Plano de Electrificação da UE: Solar Heat Europe avisa que só electricidade não chega para descarbonizar o aquecimento

Depois da apresentação do Plano de Acção para a Electrificação pela Comissão Europeia, chegou mais uma reacção do sector das energias renováveis. A Solar Heat Europe, associação que representa a indústria da energia solar térmica, reconhece o valor da proposta, mas alerta que a electrificação, por si só, não será suficiente para atingir a neutralidade climática. 

A associação começa por assinalar uma ausência: embora reconheça que o Plano de Acção para a Electrificação faz referência a um futuro “Plano de Acção para o Aquecimento e Refrigeração”, lamenta que este continue a ser adiado. Na sua perspectiva, a publicação simultânea dos dois documentos teria garantido “o sistema energético integrado e inclusivo necessário” para que todas as fontes de energia sem recurso a combustíveis fósseis pudessem ser implementadas em larga escala. 

O argumento central da Solar Heat Europe é que o aquecimento representa metade das necessidades energéticas da Europa, e que a electrificação, isoladamente, não tem capacidade para sustentar a sua descarbonização. Por isso, defende que esta deve ser acompanhada pela implementação de tecnologias de aquecimento renovável directo como a energia solar térmica, que, ao reduzir a carga sobre as redes eléctricas, torna a própria electrificação mais sustentável e segura. 

A associação apela à publicação célere do prometido Plano de Acção para o Aquecimento e Refrigeração, argumentando que as necessidades nesta área “vão muito além do que o Plano de Acção Europeu abrange”, exigindo uma combinação de soluções em que a energia solar térmica tem um papel central. Entre os pedidos concretos da Solar Heat Europe estão a introdução de um indicador-chave de desempenho (KPI) para a implementação da energia solar térmica e o apoio a tecnologias solares térmicas made in Europe. 

A associação recorda ainda que estas tecnologias já desempenham um papel reconhecido na descarbonização industrial, sendo particularmente relevantes em sectores com necessidades de temperaturas baixas a médias, como a alimentação e bebidas, a celulose e papel, os têxteis e os produtos químicos. Por isso, defende que o seu papel deve ser ainda mais incentivado no âmbito do Banco de Descarbonização Industrial. 

Os aspectos elogiados no plano 

Apesar destes pontos salientados, a Solar Heat Europe elogia vários pontos do plano da Comissão: o reconhecimento dos benefícios da energia solar térmica (incluindo em combinação com bombas de calor) para a segurança da matriz energética europeia, bem como as orientações sobre arrendamento social, que a associação considera abertas a diferentes fontes de aquecimento renovável. Ainda assim, sublinha que essa abertura a todas as tecnologias limpas deveria ser uma abordagem consistente ao longo de todo o documento, e não apenas pontual. 

A associação saúda também o Mecanismo do Mercado de Calor Limpo, embora peça que este apoie a transição de forma abrangente, garantindo que benefícios como reduções do IVA verde se aplicam a todas as fontes de calor limpas — e não apenas a algumas. Do lado positivo, destaca ainda o reconhecimento dos benefícios do aquecimento urbano eficiente, apoiado através do Acelerador de Financiamento da Eficiência Energética, e a implementação do Mecanismo Europeu para as Cidades (European City Facility), que considera ter potencial significativo para descarbonizar o aquecimento a nível local. 

“Uma meta de electrificação é apenas parte da resposta” 

Citada em comunicado, Valérie Séjourné, directora-geral da Solar Heat Europe, resumiu a posição da associação: “Uma meta de electrificação representa um sinal forte, mas é apenas parte da resposta para a neutralidade climática; não deve comprometer metas ambiciosas para as energias renováveis.” Séjourné insiste que a Europa deve explorar o potencial de “todas as tecnologias limpas, especialmente a solar térmica, que já estão prontas para serem implementadas”, e garante que o sector está pronto para contribuir para o próximo Plano de Acção para o Aquecimento e o Arrefecimento. 

Também Guglielmo Cioni, presidente da Solar Heat Europe, reforçou o alerta da associação: “A energia solar térmica é uma das tecnologias essenciais para a descarbonização do aquecimento e os nossos fabricantes europeus estão prontos para fornecer a quantidade necessária.” Para Cioni, o que é preciso é “um quadro político que promova todas as soluções de aquecimento renováveis”, sem deixar de lado “uma tecnologia comprovada de aquecimento limpo” como a solar térmica, produzida na Europa.

Fotografia de destaque: © Shutterstock

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