<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Joana Margarida Fialho, autor em Edificios e Energia</title>
	<atom:link href="https://edificioseenergia.pt/author/joana-margarida-fialho/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://edificioseenergia.pt/author/joana-margarida-fialho/</link>
	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 07 Sep 2026 08:36:03 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.1.3</generator>

<image>
	<url>https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2019/02/cropped-icon_001-32x32.png</url>
	<title>Joana Margarida Fialho, autor em Edificios e Energia</title>
	<link>https://edificioseenergia.pt/author/joana-margarida-fialho/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Every1: Capacitar pessoas para a transição energética digital europeia</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/bairro-c-guimaraes-na-primeira-linha-da-regeneracao-urbana-descarbonizacao-e-inovacao-territorial/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Sep 2026 08:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[descarbonização]]></category>
		<category><![CDATA[eficiência energética]]></category>
		<category><![CDATA[Projecto Europeu]]></category>
		<category><![CDATA[Transição energética]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=37867</guid>

					<description><![CDATA[<p>A transição energética europeia está a entrar numa nova fase. Depois de vários anos centrados na expansão das energias renováveis, na eficiência energética e na descarbonização, a digitalização assume, actualmente, um papel determinante na forma como a energia é produzida, gerida, distribuída e consumida. Contadores inteligentes, plataformas digitais, mercados locais de energia, sistemas de flexibilidade, comunidades energéticas e infraestruturas baseadas em dados estão a transformar profundamente o sector energético. </p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/bairro-c-guimaraes-na-primeira-linha-da-regeneracao-urbana-descarbonizacao-e-inovacao-territorial/">Every1: Capacitar pessoas para a transição energética digital europeia</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=166" target="_blank" rel="noopener">edição nº 166 da Edifícios e Energia</a> (Julho/Agosto 2026).</em></strong></p>
<p><strong><span style="font-weight: 400;"><strong><b>A transição energética europeia está a entrar numa nova fase. Depois de vários anos centrados na expansão das energias renováveis, na eficiência energética e na descarbonização, a digitalização assume, actualmente, um papel determinante na forma como a energia é produzida, gerida, distribuída e consumida. Contadores inteligentes, plataformas digitais, mercados locais de energia, sistemas de flexibilidade, comunidades energéticas e infraestruturas baseadas em dados estão a transformar profundamente o sector energético. </b></strong></span></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, esta transformação tecnológica traz consigo um desafio frequentemente subestimado: a capacidade de os diferentes intervenientes compreenderem e utilizarem as novas ferramentas digitais. É precisamente neste contexto que surge o projecto europeu EVERY1 – Enable eVeryone’s Engagemet in the eneRgY transitiON, financiado pelo programa Horizon Europe. O consórcio reuniu onze parceiros de sete países europeus, unindo diversidade de competências para alcançar um resultado mais completo e abrangente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O projecto parte de uma premissa simples, que é o facto de a transição energética digital só ser bem-sucedida se os cidadãos, as autoridades locais, as empresas, os reguladores e os operadores de rede possuírem as competências necessárias para participarem activamente neste novo ecossistema energético. </span></p>
<h5><b>O desafio da literacia energética digital</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">A crescente digitalização do sector energético está a criar oportunidades para a gestão eficiente da energia, para a participação dos consumidores nos mercados eléctricos e para a integração de recursos distribuídos. Contudo, o ritmo de evolução tecnológica tem sido superior à capa cidade de adaptação de muitos utilizadores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Ricardo Silva, da RdA Climate Solutions, parceira portuguesa do consórcio EVERY1, “o principal bloqueio à transição energética digital não é tecnológico, mas sim a capacidade dos cidadãos e restantes stakeholders para compreender, interpretar e utilizar essa transformação. É necessária uma literacia energética e digital básica, mas sólida”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns exemplos são “compreender como e para que funcionam tarifas, contadores inteligentes, dados de consumo, direitos sobre esses dados e o que significa participar em programas de flexibilidade ou em comunidades de energia. Sem essa base, o risco é termos um sistema altamente sofisticado em cima de comportamentos desinformados, com desigualdades acrescidas.” </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o papel das entidades públicas e de poder local é crucial para “combinar competências de planea mento energético e climático com capacidades de leitura e utilização de dados, contratação de serviços digitais e desenho de programas centrados no utilizador. A experiência da RdA Climate Solutions mostra que, quando se apoia uma autarquia a integrar informação territorial, energética e social, torna-se mais fácil priorizar investi mentos no combate à pobreza energética. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do lado dos reguladores e operadores de rede, ganham importância competências em governança de dados, modelação de flexibilidade, cibersegurança e desenho de regras de mercado que favoreçam a participação de pequenos recursos distribuídos, em linha com a orientação europeia para mercados mais flexíveis e centrados no consumidor.” </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o gestor de projecto da RdA, “o desafio central não reside na disponibilidade de tecnologia, mas numa lacuna de literacia energética e digital”. Esta lacuna torna-se particularmente relevante num contexto em que surgem mercados energéticos mais complexos, mecanismos de flexibilidade, serviços baseados em dados e novas formas de participação dos consumidores. </span></p>
<h5><b>Uma abordagem centrada nos utilizadores </b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário de muitos projectos tecnológicos que começam pela solução, o EVERY1 começou pelas pessoas. </span><span style="font-weight: 400;">Numa primeira fase, o consórcio realizou uma caracterização aprofundada dos diferentes grupos de utilizadores envolvidos na transição energética digital. Foram analisados cidadãos, comunidades de energia, autoridades locais, empresas, reguladores e operadores de rede, procurando compreender os seus níveis de conhecimento, necessidades de informação e barreiras à participação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta análise permitiu desenvolver um conjunto de personas e percursos de utilização (<em>user journeys</em>) que ser viram de base à construção de estratégias de capacitação diferenciadas. Como explica Ricardo Silva, “caracterizar em detalhe quem são as diferentes pessoas (desde cidadãos e comunidades de energia até reguladores e operadores de rede), que informação precisam, em que momento e em que formato.” </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A metodologia adoptada procurou responder a uma realidade frequentemente observada nos projectos de inovação, que é a fragmentação da informação e a dificuldade em adaptar conteúdos técnicos a públicos com níveis de conhecimento muito distintos.</span></p>
<h5><b>Diferentes perfis, diferentes formas de aprendizagem</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos principais resultados do projecto foi a criação de percursos de aprendizagem estruturados, adaptados aos vários perfis de utilizador. </span><span style="font-weight: 400;">Estes percursos abordam temas como os mercados de electricidade, a integração de energias renováveis, a flexibilidade da procura, os edifícios inteligentes, as tecnologias IoT, os contadores inteligentes, a gestão energética em comunidades e os desafios associados à protecção de dados e à cibersegurança. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abordagem foi concebida para permitir uma progressão gradual do conhecimento, desde conceitos introdutórios até conteúdos mais especializados, garantindo que cada utilizador possa construir competências de forma consistente. </span><span style="font-weight: 400;">De acordo com a própria plataforma EVERY1, o projecto pretende identificar as necessidades específicas de conhecimento dos diferentes <em>stakeholders</em> e disponibilizar materiais de capacitação ajustados aos seus contextos de actuação. </span></p>
<h5><b>Every1 Knowledge Hub: mais do que um repositório de conteúdos</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Para disponibilizar estes recursos, foi criado o EVERY1 Knowledge Hub, uma plataforma digital concebida para funcionar como um ambiente integrado de aprendizagem. </span><span style="font-weight: 400;">Segundo Ricardo Silva, “o Knowledge Hub do EVERY1 é, acima de tudo, um ambiente de aprendizagem estruturado em torno de perfis de utilizador, e não apenas um repositório de conteúdos.” </span></p>
<p>A plataforma é suportada por uma biblioteca modular que integra cursos de curta duração, vídeos, fichas técnicas, estudos de caso, materiais explicativos e recursos interactivos. A organização dos conteúdos permite que cada utilizador siga percursos de aprendizagem personalizados, de acordo com o seu perfil, experiência prévia e interesses específicos.</p>
<p>“A principal diferença face a outras plataformas educativas reside na combinação entre especialização temática e um desenho pedagógico orientado ao uso prático. O Hub foi desenvolvido com base num diagnóstico estruturado das falhas de conhecimento em vários ecossistemas europeus e pensado desde início como uma infraestrutura de capacitação, passível de integração em estratégias locais, como planos municipais de energia ou programas de formação técnica”, explica Ricardo Silva.</p>
<p>Esta abordagem está alinhada com a visão europeia para a digitalização da energia, que defende uma participação mais activa dos cidadãos e o reforço das competências necessárias para operar sistemas energéticos cada vez mais inteligentes e descentralizados.</p>
<h5><b>Gamificação como ferramenta de aprendizagem</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as iniciativas mais inovadoras desenvolvidas pelo projecto destaca-se a utilização de ferramentas educativas interactivas e de mecanismos de gamificação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“O jogo pode colocar a pessoa numa posição em que tem de decidir quando consumir, armazenar ou deslocar consumos, percebendo imediatamente o impacto dessas escolhas no sistema e na factura”. O exemplo mais repre sentativo desta abordagem é o jogo educativo Peak and Off Peak Peacock, desenvolvido para explicar conceitos como gestão de carga, horários de ponta, integração de energias renováveis, serviços de rede e optimização dos consumos. </span></p>

</p>


<div class="wp-block-group is-nowrap is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-7387b849 wp-block-group-is-layout-flex">
<div class="wp-block-group is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="wp-block-group is-vertical is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-2c90304e wp-block-group-is-layout-flex">
<div class="wp-block-group is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="wp-block-group is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="wp-block-group is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1304" height="873" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/09/ImagemEvery1-2-1-edited.jpg" alt="" class="wp-image-37922" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/09/ImagemEvery1-2-1-edited.jpg 1304w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/09/ImagemEvery1-2-1-edited-300x201.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/09/ImagemEvery1-2-1-edited-1024x686.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/09/ImagemEvery1-2-1-edited-768x514.jpg 768w" sizes="(max-width: 1304px) 100vw, 1304px" /></figure>
</div>
</div>
</div>
</div>



<div class="wp-block-group is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p class="wp-block-paragraph">A ferramenta foi testada em contexto real, incluindo uma experiência realizada com crianças numa escola do concelho de Matosinhos. Segundo Ricardo, o objectivo foi “simplificar sem desvirtuar”, tornando conceitos complexos mais acessíveis a públicos não especializados. “Quando estas ferramentas são articuladas com contextos territoriais concretos, por exemplo, sessões com escolas ou programas municipais de sensibilização, conseguimos ligar a experiência de jogo à realidade das famílias, dos edifícios e dos bairros, reforçando a literacia energética de forma duradoura.”&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph"><strong>Apoiar políticas públicas mais eficazes</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para além da capacitação individual, o projecto procura também apoiar decisores públicos e entidades responsáveis pela implementação de políticas energéticas. A análise das barreiras enfrentadas pelos utilizadores fornece informação relevante para o desenho de instrumentos como tarifas dinâmicas, programas de flexibilidade, incentivos à digitalização de edifícios ou mecanismos de apoio às comunidades de energia. </p>



<p class="wp-block-paragraph">“Um dos contributos mais relevantes do EVERY1 é fornecer uma leitura estruturada de como diferentes tipos de utilizadores experienciam a transição energética digital e de quais são as suas barreiras reais, sejam elas de linguagem, de confiança, de tempo, de acesso a dados ou de compreensão dos novos modelos de mercado. Essa informação é muito valiosa para quem desenha políticas públicas porque permite calibrar instrumentos como tarifas dinâmicas, programas de flexibilidade, incentivos à digitalização de edifícios ou esquemas de apoio a comunidades de energia com base em evidência concreta”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Knowledge Hub entra aqui em acção, porque as suas metodologias “podem ser usadas directamente pela administração pública, por exemplo, na capacitação das suas equipas. Políticas como planos de acção para a descarbonização ou as reformas do mercado de electricidade só serão eficazes se os actores no terreno tiverem competências para implementar novas ferramentas, gerir dados e comunicar com os consumidores, que também necessitam de estar informados.”&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta perspectiva é relevante numa altura em que a União Europeia reforça a integração entre transição energética e transformação digital. O projecto surge, assim, como um instrumento de apoio à implementação de políticas mais centradas no utilizador e baseadas em evidência.&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph"><strong>O futuro da energia será digital e humano</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As tendências identificadas pelos parceiros do projecto apontam para uma convergência crescente entre infraestruturas energéticas e infraestruturas de dados. A expansão dos espaços comuns de dados energéticos, dos gémeos digitais, da inteligência artificial e dos dispositivos inteligentes deverá aumentar significativamente a capacidade de monitorização e optimização dos sistemas energéticos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paralelamente, edifícios inteligentes, comunidades de energia, armazenamento distribuído e mobilidade eléctrica irão depender cada vez mais de plataformas digitais e algoritmos de gestão. Contudo, o sucesso desta evolução continuará dependente das pessoas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Projectos como o EVERY1 mostram que é possível estruturar essa capacitação de forma sistémica: desde percursos de aprendizagem para reguladores e operadores até jogos e recursos didáticos para escolas e cidadãos. Ao mesmo tempo, iniciativas complementares demonstram como esse conhecimento pode ser ancorado em territórios específicos, traduzido em planos, projectos e intervenções concretas em municípios e regiões.”&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como sintetiza Ricardo Silva, “a capacitação é, na nossa perspectiva, tão ou mais relevante que a infraestrutura física”. E acrescenta uma ideia que resume a filosofia do projecto: “se quisermos uma transição energética que seja não só rápida, mas também justa e inclusiva, a capacitação deixa de ser um apêndice e passa a ser uma verdadeira infraestrutura crítica.”&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O EVERY1 demonstra, assim, que a transição energética digital não é apenas uma questão tecnológica. É, acima de tudo, um processo de transformação social que exige conhecimento, participação e inclusão. Ao criar metodologias, ferramentas e recursos educativos adaptados a diferentes perfis de utilizadores, o projecto estabelece um modelo replicável para apoiar uma Europa mais preparada para os desafios energéticos do futuro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
</div>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
</div>
</div>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/bairro-c-guimaraes-na-primeira-linha-da-regeneracao-urbana-descarbonizacao-e-inovacao-territorial/">Every1: Capacitar pessoas para a transição energética digital europeia</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Bairro C: Guimarães na primeira linha da regeneração urbana, descarbonização e inovação territorial</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/bairro-c-guimaraes-na-primeira-linha-da-regeneracao-urbana-descarbonizacao-e-inovacao-territorial-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 08:42:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[descarbonização]]></category>
		<category><![CDATA[guimarães]]></category>
		<category><![CDATA[neutralidade carbónica]]></category>
		<category><![CDATA[reabilitação urbana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=37885</guid>

