O aquecimento solar urbano e as tecnologias híbridas fotovoltaico-térmicas (PVT) estão a ganhar terreno num contexto de transição energética. O relatório “Solar Heat Worldwide 2025”, publicado pelo Programa de Aquecimento e Arrefecimento Solar da Agência Internacional de Energia (AIE SHC), revela um crescimento significativo destes dois segmentos. 

De acordo com o relatório, actualmente 346 cidades em todo o mundo beneficiam de energia solar integrada nas suas redes urbanas de calor, com dez novos sistemas de grande escala instalados em 2024, com uma capacidade total de 74 MW (Megawatts).  

Os Países Baixos destacaram-se ao inaugurar uma das maiores centrais de aquecimento urbano solar do mundo, com 34 MW de potência instalada. Esta tendência avança também no Sudeste da Europa, onde projectos de larga escala estão em marcha no Kosovo (44 MW) e na Sérvia (27 MW), ambos com armazenamento sazonal de energia térmica. 

Segundo o relatório, as redes urbanas solares estão a expandir-se para novas regiões e a atrair investimento público e privado. “Estamos a assistir a um crescimento dinâmico em aplicações de grande escala, como o calor de processos industriais e o aquecimento solar de redes urbanas de calor. Estas tendências sublinham a contribuição vital do solar térmico para um futuro descarbonizado, especialmente em sectores onde a electrificação por si só é difícil de concretizar”, destacou Christoph Brunner, CEO da AEE INTEC, entidade responsável pela elaboração do relatório. 

O fenómeno dos colectores híbridos 

Outro destaque do “Solar Heat Worldwide 2025” é o crescimento significativo dos colectores fotovoltaico-térmicos (PVT), também conhecidos por colectores híbridos, que combinam a produção de electricidade e calor num único módulo. “Esta funcionalidade de dupla saída faz dos colectores PVT uma fonte de energia ideal e flexível para utilização em edifícios, particularmente para o abastecimento de água quente ou para apoiar bombas de calor”, menciona o relatório.   

Em 2024, 46 fabricantes reportaram vendas, com 37,5 MW térmicos e 18,6 MW eléctricos instalados — um aumento de 13% na capacidade térmica em relação ao ano anterior. Alemanha, Holanda e Espanha lideram o mercado em termos de novas instalações de PVT. 

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