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	<title>Helder Gonçalves, autor em Edificios e Energia</title>
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	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
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		<title>Sobre o mega projeto da antiga feira popular</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/opiniao-analise/0908-helder-goncalves-sobre-o-mega-projeto-da-antiga-feira-popular/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Helder Gonçalves]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Aug 2023 08:40:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[arrefecimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A propósito de uma notícia no jornal Público de 1 de agosto de 2023, na página 20 (Local &#124; Operação imobiliária em curso), com o título Megaprojecto na antiga Feira Popular mudará a cara de Entrecampos, assinada por Samuel Alemão, com uma fotografia (©DR) que reproduzo.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/opiniao-analise/0908-helder-goncalves-sobre-o-mega-projeto-da-antiga-feira-popular/">Sobre o mega projeto da antiga feira popular</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A propósito de uma notícia no jornal <em>Público</em> de 1 de agosto de 2023, na página 20 (Local | Operação imobiliária em curso), com o título </strong><strong><em><a href="https://www.publico.pt/2023/07/31/local/noticia/antiga-feira-popular-lisboa-arrancou-megaprojecto-mudara-cara-entrecampos-2058738">Megaprojecto na antiga Feira Popular mudará a cara de Entrecampos</a></em>, assinada por Samuel Alemão, com uma fotografia (©DR) que reproduzo.</strong></p>
<p>Visualizando somente a imagem, e reajo tendo somente esta imagem em mente, destaca-se um conjunto de edifícios com vãos envidraçados de largas dimensões, com orientação Sul e Poente, e, portanto, sujeito a grandes níveis de radiação solar. Não sendo possível visualizar dispositivos de sombreamento externo, a consequência imediata é que serão edifícios com elevadas cargas térmicas, com elevadas necessidades energéticas de arrefecimento (ar condicionado), pelo menos, na situação de verão; não irei referir a situação do inverno, que obviamente necessita de cuidadosa análise térmica e energética.  Serão, portanto, edifícios muito “consumidores de energia” para o conforto térmico, pouco “sustentáveis”, pouco “verdes”, e seguramente na direção errada dos <em>NET ZERO ENERGY Buildings</em> (NZEB) e muito menos dos <em>Zero Emmission Buildings (ZEB)</em><em>.</em></p>
<p>É lamentável se tal for o que parece mostrar a imagem. Há, em Portugal, Engenharia e Arquitectura capaz de projetar edifícios que vão na “boa” direção, construindo edifícios de baixo consumo, amigos do ambiente não só NZEB, mas denominados <em>Positive Energy District</em>, [conceito que retrata] um quarteirão que produz a energia que vai consumir e ainda pode comercializar a restante.</p>
<p>E, depois, há um outro problema muito mais grave, e chama-se aquecimento global e sobreaquecimento das cidades. Lisboa já vive essa situação com as denominadas ondas de calor: em 2022, o mês de julho sofreu três ondas de calor, [sendo que] a segunda durou nove dias, com graves consequências na saúde pública.</p>
<p>Como é possível projetar vários quarteirões da cidade sem ter estes aspetos em consideração na projeção dos seus edifícios? Pergunto-me se a imagem corresponde mesmo ao projeto? Custa-me muito a crer. O ar condicionado não pode resolver tudo, e não deve. Todas as diretivas europeias, o PNEC2030 (<em>Plano Nacional de Energia e Clima</em>) e o RNC2050 (<em>Roteiro da Neutralidade Carbónica</em>) apontam outro caminho.</p>
<p>De referir que a câmara municipal de Lisboa e a Lisboa E-Nova, a Agência de Energia de Lisboa, desenvolveram um estudo, juntamente com o IGOT, muito aprofundado sobre as “Ondas de Calor em Lisboa” com dados muitos sérios, e com projeções futuras muito graves para a saúde e para o bem-estar dos seus cidadãos.</p>
<p>É urgente uma nova atitude das entidades licenciadoras, dos promotores e dos projetistas, uma nova perspetiva que tem de ser assumida no projeto dos novos edifícios, num mundo que já se encontra na era do <em>Global Boiling</em>.</p>
<p style="text-align: center;"><strong style="text-align: center;"><em>As conclusões expressas são da responsabilidade do autor</em></strong><strong style="text-align: center;"><em>.</em></strong></p>
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		<title>Sobreaquecimento: o desafio futuro dos edifícios e das cidades</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/desafio-futuro-cidades-0303-hg/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Helder Gonçalves]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Mar 2022 10:51:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por todo o mundo, e também em Portugal, as cidades estão a sobreaquecer no verão e os nossos edifícios necessitam de se preparar para enfrentar essa situação. As alterações climáticas estão aí; são percecionadas ...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/desafio-futuro-cidades-0303-hg/">Sobreaquecimento: o desafio futuro dos edifícios e das cidades</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Por todo o mundo, e também em Portugal, as cidades estão a sobreaquecer no verão e os nossos <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/arcondicionado-aie0108/" target="_blank" rel="noopener">edifícios necessitam de se preparar para enfrentar essa situação</a>. As <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/energia-cimeira-regioes-1305/" target="_blank" rel="noopener">alterações climáticas estão aí</a>; são percecionadas e sentidas por todos, principalmente no verão, que são mais quentes e mais secos.</p>
