Uma nova sondagem realizada pela empresa de estudos de mercado YouGov revela que a maioria dos cidadãos de cinco dos principais países da União Europeia apoia o reforço do investimento público em bombas de calor e considera que a redução da dependência dos combustíveis fósseis importados contribuirá para tornar a Europa mais segura do ponto de vista energético.
Os resultados do estudo encomendado pelas organizações E3G, Transport & Environment e Electrification Alliance baseiam-se em mais de cinco mil entrevistas realizadas em França, Alemanha, Espanha, Itália, Polónia e surgem numa altura em que a crise no Estreito de Ormuz ultrapassa os 100 dias, reforçando as preocupações em torno da segurança energética europeia.
Segurança energética reforça apoio à electrificação
Em média, 64% dos inquiridos consideram que reduzir a dependência dos combustíveis fósseis importados torna a Europa mais segura, enquanto oito em cada dez europeus defendem que os países europeus devem trabalhar em conjunto, sendo que seis em cada dez consideram que essa cooperação se tornou ainda mais importante no actual contexto geopolítico.
Os autores do estudo destacam que o apoio às tecnologias de electrificação ultrapassa as tradicionais divisões partidárias, incluindo entre eleitorados de centro-direita. Em Itália, 76% dos eleitores do Fratelli d’Italia manifestam apoio às bombas de calor. Em França, o apoio a esta tecnologia é semelhante entre os eleitores de Emmanuel Macron (69%) e Marine Le Pen (67%).
Segundo as organizações promotoras da iniciativa, estes resultados demonstram que a electrificação deixou de ser encarada apenas como uma medida de política climática, assumindo-se cada vez mais como uma questão de segurança estratégica.
Bombas de calor ganham relevância no debate europeu
Para Paul Kenny, director-geral da Associação Europeia de Bombas de Calor (EHPA), a mensagem dos cidadãos é clara: “A segurança e a protecção vão além da política partidária. Os europeus percebem que as bombas de calor e outras medidas de electrificação reduzem a nossa dependência de importações de combustíveis fósseis, caras e provenientes de exportadores pouco confiáveis”, afirma.
O responsável considera que tanto a União Europeia como os governos nacionais devem acelerar a transição energética e responder às expectativas demonstradas pelos cidadãos.
A mesma ideia é partilhada pelas organizações que encomendaram o estudo, que apelam a uma aceleração das políticas de electrificação e a um reforço da cooperação energética entre os Estados-Membros.
Os resultados da sondagem surgem numa fase em que Bruxelas prepara o Plano de Acção para a Electrificação, considerado pelas organizações promotoras como uma oportunidade decisiva para acelerar a substituição dos combustíveis fósseis por soluções eléctricas de baixo carbono.
As entidades defendem que o consenso entre os cidadãos oferece aos decisores políticos uma margem de actuação significativa para avançar com medidas de apoio à electrificação.
O estudo foi realizado pela YouGov entre 6 e 18 de Maio de 2026, no âmbito do inquérito mensal European Political Monthly. A amostra total incluiu 5149 adultos, distribuídos por França (1009), Alemanha (1095), Espanha (1035), Itália (1003) e Polónia (1007).
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