O Centro de Aconselhamento sobre Pobreza Energética (EPAH) divulgou um relatório que apresenta os resultados de uma avaliação à escala europeia destinada a identificar regiões com elevada vulnerabilidade à pobreza energética grave. O estudo destaca territórios onde a necessidade de apoio é mais urgente.
De acordo com o documento, foi identificado um número significativo de regiões em risco acrescido, distribuídas por diferentes países, regiões e comunidades. Ainda assim, os autores sublinham que o objectivo não é estabelecer uma classificação definitiva dos agregados familiares em situação de pobreza energética, mas antes sinalizar áreas potencialmente vulneráveis com base em dados comparáveis e conhecimento a nível local.
O estudo foi conduzido no último trimestre de 2025, com base sobretudo em dados de 2023. Algumas regiões ultraperiféricas ficaram excluídas de certas comparações, devido às suas especificidades energéticas e geográficas. As conclusões assentam numa combinação de indicadores sociais e energéticos, dados climáticos e validação por peritos nacionais.
Combinação entre dados e conhecimento local
A EPAH afirma-se como a principal iniciativa da União Europeia no apoio a cidades, regiões e actores nacionais no combate à pobreza energética. Neste contexto, a identificação rigorosa de territórios mais vulneráveis é considerada essencial para assegurar que os recursos chegam onde são mais necessários.
A metodologia adoptada assenta numa abordagem em duas etapas. Numa primeira fase, é construído um índice composto com base em quatro indicadores ao nível NUTS 2: incapacidade de manter a habitação aquecida, população em risco de pobreza ou exclusão social, atrasos em pagamentos e sobrecarga dos custos da habitação. A estes juntam-se critérios ao nível NUTS 3, incluindo regiões abrangidas pelo Fundo de Transição Justa e territórios com elevado número de dias de calor, permitindo captar também situações de pobreza energética no Verão.
O índice selecciona as regiões com maior vulnerabilidade, limitando a cinco o número máximo por Estado-Membro, de forma a evitar desequilíbrios. Países como Bélgica, Bulgária, França, Alemanha, Grécia, Itália, Portugal, Roménia e Espanha atingiram esse limite.
A Grécia ocupa as primeiras posições, enquanto Bulgária, Roménia, Espanha, Itália e Portugal apresentam igualmente forte presença. Regiões insulares como Açores, Madeira, Canárias, Sicília e Sardenha destacam-se pela vulnerabilidade acrescida.
Curiosamente, países como Dinamarca e Suécia surgem também na lista, devido a níveis relativamente elevados de sobrecarga habitacional e atrasos nos pagamentos. Já a Polónia não aparece nesta fase, apesar de reconhecer internamente problemas relevantes.
A validação por especialistas nacionais levou à inclusão adicional de 54 regiões, garantindo que todos os Estados-Membros estão representados, ainda que com diferentes níveis de incidência.
Respostas integradas precisam-se
O relatório conclui que a pobreza energética é um fenómeno complexo e multidimensional, não podendo ser explicado apenas pelo rendimento. Factores como a eficiência das habitações, os preços da energia, os sistemas de aquecimento, o isolamento, a composição dos agregados e características territoriais — como ruralidade, insularidade ou exposição climática — desempenham um papel determinante.
O documento alerta também para limitações metodológicas. A disponibilidade de dados regionais é desigual, o nível NUTS 2 pode ser demasiado abrangente em certos contextos e os contributos de especialistas variam consoante a maturidade dos sistemas nacionais. Ainda assim, a combinação entre dados e conhecimento local permite uma leitura mais precisa e evita distorções associadas a médias estatísticas.
Ferramenta para políticas mais eficazes
Entre as principais implicações, o relatório destaca o valor da metodologia da EPAH como instrumento de apoio à decisão. A identificação de territórios mais vulneráveis permite direccionar melhor a assistência técnica, o financiamento e as intervenções públicas.
Além disso, o estudo sublinha a utilidade desta abordagem para administrações a vários níveis (europeu, nacional e regional) ao facilitar a compreensão das desigualdades territoriais e apoiar a concepção de respostas ajustadas às realidades locais.
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