Na sequência da adopção da nova Directiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), Islene Façanha, da associação ambientalista ZERO, conta à Edifícios e Energia que a nova EPBD pode ser o impulso de que a Europa precisa para renovar os edifícios e fazer face à pobreza energética. 

Para Islene Façanha, analista de políticas públicas e coordenadora de projectos na área do Clima e Energia na ZERO, a nova versão da EPBD “pode abrir caminho para a neutralidade carbónica, impulsionando a onda de renovação necessária para reduzir a pobreza energética e promover um sector mais responsável ambientalmente”.  

Agora que os Estados-Membros estão prestes a ter de transpor a directiva para a sua legislação, “é crucial que haja uma implementação eficaz [da EPBD] que leve em consideração a importância da redução das emissões do parque edificado e das prácticas de construção sustentável”, refere Islene Façanha. 

Portugal é um dos países da União Europeia que estão mais expostos ao risco de pobreza energética. Questionada sobre as medidas que devem ser postas em práctica para enfrentar este problema, o investimento na reabilitação e na melhoria da eficiência energética dos edifícios é, para a coordenadora de projectos, o primeiro ponto a considerar.  

Indica que é também fundamental capacitar as famílias com rendimentos mais baixos através de políticas de apoio financeiro, assim como desenvolver programas de sensibilização dos cidadãos para a eficiência energética e o uso responsável da energia. “Além disso, deve-se promover a inclusão social e a participação de todas as partes interessadas nesse processo”, completa Islene Façanha.  

No sentido de contribuir para a sensibilização da população relativamente à pobreza energética, a associação ZERO lançou a exposição fotográfica “Casa quente para toda a gente: retratando histórias”. A iniciativa foi inaugurada a 27 de Fevereiro no Parlamento Europeu e está agora em Portugal. Pode ser vista até 23 de Abril na estação de metro da Baixa-Chiado, Lisboa, e seguirá, entretanto, para uma outra estação que ainda não foi anunciada.

A exposição dá a conhecer testemunhos de portugueses e de pessoas da Bélgica, Bulgária, Espanha e Polónia que vivem na primeira pessoa a realidade da pobreza energética, assim como de iniciativas locais que procuram erradicar este tipo de pobreza na União Europeia. Na exposição são ainda apresentadas as medidas que têm de ser tidas em conta para solucionar esta questão. 

E para que as medidas saiam do papel, Islene Façanha garante que a sociedade civil organizada está empenhada em “pressionar os decisores políticos para que sejam ambiciosos nas suas políticas e para que estas estejam alinhadas com os objectivos de neutralidade carbónica e das metas globais do Acordo de Paris”. 

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