					<description><![CDATA[<p>A descarbonização deixou de ser apenas uma expressão associada às políticas ambientais para se tornar num dos maiores desafios económicos, sociais e urbanos deste século. Enquanto a generalidade dos países europeus aponta para a neutralidade carbónica em 2050, Guimarães decidiu antecipar a meta em duas décadas. A cidade quer tornar-se climaticamente neutra até 2030 ao transformar um objectivo que muitos ainda encaram como uma ambição distante num<br />
compromisso político de execução a curto prazo. A renovação dos edifícios surge no topo das prioridades.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/bairro-c-guimaraes-na-primeira-linha-da-regeneracao-urbana-descarbonizacao-e-inovacao-territorial-2/">Bairro C: Guimarães na primeira linha da regeneração urbana, descarbonização e inovação territorial</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=166" target="_blank" rel="noopener">edição nº 166 da Edifícios e Energia</a> (Julho/Agosto 2026).</em></strong></p>
<p><strong><span style="font-weight: 400;"><strong>O Bairro C constitui uma das mais relevantes experiências contemporâneas de regeneração urbana e transição climática em Portugal. Localizado na zona de Couros, em Guimarães, o projecto resulta da transformação de uma antiga área industrial associada aos curtumes num território de experimentação urbana centrado na ciência, na cultura, no conhecimento e na descarbonização. A evolução do conceito Bairro C acompanha a estratégia municipal de desenvolvimento sustentável e a afirmação de Guimarães como referência europeia na neutralidade carbónica.</strong> </span></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As cidades europeias têm vindo a enfrentar desafios complexos relacionados com as alterações climáticas, a reabilitação urbana, a eficiência energética e a coesão social. Há necessidade de se adaptar e inovar. Neste contexto, emergem projectos territoriais capazes de integrar diferentes políticas públicas e de criar soluções inovadoras para problemas estruturais. O Bairro C, em Guimarães, representa um desses casos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que uma simples designação territorial, o projecto Bairro C &#8211; Caminhos de Cultura e Criatividade &#8211; corresponde a uma visão integrada de desenvolvimento urbano sustentável. A sua evolução demonstra como uma antiga área industrial pode ser convertida num laboratório urbano dedicado à produção de conhecimento, à valorização cultural e à redução das emissões de gases com efeito de estufa. </span></p>
<h5><b>De zona industrial a zona de inovação e conhecimento</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">O Bairro C encontra-se inserido na zona de Couros, uma área historicamente associada à indústria dos curtumes. Durante décadas, esta actividade marcou profundamente a economia local, a paisagem urbana e a identidade da cidade. Com o declínio progressivo da actividade industrial tradicional, desde o início da década de 90, sobretudo a têxtil e do vestuário, tornou-se necessário encontrar novos usos para os edifícios e espaços existentes. “Nos últimos anos, a área tem sido alvo de requalificação de um conjunto de edifícios industriais”, explica o director municipal da Câmara Municipal de Guimarães, Joaquim Carvalho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A estratégia adoptada procurou preservar a memória industrial do território ao mesmo tempo que introduziu novas funções urbanas. Este processo de regeneração permitiu recuperar património edificado, revitalizar espaços degradados e criar dinâmicas económicas e culturais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos aspectos curiosos do projecto reside na construção progressiva da sua identidade conceptual. A designação ‘C’ adquiriu diferentes significados ao longo do tempo, acompanhando a evolução estratégica do território.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Joaquim Carvalho explica que a requalificação da área tinha como finalidade, maioritariamente, criar polos ligados à Universidade do Minho, por isso “adoptou-se uma identidade ligada à ciência, e que progrediu também para o ‘C’ de Cultura, e, finalmente, para o ‘C’ relativo ao carbono, neste caso, à des carbonização”. Actualmente, o projecto conta com quatro áreas principais: ‘C’ Cultura (Programação Cultural), ‘C’ Conhecimento (Conferências e Publicações), ‘C’ Criatividade (Arte Pública e Arte Urbana) e ‘C’ Comunidade (Mediação Cultural e Projectos de Comunidade). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta evolução semântica não constitui apenas um exercício de comunicação institucional. Pelo contrário, traduz diferentes fases de maturação do projecto. Numa primeira etapa, a ligação à ciência decorreu da proximidade e colaboração com a Universidade do Minho. Posteriormente, a valorização cultural tornou-se um elemento estruturante da regeneração urbana. E, por fim, a emergência da agenda climática conduziu à incorporação da descarbonização como objectivo central. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O modelo estratégico adoptado é de “cultural-led urban regeneration”: interpretar várias zonas do território, como a Zona de Couros e o Centro Internacional das Artes José de Guimarães; conservar património material e imaterial da cidade; promover o desenvolvimento do sector terciário e das indústrias culturais e criativas, apostando na criação de emprego qualificado; apostar na arte urbana no espaço público para promover o contacto dos artistas locais com as comunidades; fomentar a participação cívica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação com a Universidade do Minho desempenha um papel fundamental na configuração do Bairro C. Diversos edifícios industriais recuperados passaram a acolher actividades ligadas à investigação, formação, experimentação tecnológica e transferência de conhecimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cooperação entre o município e a universidade permitiu criar um ecossistema de inovação relevante para a cidade. Esta articulação reforça a capacidade de atracção de talento, estimula o empreendedorismo e favorece a criação de projectos de investigação aplicada com impacto territorial. O modelo adoptado demonstra que a regeneração urbana contemporânea não deve limitar-se à reabilitação física dos edifícios. É igualmente necessário promover novas funções económicas e sociais que assegurem a vitalidade do território a longo prazo.</span></p>
<h5><b>União Europeia reconhece projecto como boa prática</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das dimensões mais significativas do Bairro C está associada ao reconhecimento europeu obtido no âmbito da Missão Cidades. O projecto integra a es tratégia de neutralidade carbónica desenvolvida por Guimarães, enquadrando-se numa agenda de transformação urbana alinhada com os objectivos climáticos da União Europeia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“O projecto-piloto é reconhecido pela União Europeia como um dos projectos europeus mais consistentes para se atingir as metas da neutralidade carbónica no âmbito da Missão Cidades, onde se inserem em Portugal as cidades de Guimarães, Porto e Lisboa”, refere o director municipal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este reconhecimento constitui um importante factor de legitimação externa e demonstra a capacidade do município para desenvolver soluções inovadoras de elevada qualidade técnica. O apoio financeiro atribuído, no valor de um milhão de euros, reforçou a possibilidade de implementação de projectos-piloto. </span></p>
<h5><strong>Comunidade de energia renovável como &#8220;projecto bandeira&#8221;</strong></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das iniciativas que se destaca no projecto é a Comunidade de Energia Renovável. Esta intervenção representa uma mudança de paradigma na forma como a energia é produzida, distribuída e consumida em contexto urbano. Aliás, Joaquim Carvalho descreve-a como “um dos projectos bandeira”, cujo objectivo principal consiste em produzir energia eléctrica, através de fontes renováveis, e distribuí-la pelos edifícios municipais localizados num raio de quatro quilómetros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A solução proposta baseia-se na instalação de painéis solares fotovoltaicos numa área, actualmente, associada à feira semanal. Para além da produção energética, a infraestrutura desempenha funções complementares de cobertura e qualificação do espaço público. “Todos os edifícios municipais, num raio de quatro quilómetros contados a partir do local da actual feira semanal, serão abastecidos por energia produzida nesse local, através da instalação de painéis solares. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Simultaneamente, a estrutura para suporte desses painéis, tal como a cobertura a instalar constituída por painéis solares de cor ‘terracota’, permitirão ainda cobrir o estacionamento que ocorre durante a semana, permitindo aos feirantes melhores condições para a actividade relativa à feira.” </span><span style="font-weight: 400;">A abordagem integrada evidencia a preocupação em maximizar os benefícios da intervenção. O mesmo investimento produz tanto resultados energéticos, como ambientais, funcionais e urbanísticos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A estratégia do Bairro C insere-se num quadro mais amplo de descarbonização urbana. O objectivo consiste em reduzir, progressivamente, as emissões associadas à actividade humana através de múltiplas medidas complementares. </span><span style="font-weight: 400;">Entre as iniciativas identificadas destacam-se a produção de energia renovável, a redução do tráfego automóvel baseado em combustíveis fósseis, a modernização da iluminação pública e o aumento da eficiência energética dos edifícios. </span></p>
<h5><strong>Os desafios de aliar património e sustentabilidade </strong></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos maiores desafios identificados no Bairro C relaciona-se com a coexistência entre conservação patrimonial e eficiência energética. </span><span style="font-weight: 400;">Guimarães possui um importante património histórico, incluindo áreas classificadas pela UNESCO, como o Centro Histórico de Guimarães, que foi inscrito como Património Mundial em 2001, e a extensão à Zona de Couros que foi aprovada em 19 de Setembro de 2023, passando a designação oficial a ser “Centro Histórico de Guimarães e Zona de Couros.” </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido à salvaguarda do património histórico/cultural, a implementação de determinadas soluções técnicas pode revelar-se complexa. “Os edifícios classificados ou protegidos do ponto de vista patrimonial encerram desafios e soluções complexas, da das as limitações de soluções comuns, no caminho para a alta eficiência energética que se pretende para Guimarães. Muitas vezes, as políticas de protecção ao centro histórico não são compatíveis com as soluções técnicas que o mercado dispõe para atingir esses objectivos, um dos desafios que se tem lançado à investigação e inovação é exatamente nesse sentido.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, é necessário que as entidades locais demonstrem a importância de coexistir património com soluções mais sustentáveis e que irão beneficiar toda a comunidade. Guimarães é um exemplo disso: “O Município continua a acompanhar os desenvolvimentos nessa área e tem contribuído com medidas, que diminuíram as emissões, nomeadamente, através da produção de energia ‘limpa’, como as que resultaram da Comunidade de Energia Renovável, da diminuição de tráfego automóvel a combustão nessas áreas ou a substituição integral da iluminação pública por luminárias 100% LED.” </span></p>
<h5><strong>Alterações climáticas e adaptação urbana </strong></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">O projecto incorpora igualmente preocupações relacionadas com a adaptação às alterações climáticas. A crescente frequência de fenómenos extremos e o aumento das temperaturas urbanas exigem respostas específicas por parte das cidades. “Também é reconhecido o aumento geral da temperatura no mundo e nas cidades, em particular. Guimarães, à semelhança de outras cidades, ‘sofre’ de aparecimento das chamadas ‘ilhas de calor’. As políticas de descarbonização, o aumento das áreas verdes, o aumento da reciclagem aos vários níveis, são medidas a implementar no Bairro C”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro desafio é a Ribeira da Costa/Couros, um dos elementos mais sensíveis do território. Regista problemas de qualidade da água, cheias no centro da cidade, erosão de margens e assoreamento do leito. O Projecto Revitalização e Valorização deste local inclui simulações hidrodinâmicas e a criação de um centro de educação ambiental no edifício Ciência Viva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este projecto nasceu também de uma parceria entre a Câmara Municipal e a Universidade do Minho, neste caso, a Escola de Engenharia. A integração de múltiplos factores para preparar a cidade para eventos extremos é relevante para aumentar a resiliência do território face aos impactos já observáveis das alterações climáticas. </span></p>
<h5><b>Impactos territoriais e potencial de replicação</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">O carácter experimental do Bairro C permite encará-lo como um caso de estudo relevante para outras cidades portuguesas e europeias. </span><span style="font-weight: 400;">A combinação entre regeneração urbana, valorização patrimonial, inovação científica, produção energética renovável e neutralidade carbónica cria um modelo potencialmente replicável. Cada território possui características próprias, mas os princípios fundamentais podem inspirar intervenções semelhantes noutros contextos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A neutralidade carbónica exige transformações profundas nos sistemas de mobilidade, energia, construção e consumo. A compatibilização entre preservação patrimonial e eficiência energética continuará a exigir investigação e inovação. Da mesma forma, a manutenção do envolvimento dos diferentes actores institucionais e da população será determinante para assegurar a sustentabilidade do projecto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Bairro C constitui uma das experiências significativas de regeneração urbana sustentável, actualmente, desenvolvidas em Portugal. A transformação de uma antiga zona industrial num território orientado para a ciência, cultura, conhecimento e descarbonização demonstra a capacidade de reinvenção das cidades contemporâneas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sua relevância ultrapassa a escala local. O reconhecimento europeu, a integração na Missão Cidades e a implementação de projectos inovadores como a Comunidade de Energia Renovável conferem-lhe um valor estratégico significativo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao olhar para o futuro, Joaquim pretende “que o Bairro C seja um exemplo de cidade, de Cultura, Ciência, Conhecimento e com zero emissões de gases com efeito de estufa”. Esta frase define a ambição central do projecto e traduz uma visão integrada de desenvolvimento urbano sustentável. </span></p>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fotografia de destaque: © Câmara Municipal de Guimarães </p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/bairro-c-guimaraes-na-primeira-linha-da-regeneracao-urbana-descarbonizacao-e-inovacao-territorial-2/">Bairro C: Guimarães na primeira linha da regeneração urbana, descarbonização e inovação territorial</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Habitação social de energia positiva nos Alpes</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/habitacao-social-de-energia-positiva-nos-alpes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2026 08:00:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[eficiência energética]]></category>
		<category><![CDATA[energia positiva]]></category>
		<category><![CDATA[pegada carbónica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=37596</guid>

