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	<title>Joana Margarida Fialho, autor em Edificios e Energia</title>
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	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 21 Apr 2026 08:53:35 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Joana Margarida Fialho, autor em Edificios e Energia</title>
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		<title>Science Gateway: Inovação em arquitectura sustentável no CERN</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/science-gateway-inovacao-em-arquitectura-sustentavel-no-cern/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 08:53:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Science Gateway do CERN é um novo centro educativo e de divulgação científica, projectado pelo arquitecto italiano Renzo Piano, que combina design arrojado e alta eficiência energética. Dividido em cinco módulos interligados, o Science Gateway usa recursos como energia solar e florestação para atingir a neutralidade de carbono, enquanto oferece laboratórios e exposições interactivas para visitantes de todas as idades.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/science-gateway-inovacao-em-arquitectura-sustentavel-no-cern/">Science Gateway: Inovação em arquitectura sustentável no CERN</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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<p class="has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-7bfc14c38ba493147f9a6e3e0b1125b6 wp-block-paragraph" style="font-size:14px;font-style:italic;font-weight:500;letter-spacing:0px"></p>


<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=163" target="_blank" rel="noopener">edição nº 163 da Edifícios e Energia</a> (Janeiro/Fevereiro 2026).</em></strong></p>
<p><strong>O Science Gateway do CERN é um novo centro educativo e de divulgação científica, projectado pelo arquitecto italiano Renzo Piano, que combina design arrojado e alta eficiência energética. Dividido em cinco módulos interligados, o Science Gateway usa recursos como energia solar e florestação para atingir a neutralidade de carbono, enquanto oferece laboratórios e exposições interactivas para visitantes de todas as idades.</strong></p>
<p>Situado em Genebra e construído inteiramente por donativos privados (cerca de 107 milhões de euros), este projecto pretende ser uma verdadeira “ponte” entre a ciência e o público em geral. “As exposições imersivas, actividades educativas práticas e os eventos públicos permitem que pessoas de todas as idades e origens entrem em contacto com as descobertas, a ciência e as tecnologias do CERN. O Science Gateway pretende ser um farol que inspire os jovens a seguir carreiras na área da ciência e da tecnologia”, referem Pauline Emery, engenheira e supervisora de construção, e François Briard, director de operações do Science Gateway.</p>
<p>Tudo começou em Janeiro de 2017, com a apresentação da visão do que seria o Science Gateway pela directora geral, Fabiola Gianotti: um novo centro de educação e divulgação.</p>
<p>As obras do centro iniciaram-se em Dezembro de 2020 com atenção ao “impacte ambiental”, até porque o projecto é descrito como um “manifesto ambiental e cultural”. Patrick Geeraert, líder do projecto do Science Gateway, explica-nos este manifesto: “É um local de intercâmbio cultural e científico, oferecendo exposições permanentes, peças de arte contemporânea e eventos públicos”, além de ter “uma central térmica que produz o aquecimento e o arrefecimento e painéis solares que geram a electricidade necessária para o funcionamento das instalações”. Foram ainda plantadas “cerca de 400 árvores, assim como mais de 13 mil pequenas plantas e arbustos.”</p>
<h5><strong>“A CONSTRUÇÃO PARECE FLUTUAR ACIMA DE UMA FLORESTA RECÉM-PLANTADA”</strong></h5>
<p>O CERN Science Gateway é composto por cinco blocos funcionais: espaços de exposição, laboratórios interactivos, um auditório de grandes dimensões, loja e restaurante. Todos estes módulos ficam unidos por uma ponte suspensa, elevando-se seis metros acima do solo. Esta ponte atravessa a via pública (Route de Meyrin) e faz a ligação entre diferentes espaços de exposição e salas de aula.</p>
<p>“O conceito arquitectónico foi desenvolvido harmonizando os seguintes elementos estruturais: betão, aço e vidro. Todos os elementos em contacto com o solo são feitos de betão claro, moldado no local. As lajes, terraços e paredes moldam a paisagem e o terreno, tirando partido dos níveis naturais existentes para criar um espaço e servir de base aos objectos de aço e vidro que compõem o Science Gateway”, referem Pauline e François.</p>
<p>Existem três pavilhões. No pavilhão norte localiza-se um auditório modular de 800 lugares, que dá espaço a conferências e eventos científicos, podendo ser dividido em três salas mais pequenas, além da área de recepção, loja e restaurante; no piso superior desse pavilhão estão dois grandes laboratórios totalmente equipados para receber grupos escolares para actividades experimentais. Esses laboratórios, com mobiliário flexível e instrumentos científicos de demonstração, estimulam a curiosidade dos alunos, incentivando a que estes possam ser os cientistas de amanhã. Este espaço é relevante para o centro, já que um dos objectivos é despertar o interesse dos mais jovens para os estudos STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Esta é uma forma de aproximar a ciência do público em geral, desconstruindo-a e tornando-a mais apelativa.</p>
<p>Entre o restaurante e o auditório há um anfiteatro natural ao ar livre, usado em eventos. O pavilhão central, com salas de aula e circulação vertical, conecta a ponte ao chão. O pavilhão sul é dedicado a exposições interactivas, promovendo a aprendizagem prática. Complementando esses recursos estão os ‘túneis’ — espaços elevados de exposição que evocam a experiência dos túneis aceleradores subterrâneos do CERN.</p>
<p>As galerias de exposição (que se encontram nos dois tubos) pretendem tornar tangíveis fenómenos complexos. Um dos tubos narra a história do CERN e pretende envolver os visitantes com aceleradores, detectores, aquisição de dados, entre outros; o outro divide-se numa viagem até às origens do universo (o Big Bang) e em questões abertas da física, que dão que pensar, como a matéria escura, energia escura e dimensões extras numa experiência imersiva. Estes espaços, com painéis informativos e experimentos de demonstração, exemplificam como um edifício pode abrigar ciência viva, tornando visíveis conceitos abstratos para o público em geral.</p>
<p>Estes tubos evocam os túneis aceleradores de partículas subterrâneos do CERN. “O aço, o vidro e o betão, juntamente com a leveza e a topografia existentes no local, combinam-se e são sustentados por uma grande cobertura de vidro solar. A ponte de vidro, suspensa por duas vigas de aço, funciona como ligação física e metafórica do projecto”. Esta ponte coberta de 220 metros liga transversalmente os pavilhões e tubos, permitindo uma circulação contínua pelo complexo. “A construção parece flutuar acima de uma floresta recém-plantada”, descreve Patrick.</p>
<p>“O aço forma a ‘pele’ dos edifícios. Os três pavilhões e os dois tubos são revestidos com painéis de aço, evocando a materialidade de muitas das máquinas utilizadas no CERN. Esta fachada confere aos edifícios uma certa pureza, com uma estética industrial. O aço constitui também toda a estrutura exterior. Perfis típicos (HEA, IPE) formam o esqueleto dos edifícios, totalmente expresso no exterior. Uma hierarquia entre os perfis ajuda a transmitir o sistema estrutural deste espaço-laboratório.”</p>
<h5><strong>PANDEMIA, GUERRA E GEOLOGIA: OS DESAFIOS</strong></h5>
<p>Além de a geologia do local não permitir que a energia geotérmica seja uma mais-valia para o projecto, outros desafios foram enfrentados.</p>
<p>Patrick Geeraert disse ao CERN que o primeiro problema com que se depararam foi que “o lado norte do Science Gateway, anteriormente um estacionamento temporário, ficava em terras agrícolas. Tivemos de reclassificar esse terreno para que pudesse ser autorizado a construir, o que é extremamente complicado em Genebra. O processo geralmente leva pelo menos 10 anos, se é que tem sucesso, e conseguimos fazer em um só. Obtivemos a licença de construção em Setembro de 2019 e iniciámos um processo de aquisição para a construção e para os cenógrafos relacionadas às exposições. Em Novembro de 2020, assinámos o contrato com as construtoras e elas começaram a erguer os edifícios no local no final de 2020”. Importa reforçar que 2020 foi um ano marcado pela pandemia, o que também afectou a construção. Além disso, “a invasão da Ucrânia contribuiu para um aumento adicional dos custos. O esforço contínuo de angariação de fundos revelou-se, por isso, determinante”, acrescenta Patrick.</p>
<h5><strong>SUSTENTABILIDADE ENERGÉTICA NUM ABRIR DE JANELAS E NÃO SÓ</strong></h5>
<p>Desde o início que a sustentabilidade é um factor crucial no Science Gateway. O edifício foi concebido para ter pegada de carbono zero e consegue atingi-lo devido à “utilização de painéis solares fotovoltaicos e bombas de calor (ar-água), em conjunto com a redução do aquecimento na ponte”. Além disso, “no Verão, a ponte é arrefecida sem recurso a sistemas técnicos, (neste caso ao ar condicionado), com a simples estratégia de abertura de janelas que permite a ventilação natural cruzada e a floresta recém-plantada ajuda a reduzir o efeito de ‘ilha de calor’. Por cima da ponte estão painéis fotovoltaicos, verdadeiros ´campos solares amplos`”, reforçando o compromisso do projecto com a sustentabilidade energética.</p>
<p>“Os painéis solares fotovoltaicos foram integrados no projecto do edifício desde as fases iniciais, proporcionando alguma sombra na praça entre o restaurante e o auditório”. Os três principais pavilhões contam com cerca de 3900 metros quadrados de painéis fotovoltaicos semitransparentes nos seus telhados, totalizando 500 kWp (quilowatt-pico) de capacidade instalada. Ao não serem opacos, permitem a passagem de luz natural. Esta área solar está projectada para produzir à volta de 500 MWh (megawatt-hora) de energia eléctrica por ano, energia suficiente para abastecer o Science Gateway, em especial as suas bombas de calor para aquecimento e refrigeração. Estima-se ainda que cerca de 40% da electricidade produzida ultrapasse o consumo interno e seja devolvida à rede geral do CERN. Assim, o excesso de energia eléctrica renovável apoia outras instalações do campus, reduzindo indirectamente as emissões de carbono.</p>
<p>Quanto à climatização, foram feitos alguns testes geológicos, uma vez que no plano inicial a energia geotérmica estava contemplada, mas devido à complexidade geológica do local (existência de bolsas de gás no subsolo), esta solução tornou-se inviável e obrigou a uma mudança de estratégia. Patrick explica que tanto o aquecimento quanto o arrefecimento são realizados por bombas de calor alimentadas pela rede eléctrica renovável do próprio edifício. Além disso, existem medidas operacionais que reduzem o consumo. Por exemplo, as luzes principais serão diminuídas ou desligadas durante a noite e a climatização segue critérios de eficiência.</p>
<p>Já no restaurante, irá minimizar-se o uso de materiais descartáveis (evitando plásticos de uso único). Estas estratégias de baixo consumo, combinadas com a energia renovável gerada no local, reforçam a neutralidade de carbono do novo centro científico.</p>
<h5><strong>“UMA FLORESTA SELVAGEM” NO CERN</strong></h5>
<p>Para ajudar a atenuar impactes ambientais, o Science Gateway está rodeado por uma autêntica floresta urbana. Foram plantadas mais de 400 árvores diversas, além de arbustos, perenes e prados de flores silvestres. Segundo Frédéric Magnin, responsável pela construção do Science Gateway, a plantação foi feita de forma gradual, garantindo que as árvores se adaptam bem ao novo solo. São onze espécies diferentes (de carvalhos e olmos a cerejeiras e pinheiros), escolhidas para “parecer uma floresta selvagem.”</p>
<p>A floresta trará benefícios concretos ao meio ambiente local. Espécies variadas criam diferentes nichos ecológicos, promovendo a biodiversidade – morcegos, pássaros e pequenos mamíferos poderão usar as copas e arbustos como habitat. As árvores ajudam a mitigar ilhas de calor urbano ao aumentar a evapotranspiração, refrescam o microclima, e o aumento do albedo (maior reflexão da luz solar) e reduz o aquecimento do solo. A longo prazo, a vegetação captura dióxido de carbono, contribuindo para compensar emissões globais. Desta forma, a floresta do Science Gateway não é apenas ornamental, ela faz parte da estratégia ambiental do projecto, integrando ciência e natureza em harmonia.</p>
<h5><strong>PROJECTOS FUTUROS: O EDIFÍCIO 777</strong></h5>
<p>De acordo com o Masterplan 2040 do CERN (publicado em 2021), há vários projectos pensados para o futuro, não esquecendo os edifícios já existentes. Por exemplo, o edifício principal (o Edifício 66) do CERN foi recentemente renovado.</p>
<p>Um novo edifício (o Edifício 777) está a nascer em Prévessin, França, e a sua conclusão está prevista para o quarto trimestre de 2027. Este edifício foi concebido para substituir instalações obsoletas e responder às necessidades crescentes do sector de Aceleradores, reunindo, num único volume, funções administrativas, laboratoriais e colaborativas.</p>
<p>Com uma área bruta interna aproximada de 14 200 metros quadrados, o 777 acolherá cerca de 530 postos de trabalho, 10 laboratórios técnicos, salas de reunião, espaços informais de colaboração e um restaurante central. O edifício destina-se maioritariamente ao sector de Aceleradores e Tecnologias, funcionando como um polo de interacção entre engenheiros, físicos e técnicos, num modelo de trabalho transversal e integrado.</p>
<p>Do ponto de vista construtivo, o Edifício 777 distingue-se pela utilização extensiva de madeira estrutural, assumida como elemento central da solução arquitectónica e estrutural. Esta opção visa reduzir a pegada de carbono associada aos materiais de construção, recorrendo a materiais biogénicos e a uma abordagem baseada na análise do ciclo de vida. A estrutura é complementada por soluções mistas que asseguram desempenho estrutural, flexibilidade espacial e durabilidade.</p>
<p>O edifício integra ainda sistemas técnicos de elevada eficiência energética, incluindo cerca de 650 metros<br />quadrados de painéis fotovoltaicos na cobertura, soluções de iluminação natural através de grandes vãos e um átrio central de pé-direito elevado, que favorece a distribuição de luz e a ventilação. O projecto ambiciona obter certificação ambiental BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method), reflectindo o compromisso do CERN com edifícios de baixo consumo energético e operação sustentável.</p>
<p>O Edifício 777 constitui, assim, um exemplo de como a infraestrutura científica pode alinhar exigências técnicas rigorosas com soluções construtivas inovadoras e objectivos ambientais claros, reforçando o papel dos edifícios como instrumentos activos da transição energética e da sustentabilidade institucional.</p>
<h5><strong>MAIS DO QUE UM EDIFÍCIO</strong></h5>
<p>O Science Gateway surge como uma infraestrutura científica do CERN que consegue combinar com sucesso o rigor técnico e preocupação ambiental. O edifício é ao mesmo tempo inovador e funcional: integra laboratórios e áreas públicas de forma harmoniosa, enquanto tem a sustentabilidade ambiental e pegada ecológica neutra como foco. A vasta floresta é a prova de que as construções de grande escala podem ser sustentáveis e envolver-se com o meio que a rodeia.</p>
<p>Aliás, “o Masterplan 2040 estabelece um enquadramento para as infraestruturas, a mobilidade, a protecção ambiental e o desenvolvimento paisagístico. Muitos dos seus resultados já são visíveis no campus: novos edifícios e espaços exteriores, a renovação de marcos emblemáticos e melhorias que beneficiam colaboradores e visitantes”, referem Pauline Emery e François Briard. “O plano demonstra que não são apenas os edifícios que contribuem para a sustentabilidade, mas também as iniciativas de mobilidade, os corredores de biodiversidade, as bacias de retenção de águas pluviais e um planeamento paisagístico cuidadoso.”</p>
<p>O novo centro do CERN exemplifica, assim, como a arquitectura moderna pode educar e inspirar, servindo de montra para práticas construtivas energeticamente eficientes e sensibilizando o público para a intersecção entre ciência e meio ambiente.</p>
<p>Fotografia de destaque: © <strong>CERN</strong></p><p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/science-gateway-inovacao-em-arquitectura-sustentavel-no-cern/">Science Gateway: Inovação em arquitectura sustentável no CERN</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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		<item>
		<title>Benidorm como um laboratório de reabilitação energética</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/benidorm-como-um-laboratorio-de-reabilitacao-energetica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 08:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Benidorm]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Benidorm, conhecida pela sua marcante verticalidade urbana e pela intensa exposição solar, transformou-se num terreno fértil para implementar estratégias de reabilitação.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/benidorm-como-um-laboratorio-de-reabilitacao-energetica/">Benidorm como um laboratório de reabilitação energética</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=162" target="_blank" rel="noopener">edição nº 162 da Edifícios e Energia</a> (Novembro/Dezembro 2025).</em></strong></p>
<p><strong>Benidorm, conhecida pela sua marcante verticalidade urbana e pela intensa exposição solar, transformou-se num terreno fértil para implementar estratégias de reabilitação.</strong></p>
<p>Duas torres, com vista privilegiada e a dois quilómetros da praia, foram o local escolhido para um projecto inovador: reabilitar através de sistemas solares fotovoltaicos. José Carlos Antón, director da Solar Earth Innovación y Tecnología SES, S.L., explica que a empresa “impulsiona soluções fotovoltaicas integradas à construção (BIPV), hidrogénio verde e gestão energética inteligente (Synaptia)” e acrescenta que “o objectivo principal é converter a envolvente arquitectónica num activo que produz energia eléctrica, reduz custos e melhora as métricas ESG (Ambiental, Social, Governação, em português) do edifício.”</p>
<p>O projecto insere-se no Plano Benidorm Visão 360, cujos eixos de actuação são a sustentabilidade, digitalização e competitividade. Em 2025, Benidorm venceu o prémio “Pioneiro Europeu Verde de Turismo Inteligente”, equivalente ao prémio “Capital Europeia do Turismo Inteligente”, mas para destinos mais pequenos e sustentáveis.</p>
<h4><strong>BENIDORM COMO “A 2.ª ÁREA URBANA MAIS DENSA EM ARRANHA-CÉUS DO MUNDO”</strong></h4>
<p>A escolha de Benidorm não foi por acaso. A cidade destaca-se por ter uma elevada concentração de edifícios em altura raramente vista na Europa, o que se traduz num perfil urbano com ainda mais área de fachada disponível por habitante. Mais fachada significa, portanto, mais exposição solar. Benidorm “é a segunda área urbana mais densa em arranha-céus do mundo, apenas atrás de Nova Iorque. Era o local ideal para demonstrar que a envolvente pode gerar energia limpa, melhorar o conforto e projectar uma imagem de cidade inovadora e sustentável”. Esta observação de José Carlos Antón justifica a escolha de um local onde a multiplicidade de superfície de fachada e a intensidade de radiação solar criam um saldo potencialmente favorável entre investimento e rendimento energético.</p>
<p>A selecção das torres Club Médico VI e VII, de 17 andares, com 100 habitações cada, obedeceu a critérios técnicos e de oportunidade. Foram escolhidas por três razões, tal como explica o director da Solar Earth: “viabilidade técnica (duas torres gémeas com orientações favoráveis e superfícies contínuas), vontade de reabilitação por parte da comunidade (momento perfeito para integrar BIPV) e potencial de replicação (mesma tipologia e gestão coordenada para escalar com rapidez).”</p>
