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	<title>Odete de Almeida, autor em Edificios e Energia</title>
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	<link>https://edificioseenergia.pt/author/odete-de-almeida/</link>
	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 24 May 2021 08:43:43 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Odete de Almeida, autor em Edificios e Energia</title>
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		<title>Renovação energética: Afinal, é de saúde  que estamos a falar</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/forum/renovacao-energetica-2405/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Odete de Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 May 2021 08:41:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#FORUM]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Reduzir 55 % das emissões de CO2 até 2030 é o novo compromisso assumido pelos países membros da União Europeia (UE) em dezembro de 2020. É imperativo desenvolver todos os esforços para atingir as metas da descarbonização. O desafio a curto prazo é colossal e, por isso, cada Estado-Membro deve encarar realisticamente, etapa a etapa, este objetivo, contudo, a pobreza energética afeta aproximadamente 25 % da população portuguesa, o que faz com que esta situação tenha uma abordagem prioritária. Afinal, é da saúde dos ocupantes dos edifícios que estamos a falar.</p>
<p>O parque imobiliário da Europa é antigo e muda muito lentamente. Cerca de 85 % do parque imobiliário da UE foi construído antes de 2001. Segundo a UE, aproximadamente 95 % dos edifícios que existem hoje ainda existirão em 2030. A maioria dos edifícios existentes depende de combustíveis fósseis para aquecimento e arrefecimento, além de utilizarem equipamentos energeticamente ineficientes. No geral, os edifícios são responsáveis por cerca de 40 % do consumo total de energia da UE e por 36 % das emissões de gases com efeito de estufa. Aos quais temos de acrescentar a pobreza energética do parque imobiliário. Esta continua a ser uma dura realidade para milhões de europeus, especialmente para os portugueses.</p>
<p>A pobreza energética é uma incapacidade na qual as pessoas têm dificuldades em adquirir/comprar a energia necessária para atender às necessidades básicas nas suas habitações. Esta situação tem geralmente origem nas parcas condições e recursos da população. Muitos de nós têm conhecimento da existência passada de invernos com condensações nos vidros das janelas e das diferenças de temperaturas entre os vários compartimentos das habitações, assim como das noites sufocantes de verão no interior das casas.</p>
<p>Sabemos que há mais de 30 anos que se combate a pobreza energética nos edifícios em Portugal, nomeadamente nas habitações. Este combate tem tido êxito devido à imposição de adequadas soluções construtivas, através da publicação contínua de legislação que tem aumentando a qualidade térmica da envolvente e promovido a utilização de equipamentos energeticamente eficientes. Contudo, com o clima temperado que temos em Portugal e com o conhecimento científico e técnico que fomos adquirindo e atualizando desde a publicação do primeiro regulamento português dedicado ao comportamento térmico dos edifícios (RCCTE), parece-nos incompreensível que a pobreza energética atinja ainda 80 % dos portugueses.</p>
<p>Quem anda no terreno e estuda a situação do parque edificado nacional sabe que grande parte dos agentes envolvidos ainda não se conscientizou do papel reformulador que introduz na reabilitação habitacional. Além das questões do âmbito social, económico e ambiental, a reabilitação do parque edificado é uma forma de preservar a identidade dos valores culturais e tradicionais das próprias cidades. A somar a esta iliteracia patrimonial, temos a não existência de uma base de dados concreta sobre a dimensão e o estado do parque edificado. Se queremos atuar para melhorar as condições de conforto das habitações em Portugal, é necessário um diagnóstico completo e estruturado dos materiais e dos processos construtivos por tipologias, por exemplo. Só depois de ter esta e outras informações, se pode elaborar soluções técnicas concretas, claras e de custos baixos. É claro que o património edificado nacional é único e heterogêneo na expressão da diversidade cultural do nosso país, mas, precisamente por isto, devemos ter estudos que traduzam a realidade para que a ação dos agentes seja mais assertiva na renovação do nosso parque edificado.</p>
<blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para ultrapassar estas barreiras, é necessário atuar em diferentes frentes para promover uma melhor utilização dos fundos públicos comunitários e nacionais e mobilizar os agentes envolvidos.<br /></span></p>
</blockquote>
<p>O ponto de partida de uma renovação sustentável de um edifício é sempre uma decisão onde se pondera os custos e os benefícios espectados. No entanto, esta renovação pode ser muito demorada ou mesmo travada em diferentes pontos da cadeia de valor, isto é, desde a tomada de decisão inicial até aos custos de investimento e concretização da solução técnica estudada. São vários os possíveis obstáculos apontados à lentidão da renovação do parque edificado português, para lá dos já mencionados anteriormente, indico alguns de ordem técnica:</p>
<ul>
<li> A inadequação da indústria da construção para o sector da reabilitação, com a consequente falta de empresas certificadas, nomeadamente no interior do país;</li>
