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	<title>Arquivo de tecnologias - Edificios e Energia</title>
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	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
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		<title>“Temos de olhar para a energia como uma plataforma”, sublinha Jorge Vasconcelos</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/2709-temos-de-olhar-para-a-energia-como-uma-plataforma-sublinha-jorge-vasconcelos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sónia Sul]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Sep 2023 13:05:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com a reformulação do mercado eléctrico europeu em discussão, Jorge Vasconcelos, presidente da NEWES – New Energy Solutions, defende que a energia tem de ser cada vez mais perspectivada como uma plataforma que garante a integração de sistemas e que a...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/2709-temos-de-olhar-para-a-energia-como-uma-plataforma-sublinha-jorge-vasconcelos/">“Temos de olhar para a energia como uma plataforma”, sublinha Jorge Vasconcelos</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Com a reformulação do mercado eléctrico europeu em discussão, Jorge Vasconcelos, </span><span style="font-weight: 400;">presidente </span><span style="font-weight: 400;">da NEWES – New Energy Solutions, defende que a energia tem de ser cada vez mais perspectivada como uma plataforma que garante a integração de sistemas e que a escala tem de ser cada vez mais local. Esta foi uma das ideias principais apresentadas ontem pelo responsável durante o evento “Energia e Economia Circular”, organizado pela Associação Smart Waste Portugal (ASWP), no qual foram também debatidos temas como a crise das matérias-primas, a <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/apoio-a-descarbonizacao-da-industria-podera-ser-reforcado-ainda-neste-ano/">descarbonização da indústria</a> e os resíduos como fonte de energia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Para chegarmos à <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/electrificacao-renovaveis-eficienciaenergetica-1910/">descarbonização</a> do sector da energia, a geração de electricidade sem CO</span><span style="font-weight: 400;">2</span><span style="font-weight: 400;"> tem de crescer três vezes [mais do que] aquilo que tem crescido”, disse Jorge Vasconcelos, ontem, aquando da sua intervenção no evento da ASWP a propósito da crise energética. Isto porque, como explicou o especialista, o futuro reserva-nos “um aumento substancial da procura de electricidade”, sobretudo como resultado da electrificação da mobilidade e do <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/2306-irena-fornece-toolbox-para-electrificacao-inteligente-do-aquecimento-e-arrefecimento/">aquecimento</a>, sem que a eficiência energética consiga compensar essa subida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também com base nesse pressuposto, a Europa tem avançado com discussões em torno da reforma do mercado eléctrico europeu. “Foi a crise dos preços [de energia] que veio permitir que esta reforma fosse discutida&#8221;, sublinhou Jorge Vasconcelos, afirmando, contudo, que esta já era uma necessidade antes da crise, alavancada pela agressão da Rússia à Ucrânia e pela necessidade de garantir a segurança energética.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recorde-se que a proposta para a reforma do mercado da electricidade europeu foi </span><a href="https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/en/IP_23_1591"><span style="font-weight: 400;">avançada pela Comissão Europeia no dia 14 de Março</span></a><span style="font-weight: 400;"> deste ano, depois de uma consulta pública lançada no início do ano, com o objectivo de acelerar o recurso a energias renováveis, eliminando progressivamente o gás, e de conferir maior protecção aos consumidores no acesso à energia a preços acessíveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, já neste mês de Setembro, o </span><a href="https://www.europarl.europa.eu/news/pt/press-room/20230914IPR05103/creating-a-more-stable-affordable-and-sustainable-electricity-market"><span style="font-weight: 400;">Parlamento Europeu deu luz verde</span></a><span style="font-weight: 400;"> para se iniciarem as negociações com o Conselho da União Europeia sobre esta reforma. Depois de este último adoptar