<h4><strong>INOVAR SEM DEMOLIR</strong></h4>
<p>Tecnicamente, a intervenção consiste na colocação, sobre a envolvente existente, de “uma segunda `pele´ de vidro fotovoltaico arquitectónico, integrada num sistema de fachada ventilada e ancorada a uma subestrutura certificada e patenteada”. Além disso, “a intervenção é não invasiva: não se demolem nem se substituem os acabamentos e executa-se superfície a superfície, mantendo a operacionalidade do edifício”. Isto evidencia o enfoque de mínima intrusão, ou seja, a obra realiza-se por painéis, permitindo a continuidade de ocupação e reduzindo o impacto sobre os moradores durante a execução.</p>
<p>Os vidros fotovoltaicos utilizam a mesma tecnologia das tradicionais placas fotovoltaicas, no entanto, conferem uma estética mais agradável ao edifício, já que são transparentes ou semitransparentes. Assim, é possível cruzar design, funcionalidade e inovação. Os vidros utilizados neste projecto são “vidros temperados ou laminados, com células de silício cristalino encapsuladas entre lâminas de segurança, acabamento antirreflexo e, quando necessário, serigrafias cerâmicas” que respondem a exigências estéticas, como explica José. “A energia ´conduz-se` por canalizações protegidas até aos equipamentos de conversão e monitorização para o seu autoconsumo no edifício. Seleccionamos o tipo de célula e o grau de transparência superfície a superfície para equilibrar o desempenho e a homogeneidade estética. O sistema está certificado para uso em fachada e desenhado com critérios de durabilidade”. Desta forma, verifica-se a preocupação simultânea com o desempenho fotovoltaico, requisito construtivo e homogeneidade estética, elementos críticos em BIPV.</p>
<h4><strong>VIDROS FOTOVOLTAICOS COMO APOSTA GANHA</strong></h4>
<p>Comparada com painéis solares tradicionais, a solução BIPV em vidro traz vantagens claras, tanto funcionais como normativas. José Carlos Antón destaca que a abordagem “aproveita grandes superfícies de fachada, gera de forma mais estável ao longo do ano e reduz a procura de climatização. Além disso, não é um `painel´ adaptado, mas sim um material de fachada homologado: vidro temperado/ laminado com ensaios de resistência, impacto e durabilidade”. Segundo o director da Solar Earth, este produto está em conformidade com as normas europeias (marcação CE) como produto de construção (CPR &#8211; Regulamento de Produtos para a Construção, em português) e reacção ao fogo conforme a EN 13501-1. Quanto à parte fotovoltaica, cumpre a IEC 61215/61730, que se focam, respectivamente, na qualificação do design e performance, e na segurança eléctrica e mecânica da construção. Cumpre também a normativa específica IEC 63092 para BIPV, com documentação técnica e manutenção previstas para as envolventes do edifício. Além da produção energética, o vidro BIPV integra requisitos de segurança e certificação típicos de materiais de fachada, o que o distingue de um módulo fotovoltaico convencional fixado em cobertura.</p>
<p>As torres Club Médico VI e VII terão fachadas ventiladas de vidro fotovoltaico no total de cerca de 1200 metros quadrados integrados, além de pequenas instalações solares em coberturas e marquises. Serão ainda instaladas 688 unidades de vidro fotovoltaico, perfazendo cerca de 203 kWp (quilowatt-pico) de potência.</p>
<h4><strong>DESAFIOS EM ALTURA</strong></h4>
<p>Num projecto desta dimensão, a trabalhar em arranha-céus, há desafios técnicos inerentes ao trabalho, como a altura e o vento. José Carlos Antón ainda acrescenta a “integração eléctrica segura e estética de conjunto”, como outro desafio. “Resolveu-se com cálculo estrutural específico, rotas protegidas e uma engenharia por superfícies que cuida de alinhamentos e acabamentos”. Assim, verifica-se que o projecto acaba por trabalhar em três frentes: redimensionamento estrutural face às cargas de vento em altura, rotas seguras para a cablagem e uma engenharia por painéis que assegura alinhamentos e acabamentos, medidas essenciais para fiabilizar intervenções em fachadas expostas a condições marítimas e dinâmicas de pressão aerodinâmica”, o que é o caso destes edifícios que se encontram junto à orla costeira.</p>
<p>O director da Solar Earth, com anos de experiência na área, recorda que é importante analisar caso a caso. “Cada edifício é único, por isso, desenhamos soluções personalizadas e à medida, acautelando o detalhe estético, construtivo e operacional de cada secção ou superfície.”</p>
<h4><strong>“RENDIMENTOS PASSIVOS PARA A COMUNIDADE DURANTE 35 ANOS”</strong></h4>
<p>Os benefícios a curto e longo prazo são claros. Comparando com os painéis tradicionais, estes não necessitam de espaço adicional para serem colocados e confundem-se até com a estética do edifício, reduzem o consumo energético dos edifícios, melhoram o conforto térmico e acústico e, apesar do investimento inicial, a factura energética a pagar no final do mês pode trazer poupanças bem-vindas. “Este é considerado o único material de construção que é autossustentável, graças à poupança energética que vai alcançando ao longo dos anos. Consegue-se ter rendimentos passivos para a comunidade durante mais de 35 anos”, refere. O investimento em envolvente BIPV é aqui posicionado não apenas como custo de reabilitação, mas como activo gerador de rendimento ao longo de décadas.</p>
<p>O isolamento térmico e acústico das fachadas ventiladas reforça o conforto interior e protege contra intempéries. Como se trata de 100% de opacidade, as fachadas funcionam como `pele´ geradora de energia limpa, reduzindo ganhos de calor no verão e perdas térmicas no inverno. Este isolamento natural diminui cargas de ar condicionado e contribui para economia adicional de energia.</p>
<p>As estimativas de produção e de poupança colocam o projecto em patamares relevantes para a escala de um condomínio vertical. “Estimamos uma produção anual em torno dos 190 000 kWh (quilowatt-hora) e uma diminuição de 10 a 20% da procura de climatização nas fachadas tratadas. Estes números combinados traduzem reduções significativas na factura energética e na pegada carbónica do edifício”.</p>
<p>Quanto ao impacte energético e ambiental global, o projecto aponta para reduções substanciais: “A combinação de geração própria e menor necessidade de climatização reduz de forma directa o consumo eléctrico do edifício. Em termos de pegada ambiental, falamos da ordem das 45 a 60 toneladas de dióxido de carbono evitadas por ano, e quanto a consumos poder-se-iam atingir reduções de até 35% da procura energética das habitações.”</p>
<p>A energia gerada será orientada para o autoconsumo do próprio edifício, como zonas comuns, elevadores, climatização/ventilação e sistemas de aquecimento de águas. E acrescenta que, “quando aplicável, procede-se ao repartimento entre os vizinhos e à compensação de excedentes segundo a normativa em vigor”. Este é também um ponto crucial, que contribuiu para a aceitação comunitária do projecto. Os moradores veem, assim, mais benefícios directos.</p>
<h4><strong>POSSIBILIDADE DE REPLICAR O MODELO EM OUTROS EDIFÍCIOS</strong></h4>
<p>No plano regulamentar e de alinhamento com políticas energéticas, a intervenção enquadra-se nas directivas e metas europeias: “Alinha-se com o activo com a EPBD/ CTE (Directiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios/Código Técnico de Edificação Espanhol) e os objectivos ‘Fit for 55’, facilitando a elegibilidade na Taxonomia da União Europeia (UE) e abre a porta a certificações como LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) ou BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method)”. O Objectivo 55 (Fit for 55, em inglês) integra um conjunto de leis destinadas a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa da UE em, pelo menos, 55% até 2030. O objectivo final é fazer com que a UE alcance a neutralidade carbónica em 2050. Quando questionado sobre a replicabilidade deste projecto inovador na Europa, a resposta é perentória: “Sim, claro. A metodologia por secções permite adaptar densidade, transparência e acabamentos a cada tipologia (residencial, hoteleira, escritórios) e orientar a produção para as horas de maior consumo e requisitos específicos.”</p>
<p>Do ponto de vista urbano, a aplicação de fachadas solares em contextos densos tem efeitos positivos que ultrapassam o edifício em si, uma vez que contribui para a redução da carga térmica urbana e contribui para mitigar ilhas de calor (pode chegar a diminuir 2 a 3 °C), diminui picos de procura na rede eléctrica local, potenciando, desta forma, a resiliência energética da cidade. A ambição de transformar fachadas em activos produtivos articula-se com estratégias municipais e regionais de descarbonização, e a experiência de Benidorm pode servir como referência para programas de reabilitação integrados que combinem eficiência, produção renovável e qualidade urbana. A modernização destas torres ilustra um passo concreto na meta de reabilitar energeticamente 1,2 milhões de habitações em Espanha até 2030, conforme a directiva 2018/844/EU.</p>
<p>Para que o projecto atinja os resultados prometidos, a monitorização e a validação operativa serão decisivas. José admite que as magnitudes são estimativas de engenharia “sujeitas a verificação final e monitorização”, e a recolha de dados em serviço permitirá validar os modelos, optimizar estratégias de operação e calibrar os modelos financeiros que sustentem a replicabilidade. A conjugação com armazenamento local, bombas de calor e gestão inteligente potencia o aproveitamento de excedentes e a redução de consumo em horas críticas, cenários que fazem parte do horizonte de desenvolvimento de soluções integradas.</p>
<p>A intervenção nas torres Club Médico VI e VII cristaliza uma visão clara: a envolvente deixa de ser apenas elemento passivo de protecção e passa a “ser um activo” que gera energia, reduz custos e melhora o conforto. Como resume o director da Solar Earth, “a envolvente deixa de ser um custo para se converter num activo: gera energia, melhora o conforto e comunica compromisso ambiental. Essa é a nova arquitectura: eficiente, bela e produtiva”.</p>
<p>O projecto recebeu apoio público institucional, com contribuições do Ministério espanhol de Habitação e da Generalitat Valenciana, através de fundos Next Generation EU, com um subsídio de cerca de dois milhões de euros para reabilitação energética. Esse financiamento cobre até 80% do investimento em tecnologias BIPV no âmbito do plano de recuperação europeu. Prevê-se que o projecto esteja concluído em Junho de 2026.</p>
<p>Benidorm poderá servir de exemplo para outras cidades mediterrânicas com tipologias semelhantes, demonstrando que a arquitectura tecnológica é um vector tangível para a construção sustentável do futuro.</p>
<p>Fotografia de destaque: © Solar Earth Innovación y Tecnología SES, S.L.</p><p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/benidorm-como-um-laboratorio-de-reabilitacao-energetica/">Benidorm como um laboratório de reabilitação energética</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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		<title>REN+HOMES: Tecnologia, sustentabilidade e envolvimento comunitário</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/renhomes-tecnologia-sustentabilidade-e-envolvimento-comunitario/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Dec 2025 08:30:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[eficiência energética]]></category>
		<category><![CDATA[energia]]></category>
		<category><![CDATA[inovação]]></category>
		<category><![CDATA[REN+HOMES]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sendo que a taxa de renovação do parque edificado é baixa, é urgente desenvolver estratégias que permitam transformar aquilo que se constrói, integrando princípios de eficiência energética, sustentabilidade e inclusão social. É com esta ambição que nasce o projecto REN+HOMES [Resilient Energy Plus Homes], uma iniciativa liderada por um consórcio composto por 23 parceiros de dez países europeus.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/renhomes-tecnologia-sustentabilidade-e-envolvimento-comunitario/">REN+HOMES: Tecnologia, sustentabilidade e envolvimento comunitário</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=161" target="_blank" rel="noopener">edição nº 161 da Edifícios e Energia</a> (Setembro/Outubro 2025).</em></strong></p>
<p>O sector da construção é responsável por uma parte significativa do consumo de energia e das emissões de gases com efeito de estufa na Europa. De acordo com dados da Comissão Europeia, os edifícios representam cerca de 40% do consumo energético total da União Europeia e são responsáveis por 36% das emissões de dióxido de carbono. Sendo que a taxa de renovação do parque edificado é baixa, é urgente desenvolver estratégias que permitam transformar aquilo que se constrói, integrando princípios de eficiência energética, sustentabilidade e inclusão social.</p>
<p>É com esta ambição que nasce o projecto REN+HOMES [Resilient Energy Plus Homes], uma iniciativa financiada pelo programa Horizonte Europa e liderada por um consórcio composto por 23 parceiros de dez países europeus. Para dar o mote, foram escolhidos quatro países da Europa, com características diferentes. Áustria, Espanha, Estónia e Roménia integram soluções adaptadas ao seu país, com propósitos específicos, mas com os mesmos objectivos: começar a preparar as cidades para um futuro mais sustentável. O próximo passo é expandir estas ideias para que outros locais possam seguir as pisadas inovadoras do projecto, colocando os edifícios no cerne daquilo que podemos começar a melhorar hoje para prepararmos e construirmos cidades mais resilientes.</p>
<p>Sob a coordenação técnica de Margherita Fabbri, engenheira civil e gerente de projectos na RINA Consulting, a iniciativa propõe uma abordagem integrada e inovadora à construção e renovação de edifícios residenciais. O “objectivo é replicar os resultados o máximo possível, integrá-los no mercado e ajudar os fornecedores de tecnologias e as construtoras na Europa a renovar e construir novos prédios, que sejam prédios de energia positiva. Temos de pensar em casas que vão além da eficiência energética para produzir energia renovável activamente, incorporar princípios de construção circular e envolver os residentes neste processo”, explica.</p>
<h4><strong>QUATRO PAÍSES, QUATRO PROJECTOS-PILOTO, MÚLTIPLOS DESAFIOS</strong></h4>
<p>O REN+HOMES não se limita à teoria. Está a ser testado em quatro locais de demonstração na Europa: Innsbruck (Áustria), Barcelona (Espanha), Tallinn (Estónia) e Cluj-Napoca (Roménia). Estes locais foram escolhidos por representarem diferentes contextos climáticos, sociais e regulamentares. Cada um deles aplica soluções distintas e inovadoras.</p>
<p>Em Innsbruck, está a ser construído um edifício novo com um sistema avançado de armazenamento de hidrogénio e gestão de águas pluviais. O edifício está a ser construído para ter certificação da metodologia CPEH, produtos e materiais circulares, ou seja, um sistema de recuperação de calor de águas residuais, betão reciclado e lã mineral para fachadas, gestão do edifício com automatização, através de sistema (BAM-OS) para produção, armazenamento e reconversão de hidrogénio, elevada energia solar no inverno e protecção solar passiva.</p>
<p>Em Barcelona, o foco está numa fachada fotovoltaica integrada e na monitorização inteligente, através de sensores IoT em áreas de baixa potência. Este edifício “é construído com um sistema industrializado inovador que atende aos padrões PassivHaus, baseado em painéis pré fabricados com alta quantidade de materiais reciclados (30%). É 100% eléctrico graças às bombas de calor aerotérmicas e fotovoltaicas e utiliza tecnologias de gestão inteligentes.”</p>
<p>Em Tallinn, decorre uma renovação profunda com componentes de construção industrializados e tecnologias solares pré-fabricadas. Esta renovação acontece na residência estudantil da Universidade de Tecnologia de Tallinn e edifícios residenciais, usando uma nova parede verde pré-fabricada, painel de fachada BIPV e outros sistemas técnicos.</p>
<p>Já em Cluj-Napoca, a intervenção, realizada também em residências universitárias, aposta em paredes geotermais e em módulos fotovoltaicos reciclados. Aqui, existe um intercâmbio distrital de energia, isto é, exportação e partilha do excedente de electricidade entre os restantes edifícios.</p>
<p>Esta diversidade de contextos permite ao projecto testar soluções em realidades distintas, contribuindo para a sua replicação futura, precisamente adaptável a diversos contextos. Por exemplo, o REN+HOMES vai desenvolver uma nova versão do sistema de Energia Primária Renovável [PER], que distingue dois climas: COLD (clima subártico continental) e WARM (clima subtropical húmido), respectivamente testados na Áustria e em Espanha.</p>
<p>Cada cidade enfrentou também desafios diferentes, tendo em conta as suas características. No entanto, a adaptação das novas tecnologias aos códigos de construção locais e a obtenção das licenças necessárias foram apontadas como os principais entraves à execução das obras. “Na Áustria, por exemplo, foi particularmente difícil obter as permissões para instalar o sistema de armazenamento de hidrogénio, devido às preocupações com a segurança e saúde”, explica Margherita Fabbri. Apesar disso, as semelhanças entre os sistemas regulatórios europeus têm permitido encontrar soluções comuns, com alguma margem de adaptação.</p>
<h4><strong>TECNOLOGIAS INOVADORAS E FERRAMENTAS DIGITAIS AO SERVIÇO DA SUSTENTABILIDADE E DA COMUNIDADE</strong></h4>
<p>O projecto incorpora um total de 23 soluções inovadoras, das quais nove são tecnologias físicas, sete são ferramentas digitais e sete são metodologias replicáveis. Entre as tecnologias destacam-se: os elementos pré-fabricados com materiais reciclados, que permitem acelerar os tempos de construção e reduzir os resíduos; o armazenamento de hidrogénio, que proporciona autonomia energética; e os sistemas geotérmicos e fotovoltaicos integrados. As ferramentas digitais incluem simuladores de desempenho energético e plataformas de planeamento de renovação com avaliação do ciclo de vida. Estas soluções são aplicadas em conjunto com metodologias que promovem a replicabilidade e adaptação a diferentes realidades europeias. Para Luisa de Amicis, da ICONS, o parceiro de comunicação deste projecto, “a principal vantagem é conseguir reduzir as emissões, diminuir os custos operacionais, acelerar os prazos de construção através da prefabricação e, ao mesmo tempo, aumentar a satisfação dos utilizadores graças aos processos participativos de co-design.”</p>
<p>Um dos aspectos mais diferenciadores do REN+HOMES é o forte envolvimento da comunidade. Em cada país, foram criadas Associações Nacionais de Utilizadores que integram os moradores dos edifícios dos projectos-piloto, permitindo recolher dados sobre os seus comportamentos antes e depois das intervenções. A par disso, foi também constituída uma Associação Internacional de especialistas europeus, cuja função é avaliar criticamente as soluções testadas e fornecer recomendações ao longo do desenvolvimento do projecto. Está também em curso a criação de programas de formação dirigidos a técnicos e organizações locais, identificados através de um registo de entidades interessadas, com o objectivo de garantir a disseminação das metodologias. Como explica Luisa de Amicis, “não estamos a tentar envolver cidadãos de forma genérica, mas sim a trabalhar com organizações que funcionem como multiplicadores de conhecimento e boas práticas.”</p>
<p>O objectivo é que o projecto também consiga desenvolver a metodologia Circular Plus Energy Homes, tal como refere Luisa: “Queremos construir casas que vão além da eficiência energética. Queremos uma casa que produza energia renovável activamente, que incorpore princípios de construção circular. Queremos também envolver os moradores no desenho e uso destas casas”. Ao existir esta articulação tão directa, existe maior probabilidade de a mensagem se propagar, fazendo com que o próprio projecto continue a crescer, inspirando outras zonas da cidade a serem mais sustentáveis.</p>
<h4><strong>ENTRE O PROTÓTIPO E O MERCADO: ACESSIBILIDADE E REPLICAÇÃO COMO PRIORIDADE</strong></h4>