					<description><![CDATA[<p>A NEUE HEIMAT TIROL (NHT) gere cerca de 22 700 apartamentos. A sua actividade decorre sob um regime austríaco de habitação sem fins lucrativos particularmente exigente, o que condiciona o desenho, a operação e a manutenção do parque imobiliário. É precisamente nessa tensão entre missão social, sustentabilidade e custo controlado que a NHT tem vindo a transformar a eficiência energética num instrumento de política habitacional.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/habitacao-social-de-energia-positiva-nos-alpes/">Habitação social de energia positiva nos Alpes</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=165" target="_blank" rel="noopener">edição nº 165 da Edifícios e Energia</a> (Maio/Junho 2026).</em></strong></p>
<p>A NEUE HEIMAT TIROL (NHT) gere cerca de 22 700 apartamentos. A sua actividade decorre sob um regime austríaco de habitação sem fins lucrativos particularmente exigente, o que condiciona o desenho, a operação e a manutenção do parque imobiliário. É precisamente nessa tensão entre missão social, sustentabilidade e custo controlado que a NHT tem vindo a transformar a eficiência energética num instrumento de política habitacional. Falámos com Harald Konrad Malzer, Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento, Garantia da Qualidade em Eficiência Energética e Sustentabilidade do NHT, que se dedica há mais de 20 anos à “protecção climática através da construção.”</p>
<h5><strong>O ponto de partida: construir melhor para gastar menos ao longo de décadas</strong></h5>
<p>O ponto de partida da NHT é, simultaneamente, técnico e social. Na prática, isto significa pensar o edifício ao longo de todo o ciclo de vida e não apenas no momento da obra. A orientação para custos operacionais baixos, especialmente no aquecimento, surge como consequência directa de uma estratégia pensada para o longo prazo.</p>
<p>Essa lógica está bem patente no histórico da organização. Em 1997, a NHT construiu o primeiro projecto próximo da Passive House, o conjunto habitacional de Mitterweg, com uma necessidade de aquecimento de 21 kWh/m²a. Em 2000, avançou com Lohbach, já em 17 kWh/m²a, e, em 2009, entregou Lodenareal, o primeiro conjunto certificado de Passive House com 200 apartamentos.</p>
<p>“Desde 2011, temos vindo a construir de acordo com a norma Passive House, muito mais eficiente, estabelecida pelo Passive House Institute (Darmstadt), enquanto a norma nacional (segundo o OIB &#8211; Instituto Austríaco de Engenharia Civil) foi, durante muito tempo, muito menos exigente e ainda hoje apenas oferece a ventilação residencial com recuperação de calor como opção. Assim, na NHT, trabalhamos em contraste directo com os requisitos nacionais de eficiência, que são demasiado baixos”, explica.</p>
<p>Este ano, segundo os dados mais recentes da organização, mais de 7500 apartamentos foram construídos segundo as normas Passive House.</p>
<h5><strong>Da passive house à passive house premium</strong></h5>
<p>É neste contexto que se deve ler “o salto” para o conceito de edifício de energia positiva. Harald Konrad Malzer descreve o novo projecto residencial em construção no coração de Innsbruck como um edifício sem fins lucrativos que reúne oito pisos e 42 unidades habitacionais para 96 jovens residentes.</p>
<p>“Embora relativamente discreto por fora (não é um daqueles projectos emblemáticos chamativos e dourados), este edifício esconde no seu interior o sonho que todos partilhamos: Uma casa que gera mais energia do que consome!”.</p>
<p>O arquitecto explica-nos o que é necessário para tornar este sonho realidade:</p>
<p>• “Máxima eficiência energética, através do Passive House PREMIUM (construção altamente isolada com pontes térmicas mínimas e perda de calor mínima através da envolvente do edifício);</p>
<p>• Consumo mínimo de energia (electrodomésticos e iluminação de alta eficiência; recuperação de calor do ar interior; recuperação de calor da água quente; geração de calor de alta eficiência);</p>
<p>• Sombreamento solar passivo suficiente para proteger contra o sobreaquecimento no Verão, mas permitindo o máximo ganho solar possível no Inverno;</p>
<p>• Maximização da geração de energia renovável no edifício (painéis fotovoltaicos independentes no telhado (BAPV) e painéis fotovoltaicos integrados na fachada (BIPV));</p>
<p>• Um sistema de armazenamento sazonal de energia (o excesso de energia renovável gerado no Verão deve ser transferido com segurança para o Inverno, com requisitos mínimos de espaço e o mínimo de perdas possível);</p>
<p>• E, finalmente, um promotor imobiliário empenhado e, claro, residentes inteligentes.”</p>
<p>Algo que vai ser testado neste projecto é perceber se tudo isto funciona na região alpina, onde as condições climáticas são mais adversas. “Teremos de esperar para ver. É por isso que temos o apoio de um projecto de investigação europeu HORIZON focado precisamente nisto: REN+HOMES &#8211; casas de energia renovável plus”, explica.</p>
<p>A opção pela classe Passive House PREMIUM não é estética, mas sim estrutural. De acordo a NHT, a organização já tinha realizado o primeiro Passivhaus Plus certificado na Áustria e deu o passo seguinte com dois edifícios de energia zero no centro de Innsbruck, certificados segundo as orientações do Passive House Planning Package (PHPP) do Passive House Institute. Nesse enquadramento, a introdução da categoria PREMIUM significa trabalhar com uma exigência superior em termos de energia primária renovável, eficiência global e capacidade de produção no próprio edifício.</p>
<h5><strong>A envolvente térmica continua a ser o primeiro sistema energético</strong></h5>
<p>Quando questionado sobre o papel da envolvente térmica, Malzer destaca esta componente como “uma das mais importantes”, porque “impede a perda massiva de calor durante a época de aquecimento (nos Invernos frios dos Alpes, que persistem apesar da crise climática), mas também protege contra o sobreaquecimento no Verão. O isolamento funciona tanto em climas frios como quentes. Sem um isolamento adequado, com as dimensões correctas, ecológico e, ao mesmo tempo, altamente rentável, as restantes medidas necessárias teriam de ser sobredimensionadas de forma antieconómica.”</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-37602 size-large" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RH_Austrian-Demo_PV-facade01_@NHT-Pauli-1024x768.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RH_Austrian-Demo_PV-facade01_@NHT-Pauli-1024x768.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RH_Austrian-Demo_PV-facade01_@NHT-Pauli-300x225.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RH_Austrian-Demo_PV-facade01_@NHT-Pauli-768x576.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RH_Austrian-Demo_PV-facade01_@NHT-Pauli-1536x1152.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RH_Austrian-Demo_PV-facade01_@NHT-Pauli-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p>No demo austríaco, a construção da envolvente térmica inclui isolamento, janelas triplas na camada de isolamento, execução com pontes térmicas reduzidas e elevada estanquidade ao ar, tudo segundo o padrão Passive House PREMIUM. São 28 centímetros de lã mineral ecológica na parede exterior, instalação complexa das janelas sem pontes térmicas e continuidade térmica cuidada nas zonas de ligação às loggias.</p>
<p>A importância desta abordagem é também visível no trabalho histórico da NHT em reabilitação. No projecto FP7 SINFONIA, a organização reabilitou cerca de 50 000 metros quadrados de edifícios residenciais dos anos 1930 a 1980, com redução do consumo energético até 80% e integração forte de fontes renováveis no local, como fotovoltaico, solar térmico e bombas de calor. Ou seja, a eficiência da envolvente não é um gesto isolado, mas sim a base de uma estratégia de descarbonização do parque edificado.</p>
<h5><strong>BAPV e BIPV: usar o telhado e a fachada como geradores</strong></h5>
<p>Para a primeira Passive House PREMIUM da NHT teve de se dar um passo além, como refere Malzer. “Na realidade, trata-se de painéis fotovoltaicos bastante comuns, com cerca de 440 Wp por painel. O único requisito é que os painéis instalados na fachada cumpram normas específicas de segurança contra incêndios. Este é o primeiro projecto da NHT a incluir painéis fotovoltaicos montados na fachada. Até agora, a utilização plena do nosso espaço no telhado tem sido suficiente para cumprir a norma de construção Passive House PLUS da NHT”. A fronteira deixou de ser apenas o consumo e passou a ser a capacidade do próprio edifício para produzir excedentes.</p>
<p>O telhado do demo austríaco recebeu BAPV com cobertura extensiva ajardinada e claraboia central para as áreas comuns, enquanto as fachadas Sul, Este e Oeste passaram a integrar BIPV.</p>
<h5><strong>Armazenar o Verão para o Inverno</strong></h5>
<p>O armazenamento sazonal de hidrogénio é “apenas uma bateria”, mas que tem um papel fundamental no sistema energético global: “Para satisfazer a procura, que se mantém elevada durante a época de aquecimento, utilizando o excedente de energia dos meses de Verão, ou para nos adaptarmos melhor à oferta fluctuante de energia renovável em climas mais quentes, precisamos de instalações de armazenamento sazonal. Estas lacunas de ‘energia’ renovável têm de ser colmatadas através de soluções de armazenamento de energia seguras, sustentáveis e eficientes, que possam ser produzidas a partir de matérias-primas europeias, com perdas de energia mínimas e a um custo razoável.”</p>
<p>O ponto decisivo, segundo Malzer, é que o hidrogénio não é armazenado sob a forma de gás, mas ligado molecularmente num pó especial de hidreto metálico. Esta solução evita a compressão energética pesada associada a pressões elevadas e procura tornar o armazenamento mais seguro, reciclável e compatível com uma utilização em contexto habitacional. O objectivo é reduzir perdas, melhorar a densidade energética útil e encontrar uma solução realmente adequada para a escala do edifício.</p>
<p>Este armazenamento “poderia ser utilizado para construir um edifício independente da rede. No entanto, para um edifício no centro da cidade, isso seria um completo disparate”, descreve o arquitecto. “Em vez disso, um sistema de armazenamento deste tipo permite-nos alcançar um elevado nível de flexibilidade da rede. Por outras palavras, minimizamos a pressão sobre a rede quando há um elevado volume de energia renovável e aliviamos a pressão sobre a rede quando a procura de energia é geralmente elevada.”</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-37603 size-large" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RH_Austrian-Demo_PV-roof01_@NHT-Pauli-1024x768.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RH_Austrian-Demo_PV-roof01_@NHT-Pauli-1024x768.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RH_Austrian-Demo_PV-roof01_@NHT-Pauli-300x225.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RH_Austrian-Demo_PV-roof01_@NHT-Pauli-768x576.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RH_Austrian-Demo_PV-roof01_@NHT-Pauli-1536x1152.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RH_Austrian-Demo_PV-roof01_@NHT-Pauli-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p>“Em simultâneo, o próprio edifício deve gerir o consumo desta energia com a máxima eficiência (isto inclui uma redução significativa das necessidades de aquecimento e refrigeração através de uma arquitectura inteligente, sensível ao clima e atraente, bem como de um invólucro do edifício adequado; um sistema de ventilação com recuperação de calor de alta eficiência (mais de 90%), recuperação passiva de calor das águas residuais (cerca de 50%); só assim poderemos alcançar um elevado grau de autossuficiência e, consequentemente, aliviar o encargo financeiro dos nossos inquilinos a longo prazo.”</p>
<h5><strong>O papel das bombas de calor e da geotermia superficial</strong></h5>
<p>A lógica do sistema não se esgota no armazenamento. Malzer destaca a bomba de calor central alimentada por águas subterrâneas, descrevendo a tecnologia como uma combinação extremamente eficaz entre electricidade renovável e conversão térmica. Na sua formulação, a bomba de calor converte uma parte de electricidade em até seis partes de calor, desde que a fonte seja estável, a temperatura de descarga seja baixa e o cálculo da carga térmica seja rigoroso. “Parece uma daquelas típicas farsas das redes sociais, mas é verdade! A tecnologia das bombas de calor é realmente algo mágico. Na verdade, todos nós sempre tivemos uma bomba de calor nas nossas casas! É o frigorífico &#8211; estamos simplesmente a usar o princípio ao contrário aqui”, remata.</p>
<p>Este projecto austríaco incluiu a conceção e execução do poço de extracção e de retorno das águas subterrâneas para a bomba de calor central, incluindo as aprovações oficiais necessárias. Este tipo de solução reforça a ideia de que a eficiência energética não depende apenas de equipamentos de alto rendimento, mas sim da articulação entre edifício, terreno, recursos locais e enquadramento regulatório.</p>
<h5><strong>Recuperação de calor: do ar interior à água do duche</strong></h5>
<p>Malzer descreve o sistema de recuperação de calor da água do duche como simples e economicamente interessante: um tubo coaxial de cobre transfere o calor da água residual para a água fria ao longo de cerca de dois metros, pré-aquecendo-a de forma passiva. “Isto significa que, se eu começar a tomar banho a 36 °C através da misturadora termostática, o permutador de calor coaxial transfere o seu calor residual para a água fria a 10-13 °C em 10 segundos, pré-aquecendo-a até 25 °C. Assim, a misturadora termostática só precisa de adicionar uma pequena quantidade adicional de água quente para manter a temperatura desejada de 36 °C”. Este processo pode permitir poupanças de até 50% na água quente, precisamente porque a maior parte do consumo doméstico ocorre no duche e o sincronismo entre consumo e recuperação é muito favorável.</p>
<p>Também a ventilação surge como um elemento de conforto e de equidade habitacional. Malzer refere que a ventilação central com recuperação de calor é padrão na NHT desde 2011, e que a sua introdução foi consolidada depois do sucesso do Lodenareal, na Áustria. O inquérito aos inquilinos realizado seis meses após a ocupação desse conjunto, com 95% de respostas positivas, é usado como prova de que a eficiência energética, quando bem resolvida, melhora também a qualidade de vida.”</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-37604 aligncenter" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RENHOMES_System-schema_@NHT-1024x575.jpg" alt="" width="800" height="449" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RENHOMES_System-schema_@NHT-1024x575.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RENHOMES_System-schema_@NHT-300x169.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RENHOMES_System-schema_@NHT-768x432.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RENHOMES_System-schema_@NHT-1536x863.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/RENHOMES_System-schema_@NHT-2048x1151.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<h5><strong>Eficiência energética como política social</strong></h5>
<p>“Construir com eficiência energética é construir de forma socialmente responsável”, diz Malzer. A frase sintetiza a tese central da NHT: baixos consumos não são apenas uma meta ambiental, são um mecanismo de protecção contra a volatilidade dos preços da energia e contra a exclusão habitacional.</p>
<p>“Perante a crise climática, as crises políticas e militares que já se avizinham em todo o mundo em consequência disso, a necessidade de uma nova distribuição de recursos (sim, voltámos à Idade Média), os fluxos migratórios globais que não se deterão nas fronteiras da Europa, a futura desvalorização monetária e tudo o que mais possa estar por vir, já não podemos dar-nos ao luxo de construir edifícios que não cumpram os mais elevados padrões de eficiência e sustentabilidade e incluindo a reciclabilidade, no nosso ambiente. Fazer o contrário é altamente irresponsável e faz parte do problema. É tão simples quanto isso.”</p>
<p>Os números apresentados ajudam a perceber essa posição. A NHT afirma gerir cerca de 7500 apartamentos Passive House e que, durante a recente crise energética, enquanto muitos inquilinos austríacos dependentes de gás viram custos mensais adicionais de até 300 euros, os seus residentes enfrentaram acréscimos na ordem dos 15 a 25 euros. Para Malzer, a diferença não é marginal, mas sim uma prova de que o investimento em eficiência se traduz em resiliência económica para os moradores.</p>
<p>O próprio novo edifício segue essa lógica. A habitação em Innsbruck é pensada para jovens com recursos financeiros limitados, que entrarão no edifício em Janeiro de 2027. A expectativa é que a produção própria de energia, associada ao sistema de armazenamento sazonal e à envolvente de alto desempenho, anule ou reduza drasticamente os custos energéticos relevantes para o uso habitacional.</p>
<p>Quando confrontado com a pergunta sobre o futuro dos edifícios, Malzer evita respostas fáceis. Diz que a transformação terá de começar nas pessoas, no que estão dispostas a fazer e no grau de consumo que aceitam abandonar para reencontrar uma qualidade de vida mais real. Para este director, a tecnologia pode ajudar, mas não substitui a mudança cultural e política. “Talvez isso dependa menos da tecnologia e dos sistemas inteligentes que usamos, ou mesmo da inteligência artificial, e mais, no final, de nós próprios. Do que podemos prescindir juntos, e até que ponto cada um de nós pode reduzir o consumo para redescobrir a verdadeira qualidade de vida de que tantas vezes sentimos falta? A tecnologia não vai resolver o problema, mas, se usada com sabedoria e moderação, pode dar-nos um apoio significativo neste esforço”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-37605 aligncenter" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/Captura-de-ecra-2026-08-04-164023-1024x598.png" alt="" width="800" height="467" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/Captura-de-ecra-2026-08-04-164023-1024x598.png 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/Captura-de-ecra-2026-08-04-164023-300x175.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/Captura-de-ecra-2026-08-04-164023-768x449.png 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2026/08/Captura-de-ecra-2026-08-04-164023.png 1212w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<h5><strong>Entre a engenharia e a responsabilidade pública</strong></h5>
<p>O caso da NHT mostra que a transição energética no edificado não depende apenas de novos materiais ou sistemas, mas da capacidade de integrar inovação com responsabilidade pública. A organização opera num quadro de habitação sem fins lucrativos, com forte foco em custos de exploração baixos, e faz da investigação uma ferramenta para proteger os moradores da volatilidade energética e das consequências sociais da crise climática. Ao mesmo tempo, os seus projectos demonstram que a descarbonização do parque imobiliário pode ser construída a partir da normalidade do uso habitacional, sem sacrificar conforto ou funcionalidade.</p>
<p>É por isso que o projecto em Innsbruck merece atenção para lá do seu carácter experimental. Ele condensa uma mudança de paradigma: a envolvente deixa de ser apenas uma barreira térmica e passa a ser parte da produção energética; o telhado deixa de ser um suporte e torna-se gerador; a fachada deixa de ser só imagem e converte-se em infraestrutura; a água do duche deixa de ser um resíduo e passa a ser recurso; e a habitação social deixa de ser apenas resposta à carência para se afirmar como laboratório de resiliência climática.</p>
<p>O que este projecto tenta demonstrar é que a energia positiva não é um luxo de vanguarda, mas uma hipótese concreta para o futuro da habitação, mesmo em contexto alpino e mesmo sob condições de forte contenção económica. E, tal como Harald Konrad Malzer refere, isso é uma questão de engenharia e de consciência cívica: eficiência, sim, mas sempre ao serviço de uma ideia mais ampla de responsabilidade social e climática.</p>
<p>Fotografia de destaque: © NHT</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/habitacao-social-de-energia-positiva-nos-alpes/">Habitação social de energia positiva nos Alpes</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Serão os sistemas híbridos o futuro da eficiência energética nos edifícios?</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/serao-os-sistemas-hibridos-o-futuro-da-eficiencia-energetica-nos-edificios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 08:00:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[eficiência energética]]></category>
		<category><![CDATA[pegada carbónica]]></category>
		<category><![CDATA[Prosolia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=37575</guid>

					<description><![CDATA[<p>Na unidade industrial da Grupel, em Vagos, Aveiro, foi instalado um sistema híbrido que combina painéis fotovoltaicos e baterias de armazenamento. Este é um sistema pioneiro em Portugal e está a ser desenvolvido pela própria Grupel, em conjunto com a Prosolia Energy. O projecto inclui 813 módulos solares (totalizando 500 kWp) e um sistema de baterias com 645 kWh de capacidade (300 kW de potência máxima).</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/serao-os-sistemas-hibridos-o-futuro-da-eficiencia-energetica-nos-edificios/">Serão os sistemas híbridos o futuro da eficiência energética nos edifícios?</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=165" target="_blank" rel="noopener">edição nº 165 da Edifícios e Energia</a> (Maio/Junho 2026).</em></strong></p>
<p>Na unidade industrial da Grupel, em Vagos, Aveiro, foi instalado um sistema híbrido que combina painéis fotovoltaicos e baterias de armazenamento. Este é um sistema pioneiro em Portugal e está a ser desenvolvido pela própria Grupel, em conjunto com a Prosolia Energy. O projecto inclui 813 módulos solares (totalizando 500 kWp) e um sistema de baterias com 645 kWh de capacidade (300 kW de potência máxima). Trata-se de um sistema de gestão inteligente com modo de operação autónomo, concebido para maximizar o autoconsumo da energia gerada.</p>
<h5><strong>A independência da rede como o passo a seguir</strong></h5>
<p>Falámos com Pedro Silva, Country Manager da Prosolia em Portugal, que nos explica melhor qual o objectivo da empresa com este projecto. “O objectivo da Grupel é desenvolver a empresa como IPP (produtor independente de energias renováveis) no negócio de energias renováveis. Por um lado, desenhar grandes centrais de utilidade de escala que se ligam à rede pública nacional e que vendem essa energia para a rede e, por outro lado, que é, digamos assim, o lado talvez mais ‘querido’ da empresa, desenhar centrais de energia renovável — pode ser eólica, pode ser com baterias, podem ser e devem ser híbridas. Estas centrais podem ser instaladas localmente onde está o consumidor ou próximo da zona do consumidor, mas ambas são ligadas Behind The Meter (BTM) para dar energia autoconsumida ao cliente.”</p>
<p>Pedro acrescenta ainda que é fulcral a indústria portuguesa tornar-se independente da rede pública, porque “as tarifas são mais baratas, independentes da fluctuação da rede, do mercado e da vontade política.”</p>
<p>O núcleo desta solução pioneira é um sistema híbrido, que utiliza energia solar e de baterias. A instalação fotovoltaica de grande escala (500 kWp, 813 módulos solares) capta energia durante o dia. Essa energia pode ser consumida directamente na fábrica ou carregada nas baterias de lítio integradas (645 kWh), sendo libertada nos períodos de pico de consumo ou quando a produção solar é reduzida. As baterias permitem, assim, suavizar o perfil de carga e manter a unidade industrial autónoma mesmo em falhas de rede.</p>
<p>Entre as funcionalidades avançadas, o sistema inclui monitorização em tempo real, detecção automática de falhas e até um mecanismo automático de combate a incêndios, garantindo elevados níveis de segurança operacional. Adicionalmente, permite operar em modo ilha, isto é, tem independência total da rede, quando necessário.</p>
<p>O projecto apresenta um conjunto de soluções integradas (solar, armazenamento e controlo inteligente) desenhado para oferecer à indústria uma fonte mais eficaz e resiliente de energia renovável.</p>
<h5><strong>Impactes energéticos e ambientais</strong></h5>
<p>A nível energético e ambiental, o projecto permitirá à unidade industrial da Grupel alcançar 665,6 MWh de energia limpa produzida por ano, reduzir 314 toneladas de dióxido de carbono por ano (equivalente à plantação de 1945 árvores), aumentar significativamente a autonomia energética e a resiliência e continuidade operacional, mesmo em cenários de instabilidade da rede eléctrica.</p>
<p>Em termos energéticos, o projecto promete ganhos significativos de eficiência e fiabilidade. Ao armazenar a energia excedente, a fábrica pode reduzir substancialmente o consumo da rede pública. O custo reduzido de electricidade solar terá “um efeito de poupança económica” no fim do ano operacional. Aliás, Pedro Silva garante mesmo que esta solução “vai ser o futuro”.</p>
<p>“Para o actual perfil de produção em Portugal, ao dia de hoje, a energia no preço do mercado grossista é muito baixa, o que quer dizer que não tenho grande vantagem em fazer uma central fotovoltaica, porque nessas horas solares vai-se produzir uma energia que no mercado também está barata. Portanto, digamos que o mercado e a fotovoltaica concorrem directamente. Quando eu hibridizo, consigo fazer aquilo a que se chama de arbitragem tarifária, ou seja, toda esta energia, se eu necessitar, consumo-a num momento, se eu não necessitar, armazeno-a e liberto-a no meu consumo quando a rede já está muito mais cara. Assim, tenho dois efeitos: tenho um efeito de poupança económica porque consigo transportar energia para quando ela é mais cara na rede ou substituí-la; e tudo aquilo que não consigo aproveitar no momento posso guardar para usar outra vez e injecto na rede apenas quando faz sentido, para quando é necessária.”</p>
<p>Além dos benefícios locais, o projecto alinha-se com objectivos mais amplos de sustentabilidade. Ao aumentar a produção renovável no próprio local, diminui-se a dependência de energia importada.</p>
<h5><strong>“A energia é um dos poucos ouros de Portugal&#8221;</strong></h5>
<p>Portugal pode não ser o melhor país para produção de energia renovável, mas se houver uma mistura de várias fontes, o país mais ocidental da Europa pode ter condições mais do que favoráveis, na opinião do engenheiro. “Os melhores ventos estão na Escócia, o melhor sol está em África, mas o facto de Portugal ser um país ‘médio’ não quer dizer que é mau, quer dizer que a nossa ponderação de todas estas fontes de energia é muito equilibrada. Ou seja, se conseguirmos que, por um lado, as indústrias, os consumidores, consigam fazer esta fusão de solar com baterias, de eólico com baterias, de eólico, solar e baterias, e, por outro lado, a produção conseguir ter grandes centrais fotovoltaicas, grandes centrais eólicas, algumas mini-hídricas e conseguirmos tirar a nossa necessidade do petróleo e dos seus derivados, nós podemos ter aqui uma riqueza muito grande. Isto é algo muito importante porque, infelizmente, nós não temos nem petróleo, nem ouro, nem absolutamente nada nas nossas terras. A energia, esta fusão energética renovável, é um dos poucos ouros. Devemos aproveitar, realmente, os recursos que temos e utilizá-los bem porque existem vários que, quando conjugados, conseguem cobrir todas as necessidades e acho que não temos de ir para outras soluções, como a energia nuclear. Acho que o nuclear é muito bonito do ponto de vista técnico, mas, para as nossas gerações futuras, pode ser uma prenda muito envenenada.”</p>
<p>Esta combinação entre a energia solar e o armazenamento de baterias melhora a resiliência do sistema e permite integrar mais renováveis na rede, contribuindo para as metas do Plano Nacional de Energia e Clima 2030.</p>
<h5><strong>O futuro começa em Vagos</strong></h5>
<p>Quando questionado sobre os maiores entraves ou desafios inerentes à implementação deste projecto, Pedro Silva responde convictamente que “não há nenhum. É muito fácil de implementar”. No entanto, refere que ainda há clientes que demonstram alguma preocupação, pelo facto de se pôr uma bateria num edifício: “perguntam, em caso de incêndio, como é que o seguro vai reagir, mas não há problema nenhum, porque estas baterias já estão preparadas para ser postas no exterior, são modelares.”</p>
<p>O preço “é o único problema que existe”, diz. “O preço tem vindo a diminuir, mas, quando comparado com a utilização de apenas energia fotovoltaica, ainda é muito mais elevado.”</p>
<p>“A fotografia de hoje das cidades diz-me que todos os seus elementos constituintes são consumidores, mas, num futuro ponto próximo, vão ser consumidores e produtores: vão consumir por um lado, porque necessitam de ter a sua vida do dia-a-dia a funcionar, e isso significa consumir energia, mas, por outro lado, vão conseguir exportar para a rede, equilibrando a própria rede. Tem de se criar um sistema bidireccional, um sistema que seja dinâmico.”</p>
<p>O projecto híbrido entre a Prosolia e a Grupel, em Vagos, exemplifica como a integração de tecnologia renovável e armazenamento pode elevar a eficiência dos edifícios industriais. Segundo os responsáveis, esta solução não só optimiza o uso da energia gerada local, mas também fortalece a independência energética da unidade, alinhando-se com metas sustentáveis. Como destaca Pedro Silva, o sistema torna-se “mais completo, inteligente e resiliente”, trazendo inovação para a indústria portuguesa.</p>
<p>O projecto reforça que, no caminho da sustentabilidade urbana e industrial, a hibridização solar-baterias é uma das ferramentas chave para reduzir emissões e custos de energia sem prejudicar a operação.</p>
<p>Fotografia de destaque: © Prosolia</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/serao-os-sistemas-hibridos-o-futuro-da-eficiencia-energetica-nos-edificios/">Serão os sistemas híbridos o futuro da eficiência energética nos edifícios?</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Serão os edifícios flutuantes o futuro do crescimento urbano?</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/serao-os-edificios-flutuantes-o-futuro-do-crescimento-urbano/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 09:23:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios flutuantes]]></category>
		<category><![CDATA[pegada carbónica]]></category>
		<category><![CDATA[schoonschip]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=37432</guid>

