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	<title>Arquivo de construção modular - Edificios e Energia</title>
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	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 28 Feb 2025 09:39:37 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de construção modular - Edificios e Energia</title>
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	<item>
		<title>Construção Modular vai crescer 221% em Portugal</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/empresas/construcao-modular-vai-crescer-221-em-portugal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edifícios e Energia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Feb 2025 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[BuilditNow]]></category>
		<category><![CDATA[construção modular]]></category>
		<category><![CDATA[habitacao]]></category>
		<category><![CDATA[Plataforma Fixando]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os serviços que sustentam as obras para a construção modular vão subir 221% em Portugal em 2025, projeta a Fixando depois do crescimento surpreendente da procura de 117% em 2024 e 148% no primeiro mês de 2025. ...</p>
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<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-9ac00cf961d1ea846fe5a532228b76c6 wp-block-paragraph"></p>



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<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-29cbbd86b3f1bb0f8a7365c2fda107e7 wp-block-paragraph">Os serviços que sustentam as obras para a construção modular vão subir 221% em Portugal em 2025, projeta a <strong><a href="https://www.fixando.pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Fixando</a></strong> depois do crescimento surpreendente da procura de 117% em 2024 e 148% no primeiro mês de 2025.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-5d31898fb1ca9f354171c86168984141 wp-block-paragraph">A construção modular já está a mexer – e muito – com o mercado habitacional em Portugal, e em janeiro de 2025, a procura por esta solução registou um aumento de 148% face ao mês anterior e um impressionante crescimento de 261% em comparação com a média mensal de 2024. </p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-4502667f1bc70628d481fb95faa88f2e wp-block-paragraph">De acordo com os dados da plataforma, e no que diz respeito às dimensões mais requisitadas, 23% dos pedidos são para habitações entre 80 e 100 metros quadrados, 22% entre 100 e 130 metros quadrados e 21% entre 50 e 80 metros quadrados.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-3141f19aa0aae152d37590bcb2066410 wp-block-paragraph">Segundo a empresa <a href="https://builditnow.pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">BuilditNow</a>, que atua no setor da construção modular, este aumento da procura acentuou-se com a necessidade de soluções habitacionais mais rápidas, sustentáveis e acessíveis economicamente. </p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-4d55717515ebada0b010e13cb8f46645 wp-block-paragraph"><em>“Comparadas com a construção tradicional, as casas modulares oferecem prazos de entrega significativamente menores, podendo ser concluídas em meses ao invés de anos. Além disso, a otimização dos processos de fabrico e montagem pode resultar em custos mais competitivos”,</em> explica José Luís Tirado, responsável da BuilditNow.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-4bf2de1ac3ee3e428be4b356facf3c29 wp-block-paragraph">Outra vantagem apontada é a previsibilidade dos custos e prazos, uma vez que a construção modular ocorre em ambiente controlado, reduzindo a dependência de fatores climáticos e minimizando desperdícios. Além disso, esta modalidade permite maior flexibilidade no design, já que os módulos podem ser personalizados e expandidos conforme necessário.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-5dbc4ff5132303e777366785417ba11c wp-block-paragraph">A empresa considera ainda que um maior apoio público à construção modular poderá acelerar a adoção desta solução e torná-la ainda mais acessível.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-0673eeb92de63993381a9ffd6a3a7a43 wp-block-paragraph"><em>“Embora a construção modular já seja amplamente utilizada nos Estados Unidos, Canadá e alguns países europeus, em Portugal trata-se de um setor que ainda não tem muita expressão. No entanto, a valorização da sustentabilidade e a necessidade de soluções habitacionais mais eficientes têm impulsionado esta tendência no país”</em>, garante Alice Nunes, diretora de Novos Negócios da Fixando.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-2e818527c97453e014c9e1f0afd296d1 wp-block-paragraph"><em>“Com o crescimento exponencial da procura, as nossas expectativas são de que a construção modular se consolide como uma alternativa viável e sustentável para a habitação em Portugal,”</em> avança a mesma responsável.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-9ac00cf961d1ea846fe5a532228b76c6 wp-block-paragraph"></p>



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<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-9ac00cf961d1ea846fe5a532228b76c6 wp-block-paragraph"></p>



<hr class="wp-block-separator aligncenter has-text-color has-alpha-channel-opacity has-background" style="background-color:#168e9c;color:#168e9c"/>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph" style="font-size:14px"><em><strong>O texto acima é da inteira responsabilidade das empresas/entidades em causa.<br>Fonte: Press Release</strong></em></p>



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			</item>
		<item>
		<title>Luísa Magalhães: &#8220;Há um longo caminho a percorrer&#8221;</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/entrevista/luisa-magalhaes-ha-um-longo-caminho-a-percorrer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Ascenso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jun 2024 08:00:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[construção modular]]></category>
		<category><![CDATA[descarbonização do edificado]]></category>
