Associação cria novo grupo de trabalho para tornar sector da construção mais circular   

O sector da construção é um dos maiores consumidores de matérias-primas e de maior impacto na produção de resíduos. Para acelerar a transição para uma construção mais circular em Portugal, a associação Smart Waste criou um grupo de trabalho que reúne empresas, entidades públicas, membros da academia e outros intervenientes da cadeia de valor na procura de soluções para um futuro mais sustentável de um dos sectores com maior impacte ambiental, tanto a nível nacional como global.  

Fomentar a colaboração, promover a partilha de conhecimento e desenvolver soluções para aumentar a circularidade do sector da construção. É com este propósito que a associação Smart Waste Portugal (ASWP) anunciou, esta semana, ter criado o grupo de trabalho Construção Circular, uma iniciativa que quer reunir empresas, autarquias locais, institutos públicos, universidades, centros de investigação, organizações não-governamentais e restantes intervenientes da cadeia de valor em torno da economia circular num dos sectores que continua a ter maior impacto na utilização de recursos e na produção de resíduos. 

Na Europa, o sector da construção é responsável por 50% do consumo de matérias-primas, por 33% do consumo de água e cerca de 39% das emissões CO2, sublinha, em comunicado, a ASWP. À escala nacional, os resíduos de construção e demolição representam cerca de 30% do total de resíduos produzidos. Apesar deste impacto, apenas 40% dos resíduos são reutilizados ou reciclados em Portugal, “evidenciando a necessidade de acelerar a adopção de práticas mais circulares e sustentáveis”, defende a associação.  

A primeira sessão deste grupo de trabalho, que se focou nos principais desafios e oportunidades para a circularidade na construção, reuniu mais de 30 stakeholders, no passado dia 22 de setembro, segundo a associação. A diretora-executiva da ASWP acredita que o sector “tem um enorme potencial para acelerar a transição para a economia circular”, mas nota que “só será possível através de uma maior colaboração entre todos os intervenientes”.  

“Com este grupo de trabalho queremos criar um espaço de diálogo, inovação e ação, capaz de transformar desafios em soluções concretas e contribuir para um setor mais competitivo, eficiente e sustentável”, sublinha Luísa Magalhães.  

Reúne-se de três em três meses

O grupo de trabalho prevê a realização de reuniões trimestrais e a criação de task-forces temáticas, onde serão abordados desafios técnicos, regulatórios e de mercado em áreas como a incorporação de materiais reciclados, o ecodesign, a demolição selectiva, as compras públicas ecológicas e o Passaporte Digital do Produto. Entre outros temas prioritários, destacam-se ainda as auditorias pré-demolição e cadernos de encargos, os sistemas construtivos alternativos, a prefabricação, bem como projetar para a desconstrução. 

Em Portugal, a transição para uma economia mais circular encontra-se enquadrada através do Plano de Ação para a Economia Circular (PAEC) 2030, aprovado em março deste ano, que veio substituir o anterior plano de 2017-2020. O sector da construção é identificado como um dos prioritários no plano, que prevê integrar a circularidade desde a fase de projecto.  

Entre as medidas previstas estão a certificação da circularidade dos edifícios, a avaliação prévia de sustentabilidade dos projectos, o incentivo à incorporação de materiais reciclado, o desenvolvimento de orientações de ecodesign e de um passaporte digital de materiais e edifícios, tal como consta na Resolução do Conselho de Ministros n.º 58/2026.

Além da promoção de um fórum permanente de partilha de conhecimento, a ASWP sublinha ainda que o grupo de trabalho irá desenvolver guias, estudos e ações de capacitação, bem como contribuir com recomendações para políticas públicas que reforcem a economia circular e sustentabilidade no sector da construção. 

Fotografia de destaque: © Shutterstock

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