Um estudo desenvolvido pela Rede Europeia de Energia para a Juventude (European Youth Energy Network – EYEN) alerta para a necessidade de tornar visíveis as dificuldades energéticas enfrentadas pelas pessoas entre os 18 e os 35 anos, defendendo que a ausência de informação específica compromete a eficácia e a equidade das medidas de apoio.
Os investigadores argumentam que a maioria dos indicadores utilizados na Europa para medir a pobreza energética assenta em dados recolhidos ao nível dos agregados familiares. Esta abordagem, embora útil para identificar tendências gerais, tende a ocultar a realidade de muitos jovens adultos que vivem em habitações partilhadas, arrendam casas com fraco desempenho energético ou mantêm uma dependência económica parcial das suas famílias.
Quando um grupo não surge devidamente representado nos dados, é menos provável que seja considerado na definição das políticas públicas, nos critérios de elegibilidade dos programas de apoio ou nas estratégias de comunicação desenvolvidas pelas entidades responsáveis.
Os autores do estudo apontam o exemplo dos Países Baixos. Durante a crise energética, o país implementou um subsídio extraordinário de 1300 euros destinado a ajudar os consumidores a fazer face ao aumento dos custos da energia. Contudo, a medida excluía os inquilinos de habitações partilhadas, deixando de fora muitos estudantes e jovens adultos, apesar de estes integrarem um dos grupos mais afectados pela subida dos preços.
Segundo a investigação, a situação demonstra a importância de desenvolver políticas públicas que tenham em consideração as diferentes etapas da vida e as circunstâncias específicas de cada grupo populacional.
No caso dos jovens, existem constrangimentos próprios: muitos não têm capacidade de decisão sobre os contratos energéticos das habitações onde vivem, dependem dos proprietários para realizar intervenções de melhoria da eficiência energética e encontram dificuldades em aceder a programas de apoio frequentemente desenhados para proprietários de habitação própria ou para residentes de longa duração.
Para aprofundar o conhecimento sobre esta realidade, o Grupo de Trabalho de Jovens Consumidores de Energia da EYEN adoptou uma metodologia que combina investigação qualitativa e quantitativa. Numa primeira fase, foram realizadas mais de 150 entrevistas a jovens e a organizações juvenis de diferentes países europeus.
Os testemunhos recolhidos revelaram problemas recorrentes, como a falta de clareza das facturas energéticas, a escassa transparência por parte dos proprietários e o impacto que os custos da energia exercem sobre a saúde mental e a estabilidade habitacional.
Com base nestas conclusões, os investigadores lançaram, entre 2024 e 2025, um inquérito à escala europeia que envolveu mais de 4700 jovens, entre os 18 e os 35 anos, de nove países.
A investigação demonstra que a vulnerabilidade energética dos jovens não deve ser encarada como uma condição isolada, mas como o resultado da conjugação de vários factores, entre os quais a precariedade laboral, as dificuldades de acesso à habitação e as características dos mercados energéticos e imobiliários de cada país.
A principal mensagem do estudo é que uma transição energética justa exige que todas as gerações sejam consideradas. Para os autores, é necessário tornar visíveis as experiências dos jovens para garantir que os sistemas energéticos do futuro respondem às necessidades de toda a população.
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