		<category><![CDATA[economia circular]]></category>
		<category><![CDATA[eficiência energética]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[gases com efeito de estufa]]></category>
		<category><![CDATA[GEE]]></category>
		<category><![CDATA[gestão dos resíduos]]></category>
		<category><![CDATA[Luísa Magalhães]]></category>
		<category><![CDATA[sector da construção]]></category>
		<category><![CDATA[Smart Waste Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Transição energética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luísa Magalhães, diretora executiva da Associação Smart Waste Portugal, fala-nos da importância da gestão dos resíduos no sector da construção. Uma área crucial para as metas da economia circular e da descarbonização do edificado.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Luísa Magalhães, diretora executiva da Associação Smart Waste Portugal, fala-nos da importância da gestão dos resíduos no sector da construção. Uma área crucial para as metas da economia circular e da descarbonização do edificado.</p>
<p><strong>O Global Status Report for Building and Construction 2024 vai sair daqui a pouco tempo; houve progressos em relação ao ano passado?</strong></p>
<p>Nos últimos anos, tem-se sentido algum progresso da cadeia de valor da construção relativamente aos impactes, havendo também uma consciencialização face aos custos elevados causados pela não valoriza­ção dos seus resíduos. A crise das matérias-primas originou também uma reflexão sobre como fazer uma melhor gestão dos recursos e materiais a serem uti­lizados. É notório um aumento da sensibilidade para a triagem de resíduos e para a incorporação de agre­gados reciclados em obra, mas ainda não é suficiente, nomeadamente nas micro e pequenas empresas, que são a grande fatia do sector da construção. Houve, no entanto, alguns progressos em termos de digitaliza­ção e ecodesign, começando-se a pensar no fim de vida dos edifícios na fase de projecto. Apesar disso, o envolvimento de toda a cadeia de valor, da academia, das associações, dos municípios e das entidades go­vernamentais é fundamental, com a Associação Smart Waste Portugal (ASWP) vindo a ter um papel relevante nesta promoção da colaboração. O sector da constru­ção é dos que tem mais impacto em termos de extrac­ção de recursos naturais e de produção de resíduos, bem como de consumo de água, consumo energé­tico e emissões de gases com efeito de estufa (GEE). Segundo dados da Comissão Europeia e das Nações Unidas, o ambiente construído europeu é, actual­mente, responsável por 50 % do consumo energético, 30 % do consumo de água potável e 50 % de todos os materiais extraídos. É, ainda, responsável por 40 % das emissões de GEE e 30 % do total de resíduos gerados. Neste sentido, tem sido um sector priori­tário de actuação, em termos de economia circular e descarbonização, em todas as estratégias nacionais, europeias e internacionais, havendo ainda muito a fazer nesta temática. A ASWP assume a problemáti­ca dos Resíduos de Construção e Demolição (RCD) como um dos grandes desafios do sector dos resíduos no país, tendo em consideração os resultados do seu estudo Relevância e Impacto do Setor dos Resíduos em Portugal na Perspetiva de uma Economia Circular. No seguimento, foi criado um Grupo de Trabalho cuja missão é contribuir para a definição de uma estraté­gia integrada e sustentável para a gestão destes resí­duos, que dê resposta às condicionantes observadas no sector.</p>
<blockquote><p>&#8220;Segundo dados da Comissão Europeia e das Nações Unidas, o ambiente construído europeu é, actualmente, responsável por 50 % do consumo energético, 30 % do consumo de água potável e 50 % de todos os materiais extraídos. É, ainda, responsável por 40 % das emissões de GEE e 30 % do total de resíduos gerados.&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>Em 2022, a construção, a renovação e a demolição produziram, globalmente, cerca de 100 mil milhões de toneladas de resíduos, dos quais 35 % foram encaminha­dos para aterros quando podiam ter sido recuperados e valorizados. Temos ainda um longo caminho?</strong></p>
<p>O sector da construção é um grande produtor de re­síduos, e os principais materiais presentes nos RCD podem ser classificados em três grandes grupos: iner­tes, materiais orgânicos e materiais compósitos. Ainda existe pouco incentivo à triagem e ao encaminhamento correcto destes resíduos. Adicionalmente, em Portugal, o custo de deposição em aterro é baixo, a disponibili­dade das matérias-primas virgens é alta e o seu preço é baixo quando comparado com o de alguns dos agre­gados reciclados. Desta forma, as empresas não são incentivadas a encaminharem os resíduos para aterro e não promovem a sua valorização e incorporação em novos materiais. Consideramos que ainda há um lon­go caminho a percorrer e que é necessário haver mais imposições legais, mais fiscalização preventiva, maior sensibilização de toda a cadeia de valor e a promoção de um mercado de resíduos e agregados reciclados, para que seja possível desviar mais resíduos de aterro e alcançar as metas previstas.</p>
<blockquote><p>&#8220;A educação e a sensibilização dirigidas aos diversos agentes da cadeia de valor associada aos RCD é muito importante, para que se possa promover uma organização mais sustentável, em linha com os princípios da economia circular e da sustentabilidade.&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>A problemática dos RCD não é nova e nos últimos anos apareceram várias directivas europeias a promoverem este vector da sustentabilidade…</strong></p>