<li>A falta de capacitação dos profissionais envolvidos e consequente falta de qualidade das intervenções, ou seja, insuficiente preparação técnica dos projetistas, empreiteiros e fiscalização;</li>
<li>Dificuldade de encontrar mão-de-obra tecnicamente adequada, devido ao abandono das técnicas tradicionais nos últimos 40 anos;</li>
<li>A ideia pré-concebida de que a reabilitação é muito cara e impraticável, devido à incerteza e variação dos custos das matérias;</li>
<li>Dificuldade em assegurar as aproximações às exigências, ao nível de conforto, qualidade e salubridade comparativamente a um edifício novo.</li>
</ul>
<p>Também não menos importante é a falta de incentivos e produtos financeiro simples, atraentes e facilmente acessíveis para a renovação. Mesmo quando o financiamento se encontra disponível, a escassez de informações e o baixo conhecimento dos recursos disponíveis, assim como procedimentos complexos e restrições regulamentares, são obstáculos na cadeia de valor.</p>
<p>Para ultrapassar estas barreiras, é necessário atuar em diferentes frentes para promover uma melhor utilização dos fundos públicos comunitários e nacionais e mobilizar os agentes envolvidos. Uma melhor comunicação e informação sobre os apoios públicos e privados pode ajudar a canalizar o financiamento até aos utilizadores finais de uma forma mais eficaz. Da mesma forma, aligeirar os processos para promover sinergias e dinâmica no mercado da reabilitação, é um esforço prioritário que, com certeza, irá resultar numa maior intensificação do apoio e desenvolvimento de projetos a curto prazo. Actualmente, a complexidade do processo para obter um financiamento que melhore a qualidade da envolvente dos edifícios e a aquisição de equipamentos que utilizam energia renováveis, como painéis fotovoltaicos e coletores térmicos, é grande e, por isso, desmotivante para o público em geral.</p>
<p>A renovação habitacional nem sempre é possível de uma só vez. Portanto, é importante criar condições para que a renovação se faça por etapas e adaptadas à realidade socioeconómica de Portugal. Por isso, a renovação deve ser um projeto assumido pelas autoridades e sociedade portuguesa. A mobilização da população das cidades, autoridades locais e governamentais, partes interessadas e Estado português são fundamentais para a sustentar.</p>
<p>A Renonation Wave, anunciada em outubro de 2020 pela Comissão Europeia como estratégia para atingir as metas de descarbonização do parque edificado na Europa, é mais um mecanismo que, trabalhado de forma holística, contribuirá para a redução dos consumos energéticos nos edifícios, tornando-os ao mesmo tempo mais habitáveis e mais saudáveis para os seus ocupantes. Paralelamente, da indústria da construção espera-se que prospere com as oportunidades proporcionadas pela procura da reabilitação sustentada, reduzindo agressivamente a demanda de energia e as emissões de carbono dos edifícios e da construção civil.</p>
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<div class="et_pb_text_inner">
<p style="text-align: center;"><strong><em>As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não reflectem necessariamente as ideias da revista Edifícios e Energia.</em></strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O momento para  afirmação do AVAC</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/forum/forum-odete-efriarc-almeida-avac-2303/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Odete de Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Mar 2021 09:59:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#FORUM]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passado um ano de pandemia, o público em geral tem conhecimento de que os sistemas de ar condicionado não causam a doença Covid-19 provocada pela infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2. Mas, sim, o confinamento em espaços fechados com a presença de pessoas infetadas, onde não existem ventilação mecânica ou natural...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Passado um ano de pandemia, o público em geral tem conhecimento de que os sistemas de ar condicionado não causam a doença Covid-19 provocada pela infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2. Mas, sim, o confinamento em espaços fechados com a presença de pessoas infetadas, onde não existem ventilação mecânica ou natural.</p>
<p>Todos nos lembramos da posição inicial hesitante da Direção-Geral da Saúde (DGS), sobre o uso do ar condicionado na situação pandémica que se estava a iniciar, e também mais tarde, em maio, da leviana notícia transmitida no programa Polígrafo do canal de televisão SIC, que afirmava que o ar condicionado propagava o novo coronavírus. Todo o universo do ar condicionado, e muito bem, reagiu com estupefação a esta última noticia, negando perentória e publicamente tal afirmação. Associações responderam e, a 18 de março, já a EFRIARC tinha divulgado pelos seus associados e público um documento técnico com orientações aos profissionais de setor da climatização no contexto da atual pandemia.</p>
