Mais de sessenta empresas, associações, grupos de reflexão e organizações da sociedade civil de toda a Europa subscreveram uma carta aberta dirigida à Comissão Europeia. Apelam à manutenção de pelo menos 30% do orçamento da União Europeia para a acção climática e 10% para a biodiversidade no próximo Quadro Financeiro Plurianual pós-2027.
A iniciativa surge na sequência da comunicação da Comissão Europeia em Fevereiro deste ano, onde se propôs um orçamento mais simples, orientado e com maior impacto. Entre os sinais de mudança, destacam-se a publicação do Acordo para a Indústria Limpa e o anúncio de um novo Fundo Europeu para a Competitividade.
Os signatários, entre os quais se encontram entidades como a EHPA (Associação Europeia de Bombas de Calor), a EASE (Associação Europeia para o Armazenamento de Energia) e a Euroheat&Power, alertam que “um objectivo de despesa horizontal para o clima e o ambiente é a forma mais simples, mas mais poderosa, de garantir que a União Europeia continua a canalizar fundos para projectos que impulsionam a transição para uma indústria limpa e reforçam a resiliência da Europa”.
Com o actual Quadro Financeiro Plurianual, pelo menos 30% da despesa global é dedicada à acção climática, com um objectivo complementar para a biodiversidade. Desde 2021, o orçamento da União Europeia tem permitido cofinanciar mais de 11 000 projectos que promovem uma economia hipocarbónica, desde iniciativas de eficiência energética à economia circular e à electrificação dos transportes.
Para os signatários da carta, a continuidade deste tipo de investimentos é essencial: “A implantação de energias limpas – incluindo renováveis, redes inteligentes e infraestruturas eficientes – exige investimentos sustentados para reduzir a volatilidade dos preços e os riscos de segurança causados pelas importações de petróleo e de gás”.
O apelo sublinha ainda a importância económica dos investimentos verdes, que, segundo os subscritores, “têm um retorno mais elevado do que as despesas não ecológicas, gerando um crescimento da produtividade mais rápido e sustentável e reforçando a resiliência económica”.
A carta termina com um alerta claro: “A Europa é o continente que regista o aquecimento mais rápido do mundo e desviar recursos da atenuação e adaptação às alterações climáticas nesta fase aumentaria ainda mais as nossas vulnerabilidades decorrentes da relação entre clima e segurança. Sem uma acção decisiva, os riscos climáticos, exacerbados pela perda de biodiversidade, aumentarão o custo da inacção e terão um impacto grave nas empresas europeias, pondo em causa a prosperidade, o emprego e as condições de trabalho a longo prazo”.
Com esta posição conjunta, os signatários apelam à Comissão para enviar um “sinal claro e inequívoco” de que a Europa continua empenhada em liderar a transição global para uma economia neutra em carbono.
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