A transição de equipamentos alimentados por combustíveis fósseis para soluções aerotérmicas está a transformar o sector da climatização. Mas a evolução vai mais além do que conseguir novos equipamentos autónomos mais eficientes: a aerotermia, a produção de electricidade através do solar fotovoltaico, a climatização, o aquecimento de águas sanitárias e a mobilidade elétrica começam a ser pensadas para funcionar de forma integrada dentro dos edifícios. Estas é uma das tendência em destaque na 4ª edição do MacoDestaques, que decorre nos dias 25 e 26 de Setembro, em Leiria.
O sector da climatização continua a evoluir para tecnologias que permitem reduzir o uso de combustíveis fósseis, como é o caso de sistemas aerotérmicos alimentados a eletricidade produzida através de renováveis. “O mercado caminha para as soluções aerotérmicas que evoluem no sentido de integrar e produzir água quente sanitária [AQS] de forma rápida e muito eficiente, integrando as soluções fotovoltaicas na produção de eletricidade local. Muito provavelmente se perspetiva a mobilidade como suporte a estas soluções”, explica, à Edifícios e Energia, o director comercial e administrador da Macolis, Bruno Carreira.
A aerotermia é uma tecnologia que aproveita a energia térmica presente no ar exterior para aquecer ou arrefecer os edifícios, bem como para produzir AQS. Os sistemas aerotérmicos são constituídos por uma unidade exterior, que capta o ar quente, e uma unidade interior, que distribui o calor ou o frio no interior das habitações. É através de bombas de calor aerotérmicas que o calor é transferido de um meio para o outro. Para a produção de AQS, o sistema é interligados a um acumulador para armazenar a água.
Actualmente, a transformação no sector não passa apenas pela substituição dos equipamentos por alternativas mais eficientes, mas também pela articulação entre as diferentes tecnologias de climatização, de produção de AQS, sistemas fotovoltaicos e mobilidade elétrica. Na prática, a electricidade produzida por painéis fotovoltaicos pode ser utilizada para alimentar as bombas de calor aerotérmicas, que são responsáveis pelo aquecimento ou arrefecimento dos espaços, bem como pela produção de AQS.
Assim, todas essas soluções podem funcionar de forma integrada num único edifício, que, por sua vez, acaba por assumir um papel cada vez mais activo na produção e consumo de energia. A Macolis está também a “aprofundar” estas soluções através do seu departamento de investigação e desenvolvimento (I&D), revelou o responsável.
Eficiência começa na fase de projecto
Esta tendência acompanha uma preocupação cada vez maior com a eficiência energética e a descarbonização dos edifícios, que está a alterar as escolhas dos profissionais. “Sentimos existir uma vontade muito grande de evoluir no sentido da eficiência energética, contudo desde a base do projeto é preciso ter em conta estas soluções e arquitetonicamente também existir essa evolução”, observa Bruno Carreira, acrescentando, no entanto, que devem ser “exequíveis pelos profissionais da construção e instalação”.
“A transição, eficiência energética e a maior preocupação com a qualidade do ar traduz-se numa evolução do sector e do tipo de equipamentos que se utiliza nas habitações. É importante que quem projeta e decide perceba essa evolução e as soluções existentes no mercado para que nesta linha entre o início da obra e o fim exista um maior alinhamento na fase de instalação pelos profissionais do sector”, defende o responsável.
É neste contexto que, nos próximos dias 25 e 26, decorre o MacoDestaques’26, evento dedicado ao sector da climatização, canalização, construção e energias renováveis, organizado pela Macolis. O certame irá reunir mais de 30 expositores nacionais e internacionais dos sectores do aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC) e das renováveis, em representação das principais marcas parceiras da empresa. Nesta 4ª edição do evento, a empresa organizadora espera que cerca mil visitantes de diferentes regiões do país passem pela Quinta do Paul, em Ortigosa, Leiria.

Apesar desta evolução, o principal desafio está em criar condições que permitam acelerar a adopção destas soluções. Bruno Carreira sublinha que “os fabricantes dispõem das soluções eficientes, os distribuidores têm produto em stock e capacidade de os introduzir no mercado, com garantias de funcionamento e manutenção, e os instaladores têm interesse e conhecimento para os instalar”. Contudo, “faltam medidas de apoio para que estas soluções sejam mais rapidamente implementadas”, considera.
Bruno Carreira considera relevantes medidas como o regresso da taxa reduzida de IVA para equipamentos aerotérmicos e energias renováveis, bem como uma maior clareza relativamente aos apois públicos disponíveis, nomeadamente os associados ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A questão ganha particular importância tendo em conta o custo inicial associado à adopção destes equipamentos, sobretudo aos consumidores em situações socioeconómicas vulneráveis. “O Estado trem abandonado estas dinâmicas. Ainda assim, o sector continua a implementá-las e fazer crescer autonomamente”, nota.
Este ano, a iniciativa foi alargada a dois dias. O primeiro dia, focado no futuro e na prescrição, será mais direcionado a arquitectos, projetistas, engenheiros, directores de obra, grandes instaladores, estudantes de cursos profissionais e superiores da área, e consumidores finais. Enquanto o segundo dia estará reservado a clientes profissionais e empresários do sector.
O objetivo é “ajudar o mercado” a implementar algumas destas tendências, explica Bruno Carreira. O responsável olha para o certame como “uma oportunidade dos jovens estudantes visitarem e sentirem que o setor está tecnicamente inovador, evoluído e apelativo”, e para “despertar a necessidade do setor em integrar jovens promissores”.
Muitas destas soluções tecnológicas que acompanham a transformação do mercado vão estar em exposição no evento. Os participantes vão ter oportunidade de assistir ainda a demonstrações técnicas e iniciativas comerciais promovidas pelos expositores.
Fotografia de destaque: © Magnific




