O mercado europeu de bombas de calor recuperou em 2025: depois de dois anos consecutivos de queda, as vendas cresceram 13% face ao ano anterior, com cerca de 2,9 milhões de unidades vendidas. A explicação vai além da procura por tecnologias mais eficientes: o ano foi marcado pela redução de impostos sobre a electricidade e por incentivos à aquisição destes equipamentos. As medidas estão a revelar-se determinantes para tornar competitiva a electrificação do aquecimentos. A Europa mostra querer aquecer e refrescar as casas com electricidade, mas ainda a taxa mais do que o gás.
Após dois anos de queda nas vendas, o mercado europeu de bombas de calor está novamente a crescer. Em 2025, foram vendidas 2,88 milhões de bombas de calor em 21 países europeus, um aumento de 13% em comparação com 2024, quando se registou a venda de 2,56 milhões destes equipamentos. Os dados foram divulgados pela Associação Europeia de Bombas de Calor (European Heat Pump Association – EHPA, sigla em inglês), que atribui esta subida “ao facto de muitos governos terem começado a reduzir os impostos sobre a electricidade e sobre as bombas de calor”.
A grande maioria dos equipamentos vendidos durante o ano passado são bombas de climatização, ou seja, as de ar-ar (também conhecidas como sistemas de ar condicionado reversíveis), seguindo-se as de ar-água, as de produção de água quente sanitárias e as de captação subterrânea ou geotérmica.
Desde 2015 que estes sistemas de aquecimento têm vindo a ganhar cada vez mais relevância no mercado. A crise energética e a alta dos preços do gás natural após a invasão da Ucrânia fez com que se tenha registado, em 2022, o maior número de vendas até agora, com 3,31 milhões de bombas de calor. Mas a procura baixou no ano seguinte, com 3,19 milhões de equipamentos vendidos no mercado europeu.
A EHPA revela ainda que há já 29,3 milhões de bombas de calor instaladas naquele conjunto de 21 países europeus – Aústria, Bélgica, República Checa, Alemanha, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Itália, Lituânia, Países Baixos, Noruega, Polónia, Portugal, Suécia, Eslováquia, Reino Unido, Irlanda, Hungria e Estónia.
Estima-se que esta utilização evite cerca de 25 mil milhões de m³ de importações de gás por ano. “Juntas [estas bombas de calor instaladas] fornecem o calor equivalente aos de mais de 200 navios cargueiros de GPL, reduzindo a dependência da Europa em relação aos combustíveis fósseis importados”, quantifica a EHPA. Já a poupança financeira é de cerca de 9,7 mil milhões de euros anuais.
Na grande maioria dos países europeus, aquecer a casa com electricidade ainda não é economicamente mais vantajoso do que fazê-lo a gás: a electricidade continuar a ser mais cara, nota a EHPA, chegando a custar o dobro, três ou até mesmo quatro vezes mais do que o gás para os consumidores domésticos.
A Comissão Europeia comprometeu-se a corrigir esta contradição ao definir, no Plano de Acção para a Electrificação, o objectivo de aproximar o preço da electricidade ao preço do gás. A ideia é que, até 2030, uma unidade de energia eléctrica custe, no máximo, às famílias cerca de 2,5 vezes o preço de uma unidade equivalente de gás. Para a indústria, o rácio é de 2,0, também até ao final da década. O plano também incentiva os Estados-Membros da União Europeia a aplicar uma taxa de IVA mais baixa às bombas de calor do que a caldeiras e esquentadores a gás.
“Em conjunto com reformas na tributação da energia, a eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis e o apoio ao financiamento de bombas de calor, estas medidas podem vir a impulsionar significativamente a instalação de bombas de calor em toda a Europa”, defende a EHPA.
Para acelerar a adopção de bombas de calor, tanto para aquecimento como para resfriamento, a EHPA propõe, entre várias acções políticas, incentivos financeiros para apoiar a compra de equipamentos e a promoção do arrendamento social de bombas de calor, que permite a famílias com baixos rendimentos alugar estes equipamentos a baixo custo.
Portugal também está a acompanhar esta tendência de crescimento, embora com características próprias. Os principais fabricantes e distribuidores no mercado nacional apontam como principais causas a combinação entre políticas de descarbonização, a electrificação dos consumos e uma procura por soluções mais eficientes. A adopção desta tecnologia está sobretudo a ganhar espaço nos segmentos residencial novo e da reabilitação energética.
As bombas de calor são vistas como uma solução tecnológica, com baixas emissões, que consome menos electricidade (que é, sobretudo, usada para fazer o equipamento funcionar) e está menos exposta às fluctuações dos preços dos combustíveis fósseis. No mercado actual, estes equipamentos destacam-se entre os sistemas de climatização e de produção de água quente sanitária, e dependem das fontes utilizadas para transportar energia de um lugar para o outro.
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