Sector da construção debate como a IA pode tornar edifícios mais eficientes e melhorar o conforto

Originalmente retirado do Shutterstock

Como pode a inteligência artifícial (IA) tornar os edifícios mais eficientes e melhorar o conforto térmico? O impacto desta tecnológia e outras questões emergentes nos sectores da construção e da climatização vão estar em debate no V Congresso Internacional Giacomini. A iniciativa, que irá decorrer a  23 de Outubro, em Mortágua, coloca também em evidência os desafios técnicos e profissionais associados à transformação do parque edificado.

A forma como os edifícios podem assegurar melhores condições de conforto com menores consumos de energia vai estar no centro do V Congresso Internacional Giacomini, que decorre esta sexta-feira, 23 de Outubro, em Mortágua, Viseu. Num contexto em que a eficiência energética e a sustentabilidade exigem uma transformação dos edifícios e dos sistemas energéticos, o encontro propõe uma reflexão sobre o papel das novas tecnologias, os limites das soluções disponíveis e as competências necessárias para responder às exigências do sector.

Um dos principais temas será o uso da IA em sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC). A utilização destas ferramentas na gestão dos edifícios levanta questões sobre a capacidade de optimizar o funcionamento dos equipamentos, reduzir os consumos energéticos e melhorar o conforto dos ocupantes. Entre as aplicações em análise está a utilização da IA na gestão e optimização da produção de águas quentes sanitárias (AQS) e do aquecimento dos edifícios.

“Numa altura em que muito se fala de inteligência artificial e do seu impacto no setor AVAC, quisemos trazer este assunto para ordem do dia, desafiando os profissionais a pensar e a refletir sobre o tema”, explica, em comunicado, Vasco Silva, director geral da Giacomini Portugal. A iniciativa destina-se a arquitectos, engenheiros, projectistas, empreiteiros, construtores, docentes e estudantes ligados ao sector AVAC.

A sessão dedicada a este tema estará a cargo de João Simões, da ADENE – Agência para a Energia, que abordará a aplicação da inteligência artificial nos sistemas AVAC. A discussão insere-se num debate mais amplo sobre a forma como a digitalização pode tornar a operação dos edifícios mais eficiente, sem perder de vista as condições reais do uso dos espaços e as necessidades dos ocupantes.

 

Mas o debate não ficará apenas por esta temática: “Vamos também falar de hidrogénio na produção de energia térmica, de uma nova geração de bombas de calor, da climatização radiante e da ventilação mecânica controlada. No fundo, vamos falar de um conjunto de equipamentos absolutamente fundamentais”, resume o responsável.

Soluções para produzir energia térmica

A escolha de tecnologias de produção de energia térmica será outro dos eixos do congresso. O programa conta com uma sessão sobre papel do hidrogénio na produção de energia térmica e na sua utilização em sistemas de piso radiante, que será conduzida por Luís Ramos, do departamento de engenharia e formação da Giacomini Portugal.

Também a crescente procura por bombas de calor, a evolução dos fluidos frigorigéneos e a integração de diferentes equipamentos colocam questões sobre a eficiência e a sustentabilidade das soluções adoptadas nos edifícios.

Está prevista uma sessão sobre bombas de calor aerotérmicas, que utilizam o fluido frigorigéneo R290, conduzida por Carlos Teixeira, do departamento de engenharia da Giacomini Portugal. A apresentação abordará também o equilíbrio dinâmico na climatização radiante, uma questão relevante para o funcionamento articulado dos sistemas e para a gestão das necessidades térmicas dos espaços.

A integração de tectos radiantes, bombas de calor e ventilação mecânica controlada (VMC) será igualmente analisada por Sergio Espiñera, director técnico da Giacomini Espanha. Mais do que olhar para cada equipamento isoladamente, a sessão quer colocar em evidência a importância da articulação entre os diferentes sistemas na procura de melhores condições de conforto e eficiência.

Reabilitação e materiais mais sustentáveis

A transformação do parque edificado não depende apenas da instalação destes equipamentos. As opções tomadas na fase de projecto, a escolha dos materiais e a forma como os sistemas de climatização são integrados na arquitectura também condicionam o desempenho dos edifícios.

Neste âmbito, o congresso inclui uma apresentação sobre o projecto de edifícios sustentáveis em madeira e a sua integração na natureza, por Fernando Coelho, do Atelier FFC Arquitectos. A reabilitação dos edifícios será também abordada através do contributo da climatização radiante, numa sessão conduzida por Rui Correia, do Atelier LoftSpace. 

Desafios actuais do sector 

A capacidade de concretizar soluções mais eficientes depende também das condições de funcionamento do sector da construção e da qualificação de profissionais responsáveis pela instalação e manutenção dos sistemas. Por isso, o congresso deverá começar com uma análise do estado da construção em Portugal, a cargo de José de Matos, consultor e antigo secretário-geral da Associação Portuguesa dos Comerciantes de Materiais de Construção (APCMC).

A componente profissional terá continuidade numa sessão sobre as competências de gestão que os instaladores devem dominar, com Alexandre Gomes da Silva, presidente da Coimbra Business School, e Georgina Morais, especialista em auditoria interna. Segue-se uma intervenção de Nuno Ferreira, da DFS AVAC, dedicada aos desafios enfrentados pelos instaladores de sistemas eléctricos e mecânicos no parque edificado português.

O programa termina com uma sessão sobre inteligência emocional nas empresas, na vida e no futuro sustentável, conduzida por Ana Rodrigues, psicóloga e professora convidada da Universidade do Minho, alargando o debate à dimensão humana e organizacional das mudanças no sector.

Fotografia de destaque: © Shutterstock

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