<p>O aumento da temperatura nas cidades no verão tem como consequência principal o desconforto térmico generalizado no nosso parque residencial e provoca, adicionalmente, um grande problema de saúde pública que afeta a população mais idosa, verificando-se, inclusive, uma correlação direta entre o aumento de óbitos e o aumento de temperatura no verão. Outra consequência deste fenómeno é o aumento dos consumos energéticos devido à utilização do ar condicionado nos edifícios e uma sobrecarga do sistema energético no período da tarde, quando a temperatura e a radiação solar se fazem sentir com mais intensidade.</p>
<p>Pode perguntar-se &#8220;o que fazer? Porque chegámos a esta situação?&#8221;. Há <a href="https://edificioseenergia.pt/entrevista/joao-pedro-gouveia-eficienciaenergetica-2601/" target="_blank" rel="noopener">várias razões que explicam porque aqui chegámos</a>, mas também há várias medidas que podem melhorar a situação e isso é o mais importante. Comecemos com o &#8220;como aqui chegámos&#8221;: falemos do caso concreto das cidades, onde a densidade urbana aumentou nas últimas décadas e, consequentemente, as zonas &#8220;abertas&#8221; das cidades, as zonas verdes, arejadas, que permitiam uma circulação de massas de ar, foram diminuindo, o que fez aumentar a concentração de calor. Essa &#8220;conquista&#8221; urbanista conduziu a mais &#8220;alcatrão&#8221;, ou seja, a volumetrias com elevada capacidade de armazenamento térmico e elevado coeficiente de absorção da radiação solar – isto é, absorve o calor durante o dia e mantém-se quente durante a noite.</p>
<p>Em muitas destas zonas urbanas já se verificava a chamada &#8220;ilha de calor urbano&#8221;, ou seja, zonas específicas da cidade cuja temperatura é superior à temperatura média verificada na cidade. Este fenómeno já é conhecido há dezenas de anos e estudado de forma continuada (Alcoforado et al.), e tem aumentado precisamente pela via da densificação urbana e dos fenómenos que lhe são associados.</p>
<p>Para agravar este filme de terror, composto por &#8220;ilhas de calor urbano&#8221; e &#8220;densificação urbanística&#8221; (maior densidade construtiva, menor área verde e, logo, menos ventilação e arrefecimento noturno, mais alcatrão), verifica-se um aumento das denominadas &#8220;ondas de calor&#8221;, que ocorrem quando, num período de seis dias consecutivos, a temperatura máxima é 5 ºC maior do que o valor da temperatura média, sendo, neste momento, de 11 dias por ano na Área Metropolitana de Lisboa, com projeções de subida para os 38 dias/ano em 2050 e temperaturas de 40 ºC (António Lopes e Eziquiel Correia et al.).</p>
<p>Perante este cenário, o que se verifica é que os edifícios não estão preparados para este verdadeiro &#8220;inferno&#8221; que se aproxima no período de verão, e, consequentemente, as famílias passam mal ou utilizam o &#8220;ar condicionado&#8221; (aqueles que o podem pagar). Em consequência, a temperatura do ar exterior ainda aumenta – um filme &#8220;Dantesco&#8221; que urge mitigar.</p>
<p>O que fazer, então? Os edifícios deverão ser construídos ou reabilitados de forma a evitar os &#8220;ganhos solares no verão&#8221;, as zonas envidraçadas devem ser sombreadas pelo exterior, especialmente as orientadas a poente (pois recebem a radiação solar da parte da tarde ao mesmo tempo que a temperatura exterior está a aumentar). As coberturas devem ser isoladas termicamente pelo exterior e/ou ter sombreamento ou uma cobertura verde, já que são as coberturas ou os telhados que, efetivamente, recebem grande parte da radiação solar, principalmente no verão, quando o sol se encontra mais na vertical. O isolamento térmico nas paredes exteriores deverá ser colocado pelo exterior – que não haja dúvidas disso –, onde tal for possível – essa é a melhor situação, pois, em termos de transferência de calor, &#8220;protege&#8221; a massa inercial do contacto direto à radiação solar. Outro fator muito importante é a cor das superfícies exteriores, que deve ser clara ou branca, ajudando, assim, a emitir a radiação solar.</p>
<p>Outro aspeto muito importante que os arquitetos devem ter em atenção ao projetar os novos edifícios corresponde às áreas dos vãos envidraçados: ter em atenção que, do ponto de vista de transferência de calor, grandes vãos correspondem a grandes ganhos solares e a grandes perdas térmicas, pelo que os profissionais deverão sempre ter em consideração a necessidade de proteção solar adequada e/ou de isolamento térmico. Pelos fatores mencionados, é importantíssimo que os edifícios sejam cada vez mais pensados em termos de verão no nosso país, de norte a sul, não importa a latitude, sendo que, obviamente, é no sul que as temperaturas do ar exterior têm maiores projeções de aumentar, mas é nas cidades e, em especial, nas grandes cidades que a confluência dos fatores descritos requer particular atenção.</p>
<p>Mas não basta pensar nos edifícios; as cidades, de uma forma geral, estão a &#8220;sobreaquecer&#8221;. Este é um fenómeno global e, neste momento, cerca de 400 cidades em todo o mundo têm problemas graves de sobreaquecimento, com aumentos de temperatura média no verão de 4 a 5 ºC e picos de 10 ºC superiores (Santamouris et al.), com gravíssimos problemas de saúde pública e de abastecimento de energia nos períodos de pico devido ao uso dos equipamentos de ar condicionado. No geral, o problema é sempre o mesmo: &#8220;densificação urbana&#8221;, associada ao aumento de temperatura, consequência das alterações climáticas e dos fenómenos associados de ilha de calor urbano e ondas de calor. É, pois, urgente, tornar a cidade mais verde, mais clara, mais baixa e menos densa e é urgente diminuir o chamado calor antropogénico, ou seja, retirar os &#8220;carros da cidade&#8221;. São estes os desafios do futuro presente; é necessário atuar rapidamente.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</em></strong></p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/desafio-futuro-cidades-0303-hg/">Sobreaquecimento: o desafio futuro dos edifícios e das cidades</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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