					<description><![CDATA[<p>Já se imaginou a viver por cima de água num edifício flutuante? Que benefícios traz? Quais os desafios? A abordagem tem vindo a ser desenvolvida, tendo já casos práticos úteis, como o de Schoonschip, em Amesterdão, onde existe a comunidade flutuante mais sustentável da Europa, e que podem ser replicados em países como Portugal.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/serao-os-edificios-flutuantes-o-futuro-do-crescimento-urbano/">Serão os edifícios flutuantes o futuro do crescimento urbano?</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-1 wp-block-paragraph" style="font-size:14px;font-style:italic;font-weight:500;letter-spacing:0px"></p>


<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=164" target="_blank" rel="noopener">edição nº 164 da Edifícios e Energia</a> (Março/Abril 2026).</em></strong></p>
<p><strong>Já se imaginou a viver por cima de água num edifício flutuante? Que benefícios traz? Quais os desafios?</strong></p>
<p>Num contexto de subida do nível da água do mar, de pressão sobre o solo urbano e a necessidade de reduzir as emissões de carbono e os custos operacionais dos edifícios, os projectos de urbanismo aquático têm vindo a ganhar expressão como alternativa técnica e estratégica. Ao deslocar parte da densidade urbana para plataformas flutuantes ou estruturas anfíbias, cria-se a oportunidade de repensar fundações, envolventes térmicas, redes energéticas e modelos de manutenção, não como adaptações provisórias, mas sim como sistemas concebidos desde a origem para o desempenho, a durabilidade e poupança energética.</p>
<p>A abordagem tem vindo a ser desenvolvida, tendo já casos práticos úteis, como o de Schoonschip, em Amesterdão, onde existe a comunidade flutuante mais sustentável da Europa, e que podem ser replicados em países como Portugal.</p>
<h5><strong>Da arquitectura ao HCPE: a cidade como um &#8220;sistema vivo&#8221;</strong></h5>
<p>A evolução conceptual é bem expressa por Koen Olthuis, fundador da Waterstudio, uma empresa de arquitectura que vê na água uma solução para enfrentar os desafios do presente e do futuro das cidades. “Sou arquitecto e urbanista, mas o meu trabalho evoluiu para aquilo a que chamo HCPE (Hydro-City Performance Engineering), um método e uma mentalidade que encaram a cidade como um sistema vivo, passível de ser medido, diagnosticado e melhorado”, define. “É também por isso que costumo dizer: sou um médico da cidade e utilizo a água como medicamento.”</p>
<p>A água deixou, assim, de ser apenas paisagem ou um factor de risco ou ameaça. É também um factor essencial para tornar as cidades mais “seguras, confortáveis e eficientes na utilização de recursos”. Desta forma é também possível prevenir cenários de tempestades, cheias ou ondas de calor, já que a vulnerabilidade das cidades também está relacionada com a falta de planeamento e este planeamento pode agora sair de terra firme e ser explorado no meio aquático.</p>
<p>A constante análise do desempenho do edifício contribui para que se passe de uma “solução de contingências para uma infraestrutura urbana programável”, com registo de “risco de inundação, stress térmico, procura energética, qualidade da água e vida útil dos materiais.”</p>
<p>A resiliência face às inundações é uma das vantagens imediatas deste tipo de construção sobre a água. E porquê? Koen Olthuis explica que, com a falta de solo, tem aumentado a construção sobre zonas propensas a inundações, já que se constrói em solos “fracos ou com elevados custos ecológicos e financeiros”. Esta lacuna permite expandir, de forma faseada, as cidades para a água.</p>
<p>Outra vantagem é a resiliência face às alterações climáticas e a adaptabilidade às mesmas, uma vez que se<br />“reduz as falhas e a disrupção futura ao projectar para a realidade da variabilidade da água. O HCPE é particularmente útil neste contexto porque obriga a colocar, desde cedo, uma questão clara: que solução oferece o melhor desempenho a longo prazo para a cidade, e não apenas a resposta mais rápida no curto prazo?”</p>
<p>Uma estrutura flutuante acompanha a variação do nível da água e mantém a funcionalidade durante eventos extremos, eliminando a necessidade de medidas de emergência que são dispendiosas e, muitas vezes, apenas temporárias.</p>
<p>Um exemplo prático é Schoonschip, em Amesterdão, que iremos abordar mais à frente, onde “as bases flutuantes em betão permitem que as habitações acompanhem a variação do nível da água, garantindo resiliência às inundações num território de baixa densidade, como o dos Países Baixos. As casas estão ancoradas através de grandes pilares de amarração e todas as habitações flutuam, no mínimo,<br />50 centímetros acima do fundo do canal”, explica Marteen Remmers, uma das fundadoras e actual porta-voz.</p>
<p>Além disso, a construção sobre a água pode reduzir a necessidade de aterros, dragagens extensas e fundações profundas, actividades que elevam tanto o custo económico como a pegada carbónica incorporada da obra. Como observa Olthuis, “a construção flutuante pode evitar a reconquista de terrenos, reduzir grandes movimentações de solo e ser concebida como um sistema reversível”. Essa reversibilidade é uma vantagem estratégica, já que fundações robustas e duradouras podem permanecer enquanto as superestruturas são actualizáveis, permitindo melhorias energéticas sem recriar as fundações.</p>
<h5><strong>Resiliência, resistência, autonomia e longevidade</strong></h5>
<p>Em ambiente aquático, a durabilidade depende tanto da selecção de materiais como, e sobretudo, do pormenor construtivo. “No caso das fundações flutuantes, soluções em betão de longa vida útil são frequentemente a base mais robusta, desde que concebidas para baixa permeabilidade e exposição marinha, com especial cuidado nas juntas e atravessamentos. Para a superestrutura, diversos sistemas funcionam bem, incluindo híbridos de madeira e aço, desde que as ligações e interfaces sejam projectadas para resistir à humidade, aos sais e à radiação UV”. Neste contexto, esta abordagem permite projectar infraestruturas com vida útil de referência mínima de 50 anos, conforme previsto para edifícios correntes pelo Eurocódigo 2.</p>
<p>Assim, a sustentabilidade e uma construção que permita uma longa vida útil ao edifício demonstra não só preocupação com o meio ambiente, como com os residentes que têm a garantia de viver ou trabalhar num local confortável e duradouro. “Se uma fundação flutuante durar várias décadas e puder receber múltiplos ciclos de actualização das habitações acima, a pegada ao longo do ciclo de vida melhora de forma significativa”. Olthuis acrescenta que “isto é o HCPE em prática: projectar para o desempenho ao longo do tempo.”</p>
<p>O comportamento térmico e higrotérmico de uma habitação flutuante tem dois vectores críticos: o desempenho da envolvente e as propriedades térmicas do meio aquático adjacente. A água tende a atenuar picos térmicos porque “varia a sua temperatura mais lentamente do que o solo”, o que pode reduzir a necessidade de condicionamento activo quando a envolvente é projectada com isolamento, estanquidade e controlo de pontes térmicas rigorosas.</p>
<p>Quanto à humidade, a prioridade técnica é a ventilação controlada com recuperação de calor e camadas de controlo de vapor posicionadas de forma a impedir migração de ar quente e húmido para cavidades frias. Como explica o arquitecto, “a base é a ventilação controlada, normalmente ventilação mecânica equilibrada com recuperação de calor, que mantém a humidade estável enquanto minimiza as perdas energéticas. Quando estes princípios são bem aplicados, uma casa flutuante pode ser tão seca e estável como qualquer habitação terrestre de elevado desempenho.”</p>
<p>No domínio energético, o argumento central é que a tipologia flutuante facilita soluções de partilha e de acoplamento térmico com o meio hídrico, mas a poupança real depende de um pacote técnico integrado: envolventes de alto desempenho, bombas de calor (idealmente com fonte aquática), sistemas de ventilação com recuperação e gestão de energia distribuída através de micro-redes, armazenamento comum e, por vezes, sistemas térmicos partilhados permitem reduzir o consumo total e aumentar a resiliência. “O objectivo mais escalável é aquilo a que chamo ‘autonomia ligada à rede’. Isso significa uma procura líquida muito baixa, gestão eficaz de picos e resiliência através de armazenamento e controlo inteligente, em vez de uma desconexão total da rede”, explica Olthuis.</p>
<h5><strong>Schoonschip: o caso prático da comunidade flutuante mais sustentável da Europa</strong></h5>
<p>Passando da teoria à prática, falemos da comunidade flutuante de Schoonschip, em Amesterdão. Este bairro, no canal Johan van Hasseltkanaal, foi desenvolvido por uma iniciativa colectiva que agrupa 46 agregados em 30 habitações flutuantes e que foi desenhado para alcançar a máxima eficiência e partilha de recursos.</p>
<p>A ideia surgiu em 2008 com o objectivo de “criar uma comunidade flutuante coesa e ecologicamente sustentável, em resposta à densidade urbana e aos desafios climáticos. A motivação inicial centrou-se na transformação de uma zona industrial de canal num bairro vibrante e de baixo impacte ambiental. O projecto enfatiza a circularidade, a partilha de energia e a coesão social através de um modelo de promoção colectiva privada”, explica Marteen Remmers.</p>
<p>O projecto integra uma micro-rede que, em termos agregados, inclui 516 painéis solares, 30 bombas de calor e 60 painéis solares térmicos, “conectados por uma única ligação à rede eléctrica nacional, permitindo trocas entre vizinhos, o que minimiza a dependência externa e utiliza apenas uma fracção da capacidade de rede que um distrito todo eléctrico típico exigiria”. A abordagem é holística, uma vez que o sistema coordena o armazenamento de excedentes em baterias e acumuladores térmicos, e equilibra a produção e o consumo no bairro.</p>
<p>A sustentabilidade esteve em cima da mesa desde o início do projecto com a utilização de materiais de origem local ou reciclados, “de forma a reduzir emissões associadas ao transporte e alinhar-se com os princípios da economia circular. A maioria dos materiais de isolamento é de origem renovável”, confirma.</p>
<p>Foram também implementadas soluções com o objectivo de alcançar a eficiência energética nas habitações, “como painéis solares associados a baterias domésticas, bombas de calor, sistemas solares térmicos e recuperação de calor das águas dos duches. A micro-rede inteligente optimiza o autoconsumo e o controlo dos equipamentos eléctricos, permitindo uma utilização mais eficiente da energia disponível”. Além disto, ainda foi desenvolvido um sistema GridFriends, que “coordena a energia através de contadores inteligentes que armazenam excedentes em baterias e acumuladores térmicos, enquanto equilibram a produção e o consumo entre as habitações. Os excedentes são armazenados ou comercializados, com o objectivo de alcançar a neutralidade energética ao nível do bairro. A electricidade pode fluir directamente de uma casa para outra, por exemplo dos painéis solares de um residente para a máquina de lavar de um vizinho.”</p>
<p>Os benefícios foram sentidos rapidamente pelos moradores, confirma Marteen: maior independência energética, menor dependência de serviços externos, mobilidade partilhada. “Utilizamos menos água graças ao sistema de saneamento a vácuo e usamos também menos capacidade da rede eléctrica, o que é particularmente relevante nos Países Baixos, onde a escassez de capacidade da rede é actualmente um problema significativo. Criámos ainda jardins flutuantes, procurando gerar mais espaços favoráveis à biodiversidade”.</p>
<p>O ambiente que se vive é também de confraternização, entreajuda e de um verdadeiro espírito comunitário, até porque partilham uma sala comum e espaços exteriores. “Nadamos juntos, convivemos no pontão e tomamos decisões de forma contínua. É um bairro coeso, dinâmico e muito próximo.”</p>
<p>Marteen acredita que além do retorno financeiro, uma vez que se verifica uma “redução de custos resultante da eficiência e da partilha”, também é visível uma “melhoria da qualidade de vida, através de uma rede social forte e uma diminuição da pegada ambiental graças a práticas colectivas sustentáveis.”</p>
<h5><strong>Limitações, riscos e exigências de operação</strong></h5>
<p>Uma construção aquática tem também as suas limitações e riscos. Koen Olthuis identifica alguns, como<br />a “exposição ao vento, o envelhecimento acelerado de componentes em ambientes salinos e restrições de área útil para instalação de painéis solares por habitação”. Estes são factores que condicionam desempenho e custos.</p>
<p>Olthuis alerta para estes parâmetros, afirmando que “o vento pode aumentar as perdas térmicas e afectar o conforto percepcionado, os sais e a humidade podem reduzir a vida útil dos componentes se o detalhe for  inadequado”. Por isso, um projecto flutuante de sucesso requer definições rigorosas de especificação de materiais, medidas de protecção anti-corrosão, estratégias de massa e orientação urbanística para reduzir exposição, e planos de manutenção preventiva com inspecções programadas das fundações e amarrações.</p>
<p>A componente normativa e o processo de licenciamento podem alongar prazos, como foi o caso do Schoonschip. Marteen Remmers revela que “os principais obstáculos incluíram um processo burocrático prolongado ao longo de cerca de uma década, nomeadamente, a obtenção de um concurso público em 2013, as aprovações regulamentares para as licenças de construção e para a micro-rede eléctrica experimental, bem como desafios logísticos na construção, como a navegação sob pontes.”</p>
<h5><strong>Replicabilidade em Portugal: oportunidades e condicionantes</strong></h5>
<p>Portugal enfrentou, com as tempestades consecutivas, mais um período crítico de cheias. Alguns locais foram inundados como há muito não tinham memória, pessoas perderam a sua casa, o seu carro, muitas zonas foram evacuadas por precaução e muitas pessoas ficaram sem saber o que vão encontrar quando conseguirem voltar.</p>
<p>O país mostra-se pouco preparado para enfrentar as consequências do agravamento das alterações climáticas, que demonstra cada vez mais extremos, no Inverno e no Verão. Habitações flutuantes podem ser uma solução para conviver com a água e não deixar que ela se torne num inimigo.</p>
<p>Koen Olthuis considera que Portugal é um país onde podem ser implementadas comunidades aquáticas, “especialmente em águas abrigadas como zonas ribeirinhas, estuários, lagoas e frentes costeiras protegidas”. Deve-se ter em conta vários factores, como as condições de ondulação, correntes e uma escolha de sistemas de amarração e infraestruturas adequadas, “com prioridades climáticas em que o conforto de Verão e o controlo do sobreaquecimento, o sombreamento, a ventilação e o arrefecimento eficiente se tornam centrais.”</p>
<p>É relevante pensar, planear e adaptar as políticas públicas para a replicação destes projectos. Alguns pontos cruciais são os regimes de licenciamento, instrumentos de financiamento e modelos de incentivo que internalizem poupanças operacionais e benefícios de resiliência, salvaguardando sempre o meio ambiente e a zona onde se implementa este tipo de construção. “A lógica subjacente mantém-se: utilizar o urbanismo baseado na água para melhorar o desempenho e a habitabilidade a longo prazo, tendo o HCPE como método para medir, comprovar e escalar esse desempenho de forma responsável.”</p>
<h5><strong>A água como um aliado no futuro das cidades</strong></h5>
<p>Os edifícios flutuantes envolvem várias características específicas, materiais, ambiente envolvente e condicionantes climáticos, mas representam um conjunto de soluções para problemas concretos, como a escassez de solo, necessidade de resiliência a eventos extremos e oportunidade de redesenhar o consumo energético na comunidade.</p>
<p>A conceção deve partir de metas de desempenho mensuráveis (HCPE), combinação de soluções térmicas acopladas à água e gestão energética partilhada, que podem contribuir para poupanças operacionais relevantes e que beneficiam também os habitantes destas casas a curto e longo prazo.</p>
<p>O caminho para a replicação exige atenção técnica rigorosa, detalhe e adaptação regulatória, mas, quando esses requisitos são cumpridos, a água deixa de ser apenas uma ameaça à construção e passa a integrar-se como uma componente activa de uma cidade mais eficiente, menos invasiva e menos intensiva na utilização de recursos.</p>
<p>Fique também a par de projectos inovadores, onde a construção por cima de água é encarada como o novo passo a dar pela sustentabilidade, diminuição da pegada carbónica, melhoria da qualidade de vida e uma gestão mais inteligente dos recursos.</p>
<h5><strong>L&#8217;Île Ô &#8211; Teatro flutuante em Lyon (França)</strong></h5>
<p>O L’Île Ô é um teatro flutuante permanente localizado no rio Rhône, em Lyon. Considerado um dos primeiros grandes espaços culturais flutuantes da Europa, une inovação arquitectónica e vida urbana junto à água.</p>
<p>• Sustentabilidade e materiais: a estrutura usa madeira laminada cruzada (CLT) e outros materiais com menor impacte ambiental para reduzir emissões e integrar estética e funcionalidade;</p>
<p>• Benefícios: revitalização cultural às margens do rio e inclusão social através de programação educativa e artística.</p>
<h5><strong>Cidade flutuante das Maldivas</strong></h5>
<p>A Cidade Flutuante das Maldivas (Maldives Floating City) é um projecto urbano pioneiro no país, destinado a criar uma cidade habitável (para 10 mil pessoas) sobre água para combater desafios como a subida do nível do mar e falta de espaço em terra. Numa lagoa com 200 hectares a 10 minutos de barco de Malé, capital das Maldivas, o plano prevê uma malha de estruturas flutuantes inspirada em corais que une habitação, comércio e serviços.</p>
<p>• Sustentabilidade e materiais: o conceito inclui design modular e urbano que favorece integração com o ambiente marinho, sistemas de energia renovável, gestão inteligente de água e resíduos e estruturas que promovem crescimento de corais sob as plataformas para apoiar a biodiversidade;</p>
<p>• Benefícios esperados: resposta inovadora às alterações climáticas, criação de habitações resilientes à subida do nível do mar e desenvolvimento urbano sustentável com baixa pegada carbónica.</p>
<h5><strong>SeaPod &#8211; Casas flutuantes inteligentes</strong></h5>
<p>O SeaPod é um conceito de casa flutuante modular desenvolvido para oferecer habitação inteligente directamente sobre o mar. Uma das prioridades foram as frequências electromagnéticas (EMF), emitidas por telemóveis e torres de telecomunicações: “Viver sobre a água reduz naturalmente a exposição à radiação electromagnética típica de zonas urbanas densas, e fomos ainda mais longe ao criar um sistema de casa inteligente de baixa emissão de EMF, para maior tranquilidade”, refere a Ocean Builders.</p>
<p>• Sustentabilidade e materiais: utiliza uma estrutura modular leve, grandes janelas panorâmicas e sistemas inteligentes que optimizam o consumo de água e energia, incluindo tecnologias de reciclagem e gestão inteligente do lar;</p>
<p>• Benefícios esperados: permitir uma vida flutuante mais sustentável e integrada com o ambiente marinho, com câmaras debaixo de água, que permitem uma experiência imersiva.</p>
<p>Fotografia de destaque: © Schoonschip</p><p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/serao-os-edificios-flutuantes-o-futuro-do-crescimento-urbano/">Serão os edifícios flutuantes o futuro do crescimento urbano?</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Science Gateway: Inovação em arquitectura sustentável no CERN</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/science-gateway-inovacao-em-arquitectura-sustentavel-no-cern/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 08:53:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[energia]]></category>
		<category><![CDATA[fotovoltaico]]></category>
		<category><![CDATA[pegada carbónica]]></category>
		<category><![CDATA[reabilitação energética]]></category>
		<category><![CDATA[solar]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=36167</guid>

