O primeiro leilão europeu dedicado à descarbonização do aquecimento à escala industrial registou uma adesão significativa por parte do tecido empresarial, ao receber 85 propostas provenientes de 14 países, num total de 1,4 mil milhões de euros em financiamento solicitado.
De acordo com a Direcção-Geral da Acção Climática, o período de candidaturas encerrou no passado mês de Fevereiro, confirmando o forte interesse da indústria europeia em acelerar a transição energética. Este leilão-piloto, designado IF25 Heat, centra-se na descarbonização dos processos térmicos industriais e na produção sustentável de hidrogénio.
O elevado número de propostas reflecte a crescente pressão para reduzir as emissões associadas ao uso de combustíveis fósseis, ainda predominantes nos processos industriais. As candidaturas abrangem sectores como o químico, alimentar e de bebidas, farmacêutico, têxtil, do papel, vidro, ferro e aço.
O financiamento global previsto para os leilões ascende a 2,3 mil milhões de euros, reforçado por 1,3 mil milhões de euros provenientes de fundos nacionais alemães e por 490 milhões de euros de Espanha, no âmbito do mecanismo de “leilão como serviço”. Estas verbas são financiadas através das receitas do Sistema de Comércio de Licenças de Emissão da União Europeia.
O IF25 Heat constitui o primeiro leilão à escala da União Europeia dedicado exclusivamente ao aquecimento industrial, funcionando como projecto-piloto para o futuro Banco de Descarbonização Industrial. O objectivo é acelerar a adopção de tecnologias limpas, incluindo bombas de calor, caldeiras e fornos eléctricos, bem como soluções baseadas em energias renováveis, como solar térmica e geotermia.
Os processos térmicos industriais continuam a representar uma das principais fontes de emissões de dióxido de carbono no espaço europeu. Neste contexto, o leilão pretende impulsionar a electrificação e a substituição de fontes fósseis por alternativas sustentáveis.
As 85 propostas submetidas excederam o orçamento disponível de mil milhões de euros em cerca de 40%. A maioria dos projectos prevê a utilização de caldeiras eléctricas, com destaque para tecnologias de aquecimento por resistência directa e indirecta.
O concurso foi estruturado em três blocos distintos:
- 13 propostas para aquecimento a alta temperatura, totalizando 519 milhões de euros;
- 54 propostas para aquecimento de média temperatura acima de 5 MW, no valor de 659 milhões de euros;
- 18 propostas para instalações entre 3 e 5 MW, no montante de 229 milhões de euros.
No horizonte de cinco anos, estima-se que estes projectos possam evitar a emissão de 3,78 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, gerar cerca de 19,40 TWh de energia térmica e assegurar 981 MW de capacidade térmica electrificada. Os projectos seleccionados beneficiarão de um prémio fixo indexado à produção comprovada de aquecimento descarbonizado.
A avaliação das candidaturas ficará a cargo da Agência Executiva para o Clima, Infraestruturas e Ambiente (CINEA), que irá proceder à verificação dos critérios de elegibilidade, admissibilidade e qualificação, bem como à classificação com base nos preços apresentados.
Os projectos aprovados deverão alcançar o fecho financeiro no prazo de dois anos após a atribuição da subvenção e iniciar operações no máximo até quatro anos depois. Os primeiros resultados do processo de selecção deverão ser conhecidos entre Maio e Junho.
Os promotores seleccionados serão posteriormente convidados a negociar e assinar os respectivos contratos de subvenção, estando a decisão final de financiamento prevista para o último trimestre de 2026.
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