<p>A problemática dos RCD não é nova, mas começa a haver maior preocupação por parte dos governos, das empresas e dos cidadãos, tendo em conta as imposi­ções legais e as metas que são impostas. Tem havido um maior mediatismo na comunicação social sobre as deposições ilegais que existem, sobre o potencial dos resíduos e sobre a mudança que tem de ser feita por todos, pois não há um Planeta B. Factores como o cres­cimento da população mundial, a consequente pres­são exercida nos recursos naturais, a crise das maté­rias-primas, a produção excessiva de resíduos, a perda de biodiversidade, a emissão de gases com efeito de estufa e a crise energética fazem com que as políticas de sustentabilidade e a economia circular sejam im­perativas e assumam, actualmente, um papel de maior destaque nas agendas de vários países, sendo cada vez mais uma preocupação de todos. O sector da constru­ção e dos RCD tem sido alvo destes condicionalismos. A sustentabilidade, os critérios ESG (Environmental, Social and Governance) e a economia circular são te­mas cada vez mais presentes no dia-a-dia dos gover­nos, das organizações e da sociedade em geral que contribuirão decididamente para a descarbonização da indústria, a valorização dos recursos e para a (re)or­ganização do sistema económico actual.</p>
<p><strong>O sucesso destas práticas e abordagem depende em boa parte do empenho e conhecimento dos projectistas. Tem existido suficiente sensibilização nesse sentido?</strong></p>
<p>A educação e a sensibilização dirigidas aos diversos agentes da cadeia de valor associada aos RCD é mui­to importante, para que se possa promover uma orga­nização mais sustentável, em linha com os princípios da economia circular e da sustentabilidade. A fase de projecto é fundamental para todo o ciclo de vida das construções, incluindo o fim de vida dos edifícios, pelo que todos os elementos envolvidos nesta etapa devem estar sensibilizados. Neste sentido, os projectistas de­vem ter em consideração os materiais escolhidos, a in­corporação de agregados reciclados e o fim de vida dos edifícios, por forma a que seja mais fácil a sua desconstrução, a utilização de matérias em outras obras e a valorização de resíduos. A ASWP promoveu, em 2018, o projecto Construção Circular, apoiado pelo Fundo Ambiental, em que pretendeu apoiar a interacção dos vários actores com o objectivo de obter uma melhor e mais sustentável organização da cadeia de valor em linha com os princípios da economia circular. Foram realizadas masterclasses em universidades, nos cur­sos de Arquitectura, Engenharia Civil e Engenharia do Ambiente, pois considera-se que os alunos devem estar sensibilizados para estas temáticas antes da en­trada no mercado de trabalho.</p>
<p><strong>A Smart Waste promove os Planos de Acção para a Gestão Sustentável dos RCD. Quer dar-nos alguns exemplos?</strong></p>
<p>Desde 2018 que a associação tem vindo a promover um Grupo de Trabalho na área dos RCD, bem como projectos financiados nesta temática, procurando não só a promoção de acções de educação e sensibilização dirigidas aos diversos agentes da cadeia associada aos RCD, mas também apostar na disseminação de co­nhecimento. Desta forma, considerou-se relevante o envolvimento dos municípios para a resolução desta problemática, como entidades promotoras de obra, licenciadoras e fiscalizadoras. A ASWP promoveu o desenvolvimento de Planos de Acção para a Gestão Sustentável dos RCD na Área Metropolitana do Por­to, da região Norte e da região do Algarve. No âmbito destes planos, para além do diagnóstico das quanti­dades de resíduos produzidos, de um mapeamento de unidades receptoras de RCD e da sensibilização dos diferentes departamentos dos municípios, foram também desenvolvidos modelos de regulamentos municipais e modelos de reporte de RCD em obra. É de realçar também que a ASWP foi parceira do projec­to (Des)construir para a Economia Circular, na região do Alentejo, onde se promoveu o desenvolvimento de uma estratégia regional para a reutilização de produ­tos e componentes de construção e para a reciclagem de RCD. No âmbito deste projecto, apoiado pelos EEA Grants, foi desenvolvido um modelo de regulamento municipal para o sector da construção, um modelo de passaporte de materiais, um guia de auditorias de pré-demolição e um modelo matemático para opti­mizar a localização das instalações de armazenamento de RCD nos municípios e a rede de reciclagem regio­nal, entre outros deliverables [resultados]. Estes pro­jectos foram relevantes, mas deve ser feita uma mo­nitorização e um acompanhamento para que possam ter mais impacto na melhoria da gestão dos RCD, nos diferentes locais. O envolvimento de agentes locais, regionais e nacionais é de extrema relevância para a criação de uma rede circular e sustentável de proces­samento, distribuição e comercialização de RCD.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>2018: </strong>Foi o ano em que a ASWP promoveu o projecto Construção Circular, apoiado pelo Fundo Ambiental, em que pretendeu apoiar a interacção dos vários actores com o objectivo de obter uma melhor e mais sustentável organização da cadeia de valor em linha com os princípios da economia circular.</p>
<p><strong>A construção modular pode ser uma boa resposta nesta abordagem da sustentabilidade?</strong></p>
<p>A construção modular já existe nos países nórdicos há alguns anos, mas começa agora a aparecer em Portu­gal com soluções seguras, eficientes e sustentáveis. A construção modular assenta no pré-fabrico padroni­zado de componentes individuais, como painéis de fachada, pilares e estruturas, podendo estes e outros serem rapidamente montados no local da obra, redu­zindo as emissões de gases com efeito de estufa e as poeiras, fazendo menos ruído e economizando tempo e recursos. Adicionalmente, este tipo de construção tem em conta o fim de vida do edifício, permitindo que o mesmo seja desmontado a qualquer momento e que os componentes possam ser reutilizados ou va­lorizados de uma forma mais circular e sustentável. A construção modular é uma forma mais sustentável de construir, na medida em que incorpora os princípios da economia circular, permitindo a redução da ex­tracção de materiais, a sua reutilização, e a redução da produção de resíduos, para além de permitir a redução das emissões de carbono, a minimização da poluição sonora e a redução de riscos e acidentes de trabalho.</p>
<p><strong>A desconstrução é outro factor que tem sido muito pouco valorizado&#8230;</strong></p>
