EHPA considera Plano de Acção para a Electrificação um “ponto de viragem” para as bombas de calor 

A Associação Europeia de Bombas de Calor (EHPA) considera que o Plano de Acção para a Electrificação da União Europeia representa um “ponto de viragem” para a descarbonização do aquecimento e arrefecimento, ao colocar as bombas de calor no centro da estratégia europeia de electrificação. 

Em reacção ao plano apresentado pela Comissão Europeia, a associação destaca que muitas das medidas agora propostas correspondem a recomendações que tem vindo a defender há vários anos, desde a revisão da relação entre os preços da electricidade e do gás até ao reforço da flexibilidade energética e ao apoio à electrificação da indústria. 

“Este Plano de Acção para a Electrificação é um ponto de viragem. Pela primeira vez, centra-se em impulsionar a electrificação da procura – e fá-lo através de um excelente conjunto de medidas, desde o combate à tributação da energia e aos preços da electricidade e o aproveitamento da flexibilidade das bombas de calor, até ao apoio à electrificação industrial e à recuperação de calor residual”, afirma Jozefien Vanbecelaere, directora de Políticas da EHPA. 

A responsável sublinha, no entanto, que o impacto do plano dependerá da rapidez com que as medidas sejam traduzidas em legislação europeia e implementadas pelos Estados-Membros. 

“Para garantir que é eficaz, a Comissão Europeia deve convertê-lo rapidamente em legislação e medidas a implementar a nível nacional. Os governos da UE devem então unir esforços na implementação, a fim de alcançar uma maior segurança energética, electrificação e facturas de energia mais baixas”, acrescenta. 

Entre os aspectos mais relevantes, a EHPA destaca a intenção da Comissão de corrigir a diferença entre os preços da electricidade e do gás, defendendo que a electricidade deixe de ser tributada a níveis superiores aos do gás. Na perspectiva da associação, esta medida, aliada à reforma das tarifas de rede e à eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis, poderá melhorar a competitividade económica das bombas de calor e acelerar a electrificação dos edifícios. 

A associação saúda igualmente as propostas para reduzir os custos de investimento inicial, através da expansão dos programas de financiamento e de leasing social, bem como da utilização das compras públicas para estimular a adopção destes equipamentos. 

Outro dos aspectos valorizados pela EHPA é o reforço da flexibilidade do sistema eléctrico. A organização considera positivas as medidas destinadas à reforma das tarifas de rede, à aceleração da instalação de contadores inteligentes e à integração das bombas de calor nos mercados de resposta à procura, permitindo reduzir os custos para os consumidores e contribuir para a estabilidade da rede. 

No sector industrial, a associação destaca o reconhecimento, por parte da Comissão Europeia, do potencial das bombas de calor para substituir processos actualmente dependentes de combustíveis fósseis. Segundo a EHPA, cerca de 60% da procura energética industrial baseada em combustíveis pode ser electrificada através desta tecnologia, sendo por isso importantes os apoios previstos no âmbito do Banco de Descarbonização Industrial, dos novos leilões para aquecimento industrial e dos investimentos em redes, armazenamento térmico e sistemas de gestão de energia. 

A EHPA saúda ainda o lançamento da Iniciativa Europeia para a Reutilização do Calor Residual, considerando que poderá contribuir para aproveitar um dos maiores recursos energéticos inexplorados da Europa, bem como o reforço do apoio às redes urbanas de aquecimento e arrefecimento. 

A associação destaca igualmente as medidas dirigidas ao fortalecimento da cadeia de valor das bombas de calor na Europa, incluindo o apoio ao fabrico, à formação de instaladores e ao desenvolvimento de competências, bem como a criação de uma Aliança para o Plano de Acção para a Electrificação, destinada a reunir decisores políticos, indústria e restantes intervenientes do sector. 

Por fim, a EHPA considera que o plano reforça a necessidade de uma implementação célere da Directiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios pelos Estados-Membros, nomeadamente através da promoção das bombas de calor nos edifícios públicos como instrumento para atingir a neutralidade carbónica. 

Fotografia de destaque: © Shutterstock

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