<p>A acessibilidade económica e a replicação em larga escala são também pilares do projecto. Embora algumas das tecnologias ainda tenham custos elevados, há sinais promissores. Em Barcelona, por exemplo, os edifícios em construção já estavam praticamente vendidos antes de serem concluídos, demonstrando que existe uma procura crescente por habitações com preocupações ambientais e conforto acrescido. “Apesar de ainda não serem muito acessíveis, a procura é elevada, o que mostra que a sociedade está sensibilizada e disposta a investir em edifícios de energia positiva”, refere Luisa.</p>
<p>No entanto, os obstáculos para massificar estas soluções são substanciais. Desde logo, é necessária uma colaboração estreita com as autoridades públicas. Para Margherita Fabbri, “sem um caminho claro por parte das autoridades e sem incentivos acessíveis para os promotores, proprietários e fornecedores de tecnologia, não será possível replicar estas inovações em grande escala, não conseguimos fazer isso sozinhos”. A criação de incentivos fiscais, linhas de apoio à renovação e regulamentações flexíveis para tecnologias inovadoras será, então, determinante para a replicabilidade do projecto. Luisa de Amicis acrescenta: “Temos um ponto específico no projecto em que queremos colaborar com outras iniciativas para fortalecer a nossa voz, para que a nossa mensagem possa chegar a diferentes decisores políticos a vários níveis, do local ao internacional.”</p>
<p>Além disto, outra dificuldade está relacionada com a complexidade da renovação do património histórico, presente em grande parte do parque edificado europeu. “Quase todos os países europeus têm um grande número de edifícios, que estão protegidos por normas arquitectónicas e culturais. As intervenções nestes edifícios têm de ser minimamente invasivas, reversíveis e tecnicamente adequadas ao seu valor patrimonial”, refere Margherita Fabbri. Embora o projecto não actue directamente neste segmento, as soluções modulares e pré-fabricadas desenvolvidas podem, no futuro, vir a ser adaptadas a edifícios classificados.</p>
<p>O impacto do projecto estende-se também ao planeamento urbano. As casas de energia positiva testadas no REN+HOMES abrem caminho à criação de comunidades energéticas, onde a energia excedente de uma habitação pode ser utilizada para abastecer escolas, postos de carregamento de veículos eléctricos ou serviços partilhados, criando um ecossistema energético local, autossuficiente e colaborativo. Quando perguntamos se Luisa considera que os edifícios de energia positiva serão o futuro das cidades, a resposta é simples: “Devem ser, porque é a única forma de fazer a transição para um futuro climático neutro.”</p>
<p>“As cidades do futuro devem ser compostas por edifícios que produzem energia, formando distritos de energia positiva. Isto permitirá integrar as casas numa rede urbana resiliente e sustentável”, aponta Luisa de Amicis. “Já estamos a trabalhar numa lógica de transição do prédio para a cidade.”</p>
<h4><strong>CIDADES DO FUTURO: ENERGIA POSITIVA, SUSTENTABILIDADE E COMUNIDADES RESILIENTES</strong></h4>
<p>A longo prazo, o objectivo é que as tecnologias desenvolvidas atinjam o nível tecnológico 8 numa escala de 1 a 10, ficando assim muito próximas da entrada no mercado. O projecto visa não apenas a execução local, mas a criação de modelos replicáveis noutros países e contextos, contribuindo para a transformação estrutural do sector da construção. “Estamos a tentar democratizar o acesso à energia e à construção eficiente, criando novas opções que possam transformar o mercado e tornar as cidades mais resilientes”, afirma Luisa.</p>
<p>O REN+HOMES é, por isso, mais do que um projecto técnico. É uma proposta concreta de transição energética no sector da construção, que alia inovação tecnológica, participação social e sustentabilidade ambiental. Em linha com a missão da União Europeia para a neutralidade climática e as metas de renovação urbana, o projecto mostra que é possível transformar o parque edificado europeu de forma integrada, equitativa e eficaz.</p>
<p>“Temos de alcançar a neutralidade do clima em 2050. Temos poucos anos para o conseguir e muito trabalho pela frente”, reforça Luisa, que olha para profissões relacionadas com a sustentabilidade das cidades como cruciais – “é importante criar novas oportunidades, explorar novas metodologias para ajudar as cidades a serem mais sustentáveis, porque este é um problema urgente.”</p>
<p>Este projecto constitui-se como uma peça-chave no esforço europeu para alcançar cidades mais sustentáveis, eficientes e inclusivas. O seu legado, contudo, dependerá da capacidade de as políticas públicas acompanharem a inovação técnica e criarem as condições para que estas soluções cheguem ao mercado e aos cidadãos.</p>
<p>Fotografia de destaque: © Adobe Stock</p><p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/renhomes-tecnologia-sustentabilidade-e-envolvimento-comunitario/">REN+HOMES: Tecnologia, sustentabilidade e envolvimento comunitário</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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		<title>Geotermia em Chaves: O projecto inovador que veio dinamizar uma região</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/geotermia-em-chaves-o-projecto-inovador-que-veio-dinamizar-uma-regiao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Dec 2025 10:20:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Chaves]]></category>
		<category><![CDATA[energia geotérmica]]></category>
		<category><![CDATA[geotermia]]></category>
		<category><![CDATA[potencial geotérmico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O potencial geotérmico em Portugal continental é limitado, mas Chaves destaca-se por ser uma cidade pioneira na exploração geotérmica no país.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/geotermia-em-chaves-o-projecto-inovador-que-veio-dinamizar-uma-regiao/">Geotermia em Chaves: O projecto inovador que veio dinamizar uma região</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=161" target="_blank" rel="noopener">edição nº 161 da Edifícios e Energia</a> (Setembro/Outubro 2025).</em></strong></p>
<p>O potencial geotérmico em Portugal continental é limitado, mas Chaves destaca-se por ser uma cidade pioneira na exploração geotérmica no país.</p>
<p>A energia geotérmica é classificada conforme a entalpia do recurso térmico (temperatura) e o modo de exploração. Existem três tipos de sistemas: baixa entalpia (até cerca de 100 °C), média entalpia (entre os 100 e 150 °C) e alta entalpia (mais de 150 °C). O caso de Chaves é de baixa entalpia, ou seja, recorre-se a bombas de calor geotérmicas (Ground Source Heat Pump – GSHP), instaladas a poucos metros de profundidade, que transferem calor do subsolo para aquecer edifícios (ou arrefecer no Verão) por meio de um fluido em circuito fechado.</p>
<p>A construção desta nova rede no interior do país começou em 2021, embora já nos anos 80 se tivesse verificado a utilização de energia geotérmica em edifícios. A solução diferenciadora está na utilização de permutadores de calor: a água termal passa apenas pelos permutadores, cede calor a um circuito de água de rede em circuito fechado, e só depois é arrefecida e consumida no balneário e no complexo de piscinas termal. A previsão original de 24 edifícios ligados à rede de calor mantém-se, apesar de, até agora, só estarem seis ligados à rede e a funcionar na totalidade.</p>
<p>A rede urbana geotérmica cobre cerca de 2,6 km de tubagens na cidade, fornecendo aquecimento 100% limpo e renovável. Apesar de atrasos causados pela pandemia da Covid-19, em 2020, e pela descoberta de achados arqueológicos, o sistema está agora operacional e em fase de contratação dos consumidores.</p>
<p>Este longo percurso, desde a década de 80 até 2025, consolidou Chaves como um caso de referência no aproveitamento geotérmico urbano.</p>
<h4><strong>O PODER DA GEOTERMIA EM CHAVES</strong></h4>
<p>A rede urbana de Chaves integra as captações termais existentes e vários edifícios públicos e privados no centro histórico. A água termal é captada a 76 °C e conduzida a permutadores térmicos numa central de produção. Joaquim Esteves, da Câmara Municipal de Chaves e engenheiro mecânico, explica que “o elemento diferenciador foram os permutadores, porque a água termal só chega até aí”. Assim, o calor é transferido para a rede de aquecimento urbano, preservando a termalidade das águas para uso balnear. A água volta depois à fonte térmica a cerca de 64 °C, fazendo com que o sistema consuma apenas a diferença térmica necessária.</p>
<p>O caudal de água disponível é de cerca de 15,6 metros cúbicos/hora, aproveitado ao máximo pelos permutadores na central geotérmica. A infraestrutura do sistema inclui um software de gestão avançado, que recolhe dados em tempo real sobre consumos, potências e temperaturas. “Temos um software espectacular que nos vai dar todos os dados, todos os consumos, todos os valores”. Cada edifício ligado surge identificado e monitorizado: o sistema mostra o setpoint de potência autorizado e a percentagem de ocupação, bem como a disponibilidade energética (por exemplo, o balneário termal dispõe de 350 kW (Kilowatt) e consome 86 kW, neste momento). A rede total dispõe de cerca de 3,3 MW (Megawatt) térmicos de capacidade (potência térmica dos furos), valor que atende confortavelmente à actual procura.</p>
<p>A operação diária faz-se por gestão automática. Em cada edifício há válvulas de controlo que podem fechar progressivamente a distribuição, caso a carga total exceda a capacidade. De acordo com o engenheiro mecânico da Câmara Municipal de Chaves, “já está gerada a fórmula de gestão de picos no Inverno”: quando o consumo ultrapassa a oferta, todos os consumidores vão perdendo, de forma gradual, o acesso (primeiro a 5%, depois a 10% e assim sucessivamente) para equilibrar a rede. Esse algoritmo de controlo já está implementado no software e apenas entraria em acção durante o Inverno em situações extremas.</p>
<p>Em conjunto, a rede de calor de Chaves funciona como uma enorme instalação central de aquecimento, alimentando os edifícios (hotéis, escolas, museus, serviços públicos) com água quente. Todos eles estão equipados com permutadores secundários individuais (já concluídos a 100% nos 24 edifícios), de modo que cada edifício receba apenas a água da rede (não termal), usando-a nos “radiadores, ventiloconvectores ou unidades de tratamento de ar, as chamadas UTAMs, não funcionam em sistemas de ar-condicionado”.</p>
<p><strong>Características principais (redes e sistemas):</strong></p>
<p><strong>Comprimento da rede:</strong> aproximadamente 2,6 km de condutas enterradas;</p>
<p><strong>Temperaturas de serviço:</strong> cerca de 76 °C de fonte termal e, aproximadamente, 65 °C na rede de consumo;</p>
<p><strong>Caudal termal:</strong> 15,6 m³/h (proveniente das captações termais);</p>
<p><strong>Potência térmica total das captações:</strong> aproximadamente 3,3 MW;</p>
<p><strong>Gestão e contagem:</strong> software SCADA com medição de caudal e temperaturas, implantação de contadores de entalpia nos edifícios (para facturação).</p>
<p>O projecto sofreu alguns atrasos, mas aquilo que encontraram valeu a pena: achados arqueológicos. O engenheiro relembra também que, há uns anos, durante a construção de um parque de estacionamento se encontrou termas milenares, “um achado a nível mundial, devido à volumetria e conservação &#8211; um complexo de duas piscinas, zonas de hidromassagem, zonas de águas limpas, zonas de águas sujas”. Deste achado, nasceu o Museu das Termas Romanas, que pode visitar-se de forma gratuita.</p>
<h4><strong>IMPACTO ECONÓMICO E ENERGÉTICO JÁ SE FAZ SENTIR</strong></h4>
<p>A utilização da geotermia traz ganhos económicos e energéticos substanciais. Joaquim Esteves sublinha que, embora não tenham definido ainda o tarifário final, a energia geotérmica será cobrada, “garantidamente, abaixo dos 50% [do custo actual]”. Em consequência, espera-se que os consumos sejam drasticamente mais baratos. Como exemplo, o engenheiro refere o Hotel Aquae Flaviae: actualmente, consome cerca de 40 mil euros mensais em gás ou electricidade, mas com o sistema geotérmico passará a “pagar 20% do valor da energia de que necessita.”</p>
<p>Estima-se, assim, que os edifícios ligados à rede reduzam os seus gastos de energia térmica em, aproximadamente, 80%, produzindo poupanças de dezenas de milhares de euros por ano. Essa redução de custos é vista como uma âncora para a economia local: hotéis e comércio beneficiam de tarifas mais baixas, o que torna a estadia e as actividades em Chaves mais competitivas e atractivas.</p>
<p><img decoding="async" class="wp-image-33935  alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-1024x576.jpg" alt="" width="254" height="143" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-1024x576.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-300x169.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-768x432.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-1536x864.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-610x343.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-1080x608.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 254px) 100vw, 254px" /></p>
<p>Tal como explica Joaquim Esteves, “um hotel que tem energia mais barata, consegue promover melhor a cidade”, fortalecendo o turismo termal e o dinamismo económico da região. Além das poupanças directas, o sistema poderá gerar receitas para o município. Embora ainda sem valores finais, prevê-se cobrar um preço de fornecimento inferior às energias convencionais, mas não gratuito, de modo a viabilizar o investimento. A nova rede pode reduzir em, pelo menos, 200 mil euros por ano a factura energética do município, que, actualmente, ronda os três milhões de euros por ano.</p>
<p>Estes ganhos energéticos e financeiros são motivadores para replicar o modelo noutras cidades frias ou regiões térmicas, mas a sustentabilidade do sistema de Chaves continua dependente da sua gestão técnica e tarifária cuidadosas.</p>
<p>Durante este processo, nasceu o complexo de termas Aquae Salutem. “É mesmo um projecto fora da caixa. É um complexo de piscinas termais, sobre uma rocha artificial. Como são piscinas dinâmicas, existe uma casa de máquinas tremenda, com 53 bombas, tem saunas, turcos, jacuzzis, depois tem uma zona dos sensoriais, com som, luz, simulando trovoadas, vento, fontes de gelo.”</p>
<h4><strong>MENOS DIÓXIDO DE CARBONO, MAIS ÁREAS VERDES</strong></h4>
<p>O projecto geotérmico de Chaves destaca-se pelo significativo ganho ambiental associado. Primeiro, porque substitui combustíveis fósseis de elevado impacto. Como enfatiza o engenheiro, “este projecto prevê uma redução superior a 1400 toneladas de dióxido de carbono por ano&#8221;. Esta redução é significativa: compara-se a uma “mini-barragem em termos de potência de produção energética, mas sem os impactes ambientais negativos” inerentes às grandes centrais térmicas. O recurso geotérmico é limpo e renovável, não poluente: “em Chaves, nota-se que o ambiente é puro, limpo, não há smogs, não há poluição.”</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-33934  alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-1024x821.jpg" alt="" width="274" height="220" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-1024x821.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-300x241.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-768x616.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-1536x1232.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-2048x1643.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-610x489.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-1080x866.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 274px) 100vw, 274px" /></p>
<p>Na área circundante das captações e tubagens existem hoje muitos espaços verdes. Além disso, o projecto reforça a estratégia de descarbonização a nível local e nacional. Joaquim Esteves reforça que o município faz a sua parte quanto à redução das emissões de dióxido de carbono. Cada tonelada deste gás poupada é relevante para ajudar no combate às alterações climáticas, cada vez mais evidentes.</p>
<p>No âmbito do Pacto Ecológico Europeu e das metas climáticas definidas, a União Europeia comprometeu-se a atingir a neutralidade carbónica até 2050. A geotermia, por ser uma fonte renovável constante e de baixa emissão, entra como solução estratégica nessas metas.</p>
<p>A própria Direcção-Geral de Energia e Geologia realça que a geotermia é uma “solução sustentável para a descarbonização, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis” nos sectores residencial, industrial, serviços e agrícola.</p>
<p>Assim, nos cenários de energia de 2050, a geotermia contribuirá para a segurança do sistema (fonte estável de electricidade renovável e calor) e para a neutralidade carbónica, complementando energia solar, eólica e outras renováveis.</p>
<h4><strong>E PARA O FUTURO? EXPANDIR A REDE É O OBJECTIVO</strong></h4>
<p>O projecto de Chaves não se limita aos 24 edifícios iniciais. O próximo passo será expandir a rede de calor na cidade. Essa expansão poderá incluir consumidores residenciais (condomínios) e sectores hoje fora do sistema. Entretanto, o crescimento enfrenta desafios técnicos e logísticos. Um problema sazonal imediato é o desnível de consumo Inverno/Verão: no Verão, o calor urbano praticamente desaparece e a rede fica com capacidade ociosa. Para evitar desperdício, o sistema passou a injectar a água termal excedente nas piscinas da cidade (garantindo assim uso 24h).</p>
<p>Outro desafio futuro é o alcance geográfico da rede. Para levar a geotermia a bairros mais distantes, seria preciso estender quilómetros de tubagem subterrânea, o que implica custos altos e interferências urbanas. Na fase actual, optou-se por clientes como hotéis, museus, escolas, justamente porque “a água termal está sempre a ser consumida” nesses edifícios. Levar tubos a habitações isoladas num bairro periférico pode não ser economicamente viável até haver volume crítico de adesão.</p>
<p>As perspectivas de expansão da rede geotérmica de Chaves são positivas, mas dependerão de equilibrar investimentos e consumos. Os principais desafios – sazonalidade dos usos, custos de extensão de redes, gestão de capacidade – estão a ser enfrentados com ferramentas técnicas (software de regulação, contagem remota, planeamento de expansão) e medidas de apoio local. Conforme conclui o engenheiro, “sim, é possível” crescer além desta fase inicial, desde que a estrutura técnica e tarifária evolua paralelamente.</p><p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/geotermia-em-chaves-o-projecto-inovador-que-veio-dinamizar-uma-regiao/">Geotermia em Chaves: O projecto inovador que veio dinamizar uma região</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Passive House: um futuro sustentável na construção</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/passive-house-um-futuro-sustentavel-na-construcao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Jun 2025 08:00:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Associação Passive House]]></category>
		<category><![CDATA[conforto térmico]]></category>
		<category><![CDATA[construção]]></category>
		<category><![CDATA[eficiência energética]]></category>
		<category><![CDATA[passive house]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Já imaginou viver numa casa onde há conforto térmico, o ar é limpo, os níveis de eficiência energética são elevados e ainda tem uma boa acústica e isolamento? É esta a proposta da Passive House (ou “Casa Passiva”, em português), um conceito que veio para ficar e que quer chegar a mais públicos para que todos possam viver em condições dignas.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/passive-house-um-futuro-sustentavel-na-construcao/">Passive House: um futuro sustentável na construção</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">Artigo publicado originalmente na edição de <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=158" target="_blank" rel="noopener"><span class="s2">Março/Abril de 2025</span></a> da Edifícios e Energia.</span></strong></em></p>