					<description><![CDATA[<p>O Science Gateway do CERN é um novo centro educativo e de divulgação científica, projectado pelo arquitecto italiano Renzo Piano, que combina design arrojado e alta eficiência energética. Dividido em cinco módulos interligados, o Science Gateway usa recursos como energia solar e florestação para atingir a neutralidade de carbono, enquanto oferece laboratórios e exposições interactivas para visitantes de todas as idades.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/science-gateway-inovacao-em-arquitectura-sustentavel-no-cern/">Science Gateway: Inovação em arquitectura sustentável no CERN</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-2 wp-block-paragraph" style="font-size:14px;font-style:italic;font-weight:500;letter-spacing:0px"></p>


<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=163" target="_blank" rel="noopener">edição nº 163 da Edifícios e Energia</a> (Janeiro/Fevereiro 2026).</em></strong></p>
<p><strong>O Science Gateway do CERN é um novo centro educativo e de divulgação científica, projectado pelo arquitecto italiano Renzo Piano, que combina design arrojado e alta eficiência energética. Dividido em cinco módulos interligados, o Science Gateway usa recursos como energia solar e florestação para atingir a neutralidade de carbono, enquanto oferece laboratórios e exposições interactivas para visitantes de todas as idades.</strong></p>
<p>Situado em Genebra e construído inteiramente por donativos privados (cerca de 107 milhões de euros), este projecto pretende ser uma verdadeira “ponte” entre a ciência e o público em geral. “As exposições imersivas, actividades educativas práticas e os eventos públicos permitem que pessoas de todas as idades e origens entrem em contacto com as descobertas, a ciência e as tecnologias do CERN. O Science Gateway pretende ser um farol que inspire os jovens a seguir carreiras na área da ciência e da tecnologia”, referem Pauline Emery, engenheira e supervisora de construção, e François Briard, director de operações do Science Gateway.</p>
<p>Tudo começou em Janeiro de 2017, com a apresentação da visão do que seria o Science Gateway pela directora geral, Fabiola Gianotti: um novo centro de educação e divulgação.</p>
<p>As obras do centro iniciaram-se em Dezembro de 2020 com atenção ao “impacte ambiental”, até porque o projecto é descrito como um “manifesto ambiental e cultural”. Patrick Geeraert, líder do projecto do Science Gateway, explica-nos este manifesto: “É um local de intercâmbio cultural e científico, oferecendo exposições permanentes, peças de arte contemporânea e eventos públicos”, além de ter “uma central térmica que produz o aquecimento e o arrefecimento e painéis solares que geram a electricidade necessária para o funcionamento das instalações”. Foram ainda plantadas “cerca de 400 árvores, assim como mais de 13 mil pequenas plantas e arbustos.”</p>
<h5><strong>“A CONSTRUÇÃO PARECE FLUTUAR ACIMA DE UMA FLORESTA RECÉM-PLANTADA”</strong></h5>
<p>O CERN Science Gateway é composto por cinco blocos funcionais: espaços de exposição, laboratórios interactivos, um auditório de grandes dimensões, loja e restaurante. Todos estes módulos ficam unidos por uma ponte suspensa, elevando-se seis metros acima do solo. Esta ponte atravessa a via pública (Route de Meyrin) e faz a ligação entre diferentes espaços de exposição e salas de aula.</p>
<p>“O conceito arquitectónico foi desenvolvido harmonizando os seguintes elementos estruturais: betão, aço e vidro. Todos os elementos em contacto com o solo são feitos de betão claro, moldado no local. As lajes, terraços e paredes moldam a paisagem e o terreno, tirando partido dos níveis naturais existentes para criar um espaço e servir de base aos objectos de aço e vidro que compõem o Science Gateway”, referem Pauline e François.</p>
<p>Existem três pavilhões. No pavilhão norte localiza-se um auditório modular de 800 lugares, que dá espaço a conferências e eventos científicos, podendo ser dividido em três salas mais pequenas, além da área de recepção, loja e restaurante; no piso superior desse pavilhão estão dois grandes laboratórios totalmente equipados para receber grupos escolares para actividades experimentais. Esses laboratórios, com mobiliário flexível e instrumentos científicos de demonstração, estimulam a curiosidade dos alunos, incentivando a que estes possam ser os cientistas de amanhã. Este espaço é relevante para o centro, já que um dos objectivos é despertar o interesse dos mais jovens para os estudos STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Esta é uma forma de aproximar a ciência do público em geral, desconstruindo-a e tornando-a mais apelativa.</p>
<p>Entre o restaurante e o auditório há um anfiteatro natural ao ar livre, usado em eventos. O pavilhão central, com salas de aula e circulação vertical, conecta a ponte ao chão. O pavilhão sul é dedicado a exposições interactivas, promovendo a aprendizagem prática. Complementando esses recursos estão os ‘túneis’ — espaços elevados de exposição que evocam a experiência dos túneis aceleradores subterrâneos do CERN.</p>
<p>As galerias de exposição (que se encontram nos dois tubos) pretendem tornar tangíveis fenómenos complexos. Um dos tubos narra a história do CERN e pretende envolver os visitantes com aceleradores, detectores, aquisição de dados, entre outros; o outro divide-se numa viagem até às origens do universo (o Big Bang) e em questões abertas da física, que dão que pensar, como a matéria escura, energia escura e dimensões extras numa experiência imersiva. Estes espaços, com painéis informativos e experimentos de demonstração, exemplificam como um edifício pode abrigar ciência viva, tornando visíveis conceitos abstratos para o público em geral.</p>
<p>Estes tubos evocam os túneis aceleradores de partículas subterrâneos do CERN. “O aço, o vidro e o betão, juntamente com a leveza e a topografia existentes no local, combinam-se e são sustentados por uma grande cobertura de vidro solar. A ponte de vidro, suspensa por duas vigas de aço, funciona como ligação física e metafórica do projecto”. Esta ponte coberta de 220 metros liga transversalmente os pavilhões e tubos, permitindo uma circulação contínua pelo complexo. “A construção parece flutuar acima de uma floresta recém-plantada”, descreve Patrick.</p>
<p>“O aço forma a ‘pele’ dos edifícios. Os três pavilhões e os dois tubos são revestidos com painéis de aço, evocando a materialidade de muitas das máquinas utilizadas no CERN. Esta fachada confere aos edifícios uma certa pureza, com uma estética industrial. O aço constitui também toda a estrutura exterior. Perfis típicos (HEA, IPE) formam o esqueleto dos edifícios, totalmente expresso no exterior. Uma hierarquia entre os perfis ajuda a transmitir o sistema estrutural deste espaço-laboratório.”</p>
<h5><strong>PANDEMIA, GUERRA E GEOLOGIA: OS DESAFIOS</strong></h5>
<p>Além de a geologia do local não permitir que a energia geotérmica seja uma mais-valia para o projecto, outros desafios foram enfrentados.</p>
<p>Patrick Geeraert disse ao CERN que o primeiro problema com que se depararam foi que “o lado norte do Science Gateway, anteriormente um estacionamento temporário, ficava em terras agrícolas. Tivemos de reclassificar esse terreno para que pudesse ser autorizado a construir, o que é extremamente complicado em Genebra. O processo geralmente leva pelo menos 10 anos, se é que tem sucesso, e conseguimos fazer em um só. Obtivemos a licença de construção em Setembro de 2019 e iniciámos um processo de aquisição para a construção e para os cenógrafos relacionadas às exposições. Em Novembro de 2020, assinámos o contrato com as construtoras e elas começaram a erguer os edifícios no local no final de 2020”. Importa reforçar que 2020 foi um ano marcado pela pandemia, o que também afectou a construção. Além disso, “a invasão da Ucrânia contribuiu para um aumento adicional dos custos. O esforço contínuo de angariação de fundos revelou-se, por isso, determinante”, acrescenta Patrick.</p>
<h5><strong>SUSTENTABILIDADE ENERGÉTICA NUM ABRIR DE JANELAS E NÃO SÓ</strong></h5>
<p>Desde o início que a sustentabilidade é um factor crucial no Science Gateway. O edifício foi concebido para ter pegada de carbono zero e consegue atingi-lo devido à “utilização de painéis solares fotovoltaicos e bombas de calor (ar-água), em conjunto com a redução do aquecimento na ponte”. Além disso, “no Verão, a ponte é arrefecida sem recurso a sistemas técnicos, (neste caso ao ar condicionado), com a simples estratégia de abertura de janelas que permite a ventilação natural cruzada e a floresta recém-plantada ajuda a reduzir o efeito de ‘ilha de calor’. Por cima da ponte estão painéis fotovoltaicos, verdadeiros ´campos solares amplos`”, reforçando o compromisso do projecto com a sustentabilidade energética.</p>
<p>“Os painéis solares fotovoltaicos foram integrados no projecto do edifício desde as fases iniciais, proporcionando alguma sombra na praça entre o restaurante e o auditório”. Os três principais pavilhões contam com cerca de 3900 metros quadrados de painéis fotovoltaicos semitransparentes nos seus telhados, totalizando 500 kWp (quilowatt-pico) de capacidade instalada. Ao não serem opacos, permitem a passagem de luz natural. Esta área solar está projectada para produzir à volta de 500 MWh (megawatt-hora) de energia eléctrica por ano, energia suficiente para abastecer o Science Gateway, em especial as suas bombas de calor para aquecimento e refrigeração. Estima-se ainda que cerca de 40% da electricidade produzida ultrapasse o consumo interno e seja devolvida à rede geral do CERN. Assim, o excesso de energia eléctrica renovável apoia outras instalações do campus, reduzindo indirectamente as emissões de carbono.</p>
<p>Quanto à climatização, foram feitos alguns testes geológicos, uma vez que no plano inicial a energia geotérmica estava contemplada, mas devido à complexidade geológica do local (existência de bolsas de gás no subsolo), esta solução tornou-se inviável e obrigou a uma mudança de estratégia. Patrick explica que tanto o aquecimento quanto o arrefecimento são realizados por bombas de calor alimentadas pela rede eléctrica renovável do próprio edifício. Além disso, existem medidas operacionais que reduzem o consumo. Por exemplo, as luzes principais serão diminuídas ou desligadas durante a noite e a climatização segue critérios de eficiência.</p>
<p>Já no restaurante, irá minimizar-se o uso de materiais descartáveis (evitando plásticos de uso único). Estas estratégias de baixo consumo, combinadas com a energia renovável gerada no local, reforçam a neutralidade de carbono do novo centro científico.</p>
<h5><strong>“UMA FLORESTA SELVAGEM” NO CERN</strong></h5>
<p>Para ajudar a atenuar impactes ambientais, o Science Gateway está rodeado por uma autêntica floresta urbana. Foram plantadas mais de 400 árvores diversas, além de arbustos, perenes e prados de flores silvestres. Segundo Frédéric Magnin, responsável pela construção do Science Gateway, a plantação foi feita de forma gradual, garantindo que as árvores se adaptam bem ao novo solo. São onze espécies diferentes (de carvalhos e olmos a cerejeiras e pinheiros), escolhidas para “parecer uma floresta selvagem.”</p>
<p>A floresta trará benefícios concretos ao meio ambiente local. Espécies variadas criam diferentes nichos ecológicos, promovendo a biodiversidade – morcegos, pássaros e pequenos mamíferos poderão usar as copas e arbustos como habitat. As árvores ajudam a mitigar ilhas de calor urbano ao aumentar a evapotranspiração, refrescam o microclima, e o aumento do albedo (maior reflexão da luz solar) e reduz o aquecimento do solo. A longo prazo, a vegetação captura dióxido de carbono, contribuindo para compensar emissões globais. Desta forma, a floresta do Science Gateway não é apenas ornamental, ela faz parte da estratégia ambiental do projecto, integrando ciência e natureza em harmonia.</p>
<h5><strong>PROJECTOS FUTUROS: O EDIFÍCIO 777</strong></h5>
<p>De acordo com o Masterplan 2040 do CERN (publicado em 2021), há vários projectos pensados para o futuro, não esquecendo os edifícios já existentes. Por exemplo, o edifício principal (o Edifício 66) do CERN foi recentemente renovado.</p>
<p>Um novo edifício (o Edifício 777) está a nascer em Prévessin, França, e a sua conclusão está prevista para o quarto trimestre de 2027. Este edifício foi concebido para substituir instalações obsoletas e responder às necessidades crescentes do sector de Aceleradores, reunindo, num único volume, funções administrativas, laboratoriais e colaborativas.</p>
<p>Com uma área bruta interna aproximada de 14 200 metros quadrados, o 777 acolherá cerca de 530 postos de trabalho, 10 laboratórios técnicos, salas de reunião, espaços informais de colaboração e um restaurante central. O edifício destina-se maioritariamente ao sector de Aceleradores e Tecnologias, funcionando como um polo de interacção entre engenheiros, físicos e técnicos, num modelo de trabalho transversal e integrado.</p>
<p>Do ponto de vista construtivo, o Edifício 777 distingue-se pela utilização extensiva de madeira estrutural, assumida como elemento central da solução arquitectónica e estrutural. Esta opção visa reduzir a pegada de carbono associada aos materiais de construção, recorrendo a materiais biogénicos e a uma abordagem baseada na análise do ciclo de vida. A estrutura é complementada por soluções mistas que asseguram desempenho estrutural, flexibilidade espacial e durabilidade.</p>
<p>O edifício integra ainda sistemas técnicos de elevada eficiência energética, incluindo cerca de 650 metros<br />quadrados de painéis fotovoltaicos na cobertura, soluções de iluminação natural através de grandes vãos e um átrio central de pé-direito elevado, que favorece a distribuição de luz e a ventilação. O projecto ambiciona obter certificação ambiental BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method), reflectindo o compromisso do CERN com edifícios de baixo consumo energético e operação sustentável.</p>
<p>O Edifício 777 constitui, assim, um exemplo de como a infraestrutura científica pode alinhar exigências técnicas rigorosas com soluções construtivas inovadoras e objectivos ambientais claros, reforçando o papel dos edifícios como instrumentos activos da transição energética e da sustentabilidade institucional.</p>
<h5><strong>MAIS DO QUE UM EDIFÍCIO</strong></h5>
<p>O Science Gateway surge como uma infraestrutura científica do CERN que consegue combinar com sucesso o rigor técnico e preocupação ambiental. O edifício é ao mesmo tempo inovador e funcional: integra laboratórios e áreas públicas de forma harmoniosa, enquanto tem a sustentabilidade ambiental e pegada ecológica neutra como foco. A vasta floresta é a prova de que as construções de grande escala podem ser sustentáveis e envolver-se com o meio que a rodeia.</p>
<p>Aliás, “o Masterplan 2040 estabelece um enquadramento para as infraestruturas, a mobilidade, a protecção ambiental e o desenvolvimento paisagístico. Muitos dos seus resultados já são visíveis no campus: novos edifícios e espaços exteriores, a renovação de marcos emblemáticos e melhorias que beneficiam colaboradores e visitantes”, referem Pauline Emery e François Briard. “O plano demonstra que não são apenas os edifícios que contribuem para a sustentabilidade, mas também as iniciativas de mobilidade, os corredores de biodiversidade, as bacias de retenção de águas pluviais e um planeamento paisagístico cuidadoso.”</p>
<p>O novo centro do CERN exemplifica, assim, como a arquitectura moderna pode educar e inspirar, servindo de montra para práticas construtivas energeticamente eficientes e sensibilizando o público para a intersecção entre ciência e meio ambiente.</p>
<p>Fotografia de destaque: © <strong>CERN</strong></p><p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/science-gateway-inovacao-em-arquitectura-sustentavel-no-cern/">Science Gateway: Inovação em arquitectura sustentável no CERN</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Benidorm como um laboratório de reabilitação energética</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/benidorm-como-um-laboratorio-de-reabilitacao-energetica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 08:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Benidorm]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[energia]]></category>
		<category><![CDATA[fotovoltaico]]></category>
		<category><![CDATA[pegada carbónica]]></category>
		<category><![CDATA[reabilitação energética]]></category>
		<category><![CDATA[solar]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=34585</guid>