<p>Pessoalmente, apostei no ato profissional, consciente e responsável de todos os agentes do ramo da climatização como resposta assertiva e correta a dirigir àqueles que, de forma imprudente e pouco refletida, declararam afirmações sem fundamento científico e técnico. Até à data, com aproximadamente 72 milhões de infetados e lamentavelmente 1,6 milhões de mortes, à escala mundial, ainda não foi reportado nenhum caso que prove, baseado em dados oficiais, que os sistemas de climatização tenham sido veículos de infeção do SARS-CoV-2. Por isso, entidades internacionais, como a OMS, ASHRAE, REHVA, e outras entidades nacionais, como a DGS, consideram que o risco de transmissão do novo coronavírus gerado pela utilização de sistemas de climatização em espaços fechados é muito baixo, desde que se cumpram as regras para uma utilização segura, nomeadamente a sua manutenção. Perante os factos e declarações oficialmente divulgadas por tais entidades, continuo a fundamentar a minha opinião de que foi a atitude profissional e responsável assumida por todos os agentes do setor da climatização perante uma situação nova que afirmou a qualidade dos profissionais do AVAC.</p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Para responder à procura específica de equipamentos para a área da saúde provocada pela pandemia de Covid-19, o mercado do AVAC, nomeadamente os fabricantes de unidades de tratamento de ar, ventilação e equipamentos de filtragem, rapidamente desenvolveram unidades portáteis de purificação do ar por recirculação e filtragem do ar por filtros HEPA. </span></p></blockquote>
<h4>Atitude profissional e responsável é o caminho da afirmação do setor do AVAC</h4>
<p>Num cenário de completa incerteza, o setor do ar condicionado, ainda no início da pandemia, compreendeu que esta teria um enorme impacto no mercado. Para combater a perversa ideia que estava a surgir à volta do uso do ar condicionado, os profissionais sabiam que tinham de efetuar o seu trabalho baseado no conhecimento existente sobre doenças infectocontagiosas transmitidas pelo ar e nas primeiras orientações técnicas que começaram a ser divulgadas por instituições como a REHVA, ASHRAE, EFRIARC, etc. Assim, com um enorme sentido de responsabilidade, fizeram-se adaptações e alterações de sistemas de climatização existentes em edifícios, que, por força das circunstâncias, obrigatoriamente teriam de estar abertos no período de confinamento, tais como: hospitais, supermercados, farmácias e grande parte da indústria.</p>
<p>Para responder à procura específica de equipamentos para a área da saúde provocada pela pandemia de Covid-19, o mercado do AVAC, nomeadamente os fabricantes de unidades de tratamento de ar, ventilação e equipamentos de filtragem, rapidamente desenvolveram unidades portáteis de purificação do ar por recirculação e filtragem do ar por filtros HEPA. Com este tipo de equipamentos, ultrapassava-se, de uma forma rápida e eficaz, as dificuldades em termos logísticos de ocupação de espaço, que impossibilitavam a instalação de sistemas de ventilação fixos, constituídos por ventiladores, redes de condutas e sistemas de controlo ativo de pressões e de caudais de ar. Com a ajuda da comunidade científica, a sociedade começou a compreender que a ventilação dos espaços fechados, acompanhado do uso de máscara, lavagem das mão e distanciamento social, executados em conjunto, seria o meio para mitigar a pandemia, antes da produção e distribuição massiva de uma vacina para combater a Covid-19.</p>
<p>Embora como aumento de produção de equipamentos específicos destinados aos edifícios de saúde e com um ligeiro acréscimo da gama de “splits” domésticos, resultante das situações de teletrabalho com a chegada do Verão, segundo entidades como a Eurovent, houve um decréscimo nas vendas de equipamento de ar condicionado em todos os países da Europa. Esta situação aconteceu devido à incerteza do momento que levou ao adiamento de novos projetos e construção de edifícios em 2020, com presumível repercussão para 2021. A par da redução de vendas de equipamentos de ar condicionado, começou a aumentar o interesse por equipamentos relacionados com a qualidade do ar interior (QAI).</p>
<p>A justificação técnico-científica para o caso globalmente conhecido da propagação da Covid-19 num restaurante em Guangzhou na China ajudou a sociedade a compreender o risco que existe de transmissão do novo coronavírus em espaços interiores com equipamentos de ar condicionado, mas carenciados de meios de ventilação mecânica ou natural. Este e outros casos, onde a dispersão do ar é menos efetiva, detonaram novamente as questões relacionadas com a QAI nos edifícios que há muito os técnicos da área reclamam de volta.</p>
<p>Por conseguinte, com a questão da Covid-19, há um novo posicionamento do setor no mercado da construção de edifícios. Os investidores e donos de edifícios reforçaram a necessidade de considerar sistemas de ventilação, filtragem e purificação do ar, apesar de nada ser novo. Atualmente, nos edifícios, o desafio é atender aos requisitos de QAI, tendo como base as instalações existentes em edifícios como: escritórios, centros comerciais, escolas, hospitais e habitações. Será necessário conjugar e reforçar a tecnologia existente, com os sistemas IT, onde a monitorização e controlos inteligentes ajudarão, por exemplo, a monitorizar a QAI, começando com a simples medição da taxa de CO2 no interior dos espaços. Para que QAI tenha impacto é necessário investir tempo, esforços e dinheiro, apostando na investigação; desenvolvimento de novos produtos; formação e publicações de guias de boas práticas; e nomeadamente sensibilizar as autoridades governamentais para as questões da QAI nos edifícios e na indústria.</p>
