Fabricantes e distribuidores apontam crescimento do mercado nacional, impulsionado pela eficiência energética, electrificação dos consumos e descarbonização dos edifícios. A formação técnica e os incentivos continuam a ser decisivos para consolidar o sector.
O mercado europeu das bombas de calor continua a crescer e Portugal acompanha essa tendência. Segundo dados recentes da Associação Europeia de Bombas de Calor (EHPA), as vendas destes equipamentos aumentaram 11% em 2025 em 16 países europeus, totalizando 2,63 milhões de unidades residenciais vendidas. No continente, estima-se que existam já cerca de 28 milhões de bombas de calor instaladas.
Em Portugal, os principais fabricantes e distribuidores confirmam igualmente uma evolução positiva do mercado, embora com características próprias. A combinação entre políticas de descarbonização, electrificação dos consumos e procura por soluções mais eficientes está a acelerar a adopção desta tecnologia, sobretudo nos segmentos residencial novo e da reabilitação energética.
Para a Mitsubishi Electric, o mercado nacional “apresentou um enquadramento globalmente alinhado com o observado no contexto europeu”, ainda que com uma evolução distinta entre tecnologias. Segundo Nuno Iglésias, Systems Department Manager, “verificou-se uma alteração do ‘product mix’, com um crescimento expressivo dos sistemas monobloco, enquanto os sistemas split registaram um abrandamento na sua dinâmica de crescimento”.
Apesar disso, a empresa considera que “o interesse pelas soluções de bomba de calor continua a reforçar-se”, impulsionado “pela crescente sensibilização para a eficiência energética, pela electrificação dos sistemas de aquecimento e de AQS e pelo enquadramento favorável das políticas públicas”.
Também a Samsung destaca um crescimento significativo do mercado português, que considera ter evoluído “acima da média europeia”. Ricardo Martins, responsável pela Divisão Climate Solutions da Samsung para Espanha e Portugal, sublinha que “este segmento está a ganhar relevância no contexto da transição energética”, impulsionado tanto por incentivos fiscais como pela procura de “soluções mais versáteis e integradas para aquecimento, arrefecimento e água quente sanitária”.
A empresa aponta ainda para uma mudança de percepção sobre esta tecnologia. “As bombas de calor estão a deixar de ser vistas como uma solução isolada e passam cada vez mais a ser valorizadas pela sua capacidade de integrar diferentes funções num único sistema”, refere o responsável. Segundo a Samsung, a área de aquecimento cresceu 50% face ao ano anterior, em quantidade de equipamentos vendidos.
Entre as tendências do mercado, destaca-se também a aposta em refrigerantes com menor impacte ambiental, como o R290, alinhados com as novas exigências do regulamento europeu F-Gas. A Samsung considera igualmente que a formação técnica será decisiva para sustentar o crescimento do sector. “O principal motor de crescimento deste mercado será a formação certificada para uma maior capacitação dos profissionais”, afirma Ricardo Martins.
Na mesma linha, a CLIMASUN | Haier considera que Portugal “tem acompanhado a tendência europeia de crescimento, embora com particularidades próprias”. A empresa identifica três factores principais para esta evolução: “a crescente sensibilização para a eficiência energética, o reforço das políticas de descarbonização e a procura por soluções que reduzam a dependência de combustíveis fósseis”.
A empresa admite que o ritmo nacional ainda não acompanha totalmente mercados mais maduros, como França ou Alemanha, mas considera evidente que “Portugal está a acelerar”. O residencial novo e a reabilitação energética são apontados como os segmentos mais dinâmicos, “com as bombas de calor a assumirem-se como solução de referência para climatização e AQS”.
Apesar do cenário positivo, as empresas não escondem a existência de desafios. A CLIMASUN | Haier alerta para questões como “a literacia energética e a qualificação técnica da instalação”, consideradas fundamentais “para garantir o pleno desempenho dos sistemas”.
De um modo geral, as empresas concordam que as bombas de calor ganharam espaço na estratégia de descarbonização dos edifícios e que deverão continuar a crescer nos próximos anos. Perante o papel central dos edifícios na transição energética, esta tecnologia afirma-se cada vez mais como alternativa às soluções convencionais baseadas em combustíveis fósseis.
Recorde-se que, a nível europeu, a EHPA considera que o aumento dos custos dos combustíveis fósseis está a impulsionar a procura por bombas de calor. Ainda assim, alerta que a capacidade produtiva europeia continua subutilizada, após a quebra da procura registada depois de 2022, defendendo medidas estruturais e sinais de mercado mais estáveis para sustentar o crescimento do sector a longo prazo.
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