<p>A construção de um edifício deve contemplar todo o seu ciclo de vida, incluindo a desconstrução, que co­meça agora a ser mais pensada, pelo impacto positi­vo que pode trazer em termos de sustentabilidade. A ASWP tem trabalhado neste tema e, no âmbito do pro­jecto Edifícios Circulares, apoiado pelos EEA Grants, desenvolveu um conjunto de ferramentas de apoio à decisão para promover o aumento da reutilização dos materiais e a redução da produção de resíduos no sec­tor da construção, permitindo o desenho e a constru­ção de edifícios circulares. Foram desenvolvidos [os seguintes instrumentos]: um guia para criação de pas­saportes de materiais para edifícios; um guia de boas práticas para promoção da circularidade nas Declara­ções Ambientais do Produto; um guia de boas práticas para o cálculo de indicadores de eficiência de edifícios e uma ferramenta de cálculo de impactes ambientais e económicos, associados à reutilização de materiais e produtos de construção e ao tratamento de resíduos. As ferramentas desenvolvidas possibilitam a promoção de práticas sustentáveis e dos princípios da economia circular no sector da construção, o planeamento eficaz da requalificação e demolição de edifícios e a redução dos impactes ambientais associados. Para contribuir para uma maior valorização dos RCD, a ASWP encon­tra-se a elaborar um Catálogo de Utilização de RCD e Agregados Reciclados, em parceria com o LNEC – La­boratório Nacional de Engenharia Civil, com informa­ção técnica e ambiental, tendo o intuito de aumentar a confiança dos utilizadores em relação à utilização destes materiais provenientes da desconstrução de edifícios. Estas iniciativas e ferramentas desenvolvidas permitem um maior conhecimento dos edifícios e o aproveitamento dos seus materiais no fim de vida, fun­damental na fase de desconstrução.</p>
<blockquote><p>&#8220;A construção modular é uma forma mais sustentável de construir, na medida em que incorpora os princípios da economia circular, permitindo a redução da extracção de materiais, a sua reutilização, e a redução da produção de resíduos, para além de permitir a redução das emissões de carbono, a minimização da poluição sonora e a redução de riscos e acidentes de trabalho.&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>Quando falamos em recuperação e valorização dos re­síduos na construção surge o conceito da circularidade como princípio-âncora&#8230;</strong></p>
<p>A economia circular é um modelo económico de pro­dução e de consumo assente na redução, reutiliza­ção, recuperação e reciclagem de produtos, materiais e recursos, que ganham um valor e uma utilização acrescidos. Através da economia circular, pretende­-se dissociar o crescimento económico do aumento do consumo de recursos e da produção de resíduos, pre­servando, assim, o capital natural, rumo a uma maior sustentabilidade. No Plano de Acção para a Circula­ridade na Construção (2023), pode ler-se que, desde 2016, se assiste a um crescimento contínuo da extrac­ção de recursos naturais, tendo em 2020 sido extraído um total de aproximadamente 60 megatoneladas de minerais constituídos por 1 % de minérios metálicos, 9 % de minerais industriais e os restantes 90 % mine­rais usados no sector da construção. Como já foi refe­rido, o sector da construção é também responsável por 30 % do total de resíduos produzidos. A má gestão dos RCD resulta na deposição ilegal de resíduos no ambiente, originando paisagens degradadas e con­tribuindo para a criação de passivos ambientais. Uma parte destes resíduos pode ser perigosa, contendo amianto, metais pesados ou solventes, constituindo, assim, um risco considerável para o ambiente e para a saúde humana. Os RCD têm o potencial de substituí­rem matérias-primas, evitando a sua extracção, resul­tando em benefícios ambientais, nomeadamente na diminuição da pegada de carbono e no desvio de resí­duos para aterro. A implementação de um modelo de construção circular que previna a produção dos RCD e incentive a sua valorização é fundamental para a transi­ção do sector para uma economia circular, contribuin­do para o fecho do ciclo dos materiais. A construção circular é mais do que a reciclagem dos materiais de construção após a demolição de um edifício. É enqua­drada pelos princípios da economia circular, em que há uma redução da utilização de matérias-primas vir­gens e em que os produtos e materiais são reutilizados sempre que possível. Este conceito é muito relevante e deve ser aplicado envolvendo a totalidade da cadeia de fornecimento, sendo que os arquitectos, engenheiros e empreiteiros têm o papel fundamental de garantir que o design dos edifícios tem em consideração a reu­tilização dos materiais utilizados.</p>
<blockquote><p>“A má gestão dos RCD resulta na deposição ilegal de resíduos no ambiente, originando paisagens degradadas e contribuindo para a criação de passivos ambientais. Uma parte destes resíduos pode ser perigosa, contendo amianto, metais pesados ou solventes, constituindo, assim, um risco considerável para o ambiente e para a saúde humana.&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>A tecnologia tem acompanhado estes novos modelos de intervenção da construção?</strong></p>
<p>O sector da construção continua a ser reconhecido como um dos sectores que apresenta mais resistência a inovações e à digitalização. O projecto e a gestão das obras têm em si muitas tarefas e requerem a articula­ção entre equipas, sendo que estes processos seriam facilitados e mais eficientes caso houvesse uma maior automação. Um bom exemplo de uma tecnologia de­senvolvida e que já começa a ser utilizada é a ferramen­ta BIM (Building Information Modeling), que permite aos seus utilizadores aceder a informações relevantes sobre o processo de construção e acrescentá-las, as­sim como realizar a gestão da informação ao longo de todo o ciclo de vida de um edifício. Esta ferramenta é fundamental para a gestão de obra, aumentando a sua produtividade para a equipa e contribuindo para a diminuição da ocorrência de erros. Os drones, a ro­bótica e a inteligência artificial também são inovações tecnológicas que podem auxiliar numa melhor gestão da preparação e realização das obras, começando já a ter algum destaque em determinadas construções e resultando em melhorias nos negócios.</p>