<h4>TRIA: QAI ↔ Eficiência energética ↔ Manutenção</h4>
<p>Quando se tenta prever o mercado nos próximos anos, antevêem-se algumas mudanças no comportamento do mercado e da sociedade. Na minha opinião, deixará de existir uma hierarquia entre as subáreas eficiência energética, QAI e manutenção/monotorização para haver uma interação triangular entre estas nos edifícios.</p>
<p>Se esta interação triangular for efetuada por profissionais habilitados nas áreas do projeto, instalação e manutenção, com a devida responsabilização, o setor do AVAC será certamente valorizado em todo o ciclo de vida do edifício.</p>
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<div class="et_pb_text_inner">
<p style="text-align: center;"><strong><em>As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não reflectem necessariamente as ideias da revista Edifícios e Energia.</em></strong></p>
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<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/forum/forum-odete-efriarc-almeida-avac-2303/">O momento para  afirmação do AVAC</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>AVAC, um setor à disposição para ajudar a combater a pandemia</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/forum/avac-disposicao-0911efriarc/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Odete de Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Nov 2020 09:48:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#FORUM]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Continuamos envolvidos numa crise histórica que ainda decorre. Uma crise disruptora e evolutiva, cujos efeitos continuarão a fazer-se sentir de forma global e imprevista. Prevê-se que a economia mundial seja profundamente afetada e que a paralisação económica coloque muitas empresas em risco...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Continuamos envolvidos numa crise histórica que ainda decorre. Uma crise disruptora e evolutiva, cujos efeitos continuarão a fazer-se sentir de forma global e imprevista. Prevê-se que a economia mundial seja profundamente afetada e que a paralisação económica coloque muitas empresas em risco. Fala-se de uma segunda vaga e da adoção de medidas para travar uma nova escalada da Covid-19. A pandemia continua a alimentar as nossas incertezas e os nossos receios, embora a confiança nas instituições académicas, governamentais e privadas seja um dos nossos refúgios.</p>
<p>Após o desconfinamento, grande parte da população portuguesa regressou às suas rotinas não obstante algumas limitações. Voltou-se para os locais de trabalho físicos. Reabriram-se determinados estabelecimentos de comércio e de lazer. A oferta de transportes públicos foi diminuída e, com isto, aumentou o receio de contágio nos passageiros. As dúvidas dos proprietários e dos clientes dos edifícios, relativamente à segurança dos estabelecimentos quanto à transmissão do novo coronavírus SARS-CoV-2 através do ar condicionado, instalaram-se. Provavelmente porque ainda se lembram de um estudo divulgado por um investigador chinês do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças de Guangzhou que apontou o ar condicionado como o causador da transmissão do SARS-CoV-2 no seio de três famílias depois de estas terem jantado no mesmo restaurante. É sabido que esta pesquisa tem limitações porque, por exemplo, não existiu qualquer estudo experimental simulando a rota de transmissão área e não foram efetuados estudos aos membros das famílias para aferir o risco de infeção.</p>
<p>Face a esta publicação alarmante e outras, a EFRIARC, assim como outras associações do setor, consideraram ser muito importante informar as autoridades de saúde públicas e privadas sobre o uso do ar condicionado em situação de pandemia. Deste modo, a EFRIARC elaborou o primeiro parecer técnico em abril e enviou-o às autoridades de saúde, à comunicação social, aos seus associados e ao público em geral. Da mesma forma que, em agosto, se disponibilizou, junto dos ministérios da Educação e do Ensino Superior e direções regionais de Educação, para fornecer orientações e esclarecimentos para a abertura do próximo ano letivo, no que concerne à operação e adaptação dos sistemas de climatização e ventilação. É uma forma de apoiar e garantir futuro trabalho no setor quando autoridades governamentais e privadas têm conhecimento de que os sistemas de ar condicionado devem ser acompanhados e mantidos por uma equipa técnica especializada. E que o risco de transmissão do novo coronavírus é muito reduzido quando as decisões sobre os sistemas de ar condicionado envolvem todas as partes intervenientes (utilizadores, entidade gestora do edifício, equipa de condução e manutenção, instaladores e projetista).</p>
<p>Neste seguimento, o último parecer técnico elaborado pela Comissão Técnica da EFRIARC, em julho, é, na minha opinião, um dos documentos técnicos mais completos que foram enviados ao setor, pois emite recomendações distintas para edifícios sem sistemas de ventilação mecânica e para edifícios dotados de sistemas centralizados de ventilação e/ou ar condicionado. Este documento técnico da EFRIARC foca orientações sobre sistemas e equipamentos de uma forma mais aprofundada. Por isso, penso que apresentá-lo neste artigo é primordial para acrescentar mais conhecimento aos técnicos e profissionais do ar condicionado neste momento crítico de contenção da pandemia.</p>
<blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O parecer técnico elaborado pela Comissão Técnica da EFRIARC em julho é um dos documentos técnicos mais completos que foram enviados ao setor, pois emite recomendações distintas para edifícios sem sistemas de ventilação mecânica e para edifícios dotados de sistemas centralizados de ventilação e/ou ar condicionado. Este documento técnico da EFRIARC foca orientações sobre sistemas e equipamentos de uma forma mais aprofundada. </span></p>
</blockquote>
<h4>Recomendações ao setor AVAC&amp;R no contexto da Covid-19 apresentadas no parecer técnico da EFRIARC de 19 de julho 2020:</h4>
<p><strong>1- Edifícios sem sistemas de ventilação mecânica</strong></p>
<p>a) Sempre que as condições atmosféricas o permitirem, promover a ventilação natural dos espaços através da abertura de janelas e portas;</p>
<p>b) Se existir necessidade de arrefecimento ou aquecimento dos espaços, os equipamentos individuais de ar condicionado devem estar ligados;</p>
<p>c) Deve ser considerada a instalação de unidades portáteis de purificação do ar, por recirculação e filtragem de alta eficiência do ar, especialmente em espaços com ocupação elevada;</p>
<p>d) Pode ser considerada a aplicação de sistemas de desinfeção do ar por radiação ultravioleta (UV), especialmente em espaços com ocupação elevada. Neste caso, deve ser acautelada a proteção dos ocupantes relativamente à incidência direta da radiação ultravioleta.</p>
<p><strong>2 &#8211; Edifícios dotados de sistemas centralizados de ventilação e/ou ar condicionado </strong></p>
<p>a) Se possível, aumentar o caudal de ar novo (através da alteração da relação de transmissão do ventilador, da programação do variador de frequência, do ajuste da posição de registos de balanceamento, etc.);</p>
<p>b) Sempre que possível, operar os sistemas de ar condicionado com 100 % de ar novo;</p>
<p>c) Em sistemas com recirculação nos quais não seja possível aplicar a recomendação anterior, melhorar a eficiência de filtragem na unidade de tratamento de ar. Neste caso, aplicar filtros com eficiência mínima de classe F7 (ePM1 50 %);</p>
<p>d) Garantir a correta instalação dos filtros nas UTAs, limitando as fugas por bypass;</p>
<p>e) Prolongar o tempo de operação dos sistemas de ventilação para além do período de ocupação do edifício. Se possível, mantê-los em funcionamento contínuo;</p>
<p>f) Estratégias de redução do consumo de energia aplicadas às taxas de ventilação dos espaços, como Demand Controlled Ventilation (DCV) devem ser desativadas;</p>
<p>g) Desativar os sistemas de recuperação de calor que não garantam estanquidade, por exemplo, rodas térmicas;</p>
<p>h) Utilização dos sistemas de humidificação, caso existam, nos seus valores normais de referência (40 % ≤ HR ≤ 60 %);</p>
<p>i) Deve ser considerada a instalação de unidades portáteis de purificação do ar, por recirculação e filtragem de alta eficiência do ar, especialmente em espaços com ocupação elevada;</p>
<p>j) Pode ser considerada a aplicação de sistemas de desinfeção do ar por radiação ultravioleta (UV), especialmente em espaços com ocupação elevada. Neste caso, deve ser acautelada a proteção dos ocupantes relativamente à incidência direta da radiação ultravioleta;</p>
<p>k) A utilização de sistemas de desinfeção do ar por ozono ou que tenham ozono como subproduto pode ser considerada apenas em espaços desocupados. É totalmente desaconselhada a sua utilização em espaços com ocupação humana;</p>
<p>l) A utilização de sistemas de desinfeção do ar por ionização deve ser cuidadosamente analisada, pois os estudos sobre o desempenho dos mesmos são escassos e não conclusivos relativamente à sua eficácia;</p>
<p>m) As alterações de layout decorrentes de obras de remodelação de espaços interiores têm de ter em conta a satisfação dos requisitos mínimos de ventilação e garantir a correta distribuição do ar novo;</p>
<p>n) Assegurar que todos os sifões da rede de esgotos estão sifonados, i.e., cheios com água;</p>
<p>o) Não existe a necessidade de antecipar tarefas programadas de substituição dos filtros de ar; estes devem ser substituídos sempre que o seu estado de colmatação conduzir a uma redução significativa de caudal;</p>
<p>p) Se possível, adiar as operações de limpeza de condutas;</p>
<p>q) Caso seja indispensável a realização, neste período mais crítico, das operações de manutenção referidas nos pontos anteriores, utilizar equipamentos de proteção individual (EPI) pela equipa de manutenção (máscara, óculos e luvas descartáveis), especialmente no manuseamento dos filtros de ar, e fazer a lavagem eficaz das mãos com sabão ou soluções alcoólicas após a conclusão das operações.</p>
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<p style="text-align: center;"><strong><em>As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não reflectem necessariamente as ideias da revista Edifícios e Energia.</em></strong></p>
</div>
