E se um edifício pudesse gerir-se a si próprio? Durante séculos, os edifícios foram estruturas essencialmente passivas, cujo conforto, eficiência e segurança dependiam inteiramente da gestão humana. Com a digitalização surgiram os chamados “edifícios inteligentes”, capazes de monitorizar e antecipar problemas. Hoje começa a desenhar-se uma nova etapa: a dos edifícios autónomos.
Mais do que ter capacidades de deteção e previsão, estes edifícios adaptam-se às necessidades dos seus ocupantes. Recorrendo a tecnologias como a inteligência artificial e a análise avançada de dados, conseguem antecipar situações, aprender com a informação disponível e tomar decisões de forma automática para otimizar o seu funcionamento e melhorar as condições de quem o utiliza. Trata-se de verdadeiros ecossistemas digitais que integram diferentes sistemas – da climatização e iluminação à segurança e proteção contra incêndios – e os cruzam com dados externos, como as condições meteorológicas ou o histórico de manutenção.
Na prática, num edifício autónomo, o dia de um visitante começa de forma automática: o sistema de segurança reconhece a pessoa e concede-lhe acesso; no átrio, informações personalizadas surgem num ecrã; o elevador já a espera, pronto para levá-la ao piso correto. Enquanto isso, a iluminação, a temperatura, a qualidade do ar e outros sistemas ajustam-se sozinhos, criando um ambiente confortável e funcional. Tudo isto acontece de forma invisível, enquanto os algoritmos trabalham em segundo plano para garantir a máxima eficiência energética. A tecnologia passa, desta forma, a trabalhar genuinamente para as pessoas.
Esta evolução representa uma verdadeira mudança de paradigma na gestão de edifícios e um contributo fundamental para alcançar as metas globais de descarbonização. Afinal, cerca de 39% das emissões globais estão associadas aos edifícios.
Neste contexto, o contínuo desenvolvimento de tecnologias digitais é absolutamente crucial, pois constitui o motor que alimenta esta autonomia e permite passar de uma gestão reativa para uma gestão preditiva e contínua. Para além de reduzir significativamente o consumo e o desperdício de energia, esta transformação traz também ganhos em termos de desempenho e redução de custos.
Mas os edifícios autónomos não são sinónimo de retirar as pessoas da equação, muito pelo contrário. O verdadeiro ganho está em permitir que as equipas, que até agora se dedicavam a tarefas repetitivas, se concentrem em funções de maior valor acrescentado. Isto ao mesmo tempo que os ocupantes beneficiam de ambientes mais confortáveis, saudáveis e adaptados às suas preferências.
Apesar de já não ser uma visão utópica, a verdade é que os edifícios autónomos ainda estão longe de se tornar a norma. Mesmo assim, existem motivos para otimismo: de acordo com o mais recente estudo Siemens Infrastructure Transition Monitor, 59% dos gestores entrevistados consideram que os benefícios destes edifícios superam os custos, enquanto 54% afirmam que as suas empresas estão preparadas para dar esse passo.
Num mundo em rápida mudança, onde a sustentabilidade se tornou uma necessidade global e a adaptabilidade é cada vez mais valorizada, esta transformação torna-se cada vez mais premente.
Mais do que uma visão tecnológica, os edifícios autónomos representam uma oportunidade para criar espaços mais eficientes, sustentáveis e centrados nas pessoas. O futuro dos edifícios não se limita a torná-los inteligentes: passa por torná-los capazes de cuidar de si próprios e de quem os utiliza.

Artigo da autoria de
Miguel Rangel, responsável pela área dos edifícios da Siemens em Portugal
Foto Créditos Pexels
O texto acima é da inteira responsabilidade das empresas/entidades em causa.
Fonte: Press Release




