Metodologia BIM chega às grandes infra-estruturas estratégicas do país

Aprovada este ano, a estratégia nacional para a implementação do BIM aguarda ainda um plano de acção que permita generalizar o uso da metodologia no sector da construção. A Infraestruturas de Portugal já está a dar alguns passos nesse sentido, ao integrar este modelo em grandes obras públicas como a linha de alta velocidade Porto-Lisboa e a ampliação da estação do Oriente na capital portuguesa. 

O BIM – Building Information Modeling (ou Modelagem da Informação da Construção) – já não é propriamente uma novidade no sector da construção, mas a sua adopção para uma parte significativa da indústria portuguesa ainda se encontra numa fase inicial. Numa altura em que se aguarda conhecer o plano de acção para a implementação da estratégia nacional – que pretende criar as condições para acelerar a utilização desta metodologia -, a Infraestruturas de Portugal (IP) está a integrar progressivamente o BIM. 

O objectivo é “modernizar os processos associados ao planeamento, conceção, construção e gestão das infraestruturas de transporte”, pode ler-se na informação divulgada no site da empresa pública. Segundo a IP, esta aposta insere-se na sua estratégia de transformação digital, adoptada para “reforçar a eficiência, a colaboração, a transparência, a fiabilidade e a rastreabilidade da informação ao longo do ciclo de vida dos activos”. O projecto do Terminal Técnico do Oriente, que deverá ser construído em Braço de Prata, em Lisboa, foi o primeiro a ser desenvolvido pela IP com recurso ao BIM.

O projecto serviu para experimentar e validar os referenciais internos necessários à implementação desta metodologia na empresa responsável pelas redes rodoviária e ferroviária nacionais. Desde então, a experiência adquirida com o Terminal Técnico do Oriente tornou possível levar o BIM a projectos de maior dimensão e de elevado impacto estratégico, como a linha de alta velocidade Porto-Lisboa, actualmente, uma das principais empreitadas em desenvolvimento no país e cuja conclusão está prevista para 2032.

A IP revelou ainda que a metodologia está a ser integrada noutros projectos pelas próprias empresas projectistas, como é o caso do projecto de ampliação da Estação do Oriente. Esta estação ferroviária emblemática, localizada na capital portuguesa, terá de se adaptar à passagem de comboios de alta velocidade que passam a ligar as duas principais cidades do país em cerca de uma hora e 15 minutos. Prevê-se que a gare passe das actuais oito linhas para onze.

O BIM deverá, assim, ser progressivamente alargado a novas áreas de intervenção da empresa. Entre os projectos da IP previstos para os próximos anos incluem-se pontes, conservação rodoviária e sinalização ferroviária.

Mais do que uma ferramenta digital de modelação tridimensional, o BIM permite reunir e gerir informação sobre um activo construído ao longo das diferentes fases do seu ciclo de vida. Através da metodologia, a IP pretende desenvolver um ecossistema digital integrado que permita “apoiar decisões baseadas em dados, promover a interoperabilidade entre plataformas e contribuir para a inovação dos modelos de gestão”.

Neste processo, a IP considera que os grandes donos de obra podem desempenhar um papel determinante na modernização do sector. Ao introduzir requisitos BIM nos seus investimentos e ao desenvolver competências internas, a empresa defende que pode contribuir para acelerar a transformação da cadeia de valor da construção e das infraestruturas.

Os planos futuros da IP vão além da utilização do BIM durante a fase de projecto e construção. A empresa prevê articular a metodologia com tecnologias como a sensorização, gémeos digitais e a industrialização de processos para acompanhar e gerir as infra-estruturas de forma mais integrada. Por outras palavras, a ideia é passar de um modelo digital utilizado, sobretudo, para conceber os projectos para uma ferramenta capaz de acompanhar o activo depois da sua construção.

Executivo cria estratégia nacional para acelerar adopção

Esta evolução surge em linha com a estratégia nacional PortugalBIM – aprovada em Abril passado e em vigor desde Maio -, que pretende criar as condições para a implementação da metodologia, abrangendo as diversas vertentes da arquitectura, da engenharia, da construção e da operação (AECO). A estratégia pretende responder a alguns dos obstáculos que ainda limitam um uso generalizado da metodologia em Portugal, como a falta de formação, o acesso desigual às ferramentas, os custos associados e a necessidade de reforçar normas e práticas comuns. Caso sejam cumpridos os prazos definidos, o plano de acção, a cargo do Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção (IMPIC), deve ser conhecido ainda este mês. 

Este modelo digital agrega software e promove a partilha de informação e comunicação entre todos os intervenientes da cadeia de construção durante todo o ciclo de vida do edifício, desde a conceção até à operação e manutenção. Para tal, a informação deverá conter dados sobre as características de todos os elementos que compõem um edifício, bem como as suas propriedades e atributos, (sejam eles físicos, sejam relacionados custos ou com o tempo necessário para a sua construção). A ferramenta permite, assim, reduzir custos e erros nos projectos de construção.

O Governo prevê, entre outras medidas, a criação de uma plataforma nacional de conhecimento e ferramentas BIM, o desenvolvimento de orientações práticas, a formação de, pelo menos, 3 mil profissionais dos sectores público e privado e o apoio à implementação nas pequenas e médias empresas. No caso dos municípios, estabeleceu como meta a promoção da integração do BIM em, pelo menos, 50 municípios por ano durante o período de implementação da estratégia. O Executivo prevê que a estratégia vigore durante seis anos.

 

Fotografia de destaque: © Infraestruturas de Portugal (IP)

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