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<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/forum/avac-disposicao-0911efriarc/">AVAC, um setor à disposição para ajudar a combater a pandemia</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Na expectativa da mudança, só a incerteza é certa</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/forum/incerteza-efriarc-pandemia1109/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Odete de Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2020 07:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#FORUM]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após muitas semanas de confinamento, perda trágica de vidas humanas e encerramento de grande parte da economia mundial, a incerteza é ainda o substantivo que descreve o presente momento histórico. As empresas reabrirão e os empregos voltarão?</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/forum/incerteza-efriarc-pandemia1109/">Na expectativa da mudança, só a incerteza é certa</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4>A pandemia levará a alterações permanentes no sector AVAC&amp;R que se tornarão aparentes apenas mais tarde</h4>
<p>Após muitas semanas de confinamento, perda trágica de vidas humanas e encerramento de grande parte da economia mundial, a incerteza é ainda o substantivo que descreve o presente momento histórico. As empresas reabrirão e os empregos voltarão? Vamos viajar de novo? A injecção de dinheiro dos bancos centrais e governos será suficiente para impedir uma recessão profunda e duradoura, ou não? Poderá ser o futuro, após a pandemia, mais tranquilo do que actualmente aparenta?</p>
<p>Para sobreviver à crise financeira de 2008, o sector da construção adoptou o modelo de menor custo em todos os elos da cadeia. Assim, construiu-se um sistema não resiliente, de baixo investimento e vulnerável a interrupções. A prestação de serviços intensiva com baixa remuneração nas áreas da climatização e ventilação dos edifícios pôde ser capaz de absorver pequenos problemas, mas agora poderemos assistir a um mercado encurralado por uma perturbação não planeada. Deveríamos ter refletido e aprendido a lição com a crise financeira de 2008. Mas a resposta do sector da construção pós-2008 foi a implementação de um sistema que se foi apurando ao longo dos anos, fácil e com resultados que parecem eficientes. “Primeiro, estranha-se, mas, depois, entranha-se”.</p>
<h4>Há algo novo sob o sol</h4>
<p>Quando o prenúncio de uma nova crise mais global e com consequências ainda mais trágicas do que a crise financeira de 2008 foi anunciada pelas agências e organização internacionais, o primeiro impulso foi procurar analogias históricas &#8211; 1914, 1929, 1941? Desde então, o que se tem verificado é a novidade histórica pela qual estamos a passar. Há algo de novo sob o sol.</p>
<p>O que pensávamos já pertencer ao passado, isto é, a crise da construção que provocou grandes dificuldades às empresas no período contido entre 2009 a 2014, poderá voltar radicalmente. Desde o choque da crise financeira de 2008, houve uma profunda alteração nas empresas, de modo, a que estas pudessem competir num mercado excessivamente escasso. Grande parte das empresas gerou recursos para ultrapassar esses tempos difíceis, mas algo restou desse período penoso, o receio perante uma incerteza futura. Agora, sabemos que essa incerteza verdadeiramente existe.</p>
<p>Se a resposta do sector pós-crise 2008 foi arregaçar as mangas e arriscar, apostando no mercado interno e na internacionalização das empresas, criando assim, novos postos de trabalho cujas remunerações baixas permitiram a sua sobrevivência, a verdade é que o sector reanimou. E, a comprovar este feito, foram os resultados dos últimos dois anos, que prenunciavam um futuro próximo mais promissor, onde, de uma forma paulatinamente, se estava a preceder à incorporação de novas tecnologias na fase de projecto, à utilização de equipamentos mais eficiente e utilização de energias renováveis e, também, à consciencialização de uma manutenção preventiva nos edifícios. Neste período de Covid-19, a resposta imediata do sector à crise da pandémica foi a adaptação integral ou parcial das empresas à digitalização.</p>
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<p><span style="font-weight: 400;">Espera-se que, depois da pandemia da Covid-19 e ultrapassada a consequente crise financeira, se possam ter criado novas oportunidades de emprego, aumentando os recursos para implementar novas tecnologias e melhorar os benefícios neste sector [instalação] tradicionalmente de baixos salários, nomeadamente nos últimos anos. </span></p>
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<h4>Utilização forçada do digital no sector da construção poderá acelerar o desenvolvimento de um ambiente sustentável</h4>
<p>A pandemia e a recuperação subsequente muito provavelmente irão acelerar a digitalização e a automação do sector dos edifícios, com a contratação de técnicos com qualificação superior e aquisição de novos equipamentos e ferramentas de trabalho.</p>
<p>Provocadas pela Covid-19, mudanças nas mentalidades dos investidores sobre o ambiente construído e alterações climáticas poderão surgir e, posteriormente, gerar uma economia mais sustentável nas áreas da climatização e ventilação. A adopção de medidas para responder às solicitações de sustentabilidade requeridas para os edifícios, com certeza, mudarão as metodologias de trabalho e provocarão a utilização maciça de novas mas já conhecidas tecnologias, como o BIM. Assim, será de esperar que a composição das empresas de projecto, fiscalização e manutenção se altere substancialmente, com a aposta em profissionais com qualificação superior e especializada, aumentando, deste modo, por exemplo, a riqueza gerada pela parcela de serviços na actividade da construção ou recuperação dos edifícios.</p>