<p><strong>Já imaginou viver numa casa onde há conforto térmico, o ar é limpo, os níveis de eficiência energética são elevados e ainda tem uma boa acústica e isolamento? É esta a proposta da Passive House (ou “Casa Passiva”, em português), um conceito que veio para ficar e que quer chegar a mais públicos para que todos possam viver em condições dignas.</strong></p>
<p>O conceito de “Passive House” deriva do alemão “Passivhaus” e os principais focos são a eficiência energética, o conforto térmico e a qualidade do ar interior. Em Portugal, o conceito só começou a surgir em 2012 com a Associação Passive House, uma organização sem fins lucrativos e que tem o intuito de promover o conceito de Passive House, disseminar eventos, entre outros. A Homegrid foi a empresa fundadora desta associação em território nacional e é responsável por fazer a ponte com o Passive House Institute, da Alemanha.</p>
<p><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31848 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-300x200.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-1024x683.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-768x512.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-1536x1024.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-2048x1366.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-610x407.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-1080x720.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Joana Cortinhas, arquitecta, membro da direcção da Passive House Portugal, <em>designer</em> certificada Passive House e formadora na associação, explica que o surgimento do conceito em Portugal se deveu à iniciativa de João Marcelino, actual presidente da Associação Passive House. Durante a construção da sua própria casa, João enfrentou desafios para equilibrar o conforto térmico, a eficiência energética e a qualidade do ar: “Ele tentou encontrar algo que respondesse às questões que tinha elaborado: como é que podia ter conforto sem gastar tanta energia em casa, como é que podia ter as janelas bem instaladas e como é que podia garantir qualidade do ar dentro de casa.”</p>
<p>Assim, inspirado pelo Passive House Institute, na Alemanha, e juntamente com outros profissionais, João Marcelino trouxe o conceito para Portugal, conseguindo o tal equilíbrio que procurava. “Durante a construção da sua casa, ele encontrou o conceito Passive House e o Passive House Institute. Foi directamente à conferência, tirou os cursos necessários e implementou, desde logo, o modelo na casa dele”, explica Joana Cortinhas.</p>
<p>Desde então, a associação tem-se dedicado a disseminar este conceito. “Temos já uma rede com mais de 60 parceiros, ou seja, empresas que têm já produtos preparados para implementarem a Passive House. O nosso objectivo é fazer esta ligação entre o cliente final, o consumidor final e todas as empresas que já têm soluções preparadas poderem implementá-las no mercado. A nossa ideia é criar e desenvolver esta rede de parceiros, que, no fundo, facilita essa interligação com os próprios projectistas e clientes finais.”</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31849 alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-300x222.jpg" alt="" width="300" height="222" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-300x222.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-1024x758.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-768x569.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-1536x1138.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-610x452.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-1080x800.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>No entanto, a implementação do conceito em Portugal não foi fácil. “O início foi um arranque difícil, porque foi um conceito que não estava nada disseminado em Portugal, e as pessoas receberam a Passive House sempre com muita resistência”, admite. Ainda assim, a arquitecta refere que as pessoas estão cada vez mais informadas sobre este conceito e que a procura é cada vez maior. Havendo já exemplos reais no país, torna-se também mais fácil mostrar resultados. A associação procura mostrar que “não é algo complicado, mas sim uma solução acessível e sustentável.”</p>
<p>Já existem dez edifícios certificados em Portugal. Desde Évora, passando por Mafra e até Penafiel, estes edifícios são, na maior parte, residenciais. Joana Cortinhas dá o exemplo de um cliente, cuja casa ainda está em construção, ou seja, “ainda não tem instalados os sistemas de aquecimento e de ventilação a funcionar, simplesmente tem a casa isolada, com as janelas bem instaladas e o que dizem é que já sentem um conforto fora do comum e que, mesmo em construção, a casa já é mais confortável do que a anterior.”</p>
<p>Embora haja edifícios que foram construídos segundo as linhas orientadoras de uma Passive House, nem todos os clientes finais querem avançar com a certificação. “Temos dezenas ou centenas de edifícios que foram construídos segundo este conceito, mas que depois não avançaram para a certificação”, explica a arquitecta.</p>
<h4><strong>REQUISITOS, FLEXIBILIDADE E BENEFÍCIOS</strong></h4>
<p>Para construir uma Passive House, existem vários requisitos que têm de ser cumpridos, no entanto, há uma grande abrangência em relação ao caminho a seguir para atingir este tipo de certificação. O local onde é construído e os materiais utilizados não são factores, mas existem alguns limites a ter em atenção, tal como esclarece Joana Cortinhas: “Tem de ser tudo muito organizado. Por exemplo, temos de construir uma parede com um coeficiente de transmissão térmica que não passe determinado limite. Depois, temos de conjugar a construção da parede, dos pavimentos e da cobertura de modo a não ultrapassarmos os 15 quilowatt-hora, que é o limite das necessidades de energia. Temos de usar caixilharia com bom desempenho térmico, porque não é o material em si com que nós fazemos o balanço energético, é com os resultados, os valores, sobretudo, dos coeficientes de transmissão térmica, é com isso que trabalhamos.”</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31850 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-300x175.jpg" alt="" width="300" height="175" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-300x175.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-1024x596.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-768x447.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-1536x893.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-2048x1191.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-610x355.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-1080x628.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Assim, qualquer tipo de construção pode atingir o desempenho Passive House se, desde o início, houver esta consciência. “Se é uma parede de alvenaria, se é uma parede LSF (<em>light steel framing</em> ou estrutura de aço leve, em português), madeira, o que importa é o desempenho da casa e como é que depois se monta tudo para não haver falhas no isolamento, pontes térmicas na instalação das janelas, por exemplo.”</p>
<p>Viver numa Passive House é não ter de lidar com os problemas comuns das casas portuguesas: “Os edifícios não têm patologias, não há bolor nem humidade, tão infelizmente característica das casas portuguesas. Não temos pessoas a morrer de frio no Inverno, temos as casas frescas no Verão”. Além de tudo isto, a qualidade do ar interior é filtrada, através de um sistema de ventilação, o que permite que se respire um ar mais saudável dentro da casa. “Filtra-se o ar, removem-se as partículas e também se recupera calor, ou seja, estamos a insuflar ar filtrado e limpo dentro de casa”, remata Joana Cortinhas. Assim, existe uma recirculação do ar, o que não permite que ele se torne pesado. “O ar é extraído de onde ele fica mais sujo, ou seja, casas de banho, cozinhas ou zonas técnicas, zonas de arrumo.</p>
<p>Estamos a extrair ar e a insuflá-lo onde as pessoas passam mais tempo, isto é, salas, quartos, escritórios, bibliotecas. Isto garante uma taxa de renovação suficiente dentro daquele edifício o que faz com que o ar tenha oxigénio suficiente”. Acrescenta ainda que descrever estes benefícios não se compara a senti-los em primeira mão: “Podia descrever mil e uma coisas, mas só mesmo sentindo é que se percebe o que é respirar ar com qualidade suficiente.”</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31851 alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/4.Danosa_Tuu-226x300.jpg" alt="" width="226" height="300" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/4.Danosa_Tuu-226x300.jpg 226w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/4.Danosa_Tuu-771x1024.jpg 771w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/4.Danosa_Tuu-768x1020.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/4.Danosa_Tuu-610x810.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/4.Danosa_Tuu.jpg 813w" sizes="(max-width: 226px) 100vw, 226px" /></p>
<p>A importância da regeneração do ar deve-se ao facto de existir demasiado dióxido de carbono, o que é prejudicial para a saúde. “Estudos que já foram feitos mostram que se num espaço existir acima de mil ppm, ou seja, mil partes por milhão, de CO2, há uma quebra enorme no desempenho das pessoas, na capacidade de tomar iniciativa, entre outras, e isto também pode ser uma explicação pela qual nas escolas, que têm uma concentração de CO2 acima de mil/dois mil ppm, os alunos não se mantêm atentos, não conseguem ter bom desempenho escolar. O mesmo nos escritórios.”</p>
<p>O conforto térmico é um ponto essencial do projecto. A arquitecta explica que, quando uma Passive House é planeada, tem em conta a sua temperatura, sendo que “no Inverno tem no mínimo 20.ºC e no Verão não ultrapassa os 25.ºC”. O conforto acústico é outro benefício a ter em conta. Actualmente, a maior parte da população vive em cidades, onde o barulho é, por vezes, incomodativo e excessivo. Joana Cortinhas diz mesmo que “nas grandes áreas metropolitanas as pessoas não conseguem descansar, não conseguem ter um sono tranquilo, regenerar durante a noite, o que é muito importante para termos energia para o dia seguinte. Já há vários estudos feitos que concluem que dentro de uma Passive House se consegue reduzir o ruído para cerca de metade do que aquilo que é um edifício convencional”.</p>
<p>A arquitecta conta até a sua experiência pessoal. Vive numa Passive House há dez anos e diz que estava preparada para o conforto térmico de que tanto se fala, mas não para o conforto acústico: “não vais preparado para sentir silêncio dentro de casa; é estranhamente silencioso entrar numa Passive House.”</p>
<p>Outra vantagem deste tipo de solução é que é economicamente acessível. Portugal tem o denominado “clima feliz” e, por isso, não é caro construir uma casa segundo este conceito. “Os custos são practicamente os mesmos de uma construção convencional, mas depois temos, obviamente, as poupanças mensais na factura da electricidade”. Joana Cortinhas, que experiencia estas vantagens em primeira mão, revela que no seu T2, no pico do Inverno, o máximo que pagou de electricidade foram 37€. Na casa antiga chegava a pagar entre 100€ e 150€ e não tinha conforto térmico. “Estava no quarto, ligava o aquecedor no quarto, ia para a sala, ligava o aquecedor na sala, ia tomar banho, ligava o aquecedor na casa do banho…, numa Passive House isso não acontece, porque funciona como um todo, o ambiente da casa está à mesma temperatura, tem a mesma qualidade do ar.”</p>
<p>Um dos destaques do conceito é a durabilidade dos edifícios, que exigem pouca manutenção ao longo dos anos. Por exemplo, o “pai” da Passive House, Wolfgang Feist, “continua a viver numa e a ter os mesmos resultados desde o início da construção, dos anos 90”, observa Joana Cortinhas. Como a casa não está exposta a grandes variações de temperatura e humidade, “não tem tantos problemas e não precisa de tanta manutenção”. A única exigência é a troca de filtros da unidade de ventilação e manutenção normal dos sistemas. “Se for bem feito, vai durar uma vida toda, sem grandes problemas de manutenção.”</p>
<h4><strong>IMPACTO E ADAPTAÇÃO ÀS NORMAS EUROPEIAS</strong></h4>
<p>Com a implementação da Directiva Europeia de Desempenho Energético dos Edifícios, Portugal caminha para uma construção mais sustentável. No entanto, as casas Passive House já estão alinhadas com essas exigências. “Uma Passive House consegue ser sempre um edifício de energia quase zero, mas um edifício de energia quase zero nem sempre consegue ser uma Passive House”, explica Joana Cortinhas, enfatizando que o conceito está à frente das regulamentações actuais.</p>
<h4><strong>A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO: PASSIVE HOUSE CENTER, EM POMBAL</strong></h4>
<p>O Passive House Center, em Pombal, nasceu em 2023. Surgiu a necessidade de existir um local dedicado a formação práctica sobre a Passive House, como forma de aproximar clientes, empresas e de disseminar o conceito. A formação teórica já existe quase desde o início da criação da Associação Passive House em Portugal, mas passado quase dez anos a formação deu mais um passo em frente. “Estávamos a sentir cada vez mais esta necessidade de ter um sítio onde as pessoas pudessem fazer, elas próprias, com a mão na massa, e passarem um bocadinho da teoria para a práctica, terem contacto directo com os materiais, com as empresas que fornecem os materiais e aplicam o produto e tentarmos desmistificar alguns aspectos que podem ainda persistir”. Quem já frequentou, recomenda e é isso que faz com que a equipa portuguesa se mantenha motivada para continuar a trabalhar. “O feedback tem sido fantástico, as pessoas participam, montam janelas, aplicam isolamento; têm mesmo uma percepção de como é que é a realidade em obra e isso é muito bom, porque depois, tanto se forem donos de obra ou projectistas, podem estar no local e perceber como é que a solução é aplicada.”</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31852 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-300x200.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-1024x683.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-768x512.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-1536x1024.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-2048x1365.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-610x407.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-1080x720.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Além disso, destes <em>workshops</em> surgem novas soluções que depois são implementadas. Joana Cortinhas dá o exemplo de um que envolvia vários parceiros e onde as várias empresas trabalharam em conjunto algo que ainda não existia relacionado com a instalação de janelas, de continuidade do isolamento e de garantir a estanquidade do ar. “Isso foi trabalhado naquele <em>workshop</em> e acabou por ficar desenhada uma nova solução que funciona”. Todos podem participar e os <em>workshops</em> são gratuitos para os sócios da Passive House Portugal.</p>
<p>Outras iniciativas incluem formações em parceria com a Ordem dos Arquitectos e a certificação de edifícios de grande escala. “Estamos a finalizar a certificação da sede da Danosa em Portugal, o primeiro edifício não residencial certificado. Achamos que este pode ser um projecto que impulsione outros com características semelhantes.”</p>
<h4><strong>O FUTURO DA CONSTRUÇÃO</strong></h4>
<p>Na Escócia, a partir de 2028, todos os edifícios que forem construídos têm de seguir os critérios de uma Passive House. Existe um período de adaptação entre 2026 e 2028 para que todas as empresas se adaptem e comecem a mudar a forma como antes pensavam os edifícios e a adoptar uma alternativa mais duradoura e saudável para todos. Também outros países como a Alemanha, o berço da Passive House, a Irlanda ou o Luxemburgo estão a criar leis nesse sentido. Em Portugal, ainda não existe nada semelhante. A arquitecta espera que com a disseminação do conceito e com o aumento da preocupação da qualidade de vida se esteja cada vez mais perto de que todos vivam nestas condições. E acrescenta: “só não fazemos, se não quisermos.”</p>
<p>The House of Bavarian History, na Alemanha, é o maior museu do mundo certificado como uma Passive House. Desde Agosto de 2022 que este museu poupou, no total, durante o processo operacional, 65 mil quilowatts por hora. O maior desafio encontrado foi a manutenção da temperatura dentro do museu, independentemente do número de visitantes em cada sala. Uma temperatura mais estável acaba também por ajudar a preservar as exposições a longo prazo.</p>
<p>O movimento, já consolidado em outros países, começa a ganhar força em Portugal, trazendo a promessa de um futuro onde casas sustentáveis sejam a norma, não a excepção. “A Passive House é mais do que uma certificação; é um conceito que garante conforto, sustentabilidade e qualidade de vida”, conclui Joana Cortinhas.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Edifícios que são ecossistemas vivos</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/edificios-que-sao-ecossistemas-vivos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Mar 2025 10:19:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[arquitectura sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[descarbonização]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[fotobiorreactores]]></category>
		<category><![CDATA[microalgas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=30214</guid>

					<description><![CDATA[<p>Numa altura em que a palavra de ordem é a descarbonização dos edifícios e todas as estratégias apontam para essa ambição, é importante reflectir sobre formas inovadoras de tornar os edifícios menos “pesados” para o planeta e para as cidades onde vivemos. As microalgas podem ser um bom exemplo.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">Artigo publicado originalmente na edição de <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=157" target="_blank" rel="noopener"><span class="s2">Janeiro/Fevereiro de 2025</span></a> da Edifícios e Energia.</span></strong></em></p>
<p><strong>Numa altura em que a palavra de ordem é a descarbonização dos edifícios e todas as estratégias apontam para essa ambição, é importante reflectir sobre formas inovadoras de tornar os edifícios menos “pesados” para o planeta e para as cidades onde vivemos. As microalgas podem ser um bom exemplo.</strong></p>
<p>Investigadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, aliaram a integração da inteligência artificial com fachadas de pele dupla com microalgas como fontes de energia. Desta forma, as microalgas ajudam a capturar carbono e a melhorar a qualidade do ar e, além disso, as próprias fachadas podem tornar-se espaços multifuncionais, criando também um “buffer” térmico, reduzindo as necessidades energéticas para aquecimento ou arrefecimento, especialmente em climas extremos.</p>
<h4>COMO DEVERÃO SER OS EDIFÍCIOS DO FUTURO?</h4>
<p>Os edifícios do futuro não devem ser vistos apenas como estruturas passivas, mas como ecossistemas vivos que interajam com o ambiente, funcionem como fontes energéticas, melhorem a qualidade do ar e façam a gestão dos recursos de forma eficiente.</p>
<p><figure id="attachment_30217" aria-describedby="caption-attachment-30217" style="width: 178px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30217 " src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-1-565x1024.jpg" alt="" width="178" height="323" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-1-565x1024.jpg 565w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-1-165x300.jpg 165w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-1-768x1393.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-1-610x1106.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-1-scaled.jpg 662w" sizes="(max-width: 178px) 100vw, 178px" /><figcaption id="caption-attachment-30217" class="wp-caption-text">Instalação experimental de fachada de dupla pele com fotobiorreactor integrado</figcaption></figure></p>