<p><strong>A eficiência energética e o conforto térmico são peças importantes na construção. Não se corre o risco de se poder perder alguma qualidade com o recurso a soluções mais ágeis e flexíveis?</strong></p>
<p>O sector da construção é responsável por 50 % do consumo energético e por 40 % das emissões de GEE. Com o intuito de se reduzir o consumo de energia nos edifícios e promover o bem-estar e a saúde de quem lá habita, a eficiência energética e o conforto térmico ganham muita relevância, devendo ser tidos em consi­deração na construção das habitações. A implantação do edifício no terreno, considerando a orientação so­lar e a ventilação natural, tem grande importância na prevenção do uso de muitos materiais. A distância en­tre os edifícios também pode ser vista como uma boa estratégia para proporcionar conforto térmico sem recurso a mais materiais. A adopção de aberturas nas fachadas e coberturas pode, além de facilitar a cap­tação da luz do sol, promover a iluminação natural e proporcionar a ventilação natural, através das trocas e circulação do ar livremente, evitando o uso de equipa­mentos de aquecimento/arrefecimento e iluminação. Para além de se adoptarem algumas das estratégias apresentadas, que evitam o recurso ao uso de mui­tos materiais, por vezes, é necessário aplicar materiais nos isolamentos, nos telhados e nas fachadas, para uma maior eficiência energética e um maior conforto térmico dos edifícios. A escolha destes produtos deve ter em consideração o tipo de materiais para que estes tenham menos impacto em termos de ciclo de vida, como poderá ser o caso da madeira e da cortiça. Suge­re-se, assim, a consulta de normas e guias sobre este tema, que apontam para os principais aspectos que caracterizam os materiais a utilizar, para uma maior eficiência energética e um maior conforto térmico dos edifícios.</p>
<blockquote><p>&#8220;Acreditamos que a economia circular já é vista pelas empresas não só como uma imposição, mas também como uma oportunidade para a geração de novos projectos e negócios.&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>A economia circular e a valorização dos resíduos fazem parte de algumas certificações voluntárias dos edifícios. Será esse o caminho, o de pensar a energia, os resíduos, etc.de uma forma integrada?</strong></p>
<p>As certificações dos edifícios são ferramentas impor­tantes que servem para promover o uso sustentável de recursos materiais, água e energia, servindo de guias para uma construção mais circular e sustentável. Na definição de uma estratégia para a sustentabilidade e para a neutralidade carbónica, é importante abordar os resíduos e a energia de forma integrada, potenciando as sinergias e maximizando uma maior eficiência nos dois sectores. Foi com este intuito que a ASWP esco­lheu para tema da sua conferência anual, em 2023, o mote Energia e Economia Circular, tendo reunido líde­res empresariais e políticos, num evento onde se dis­cutiram os principais desafios e as oportunidades da economia circular e o seu papel no sector energético. A conferência teve como principais conclusões a impor­tância que a economia circular desempenha relativa­mente à crise das matérias-primas e à crise energética, bem como o papel diferenciador que o sector de resí­duos pode ter na produção de energia, nomeadamen­te através de operações de valorização energética, que podem apoiar o cumprimento da meta de desvio de resíduos de aterro.</p>
<p><strong>Quais as maiores dificuldades com que se debate a as­sociação?</strong></p>
<p>Acreditamos que a economia circular já é vista pelas empresas não só como uma imposição, mas também como uma oportunidade para a geração de novos pro­jectos e negócios. Contudo, ainda existem algumas dificuldades na medição de indicadores de circula­ridade comparáveis, barreiras legais (por exemplo, a propósito da desclassificação de resíduos), falta de financiamento, ausência de iniciativas de comunica­ção e sensibilização claras, entre outras limitações, as quais é necessário trabalhar. Reforçamos a importân­cia de haver um envolvimento das diferentes cadeias de valor, da academia, das associações, dos governos e dos consumidores, para que todos trabalhem rumo a uma economia livre de resíduos, onde tudo é con­siderado um recurso. A ASWP é uma associação sem fins lucrativos, fundada em 2015, conta com cerca de 150 associados e tem como missão Potenciar a Eco­nomia Circular nas várias cadeias de valor, através da educação, inovação, colaboração e criação de novos negócios. O seu propósito é inspirar e influenciar as entidades portuguesas a transformarem as suas práti­cas, promovendo uma economia mais circular para um futuro regenerativo. Um dos grandes desafios da tran­sição para a economia circular é o desenvolvimento de uma abordagem que seja transversal aos diferentes sectores e organizações da economia. Como tal, são necessárias medidas que, por um lado, sejam de apli­cabilidade geral às organizações e, por outro, sejam suficientemente concretas para capacitar as empresas a implementarem práticas circulares. Neste âmbito, julgo que a ASWP, bem como as suas diversas ini­ciativas, se distingue por apoiar os principais agentes das mais variadas cadeias de valor a criarem sinergias entre si. A promoção do networking e da colaboração entre as diferentes partes interessadas, incluindo até entidades concorrentes, a discussão das principais barreiras e possíveis soluções para as externalidades encontradas são exemplos do que temos vindo a de­senvolver e demonstram alguns resultados bastante positivos. Adicionalmente, a ASWP tem-se afirmado como uma entidade de referência no contexto nacio­nal no processo de transição para uma economia cir­cular, através da produção de conhecimento e divul­gação de boas práticas e da dinamização de grupos de trabalho e plataformas colaborativas. Promove, por exemplo, o Pacto Português para os Plásticos e a Plataforma Vidro+, que se mobilizam em direcção à circularidade nas embalagens de plástico e de vidro, respectivamente. No que se refere ao sector dos RCD, tendo em conta o trabalho que a associação tem vin­do a realizar, consideram-se como temas prioritários de actuação a fiabilidade na quantificação dos RCD gerados em Portugal, o atingimento da taxa de re­ciclagem de RCD, o funcionamento do mercado de agregados reciclados, a regulamentação e fiscalização na gestão dos RCD e o trabalho com toda a cadeia de valor dos RCD.</p>
