos edifícios sujeitos a grandes renovações ao nível ZEB, sempre que técnica e economicamente viável.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-7 wp-block-paragraph">Adicionalmente, nos edifícios não residenciais novos com potência nominal útil superior a 70 kW, no âmbito da obrigatoriedade de instalação de sistemas de automação e controlo dos edifícios, está prevista a integração da funcionalidade de monitorização da QAI aquando da entrada em vigor do novo diploma, sem prejuízo das obrigações aplicáveis à avaliação do cumprimento dos limiares e condições de referência para um conjunto de poluentes, no momento da entrada em funcionamento dos edifícios.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-8 wp-block-paragraph">O certificado energético assume, neste quadro, um papel relevante enquanto instrumento de política pública. Para além de informar sobre o desempenho energético, constitui um meio privilegiado para sinalizar situações de QAI potencialmente deficiente, detetadas quer no âmbito da avaliação energética, quer no contexto das inspeções aos sistemas técnicos, bem como para formular recomendações de melhoria, incluindo ao nível da QAI. Este enquadramento é complementado pela atuação das entidades competentes em matéria de fiscalização, assegurando a verificação do cumprimento regulamentar aplicável.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-9 wp-block-paragraph">Garantir edifícios carbono zero implica, hoje, ir além da energia. Implica assegurar que a descarbonização do edificado se traduz em espaços mais saudáveis, confortáveis e resilientes, onde a Qualidade do Ambiente Interior se afirma como um elemento estrutural da política pública para os edifícios em Portugal.</p>



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<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="575" height="575" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/05/MargaridaPinto_Adene.jpg" alt="" class="wp-image-36489" style="width:200px" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/05/MargaridaPinto_Adene.jpg 575w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/05/MargaridaPinto_Adene-300x300.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/05/MargaridaPinto_Adene-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 575px) 100vw, 575px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Artigo da Autoria de <br>Margarida Pinto<br>Gestora de Equipa na Direção de Edifícios e Eficiência de Recursos da ADENE</p>



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<p class="has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-small-font-size wp-elements-10 wp-block-paragraph"><strong><em>Conteúdo com o apoio </em></strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1777" height="637" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/05/Logo_Positivo_CMYK.png" alt="" class="wp-image-36486" style="width:159px;height:auto" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/05/Logo_Positivo_CMYK.png 1777w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/05/Logo_Positivo_CMYK-300x108.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/05/Logo_Positivo_CMYK-1024x367.png 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/05/Logo_Positivo_CMYK-768x275.png 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/05/Logo_Positivo_CMYK-1536x551.png 1536w" sizes="(max-width: 1777px) 100vw, 1777px" /></figure>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-alpha-channel-opacity has-background is-style-wide" style="background-color:#07a1a6;color:#07a1a6"/>



<p class="has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-small-font-size wp-elements-11 wp-block-paragraph"><strong><em>O texto acima é da inteira responsabilidade das empresas/entidades em causa</em></strong><br><strong><em>Créditos da Imagem © Pexels</em></strong></p>



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