<p>A grande questão para Mohamad T. Araji, investigador e professor na Escola de Arquitectura da Universidade de Waterloo, em Chicago, está em saber “como podemos criar cidades autossustentáveis, através de edifícios de energia zero, integrando fontes de energia renováveis e sistemas altamente eficientes para optimizar a utilização de recursos e minimizar o impacte ambiental”. Este investigador esteve envolvido no projecto do Masdar Headquarters (a sede de Masdar, em português), na cidade de Masdar, nos Emirados Árabes Unidos. “Esta sede foi concebida como o edifício de utilização mista mais ecológico do mundo, atingindo zero emissões de carbono e zero resíduos (líquidos e sólidos), estabelecendo um novo padrão de sustentabilidade para além do LEED Platinum”, afirma. O LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) é um sistema de certificação que avalia o desempenho ambiental e a sustentabilidade dos edifícios.</p>
<p>Explorar ideias sobre energias renováveis e a sua integração em edifícios foi o ponto de partida para pensar na aplicação de fotobiorreactores de microalgas em fachadas de edifícios, mas foi após Mohamad T. Araji se ter mudado para o Canadá que surgiu uma ideia complementar: fachadas de dupla pele que integram fontes renováveis em climas frios. “Isto inspirou-me a explorar novas ideias de investigação, como a integração de fotobiorreactores de microalgas em fachadas de pele dupla para climas mais frios. Esta abordagem ajuda a evitar a acumulação de neve e cria um amortecedor regulador da temperatura dentro da cavidade da fachada, optimizando, em última análise, o desempenho do sistema.”</p>
<p>Um exemplo prático da aplicação de um destes sistemas é a BIQ House em Hamburgo, na Alemanha. Este foi o primeiro edifício do mundo a integrar fotobiorreactores na sua fachada. Este projecto demonstrou como as microalgas podem ser utilizadas como fonte energética e melhorar a eficiência térmica do edifício, além de serem uma solução sustentável. Também em Hamburgo pode encontrar-se outro edifício que utiliza a outra solução explorada pelo investigador da Universidade de Waterloo. O Elbphilharmonie utiliza fachadas de dupla pele para a eficiência energética e controlo acústico, sendo mesmo considerada uma das salas de concertos mais avançadas do mundo em termos acústicos. Estas fachadas mostram assim como o design se pode adaptar a diferentes climas e também a diferentes funções.</p>
<h4>EDIFÍCIOS COM VIDA: FOTOBIORREACTORES COM MICROALGAS</h4>
<p><figure id="attachment_30218" aria-describedby="caption-attachment-30218" style="width: 215px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30218 " src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-2-577x1024.jpg" alt="" width="215" height="382" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-2-577x1024.jpg 577w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-2-169x300.jpg 169w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-2-768x1364.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-2-610x1083.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-2-scaled.jpg 676w" sizes="(max-width: 215px) 100vw, 215px" /><figcaption id="caption-attachment-30218" class="wp-caption-text">Vista de secção sem um lado da instalação</figcaption></figure></p>
<p>Mas como é que os fotobiorreactores funcionam? Para além de funcionarem como fontes de energia, estes sistemas desempenham várias funções em simultâneo: produzem oxigénio, captam dióxido de carbono e podem integrar sistemas de reutilização de águas residuais que acabam por ser utilizadas no próprio edifício para “alimentar” as algas. Esta integração multifuncional é um marco na arquitectura sustentável, transformando as fachadas em elementos produtivos em vez de meros protectores do clima.</p>
<p>Araji explica que este tipo de solução foi concebido para os centros urbanos, nomeadamente para os edifícios altos e onde existem vários tipos de edifícios de utilização mista, ou seja, sejam eles residenciais, escolares ou comerciais.</p>
<p>As fachadas destes edifícios são recetoras relevantes para este sistema, uma vez que cobrem a maior percentagem da envolvente de um edifício. “As superfícies dos edifícios nas cidades têm um potencial significativo para a produção de energia e a implementação deste sistema foi a chave para explorar esse potencial”. Nem todas as fachadas são ideais para esta solução de integração de biorreactores &#8211; as fachadas viradas a norte não recebem luz solar, pelo que não contribuem para a produção de biocombustível, por exemplo.</p>
<p>As fachadas de dupla pele também podem ser vistas como espaços multifuncionais, acrescenta o investigador: “E se concebermos uma fachada de dupla pele com 2 a 2,5 metros de largura? Ao maximizar estes espaços, podemos integrá-los na disposição do edifício, transformando-os em áreas como corredores, salas de espera ou zonas de lazer”. Esta abordagem não só optimiza o espaço, como também aumenta o valor arquitectónico do edifício.</p>
<p>Algo que ainda está a ser trabalhado é a trajectória do ar: “A forma como o ar circula pode influenciar o desempenho do fotobiorreactor e o fluxo de ar do interior do edifício para a cavidade na fachada pode melhorar o conforto térmico nos espaços ocupados”, diz.</p>
<h4>O PAPEL DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL</h4>
<p><figure id="attachment_30219" aria-describedby="caption-attachment-30219" style="width: 170px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30219 " src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-3-578x1024.jpg" alt="" width="170" height="301" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-3-578x1024.jpg 578w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-3-169x300.jpg 169w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-3-768x1361.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-3-610x1081.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-3-scaled.jpg 677w" sizes="(max-width: 170px) 100vw, 170px" /><figcaption id="caption-attachment-30219" class="wp-caption-text">Cavidade e camada interior da fachada de dupla pele</figcaption></figure></p>
<p>A monitorização é uma parte crucial do projecto e está a ser feita com a ajuda da inteligência artificial. Através de machine learning, “pretendemos optimizar o tempo de conversão da energia em biocombustível, medir a densidade das microalgas e avaliar factores como os padrões de sombra nas fachadas e a circulação da água no interior do edifício. Tudo isto é feito com base nos padrões de utilização ao longo do dia, da noite e do fim de semana”. Desta forma, o sistema está constantemente a ser “treinado” para que possa atingir o seu potencial máximo de produção de energia. Embora o projecto ainda esteja em fase de investigação, este processo de machine learning é fundamental para optimizar os procedimentos. Por exemplo, algo que tem sido analisado é o ângulo do sol. É importante verificar quais as fachadas que podem ser mais úteis e quais as que trazem mais vantagens. O objectivo é encontrar a melhor forma de aproveitar o sol para que a energia possa ser obtida de forma mais eficiente.</p>
<h4>PENSAR A LONGO PRAZO</h4>
<p>Quanto aos custos, Mohamad T. Araji diz que ainda estão em fase de investigação, mas que, provavelmente, e numa primeira fase, os custos não serão tão eficientes quando comparados com os de uma construção dita “normal” e típica, uma vez que a introdução de uma fachada de dupla pele implica, à partida, a utilização de mais materiais. No entanto, se pensarmos nos “benefícios que estas soluções podem trazer aos edifícios, talvez haja um maior equilíbrio”, afirma.</p>
<p><figure id="attachment_30220" aria-describedby="caption-attachment-30220" style="width: 163px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30220 " src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-4-577x1024.jpg" alt="" width="163" height="289" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-4-577x1024.jpg 577w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-4-169x300.jpg 169w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-4-768x1363.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-4-610x1082.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-4-scaled.jpg 676w" sizes="(max-width: 163px) 100vw, 163px" /><figcaption id="caption-attachment-30220" class="wp-caption-text">Vista da camada exterior a partir do interior da cavidade</figcaption></figure></p>
<p>Para o investigador, os edifícios são um ponto central para a sustentabilidade urbana e explica que a mudança deve ser feita e pensada desde a construção. “O nosso sistema optimizou a utilização de microalgas para o controlo da temperatura interior e prevemos que, com a infraestrutura de construção adequada, o aumento do volume de biomassa possa ser convertido em biocombustível para a produção de energia no local. Este sistema pode ajudar a estabilizar ou mesmo inverter a perda de calor que os edifícios normalmente registam. Ao estudar várias geometrias de fachada, desde superfícies planas a superfícies curvas, os nossos resultados demonstraram um aumento de 80% no crescimento da biomassa de microalgas, o que melhorará significativamente a eficiência energética do edifício”, explica Araji.</p>
<p>O investigador avança ainda que o fotobiorreactor de microalgas em estado sólido poderá ser o próximo passo. O sistema actual pode ser objecto de apreensão por parte do público, devido a preocupações com o seu funcionamento básico: “Como gerir uma fuga de água no sistema de fotobiorreactores de um edifício e garantir que o sistema é mantido de forma adequada? Pode ser dispendioso, por isso estamos a procurar outras soluções que evitem que a água seja o meio de ligação, como os fotobiorreactores com cultivo de microalgas em estado sólido.”</p>
<p><figure id="attachment_30221" aria-describedby="caption-attachment-30221" style="width: 283px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30221 " src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-5-1024x474.jpg" alt="" width="283" height="131" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-5-1024x474.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-5-300x139.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-5-768x356.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-5-610x283.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-5-1080x500.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/03/Figure-5-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 283px) 100vw, 283px" /><figcaption id="caption-attachment-30221" class="wp-caption-text">Fotobiorreactor de microalgas</figcaption></figure></p>
<p>O futuro das cidades está intrinsecamente ligado à transformação dos edifícios. Tecnologias como os fotobiorreactores, as fachadas multifuncionais e a utilização da inteligência artificial estão a revolucionar a forma como olhamos para os edifícios, tornando-os não só consumidores, mas também produtores de recursos.</p>
<p>Como diz Mohamad T. Araji, “quanto mais eficientes forem os edifícios, maiores serão os resultados que alcançaremos e menor será a nossa pegada de carbono”. O caminho para o futuro urbano passa pela integração destas soluções de uma forma inteligente e inovadora, redefinindo, assim, o papel dos edifícios nas cidades.</p>
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		<title>Telhados com vida: mais verdes, mais sustentáveis e a pensar no futuro de Paris</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/telhados-com-vida-mais-verdes-mais-sustentaveis-e-a-pensar-no-futuro-de-paris/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jan 2025 08:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[arquitectura]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[inovação]]></category>
		<category><![CDATA[Paris]]></category>
		<category><![CDATA[Roofscapes]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[telhados]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num local densamente povoado e com espaço limitado, torna-se difícil preparar uma cidade para ser climaticamente resiliente, mas a solução parece estar mesmo acima das nossas cabeças: nos telhados. Em Paris, há um projecto-piloto que está a dar que falar pela sua inovação e resultados – já há registos de diminuição de temperatura até 17 ºC, em comparação com os anteriores telhados de zinco.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=156" target="_blank" rel="noopener">edição nº 156 da Edifícios e Energia</a> (Novembro/Dezembro 2024).</em></p>
<p><strong>Num local densamente povoado e com espaço limitado, torna-se difícil preparar uma cidade para ser climaticamente resiliente, mas a solução parece estar mesmo acima das nossas cabeças: nos telhados. Em Paris, há um projecto-piloto que está a dar que falar pela sua inovação e resultados – já há registos de diminuição de temperatura até 17 ºC, em comparação com os anteriores telhados de zinco.</strong></p>
<p>O foco está na reabilitação de telhados subutilizados e a Roofscapes tem como missão transformar essas superfícies em espaços multifuncionais, beneficiando tanto o meio ambiente como a comunidade. É esta a missão de três estudantes da Escola de Arquitectura e Planeamento do MIT. Eytan Levi, Oliver Faber e Tim Cousin juntaram-se para criar a Roofscapes, em 2020, uma start-up que olha para os telhados de uma forma inovadora e promissora.</p>
<p>Os efeitos das alterações climáticas são sentidos em todo o mundo. As cidades tentam preparar-se da melhor forma para as combater, mas não é um processo fácil. Nos últimos 10 anos, Paris plantou 155 mil árvores, incluindo duas florestas urbanas em 2024, e foram criados os chamados “telhados refrescantes”, como forma de combater as ondas de calor e as ilhas de calor que se vão formando por toda a cidade. Em Junho de 2022, Paris registou uma temperatura máxima de 41 graus Celsius (41 ºC), cinco graus acima da média máxima habitual deste mês, aproximando-se, assim, de valores de 2019, ano em que foi registada uma temperatura de 42,9 ºC, durante uma onda de calor. É, por isso, essencial reflectir sobre as cidades e perceber de que forma o espaço urbano se pode preparar para o presente e para um futuro que se adivinha cada vez mais instável em relação ao clima. As cidades estão a aquecer também pela densidade da população, do edificado e pela ausência de estratégias de arrefecimento que passam pela existência de água ou espaços verdes.</p>
<p>A capital de França é a sétima cidade mais povoada do mundo e importa perceber como pode Paris dar um passo em frente no combate às alterações climáticas. A solução parece estar mesmo acima das nossas cabeças: nos telhados. Os telhados parisienses tipicamente de zinco, e por isso responsáveis pelo aumento das temperaturas, começam agora a ganhar uma nova vida. Além disso, era necessário trabalhar em telhados inclinados. “Estima-se que haja cerca de quatro milhões de edifícios com telhados inclinados em áreas urbanas densas na Europa, sem contar com os subúrbios e zonas rurais. É nessas áreas urbanas centrais que se concentram fenómenos como as ilhas de calor e a perda de biodiversidade”, refere Eytan Levi, co-fundador da Roofscapes.</p>
<h4>MODERNIZAR, RESPEITANDO O PATRIMÓNIO</h4>
<p>“Adaptar os edifícios às alterações climáticas, respeitando o seu valor patrimonial, foi o cerne da nossa abordagem. É fundamental equilibrar a preservação do património com a adaptação às alterações climáticas, garantindo que os habitantes desses edifícios possam continuar a viver neles nas próximas décadas, apesar das condições climáticas extremas, como ondas de calor”, afirma Eytan.</p>
<p>Tentar modernizar edifícios numa cidade com tanta história foi um desafio. Existe regulamentação apertada e regras urbanísticas rigorosas em relação a edifícios históricos, de forma a preservar a identidade. Foi necessário trabalhar em prol da preservação do património para garantir que as intervenções fossem compatíveis com a legislação local.</p>
<p>A Académie du Climat, em Paris, uma instituição dedicada à ecologia e que trabalha para uma transição climática justa, foi o local elegido para o projecto-piloto da Roofscapes. Esta Academia nasceu num prédio, propriedade da Câmara Municipal, que foi reaproveitado para se tornar num local onde o tema das alterações climáticas está sempre em cima da mesa.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-28871 " src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Sketch_Credits_Roofscapes-2-1024x768.jpg" alt="" width="356" height="267" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Sketch_Credits_Roofscapes-2-1024x768.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Sketch_Credits_Roofscapes-2-300x225.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Sketch_Credits_Roofscapes-2-768x576.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Sketch_Credits_Roofscapes-2-1536x1152.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Sketch_Credits_Roofscapes-2-2048x1536.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Sketch_Credits_Roofscapes-2-610x458.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Sketch_Credits_Roofscapes-2-1080x810.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Sketch_Credits_Roofscapes-2-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 356px) 100vw, 356px" /></p>
<p>Este projecto envolveu a instalação de um sistema de “telhado verde” para monitorizar os impactos reflectidos neste novo telhado de 100 metros quadrados. Alguns factores analisados são a redução da temperatura, um dos pontos-chave do projecto, o desenvolvimento e aumento da biodiversidade, a retenção de água da chuva e ainda a autonomia de irrigação de plantas, que acaba por funcionar como uma reserva na ocorrência de fenómenos climáticos extremos. “Em termos de impacto, é crucial entender que, na Europa Central, onde a França está localizada, os climas mais quentes estão a mover-se de sul para norte, ano após ano, enquanto as cidades e edifícios permanecem fixos, construídos para climas diferentes dos de hoje”. É, por isso, necessário e fulcral trabalhar para uma sustentabilidade urbana.</p>
<p>Mesmo sendo um projecto recente, já são visíveis algumas mudanças, como a redução da temperatura: “o que conseguimos ao sombrear o telhado com o nosso sistema é que a temperatura na superfície do zinco não sobreaquece. Antes, como é um condutor térmico, a temperatura subia cada vez mais, actuando como um radiador em escala urbana”. Também já houve desafios climáticos (neste caso, calor extremo e mesmo seca) que permitiram testar o sistema em relação à irrigação das plantas. Estas são irrigadas pela raiz, através de reservatórios de retenção de água da chuva localizados sob as áreas plantadas, o que garante várias semanas de autonomia hídrica durante ondas de calor. Os resultados foram positivos, já que, “embora estivesse calor, o solo permaneceu húmido e as plantas prosperam”. Eytan conta até que conseguiram colher framboesas em Outubro, vindas directamente do topo do edifício: “após alguns meses, a plataforma está bastante verde e estamos muito contentes com isso. Inclusive, colhemos framboesas esta tarde, o que é bastante tardio para framboesas em França, mas, por estarmos no telhado, isso é possível”.</p>
<h4><strong>COMEÇAR A OLHAR PARA OS TELHADOS DESDE CIMA</strong></h4>
<p>Todos os edifícios são impactados de forma diferente pelo clima, mas se olharmos para o topo dos edifícios, “os telhados são, geralmente, os primeiros a serem expostos à radiação solar. As árvores, pátios ou outros espaços podem ser sombreados durante parte do dia, mas os telhados quase nunca têm sombra, logo são directamente impactados pelas alterações climáticas e outros factores, como a chuva e as tempestades”, explica Eytan Levi. “Os telhados são um espaço intenso e exposto, e acredito que esta seja uma grande oportunidade de aproveitá-los e utilizá-los melhor.”</p>
<p>Uma das grandes inovações deste projecto é a sua capacidade de trabalhar com telhados inclinados, um desafio arquitectónico significativo. Tal como é referido pela própria empresa, “embora os telhados representem superfícies promissoras para o verde urbano, cobrindo 38 % da área de uma cidade como Paris, quatro em cada cinco telhados parisienses são inclinados e, na maioria das vezes, feitos de zinco, o que torna impossível a instalação de telhados verdes convencionais.”</p>