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		<title>Sistema português de construção modular inova com blocos de betão armado</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/1001sistema-portugues-de-construcao-modular-inova-com-blocos-de-betao-armado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nelson Jerónimo Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jan 2024 09:29:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[betão armado]]></category>
		<category><![CDATA[construção modular]]></category>
		<category><![CDATA[ddn]]></category>
		<category><![CDATA[nzeb]]></category>
		<category><![CDATA[psp]]></category>
		<category><![CDATA[simba]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao conseguir que 80 % do processo seja realizado em fábrica, o SIMBA permite reduzir significativamente o prazo de execução da obra, além de diminuir custos, mão-de-obra e resíduos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quem passa pela nova residência dos Serviços Sociais da PSP na Amadora dificilmente acredita que os 52 apartamentos daquele edifício de cinco pisos foram montados em 22 dias. Dizemos montados e não construídos porque se trata do primeiro projecto a utilizar o SIMBA – Sistema Construtivo em Módulos Autoportantes de Betão Armado, uma solução 100 % portuguesa que se apresenta como “uma nova forma de pensar a construção”.</p>
<p>Este é um sistema altamente industrializado em que 80 % do processo construtivo acontece em fábrica, de onde os módulos já saem preparados com quase todos os elementos, desde a infraestrutura eléctrica, de água e saneamento, aos acabamentos e pinturas, passando pela instalação das janelas. Depois, os diferentes blocos são transportados para o local do estaleiro, onde se fazem a montagem (utilizando gruas) e a interligação quer dos módulos em betão armado quer das estruturas metálicas das escadas e elevadores, também modulares, bem como os trabalhos de carpintaria. Em obra são, necessariamente, efectuadas as fundações do edifício (e as caves com garagens, se for o caso) através do método tradicional de construção, pelo que esta alternativa não dispensa o contributo do empreiteiro.</p>
<p>De acordo com Carlos Oliveira, director-geral da DDN, a empresa portuguesa que desenvolveu o SIMBA, a solução difere de outros sistemas de construção modular já disponíveis no mercado. “Enquanto os outros são em madeira ou metal, o nosso sistema é em betão armado e dispensa mais estruturas. Comparativamente com o metal, o betão armado é mais económico e, em relação à madeira, permite chegar a nove pisos, sem contar com o problema dos incêndios.” Para o responsável, as principais inovações estão relacionadas com o sistema de conexão de todas as infraestruturas de águas, esgotos, electricidade, telefones e águas quentes e, sobretudo, com a solução encontrada para as ligações entre módulos, já patenteada internacionalmente (em 2021), que garante a estabilidade estrutural do edifício. “São cinco ligações em betão e aço com geometrias criteriosamente definidas e posicionadas estrategicamente para que um edifício montado em blocos possa ter um comportamento ao sismo equivalente ao de um edifício com estrutura convencional”, explica.</p>
<p><figure id="attachment_25456" aria-describedby="caption-attachment-25456" style="width: 319px" class="wp-caption alignright"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-25456" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/01/imagem-2-300x225.jpg" alt="" width="319" height="239" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/01/imagem-2-300x225.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/01/imagem-2-1024x768.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/01/imagem-2-768x576.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/01/imagem-2-1536x1152.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/01/imagem-2-610x458.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/01/imagem-2-1080x810.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/01/imagem-2-scaled.jpg 1200w" sizes="(max-width: 319px) 100vw, 319px" /><figcaption id="caption-attachment-25456" class="wp-caption-text">A montagem dos módulos faz lembrar um puzzle gigante.</figcaption></figure></p>
<p>Estas ligações foram desenvolvidas em conjunto com a Global Engineering, a empresa que apoiou e agora comercializa o SIMBA, e ensaiadas no Instituto Superior Técnico, outro parceiro do projecto desde o início, em 2018. Segundo Fernando Branco, professor catedrático do Departamento de Engenharia Civil, este sistema assenta, em boa parte, nos princípios da linha de montagem industrial, “a exemplo do que acontece numa fábrica de automóveis, mas neste caso cria-se uma linha de montagem para módulos de prédios, com todos os benefícios que daí advêm”. Com muitas décadas ao serviço da engenharia, o antigo presidente do Colégio de Engenharia Civil da Ordem dos Engenheiros diz não conhecer outros “sistemas de construção modular como este, em que se faz quase tudo em fábrica”. “Ao contrário do que acontece noutros, neste não se trata só de alguns elementos, como pilares ou casas de banho, mas de deixar praticamente tudo prontinho para a obra”, acrescenta.</p>
<h4>Menos tempo, menos custos, menos resíduos</h4>
<p>A rapidez na execução da obra é uma das grandes vantagens do SIMBA, uma vez que poderá durar metade do tempo de uma construção tradicional, estima Carlos Oliveira, sobretudo porque enquanto estão a ser preparados os apoios para assentamento dos módulos já a produção em fábrica decorre há algum tempo, com o benefício adicional de esta produção ser feita em ambiente controlado. A demonstrá-lo está a residência dos Serviços Sociais da PSP na Amadora, para a qual se “demorou quatro meses e meio a construir duas caves de estacionamento e, depois, 22 dias a montar 120 blocos, correspondentes aos 52 apartamentos, de que resultou um total de oito meses”.</p>
