Portugal está entre os países da União Europeia que aumentaram a melhoria da eficiência energética das habitações nos últimos cinco anos. Em 2025, 32,8% da população portuguesa diz ter beneficiado de intervenções que contribuíram para aumentar o conforto térmico. Apesar de o país apresentar um dos melhores resultados, 80% das casas portuguesas continuam a ser energeticamente ineficientes. As intervenções não eliminam desigualdades, nem a pobreza energética.
Mais de um terço dos portugueses (32,8%) dizem ter beneficiado de melhorias na eficiência energética das suas habitações nos últimos cinco anos. O resultado é superior à média da União Europeia (UE): no ano passado apenas 23,9% da população europeia (com mais de 16 anos) vivia em casas nas quais a eficiência energética melhorou nos cinco anos anteriores, um resultado inferior ao que se registou em 2023 (25,5%), mostram os dados mais recentes do Eurostat. Portugal é, assim, o 5º país com mais população a melhorar a eficiência energética do parque habitacional entre os 27 Estados-Membros da UE.
Porém, a maioria do parque habitacional português é antigo e apresenta necessidades de reabilitação. Segundo a Estratégia Nacional de Longo Prazo para o Combate à Pobreza Energética 2023-2030, cerca de 80% das casas é energeticamente ineficiente. Parte da população portuguesa continua a viver em habitações cujas condições térmicas são inadequadas: 15,7% da população não consegue manter a casa adequadamente aquecida e 29,9% vive em habitações não confortavelmente frescas durante o verão, de acordo com o Observatório Nacional da Pobreza Energética (ONPE-PT). Estima-se que pobreza energética afeta, assim, entre 699 mil a 1,7 milhões de portugueses.
Este indicador do Eurostat inclui reformas que tenham melhorado o desempenho energético e as condições térmicas das habitações, como intervenções no envolvente dos edifícios (onde se inclui o isolamento térmico em paredes externas, telhados ou pisos), a substituição de janelas com vidro simples por janelas com vidro duplo ou triplo, e a instalação de sistemas de aquecimento e refrigeração mais eficientes.
As diferenças entre os Estados-Membros são significativas. Os melhores resultados foram registados nos Países Baixos (60,5%), seguindo-se a Dinamarca (34%), a França e a Eslovénia (ambas com 33,3%). No outro extremo, Itália (2,6%), Malta (7,8%) e Grécia (9,5%) registaram as menores taxas de residentes em habitações recentemente melhoradas.
Embora a maiorida dos proprietários europeus reconheça a importância de melhorar a eficiência energética das suas casas, renovações consideradas profundas não acontecem. Os custos associados à surgem com o principal obstáculo, mostra um outro inquérito europeu também recente.
Melhorias não são distribuídas de forma equitativa
A nível europeu, apenas 17,4% das pessoas em risco de pobreza ou exclusão social viviam, em 2025, numa habitação que tinha sido alvo de melhorias de eficiência energética, enquanto entre as pessoas que não estavam nessa situação, a proporção é de 25,6%. A diferença é de 8,2% entre estes dois grupos. Os dados mostram que esta parte da população mais vulnerável é a que vive em imóveis antigos e que tem mais dificuldade em manter as casas adequadamente aquecidadas.
Em Portugal, essa discrepância é de 10%: 24,7% das pessoas de pobreza ou exclusão social viviam, no ano passado, em habitações cuja eficiência energética foi melhorada nos últimos cinco anos, em comparação com 34,7% de pessoas que não estão nessa situação.
Pobreza energética predomina em habitações mais antigas
Os dados do Eurostat mostram também uma relação entre a idade dos edifícios e a capadidade de os manter quentes. No ano passado, apenas 4,8% dos europeus que viviam em habitações construídas a partir de 2011 diziam não conseguir manter a casa adequadamente quente. Este número aumenta para 10,1% entre os europeus que vivem em edifícios construídos a partir de 1960 ou antes.
Menos melhorias em casas alugadas e apartamentos
Outro dado do relatório conclui que são feitas menos melhorias de eficiência energética em casas alugadas e em apartamentos do que em moradias e casas compradas. Em 2025, 16,7% dos inquilinos europeus viviam numa casa que tinha beneficiado de intervenções, enquanto no caso dos proprietários este valor sobe para os 26,9%. Em Portugal, apenas 25,2% dos portugueses que arrendavam casa diz viver em condições de eficiência energética.
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