<p>O zinco é um excelente condutor térmico, não contribuindo, assim, para diminuir o impacto das ondas de calor na cidade, aliás, faz exatamente o efeito contrário: “em dias de calor extremo, com temperaturas do ar à volta dos 40 °C, a superfície do zinco pode chegar aos 80 °C, tornando-se num ambiente hostil”, refere Eytan Levi. Desta forma, a solução passa por instalar sistemas de sombreamento e melhorar o isolamento térmico. “A nossa solução também passa por utilizar plataformas de madeira local, nomeadamente pinho e larício franceses, e cultivo com sistemas de retenção de água que ajudam a regar as plantas de forma passiva, aproveitando a água da chuva”, descreve.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-28872 " src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_04_Credits_OlivierFaber-1-683x1024.jpg" alt="" width="220" height="330" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_04_Credits_OlivierFaber-1-683x1024.jpg 683w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_04_Credits_OlivierFaber-1-200x300.jpg 200w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_04_Credits_OlivierFaber-1-768x1152.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_04_Credits_OlivierFaber-1-1024x1536.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_04_Credits_OlivierFaber-1-1365x2048.jpg 1365w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_04_Credits_OlivierFaber-1-610x915.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_04_Credits_OlivierFaber-1-1080x1620.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_04_Credits_OlivierFaber-1-scaled.jpg 800w" sizes="(max-width: 220px) 100vw, 220px" /></p>
<p>Com estas intervenções, um dos co-fundadores da Roofscapes revela que é possível reduzir até 17 ºC a temperatura interna dos edifícios durante ondas de calor e “criar ambientes que favorecem o regresso de espécies da fauna e flora, além de oferecer novos espaços para os moradores de áreas urbanas densas como Paris. Em prédios com vários proprietários ou inquilinos, geralmente, não há muitos espaços comuns, e o telhado pode finalmente ser um deles”. A vegetação plantada nos telhados ajuda também a melhorar a qualidade do ar, a reduzir as ilhas de calor urbanas e a promover a biodiversidade nas cidades.</p>
<p>Quanto à eficiência energética dos edifícios, Eytan explica que é algo difícil de medir, uma vez que depende de vários factores, como “se o telhado está isolado ou não, o tipo de sistema de energia e de aquecimento que as pessoas têm no prédio, a localização, a exposição solar, entre outros”. No entanto, adianta que “os grandes benefícios [do projecto] estão relacionados com a redução da temperatura e, consequentemente, com a redução do consumo de energia, já que as pessoas não precisarão de usar ar condicionado ou usarão muito menos do que antes.”</p>
<p>O grande objectivo é dar nova vida aos telhados, transformando-os e tornando-os em espaços funcionais e sustentáveis para o futuro.</p>
<h4><strong>CIDADE VERDE, TELHADO VERDE</strong></h4>
<p>Eytan Levi refere que é importante “começar a considerar as superfícies sobre as nossas cabeças”, apesar de o processo não ser fácil e de ser preciso “muito planeamento, garantir que a estrutura suporta o peso, entre outros”. São desafios do presente, mas que chegam até ao futuro. Para cada telhado existe uma intervenção específica e trabalhada para que seja possível conseguir um maior impacto positivo na vida de quem ali mora e do próprio bairro e cidade.</p>
<p>Normalmente, os topos dos edifícios passam-nos ao lado, não só por estarem fora do nosso campo de visão, mas também por não os considerarmos espaços de interesse. Projectos como este demonstram o contrário: “é uma pena que estes espaços não estejam a ser utilizados, mas também entendemos que é complicado para as pessoas compreenderem isto antes de realmente vivenciarem um telhado. É uma experiência muito diferente poder estar num telhado em vez de apenas pensar nele de forma abstrata.”</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-28873 " src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-768x1024.jpg" alt="" width="203" height="270" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-768x1024.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-225x300.jpg 225w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-1152x1536.jpg 1152w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-1536x2048.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-610x813.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-1080x1440.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-scaled.jpg 900w" sizes="(max-width: 203px) 100vw, 203px" /></p>
<p>Estes problemas são não só europeus, como mundiais. O clima está a mudar e isso afecta milhões de pessoas diariamente. Pensar nos telhados, que são espaços subaproveitados, como uma forma de combater “o excesso de superfícies artificiais nas cidades e a falta de áreas verdes” nos espaços urbanos pode ser a peça da engrenagem que faltava.</p>
<p>Paris foi apenas o começo. Este projecto mostra que é possível conciliar o desenvolvimento urbano e a preservação do meio ambiente, oferecendo soluções práticas e replicáveis para cidades em todo o mundo. “Estamos agora a colaborar com edifícios residenciais privados, empresas imobiliárias e autoridades locais para adaptar os telhados que sofrem com ondas de calor. Estas adaptações não são voltadas apenas para ondas de calor, mas também para o ano inteiro, como a retenção de água. Estamos a explorar mais cidades e até outros países, mas, por enquanto, tudo vai ser feito a partir de Paris.”</p>
<p>Os edifícios e, neste caso em particular, os telhados têm um papel fundamental nas cidades, uma vez que podem fazer parte da solução, contribuindo para um futuro mais sustentável e verde, não só nos parques e jardins, mas também acima das nossas cabeças.</p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
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		<title>PAE LIVING BUILDING: um edifício que respira história, sustentabilidade e inovação</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/pae-living-building-um-edificio-que-respira-historia-sustentabilidade-e-inovacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Dec 2024 10:08:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[arquitectura]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[inovação]]></category>
		<category><![CDATA[living building]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Já pensou em trabalhar num “edifício vivo”? Agora, este pensamento não é utópico. O primeiro edifício comercial certificado como Living Building está em Portland, Oregon, nos Estados Unidos da América. Além de cumprir rigorosos padrões, respondendo a necessidades energéticas, de temperatura, de água e até estéticas, está preparado para durar 500 anos. A longevidade é um ponto fulcral e este edifício promete estabelecer novos padrões para o futuro da arquitectura sustentável.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/pae-living-building-um-edificio-que-respira-historia-sustentabilidade-e-inovacao/">PAE LIVING BUILDING: um edifício que respira história, sustentabilidade e inovação</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=155" target="_blank" rel="noopener">edição nº 155 da Edifícios e Energia</a> (Setembro/Outubro 2024).</em></p>
<p><strong>Já pensou em trabalhar num “edifício vivo”? Agora, este pensamento não é utópico. O primeiro edifício comercial certificado como <em>Living Building</em> está em Portland, Oregon, nos Estados Unidos da América. Além de cumprir rigorosos padrões, respondendo a necessidades energéticas, de temperatura, de água e até estéticas, está preparado para durar 500 anos. A longevidade é um ponto fulcral e este edifício promete estabelecer novos padrões para o futuro da arquitectura sustentável.</strong></p>
<p>PAE Living Buiding pode comparar-se a uma árvore, diz Milena di Tomasso, arquitecta e gestora do projecto na área de design. O edifício “utiliza toda a água e toda a energia que recebe de forma a não prejudicar o meio ambiente”. Já gerou 113 % da energia eléctrica necessária para alimentar todo o edifício a partir de painéis solares fotovoltaicos no local e fora dele e também recolheu e tratou 100 % da água necessária para todas as funções do edifício, incluindo água potável.</p>
<p>Desenvolvido pelo gabinete de arquitectura ZGF, o edifício demarca-se como uma iniciativa que luta contra as alterações climáticas e que aposta na promoção da sustentabilidade. O sector da construção civil é responsável por uma grande parte das emissões de carbono e este projecto demonstra que há alternativas na indústria para reduzir este impacto ambiental.</p>
<p>O gabinete ZGF foi até reconhecido pelo design do PAE Living Building com o prémio AIA 2024 COTE Top Ten Award, que distingue os projectos que vão ao encontro dos rigorosos critérios na área social, económica e da sustentabilidade do comité do Instituto Americano de Arquitectos (AIA).</p>
<p>Foram investidos mais de 25 milhões de dólares (mais de 22 milhões de euros) na construção deste edifício.</p>
<h4><strong>O QUE É UM “EDIFÍCIO VIVO”?</strong></h4>
<p>O PAE Living Building é mais do que um edifício e isso é visível pela abordagem holística utilizada. Deixa de ser apenas uma simples construção para se tornar num sistema vivo que interage com o meio à sua volta e se consegue adaptar às necessidades.</p>
<p>Isto é fundamental para a filosofia do <em>Living Building Challenge</em>, um rigoroso padrão de construção verde que exige um desempenho real e quantificável em diversas áreas, denominadas pétalas, tal como numa flor. Milena di Tomasso refere que todos os que estavam envolvidos no projecto sabiam aquilo que era preciso fazer. “Todos os sistemas do edifício, mecânico, eléctrico, hidráulico, estrutural&#8230; Tudo tinha que ter essas pétalas em mente desde o primeiro dia, desde o conceito de design.”</p>
<p><figure id="attachment_28739" aria-describedby="caption-attachment-28739" style="width: 254px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28739 " src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/10_PAE-Living-Building-1-683x1024.jpg" alt="" width="254" height="381" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/10_PAE-Living-Building-1-683x1024.jpg 683w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/10_PAE-Living-Building-1-200x300.jpg 200w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/10_PAE-Living-Building-1-768x1151.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/10_PAE-Living-Building-1-1025x1536.jpg 1025w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/10_PAE-Living-Building-1-1366x2048.jpg 1366w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/10_PAE-Living-Building-1-610x915.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/10_PAE-Living-Building-1-1080x1619.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/10_PAE-Living-Building-1-scaled.jpg 800w" sizes="(max-width: 254px) 100vw, 254px" /><figcaption id="caption-attachment-28739" class="wp-caption-text"> </figcaption></figure></p>
<p>São sete as áreas ou pétalas a que um edifício tem de dar resposta para ser considerado um “edifício vivo”.</p>
<p><strong>1 – Lugar</strong></p>
<p>A construção de um edifício comercial resulta num maior tráfego na área circundante. Isto permite revitalizar o bairro e aumentar o valor daquela área de terreno, o que, aliado à singularidade do edifício, pode significar maior atractividade para empresas.</p>
<p><strong>2 – Água</strong></p>
<p>O edifício é 100 % auto-suficiente neste aspecto. A água utilizada é água da chuva que é recolhida ou água cinzenta que é reutilizada para necessidades não potáveis. Toda a água é recolhida e tratada no local. A arquitecta explica que o edifício tem uma válvula que o conecta às águas municipais e existe para ser utilizada apenas em emergência.</p>
<p><strong>3 – Energia</strong></p>
<p>O edifício produz mais energia eléctrica do que aquela que consome. Esta é produzida através de painéis fotovoltaicos instalados no edifício e fora dele. Como o edifício está localizado numa zona histórica (Skidmore/Old Town), os painéis solares fotovoltaicos não podem estar visíveis. Assim sendo, para ser possível captar toda a energia solar através destes painéis, foi escolhido um outro edifício, de habitação acessível, que se tornou a casa dos painéis fotovoltaicos, cuja energia vai directamente para o PAE Living Building. Qualquer excesso produzido é devolvido à rede eléctrica, beneficiando a comunidade local e reduzindo a dependência de fontes de energia não renováveis.</p>
<p>Além disso, Milena di Tomasso afirma que se houver um corte de electricidade “o edifício consegue continuar a funcionar durante cerca de 100 dias”. Isto é possível graças a uma aposta em armazenamento de energia, que permite ao edifício continuar a funcionar sem bateria. A energia solar externa no local e o armazenamento de bateria no local permitem a produção líquida de energia positiva e a ligação com a rede da cidade.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28738  alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/11_PAE-Living-Building-1-683x1024.jpg" alt="" width="247" height="371" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/11_PAE-Living-Building-1-683x1024.jpg 683w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/11_PAE-Living-Building-1-200x300.jpg 200w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/11_PAE-Living-Building-1-768x1151.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/11_PAE-Living-Building-1-1025x1536.jpg 1025w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/11_PAE-Living-Building-1-1366x2048.jpg 1366w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/11_PAE-Living-Building-1-610x915.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/11_PAE-Living-Building-1-1080x1619.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/11_PAE-Living-Building-1-scaled.jpg 800w" sizes="(max-width: 247px) 100vw, 247px" /></p>
<p><strong>4 – Saúde e Felicidade</strong></p>
<p>O PEA Living Building não deixa a saúde e o bem-estar físico e psicológico dos trabalhadores de parte. Inclui, por exemplo, a instalação de janelas operáveis (em 70 % do espaço do perímetro do edifício), a qual reduz as necessidades de arrefecimento ou aquecimento do espaço para menos de metade daquelas que existiriam num edifício com mais de cinco mil metros quadrados.</p>
<p>Quanto à iluminação, 100 % dos sistemas utilizam tecnologia LED e 68 % têm uma classificação CRI (Índice de Reprodução Cromática, em português) de 90+. A grande quantidade de luz solar recebida permite a diminuição do consumo energético associado à utilização de luzes eléctricas, ao mesmo tempo que aumenta a felicidade e a produtividade dos trabalhadores.</p>
<p>A biofilia (amor à vida e afinidade com o mundo natural) está também presente no edifício, principalmente no deckony, que oferece ar fresco, vistas e uma conexão directa com a natureza, desde o quinto piso do edifício.</p>
<p>Para obter a certificação de <em>Living Building</em>, o edifício deve respeitar o Padrão da Lista Vermelha ILFI (International Living Future Institute), que restringe o uso de materiais como amianto, chumbo ou mercúrio. Isto contribui para um ambiente mais saudável para os trabalhadores. A arquitecta Milena di Tomasso refere que o processo foi moroso. “A própria indústria ainda se está a tentar actualizar. Então, para rotular alguns materiais de forma correcta, tivemos de contratar um consultor para avaliar todo o material e fez-se essa verificação com o nosso empreiteiro geral. Foi um processo realmente demorado.”</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28740  alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/08_PAE-Living-Building-1-675x1024.jpg" alt="" width="240" height="364" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/08_PAE-Living-Building-1-675x1024.jpg 675w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/08_PAE-Living-Building-1-198x300.jpg 198w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/08_PAE-Living-Building-1-768x1164.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/08_PAE-Living-Building-1-1013x1536.jpg 1013w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/08_PAE-Living-Building-1-1351x2048.jpg 1351w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/08_PAE-Living-Building-1-610x925.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/08_PAE-Living-Building-1-1080x1637.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/08_PAE-Living-Building-1-scaled.jpg 792w" sizes="(max-width: 240px) 100vw, 240px" /></p>
<p><strong>5 – Materiais</strong></p>
<p>Todos os materiais utilizados na construção do edifício estão fora da Lista Vermelha ILFI e 50 % são de origem local e regional. Os materiais são, assim, de origem sustentável e abrangem, inclusive, madeira laminada cruzada da Colúmbia Britânica, certificada pelo Forest Stewardship Council. “Tivemos de utilizar, por exemplo, um tecido que é um material natural, porque não possui o corante que todos os produtos químicos têm e que são prejudiciais às pessoas. Desde as válvulas, à iluminação, à pintura e aos azulejos, tudo teve de ser verificado”, explica a gestora de projecto em design, acerca dos cuidados minuciosos que se devem considerar para pensar e construir um edifício com estas características tão específicas.</p>
<p><strong>6 – Equidade</strong></p>
<p>As restrições inerentes quer ao facto de o edifício estar localizado numa zona histórica, que foi construída no final dos anos 1800, quer ao espaço limitado no telhado significavam que o edifício não conseguia produzir 100 % da energia necessária. No entanto, encontrou-se uma solução: o PAE Living Building retém os Créditos de Energia Renovável enquanto um empreendimento local de habitação acessível obtém energia gratuita no local.</p>
<p>A arte está também presente. É possível observar três murais de um artista local e também esculturas em madeira de um artista BIPOC (<em>Black, Indigenous, People of Color</em>).</p>
<p><strong>7 – Estética</strong></p>
<p>Esta área/pétala pode parecer mais superficial, mas há muito por onde explorar em termos de design de um edifício, tornando-o não só bonito como também funcional e sustentável. Milena conta-nos que as escadas, por exemplo, estão “realmente bonitas para incentivar as pessoas a usarem as escadas em vez do elevador”, contribuindo de igual modo, desta forma, para a saúde dos próprios colaboradores.</p>
<h4><strong>A INOVAÇÃO MARCA PRESENÇA NA ZONA HISTÓRICA DE PORTLAND</strong></h4>
<p>Tudo parece funcionar em uníssono neste prédio. O próprio edifício responde às necessidades. Um sistema mecânico foi criado para que as janelas abram e fechem para, por exemplo, “serem abertas à noite e permitirem a circulação de ar”, indica a responsável. “Logo, o ar quente sai do prédio. As pessoas podem abri-las para que não precisem de usar tanto o ar condicionado.”</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28741  alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/06_PAE-Living-Building-1-1024x683.jpg" alt="" width="443" height="296" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/06_PAE-Living-Building-1-1024x683.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/06_PAE-Living-Building-1-300x200.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/06_PAE-Living-Building-1-768x512.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/06_PAE-Living-Building-1-1536x1025.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/06_PAE-Living-Building-1-2048x1366.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/06_PAE-Living-Building-1-610x407.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/06_PAE-Living-Building-1-1080x720.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/06_PAE-Living-Building-1-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 443px) 100vw, 443px" /></p>
<p>O PEA Living Building funciona com sistemas avançados de automação e monitorização, que permitem que isto aconteça. O edifício ajusta automaticamente os seus procedimentos para maximizar a eficiência energética e o conforto, neste caso, dos trabalhadores. Sensores inteligentes monitorizam tudo, desde a qualidade do ar até ao consumo de energia, o que permite uma gestão proactiva e informada do edifício. “Quando a temperatura externa é boa para ter um pouco de ar fresco, as janelas abrem-se automaticamente”, explica a arquitecta. Os trabalhadores dizem que parece que “o edifício está realmente a respirar e está vivo”.</p>