					<description><![CDATA[<p>Benidorm, conhecida pela sua marcante verticalidade urbana e pela intensa exposição solar, transformou-se num terreno fértil para implementar estratégias de reabilitação.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/benidorm-como-um-laboratorio-de-reabilitacao-energetica/">Benidorm como um laboratório de reabilitação energética</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=162" target="_blank" rel="noopener">edição nº 162 da Edifícios e Energia</a> (Novembro/Dezembro 2025).</em></strong></p>
<p><strong>Benidorm, conhecida pela sua marcante verticalidade urbana e pela intensa exposição solar, transformou-se num terreno fértil para implementar estratégias de reabilitação.</strong></p>
<p>Duas torres, com vista privilegiada e a dois quilómetros da praia, foram o local escolhido para um projecto inovador: reabilitar através de sistemas solares fotovoltaicos. José Carlos Antón, director da Solar Earth Innovación y Tecnología SES, S.L., explica que a empresa “impulsiona soluções fotovoltaicas integradas à construção (BIPV), hidrogénio verde e gestão energética inteligente (Synaptia)” e acrescenta que “o objectivo principal é converter a envolvente arquitectónica num activo que produz energia eléctrica, reduz custos e melhora as métricas ESG (Ambiental, Social, Governação, em português) do edifício.”</p>
<p>O projecto insere-se no Plano Benidorm Visão 360, cujos eixos de actuação são a sustentabilidade, digitalização e competitividade. Em 2025, Benidorm venceu o prémio “Pioneiro Europeu Verde de Turismo Inteligente”, equivalente ao prémio “Capital Europeia do Turismo Inteligente”, mas para destinos mais pequenos e sustentáveis.</p>
<h4><strong>BENIDORM COMO “A 2.ª ÁREA URBANA MAIS DENSA EM ARRANHA-CÉUS DO MUNDO”</strong></h4>
<p>A escolha de Benidorm não foi por acaso. A cidade destaca-se por ter uma elevada concentração de edifícios em altura raramente vista na Europa, o que se traduz num perfil urbano com ainda mais área de fachada disponível por habitante. Mais fachada significa, portanto, mais exposição solar. Benidorm “é a segunda área urbana mais densa em arranha-céus do mundo, apenas atrás de Nova Iorque. Era o local ideal para demonstrar que a envolvente pode gerar energia limpa, melhorar o conforto e projectar uma imagem de cidade inovadora e sustentável”. Esta observação de José Carlos Antón justifica a escolha de um local onde a multiplicidade de superfície de fachada e a intensidade de radiação solar criam um saldo potencialmente favorável entre investimento e rendimento energético.</p>
<p>A selecção das torres Club Médico VI e VII, de 17 andares, com 100 habitações cada, obedeceu a critérios técnicos e de oportunidade. Foram escolhidas por três razões, tal como explica o director da Solar Earth: “viabilidade técnica (duas torres gémeas com orientações favoráveis e superfícies contínuas), vontade de reabilitação por parte da comunidade (momento perfeito para integrar BIPV) e potencial de replicação (mesma tipologia e gestão coordenada para escalar com rapidez).”</p>
<h4><strong>INOVAR SEM DEMOLIR</strong></h4>
<p>Tecnicamente, a intervenção consiste na colocação, sobre a envolvente existente, de “uma segunda `pele´ de vidro fotovoltaico arquitectónico, integrada num sistema de fachada ventilada e ancorada a uma subestrutura certificada e patenteada”. Além disso, “a intervenção é não invasiva: não se demolem nem se substituem os acabamentos e executa-se superfície a superfície, mantendo a operacionalidade do edifício”. Isto evidencia o enfoque de mínima intrusão, ou seja, a obra realiza-se por painéis, permitindo a continuidade de ocupação e reduzindo o impacto sobre os moradores durante a execução.</p>
<p>Os vidros fotovoltaicos utilizam a mesma tecnologia das tradicionais placas fotovoltaicas, no entanto, conferem uma estética mais agradável ao edifício, já que são transparentes ou semitransparentes. Assim, é possível cruzar design, funcionalidade e inovação. Os vidros utilizados neste projecto são “vidros temperados ou laminados, com células de silício cristalino encapsuladas entre lâminas de segurança, acabamento antirreflexo e, quando necessário, serigrafias cerâmicas” que respondem a exigências estéticas, como explica José. “A energia ´conduz-se` por canalizações protegidas até aos equipamentos de conversão e monitorização para o seu autoconsumo no edifício. Seleccionamos o tipo de célula e o grau de transparência superfície a superfície para equilibrar o desempenho e a homogeneidade estética. O sistema está certificado para uso em fachada e desenhado com critérios de durabilidade”. Desta forma, verifica-se a preocupação simultânea com o desempenho fotovoltaico, requisito construtivo e homogeneidade estética, elementos críticos em BIPV.</p>
<h4><strong>VIDROS FOTOVOLTAICOS COMO APOSTA GANHA</strong></h4>
<p>Comparada com painéis solares tradicionais, a solução BIPV em vidro traz vantagens claras, tanto funcionais como normativas. José Carlos Antón destaca que a abordagem “aproveita grandes superfícies de fachada, gera de forma mais estável ao longo do ano e reduz a procura de climatização. Além disso, não é um `painel´ adaptado, mas sim um material de fachada homologado: vidro temperado/ laminado com ensaios de resistência, impacto e durabilidade”. Segundo o director da Solar Earth, este produto está em conformidade com as normas europeias (marcação CE) como produto de construção (CPR &#8211; Regulamento de Produtos para a Construção, em português) e reacção ao fogo conforme a EN 13501-1. Quanto à parte fotovoltaica, cumpre a IEC 61215/61730, que se focam, respectivamente, na qualificação do design e performance, e na segurança eléctrica e mecânica da construção. Cumpre também a normativa específica IEC 63092 para BIPV, com documentação técnica e manutenção previstas para as envolventes do edifício. Além da produção energética, o vidro BIPV integra requisitos de segurança e certificação típicos de materiais de fachada, o que o distingue de um módulo fotovoltaico convencional fixado em cobertura.</p>
<p>As torres Club Médico VI e VII terão fachadas ventiladas de vidro fotovoltaico no total de cerca de 1200 metros quadrados integrados, além de pequenas instalações solares em coberturas e marquises. Serão ainda instaladas 688 unidades de vidro fotovoltaico, perfazendo cerca de 203 kWp (quilowatt-pico) de potência.</p>
<h4><strong>DESAFIOS EM ALTURA</strong></h4>
<p>Num projecto desta dimensão, a trabalhar em arranha-céus, há desafios técnicos inerentes ao trabalho, como a altura e o vento. José Carlos Antón ainda acrescenta a “integração eléctrica segura e estética de conjunto”, como outro desafio. “Resolveu-se com cálculo estrutural específico, rotas protegidas e uma engenharia por superfícies que cuida de alinhamentos e acabamentos”. Assim, verifica-se que o projecto acaba por trabalhar em três frentes: redimensionamento estrutural face às cargas de vento em altura, rotas seguras para a cablagem e uma engenharia por painéis que assegura alinhamentos e acabamentos, medidas essenciais para fiabilizar intervenções em fachadas expostas a condições marítimas e dinâmicas de pressão aerodinâmica”, o que é o caso destes edifícios que se encontram junto à orla costeira.</p>
<p>O director da Solar Earth, com anos de experiência na área, recorda que é importante analisar caso a caso. “Cada edifício é único, por isso, desenhamos soluções personalizadas e à medida, acautelando o detalhe estético, construtivo e operacional de cada secção ou superfície.”</p>
<h4><strong>“RENDIMENTOS PASSIVOS PARA A COMUNIDADE DURANTE 35 ANOS”</strong></h4>
<p>Os benefícios a curto e longo prazo são claros. Comparando com os painéis tradicionais, estes não necessitam de espaço adicional para serem colocados e confundem-se até com a estética do edifício, reduzem o consumo energético dos edifícios, melhoram o conforto térmico e acústico e, apesar do investimento inicial, a factura energética a pagar no final do mês pode trazer poupanças bem-vindas. “Este é considerado o único material de construção que é autossustentável, graças à poupança energética que vai alcançando ao longo dos anos. Consegue-se ter rendimentos passivos para a comunidade durante mais de 35 anos”, refere. O investimento em envolvente BIPV é aqui posicionado não apenas como custo de reabilitação, mas como activo gerador de rendimento ao longo de décadas.</p>
<p>O isolamento térmico e acústico das fachadas ventiladas reforça o conforto interior e protege contra intempéries. Como se trata de 100% de opacidade, as fachadas funcionam como `pele´ geradora de energia limpa, reduzindo ganhos de calor no verão e perdas térmicas no inverno. Este isolamento natural diminui cargas de ar condicionado e contribui para economia adicional de energia.</p>
<p>As estimativas de produção e de poupança colocam o projecto em patamares relevantes para a escala de um condomínio vertical. “Estimamos uma produção anual em torno dos 190 000 kWh (quilowatt-hora) e uma diminuição de 10 a 20% da procura de climatização nas fachadas tratadas. Estes números combinados traduzem reduções significativas na factura energética e na pegada carbónica do edifício”.</p>
<p>Quanto ao impacte energético e ambiental global, o projecto aponta para reduções substanciais: “A combinação de geração própria e menor necessidade de climatização reduz de forma directa o consumo eléctrico do edifício. Em termos de pegada ambiental, falamos da ordem das 45 a 60 toneladas de dióxido de carbono evitadas por ano, e quanto a consumos poder-se-iam atingir reduções de até 35% da procura energética das habitações.”</p>
<p>A energia gerada será orientada para o autoconsumo do próprio edifício, como zonas comuns, elevadores, climatização/ventilação e sistemas de aquecimento de águas. E acrescenta que, “quando aplicável, procede-se ao repartimento entre os vizinhos e à compensação de excedentes segundo a normativa em vigor”. Este é também um ponto crucial, que contribuiu para a aceitação comunitária do projecto. Os moradores veem, assim, mais benefícios directos.</p>
<h4><strong>POSSIBILIDADE DE REPLICAR O MODELO EM OUTROS EDIFÍCIOS</strong></h4>
<p>No plano regulamentar e de alinhamento com políticas energéticas, a intervenção enquadra-se nas directivas e metas europeias: “Alinha-se com o activo com a EPBD/ CTE (Directiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios/Código Técnico de Edificação Espanhol) e os objectivos ‘Fit for 55’, facilitando a elegibilidade na Taxonomia da União Europeia (UE) e abre a porta a certificações como LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) ou BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method)”. O Objectivo 55 (Fit for 55, em inglês) integra um conjunto de leis destinadas a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa da UE em, pelo menos, 55% até 2030. O objectivo final é fazer com que a UE alcance a neutralidade carbónica em 2050. Quando questionado sobre a replicabilidade deste projecto inovador na Europa, a resposta é perentória: “Sim, claro. A metodologia por secções permite adaptar densidade, transparência e acabamentos a cada tipologia (residencial, hoteleira, escritórios) e orientar a produção para as horas de maior consumo e requisitos específicos.”</p>
<p>Do ponto de vista urbano, a aplicação de fachadas solares em contextos densos tem efeitos positivos que ultrapassam o edifício em si, uma vez que contribui para a redução da carga térmica urbana e contribui para mitigar ilhas de calor (pode chegar a diminuir 2 a 3 °C), diminui picos de procura na rede eléctrica local, potenciando, desta forma, a resiliência energética da cidade. A ambição de transformar fachadas em activos produtivos articula-se com estratégias municipais e regionais de descarbonização, e a experiência de Benidorm pode servir como referência para programas de reabilitação integrados que combinem eficiência, produção renovável e qualidade urbana. A modernização destas torres ilustra um passo concreto na meta de reabilitar energeticamente 1,2 milhões de habitações em Espanha até 2030, conforme a directiva 2018/844/EU.</p>
<p>Para que o projecto atinja os resultados prometidos, a monitorização e a validação operativa serão decisivas. José admite que as magnitudes são estimativas de engenharia “sujeitas a verificação final e monitorização”, e a recolha de dados em serviço permitirá validar os modelos, optimizar estratégias de operação e calibrar os modelos financeiros que sustentem a replicabilidade. A conjugação com armazenamento local, bombas de calor e gestão inteligente potencia o aproveitamento de excedentes e a redução de consumo em horas críticas, cenários que fazem parte do horizonte de desenvolvimento de soluções integradas.</p>
<p>A intervenção nas torres Club Médico VI e VII cristaliza uma visão clara: a envolvente deixa de ser apenas elemento passivo de protecção e passa a “ser um activo” que gera energia, reduz custos e melhora o conforto. Como resume o director da Solar Earth, “a envolvente deixa de ser um custo para se converter num activo: gera energia, melhora o conforto e comunica compromisso ambiental. Essa é a nova arquitectura: eficiente, bela e produtiva”.</p>
<p>O projecto recebeu apoio público institucional, com contribuições do Ministério espanhol de Habitação e da Generalitat Valenciana, através de fundos Next Generation EU, com um subsídio de cerca de dois milhões de euros para reabilitação energética. Esse financiamento cobre até 80% do investimento em tecnologias BIPV no âmbito do plano de recuperação europeu. Prevê-se que o projecto esteja concluído em Junho de 2026.</p>
<p>Benidorm poderá servir de exemplo para outras cidades mediterrânicas com tipologias semelhantes, demonstrando que a arquitectura tecnológica é um vector tangível para a construção sustentável do futuro.</p>
<p>Fotografia de destaque: © Solar Earth Innovación y Tecnología SES, S.L.</p><p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/benidorm-como-um-laboratorio-de-reabilitacao-energetica/">Benidorm como um laboratório de reabilitação energética</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>REN+HOMES: Tecnologia, sustentabilidade e envolvimento comunitário</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/renhomes-tecnologia-sustentabilidade-e-envolvimento-comunitario/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Dec 2025 08:30:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[eficiência energética]]></category>
		<category><![CDATA[energia]]></category>
		<category><![CDATA[inovação]]></category>
		<category><![CDATA[REN+HOMES]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=34048</guid>