<p>No lado da instalação, o teletrabalho, embora com grandes potencialidades, por inerência da actividade poderá ter uma implementação somente parcial. Embora se espere também que este ramo do AVAC&amp;R, que, por vezes, apresenta problemas a nível de qualificação dos seus intervenientes, nomeadamente quando responde a obras com preços demasiados baixos, consiga atingir níveis de qualidade superiores após a pandemia.</p>
<p>Assim, espera-se que, depois da pandemia da Covid-19 e ultrapassada a consequente crise financeira, se possam ter criado novas oportunidades de emprego, aumentando os recursos para implementar novas tecnologias e melhorar os benefícios neste sector tradicionalmente de baixos salários, nomeadamente nos últimos anos.</p>
<p>Em oposição a este cenário mais optimista, apresenta-se o cenário realista que alguns profissionais julgam ser o mais provável: a grande possibilidade de que a desaceleração da economia acelere o crescimento de empregos precários e fora do padrão, levando a novos sistemas de negociação de projectos e obras. A realização de sessões e cursos de ética e deontologia profissional provavelmente terão de ser efectuados, com a ajuda do digital amplamente utilizado durante o confinamento, evitando que as condições pré-existentes da economia piorem após a pandemia.</p>
<h4>Esta atmosfera expectante poderá abrir uma janela para mudança</h4>
<p>Há mudanças fundamentais que acontecem de tempos a tempos – geralmente em tempos controvados. A crise provocada pela pandemia criou um tempo de dificuldades, no qual algumas mudanças fundamentais parecem repentinamente possíveis. Esperemos que esta atmosfera de inquietude aproxime as pessoas sector, pois neste momento compartilham as mesmas consequências originadas por um inimigo comum, o novo coronavírus.</p>
<p>Este ambiente, com projecções fatídicas para a economia, está a gerar, na outra face da moeda, uma união a nível global relativamente a assuntos que estavam a ser ignorados e adiados, como as alterações climáticas. No campo dos edifícios, é uma excelente oportunidade para a Qualidade do Ar Interior (QAI) voltar a ser discutida. As evidências de que esta pandemia fez ressurgir relativamente à criação e manutenção de um bom ambiente interior poderão ser razões suficientes para a revisão dos diplomas sobre esta matéria por parte das entidades governamentais.</p>
<p>Existem razões para esperar que a pandemia possa abrir uma janela para refletirmos sobre a responsabilidade que cada um de nós demonstra no sector do HVAC&amp;R. Como estamos todos do mesmo lado nesta adversidade, podemos encontrar agora a motivação para construir novas formas de ultrapassar as dificuldades que todos conhecemos que existem no nosso sector, permitindo, no futuro, o aumento da qualidade do trabalho e de vida dos profissionais.</p>
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<p style="text-align: center;"><strong><em>As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não reflectem necessariamente as ideias da revista Edifícios e Energia.</em></strong></p>
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		<title>O recurso solar é grande e inesgotável!</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/forum/solar-forum-efriarc-1507/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Odete de Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2020 09:41:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#FORUM]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não há dúvida de que as energias renováveis terão de desempenhar um papel importante nos sistemas de energia. E a energia solar ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Não há dúvida de que as energias renováveis terão de desempenhar um papel importante nos sistemas de energia. E a energia solar tem um potencial elevado para contribuir no futuro destes sistemas. Actualmente, os sistemas solares térmicos são considerados uma tecnologia bem consolidada, com um alto padrão técnico e confiável na produção de energia a baixa e média temperatura, aos quais acrescem os benefícios económicos. A visão do desenvolvimento económico deverá incluir tecnologias solares, de modo a reduzir o consumo de energias convencionais nos edifícios e construir um plano estratégico para uma indústria sustentável. Necessário é que as políticas de apoio à transição de combustíveis fósseis para fontes renováveis continuem, de modo a incentivar fortemente a adoção de sistemas de solares térmicos nos sectores residencial, serviços e indústria.</p>
<p>A energia solar anual que chega à superfície terrestre é aproximadamente 10 000 vezes superior (1,5 x 1018kWh) ao consumo mundial de energia durante o mesmo período (Moita, 2010). Portugal é um dos países da Europa com maior potencial para explorar o recurso solar relativamente aos outros países europeus. Por exemplo, na Alemanha, o número médio anual de horas de sol varia entre 1200 e 1700 horas, enquanto, em Portugal, esse valor se encontra entre 2200 e 3000 horas (DGEG, 2016).</p>
<p>Desde a antiguidade, o Homem constatou que a vida depende do sol. Remontam aos séculos A.C., princípios de construção de habitações viradas a Sul, com fachadas mais altas para que os raios solares penetrassem diretamente pelas aberturas durante o inverno. Até chegar as primeiras instalações solares para aplicação doméstica que remontam à primeira metade do século XX, muitas foram as experiências de aproveitamento solar térmico realizadas ao longo dos tempos, onde não se considerou oportuna a sua aplicação. Porém, foi com o objetivo de alcançar uma solução alternativa que produzisse água quente sanitária (AQS) para uma população que aumentava significativamente e com parcos recursos financeiros que, em 1950, a Universidade do Arizona ensaiou uma instalação de coletores solares térmicos a baixa temperatura para o aquecimento de água dos edifícios.</p>