<p>Construir um edifício que cumpra as rigorosas regras do Living Building Challenge já é, por si só, um desafio, mas construí-lo numa zona histórica é ainda mais desafiante. Tiveram de ser cumpridos vários requisitos e Milena di Tomasso diz que o principal foi conseguir planear todo o projecto tendo isso em mente, além de todos os processos de aprovação que foram necessários.</p>
<p>Algo que não era critério para obter a certificação de <em>Living Building</em>, mas que o edifício de Portland tem, é a categoria IV de protecção contra terramotos. Isto significa que esta construção tem, assim, o mesmo nível de protecção que hospitais ou quartéis de bombeiros, por exemplo. Um edifício que tenha este tipo de resiliência pode diminuir o espaço que tem em relação a outro edifício, o que permite, e permitiu, ganhar mais dez centímetros de terreno e obter, desse modo, mais espaço útil.</p>
<h4><strong>UM EDIFÍCIO QUE ESTÁ PRONTO PARA DURAR 500 ANOS</strong></h4>
<p>A durabilidade foi um ponto fulcral do projecto. Normalmente, os edifícios comerciais são construídos para durarem entre 50 e 100 anos, mas este, em Portland, prometeu quebrar todos os recordes. O PAE Living Building foi construído para chegar até aos 500 anos.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-28737 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/12_PAE-Living-Building-1-300x275.jpg" alt="" width="300" height="275" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/12_PAE-Living-Building-1-300x275.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/12_PAE-Living-Building-1-1024x938.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/12_PAE-Living-Building-1-768x704.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/12_PAE-Living-Building-1-1536x1407.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/12_PAE-Living-Building-1-2048x1877.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/12_PAE-Living-Building-1-610x559.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/12_PAE-Living-Building-1-1080x990.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/12_PAE-Living-Building-1-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Tudo foi escolhido ao pormenor. Os materiais escolhidos para o projecto foram seleccionados não só pela sua sustentabilidade, mas também pela sua longevidade e resistência. Entre eles, destacam-se metais recicláveis, madeira tratada para resistir à degradação e betão de alta resistência. Além disso, o edifício foi concebido equacionando a sua flexibilidade. Isto possibilita adaptações e remodelações futuras sem necessidade de demolições de grande escala. Esta abordagem assegura que o edifício se possa adaptar a novas tecnologias e necessidades ao longo do tempo, mantendo a sua integridade estrutural e minimizando o impacto ambiental. O PEA Living Building também inclui um plano de manutenção detalhado, que abrange a substituição de componentes desgastados e a execução de reparos preventivos.</p>
<p>Além da parte mais estrutural do edifício, Milena di Tomasso fala numa relação significativa entre ele e a comunidade. “Eu sou italiana e isto lembra-me um bocadinho daquilo que temos na Europa. Quando construímos algo queremos que signifique alguma coisa e que seja importante. É como um legado de toda a equipa, uma ligação para os trabalhadores e vizinhos, para a comunidade e para a cidade.”</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-28736 alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/13_PAE-Living-Building-300x275.jpg" alt="" width="311" height="285" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/13_PAE-Living-Building-300x275.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/13_PAE-Living-Building-1024x938.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/13_PAE-Living-Building-768x704.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/13_PAE-Living-Building-1536x1407.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/13_PAE-Living-Building-2048x1877.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/13_PAE-Living-Building-610x559.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/13_PAE-Living-Building-1080x990.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/13_PAE-Living-Building-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 311px) 100vw, 311px" /></p>
<p>Paralelamente, a própria localização do edifício, em Portland, foi um factor considerado para assegurar a durabilidade. Espera-se que o Nordeste dos Estados Unidos da América seja atingido por um evento sísmico de grande escala nos próximos 100 anos. As alterações climáticas são um desafio e o objectivo é construir um edifício que consiga resistir a tudo isso. Estruturas reforçadas, sistemas de drenagem eficientes e o uso de materiais resilientes garantem que o edifício possa suportar eventos climáticos extremos, podendo até servir como abrigo em situações de catástrofe e emergência.</p>
<h4><strong>UM EDIFÍCIO A PENSAR NO FUTURO</strong></h4>
<p>Todo o processo durou cinco anos, desde a concepção do edifício, em 2016, passando pela sua conclusão, na Primavera de 2020, até à sua abertura, no Outono de 2021. Enfrentou uma pandemia, incêndios graves no estado de Oregon e ainda uma forte tempestade de neve. Ainda assim, todos os prazos foram cumpridos e em Setembro de 2021 o edifício estava de pé, operacional e pronto para receber trabalhadores.</p>
<p>Os vizinhos que foram acompanhando o processo viram a construção do PAE Living Building de bom grado, até porque, com as dificuldades trazidas pela Covid-19 e com a paralisação de comércio, o movimento diário de trabalhadores pela cidade naquela zona histórica, graças ao edifício, foi uma mais-valia e uma grande ajuda para manter negócios de pé. Além disso, muitos dos materiais utilizados também são de origem local, o que impulsionou a economia local. Milena refere que isso “deixa uma mensagem positiva e esperançosa para a cidade, [a] de que, sim, podemos fazer isto e podemos ajudar o bairro a melhorar financeiramente e também socialmente”.</p>
<p>O PEA Living Building, em Portland, é mais do que um edifício. É um símbolo de inovação e compromisso com um futuro sustentável. Este é o 35.º “edifício vivo” no mundo e vem mostrar, mais uma vez, que é possível alcançar um projecto como este e ir mais além. A meta de durabilidade de 500 anos reflecte uma visão de longo prazo, que é essencial no futuro da indústria da construção civil. “Espero que inspire outras cidades, outros proprietários, outros arquitectos a fazerem o mesmo. É um modelo replicável e financeiramente viável”, sublinha Milena di Tomasso.</p>
<p>Num mundo que enfrenta desafios ambientais sem precedentes, projectos como este mostram que um futuro melhor é não apenas possível, mas também alcançável, através de determinação, criatividade e cooperação.</p>
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		<title>Circ-Boost: Marcar o futuro da construção civil na Europa</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/circ-boost-marcar-o-futuro-da-construcao-civil-na-europa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Oct 2024 08:00:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[circularidade]]></category>
		<category><![CDATA[economia circular]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[sector da construção]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O projecto Circ-Boost é recente, mas pretende marcar o futuro do sector da construção europeia. As soluções circulares integradas são o cerne da iniciativa, que alia cinco projectos-piloto espalhados por diferentes regiões da Europa.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=154" target="_blank" rel="noopener">edição nº 154 da Edifícios e Energia</a> (Julho/Agosto 2024).</em></p>
<p><strong>O projecto <em>Circ-Boost</em> é recente, mas pretende marcar o futuro do sector da construção europeia. As soluções circulares integradas são o cerne da iniciativa, que alia cinco projectos-piloto espalhados por diferentes regiões da Europa.</strong></p>
<p>Coordenado pela Universidade Politécnica da Catalunha, em Espanha, por Albert de la Fuente, coordenador, e Nikola Tošić, gestor do projecto, o <em>Circ-Boost</em> conta com um consórcio de 28 parceiros de oito países e com um co-financiamento da União Europeia de quase oito milhões de euros durante quatro anos. Tendo já no seu nome a ideia de circularidade, o projecto <em>Circ-Boost</em> tem como objectivo potenciar soluções circulares integradas – <em>Integrated Circular Solutions</em> (ICS) – no sector da construção numa larga escala.</p>
<p>Nikola Tošić, professor assistente no departamento de Engenharia Civil e Ambiental dessa universidade catalã e gestor deste projecto financiado pela União Europeia, afirma que já existiam outras soluções similares no sector de construção que se focavam em “estruturas de cimento ou de aço, na reutilização e reciclagem”. “O que faltava era a sua integração num conceito mais holístico e a demonstração destas soluções em locais específicos de construção”, explica.</p>
<p><figure id="attachment_28221" aria-describedby="caption-attachment-28221" style="width: 309px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28221" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/circ-boost-1024x305.png" alt="" width="309" height="92" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/circ-boost-1024x305.png 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/circ-boost-300x89.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/circ-boost-768x229.png 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/circ-boost-610x182.png 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/circ-boost-1080x321.png 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/circ-boost.png 1200w" sizes="(max-width: 309px) 100vw, 309px" /><figcaption id="caption-attachment-28221" class="wp-caption-text">Conceito para a rastreabilidade dos materiais no projecto-piloto em Barcelona, em Espanha. © UPC</figcaption></figure></p>
<p>O <em>Circ-Boost</em> conta com cinco cidades – Barcelona, Paris, Belgrado, Vesterålen (uma ilha norueguesa) e Praga – para serem a sede de cinco projectos-piloto. Cada cidade está numa região climática diferente da Europa. E esta escolha não foi aleatória. Assim, vai ser possível encontrar soluções mais personalizadas para locais com diversas características, permitindo a propagação das soluções mais adequadas em regiões com especificidades similares. O <em>Circ-Boost</em> tem também esta preocupação de ser um agente disseminador de informação para que outros projectos focados no sector de construção possam também tirar partido daquilo que já foi testado e já produziu resultados reais, no terreno.</p>
<p>Estas cidades irão dar um passo em frente em relação a soluções para demolição de edifícios e construção com processamento de desperdício, gestão e valorização de novos produtos.</p>
<h4>Os cinco projectos-piloto que querem tornar o sector da construção mais sustentável</h4>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Barcelona</strong></p>
<p>Uma antiga fábrica de automóveis <em>Mercedes-Benz</em> vai dar lugar ao primeiro ecodistrito da cidade espanhola de Barcelona. A fábrica é um ponto importante da herança cultural do bairro de Bon Pastor e isso não será esquecido no projecto. Aliás, “alguns elementos vão ser reutilizados e vai-lhes ser dada uma nova vida”, garante Nikola. A circularidade vai estar presente em torno desta antiga fábrica, uma área de 90 000 m2, onde vão ser construídos novos edifícios residenciais e até um campus universitário. Além disso, o local vai ser transformado num parque de indústria 4.0.</p>
<p>Tendo sido uma zona industrial activa (entre os anos de 1950 e 2007), os solos estão contaminados; portanto, a construção não pode ser logo a primeira fase neste processo. O <em>Circ-Boost</em> também prevê estes aspectos e Nikola explica-nos que se estão “a levar a cabo alguns tratamentos e descontaminação de solo inovadores, com base em técnicas biológicas para remoção de pesticidas, metais pesados, etc.”. Desta forma, vai ser possível aliar a reutilização, o reaproveitamento e a reciclagem das estruturas já existentes no local à implementação de novas técnicas de remediação do solo.</p>
<p>Aqui, também vai ser utilizado um sistema de rastreamento. “Conseguimos, através da utilização de gémeos digitais [<em>digital twins</em>], baseados em Modelos de Informação de Construção (BIM, na sigla inglesa), utilizar sensores nas estruturas materiais, percebendo de onde vêm os materiais, quem fez o quê e quando, etc.” Este piloto vai ser liderado pela empresa espanhola Conren Tramway.</p>
<p><figure id="attachment_28222" aria-describedby="caption-attachment-28222" style="width: 653px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28222 " src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/Screenshot-2024-07-02-at-11.50.40-1024x543.png" alt="" width="653" height="346" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/Screenshot-2024-07-02-at-11.50.40-1024x543.png 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/Screenshot-2024-07-02-at-11.50.40-300x159.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/Screenshot-2024-07-02-at-11.50.40-768x407.png 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/Screenshot-2024-07-02-at-11.50.40-1536x814.png 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/Screenshot-2024-07-02-at-11.50.40-610x323.png 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/Screenshot-2024-07-02-at-11.50.40-1080x572.png 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/Screenshot-2024-07-02-at-11.50.40.png 1200w" sizes="(max-width: 653px) 100vw, 653px" /><figcaption id="caption-attachment-28222" class="wp-caption-text">Mapa web 3D de economia circular que será utilizado no projecto Circ-Boost. ©FCE</figcaption></figure></p>
<p><strong>Paris</strong></p>
<p>Na capital francesa, estão já a ser desenvolvidos vários projectos sobre “demolir para construir”. No <em>Circ-Boost,</em> Paris vai ser uma plataforma física e on-line de troca de materiais em segunda mão, até porque o aproveitamento de materiais é um ponto fulcral no projecto.</p>
<p>A diferença está, então, no processo de demolição, cujo contributo para uma solução sustentável é, muitas vezes, descartado. O objectivo é reconstruir para voltar a construir com menos desperdício. “Nas grandes cidades assistimos a muito desperdício de materiais durante a demolição de um edifício, mas também assistimos a novas construções”, explica o gestor do projecto. “Como não existe nenhum mercado onde se cruzem a oferta e a procura de materiais que são demolidos de edifícios e materiais que são utilizados para nova construção, vai ser criada uma plataforma física e <em>on-line</em> para esta troca. Assim, a empresa de construção consegue perceber onde estão edifícios que vão ser demolidos, que material está disponível, existindo, posteriormente, locais físicos onde os materiais são acumulados, processados e revendidos.”</p>
<p>Isto potencia a redução de emissões no sector da construção, assim como põe em prática a ideia de uma economia circular. Ao utilizarem-se as novas tecnologias, vai ser possível fazer uma “desconstrução selectiva e demolição com base na sustentabilidade”, além de não haver tanto desperdício de materiais. Na fase de construção, vão ser utilizados sensores sem fio de custo baixo e <em>tags</em> (ou etiquetas) NFC [<em>Near Field Communication</em>] para facilitar a “rastreabilidade do elemento recuperado e do material reciclado”.</p>
<p>Com este objectivo, juntaram-se oito parceiros franceses liderados pela Cap Digital, para facilitar esta abordagem de economia circular entre procura e oferta.</p>
<p><strong>Belgrado</strong></p>
<p>Na região dos Balcãs, a preocupação pelo meio ambiente não tem sido posta em prática no sector da construção, refere o projecto. Existem algumas soluções verdes e que tentam romper com aquilo que existe; no entanto, não são suficientes.</p>
<p><figure id="attachment_28224" aria-describedby="caption-attachment-28224" style="width: 276px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28224 " src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08852-NORTURABYGGET-300x218.jpg" alt="" width="276" height="201" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08852-NORTURABYGGET-300x218.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08852-NORTURABYGGET-1024x745.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08852-NORTURABYGGET-768x559.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08852-NORTURABYGGET-1536x1117.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08852-NORTURABYGGET-2048x1490.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08852-NORTURABYGGET-610x444.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08852-NORTURABYGGET-1080x786.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08852-NORTURABYGGET-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 276px) 100vw, 276px" /><figcaption id="caption-attachment-28224" class="wp-caption-text">© Elias Jonassoenn for Circ-Boost project, GAIA Vesteralen, 2023</figcaption></figure></p>
<p>Assim, este projecto-piloto na capital da Sérvia vai focar-se na construção de um protótipo de uma casa que integra diferentes materiais, como cinzas volantes, que irão substituir parcialmente o cimento, resíduos de construção e demolição, que serão reutilizados e reciclados como agregado de cimento reciclado, aço reutilizado, tijolos de alvenaria reutilizados, borracha de pneus reciclada, entre outros.</p>
<p>Este projecto vai ser coordenado pela Faculdade de Engenharia Civil, na Universidade de Belgrado.</p>
<blockquote><p>&#8220;Estamos a oferecer soluções, maioritariamente, para permitir a circularidade e utilizar mais agregado reciclado&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>Vesterålen</strong></p>
<p>Nesta ilha norueguesa, vai ser construído um museu, o Gaia Vesterålen. Este espaço vai ser uma autêntica exposição de alta tecnologia de última geração com um modelo que integra uma combinação de mapeamento de projecção, realidade virtual e jogos digitais.</p>
<p><figure id="attachment_28227" aria-describedby="caption-attachment-28227" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28227 size-medium" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC07566-300x179.jpg" alt="" width="300" height="179" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC07566-300x179.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC07566-1024x610.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC07566-768x458.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC07566-1536x915.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC07566-2048x1220.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC07566-610x363.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC07566-1080x644.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC07566-1280x768.jpg 1280w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC07566-627x376.jpg 627w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC07566-440x264.jpg 440w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC07566-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /><figcaption id="caption-attachment-28227" class="wp-caption-text">© Elias Jonassoenn for Circ-Boost project, GAIA Vesteralen, 2023</figcaption></figure></p>
<p>“Vai ser utilizado cimento, além de outros materiais que vão ser reciclados de demolições anteriores e contentores que vemos nos navios, para criar o museu, em que é possível mudar as coisas e a geometria pode ser alterada.” Tudo isto coordenado pelo Museu Nord, que se irá, então, focar em toda a cadeia de construção, desde a demolição até à construção.</p>
<p>Antes da demolição em si, vai ser realizado um mapeamento pormenorizado das estruturas, permitindo minimizar a quantidade de cimento considerado “contaminado”. Assim, a demolição é selectiva e a triagem do cimento, entre aquele que está “saudável” e pode ser implementado novamente e aquele que não está, é realizada ainda antes de qualquer acção ser efectuada.</p>
<p><strong>Praga</strong></p>