					<description><![CDATA[<p>Sendo que a taxa de renovação do parque edificado é baixa, é urgente desenvolver estratégias que permitam transformar aquilo que se constrói, integrando princípios de eficiência energética, sustentabilidade e inclusão social. É com esta ambição que nasce o projecto REN+HOMES [Resilient Energy Plus Homes], uma iniciativa liderada por um consórcio composto por 23 parceiros de dez países europeus.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/renhomes-tecnologia-sustentabilidade-e-envolvimento-comunitario/">REN+HOMES: Tecnologia, sustentabilidade e envolvimento comunitário</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=161" target="_blank" rel="noopener">edição nº 161 da Edifícios e Energia</a> (Setembro/Outubro 2025).</em></strong></p>
<p>O sector da construção é responsável por uma parte significativa do consumo de energia e das emissões de gases com efeito de estufa na Europa. De acordo com dados da Comissão Europeia, os edifícios representam cerca de 40% do consumo energético total da União Europeia e são responsáveis por 36% das emissões de dióxido de carbono. Sendo que a taxa de renovação do parque edificado é baixa, é urgente desenvolver estratégias que permitam transformar aquilo que se constrói, integrando princípios de eficiência energética, sustentabilidade e inclusão social.</p>
<p>É com esta ambição que nasce o projecto REN+HOMES [Resilient Energy Plus Homes], uma iniciativa financiada pelo programa Horizonte Europa e liderada por um consórcio composto por 23 parceiros de dez países europeus. Para dar o mote, foram escolhidos quatro países da Europa, com características diferentes. Áustria, Espanha, Estónia e Roménia integram soluções adaptadas ao seu país, com propósitos específicos, mas com os mesmos objectivos: começar a preparar as cidades para um futuro mais sustentável. O próximo passo é expandir estas ideias para que outros locais possam seguir as pisadas inovadoras do projecto, colocando os edifícios no cerne daquilo que podemos começar a melhorar hoje para prepararmos e construirmos cidades mais resilientes.</p>
<p>Sob a coordenação técnica de Margherita Fabbri, engenheira civil e gerente de projectos na RINA Consulting, a iniciativa propõe uma abordagem integrada e inovadora à construção e renovação de edifícios residenciais. O “objectivo é replicar os resultados o máximo possível, integrá-los no mercado e ajudar os fornecedores de tecnologias e as construtoras na Europa a renovar e construir novos prédios, que sejam prédios de energia positiva. Temos de pensar em casas que vão além da eficiência energética para produzir energia renovável activamente, incorporar princípios de construção circular e envolver os residentes neste processo”, explica.</p>
<h4><strong>QUATRO PAÍSES, QUATRO PROJECTOS-PILOTO, MÚLTIPLOS DESAFIOS</strong></h4>
<p>O REN+HOMES não se limita à teoria. Está a ser testado em quatro locais de demonstração na Europa: Innsbruck (Áustria), Barcelona (Espanha), Tallinn (Estónia) e Cluj-Napoca (Roménia). Estes locais foram escolhidos por representarem diferentes contextos climáticos, sociais e regulamentares. Cada um deles aplica soluções distintas e inovadoras.</p>
<p>Em Innsbruck, está a ser construído um edifício novo com um sistema avançado de armazenamento de hidrogénio e gestão de águas pluviais. O edifício está a ser construído para ter certificação da metodologia CPEH, produtos e materiais circulares, ou seja, um sistema de recuperação de calor de águas residuais, betão reciclado e lã mineral para fachadas, gestão do edifício com automatização, através de sistema (BAM-OS) para produção, armazenamento e reconversão de hidrogénio, elevada energia solar no inverno e protecção solar passiva.</p>
<p>Em Barcelona, o foco está numa fachada fotovoltaica integrada e na monitorização inteligente, através de sensores IoT em áreas de baixa potência. Este edifício “é construído com um sistema industrializado inovador que atende aos padrões PassivHaus, baseado em painéis pré fabricados com alta quantidade de materiais reciclados (30%). É 100% eléctrico graças às bombas de calor aerotérmicas e fotovoltaicas e utiliza tecnologias de gestão inteligentes.”</p>
<p>Em Tallinn, decorre uma renovação profunda com componentes de construção industrializados e tecnologias solares pré-fabricadas. Esta renovação acontece na residência estudantil da Universidade de Tecnologia de Tallinn e edifícios residenciais, usando uma nova parede verde pré-fabricada, painel de fachada BIPV e outros sistemas técnicos.</p>
<p>Já em Cluj-Napoca, a intervenção, realizada também em residências universitárias, aposta em paredes geotermais e em módulos fotovoltaicos reciclados. Aqui, existe um intercâmbio distrital de energia, isto é, exportação e partilha do excedente de electricidade entre os restantes edifícios.</p>
<p>Esta diversidade de contextos permite ao projecto testar soluções em realidades distintas, contribuindo para a sua replicação futura, precisamente adaptável a diversos contextos. Por exemplo, o REN+HOMES vai desenvolver uma nova versão do sistema de Energia Primária Renovável [PER], que distingue dois climas: COLD (clima subártico continental) e WARM (clima subtropical húmido), respectivamente testados na Áustria e em Espanha.</p>
<p>Cada cidade enfrentou também desafios diferentes, tendo em conta as suas características. No entanto, a adaptação das novas tecnologias aos códigos de construção locais e a obtenção das licenças necessárias foram apontadas como os principais entraves à execução das obras. “Na Áustria, por exemplo, foi particularmente difícil obter as permissões para instalar o sistema de armazenamento de hidrogénio, devido às preocupações com a segurança e saúde”, explica Margherita Fabbri. Apesar disso, as semelhanças entre os sistemas regulatórios europeus têm permitido encontrar soluções comuns, com alguma margem de adaptação.</p>
<h4><strong>TECNOLOGIAS INOVADORAS E FERRAMENTAS DIGITAIS AO SERVIÇO DA SUSTENTABILIDADE E DA COMUNIDADE</strong></h4>
<p>O projecto incorpora um total de 23 soluções inovadoras, das quais nove são tecnologias físicas, sete são ferramentas digitais e sete são metodologias replicáveis. Entre as tecnologias destacam-se: os elementos pré-fabricados com materiais reciclados, que permitem acelerar os tempos de construção e reduzir os resíduos; o armazenamento de hidrogénio, que proporciona autonomia energética; e os sistemas geotérmicos e fotovoltaicos integrados. As ferramentas digitais incluem simuladores de desempenho energético e plataformas de planeamento de renovação com avaliação do ciclo de vida. Estas soluções são aplicadas em conjunto com metodologias que promovem a replicabilidade e adaptação a diferentes realidades europeias. Para Luisa de Amicis, da ICONS, o parceiro de comunicação deste projecto, “a principal vantagem é conseguir reduzir as emissões, diminuir os custos operacionais, acelerar os prazos de construção através da prefabricação e, ao mesmo tempo, aumentar a satisfação dos utilizadores graças aos processos participativos de co-design.”</p>
<p>Um dos aspectos mais diferenciadores do REN+HOMES é o forte envolvimento da comunidade. Em cada país, foram criadas Associações Nacionais de Utilizadores que integram os moradores dos edifícios dos projectos-piloto, permitindo recolher dados sobre os seus comportamentos antes e depois das intervenções. A par disso, foi também constituída uma Associação Internacional de especialistas europeus, cuja função é avaliar criticamente as soluções testadas e fornecer recomendações ao longo do desenvolvimento do projecto. Está também em curso a criação de programas de formação dirigidos a técnicos e organizações locais, identificados através de um registo de entidades interessadas, com o objectivo de garantir a disseminação das metodologias. Como explica Luisa de Amicis, “não estamos a tentar envolver cidadãos de forma genérica, mas sim a trabalhar com organizações que funcionem como multiplicadores de conhecimento e boas práticas.”</p>
<p>O objectivo é que o projecto também consiga desenvolver a metodologia Circular Plus Energy Homes, tal como refere Luisa: “Queremos construir casas que vão além da eficiência energética. Queremos uma casa que produza energia renovável activamente, que incorpore princípios de construção circular. Queremos também envolver os moradores no desenho e uso destas casas”. Ao existir esta articulação tão directa, existe maior probabilidade de a mensagem se propagar, fazendo com que o próprio projecto continue a crescer, inspirando outras zonas da cidade a serem mais sustentáveis.</p>
<h4><strong>ENTRE O PROTÓTIPO E O MERCADO: ACESSIBILIDADE E REPLICAÇÃO COMO PRIORIDADE</strong></h4>
<p>A acessibilidade económica e a replicação em larga escala são também pilares do projecto. Embora algumas das tecnologias ainda tenham custos elevados, há sinais promissores. Em Barcelona, por exemplo, os edifícios em construção já estavam praticamente vendidos antes de serem concluídos, demonstrando que existe uma procura crescente por habitações com preocupações ambientais e conforto acrescido. “Apesar de ainda não serem muito acessíveis, a procura é elevada, o que mostra que a sociedade está sensibilizada e disposta a investir em edifícios de energia positiva”, refere Luisa.</p>
<p>No entanto, os obstáculos para massificar estas soluções são substanciais. Desde logo, é necessária uma colaboração estreita com as autoridades públicas. Para Margherita Fabbri, “sem um caminho claro por parte das autoridades e sem incentivos acessíveis para os promotores, proprietários e fornecedores de tecnologia, não será possível replicar estas inovações em grande escala, não conseguimos fazer isso sozinhos”. A criação de incentivos fiscais, linhas de apoio à renovação e regulamentações flexíveis para tecnologias inovadoras será, então, determinante para a replicabilidade do projecto. Luisa de Amicis acrescenta: “Temos um ponto específico no projecto em que queremos colaborar com outras iniciativas para fortalecer a nossa voz, para que a nossa mensagem possa chegar a diferentes decisores políticos a vários níveis, do local ao internacional.”</p>
<p>Além disto, outra dificuldade está relacionada com a complexidade da renovação do património histórico, presente em grande parte do parque edificado europeu. “Quase todos os países europeus têm um grande número de edifícios, que estão protegidos por normas arquitectónicas e culturais. As intervenções nestes edifícios têm de ser minimamente invasivas, reversíveis e tecnicamente adequadas ao seu valor patrimonial”, refere Margherita Fabbri. Embora o projecto não actue directamente neste segmento, as soluções modulares e pré-fabricadas desenvolvidas podem, no futuro, vir a ser adaptadas a edifícios classificados.</p>
<p>O impacto do projecto estende-se também ao planeamento urbano. As casas de energia positiva testadas no REN+HOMES abrem caminho à criação de comunidades energéticas, onde a energia excedente de uma habitação pode ser utilizada para abastecer escolas, postos de carregamento de veículos eléctricos ou serviços partilhados, criando um ecossistema energético local, autossuficiente e colaborativo. Quando perguntamos se Luisa considera que os edifícios de energia positiva serão o futuro das cidades, a resposta é simples: “Devem ser, porque é a única forma de fazer a transição para um futuro climático neutro.”</p>
<p>“As cidades do futuro devem ser compostas por edifícios que produzem energia, formando distritos de energia positiva. Isto permitirá integrar as casas numa rede urbana resiliente e sustentável”, aponta Luisa de Amicis. “Já estamos a trabalhar numa lógica de transição do prédio para a cidade.”</p>
<h4><strong>CIDADES DO FUTURO: ENERGIA POSITIVA, SUSTENTABILIDADE E COMUNIDADES RESILIENTES</strong></h4>
<p>A longo prazo, o objectivo é que as tecnologias desenvolvidas atinjam o nível tecnológico 8 numa escala de 1 a 10, ficando assim muito próximas da entrada no mercado. O projecto visa não apenas a execução local, mas a criação de modelos replicáveis noutros países e contextos, contribuindo para a transformação estrutural do sector da construção. “Estamos a tentar democratizar o acesso à energia e à construção eficiente, criando novas opções que possam transformar o mercado e tornar as cidades mais resilientes”, afirma Luisa.</p>
<p>O REN+HOMES é, por isso, mais do que um projecto técnico. É uma proposta concreta de transição energética no sector da construção, que alia inovação tecnológica, participação social e sustentabilidade ambiental. Em linha com a missão da União Europeia para a neutralidade climática e as metas de renovação urbana, o projecto mostra que é possível transformar o parque edificado europeu de forma integrada, equitativa e eficaz.</p>
<p>“Temos de alcançar a neutralidade do clima em 2050. Temos poucos anos para o conseguir e muito trabalho pela frente”, reforça Luisa, que olha para profissões relacionadas com a sustentabilidade das cidades como cruciais – “é importante criar novas oportunidades, explorar novas metodologias para ajudar as cidades a serem mais sustentáveis, porque este é um problema urgente.”</p>
<p>Este projecto constitui-se como uma peça-chave no esforço europeu para alcançar cidades mais sustentáveis, eficientes e inclusivas. O seu legado, contudo, dependerá da capacidade de as políticas públicas acompanharem a inovação técnica e criarem as condições para que estas soluções cheguem ao mercado e aos cidadãos.</p>
<p>Fotografia de destaque: © Adobe Stock</p><p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/renhomes-tecnologia-sustentabilidade-e-envolvimento-comunitario/">REN+HOMES: Tecnologia, sustentabilidade e envolvimento comunitário</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Geotermia em Chaves: O projecto inovador que veio dinamizar uma região</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/geotermia-em-chaves-o-projecto-inovador-que-veio-dinamizar-uma-regiao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Dec 2025 10:20:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Chaves]]></category>
		<category><![CDATA[energia geotérmica]]></category>
		<category><![CDATA[geotermia]]></category>
		<category><![CDATA[potencial geotérmico]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=33928</guid>

					<description><![CDATA[<p>O potencial geotérmico em Portugal continental é limitado, mas Chaves destaca-se por ser uma cidade pioneira na exploração geotérmica no país.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/geotermia-em-chaves-o-projecto-inovador-que-veio-dinamizar-uma-regiao/">Geotermia em Chaves: O projecto inovador que veio dinamizar uma região</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=161" target="_blank" rel="noopener">edição nº 161 da Edifícios e Energia</a> (Setembro/Outubro 2025).</em></strong></p>
<p>O potencial geotérmico em Portugal continental é limitado, mas Chaves destaca-se por ser uma cidade pioneira na exploração geotérmica no país.</p>
<p>A energia geotérmica é classificada conforme a entalpia do recurso térmico (temperatura) e o modo de exploração. Existem três tipos de sistemas: baixa entalpia (até cerca de 100 °C), média entalpia (entre os 100 e 150 °C) e alta entalpia (mais de 150 °C). O caso de Chaves é de baixa entalpia, ou seja, recorre-se a bombas de calor geotérmicas (Ground Source Heat Pump – GSHP), instaladas a poucos metros de profundidade, que transferem calor do subsolo para aquecer edifícios (ou arrefecer no Verão) por meio de um fluido em circuito fechado.</p>
<p>A construção desta nova rede no interior do país começou em 2021, embora já nos anos 80 se tivesse verificado a utilização de energia geotérmica em edifícios. A solução diferenciadora está na utilização de permutadores de calor: a água termal passa apenas pelos permutadores, cede calor a um circuito de água de rede em circuito fechado, e só depois é arrefecida e consumida no balneário e no complexo de piscinas termal. A previsão original de 24 edifícios ligados à rede de calor mantém-se, apesar de, até agora, só estarem seis ligados à rede e a funcionar na totalidade.</p>
<p>A rede urbana geotérmica cobre cerca de 2,6 km de tubagens na cidade, fornecendo aquecimento 100% limpo e renovável. Apesar de atrasos causados pela pandemia da Covid-19, em 2020, e pela descoberta de achados arqueológicos, o sistema está agora operacional e em fase de contratação dos consumidores.</p>
<p>Este longo percurso, desde a década de 80 até 2025, consolidou Chaves como um caso de referência no aproveitamento geotérmico urbano.</p>
<h4><strong>O PODER DA GEOTERMIA EM CHAVES</strong></h4>
<p>A rede urbana de Chaves integra as captações termais existentes e vários edifícios públicos e privados no centro histórico. A água termal é captada a 76 °C e conduzida a permutadores térmicos numa central de produção. Joaquim Esteves, da Câmara Municipal de Chaves e engenheiro mecânico, explica que “o elemento diferenciador foram os permutadores, porque a água termal só chega até aí”. Assim, o calor é transferido para a rede de aquecimento urbano, preservando a termalidade das águas para uso balnear. A água volta depois à fonte térmica a cerca de 64 °C, fazendo com que o sistema consuma apenas a diferença térmica necessária.</p>
<p>O caudal de água disponível é de cerca de 15,6 metros cúbicos/hora, aproveitado ao máximo pelos permutadores na central geotérmica. A infraestrutura do sistema inclui um software de gestão avançado, que recolhe dados em tempo real sobre consumos, potências e temperaturas. “Temos um software espectacular que nos vai dar todos os dados, todos os consumos, todos os valores”. Cada edifício ligado surge identificado e monitorizado: o sistema mostra o setpoint de potência autorizado e a percentagem de ocupação, bem como a disponibilidade energética (por exemplo, o balneário termal dispõe de 350 kW (Kilowatt) e consome 86 kW, neste momento). A rede total dispõe de cerca de 3,3 MW (Megawatt) térmicos de capacidade (potência térmica dos furos), valor que atende confortavelmente à actual procura.</p>
<p>A operação diária faz-se por gestão automática. Em cada edifício há válvulas de controlo que podem fechar progressivamente a distribuição, caso a carga total exceda a capacidade. De acordo com o engenheiro mecânico da Câmara Municipal de Chaves, “já está gerada a fórmula de gestão de picos no Inverno”: quando o consumo ultrapassa a oferta, todos os consumidores vão perdendo, de forma gradual, o acesso (primeiro a 5%, depois a 10% e assim sucessivamente) para equilibrar a rede. Esse algoritmo de controlo já está implementado no software e apenas entraria em acção durante o Inverno em situações extremas.</p>
<p>Em conjunto, a rede de calor de Chaves funciona como uma enorme instalação central de aquecimento, alimentando os edifícios (hotéis, escolas, museus, serviços públicos) com água quente. Todos eles estão equipados com permutadores secundários individuais (já concluídos a 100% nos 24 edifícios), de modo que cada edifício receba apenas a água da rede (não termal), usando-a nos “radiadores, ventiloconvectores ou unidades de tratamento de ar, as chamadas UTAMs, não funcionam em sistemas de ar-condicionado”.</p>
<p><strong>Características principais (redes e sistemas):</strong></p>
<p><strong>Comprimento da rede:</strong> aproximadamente 2,6 km de condutas enterradas;</p>
<p><strong>Temperaturas de serviço:</strong> cerca de 76 °C de fonte termal e, aproximadamente, 65 °C na rede de consumo;</p>
<p><strong>Caudal termal:</strong> 15,6 m³/h (proveniente das captações termais);</p>
<p><strong>Potência térmica total das captações:</strong> aproximadamente 3,3 MW;</p>
<p><strong>Gestão e contagem:</strong> software SCADA com medição de caudal e temperaturas, implantação de contadores de entalpia nos edifícios (para facturação).</p>
<p>O projecto sofreu alguns atrasos, mas aquilo que encontraram valeu a pena: achados arqueológicos. O engenheiro relembra também que, há uns anos, durante a construção de um parque de estacionamento se encontrou termas milenares, “um achado a nível mundial, devido à volumetria e conservação &#8211; um complexo de duas piscinas, zonas de hidromassagem, zonas de águas limpas, zonas de águas sujas”. Deste achado, nasceu o Museu das Termas Romanas, que pode visitar-se de forma gratuita.</p>
<h4><strong>IMPACTO ECONÓMICO E ENERGÉTICO JÁ SE FAZ SENTIR</strong></h4>
<p>A utilização da geotermia traz ganhos económicos e energéticos substanciais. Joaquim Esteves sublinha que, embora não tenham definido ainda o tarifário final, a energia geotérmica será cobrada, “garantidamente, abaixo dos 50% [do custo actual]”. Em consequência, espera-se que os consumos sejam drasticamente mais baratos. Como exemplo, o engenheiro refere o Hotel Aquae Flaviae: actualmente, consome cerca de 40 mil euros mensais em gás ou electricidade, mas com o sistema geotérmico passará a “pagar 20% do valor da energia de que necessita.”</p>
<p>Estima-se, assim, que os edifícios ligados à rede reduzam os seus gastos de energia térmica em, aproximadamente, 80%, produzindo poupanças de dezenas de milhares de euros por ano. Essa redução de custos é vista como uma âncora para a economia local: hotéis e comércio beneficiam de tarifas mais baixas, o que torna a estadia e as actividades em Chaves mais competitivas e atractivas.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33935  alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-1024x576.jpg" alt="" width="254" height="143" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-1024x576.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-300x169.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-768x432.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-1536x864.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-610x343.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-1080x608.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Exterior-Piscina_Vista-Area-1-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 254px) 100vw, 254px" /></p>
<p>Tal como explica Joaquim Esteves, “um hotel que tem energia mais barata, consegue promover melhor a cidade”, fortalecendo o turismo termal e o dinamismo económico da região. Além das poupanças directas, o sistema poderá gerar receitas para o município. Embora ainda sem valores finais, prevê-se cobrar um preço de fornecimento inferior às energias convencionais, mas não gratuito, de modo a viabilizar o investimento. A nova rede pode reduzir em, pelo menos, 200 mil euros por ano a factura energética do município, que, actualmente, ronda os três milhões de euros por ano.</p>
<p>Estes ganhos energéticos e financeiros são motivadores para replicar o modelo noutras cidades frias ou regiões térmicas, mas a sustentabilidade do sistema de Chaves continua dependente da sua gestão técnica e tarifária cuidadosas.</p>
<p>Durante este processo, nasceu o complexo de termas Aquae Salutem. “É mesmo um projecto fora da caixa. É um complexo de piscinas termais, sobre uma rocha artificial. Como são piscinas dinâmicas, existe uma casa de máquinas tremenda, com 53 bombas, tem saunas, turcos, jacuzzis, depois tem uma zona dos sensoriais, com som, luz, simulando trovoadas, vento, fontes de gelo.”</p>
<h4><strong>MENOS DIÓXIDO DE CARBONO, MAIS ÁREAS VERDES</strong></h4>
<p>O projecto geotérmico de Chaves destaca-se pelo significativo ganho ambiental associado. Primeiro, porque substitui combustíveis fósseis de elevado impacto. Como enfatiza o engenheiro, “este projecto prevê uma redução superior a 1400 toneladas de dióxido de carbono por ano&#8221;. Esta redução é significativa: compara-se a uma “mini-barragem em termos de potência de produção energética, mas sem os impactes ambientais negativos” inerentes às grandes centrais térmicas. O recurso geotérmico é limpo e renovável, não poluente: “em Chaves, nota-se que o ambiente é puro, limpo, não há smogs, não há poluição.”</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33934  alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-1024x821.jpg" alt="" width="274" height="220" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-1024x821.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-300x241.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-768x616.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-1536x1232.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-2048x1643.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-610x489.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-1080x866.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/12/Termas-de-Chaves_Complexo_Interior-1-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 274px) 100vw, 274px" /></p>
<p>Na área circundante das captações e tubagens existem hoje muitos espaços verdes. Além disso, o projecto reforça a estratégia de descarbonização a nível local e nacional. Joaquim Esteves reforça que o município faz a sua parte quanto à redução das emissões de dióxido de carbono. Cada tonelada deste gás poupada é relevante para ajudar no combate às alterações climáticas, cada vez mais evidentes.</p>
<p>No âmbito do Pacto Ecológico Europeu e das metas climáticas definidas, a União Europeia comprometeu-se a atingir a neutralidade carbónica até 2050. A geotermia, por ser uma fonte renovável constante e de baixa emissão, entra como solução estratégica nessas metas.</p>
<p>A própria Direcção-Geral de Energia e Geologia realça que a geotermia é uma “solução sustentável para a descarbonização, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis” nos sectores residencial, industrial, serviços e agrícola.</p>
<p>Assim, nos cenários de energia de 2050, a geotermia contribuirá para a segurança do sistema (fonte estável de electricidade renovável e calor) e para a neutralidade carbónica, complementando energia solar, eólica e outras renováveis.</p>
<h4><strong>E PARA O FUTURO? EXPANDIR A REDE É O OBJECTIVO</strong></h4>
<p>O projecto de Chaves não se limita aos 24 edifícios iniciais. O próximo passo será expandir a rede de calor na cidade. Essa expansão poderá incluir consumidores residenciais (condomínios) e sectores hoje fora do sistema. Entretanto, o crescimento enfrenta desafios técnicos e logísticos. Um problema sazonal imediato é o desnível de consumo Inverno/Verão: no Verão, o calor urbano praticamente desaparece e a rede fica com capacidade ociosa. Para evitar desperdício, o sistema passou a injectar a água termal excedente nas piscinas da cidade (garantindo assim uso 24h).</p>
<p>Outro desafio futuro é o alcance geográfico da rede. Para levar a geotermia a bairros mais distantes, seria preciso estender quilómetros de tubagem subterrânea, o que implica custos altos e interferências urbanas. Na fase actual, optou-se por clientes como hotéis, museus, escolas, justamente porque “a água termal está sempre a ser consumida” nesses edifícios. Levar tubos a habitações isoladas num bairro periférico pode não ser economicamente viável até haver volume crítico de adesão.</p>
<p>As perspectivas de expansão da rede geotérmica de Chaves são positivas, mas dependerão de equilibrar investimentos e consumos. Os principais desafios – sazonalidade dos usos, custos de extensão de redes, gestão de capacidade – estão a ser enfrentados com ferramentas técnicas (software de regulação, contagem remota, planeamento de expansão) e medidas de apoio local. Conforme conclui o engenheiro, “sim, é possível” crescer além desta fase inicial, desde que a estrutura técnica e tarifária evolua paralelamente.</p><p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/geotermia-em-chaves-o-projecto-inovador-que-veio-dinamizar-uma-regiao/">Geotermia em Chaves: O projecto inovador que veio dinamizar uma região</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Passive House: um futuro sustentável na construção</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/passive-house-um-futuro-sustentavel-na-construcao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Jun 2025 08:00:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Associação Passive House]]></category>
		<category><![CDATA[conforto térmico]]></category>
		<category><![CDATA[construção]]></category>
		<category><![CDATA[eficiência energética]]></category>
		<category><![CDATA[passive house]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=31843</guid>

