Miguel Margarido: “A tecnologia já existe. O desafio é saber aplicá-la a novas soluções”

Num momento em que a descarbonização, a digitalização e a eletrificação estão a redefinir o setor AVAC, Miguel Margarido, o novo presidente da Mitsubishi Electric Portugal, partilha a sua visão sobre os principais desafios da indústria. Nesta entrevista, defende que a tecnologia já não constitui a principal barreira à transição energética e sublinha que o sucesso dependerá, cada vez mais, da qualificação dos profissionais e da capacidade de todo o setor acompanhar o ritmo da inovação.

Assumiu recentemente a presidência da Mitsubishi Electric Portugal numa fase de profunda transformação do mercado AVAC. Como encara este desafio?

Assumo esta responsabilidade com entusiasmo e com um profundo reconhecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos. A Mitsubishi Electric construiu uma posição sólida em Portugal e a minha prioridade é dar continuidade a esse percurso, preparando simultaneamente a empresa para os desafios que o setor enfrenta. Queremos continuar a crescer de forma sustentada, reforçando a proximidade aos clientes e parceiros e mantendo aquilo que sempre nos distinguiu: qualidade, inovação tecnológica e uma visão de longo prazo.

Como caracteriza o momento que o setor AVAC vive atualmente em Portugal?

O setor AVAC está a viver uma mudança de paradigma. Durante muito tempo foi visto essencialmente como um conjunto de tecnologias de conforto; hoje é um elemento central da eficiência energética dos edifícios e da descarbonização da economia. Essa transformação está a alterar as prioridades dos investidores, dos projetistas e dos utilizadores finais, que procuram soluções cada vez mais eficientes, inteligentes e conectadas. Portugal tem acompanhado esta evolução e continua a apresentar um elevado potencial de crescimento.

Que impacto terão a descarbonização, a digitalização e a Inteligência Artificial na evolução do setor?

Estamos perante uma transformação estrutural. O desafio deixou de ser apenas desenvolver equipamentos mais eficientes; passa agora por reduzir o consumo energético dos edifícios ao longo de todo o seu ciclo de vida. Os fluidos frigorígenos de baixo impacto ambiental e os sistemas inteligentes de gestão energética terão um papel determinante.

Durante muitos anos, a inovação no AVAC mediu-se sobretudo pela eficiência dos equipamentos. Nos próximos anos será, cada vez mais, medida pela inteligência dos sistemas. A integração entre equipamentos, sensores e Inteligência Artificial permitirá otimizar consumos, antecipar necessidades de manutenção e melhorar continuamente o desempenho das instalações. Vejo estas tecnologias como ferramentas que reforçam a capacidade de decisão dos profissionais e tornam os edifícios mais eficientes, resilientes e sustentáveis.

É comum afirmar-se que o maior desafio do setor está na tecnologia. Partilha dessa visão?

Na minha opinião, é uma visão demasiado redutora.

Hoje o setor dispõe de tecnologias muito evoluídas para responder às exigências da eficiência energética e da descarbonização. O verdadeiro desafio já não é apenas desenvolver melhores soluções, mas garantir que são corretamente projetadas, instaladas, colocadas em funcionamento e mantidas ao longo do seu ciclo de vida.

É aqui que a qualificação dos profissionais assume um papel decisivo. A evolução tecnológica, a digitalização e a nova regulamentação europeia exigem competências cada vez mais especializadas e uma atualização permanente dos conhecimentos.

Os fabricantes têm, por isso, uma responsabilidade que vai além da inovação. Devem disponibilizar tecnologia, mas também conhecimento, formação e apoio técnico, contribuindo para que todo o mercado evolua de forma consistente.

Quais são hoje as principais prioridades estratégicas da Mitsubishi Electric Portugal?

A nossa estratégia assenta num crescimento sustentado e na criação de valor para os clientes e parceiros. Queremos continuar a liderar pela tecnologia, pela fiabilidade, mas também pela confiança. Num mercado em constante evolução, a capacidade de construir relações duradouras e de apoiar tecnicamente os profissionais é tão importante como a qualidade das soluções que desenvolvemos. É essa combinação que continuará a diferenciar a Mitsubishi Electric.

Podemos esperar novidades ao nível da organização e da estratégia da empresa nos próximos anos?

As organizações não se transformam por tendência; transformam-se para responder melhor ao mercado. É esse princípio que continuará a orientar a nossa evolução. Continuaremos a investir na transformação digital, na modernização dos processos e no reforço da proximidade aos diferentes segmentos de clientes, preservando a agilidade necessária para responder a um setor em permanente mudança.

Como imagina a Mitsubishi Electric Portugal e o mercado AVAC nacional daqui a cinco anos?

Vejo um mercado mais digital, mais eletrificado e orientado para a descarbonização, totalmente integrado na gestão energética dos edifícios. Daqui a cinco anos será natural que os sistemas AVAC aprendam continuamente a forma como um edifício é utilizado e ajustem automaticamente o seu funcionamento para maximizar a eficiência e o conforto. A inovação deixará de estar apenas nos equipamentos e passará cada vez mais pela inteligência com que todo o sistema funciona. Seguramente, a Mitsubishi Electric continuará a ter um papel determinante nesse novo contexto.

Que mensagem gostaria de deixar aos profissionais do setor AVAC?

Vivemos um momento decisivo para o setor AVAC. A transição energética exigirá inovação, conhecimento técnico e uma colaboração cada vez mais estreita entre todos os intervenientes da cadeia de valor. A tecnologia continuará a evoluir rapidamente, mas o verdadeiro fator diferenciador será a capacidade das pessoas para a transformar em valor acrescentado.


O texto acima é da inteira responsabilidade das empresas/entidades em causa.
Fonte: Press Release

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