<p>Na capital checa, o projecto desenvolvido pela Skanska Reality é totalmente focado em edifícios residenciais, além de toda a sua área envolvente. Vai ser utilizado agregado de cimento reciclado em algumas partes destes novos edifícios para substituir o agregado natural em fachadas, o revestimento de paredes, o mobiliário urbano, entre outros.</p>
<h4>&#8220;Os edifícios são o foco do projecto&#8221;</h4>
<p><figure id="attachment_28226" aria-describedby="caption-attachment-28226" style="width: 241px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28226" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08758-NORTURABYGGET-300x257.jpg" alt="" width="241" height="206" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08758-NORTURABYGGET-300x257.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08758-NORTURABYGGET-1024x877.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08758-NORTURABYGGET-768x658.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08758-NORTURABYGGET-1536x1316.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08758-NORTURABYGGET-2048x1754.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08758-NORTURABYGGET-610x523.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08758-NORTURABYGGET-1080x925.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/DSC08758-NORTURABYGGET-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 241px) 100vw, 241px" /><figcaption id="caption-attachment-28226" class="wp-caption-text">© Elias Jonassoenn for Circ-Boost project, GAIA Vesteralen, 2023</figcaption></figure></p>
<p>O projecto centra-se em edifícios e em como torná-los parte de uma economia circular, trazendo soluções integradas e que possam funcionar em várias partes do mundo e em locais com diferentes características. Por isso, “os edifícios são o foco do projecto”.</p>
<p>O <em>Circ-Boost</em> pretende contribuir para edifícios mais seguros e mais eficientes, reduzir o desperdício de materiais e aumentar a reciclagem no sector da construção, criar oportunidades e propagar conhecimento. Aliada a tudo isto, surge a tecnologia. Esta tem aqui um papel fulcral, permitindo a rastreabilidade de materiais utilizados. Por isso, vai ser criado um mapa de economia circular 3D que</p>
<p>permitirá fazer uma radiografia aos edifícios. “O que é a fachada de um edifício? O que é um tijolo? Qual é a estrutura do edifício e quantas toneladas existem de um determinado material?” Com o mapa 3D, vai ser possível responder a todas estas questões, facilitando o trabalho às construtoras quando for necessário demolir um edifício, já que estas terão toda a informação sobre esse mesmo edifício, sendo mais eficaz a reutilização de material.</p>
<p><figure id="attachment_28225" aria-describedby="caption-attachment-28225" style="width: 283px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28225" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/Screenshot-2024-07-02-at-11.50.22.png" alt="" width="283" height="198" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/Screenshot-2024-07-02-at-11.50.22.png 858w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/Screenshot-2024-07-02-at-11.50.22-300x210.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/Screenshot-2024-07-02-at-11.50.22-768x539.png 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/10/Screenshot-2024-07-02-at-11.50.22-610x428.png 610w" sizes="(max-width: 283px) 100vw, 283px" /><figcaption id="caption-attachment-28225" class="wp-caption-text">Protótipo de uma casa a construir no âmbito do projecto-piloto em Belgrado, na Sérvia. © FCE</figcaption></figure></p>
<p>Sendo este um projecto europeu, Nikola olha para o cimento como o “alvo a abater” por estar na base da construção europeia. “Estamos a oferecer soluções, maioritariamente, para permitir a circularidade e utilizar mais agregado reciclado”. Neste momento, refere o gestor do projecto, só é possível utilizar até 50 % deste agregado, no melhor dos casos. Ao atingir a circularidade pode ser possível chegar mais perto dos 100 %, utilizando não só este agregado como também a areia reciclada, acrescenta.</p>
<p>Nikola Tošić destaca outras iniciativas, como a <em>Wood Circles</em>, que tem também o seu foco em edifícios, criando, no entanto, esta circularidade com base na madeira. Tal como afirma o responsável, “não é preciso fabricar todo o material [necessário] para construir uma nova viga, emitindo gases tóxicos para a atmosfera. Será apenas [preciso] o transporte de um local de construção para outro; logo, serão emitidos menos gases poluentes, não 0 %, mas perto disso”. Nikola refere ainda a circularidade já existente na produção de electricidade e na renovação de água, que já é feita em alguns edifícios, mas diz que “atingir isto no sector da construção é um desafio e sem esta circularidade será mesmo impossível.”</p>
<p>Fotografia de destaque: © Projecto Circ-Boost</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cimento plantável: tornar cidades de betão em cidades verdes</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/cimento-plantavel-tornar-cidades-de-betao-em-cidades-verdes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Aug 2024 08:00:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[cidades verdes]]></category>
		<category><![CDATA[cimento plantável]]></category>
		<category><![CDATA[descarbonização]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como idealiza uma cidade mais sustentável? Pensa em mais zonas verdes e em estradas sem carros? Põe os edifícios nessa equação como fazendo parte da solução? Tornar cidades de betão em cidades mais sustentáveis é o objectivo do cimento plantável.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=153" target="_blank" rel="noopener">edição nº 153 da Edifícios e Energia</a> (Maio/Junho 2024).</em></p>
<p><strong>Como idealiza uma cidade mais sustentável? Pensa em mais zonas verdes e em estradas sem carros? Põe os edifícios nessa equação como fazendo parte da solução? Tornar cidades de betão em cidades mais sustentáveis é o objectivo do cimento plantável.</strong></p>
<p>A construção dos edifícios é conhecida por ser pouco amiga do ambiente por gastar muitos recursos, nomeadamente água e electricidade, e utilizar materiais que não são renováveis, com custos de produção muito elevados. Foi a pensar nisso que Omid Asgari e Mostafa Mostafavi co-fundaram a Greenment, uma empresa que olha para o cimento apenas como um começo e não como um fim.</p>
<p>A start-up portuguesa tem dado que falar e vem demonstrar que é possível viver numa cidade realmente verde, em que as plantas florescem pelas paredes. “E se pudéssemos tornar as cidades de betão em cidades verdes?” foi o mote para o projecto que nasceu há dez anos, mas que está agora sediado em Carcavelos. Há dois anos, este projecto começou a ser implementado em solos portugueses, estando agora no nível 9, o mais elevado, de <em>Technology Readiness Level</em> (TRL), um método que avalia a maturidade tecnológica, neste caso, do cimento plantável.</p>
<p>“O assassino invisível” foi tópico de conversa entre os fundadores da Greenment. A poluição atmosférica é provocada, principalmente, pelas emissões de dióxido de carbono e, segundo a Agência Europeia do Ambiente, “em 2020, 96 % da população urbana da União Europeia esteve exposta a concentrações de partículas finas”. Nesse mesmo ano, pelo menos 238 mil pessoas morreram prematuramente devido à exposição a estes gases poluentes a um nível acima daquele que é recomendado pela Organização das Nações Unidas.</p>
<p>Isto não é surpresa para Omid Asgari, que afirma já ter perdido amigos e família por causa deste problema que afecta todo o mundo. Por isto, refere que se com a sua empresa conseguir salvar uma vida o trabalho foi bem-sucedido. Diz estar a zelar pelo planeta das crianças de hoje, que serão as gerações futuras a habitar o planeta Terra, cada vez mais “doente”.</p>
<p>Nos próximos anos, Omid Asgari prevê problemas com o solo e com a gestão de água. Aliados às alterações climáticas, estes desafios fazem com que anteveja um cenário em que não só o planeta irá sofrer, como todos nós.</p>
<h4>CRIAR CIMENTO PLANTÁVEL</h4>
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<p>A construção de um prédio implica tempo e dinheiro, além da manutenção, que por si só é também poluente devido ao uso de tintas para pintar as fachadas dos edifícios. Além disso, o próprio cimento não é um material “amigo da natureza”, logo, na Greenment o foco está exactamente nesta primeira etapa da cadeia de construção. “Cerca de 5 % das emissões de dióxido de carbono globais têm a sua origem na produção de cimento”, refere Omid Asgari. Assim, surgiu a ideia de criar “cimento plantável”, ou seja, “dar propriedades fertilizantes ao cimento normal”.</p>
<p>Para isto, os fundadores do projecto não tiveram qualquer apoio financeiro. Todo o investimento foi feito a partir dos seus próprios bolsos, misturando-se com um pouco de “trabalho e paixão”, descreve.</p>
<p>O co-fundador tem também um olhar mais crítico. Já existem conceitos de jardins verticais ou jardins e hortas nos topos dos edifícios, mas Omid Asgari refere um problema e desafio: estas soluções têm como base sistemas hidropónicos ou o próprio solo, mas, actualmente, existe falta de água e de solos férteis em todo o mundo. Existem ainda grandes encargos monetários no que diz respeito à manutenção destes jardins.</p>
<p>O custo entre utilizar cimento plantável e utilizar cimento normal é praticamente o mesmo por metro quadrado, garante o responsável. “O preço é o mesmo, mas os benefícios são enormes.” A ideia da empresa é precisamente trabalhar com as grandes construtoras, de forma a fazê-las ver que há outras opções, mais verdes, que têm o mesmo objectivo e ainda ajudam o ambiente. Os custos variam também de país para país, já que cada um tem os seus materiais característicos, meios e recursos humanos. O co-fundador explica que quando a empresa vai implementar estas soluções em regiões ou países diferentes são sempre tidos em conta os tipos de plantas que existem, as condições atmosféricas, a textura do solo, entre outros aspectos, fazendo-se vários testes antes de se começar qualquer tipo de obra. Assim, é possível escolher qual o tipo indicado de materiais a utilizar em zonas cuja temperatura pode ser de 40 graus celsius negativos ou de 40 graus positivos.</p>
<h4>ENCONTRAR SOLUÇÕES PARA UM MATERIAL QUE NÃO TEM SUBSTITUTO</h4>
<p>Recordando aquilo que já viu em várias feiras de sustentabilidade e em <em>Web Summits</em> pelo mundo, Omid Asgari revela que existem muitas empresas que estão a trabalhar na reciclagem de materiais utilizados na construção, mas não no principal problema desta cadeia, que é o cimento.</p>
<p>Para este material, não há substituto, mas pode inovar-se a partir dele. O co-fundador faz até a seguinte analogia: “não conseguimos fazer pão sem trigo, mas podemos tentar encontrar soluções inovadoras para tornar isto mais sustentável, como usando menos trigo e colocando aditivos, nutrientes”, com uma textura que seja a mesma. Isto é o que acontece com o cimento plantável da Greenment. O cimento normal é feito de argila, gesso, entre outros componentes. Não havendo nada para os substituir, o possível a fazer é diminuir a quantidade em que estes são utilizados, tal como no exemplo referido do pão.</p>
<blockquote><p>“O assassino invisível” foi tópico de conversa entre os fundadores da Greenment. A poluição atmosférica é provocada, principalmente, pelas emissões de dióxido de carbono e, segundo a Agência Europeia do Ambiente, “em 2020, 96 % da população urbana da União Europeia esteve exposta a concentrações de partículas finas”.</p></blockquote>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27688 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Omid-Asgari-276x300.jpg" alt="" width="276" height="300" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Omid-Asgari-276x300.jpg 276w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Omid-Asgari-943x1024.jpg 943w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Omid-Asgari-768x834.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Omid-Asgari-1415x1536.jpg 1415w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Omid-Asgari-1887x2048.jpg 1887w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Omid-Asgari-610x662.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Omid-Asgari-1080x1172.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Omid-Asgari-scaled.jpg 1105w" sizes="(max-width: 276px) 100vw, 276px" />Um dos seus pontos centrais é a manutenção da humidade do cimento para que exista uma contínua recepção de nutrientes, líquidos e de fertilização, que permitam o crescimento de plantas nesse ambiente. Estas são também escolhidas consoante o país onde a solução é implementada e podem ser transplantadas ou directamente semeadas. Por exemplo, em Portugal, Omid Asgari afirma que não é preciso uma grande quantidade de irrigação, devido à quantidade de precipitação que o país tem anualmente, que é suficiente para manter a humidade. Assim, “em termos de água, pode gastar-se, em termos globais, menos 40 % na irrigação”, até porque são utilizadas técnicas como a rega gota a gota, uma forma mais sustentável de rega.</p>
<p>Outro factor a destacar é o facto de este cimento contribuir para o isolamento térmico e acústico dos edifícios. Assim, este material tem múltiplos propósitos, uma vez que, “para os habitantes, podemos tornar o edifício bonito, que absorve som e dióxido de carbono, o que é uma inovação”, refere.</p>
<p>“E se trouxermos a natureza para os edifícios e convertermos as fachadas num ambiente mais verde, com flores?”. Já imaginou viver numa cidade assim? Para Omid Asgari, este é um grande passo em direcção ao futuro, mas o empreendedor relembra que é importante viver o presente, começando já a tomar medidas para construir cidades mais sustentáveis. As fachadas têm também um forte impacto, já que na sua pintura são utilizadas tintas nocivas para o ambiente, técnica essa que implica ainda uma manutenção contínua e cara. Com esta solução da Greenment, este problema deixará de se colocar em cima da mesa. Em vez disso, estarão questões como “quais as flores a usar na fachada deste edifício”. Porém, o co-fundador da empresa explica que não se trata apenas de flores, pois existe um leque mais abrangente daquilo que podemos plantar na fachada dos prédios. “Estamos a implementar mais de 100 diferentes tipos de plantas, desde rosas, até pimenta, tomate… Podemos ‘brincar’ com as cores naturais destas plantas”, diz.</p>
<p>As soluções ajudam, assim, a diminuir o impacto da pegada carbónica, a reduzir o impacto ambiental e visual, apostando numa construção amiga do ambiente, promovendo a qualidade do ar e a sustentabilidade, tendo, com isto, um impacto ambiental baixo.</p>
<h4>COM CIMENTO PLANTÁVEL “O CÉU É O LIMITE”</h4>
<p>A Greenment “não está a competir contra as empresas de construção; está a colaborar com elas para trazer estas novas soluções”, esclarece Omid Asgari. “É uma forma de trazer o verde de volta às cidades.”</p>
<p>Em Portugal, Braga foi distinguida em 2023 com o <em>Global Green City Award</em> (<em>Cidade Verde Líder</em>, em português), prémio entregue pelo Global Forum on Human Settlements, em colaboração com a Organização das Nações Unidas. Sendo esta uma cidade que abraça a responsabilidade ambiental, com foco em medidas relativas ao espaço público, ao uso sustentável de energia e do solo, à preocupação com a gestão de água, entre outras, a start-up portuguesa quer começar a trabalhar e a inovar em Braga. Omid Asgari refere uma solução que irá mudar a forma como pensamos sobre paragens de autocarro. Num futuro próximo, poderá cruzar-se com paragens “verdes”. Estas terão aparelhos que permitem medir a quantidade de dióxido de carbono da zona e terão plantas a substituírem os vidros simples das paragens, pelo que será possível não só absorver este gás poluente de forma eficaz como perceber a quantidade absorvida por cada paragem de autocarro.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-27687 alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/cimento_plantavel-2-300x247.jpg" alt="" width="329" height="271" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/cimento_plantavel-2-300x247.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/cimento_plantavel-2-768x633.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/cimento_plantavel-2-610x503.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/cimento_plantavel-2.jpg 1024w" sizes="(max-width: 329px) 100vw, 329px" /></p>
<p>O responsável explica que a Greenment não é uma empresa só sobre cimento plantável; é também composta por várias abordagens holísticas – trata-se de “uma abordagem de 360º”, como descreve. “O céu é o limite quando pensamos em construir prédios, construções ou conceitos com cimento plantável, até mobília.”</p>
<p>Já imaginou estar a conduzir na A5, que liga Lisboa a Cascais, e passar por um verdadeiro jardim junto à estrada? É esta a próxima ideia da empresa, que tem como objectivo trocar os painéis de protecção sonora por soluções que incorporem este cimento plantável. “Estamos a produzir muitos carros, mas temos de pensar em como vamos tirar esse dióxido de carbono do planeta Terra.”</p>
<p>O musgo que crescerá nesse espaço irá dar outra cor ao seu percurso, além de ter também propriedades que permitem, mais uma vez, absorver o dióxido de carbono – algo crucial numa autoestrada – e funcionar como barreira sonora para que o seu propósito seja<br />
cumprido na totalidade.</p>
<p>Está a acontecer algo similar na Alemanha, onde uma start-up começou a usar este musgo para diminuir a temperatura da cidade. “Ao borrifar o musgo com água, estamos a criar uma espécie de ar condicionado ao ar livre a uma mega escala nas cidades”, explica. O musgo não cresce de forma aleatória. Todo o processo é criado para ser realizado de forma sistemática – isto pode acontecer também com relva. Além disso, a manutenção e o uso de água não são um problema, já que “só é preciso dar uma ‘aceleração’ na parede no início e depois o musgo cresce naturalmente”.</p>
<p>Omid Asgari compara as estradas com as veias do nosso corpo. As estradas são um dos focos estratégicos da Greenment, já que são um dos principais problemas que as cidades enfrentam quanto à poluição. “Tornarmos as estradas verdes seria como purificar o nosso sangue”, diminuindo, assim, a pegada carbónica.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27689 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/cimento_plantavel-1-300x273.jpg" alt="" width="300" height="273" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/cimento_plantavel-1-300x273.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/cimento_plantavel-1-768x698.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/cimento_plantavel-1-610x554.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/cimento_plantavel-1.jpg 910w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>O co-fundador da start-up portuguesa relembra que não é só a poluição atmosférica que continua a matar. Também a poluição sonora tem consequências, já que “o stress das cidades não contribui para o bem-estar. Porque é que vamos fazer aulas de ioga e de pilates na natureza? É pelo isolamento de som que existe nesses sítios”, afirma. Esta linha de pensamento vai ao encontro da solução que ainda está a ser trabalhada das paragens de autocarro. “Em vez de estarmos stressados e a pensar que o autocarro está atrasado, podemos desfrutar da natureza através de estímulos sensoriais, como pássaros a cantarem, o que vai estimular o cérebro a pensar que estamos na natureza.”</p>
<p>De acordo com os números mais actualizados da Organização Mundial de Saúde, 6,7 milhões de pessoas morrem todos os anos devido à poluição atmosférica. Além disso, 99 % do mundo vive exposto a níveis de poluição superiores aos estipulados por esta organização.</p>
<p>Apesar de “agora já ser tarde para começar” a apostar em soluções mais verdes e que possibilitem melhores condições e qualidade de vida, há que continuar a inovar, a ser pró-activo, a experimentar e a implementar novos materiais, novas abordagens aos edifícios e novas cidades, cidades verdes.</p>
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