a sua posição, poderão iniciar-se as conversações sobre a forma final da reforma do mercado de electricidade europeu com os governos nacionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para aquele que foi também o primeiro presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, este caminho vai ter de passar por uma visão mais integradora dos múltiplos sistemas de energia. “Temos de olhar para a energia como uma plataforma que nos permite uma coisa fundamental: a integração de sistemas” e, nesta visão, assente também na digitalização do sector, será preciso “olhar sobretudo para as nossas cidades, para as nossas regiões, porque é aí que estão três quartos da população e a maior parte da procura de energia”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste cenário, a capacitação dos municípios para a concepção e gestão de plataformas integradoras, a reforma “muito profunda” das redes de distribuição de energia eléctrica, e a redefinição de “novos espaços onde várias transacções [competitivas e cooperativas] possam coexistir” serão alguns dos desafios, sabendo que, na opinião do especialista, não deverá haver uma solução única para toda a Europa.</span></p>
<h4><b>Tecnologias renováveis e a crise de matérias-primas</b></h4>
<p><span style="font-weight: 400;">O aumento substancial da procura de electricidade vai levantar também questões de acesso a matérias primas para os equipamentos de produção de energia. De acordo com o relatório </span><em><a href="https://www.iea.org/reports/critical-minerals-market-review-2023"><span style="font-weight: 400;">Critical Minerals Market Review 2023</span></a></em><span style="font-weight: 400;">, da Agência Internacional de Energia (AIE), “a implementação recorde de tecnologias de energia limpa como o solar fotovoltaico e as baterias estão a impulsionar um crescimento sem precedentes nos mercados de minerais críticos” e esta procura para as tecnologias de baixo carbono “deverá continuar a crescer rapidamente em todos os cenários da AIE”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“As tecnologias renováveis são muito </span><a href="https://www.oecd-ilibrary.org/docserver/c6bb598b-en.pdf?expires=1695814210&amp;id=id&amp;accname=guest&amp;checksum=3592E9F04CF69F43DE5B5E0005266D89"><span style="font-weight: 400;">mais intensivas em </span><span style="font-weight: 400;"><em>inputs</em> </span><span style="font-weight: 400;">minerais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma central eólica </span><em><span style="font-weight: 400;">onshore</span></em><span style="font-weight: 400;"> exige em média nove vezes mais recursos [minerais] do que uma central a gás e um carro eléctrico </span><em><span style="font-weight: 400;">standard</span></em><span style="font-weight: 400;"> seis vezes mais do que um convencional”, realçou Maria Isabel Soares, professora da Universidade do Porto, que também apresentou uma sessão gravada sobre a crise das matérias-primas durante a conferência da ASWP. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caracterizando como “absolutamente assustador” este cenário que aumenta substancialmente a necessidade de matérias-primas para tecnologias que ajudem a avançar na transição energética, Maria Isabel Soares acrescentou que “pior ainda é a velocidade a que tudo isto se está a passar”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Se comparar 2020 e 2023, as matérias-primas críticas [em cada ano] mudaram significativamente (&#8230;) A evolução tecnológica é aceleradíssima e, por vezes, a dinâmica tecnológica, política e geoestratégica tem uma </span><span style="font-weight: 400;"><em>décollage</em> </span><span style="font-weight: 400;">que pode ser muito problemática e que pode prejudicar os objectivos”, reforçou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recorde-se que, também a este propósito, tem havido desenvolvimentos a nível de políticas europeias para tentar assegurar a segurança e a sustentabilidade das cadeias de fornecimento destas matérias-primas. Sendo um agente sobretudo importador (e, por isso, mais vulnerável), a União Europeia quer, até 2030, satisfazer internamente pelo menos 10 % do consumo anual no âmbito da extracção, pelo menos 40 % da transformação e refinação destas matérias-primas críticas e pelo menos 15 % da respectiva reciclagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://commission.europa.eu/strategy-and-policy/priorities-2019-2024/european-green-deal/green-deal-industrial-plan/european-critical-raw-materials-act_pt"><span style="font-weight: 400;">Acto legislativo europeu sobre as Matérias-Primas Críticas</span></a><span style="font-weight: 400;">, para o qual a Comissão Europeia apresentou uma proposta em Março deste ano, tal como a Comissão para a Indústria, Investigação e Energia (ITRE) do Parlamento Europeu neste mês de Setembro, faz parte do</span><em><span style="font-weight: 400;"> Plano Industrial do Pacto Ecológico</span></em><span style="font-weight: 400;">, que visa a transição climática e a competitividade da indústria europeia.</span></p>