<p>Neste caso concreto, houve também uma redução dos custos finais da obra, cerca de 20 % comparativamente com a construção convencional, bem como poupanças significativas de energia no processo de construção: “estas decorrem do ponto de vista da logística, porque as entregas são 80 % feitas em fábrica através de grandes remessas onde o processo de descarga e armazenamento é muito mais eficiente. Mas a maior poupança deve-se ao facto de termos uma redução de 70 % dos operários em obra e à consequente redução de deslocações diárias”, diz Carlos Oliveira. Além disso, os resíduos “são praticamente inexistentes em fábrica pois tudo é aproveitado, inclusivamente a água das lavagens dos equipamentos de manuseamento de betão. Na obra praticamente não se produzem resíduos”, sublinha o responsável da DDN, empresa nacional que está no mercado há 29 anos.</p>
<p>E que limitações poderá ter um sistema como o SIMBA? Como seria de esperar, um modelo assente em pré-fabricação modular não pressupõe grandes customizações ou diferenciações, por exemplo, para uma moradia que implique muitas alterações ou pedidos de personalização. Isso não significa, no entanto, que não seja uma solução aplicável a moradias de habitação, até porque recentemente ficou concluída uma moradia piloto construída com este sistema, a primeira de um condomínio de dez. Depois desta, a DDN tem já mais 12 projetos contratados, nomeadamente para residências de estudantes, residências para seniores em Almada e na Amadora, um hotel de quatro estrelas em Cascais e edifícios residenciais, bem como muitos mais em negociação, incluindo para unidades de cuidados intensivos e escolas. O mercado estrangeiro também já se mostrou interessado, pelo que a exportação poderá ser uma realidade em breve.</p>
<p><figure id="attachment_25458" aria-describedby="caption-attachment-25458" style="width: 242px" class="wp-caption alignleft"><img decoding="async" class="wp-image-25458" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/01/imagem-6-257x300.png" alt="" width="242" height="283" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/01/imagem-6-257x300.png 257w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/01/imagem-6.png 548w" sizes="(max-width: 242px) 100vw, 242px" /><figcaption id="caption-attachment-25458" class="wp-caption-text">O SIMBA também é aplicável à habitação de luxo.</figcaption></figure></p>
<p>Para que o sistema possa continuar a ser melhorado, a DDN e a Global Engineering continuam a contar com vários projectos de Investigação Desenvolvimento, coordenados pelo Instituto Superior Técnico e com aplicação a vários níveis. Por exemplo, está em estudo a substituição do aço por fibras de vidro na composição do betão armado, “o que ajudaria a aumentar a durabilidade, porque o aço corrói ao longo do tempo e o vidro não tem esse problema, além de este ser reciclável”, explica Fernando Rocha. Outro objectivo passa por aligeirar o peso dos blocos em cerca de 40 % (os módulos actuais pesam entre 20 e 30 toneladas), por exemplo, com betão leve, pois isso facilitaria a movimentação das gruas. Pretende-se ainda aperfeiçoar o sistema de ligações, aumentando a resistência anti-sísmica, bem como fazer crescer o nível de robotização no processo fabril dos módulos.</p>
<h4></h4>
<h4>Dos isolamentos à eficiência energética</h4>
<p>Em matéria de isolamentos, o SIMBA pode usar, preferencialmente, a lã de rocha de alta densidade (ou outro), “podendo o isolamento ser aplicado por dentro, permitindo que os paramentos exteriores [do sistema] venham já acabados e pintados, ou por fora com uma solução de capoto, fachada ventilada ou outra”, diz Carlos Oliveira. No entanto, os isolamentos pelo exterior obrigam à instalação de andaimes, o que acaba por tornar a obra mais cara e demorada, contrariando a vocação original deste sistema. Em termos de ar condicionado e ventilação, o SIMBA acomoda qualquer um dos sistemas disponíveis no mercado, havendo apenas que proceder à sua integração no sistema de construção modular. Carlos Oliveira faz ainda questão de lembrar que os projectos são todos executados em BIM, “começando desde o início com uma forte integração da arquitectura modular com a estrutura”. “Depois são integradas as restantes especialidades, que, ficando maioritariamente embebidas nas paredes e lajes de betão, têm de ser estudadas nos seus traçados com todo o rigor, de forma a que, com as acoplagens, fiquem devidamente posicionadas.”</p>
<p><figure id="attachment_25460" aria-describedby="caption-attachment-25460" style="width: 387px" class="wp-caption alignleft"><img decoding="async" class="wp-image-25460" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/01/IMAGEM-4-300x169.jpg" alt="" width="387" height="218" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/01/IMAGEM-4-300x169.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/01/IMAGEM-4-610x343.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/01/IMAGEM-4.jpg 640w" sizes="(max-width: 387px) 100vw, 387px" /><figcaption id="caption-attachment-25460" class="wp-caption-text">Uma residência universitária em Benfica é o próximo grande projecto.</figcaption></figure></p>
<p>A eficiência energética também não é descurada, tal como acontece no próximo projecto a utilizar este sistema: uma residência de estudantes em Benfica (Lisboa), encomendada no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência pela Junta de Freguesia de Benfica e construída pela empresa Edivisa, do grupo Visabeira, com blocos SIMBA produzidos e comercializados pela Global Engineering. Com quase 2 500 metros quadrados de área de construção coberta e capacidade para 120 camas, este edifício irá integrar um sistema de produção de energia fotovoltaica, o que ajudará a assegurar as necessidades de energia primária e a garantir um desempenho 20 % superior ao nível NZEB (edifícios com necessidades de energia quase nulas). A ele, junta-se um sistema de tratamento, recolha e reutilização de águas cinzentas, para usos sanitários, e outro de recolha das águas da chuva gravítico (sem recurso a bombas), de modo a reaproveitar as águas pluviais para a rega do jardim. Enquanto o primeiro possibilita uma redução de até 50% no consumo de água, o outro pode alcançar uma poupança no consumo de água para rega a rondar a mesma percentagem. As preocupações com a sustentabilidade neste edifício passam ainda pela instalação de postos de carregamento de veículos eléctricos, de uma horta urbana e de um jardim vertical.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/nova-edicao-novembro-dezembro-o-dominio-do-fotovoltaico/" target="_blank" rel="noopener">edição nº 150</a> da Edifícios e Energia (Novembro/Dezembro 2023).</em></strong></p>