					<description><![CDATA[<p>Já imaginou viver numa casa onde há conforto térmico, o ar é limpo, os níveis de eficiência energética são elevados e ainda tem uma boa acústica e isolamento? É esta a proposta da Passive House (ou “Casa Passiva”, em português), um conceito que veio para ficar e que quer chegar a mais públicos para que todos possam viver em condições dignas.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/passive-house-um-futuro-sustentavel-na-construcao/">Passive House: um futuro sustentável na construção</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">Artigo publicado originalmente na edição de <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=158" target="_blank" rel="noopener"><span class="s2">Março/Abril de 2025</span></a> da Edifícios e Energia.</span></strong></em></p>
<p><strong>Já imaginou viver numa casa onde há conforto térmico, o ar é limpo, os níveis de eficiência energética são elevados e ainda tem uma boa acústica e isolamento? É esta a proposta da Passive House (ou “Casa Passiva”, em português), um conceito que veio para ficar e que quer chegar a mais públicos para que todos possam viver em condições dignas.</strong></p>
<p>O conceito de “Passive House” deriva do alemão “Passivhaus” e os principais focos são a eficiência energética, o conforto térmico e a qualidade do ar interior. Em Portugal, o conceito só começou a surgir em 2012 com a Associação Passive House, uma organização sem fins lucrativos e que tem o intuito de promover o conceito de Passive House, disseminar eventos, entre outros. A Homegrid foi a empresa fundadora desta associação em território nacional e é responsável por fazer a ponte com o Passive House Institute, da Alemanha.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31848 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-300x200.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-1024x683.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-768x512.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-1536x1024.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-2048x1366.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-610x407.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-1080x720.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_gustavo-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Joana Cortinhas, arquitecta, membro da direcção da Passive House Portugal, <em>designer</em> certificada Passive House e formadora na associação, explica que o surgimento do conceito em Portugal se deveu à iniciativa de João Marcelino, actual presidente da Associação Passive House. Durante a construção da sua própria casa, João enfrentou desafios para equilibrar o conforto térmico, a eficiência energética e a qualidade do ar: “Ele tentou encontrar algo que respondesse às questões que tinha elaborado: como é que podia ter conforto sem gastar tanta energia em casa, como é que podia ter as janelas bem instaladas e como é que podia garantir qualidade do ar dentro de casa.”</p>
<p>Assim, inspirado pelo Passive House Institute, na Alemanha, e juntamente com outros profissionais, João Marcelino trouxe o conceito para Portugal, conseguindo o tal equilíbrio que procurava. “Durante a construção da sua casa, ele encontrou o conceito Passive House e o Passive House Institute. Foi directamente à conferência, tirou os cursos necessários e implementou, desde logo, o modelo na casa dele”, explica Joana Cortinhas.</p>
<p>Desde então, a associação tem-se dedicado a disseminar este conceito. “Temos já uma rede com mais de 60 parceiros, ou seja, empresas que têm já produtos preparados para implementarem a Passive House. O nosso objectivo é fazer esta ligação entre o cliente final, o consumidor final e todas as empresas que já têm soluções preparadas poderem implementá-las no mercado. A nossa ideia é criar e desenvolver esta rede de parceiros, que, no fundo, facilita essa interligação com os próprios projectistas e clientes finais.”</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31849 alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-300x222.jpg" alt="" width="300" height="222" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-300x222.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-1024x758.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-768x569.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-1536x1138.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-610x452.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-1080x800.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/2.Cestaria_HG-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>No entanto, a implementação do conceito em Portugal não foi fácil. “O início foi um arranque difícil, porque foi um conceito que não estava nada disseminado em Portugal, e as pessoas receberam a Passive House sempre com muita resistência”, admite. Ainda assim, a arquitecta refere que as pessoas estão cada vez mais informadas sobre este conceito e que a procura é cada vez maior. Havendo já exemplos reais no país, torna-se também mais fácil mostrar resultados. A associação procura mostrar que “não é algo complicado, mas sim uma solução acessível e sustentável.”</p>
<p>Já existem dez edifícios certificados em Portugal. Desde Évora, passando por Mafra e até Penafiel, estes edifícios são, na maior parte, residenciais. Joana Cortinhas dá o exemplo de um cliente, cuja casa ainda está em construção, ou seja, “ainda não tem instalados os sistemas de aquecimento e de ventilação a funcionar, simplesmente tem a casa isolada, com as janelas bem instaladas e o que dizem é que já sentem um conforto fora do comum e que, mesmo em construção, a casa já é mais confortável do que a anterior.”</p>
<p>Embora haja edifícios que foram construídos segundo as linhas orientadoras de uma Passive House, nem todos os clientes finais querem avançar com a certificação. “Temos dezenas ou centenas de edifícios que foram construídos segundo este conceito, mas que depois não avançaram para a certificação”, explica a arquitecta.</p>
<h4><strong>REQUISITOS, FLEXIBILIDADE E BENEFÍCIOS</strong></h4>
<p>Para construir uma Passive House, existem vários requisitos que têm de ser cumpridos, no entanto, há uma grande abrangência em relação ao caminho a seguir para atingir este tipo de certificação. O local onde é construído e os materiais utilizados não são factores, mas existem alguns limites a ter em atenção, tal como esclarece Joana Cortinhas: “Tem de ser tudo muito organizado. Por exemplo, temos de construir uma parede com um coeficiente de transmissão térmica que não passe determinado limite. Depois, temos de conjugar a construção da parede, dos pavimentos e da cobertura de modo a não ultrapassarmos os 15 quilowatt-hora, que é o limite das necessidades de energia. Temos de usar caixilharia com bom desempenho térmico, porque não é o material em si com que nós fazemos o balanço energético, é com os resultados, os valores, sobretudo, dos coeficientes de transmissão térmica, é com isso que trabalhamos.”</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31850 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-300x175.jpg" alt="" width="300" height="175" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-300x175.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-1024x596.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-768x447.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-1536x893.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-2048x1191.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-610x355.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-1080x628.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/3.Palmeira_HG-1-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Assim, qualquer tipo de construção pode atingir o desempenho Passive House se, desde o início, houver esta consciência. “Se é uma parede de alvenaria, se é uma parede LSF (<em>light steel framing</em> ou estrutura de aço leve, em português), madeira, o que importa é o desempenho da casa e como é que depois se monta tudo para não haver falhas no isolamento, pontes térmicas na instalação das janelas, por exemplo.”</p>
<p>Viver numa Passive House é não ter de lidar com os problemas comuns das casas portuguesas: “Os edifícios não têm patologias, não há bolor nem humidade, tão infelizmente característica das casas portuguesas. Não temos pessoas a morrer de frio no Inverno, temos as casas frescas no Verão”. Além de tudo isto, a qualidade do ar interior é filtrada, através de um sistema de ventilação, o que permite que se respire um ar mais saudável dentro da casa. “Filtra-se o ar, removem-se as partículas e também se recupera calor, ou seja, estamos a insuflar ar filtrado e limpo dentro de casa”, remata Joana Cortinhas. Assim, existe uma recirculação do ar, o que não permite que ele se torne pesado. “O ar é extraído de onde ele fica mais sujo, ou seja, casas de banho, cozinhas ou zonas técnicas, zonas de arrumo.</p>
<p>Estamos a extrair ar e a insuflá-lo onde as pessoas passam mais tempo, isto é, salas, quartos, escritórios, bibliotecas. Isto garante uma taxa de renovação suficiente dentro daquele edifício o que faz com que o ar tenha oxigénio suficiente”. Acrescenta ainda que descrever estes benefícios não se compara a senti-los em primeira mão: “Podia descrever mil e uma coisas, mas só mesmo sentindo é que se percebe o que é respirar ar com qualidade suficiente.”</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31851 alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/4.Danosa_Tuu-226x300.jpg" alt="" width="226" height="300" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/4.Danosa_Tuu-226x300.jpg 226w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/4.Danosa_Tuu-771x1024.jpg 771w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/4.Danosa_Tuu-768x1020.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/4.Danosa_Tuu-610x810.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/4.Danosa_Tuu.jpg 813w" sizes="(max-width: 226px) 100vw, 226px" /></p>
<p>A importância da regeneração do ar deve-se ao facto de existir demasiado dióxido de carbono, o que é prejudicial para a saúde. “Estudos que já foram feitos mostram que se num espaço existir acima de mil ppm, ou seja, mil partes por milhão, de CO2, há uma quebra enorme no desempenho das pessoas, na capacidade de tomar iniciativa, entre outras, e isto também pode ser uma explicação pela qual nas escolas, que têm uma concentração de CO2 acima de mil/dois mil ppm, os alunos não se mantêm atentos, não conseguem ter bom desempenho escolar. O mesmo nos escritórios.”</p>
<p>O conforto térmico é um ponto essencial do projecto. A arquitecta explica que, quando uma Passive House é planeada, tem em conta a sua temperatura, sendo que “no Inverno tem no mínimo 20.ºC e no Verão não ultrapassa os 25.ºC”. O conforto acústico é outro benefício a ter em conta. Actualmente, a maior parte da população vive em cidades, onde o barulho é, por vezes, incomodativo e excessivo. Joana Cortinhas diz mesmo que “nas grandes áreas metropolitanas as pessoas não conseguem descansar, não conseguem ter um sono tranquilo, regenerar durante a noite, o que é muito importante para termos energia para o dia seguinte. Já há vários estudos feitos que concluem que dentro de uma Passive House se consegue reduzir o ruído para cerca de metade do que aquilo que é um edifício convencional”.</p>
<p>A arquitecta conta até a sua experiência pessoal. Vive numa Passive House há dez anos e diz que estava preparada para o conforto térmico de que tanto se fala, mas não para o conforto acústico: “não vais preparado para sentir silêncio dentro de casa; é estranhamente silencioso entrar numa Passive House.”</p>
<p>Outra vantagem deste tipo de solução é que é economicamente acessível. Portugal tem o denominado “clima feliz” e, por isso, não é caro construir uma casa segundo este conceito. “Os custos são practicamente os mesmos de uma construção convencional, mas depois temos, obviamente, as poupanças mensais na factura da electricidade”. Joana Cortinhas, que experiencia estas vantagens em primeira mão, revela que no seu T2, no pico do Inverno, o máximo que pagou de electricidade foram 37€. Na casa antiga chegava a pagar entre 100€ e 150€ e não tinha conforto térmico. “Estava no quarto, ligava o aquecedor no quarto, ia para a sala, ligava o aquecedor na sala, ia tomar banho, ligava o aquecedor na casa do banho…, numa Passive House isso não acontece, porque funciona como um todo, o ambiente da casa está à mesma temperatura, tem a mesma qualidade do ar.”</p>
<p>Um dos destaques do conceito é a durabilidade dos edifícios, que exigem pouca manutenção ao longo dos anos. Por exemplo, o “pai” da Passive House, Wolfgang Feist, “continua a viver numa e a ter os mesmos resultados desde o início da construção, dos anos 90”, observa Joana Cortinhas. Como a casa não está exposta a grandes variações de temperatura e humidade, “não tem tantos problemas e não precisa de tanta manutenção”. A única exigência é a troca de filtros da unidade de ventilação e manutenção normal dos sistemas. “Se for bem feito, vai durar uma vida toda, sem grandes problemas de manutenção.”</p>
<h4><strong>IMPACTO E ADAPTAÇÃO ÀS NORMAS EUROPEIAS</strong></h4>
<p>Com a implementação da Directiva Europeia de Desempenho Energético dos Edifícios, Portugal caminha para uma construção mais sustentável. No entanto, as casas Passive House já estão alinhadas com essas exigências. “Uma Passive House consegue ser sempre um edifício de energia quase zero, mas um edifício de energia quase zero nem sempre consegue ser uma Passive House”, explica Joana Cortinhas, enfatizando que o conceito está à frente das regulamentações actuais.</p>
<h4><strong>A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO: PASSIVE HOUSE CENTER, EM POMBAL</strong></h4>
<p>O Passive House Center, em Pombal, nasceu em 2023. Surgiu a necessidade de existir um local dedicado a formação práctica sobre a Passive House, como forma de aproximar clientes, empresas e de disseminar o conceito. A formação teórica já existe quase desde o início da criação da Associação Passive House em Portugal, mas passado quase dez anos a formação deu mais um passo em frente. “Estávamos a sentir cada vez mais esta necessidade de ter um sítio onde as pessoas pudessem fazer, elas próprias, com a mão na massa, e passarem um bocadinho da teoria para a práctica, terem contacto directo com os materiais, com as empresas que fornecem os materiais e aplicam o produto e tentarmos desmistificar alguns aspectos que podem ainda persistir”. Quem já frequentou, recomenda e é isso que faz com que a equipa portuguesa se mantenha motivada para continuar a trabalhar. “O feedback tem sido fantástico, as pessoas participam, montam janelas, aplicam isolamento; têm mesmo uma percepção de como é que é a realidade em obra e isso é muito bom, porque depois, tanto se forem donos de obra ou projectistas, podem estar no local e perceber como é que a solução é aplicada.”</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31852 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-300x200.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-1024x683.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-768x512.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-1536x1024.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-2048x1365.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-610x407.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-1080x720.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/06/5.Escritorio_HG2-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Além disso, destes <em>workshops</em> surgem novas soluções que depois são implementadas. Joana Cortinhas dá o exemplo de um que envolvia vários parceiros e onde as várias empresas trabalharam em conjunto algo que ainda não existia relacionado com a instalação de janelas, de continuidade do isolamento e de garantir a estanquidade do ar. “Isso foi trabalhado naquele <em>workshop</em> e acabou por ficar desenhada uma nova solução que funciona”. Todos podem participar e os <em>workshops</em> são gratuitos para os sócios da Passive House Portugal.</p>
<p>Outras iniciativas incluem formações em parceria com a Ordem dos Arquitectos e a certificação de edifícios de grande escala. “Estamos a finalizar a certificação da sede da Danosa em Portugal, o primeiro edifício não residencial certificado. Achamos que este pode ser um projecto que impulsione outros com características semelhantes.”</p>
<h4><strong>O FUTURO DA CONSTRUÇÃO</strong></h4>
<p>Na Escócia, a partir de 2028, todos os edifícios que forem construídos têm de seguir os critérios de uma Passive House. Existe um período de adaptação entre 2026 e 2028 para que todas as empresas se adaptem e comecem a mudar a forma como antes pensavam os edifícios e a adoptar uma alternativa mais duradoura e saudável para todos. Também outros países como a Alemanha, o berço da Passive House, a Irlanda ou o Luxemburgo estão a criar leis nesse sentido. Em Portugal, ainda não existe nada semelhante. A arquitecta espera que com a disseminação do conceito e com o aumento da preocupação da qualidade de vida se esteja cada vez mais perto de que todos vivam nestas condições. E acrescenta: “só não fazemos, se não quisermos.”</p>
<p>The House of Bavarian History, na Alemanha, é o maior museu do mundo certificado como uma Passive House. Desde Agosto de 2022 que este museu poupou, no total, durante o processo operacional, 65 mil quilowatts por hora. O maior desafio encontrado foi a manutenção da temperatura dentro do museu, independentemente do número de visitantes em cada sala. Uma temperatura mais estável acaba também por ajudar a preservar as exposições a longo prazo.</p>
<p>O movimento, já consolidado em outros países, começa a ganhar força em Portugal, trazendo a promessa de um futuro onde casas sustentáveis sejam a norma, não a excepção. “A Passive House é mais do que uma certificação; é um conceito que garante conforto, sustentabilidade e qualidade de vida”, conclui Joana Cortinhas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/passive-house-um-futuro-sustentavel-na-construcao/">Passive House: um futuro sustentável na construção</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