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<p><span style="font-weight: 400;">Se o potencial do solar térmico no setor habitacional, serviços e na indústria é elevado, então, porque é que Portugal tem vindo a apresentar dificuldades em cumprir as metas de energias renováveis estabelecidas até 2020 (31 % de energias renováveis)? </span></p>
</blockquote>
<p>No que respeita a Portugal, e à semelhança do ocorrido em outros países da OCDE, após a crise petrolífera de 1973, uma maior atenção foi dedicada à energia solar. Sendo Portugal um dos países com alta dependência energética, a procura de energias alternativas espoletou, surgindo, assim, o mercado dos sistemas solares térmicos domésticos. Após o primeiro período de expansão destes sistemas na década de 1980, o mercado do solar térmico decaiu até 2006, quando a imposição legal transcrita no regulamento, RCCTE, obrigou a instalação de painéis solares dedicados às AQS nas habitações. É com a aprendizagem dos erros do passado que afetaram negativamente a imagem do solar térmico e com a obrigatoriedade legal que o número de instalações solares em Portugal aumentou até à crise financeira 2008.</p>
<p>Atualmente, os sistemas solares térmicos são considerados uma tecnologia bem consolidada, com um alto padrão técnico e confiável, especialmente no aquecimento das águas sanitárias. Adicionalmente, a sua utilização estende-se também ao aquecimento e arrefecimento ambiente, e ao aquecimento da água das piscinas. Os argumentos para a utilização do solar térmico são fortes e são reconhecidas as seguintes vantagens:</p>
<p>▪ o recurso solar é grande e inesgotável;</p>
<p>▪ os benefícios económicos dos sistemas solares térmicos são significativos quando devidamente dimensionados (perfil de utilização) e instalados;</p>
<p>▪ a utilização dos sistemas solares térmicos reduz até um terço a conta de energia numa habitação, considerando uma família de quatro pessoas e uma área de coletores solares igual a 4 m<sup>2 </sup>(DGEG, 2017);</p>
<p>▪ os sistemas solares térmicos contribuem para preservação do ambiente;</p>
<p>▪ promovem o emprego e, consequentemente, o desenvolvimento económico sustentável das nações.</p>
<p>Se o potencial do solar térmico no setor habitacional, serviços e na indústria é elevado, então, porque é que Portugal tem vindo a apresentar dificuldades em cumprir as metas de energias renováveis estabelecidas até 2020 (31 % de energias renováveis)? Isto, sabendo que a utilização do solar térmico tem um contributo substancial (Plano Nacional de Ação para as Energias Renováveis, PNAER, 2013) na redução das emissões de CO<sub>2</sub>. São algumas as causas que poderão justificar o não alcance da quota por parte de Portugal:</p>
<p>a) Deficiente comunicação das políticas energéticas por parte Administração Pública;</p>
<p>b) Desconhecimento total por parte dos investidores e utilizadores finais dos benefícios económicos e ambientais obtidos com o solar térmico (ST);</p>
<p>c) Elevado custo inicial dos sistemas ST;</p>
<p>d) Anulação dos apoios financeiros por parte das entidades governamentais para a aquisição do ST;</p>
<p>e) Insuficiente conhecimento por parte dos técnicos no que concerne ao dimensionamento e instalação dos ST;</p>
<p>f) Má reputação devido à falta de manutenção;</p>
<p>g) Não existência de estudos técnico-económicos que comparem diferentes soluções de energias renováveis, o que se traduz numa completa confusão no mercado sobre o sistema de energia renovável a utilizar para as AQS e aquecimento ambiente.</p>
<p>Embora sejam apontados alguns fatores para o não crescimento do ST na proporção de que crucialmente necessitamos, também é verdade que não nos encontramos estagnados. Conforme os últimos dados das associações do sector, em 2018, os números das instalações ST na Dinamarca e Polonia cresceram surpreendentemente e, no Sul da Europa, verificou-se a retoma do mercado com uma subida de 2 %. Embora ténue, esta cifra significa uma mudança em relação aos anos anterior, em que os valores das novas instalações ST se encontravam abaixo da linha de água devido, principalmente, à crise na construção. Interessante é constatar que atualmente a Alemanha não acompanha a tendência do crescimento do ST, devido à utilização das bombas de calor para AQS e aquecimento ambiente em detrimento dos sistemas ST. Daqui se realça que é vasta a opção por soluções energeticamente sustentáveis, quer sejam renováveis, quer de alta eficiência energética, e que todas as soluções alternativas às fontes fósseis poderão coexistir para o bem do todos e do ambiente. O mais importante é seguirmos juntos uma trajetória tecnicamente exequível, economicamente viável e socialmente aceite que permita alcançar o objetivo de neutralidade carbónica e reverter as alterações climáticas.</p>
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<p style="text-align: center;"><strong><em>As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não reflectem necessariamente as ideias da revista Edifícios e Energia.</em></strong></p>
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