<h4><b>Descarbonização da indústria e resíduos como fonte de energia</b></h4>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi também sobre a indústria que a conferência da ASWP acabou por incidir, preparando um painel sobre “a <a href="https://edificioseenergia.pt/?s=economia+circular">economia circular</a> como estratégia da descarbonização da indústria”. Com a Secil, a Vidrala, a Vista Alegre Atlantis, a EDP Geração e o Grupo Brisa representados, a sessão contou com a experiência de empresas de diferentes sectores na transição climática. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre desafios e oportunidades, a dificuldade em optimizar o uso do hidrogénio pelo seu grau de menor desenvolvimento na indústria e pelos preços elevados, a aposta no autoconsumo e na <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/aie-net-zero-2050/">eficiência energética</a> e a estratégia de aproveitamento de resíduos, sejam eles <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/1807-atlas-dos-materiais-e-dos-oficios-da-construcao-e-lancado-amanha-na-sede-da-ordem-dos-arquitectos/">materiais</a> ou energéticos, resultantes dos processos industriais foram alguns dos temas de discussão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com Carlos Medeiros Abreu, vogal do conselho de administração da Secil, empresa de produção e comercialização de cimento, betão, agregados, argamassas e cal hidráulica, o aproveitamento de calor residual para energia e para secagem de combustíveis alternativos produzidos a partir de resíduos permitiu alcançar uma eficiência energética dos fornos de 85 %. No caso da Vidrala, por sua vez, algumas fábricas italianas estão a aproveitar o calor dos fornos para aquecer redes de água no país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi precisamente na perspectiva do “resíduo como recurso para a produção de energia” que a ASWP organizou também um segundo painel, no qual participaram representantes do grupo Greenvolt, da Floene, da Veolia Portugal, da PRIO Bio e da LIPOR. “Temos resíduos a serem produzidos onde a energia está a ser consumida”, destacou Sandra Silva, directora de resíduos da Veolia Portugal, como forma de sublinhar que é preciso encontrar formas de “fechar este </span><em><span style="font-weight: 400;">loop</span></em><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Questões relacionadas com a biomassa como complemento às renováveis, a descarbonização do gás natural, a necessidade de tecnologias como o fotovoltaico, as eólicas e as baterias incluírem material reciclado, o ecodesign dos produtos, a desclassificação de resíduos, bem como a valorização energética de resíduos urbanos e industriais foram alguns dos tópicos em discussão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste campo, a LIPOR – Associação de Municípios para a Gestão Sustentável de Resíduos do Grande Porto partilhou que está a constituir uma comunidade energética intermunicipal, incluindo as autarquias associadas à LIPOR e outras três, que irá ficar desagregada da rede nacional de energia. Isto porque, explicou Fernando Leite, CEO da entidade, actualmente, a LIPOR produz energia que “dá para abastecer uma comunidade com cerca de 150 mil habitantes”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O evento “Energia e Economia Circular”, organizado pela Associação Smart Waste Portugal (ASWP), teve lugar, ontem, no Auditório da EDP, em Lisboa. Também a EDP, como entidade que acolheu a conferência, teve oportunidade de partilhar as preocupações e os planos da empresa para a transição climática, referindo-se, por exemplo, a aposta reforçada nas renováveis e na inovação, bem como a questão do reaproveitamento dos painéis solares e das turbinas no fim do ciclo de vida.</span></p>
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