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		<title>Nova edição Novembro/Dezembro &#124; O domínio do fotovoltaico</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/nova-edicao-novembro-dezembro-o-dominio-do-fotovoltaico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edifícios e Energia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Nov 2023 09:56:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[construção modular]]></category>
		<category><![CDATA[construção sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
		<category><![CDATA[fotovoltaico]]></category>
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		<category><![CDATA[renováveis]]></category>
		<category><![CDATA[solar térmico]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/nova-edicao-novembro-dezembro-o-dominio-do-fotovoltaico/" target="_blank" rel="https://edificioseenergia.pt/noticias/nova-edicao-novembro-dezembro-o-dominio-do-fotovoltaico/ noopener"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-24969" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/11/EE150-capa-scaled.jpg" alt="" width="402" height="527" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/11/EE150-capa-scaled.jpg 916w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/11/EE150-capa-229x300.jpg 229w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/11/EE150-capa-782x1024.jpg 782w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/11/EE150-capa-768x1006.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/11/EE150-capa-1173x1536.jpg 1173w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/11/EE150-capa-1564x2048.jpg 1564w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/11/EE150-capa-610x799.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/11/EE150-capa-1080x1414.jpg 1080w" sizes="(max-width: 402px) 100vw, 402px" /></a></p>
<h4> </h4>
<h4><strong>O domínio do fotovoltaico<br /></strong></h4>
<p>O mercado do fotovoltaico não pára de crescer e tudo indica que esta tecnologia será preponderante na produção de energia eléctrica nas próximas décadas. Trata-se de uma peça essencial do puzzle energético dos edifícios, das cidades e do próprio sistema de energia. As novas aplicações, o potencial por explorar, o impacto na operação dos edifícios ou os bloqueios no sector são algumas das questões que lançamos neste número.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ainda nesta edição:</p>
<p><strong>ENTREVISTA</strong></p>
<p><span class="TextRun SCXW45436985 BCX0" lang="PT-PT" xml:lang="PT-PT" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW45436985 BCX0">P</span></span><span class="TextRun SCXW45436985 BCX0" lang="PT-PT" xml:lang="PT-PT" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW45436985 BCX0">edro Dias, <em>Policy Director </em>da Solar Heat Europe, analisa o mercado do solar térmico e o seu contributo para a transição energética;</span></span></p>
<p><strong>DESTAQUE</strong></p>
<p><span class="TextRun SCXW151030082 BCX0" lang="PT-PT" xml:lang="PT-PT" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW151030082 BCX0">Jornadas da Climatização: Em busca da excelência de operação nos edifícios;</span></span></p>
<p><strong>EFICIÊNCIA E ENERGIA</strong></p>
<p><span class="TextRun SCXW51028734 BCX0" lang="PT-PT" xml:lang="PT-PT" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW51028734 BCX0">Sistema português SIMBA amplia horizontes da construção modular com aplicação de blocos de betão armado;</span></span><span class="EOP SCXW51028734 BCX0" data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:259}"> </span></p>
<p><span class="TextRun SCXW229898317 BCX0" lang="PT-PT" xml:lang="PT-PT" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW229898317 BCX0">Projecto lança as bases para promover sinergias entre edifícios e a cidade de Lisboa;</span></span></p>
<p><strong>ANÁLISE</strong></p>
<p>ICLEI Europa aborda como atacar a pobreza energética na raiz do problema;</p>
<p>Desenvolvimento do mercado de energia solar térmica em 2022;</p>
<p><strong>OPINIÃO</strong></p>
<p><span class="TextRun SCXW40053182 BCX0" lang="PT-PT" xml:lang="PT-PT" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW40053182 BCX0">Carlos Oliveira: “Eficiência dos sistemas técnicos em edifícios de serviços em nome da descarbonização</span></span><span class="TextRun SCXW40053182 BCX0" lang="PT-PT" xml:lang="PT-PT" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW40053182 BCX0">”; </span></span><span class="EOP SCXW40053182 BCX0" data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:259}"> </span></p>
<p>Serafin Graña: “Transição energética entre todos: o autoconsumo como chave para a mudança”;</p>
<p><strong>CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL</strong></p>
<p>Avaliação ambiental e económica do ciclo de vida de cobertura plana tradicional inovadora;</p>
<p><strong>ACTUALIDADES</strong></p>
<p><em>Vale Eficiência II</em>: Segunda fase do aviso avança em Novembro;</p>
<p>Acordo europeu provisório aponta para mais restrições no uso de gases fluorados.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Não perca estes e outros temas na edição de Novembro/Dezembro</strong><strong> de 2023 da <a href="https://edificioseenergia.pt/revista/"><em>Edifícios e Energia</em>.</a> Saiba mais <a href="http://loja.medialine.pt/Loja/?p=edificiosenergia">aqui</a>.</strong></p>
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